Avalanche Tricolor: obrigado, pai!

 

Palmeiras 1×2 Grêmio
Libertadores — Pacaembu-SP

 

 

Gremio x Palmeiras

Everton dispara para o segundo gol em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Eu pedi para você, pai. Antes do jogo começar. Eu pedi para você, pai. Sabia que você não poderia estar mais ao meu lado. Mas eu pedi, pai. Sei lá por onde você andava. Mas quis acreditar que você estava por aí. Em algum lugar qualquer. Prestes a me ouvir. Perto de mim, mesmo que em uma distância eterna. Uma distância que ainda me faz sofrer, sentir dor no coração. Uma dor que amanhã completará um mês.

 

Mas eu precisava que você estivesse comigo em mais essa, pai. Você nunca me faltou quando precisei. Me incentivou a não desistir jamais, mesmo quando percebia que eu não era capaz de fazer mais. Você acreditava. Você me ensinou a acreditar. E, por isso, eu pedi para você, pai: “nesta noite, me dá só essa vitória”.

 

Você sabe o que é estar sozinho por aqui. Isolado em São Paulo. Ouvindo desde cedo a provocação do adversário. Vendo o olhar desconfiado dos que não conhecem a nossa história. Recebendo a mensagem às vezes agressivas. Outras jocosas. Nesta noite nem os meninos estavam ao meu lado, pai.

 

Só não imaginava que você fosse me testar dessa maneira. Aquele gol contra logo no início era para ter me levado para cama mais cedo. Baixado a cabeça. Me preparado para a dureza do amanhã. Mas eu voltei a pedir a você, pai. “Você tá comigo aí, né!?!”, pensei em voz baixa enquanto o grito da vizinhança feria meus ouvidos.

 

Lembrei de quantas vezes você me abraçou nas arquibancadas do Olímpico. Enxugou minhas lágrimas. Mandou eu lavar o rosto, porque estava na hora da reviravolta. E a volta por cima se dava.

 

Demorou pouco para você me mostrar que, sim, você estava por aí. Prestes a me ajudar. Atento ao que eu pedia. Que eu não estava sozinho, não. E o primeiro sinal veio naquela bola jogada para dentro da área e escorada com a categoria de Everton. E se consumou com os dribles incríveis do mesmo Everton. E a conclusão do preciso Alisson.

 

Você não parou por aí, pai. Você se expressou em Geromel, o nosso Mito. Na raça de Kannemann, o nosso Gigante. No talento de Jean Pyerre, o Filósofo da Bola. Em cada um daqueles que vestiram a nossa camisa nesta noite, no Pacaembu, lá estava você, pai. Estava jogando para me fazer feliz, mesmo sabendo a tristeza que ainda sinto pela sua perda.

 

Pai, obrigado!

11 comentários sobre “Avalanche Tricolor: obrigado, pai!

  1. Parabéns pelo seu Grêmio e mais parabéns ainda por ter tido um pai tão maravilhoso que te propiciou tantas coisas boas. Hoje ficam as lembranças e a saudade. Fé e força… de um corintiano que nesse momento é um gremista de carteirinha. Abraços

  2. Meu Deus, linda mensagem, também estou sozinho em SP, só que lá no Sul, meu pai aos 92 anos, sei que estava secando nosso time🇧🇼🇧🇼🇧🇼 imortal tricolor 🙏🇧🇼

  3. Que noite maravilhosa! Parece interminável. Parece que o Grêmio não se cansa de mostrar para o Brasil a sua Imortalidade. Somente quem é Gremista pode ter esse sentimento sem explicação. Quando ninguém mais acredita lá no fundo vem o resgate da nossa alma copeira. De lavar a alma! Obrigado Deus!

  4. Meu jornalista preferido, ouvi um comentário seu sobre o respeito do motorista ao outro no trânsito e gostei de mais na sua menção em dizer que liga o pisca alerta pra agradecer , pois bem eu rodei um milhão e quatrocentos mil kms nesse país como taxista , e em 1995 eu observando os caminhoneiros cumprimentando os outro nas estradas eu resolvi achar um geito de agradecer o motorista na cidade e assim passei a agradecer dessa forma e hoje vejo que tá generalizada na concinhecia do motorista.
    Tudo que vc falou no Band gaest do dia 28/08/2019, sempre foi minha intenção, um forte abraço

  5. Sr Milton Jung, bom dia!

    O Palmeiras não tem mundial; mas acho que esse ano desencanta. ainda mais com o melhor técnico do mundo; “FELIPÃO”. Sou Santista mas, creio que esse ano dá PORCO.

    Abraço.

    *jmpires*

  6. Parabéns ao time do Grêmio que soube superar os obstaculos e chegar a vitória. E também sem dúvida parabenizar aos torcedores que não desistiram de acreditar, como o nosso amigo Milton.

  7. Sinta-se abraçado por um gremista que acabou de ler seu texto e não segurou o choro no meio dos colegas de trabalho. Que linda mensagem. Perdi meu pai há 24 anos e ainda sinto a sua presença ao meu lado. Ainda que ele nunca tenha sido um grande fã de futebol, era um colorado capaz de torcer para o Grêmio apenas para ver o filho feliz. Pois eu, ainda embriagado de alegria pelo resultado de ontem, trocaria a nossa classificação épica por um último abraço nele/dele. Essa saudade nunca passa, mas aprendemos a viver bem com ela.
    Um forte abraço de solidariedade e de agradecimento por tudo que sua família representa para o Grêmio e para a nossa torcida.

  8. Com a camisa do Grêmio no Esporte Clube Pinheiros, me pego chorando lendo tua coluna só hoje pq apesar de meu pai ainda vivo consigo claramente relacionar ao que sentiste. Força e dá-lhe Grêmio!

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