Conte Sua História de São Paulo: fé e crença de que as coisas podem mudar

Foto de arquivo: Arsenal da Esperança

Neste último sábado de Julho, o Conte Sua História de São Paulo completa a série de textos selecionados, de um total de 66 escritos por pessoas acolhidas durante a pandemia no Arsenal da Esperança, onde funcionava a Hospedaria dos Imigrantes, na Mooca. Nossa ideia foi chamar atenção para a existência de pessoas que vivem em situação de rua e precisam da nossa ajuda. Leia o texto esrito por Anderson Francisco:

Nunca diga nunca. Essa é uma frase que eu escutava muito quando eu era pequeno. Você nunca pode desacreditar das coisas. Porquê? Você nunca sabe se isso pode realmente acontecer com você.

Às vezes, me pergunto o que Deus tem planejado para minha vida, e qual será o propósito disso tudo. Nós seres humanos, chegamos a um ponto que não temos mente alguma para compreender tamanho poder.

Antes de eu ouvir falar sobre a pandemia ou me falarem sobre o Arsenal da Esperança, passei por muitas turbulências conturbadas durante minha vida. Um pai alcoólatra e uma mãe doméstica por destino. Pequenos filhos, com um péssimo ensino e uma baixa renda que, de tão baixa, uma anã é gigantesca perto dela.

Apesar disso tudo, tive uma boa educação dada por eles, me amaram e me deram boas surras … que nós aprontávamos! E também nunca deixaram faltar nada dentro de casa. Meu pai era pedreiro, saiu do nordeste de Pernambuco, bem novo, com quatorze anos de idade.

Veio a São Paulo a procura de serviço, começou bem cedo na roça, ajudando os pais com as tarefas da roça, junto com o resto dos irmãos. Veio embora ao rumo de São Paulo se queixando de surras constantes que levava de outros irmãos mais velhos. Minha mãe saiu de Goiás, era bem mais velha que meu pai. Tinha dezessete anos de idade e saiu de casa pelos mesmos motivos que meu pai, surras diárias que não aguentava.

Se encontraram em São Paulo, se conheceram e tiveram três filhos, uma menina e dois meninos.

O tempo passou, nós crescemos, alguns se foram e outros ficaram e a vida continuou.

Eu me envolvi com drogas, morei nas ruas, filho pequeno. Aí entra o Arsenal da Esperança. Estou acolhido aqui fez quatro meses, no dia 18 de junho de 2021.

Arrumei uma namorada branca, ah, vocês não sabiam… eu sou negro! Mãe branca e pai negro.

Aí chega a pandemia, devastando tudo o que tem, matando milhares de vidas no mundo. Mas o que a pandemia trouxe de bom foi mais empatia com as pessoas. Saber dar valor às coisas simples da vida. A união das pessoas um com os outros, mais fé e acreditar que as coisas podem mudar mesmo.

Sei que minhas escolhas me impediram fazer certas coisas boas e (escolhas certas) que me encaminhei para um caminho bem melhor. 

E digo mais, peço desculpas pelos meus erros de ortografia, por quê? Eu não tenho me dedicado aos estudos, mas tudo que eu estou vivendo e os desafios de uma pandemia, é isso. É se esforçar ao máximo, é acreditar que você realmente pode alcançar os seus objetivos.

E sempre Deus em primeiro lugar em tudo. Abençoando os caminhos árduos que teremos de trilhar. Nunca fui bom com histórias, mais tentei fazer o melhor do possível para vocês tentarem me entender e me escutarem. Usem máscara, se cuidem assim. Mas por quê? Com a saúde não se brinca.

E com simples palavras descrevi tudo aquilo que eu senti. Por quê? Essa é mais uma história que ninguém conta.

Anderson Francisco do Arsenal da Esperança, é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva você também o seu texto e envie agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Avalanche Tricolor: assim como o pôr do sol, nem todo empate é igual

Chapecoense 0x0 Grêmio

Brasileiro B — Arena Condá, Chapecó/SC

Lucas Leiva é destaque em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

O pôr do sol se faz diante da praia onde aproveito os dias de férias, no Ceará. A cena é rara no Brasil, pois temos o litoral a leste, onde o sol nasce — ao menos é assim que nos acostumamos a ver. Lá em Porto Alegre, parada anterior do meu descanso, por exemplo, é famoso o espetáculo nas águas do rio Guaíba, a oeste. 

