Mundo Corporativo: Álvaro Schocair, da Link School of Business, explica o que ajuda a construir um negócio

Alvaro Schocair, da Link School of Business
Álvaro Schocair no estúdio de podcast da CBN Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Empreender sozinho é muito difícil.”

Empreender começa por reconhecer uma necessidade e encontrar quem esteja disposto a pagar por uma solução. A ideia, porém, não basta: é preciso aprender a lidar com clientes, dinheiro, pessoas e os próprios erros. Essas lições foram tema de entrevista com Álvaro Schocair, fundador e CEO da Link School of Business, ao Mundo Corporativo, da CBN.

Schocair distingue duas motivações para empreender: a necessidade de gerar renda e o desejo de resolver um problema ou criar algo novo. Quem começa por necessidade, afirma, costuma enfrentar mais dificuldade para fazer o negócio crescer. “Quando o empreendedor ele é por necessidade, a chance dele ficar rodando e sem sair do lugar é muito grande”, disse, ao citar a carga tributária, as leis trabalhistas e os juros entre os obstáculos.

A primeira lição que ele extrai da própria experiência é testar se existe demanda. “Um dos maiores erros do empreendedorismo que eu vejo, meu amigo, é você se encantar com o produto ou o serviço que você desenvolveu e não encontrar alguém que esteja disposto a pagar por esse produto, por esse serviço.” Atender o cliente e deixá-lo satisfeito, acrescentou, cria condições para a empresa crescer.

Aprender a empreender também exige prática

A experiência prática está no centro da proposta pedagógica da Link School of Business. Em vez de limitar a formação a aulas teóricas, Schocair diz que a escola combina conteúdos de finanças, marketing, tecnologia e direito com a criação de produtos e serviços e a aplicação do conhecimento em negócios.

A ideia veio, em parte, de uma lacuna que ele identificou na própria formação em administração. Schocair conta que não teve aulas sobre decisões cotidianas de uma empresa, como contratar, demitir, conversar com o gerente do banco ou escolher a estrutura de capital. “Senti falta de vida real”, resumiu.

Na entrevista, ele afirmou que a Link tem 1.100 alunos e, em sete anos, foram criadas 302 empresas dentro do ecossistema da escola. A instituição também oferece bolsas: são 302 alunos bolsistas, segundo Schocair. A escola criada em São Paulo mantém estruturas em Palo Alto, Berlim, Boston e Madri e iniciou uma turma em Miami, em 24 de agosto.

Entre as empresas que surgiram na Link, Schocair citou a Guday, criada por três alunos da graduação. Segundo ele, a empresa de produtos para o mercado fitness faturava R$ 80 milhões; os fundadores tinham 20 e 21 anos. Outro exemplo é a Frayme, fundada por Caio Castro com um professor de Berkeley. A companhia desenvolveu um sistema para verificar transações financeiras e, de acordo com Schocair, fechou contratos de milhões de dólares com empresas brasileiras e americanas.

A Link também investe em parte dos negócios criados por seus alunos. Schocair afirmou que tem participação direta em 23 das 302 empresas. A decisão passa por uma análise de investidores independentes e considera fatores como a equipe, o modelo de negócio, a validação do produto e a necessidade de capital.

Comunicação e curiosidade ajudam na liderança

Para Schocair, empreendedores precisam desenvolver habilidades de comunicação e relacionamento. “Eu acho que os grandes problemas do mundo corporativo vem de falta de comunicação”, afirmou. Ele também defendeu que líderes conheçam o trabalho das equipes e deem o exemplo, em vez de apenas transmitir ordens.

Ao falar sobre a formação dos jovens, destacou o aprendizado sobre inteligência artificial e dados. Mas acrescentou que competências humanas, como empatia, também precisam ser desenvolvidas. “Aí eu acho que empatia, coração, sentir desenvolvido é aquilo que a máquina não pode fazer por você.”

Outra recomendação é selecionar fontes de informação nas redes sociais para transformar a leitura diária em aprendizado. Schocair disse que procura seguir pessoas e veículos que considera capazes de lhe ensinar algo. E defendeu manter a disposição para rever ideias: “Eu quero cada lugar, cada pessoa que eu conheço, eu quero ficar quero sair mais inteligente dos lugares que eu entrei.”

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.

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