Avalanche Tricolor: uma vitória com fé, dor e sofrimento

 

Grêmio 1×0 Ponte Preta
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Justa comemoração, em foto de LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

 

Foi um fim de semana intenso. De emoções variadas, sentimentos diversos e espiritualidade. Confinado por três dias em uma casa de retiro aqui próximo de São Paulo, tive acesso a pouca informação. Muito mais uma opção do que restrição tecnológica. Havia outros objetivos nesses dias todos de oração, silêncio e reflexão.

 

Das poucas notícias que surgiram, e não foram pelos meios tradicionais de comunicação, veio a apreensão em relação a saúde de um personagem que esteve nesta Avalanche algumas vezes. Refiro-me ao padre José Bertolini, conterrâneo, nascido em Bento Gonçalves, e, claro, gremista. Que por coincidência passou a rezar missa na capela perto de casa.

 

Bertolini esteve, por exemplo, na crônica do histórico 5×0 como você pode conferir neste link. Também foi visionário na estreia que tivemos na edição do ano passado no Campeonato Brasileiro quando assistimos ao empate com a Ponte Preta, mesmo adversário desse domingo.

 

No sábado, padre Bertolini sentiu uma dor no peito pouco antes de iniciar a missa das 18 horas. Apesar da recomendação para que fosse ao hospital, fez questão de cumprir compromisso assumido com os fiéis e presidiu a celebração até o fim. Muitos devem ter ficado incomodados com a insistência dele, pois, como se provou pouco depois, o padre teve um infarto no coração e está internado na UTI de um hospital paulistano.

 

Pelo que conheço dele, porém, não me surpreendo com a decisão. Padre Bertolini é daqueles que não se entrega fácil, insiste em contrariar as previsões médicas, é incapaz de admitir que uma dor, seja qual for, vá lhe tirar o direito de cumprir sua missão. Nem mesmo uma doença crônica impede que ele trabalhe com vitalidade e inteligência. Aliás, é esta mesma façanha dele que me dá esperança de que logo estará de volta à sacristia, firme e forte.

 

A outra notícia que havia sido reservada para mim, neste fim de semana, viria logo depois que deixei o retiro. Ainda na estrada, a caminho de casa, acessei a Grêmio Rádio Umbro pelo aplicativo no celular, imaginando que a partida havia se encerrado pelo adiantado da hora. Ledo engano. Naquele exato momento, aos 49 minutos do segundo tempo, Luan acertava em cheio, com o pé esquerdo (e com dores como revelou mais tarde), um chute fatal no gol adversário. Gol que foi resultado da perseverança e crença de que a vitória sempre é possível. 

 

Soube depois que havíamos desperdiçado muitos ataques, enfrentado um time retrancado que teve um jogador expulso ainda no primeiro tempo, perdido Lincoln com um cartão vermelho no segundo e levado uma bola no poste já nos acréscimos. Ou seja, penamos e sofremos até a vitória que nos levou de volta à liderança do Campeonato e diante de um daqueles times que colocamos na categoria de “touca”, assim como Coritiba, Goiás e algum outro de Santa Catarina.

 

Ao tomar conhecimento de tudo o que nos aconteceu nesse jogo, só tenho a agradecer mais uma vez aos que me proporcionaram os três dias de retiro, silêncio e reflexão. Além de todos os benefícios que esses momentos trouxeram à alma, ao espírito e à mente, também evitaram que eu sofresse um ataque diante da televisão. Pois não creio que minha fé e meu coração sejam tão resistentes quanto o meu querido e gremista Padre Bertolini que, certamente, vai vencer mais esta batalha.

4 comentários sobre “Avalanche Tricolor: uma vitória com fé, dor e sofrimento

  1. Imagino que nenhum gremista, dos que adoram criticar Luan, irão continuar a duvidar dele depois do gol que marcou ao “apagar das luzes” do jogo desse domingo. A Ponte é uma equipe das mais xaropes e não é de brincadeira. Deu trabalho ao Grêmio. Somente a categoria de Luan foi capaz de encerrar a partida com um gol de ultimíssima hora. Os outros atacantes tiveram pífia atuação.E não se diga que lhes faltaram oportunidade de chegar às redes. Por tanto,tratem bem ao Luan. Convém repetir o nome,porque parece que alguns gremistas nunca o viram jogar.

    • Luan é um craque que incomoda ao adversário por seu talento, mas parece incomodar alguns torcedores por seu comportamento. Dá a impressão de que não está envolvido com o jogo, quando na realidade está concentrado em encontrar um caminho para o gol ou para para proporcionar aos seus companheiros de time a chance de fazê-lo.

  2. Moro há 18 anos aqui em Campinas-SP e posso afirmar: a Ponte é um time médio mas muito difici de se bater, seja em Campinas ou fora. Jogando com o Grêmio então nem se fala. Por isso mesmo devemos valorizar muito sim a vitória conseguida nos acréscimos. Fruto da persistência de um time que não se contentou com outro resultado que não fosse a vitória. Dá-lhe Grêmio e que venha o Negueba! Acreditemos!

    • Todo nosso respeito a Ponte Preta. Ano passado, perdemos o campeonato nos pontos desperdiçados em algumas partidas em casa, assim como jogamos fora algumas vitórias certas fora de casa. Foi o próprio Roger quem me chamou atenção para o fato de que o campeonato iria se decidir nos jogos contra adversários supostamente com menos chances de chegar ao título.

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