Assistir ao sol se por no mar só é possível aqui nesta região graças a geografia da vila de Jericoacoara — um desses locais incríveis que encontramos quando decidimos viajar pelas belezas brasileiras. E coisa linda não desperdiço. Por isso, pouco antes das seis da tarde, lá estava eu sentado na areia aproveitando cada momento, desenho e cor que a despedida do sol nos proporciona. Fiquei até o último raio alaranjado desaparecer. Já passavam das 6h15 da tarde (ou da noite).

Foi nesse clima de contemplação que voltei para o quarto onde estou hospedado para assistir ao Grêmio jogar. Logo que a partida se iniciou, às 6h30, cheguei a acreditar na possibilidade de uma vitória fora de casa —- outra coisa rara de se ver, haja vista nosso desempenho nesta temporada. Havia um esboço de time e movimentação que nos fazia melhor do que o adversário. 

Um lance atabalhoado de Bitello, ainda no primeiro tempo, mudou todas as minhas expectativas. Nosso guri se excedeu na vontade e mereceu ser expulso. Menos mal que tínhamos Lucas Leiva na reserva para ocupar o espaço deixado no meio de campo. Por outro lado, Campaz teve de ser sacrificado — logo ele que tem melhorado aos poucos nas últimas rodadas.

Jogar na casa do adversário, com desvantagem numérica e com nosso histórico no campeonato, não era animador. Apesar disso, especialmente no primeiro tempo e no início do segundo, o Grêmio foi firme e forte na marcação; e isso impediu que o adversário se aproximasse do nosso gol. Os riscos apareceram a medida que o time dava sinais de cansaço. 

Ainda assim, nosso setor defensivo foi gigante — como é gigante Geromel que se impôs na área de uma maneira impressionante. Lucas, na frente dos zagueiros, com sua experiência e talento, ajudou bastante a conter algumas investidas; e funcionou muito bem ao lado de Villasanti, enquanto este esteve em campo. 

Gabriel Grando (ex-Chapecó), atuando na terra em que surgiu e diante de parentes próximos, foi firme nas intervenções e providencial na defesa que se fez necessária no último lance da partida.

O Grêmio saiu de gramados adversários com mais um empate. Esse, porém, é um empate diferente dos demais. Tem valor de conquista pela forma como foi garantido. Além de manter-se em ascensão no campeonato, entre os quatro primeiros colocados, chegou há 15 jogos sem perder — a maior invencibilidade dos últimos dez anos, da Série B. 

Além do resultado que foi bom, diante das circunstâncias, deixamos Chapecó com duas ótimas notícias: Geromel terá seu contrato renovado automaticamente até 2023 e Lucas Leiva dá sinais de que entregará muito mais categoria e segurança ao time, especialmente a partir de agora quando deve assumir a titularidade, com a ausência de Bitello.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: as cinco avenidas que levam a marca ao triunfo

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Um passeio por Paris é sempre bem-vindo. Se feito sob a tutoria de quem tem a nos ensinar, melhor ainda. Pois foi esse o convite que Jaime Troiano e Cecília Russo fizeram aos ouvintes do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Calma! O convite não é para viajar a Paris, é para viajar  pelo mapa de  Paris. Nas suas ruas e avenidas. Em especial, nas que nos levam ao Arco do Triunfo que, cá na nossa conversa, se transforma em uma metáfora para identificar o objetivo de todos que trabalham com branding.

Quem já se ateve a geografia da capital francesa deve ter percebido que existem avenidas que convergem para o Arco, proporcionando um desenho harmônico tanto quanto pedagógico aos mais atentos. Em lugar de percorrer as 12 avenidas parisienses, Jaime e Cecília separaram cinco delas e as batizara com o nome de lições que precisamos aprender.

Vamos a elas: 

Avenida da simplicidade:

na vida de uma marca, qualquer forma de falar a respeito dela, qualquer comunicação que não seja simples atrapalha muito. Não é fácil ser simples. Quando se consegue ser, o resultado é inesquecível: “se é Bayer, é bom”; “quem pede um, pede bis”; ou é “fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho?”. Não é mesmo?!? 

