São Silvestre venceu revoluções e guerras. Será forte para superar a má organização?

 

 

Por Carlos Magno Gibrail

  

 

  

 

Pessoas não inscritas podem entrar como penetra num evento gigantesco com 30 mil atletas regularmente credenciados, ocupando assim precioso espaço, usufruindo da estrutura do evento e servindo-se dos necessários líquidos e alimentos destinados ao grupo que pagou R$ 160 para ter esses direitos. E boa parte desse pessoal ficou sem água durante o percurso. Isso, quando não teve celular roubado por intrusos, que corriam mais.

  

 

Essas ocorrências geradas pela má organização da 92a. Corrida de São Silvestre redundaram em várias reclamações via internet e e-mails. Destaco aqui o que recebi do Dr. Marcelo Alves Moreira, médico ortopedista, experiente atleta amador, com participação em provas nas cidades de Buenos Aires, Berlim, Chicago e Nova York:

  

 

 
 

 

“O problema são as grandes falhas da organizadora (Yescon). Começamos com o grande número de pessoas não inscritas já se acotovelando na Paulista. Em seguida, o horário não é adequado para uma prova de 15 km num país tropical: às 8 da manhã já marcavam 28 graus Celsius nos termômetros.
 

 

 

Bem, mas A hidratação seguiu padrões mundiais das maratonas que nos seus 42 km, mantêm, a cada quase 4 km, um posto. É! mas essas corridas não chegam à temperatura de 31 graus às 10h, quando passei no primeiro posto de hidratação que já apresentava dificuldade para conseguir um copinho…

  

 

No segundo posto de hidratação, na Avenida Rio Branco, já não consegui pegar água. Atravessamos a rua e ficamos na fila por 15 minutos. Tivemos tempo até de presenciar o roubo de um celular de uma corredora por um trombadinha que corria mais que ela…

  

 

Convivas de outras cidades e até de outros países vizinhos, reclamavam muito de toda organização do festejo.

  

 

Bom, no final ganhamos um brinde, uma bela medalha – realmente – mas a falta de educação e a agressividade da “hostess” que me entregou quase fez perder a paciência e me irritar”.

 
 

 

O charme da corrida noturna na passagem de ano, que Casper Líbero, milionário paulista do setor de mídia conseguiu trazer, foi crescendo e desde seu início, em 1925, viu-se uma evolução constante. A Corrida de São Silvestre tornara-se um dos maiores momentos no calendário esportivo. A ponto de nunca ser interrompido. Passou incólume até pela Revolução Constitucionalista de 1932 e da Segunda Guerra Mundial.

  

 

A cidade de São Paulo incorporou de tal modo a São Silvestre que paulistanos postergavam as viagens de fim de ano para assistir aos ídolos da Corrida que eram atraídos pela festa de A GAZETA.

  

 

O declínio do jornal que a criou colocou a nova realidade e outros investidores vieram, com diferentes interesses.

  

 

Tiraram-na do horário noturno e a magia se desfez, restando à São Silvestre competir com outros embates do pedestrianismo.

  

 

Daí a importância suprema, hoje, do esmero organizacional. Perder charme e singularidade é palatável, mas perder a ordem é imperdoável.

  

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.
 

 

*As fotos que ilustram este post são do site oficial da Corrida de São Silvestre

4 comentários sobre “São Silvestre venceu revoluções e guerras. Será forte para superar a má organização?

  1. Marcelo, obrigado pela participação. Hoje, ao reproduzir no programa sua reclamação, a partir do texto do Carlos Magno, outras pessoas compartilharam conosco os problemas enfrentados durante a Corrida.

  2. Também corri com inscrição e concordo plenamente que a organização está piorando ano a ano, no entanto minha visão é um pouco diferente.

    Importante informação que o nível de abstenção de inscritos é de 20%.

    Ele cita que teve problema logo no primeiro ponto de hidratação (isso seria causado pelos não inscritos, somente se eles passassem todos antes do médico).

    Essa situação (de não inscritos) ocorre em todas as provas de corridas pedestre (e são muitas) e eu nunca tinha visto isso (falta de agua).

    O sol estava castigando mais do que nunca, contando que estamos no horário de verão, quem concluiu em 2 horas, cruzou a linha de chegada exatamente meio dia, assim, a falta de água é realmente um problema grave.

    Me parece que o que ocorreu foi um abastecimento de agua reduzido/equivocado.

    Impedir não inscritos de participar é impossível e comparar corridas de países desenvolvidos também não considero coerente pois a educação e nível financeiro são bastante diferentes.

    Muito obrigado,

  3. Concordo com a falta de organização e problemas possivelmente criado pelos “pipocas”, porém na hora de ir embora, ainda na Avenida Paulista, pude ver vários pallets com caixas de água ainda completos. Na hora acabei nem pensando em tirar fotos pois não sabia ainda da ocorrência do problema com os postos de hidratação, mas já ví varias imagens sobre isso nas redes sociais. Ainda no caminho para o estacionamento e uma avenida paralela observei vários carros com os porta malas abertos e várias caixas sendo guardadas. Acredito que essa questão dos corredores não inscritos deve ser observada, mas acho que a organização do evento está jogando 100% da culpa em cima destes, enquanto houve claramente falta de organização na distribuição da água. Água tinha, porém nos lugares errados…

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