Sete meses da Tragédia de Mariana, e daí?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Tragédia de Mariana em foto do Greenpeace Brasil no Flickr

 

Cinco de junho é o Dia Internacional do Meio Ambiente cujo propósito é divulgar e conscientizar a importância da preservação dos recursos naturais. Portanto, há três dias o mundo deveria ter se ligado a questão ambiental. O Brasil também.

 

No dia Cinco de Novembro de 2015, no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, uma barragem da Samarco, da Vale do Rio Doce, se rompeu, vazando lama de minério que inundou vilas e cidades. A devastação foi total, destruir e matou o que encontrou pela frente. Minas Gerais e Espírito Santo ainda hoje e por tempo ainda não determinado pagam caro pela irresponsabilidade de poucos.

 

Vinte dias após essa tragédia, os deputados mineiros aprovaram (57 a 9) projeto de lei comandado pelo governador Fernando Pimentel do PT que acelerava as licenças ambientais.

 

Há cinco meses, entrou em vigor o Programa das Nações Unidas que propõe os OBJETIVOS DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL. Entre tantos, o combate ao desmatamento, ao aquecimento global, à degradação ambiental, ao uso excessivo de agrotóxicos, ao uso criminoso do solo, das florestas, das águas e demais recursos naturais.

 

Também há cinco meses, o senador Romero Jucá do PMDB/RR apresentou projeto no sentido de liberar o licenciamento ambiental de grandes obras dos setores de transporte, energia e telecomunicações; de se sujeitar à audiência pública, além de especificar e reduzir prazos. É o projeto de lei 654/2015 apresentado dentro do pacote “Agenda Brasil” de Renan Calheiros do PMDB/AL para enfrentar a crise econômica e está há um mês em fase de análise e votação no Congresso.

 

Ao mesmo tempo, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou a Proposta de Emenda Constitucional do senador Arcir Gurcacz do PDT/RO, que determina que a apresentação de estudo prévio de impacto ambiental é suficiente para que se autorize a execução da obra, sem possibilidade de suspensão ou cancelamento. Ou seja, essa PEC acaba com o licenciamento.

 

E daí? Éramos felizes e não sabíamos.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

2 comentários sobre “Sete meses da Tragédia de Mariana, e daí?

  1. A FOLHA DE SÃO PAULO, de hoje, 9/6/16, em matéria de José Marques de Belo Horizonte, informa que as 19 pessoas que morreram, os 600km destruídos pela lama no caminho ao mar, e o soterramento do vilarejo de Bento Rodrigues, não foram suficientes para sensibilizar a SAMARCO, responsável pelo desastre de Mariana.
    O Comitê interfederativo, formado pela Mineradora Samarco, pela União, e pelos estados de Minas Gerais e Espirito Santo relatou que até agora as obras de segurança necessárias para evitar novo transbordamento ainda não foram iniciadas.

  2. Hoje, sexta feira, 10 de junho, está na mídia, e especificamente na FOLHA DE SÃO PAULO, que o executivo da Camargo Corrêa, Luiz Carlos Martins, em seu acordo de delação premiada com a LAVA JATO, acusa o senador Edison Lobão PMDB MA de ter recebido propina de 2 milhões de reais em virtude das facilidades oferecidas à realização da USINA DE BELO MONTE.
    A justificativa : ” Teria ajudado a montar os consórcios e para que ele não impusesse obstáculos ao andamento da obra. ”
    Como sabemos, BELO MONTE, foi muito combatida pelos ambientalistas, e recentemente já se tem ideia dos estragos aos moradores e pescadores da região.

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