Avenida da profundidade:

é a avenida para afastar a ingenuidade. Qual? De esquecer que consumidor diz o que pensa mas faz o que sente. Quem constrói marcas apenas com base nas respostas politicamente corretas que ouve dos consumidores, não chega ao “Arco do Triunfo”. 

“Estudos científicos que usam neurociência, por exemplo, são essenciais para penetrar nesse espaço pequeno, de um centímetro cúbico, escuro e úmido, onde se escondem os verdadeiros sentimentos e motivações dos consumidores”

Jaime Troiano

Avenida da vitalidade:

precisamos saber, com um olhar externo e independente, se a marca é forte não apenas na visão interna da empresa e dos seus vendedores. Essa avenida exige uma consulta a quem, de fato, determina o sucesso da marca: seus consumidores e clientes. 

“Deixem de lado a vaidade corporativa, ouçam o que dizem as vozes que vêm da rua ou você não chegará na Charles De Gaulle Etoile”

Cecília Russo

Avenida da autoridade:

aqui sua marca precisa ter convicção de que tem mais do que força apenas, tem autoridade para trabalhar com outras áreas de produto. Quando a Dove, por exemplo, percorreu as outras avenidas e chegou a esta quarta sabia que podia deixar de ser apenas um sabonete. Mas também outros “N” produtos que enraizaram a ideia de hidratação. E que tal a Tilibra que foi muito além de cadernos e adotou vários itens que têm a ver com a vida escolar: agendas, estojos, mochilas… 

Avenida da verdade:

é a avenida que revela a suprema razão de ser da marca, o seu propósito.  A avenida que mostra que não é apenas mais uma, mas que mostra o quanto atende, de forma autêntica, as necessidades da sociedade.

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:

Avalanche Tricolor: o bom filho a casa torna

Grêmio 2×1 Ponte Preta

Brasileiro B – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Uma torcida empolgante em foto de Mílton Jung

A casa onde morei ainda está por aqui. Também está a casa onde me descobri. O estádio onde forjei minha personalidade se sustenta como pode, mesmo que aos pedaços — suas linhas são visíveis na vizinhança. Por outros cantos que passeei, na cidade em que nasci, me reencontrei. Porto Alegre está cheia das minhas marcas tanto quanto eu tenho as dela. Nestes primeiros dias de férias, fui apresentado a novos espaços e paisagens que me conquistaram. Cenários recuperados. Outros recriados. 

Nesta toada de saudade e orgulho, de emoção e lembranças, voltei à Arena para assistir ao Grêmio, neste sábado. Fazia pouco tempo que havia estado por lá. E encontrei um clima bem diferente daquele início de campeonato. O torcedor está mais crente das suas possibilidades, apesar das desconfianças de plantão —- comuns para quem vivenciou o desastre de 2021. Ao menos descobriu que, a despeito dos limites do time, sua força será essencial para a retomada do rumo.

Logo que entrei na Arena, ouvi o hino ser entoado, em um coro puxado pelos alto-falantes. Em seguida, outras músicas ecoaram nas arquibancadas, inspirados na cantoria promovida pela turma da Geral. Alguns jogadores, mais do que outros, eram ovacionados. E empurrados pelo incentivo do torcedor. A maioria que estava lá, dentre velhos e adultos, jovens e crianças, queria mesmo é ver o ídolo que a casa torna: Lucas Leiva.

E enquanto Lucas não vinha, o time entregava o que tinha de melhor para o momento: uma intensidade incrível na marcação, velocidade na retomada da bola, e imposição sobre o adversário. Nem sempre tudo isso chega acompanhado do talento querido, mas é o suficiente para empolgar o torcedor.

Que empolgação! Há muito não assistia à torcida do Grêmio cantando quase toda a partida. Vibrando pelas pequenas conquistas. Comemorando lances banais. Emitindo uma energia que impulsionava o time à frente. Com um clima desses nada parecia capaz de nos impedir de chegar ao gol. Chegamos logo aos nove minutos e de forma magistral: um lançamento preciso de Villasanti que surpreendeu o zagueiros e encontrou Diego Souza, em condição legal, dentro da área. A bola morreu no peito dele e de bicicleta foi para o fundo da rede. 

Que explosão! Foi tamanha que muitos sequer perceberam que havia o risco de o gol ser anulado, e seguiram comemorando enquanto havia a checagem da imagem pelo VAR. Nesse ritmo alucinado, a pressão foi ainda maior. E antes de meia hora de jogo, em nova escapada veloz, Ferreirinha chutou no travessão e Campaz completou para o gol.

