Somos uma matemática em que se soma aos poucos

Por Christian Müller Jung

Leio, muitas vezes, que devemos confiar no nosso potencial para atingir o objetivo sonhado.

São muitos formadores de autoestima com os mais diferentes nomes de palestras, projetos e linhas de pensamento. Parece uma epidemia de treinadores que invadem o seu universo e criam no mundo da expectativa e da excelência profissional um vácuo transformador: o que deveria ser uma alavanca para o sucesso vira um congelamento intelectual.

Qual a capacidade que temos de nos enxergar? 

Qual o ponto de equilíbrio entre a prepotência, diante de suas qualificações, e a humildade, que o impede de reconhecer quem você realmente é?

Confesso que sou muito cuidadoso nessa ideia de vender meu próprio trabalho com autoelogios. Adepto do ditado que “elogio em boca própria é vitupério”, não me sinto à vontade de elencar minhas qualidades. Dizer-se detentor de postura correta, leitura perfeita, elegância, boa voz, naturalidade .. enfim, se intitular o “Senhor da Competência”. Mesmo porque isso se acaba no primeiro tropeço no próximo texto.

Sei dos meus defeitos e para alguns não tem correção. Questiono-me, assisto-me, e apresento meu trabalho para amigos e colegas em busca de parâmetros para saber como estou me saindo. 

Pode ser insegurança? Pode. 

Pode ser bom senso? Claro que pode.

Prefiro me expor aos amigos do que ao ridículo de me atribuir títulos dos quais eu não me sinto completo para dizer que os tenho. O tempo traz aprendizado. 

Lembro das minhas primeiras solenidades e leituras de textos em voz alta.

Sofrível, mas necessárias.

Hoje, sinto-me preparado, porém muitas vezes sufocado por essa onda de treinamento da mente que acaba colocando sua vivência no limbo.

Somos uma consequência de vários fatores. Experiências às vezes felizes e às vezes traumáticas. Somos o resultado de atitudes que tomamos e também das que deixamos para trás.

Somos uma matemática em que se soma aos poucos.

É preciso juntar de uma a uma a capacitação profissional. Ninguém sabe de onde você vem, do que se alimenta ou quais os seus sonhos e fraquezas, apesar de todos terem absoluta certeza que você pode ser mais e melhor.

Até quando? Até quando teremos que acreditar que a razão do sucesso está no que não conseguimos alcançar; está na palavra do outro. Sim, esse outro que muitas vezes se diz detentor de postura correta, leitura perfeita, elegância, boa voz, naturalidade .. que, no fundo, não tem a mesma coragem e determinação que você de no dia seguinte, simplesmente, “levantar e lutar”!

Christian Müller Jung é mestre de cerimônia por profissão, publicitário por formação e meu irmão de nasceça

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