Os Shopping Centers como cidadania

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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A um ano de completar o seu cinquentenário, desde que o Iguatemi SP abriu, é inegável que a operação Shopping Centers ocupa um importante espaço econômico, social e cultural em nosso país.

 

A par de significativos números como 142 bilhões de reais em vendas anuais, um milhão de empregos, e 33 milhões de m2 de lojas, há um aspecto diferencial de cidadania urbana ao se comparar 1966 com 2015. Fato que deve explicar os 430 milhões de pessoas que visitam mensalmente os Shopping Centers. Grosso modo, o Brasil circula duas vezes por mês nos Shoppings.

 

Em SP, há 49 anos, a nata dos comerciantes estabelecidos na Rua Augusta não apostou no Iguatemi, além de menosprezar o formato inovador à época, quando imaginavam que ninguém iria fazer compras em um “caixote fechado”.

 

Imaginação errada e imagem certa, pois as vantagens urbanas desgastadas neste espaço de tempo passaram para o ambiente fechado dos modernos equipamentos de hoje.

 

Ao formato em si, que já potencializava vantagens competitivas suficientes ao sucesso, foi adicionado o mais da cidadania perdida. Que ficou fora do “caixote fechado”, e dentro dos Shoppings como bem analisa Ivan Angelo na VEJA SP. Ao lembrar que o “citadino recupera a cidadania roubada, reencontra o despreocupado privilégio de flanar, de vagabundear, descuidado dos perigos. E não tropeça em sem-teto, craqueiros, mendigos profissionais. Não há flanelinhas, fealdades, pichações”.

 

O modelo que foi segmentado em categorias e valores compõem-se de lojas Âncora 3%, Megalojas 2%, lojas Satélites 72%, Alimentação 12%, lojas de Serviço 7%, salas de Cinema 3%, e lazer 1%. Esta estruturação encontra agora o desafio da crise econômica, que atinge principalmente as lojas satélites.

 

Os altos custos operacionais que transformam as despesas de condomínio e locação reduzem as margens destas lojas, que em maior número começam a desestabilizar.

 

Aos Shoppings a saída ainda não foi visualizada. A miopia fará mal aos lojistas, mas também aos Shoppings, pois ao abrir mão delas poderão estar entregando-as de mão beijada ao comércio eletrônico.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

4 comentários sobre “Os Shopping Centers como cidadania

  1. Ontem em reunião plenária da ABRASCE ( Associação Brasileira de Shopping Centers ) em que foi eleito o Conselho da entidade, onde tomou posse o novo Presidente, Dr. LUIZ FERNANDO VEIGA, houve palestra sobre o momento atual do Varejo. O palestrante, ALBERTO SERRENTINO, titular da VARESE – Retail & Strategy, ao traçar tecnicamente o panorama estratégico e operacional das marcas nacionais e internacionais dominantes no Brasil, destacou a função cada vez mais preponderante do comércio eletrônico. Uma prova é o setor de moda, que sempre se disse que a necessidade de provar e tocar o produto impediria a venda eletrônica, é hoje o líder em quantidades vendidas pela internet no Brasil, com 17% do mercado. Disse ainda que os americanos já não buscam saber de onde origina a venda, pois o virtual e o real estão interligados.Bem, outros importantes aspectos trataremos num post específico.

      • Excelente.
        Já ouvi comentários sobre esta matéria do Ethevaldo, inclusive com a pertinência entre o post e a reunião de ontem na ABRASCE.
        Na verdade, como sendo do meio da moda e totalmente crente na possibilidade do e-commerce em moda, estou começando a realizar esta visão do passado.
        Ao mesmo tempo, a outra visão de que o concreto dos Shoppings poderão e deverão se transportar também para o mundo virtual creio que está prestes a se realizar. Nem que os proprietários de Shoppings acordem tarde para a realidade de que hoje várias lojas reais estão usando seus Shoppings para vender pela internet sem pagar nada.

  2. Carlos, boa tarde.

    Parabéns pela matéria.

    Não tenho duvidas que os Shoppings terão que ingressar no mercado online, uma vez que os lojistas já descobriram esta importante ferramenta de relacionamento e vendas.

    O futuro do varejo esta no sucesso desta integração de canais. Os Shoppings que fornecerem isto a eles largarão na frente.

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