Quando o segundo tempo chegou, algo estranho aconteceu: mesmo com o time tendo desaparecido em campo, os torcedores seguiam cantando e pulando. É como se ninguém acreditasse que alguma coisa poderia dar errado na tarde desse sábado. O entusiasmo aumentou assim que Roger acionou Lucas Leiva no banco. A comemoração do torcedor era tal que muitos sequer viram que o Grêmio havia tomado um gol na cobrança de escanteio. Mais do que isso: que o Grêmio sofria forte pressão e corria riscos de desperdiçar os três pontos dentro de casa.

Até o apito final, a dúvida sobre o resultado persistia, dados os perigos que nos expomos. De certo, mesmo, só a forma como os torcedores — a ampla maioria deles —- decidiram abraçar o time, fenômeno que tenho identificado há algumas rodadas e, hoje à tarde, se comprovou em plena Arena do Grêmio.

Tive o prazer de vivenciar tudo isso, ao lado de gente querida, amigos e mais de 41 mil torcedores, em Porto Alegre. Voltar para essa casa me remete à felicidade dos tempos de guri, que me faz desejar começar tudo de novo, sempre ao lado do Grêmio, onde o Grêmio estiver!

Conte Sua História de São Paulo: a esperança chegou na primeira semana do Arsenal

No Conte Sua História de São Paulo, você acompanha a série de textos escritos por pessoas em situação de rua acolhidas no Arsenal da Esperança, antiga Hospedaria dos Imigrantes, durante a pandemia. O texto de hoje é de Wilson Luis

Foto: Mílton Jung

Olho para os acontecimentos sem dar importância, como todos, pensando somente “mais um vírus que não vai me afetar”. Muito menos o Brasil. Esse passará longe.

Quando os noticiários ficaram mais longos e mostrando a chegada do vírus no Brasil e como já estava a Itália e a China, me preocupei, mas sem ter a dimensão do que o vírus causaria.

Quando uma orientadora do abrigo onde eu estava convocou uma assembleia dizendo que não poderíamos mais sair de lá, somente nos dias estipulado pela direção, somente para comprar, como cigarro, e médico, pois o Brasil estava fechado por 14 dias, me senti numa zona de guerra.

No abrigo, passei a conviver 24 horas com todos. Os noticiários não pararam de falar do aumento de mortos. Lembro de sair para comprar cigarro e ver a cidade deserta, somente ambulância e carro funerário na rua. Logo fiquei preocupado com minha família. Falava com eles constantemente.

O convívio no abrigo não era fácil nem pros funcionários, nem pra nós, conviventes, pois a rotina estava mudada, todos ali tinham que almoçar no abrigo, não era mais obrigado a sair e nem podia sair para resolver problemas pessoais: parei meus projetos.

Passei a criar uma rotina, passei a ler mais, conhecer mais pessoas no abrigo e me apeguei mais na fé e em Deus.

Logo, quando cheguei no Arsenal da Esperança, a esperança chegou na primeira semana, pois tomaria a vacina.

Apesar da vacina andar a passos curtos, posso notar a diferença, o comércio abrindo, as pessoas voltando ao trabalho, pessoas sorrindo novamente, revendo seus parentes, meus projetos voltando.

Não foi fácil, ainda tem um longo caminho a ser perseguido para a volta da normalidade, mas a vacina nos trouxe esperança e ver nossos filhos abraçando a mãe após um ano, nos traz a esperança.

Temos que tirar lição de tudo que a pandemia nos causou como …

Aprendizado. E o maior aprendizado para mim se chamou saudade.

Wilson Luís do Arsenal da Esperança, é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva você também o seu texto e envie agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: pesquisa da Grant Thornton mostra que apenas 8% das empresas divulgam metas de ESG, segundo Adriana Moura

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“Não é mais uma questão de boas práticas, não é mais uma questão é desejável, é uma questão de sobrevivência. Precisamos todos nós fazermos as nossas partes enquanto pessoas, enquanto profissionais, e as empresas estão sendo desafiadas a ter uma maior responsabilidade corporativa”. 

