Mundo Corporativo: Vetusa Pereira, da Heineken, afirma que diversidade não é moda, é negócio

Foto: divulgação

“Diversidade e inclusão não são custo nem moda; são estratégia de negócio que traz resultado financeiro para as empresas.”

Vetusa Pereira, Heineken

O Brasil avança com estratégias efetivas de diversidade e inclusão no ambiente corporativo, enquanto assistimos a movimentos contrários ganhando espaço internacionalmente, como mostram os recuos nos Estados Unidos de Donald Trump. No entanto, para que o país se proteja dessa onda de retrocesso é preciso entender como essas iniciativas afirmativas podem ser transformadas em resultados práticos. Nesse sentido, o Mundo Corporativo entrevistou Vetusa Pereira, gerente de Diversidade, Equidade e Inclusão do Grupo Heineken.

Segundo Vetusa, é fundamental desmistificar a ideia de que diversidade é um gasto sem retorno ou apenas um modismo passageiro. “Se as pessoas realmente se debruçarem sobre os estudos, esse mito cai rapidamente”, afirmou.

Inclusão com resultado

A experiência do Grupo Heineken no Brasil ilustra bem a possibilidade de crescimento por meio de políticas claras de diversidade. Vetusa destaca que, nos últimos anos, a representatividade feminina na liderança da empresa saltou de pouco mais de 20% para 44%, com meta de alcançar 50% até 2026. Já na questão racial, a companhia atingiu quase 37% de lideranças negras, com um objetivo declarado de chegar a 40% até 2030.

Esses resultados, segundo ela, só foram possíveis graças a uma análise detalhada da realidade interna e externa da empresa, estabelecendo ações específicas como programas de aceleração de carreira, treinamentos corporativos e apoio no desenvolvimento profissional e pessoal dos colaboradores.

Vetusa enfatiza que diversidade e inclusão geram uma conexão real com os consumidores, contribuindo diretamente para os resultados financeiros das empresas. “Se queremos chegar ao coração e ao copo de todos os brasileiros, precisamos falar uma linguagem diversa e inclusiva”, destacou.

Meritocracia e equidade

Sobre o debate envolvendo meritocracia e ações afirmativas, Vetusa esclarece que ambas são compatíveis desde que aplicadas corretamente. Ela explica que as políticas internas são desenhadas para oferecer ferramentas adequadas de desenvolvimento, garantindo que todos possam competir em igualdade de condições. “Ninguém vai promover alguém só por ser mulher ou pessoa negra. Precisa haver repertório de conhecimento”, pontuou.

Outro aspecto abordado por Vetusa foi o papel da comunicação, descrita por ela como fundamental no avanço das iniciativas de diversidade. A Heineken investe em treinamentos específicos que ensinam lideranças e colaboradores a comunicarem suas demandas e necessidades sem cair em extremismos ou receio de “cancelamento”. Segundo ela, “o objetivo não é policiar, mas letrar e educar com empatia e diálogo”.

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir também em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Um comentário sobre “Mundo Corporativo: Vetusa Pereira, da Heineken, afirma que diversidade não é moda, é negócio

  1. Bom dia Milton e Vetusa. Tudo bom?

    Sou Negro também e mais velho que você, e gostei da dica de procurar um “apoiador”, talvez seja esse o caminho para ter uma oportunidade de liderança no meu caso. Caso possa responder Vetusa, eu queria saber se você também participou de programas de desenvolvimento para negros ai na Heineken? Quanto ao “padrinho”, você procurou explicitamente e selou parceria com ele ou apenas tentou demonstrar que era capaz e daí conseguiu o apoio?

    Outro ponto interessante que eu não tinha conhecimento era sobre essa questão de engajamento na causa de diversidade e descuido com vocabulário que alguns negros tem como você mencionou. Isso não ocorre comigo, modéstia a parte me comunico bem, até porque trabalhei 10 anos no comércio varejista com meus pais e como proprietário e sentia que as pessoas gostavam da forma como eu me comunicava. Além disso desde criança fui incentivado a ler e tomei gosto pela coisa. No entanto na empresa onde trabalho percebo, que algumas pessoas(não é regra) querem repetir o que eu falei, como se eu não tivesse me expressado corretamente. Isso me chateia, e passa a ideia de uma certa discriminação ou não aceitação. Como romper essa barreira? Sou Analista de Sistema e nesse momento estou atuando na função de Gestor de Produto, função conseguida via recrutamento interno que fiz em 2024, porém não era somente para negros era geral o recrutamento. Você não acha que essa necessidade de programas específicos para negros passa por essa questão de cotas, e que teoricamente as pessoas entram menos preparadas na empresa? Eu por exemplo nunca usei cota, e não entrei de primeira na universidade. Penso que ao invés de investir em quotas, deveria se feito um investimento em cursinhos preparatórios, possibilitando ao estudante de baixa renda frequentar e se qualificar para poder competir melhor no vestibular/enem.etc.

    Parabéns pela entrevista e posição.

    Abraço

Deixar mensagem para Milton Nascimento Cancelar resposta