Adriana Moura, Grant Thornton Brasil 

 

As empresas ainda não estão estruturadas para avançar em todos os pilares ESG nem para divulgar os dados de sustentabilidade de maneira a conquistar a confiança de investidores. Essa é uma das conclusões de auditores e consultores da Grant Thornton Brasil após estudo que avaliou as práticas e relatórios de sustentabilidade de 328 empresas de capital aberto. De acordo com a Adriana Moura, líder de governança, riscos e compliance da auditoria, a ideia foi analisar tanto a quantidade quanto a qualidade dos dados divulgados.

No Mundo Corporativo ESG, Adriana disse que pouco menos da metade das empresas pesquisadas divulgaram o relatório anual de sustentabilidade (48%), mas o  que mais chamou atenção foi o fato de apenas 8% desse material ter sido auditado ou revisado por entidades independentes.:

“Isso tem direta relação com a credibilidade que tem esses relatórios. Só para você ter uma ideia da importância dessa questão de credibilidade de uma auditoria por empresa independente: a CVM publicou uma resolução que, a partir deste ano, se as empresas optarem por utilizar um relatório integrado elas têm a obrigatoriedade de submeter esses relatórios a um auditor independente”.

No estudo, vê-se que os temas materiais são divulgados por 31% das empresas em seus relatórios ESG, porém apenas 8% informaram as metas relacionadas a esses temas, com destaque para setores de energia, transporte e saneamento. Diante disso, como saber se o caminho traçado pelas empresas está sendo percorrido na velocidade que planejaram?

“Esse é o questionamento que nós nos fazemos, quando a gente se debruça num resultado de um estudo onde as empresas afirmam o interesse e as iniciativas, publicam que existem iniciativas, que financiam essas iniciativas. Mas por outro lado não determinam metas claras e objetivas em relação as ODS. 35% da nossa amostra se compromete com um ou mais objetivo de desenvolvimento sustentável, porém a gente se questiona: sem as metas, sem as informações específicas, sem quais são os itens materiais, como essas empresas conseguem realmente aderir a esses objetivos, a essas ODS”.

A pauta “trabalho decente e crescimento econômico”  está no topo da lista dos objetivos de desenvolvimento sustentável propostas pela maioria das empresas que tiveram seus dados consultados pela Grant Thornton Brasil . Seguida de “ação contra mudança global do clima” (26%) e “indústria, inovação e infraestrutura”, (25%). 

“Estamos numa fase inicial, mas crescente. Acredito que se fizermos esse estudo no próximo ano, daqui a dois anos, os resultados serão bem diferentes no sentido positivo. Então, é um desafio de todos nós e, especialmente, de nós consultores e auditores que temos aí uma missão em em apoiar nossos clientes dessa jornada”. 

Assista ao Mundo Corporativo ESG com Adriana Moura, da Grant Thorton Brasil:

O Mundo Corporativo tem as participações de Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.

Dia do Mestre de Cerimônia: “isso é coisa de …!”

Christian Müller Jung

O 20 de Julho é Dia do Mestre de Cerimônia, também. Também porque consta que o calendário reserva outra data para os profissionais da área: o 27 de abril. Seja lá, seja cá, o que interessa neste texto que você lerá a seguir é entender os objetivos da profissão e concodar com o autor — e com este editor do Blog — que não dá mais para aceitar preconceitos de qualquer tipo e contra qualquer pessoa (N.E)

Você que trabalha com “cerimonial” já deparou com a sentença: “isso é coisa de viado”? A youtuber Louie Ponto disse: “nascemos em um mundo onde a princípio tudo é hetero!”. Não quero discutir questões de gênero. Já escutei várias piadinhas sobre o assunto.

A maioria das pessoas que não tem polimento e até para algumas que têm, cerimonial é perfumaria. “Pra que tanta frescura” ou “que bobagem essas coisas” poluem um setor determinante na organização de eventos e na vida das pessoas.

E por que a comparação com “coisa de viado”?

Educação e os bons costumes estão ligadas ao universo feminino. Comportamento refinado, respeitoso, educado e elegante no tratar o outro para muitos é perfumaria.

Nessa sociedade machista, que ainda determina se uma atividade é de homem ou de mulher, muitos não se dão conta que a tal perfumaria é uma luta de séculos de uma sociedade pela forma civilizada de lidar com as pessoas em harmonia.

Somos por natureza um animal social, como definiu Aristóteles. Assim devemos observar que estaremos constantemente em uma relação social.  Distinguir autoridades, respeitar o dress code, entender o significado do R.S.V.P no convite, são conhecimentos que vão muito além da questão de gênero.

Para pessoas que limpam os dedos na toalha e não imaginam que Leonardo da Vinci inventou o guardanapo, no século XV, cansado que estava de ver esta mesma atitude nos banquetes da corte, é de se prever que não tenham a menor ideia que através do cerimonial expressamos respeito, profissionalismo e, até mesmo, segurança.

Tenho consciência de que não vivemos mais em séculos passados, apesar de haver quem me dê a impressão de que ainda está por lá. A evolução da sociedade suprimiu algumas formalidades em razão de um mundo menos desigual. Simplificamos coisas que foram perdendo a razão de ser com o tempo, mas trabalhamos muito ainda no sentido de respeitar as pessoas e as instituições. Levantamos a bandeira de cerimonialistas não como sendo alguma coisa feita por “eles” ou por “elas”, mas para que consigamos desenvolver um convívio social a partir de relações mais delicadas e civilizadas, menos desordenadas e brutas.

Cerimonial não é questão de gênero, é de educação — o que falta, aliás, aos preconceituosos.

Christian Müller Jung é mestre de cerimônia por profissão, publicitário por formação e meu irmão de nasceça

Avalanche Tricolor:  calma que estamos chegando!

Brusque 1×1 Grêmio

Brasileiro B – Estádio Augusto Bauer, Vale do Itajaí/SC

Villa e Bitello comemoram o gol do Grêmio, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

Às vésperas da viagem a Porto Alegre, com uma série de tarefas a realizar, apesar de as férias terem se iniciado há três dias, e com as malas a fazer, ainda deu tempo de sentar à frente da TV e assistir à partida desta noite. Estava apenas cumprindo tabela, confesso. A mente ainda mantinha o ritmo acelerado por uma trabalho intenso, compromissos que não cabiam em apenas uma agenda e um trânsito complicado no início da noite paulistana.

Assisti ao primeiro tempo do jogo do jeito que deu. Na tela do celular,  enquanto me deslocava do último compromisso do dia para a casa — garanto que o fiz com toda a segurança possível. Dei mais ouvidos do que olhos para a partida que rolava na “tv”. E o que ouvia do narrador e dos críticos era crítico. Expectativa zero de sairmos com a vitória em mais um partida fora de casa. 

Foi então, com surpresa, que tive tempo de ouvir o gol que abriu o placar logo no início do segundo tempo — uma jogada com qualidade bem superior a tudo o que havíamos registrado até então e acima daquilo que viríamos a seguir. Ferreirinha e Bitello triangularam, tiveram precisão no passe e completaram para as redes, com um toque sutil entre as pernas do goleiro adversário. 

Pelo visto, foi tudo que conseguimos fazer. E o suficiente para levar mais um empate para casa. 

Há quem reclame da série de empates fora de casa. Haverá de convir, porém, que muito melhor são os empates do que as derrotas “conquistadas” pelos adversários que estão ficando cada vez mais para trás. 

Toda vez que ouço os comentaristas repetirem que “o Grêmio chegou ao oitavo jogo sem vitórias como visitante”, penso que eles esqueceram de lembrar que desses oito somente em um deixamos de pontuar — ou seja, perdemos apenas uma partida fora de casa. Os empates fora de casa têm sido compensados com as vitórias na Arena — foram sete até agora. 

No total, 19 jogos, oito vitórias, nove empates e apenas duas derrotas — suficientes para nos colocarem entre os quatro primeiros que sobem para a primeira divisão, ao fim do primeiro turno do campeonato.

Sábado que vem se inicia o returno quando teremos a oportunidade de enfrentar os adversários mais fortes na Arena. Eu estarei lá na Arena para reforçar nossa torcida. E em campo, teremos Lucas Leiva — que trará talento e maturidade para o meio de campo — e um elenco mais consistente, com a chegada de Thaciano e Guilherme. Roger também está conseguindo fazer com que o time tenha melhor performance, especialmente quando joga em casa. Tudo leva a crer que essa nova etapa será bem melhor, e a primeira divisão ficará ainda mais próxima. 

Calma, gente, nós estamos chegando!

Sobre frases e livros de auto-ajuda

Por José Cascão

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Um amigo comenta com outro: “Faz mais de três meses que estou pagando a academia de ginástica e ainda não emagreci um quilo sequer. Vou ligar lá para saber o que está acontecendo.”

Sempre lembro dessa piada quando vejo a quantidade de livros de auto-ajuda que se publicam e vendem, enquanto boa parte dos leitores, entusiastas do estilo e compradores compulsivos, seguem sendo o que sempre foram, fazendo o que sempre fizeram, mas esperançosas de que um dia acordem e as suas vidas mudem para sempre.

Alguns, quando se cansam de ler (ou de comprar livros), adquirem cursos pela internet e enchem as redes sociais com frases de efeito sobre como a vida deve ser. E, para muitos, a isso se resume o autoconhecimento e a evolução pessoal.

Nada de errado com frases inspiradoras ou livros de auto-ajuda. Também os leio de vez em quando e compartilho pensamentos. Mas, como acontece com o álcool, penso que essas coisas devem ser consumidas e compartilhadas com moderação.

Duas frases que li recentemente e que me deixaram pensando por vários dias, têm relação direta com o que estou falando aqui: “Nada sairá da sua vida enquanto você não aprender o que precisa saber”. Para mim explica muito do por quê entra dia e sai dia e nada diferente acontece na vida da pessoa, parece que está sempre andando em circulo. A outra é: “Ninguém vira borboleta de uma hora para a outra. A evolução é um processo.” Esta é justamente sobre a ilusão de que apenas e simplesmente comprando livros ou reproduzindo posts de frases feitas vamos melhorar as nossas relações e viver de forma mais consciente e significativa.

Se não evoluímos, não é porque não saibamos o que temos de fazer. É porque não o fazemos!

José Cascão é publicitário, diretor de criação, copywriter on-off e ajuda a construir e valorizar o ativo mais importante da sua empresa: a sua marca.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: transforme seu vendedor em embaixador da marca

“O que eu posso fazer para tornar seu dia mais feliz?”

Vendedora não identificada
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Imagine entrar em uma loja de café, de roupas ou de bijuterias  e ouvir da pessoa que atende você a frase que está no epígrafe deste post? A pergunta é transformadora. De cara, remete o consumidor a ideia da felicidade de estar naquele local, da felicidade de consumir naquele lugar e da felicidade com que as pessoas atendem seus clientes naquele lugar. Foram essas as sensações que Jaime Troiano teve quando entrou em uma cafeteria de São Paulo. 

“É como se eu estivesse tomando café com um sabor de acolhimento”

Jaime Troiano

A cena se repetiu em outra loja da franquia, o que levou Jaime — o curioso de plantão deste programa — a perguntar se a atendente se comportava daquela forma por iniciativa própria. Ouviu dela que a gerência da loja estimulava os funcionários a agirem daquela forma. E ao estimularem, tornavam o comportamento em hábito.

Vendedores que agem desta maneira se transformam em “embaixadores da marca”, porque compram a ideia e a importância de representar a empresa na ponta da linha — ou no ponto de contato com o cliente.

“Em empresas médias e pequenas, os donos e diretores precisam organizar quem são seus embaixadores. Posso garantir que o impacto desses embaixadores na imagem da empresa é grande”.

Jaime Troiano

O embaixador ou a embaixadora da marca não é um cargo, é uma vocação que se exerce com naturalidade e convicção. Ou seja, não dá para obrigar as pessoas a assumirem essa função. Isso tem de ser genuíno. Caso contrário, o contato com o cliente é artificial, é robótico, é chato! Saber trabalhar essa ideia nos colaboradores ajuda, inclusive, a reduzir custos com comunicação e marketing. 

“Pensem no quanto vocês podem se beneficiar em ter a presença de embaixadores Tenho certeza de que, onde houver alguém sensível e antenado na  área de RH, a empresa pode melhorar muito sua imagem e negócios com a presença de embaixadores. Seja nas relações externas com o mercado e mesmo interna entre os colaboradores”.

Cecília Russo

Mais interessante ainda é saber que os colaboradores que assume o papel de serem embaixadores da marca contaminam colegas e alimentam a atração que a marca exerce. 

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso com apresentação de Jaime Troiano e Cecília Russo. O quadro vai ao ar aos sanados, no Jornal da CBN: