Mundo Corporativo: pesquisa da Grant Thornton mostra que apenas 8% das empresas divulgam metas de ESG, segundo Adriana Moura

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“Não é mais uma questão de boas práticas, não é mais uma questão é desejável, é uma questão de sobrevivência. Precisamos todos nós fazermos as nossas partes enquanto pessoas, enquanto profissionais, e as empresas estão sendo desafiadas a ter uma maior responsabilidade corporativa”. 

Adriana Moura, Grant Thornton Brasil 

 

As empresas ainda não estão estruturadas para avançar em todos os pilares ESG nem para divulgar os dados de sustentabilidade de maneira a conquistar a confiança de investidores. Essa é uma das conclusões de auditores e consultores da Grant Thornton Brasil após estudo que avaliou as práticas e relatórios de sustentabilidade de 328 empresas de capital aberto. De acordo com a Adriana Moura, líder de governança, riscos e compliance da auditoria, a ideia foi analisar tanto a quantidade quanto a qualidade dos dados divulgados.

No Mundo Corporativo ESG, Adriana disse que pouco menos da metade das empresas pesquisadas divulgaram o relatório anual de sustentabilidade (48%), mas o  que mais chamou atenção foi o fato de apenas 8% desse material ter sido auditado ou revisado por entidades independentes.:

“Isso tem direta relação com a credibilidade que tem esses relatórios. Só para você ter uma ideia da importância dessa questão de credibilidade de uma auditoria por empresa independente: a CVM publicou uma resolução que, a partir deste ano, se as empresas optarem por utilizar um relatório integrado elas têm a obrigatoriedade de submeter esses relatórios a um auditor independente”.

No estudo, vê-se que os temas materiais são divulgados por 31% das empresas em seus relatórios ESG, porém apenas 8% informaram as metas relacionadas a esses temas, com destaque para setores de energia, transporte e saneamento. Diante disso, como saber se o caminho traçado pelas empresas está sendo percorrido na velocidade que planejaram?

“Esse é o questionamento que nós nos fazemos, quando a gente se debruça num resultado de um estudo onde as empresas afirmam o interesse e as iniciativas, publicam que existem iniciativas, que financiam essas iniciativas. Mas por outro lado não determinam metas claras e objetivas em relação as ODS. 35% da nossa amostra se compromete com um ou mais objetivo de desenvolvimento sustentável, porém a gente se questiona: sem as metas, sem as informações específicas, sem quais são os itens materiais, como essas empresas conseguem realmente aderir a esses objetivos, a essas ODS”.

A pauta “trabalho decente e crescimento econômico”  está no topo da lista dos objetivos de desenvolvimento sustentável propostas pela maioria das empresas que tiveram seus dados consultados pela Grant Thornton Brasil . Seguida de “ação contra mudança global do clima” (26%) e “indústria, inovação e infraestrutura”, (25%). 

“Estamos numa fase inicial, mas crescente. Acredito que se fizermos esse estudo no próximo ano, daqui a dois anos, os resultados serão bem diferentes no sentido positivo. Então, é um desafio de todos nós e, especialmente, de nós consultores e auditores que temos aí uma missão em em apoiar nossos clientes dessa jornada”. 

Assista ao Mundo Corporativo ESG com Adriana Moura, da Grant Thorton Brasil:

O Mundo Corporativo tem as participações de Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.

Dia do Mestre de Cerimônia: “isso é coisa de …!”

Christian Müller Jung

O 20 de Julho é Dia do Mestre de Cerimônia, também. Também porque consta que o calendário reserva outra data para os profissionais da área: o 27 de abril. Seja lá, seja cá, o que interessa neste texto que você lerá a seguir é entender os objetivos da profissão e concodar com o autor — e com este editor do Blog — que não dá mais para aceitar preconceitos de qualquer tipo e contra qualquer pessoa (N.E)

Você que trabalha com “cerimonial” já deparou com a sentença: “isso é coisa de viado”? A youtuber Louie Ponto disse: “nascemos em um mundo onde a princípio tudo é hetero!”. Não quero discutir questões de gênero. Já escutei várias piadinhas sobre o assunto.

A maioria das pessoas que não tem polimento e até para algumas que têm, cerimonial é perfumaria. “Pra que tanta frescura” ou “que bobagem essas coisas” poluem um setor determinante na organização de eventos e na vida das pessoas.

E por que a comparação com “coisa de viado”?

Educação e os bons costumes estão ligadas ao universo feminino. Comportamento refinado, respeitoso, educado e elegante no tratar o outro para muitos é perfumaria.

Nessa sociedade machista, que ainda determina se uma atividade é de homem ou de mulher, muitos não se dão conta que a tal perfumaria é uma luta de séculos de uma sociedade pela forma civilizada de lidar com as pessoas em harmonia.

Somos por natureza um animal social, como definiu Aristóteles. Assim devemos observar que estaremos constantemente em uma relação social.  Distinguir autoridades, respeitar o dress code, entender o significado do R.S.V.P no convite, são conhecimentos que vão muito além da questão de gênero.

Para pessoas que limpam os dedos na toalha e não imaginam que Leonardo da Vinci inventou o guardanapo, no século XV, cansado que estava de ver esta mesma atitude nos banquetes da corte, é de se prever que não tenham a menor ideia que através do cerimonial expressamos respeito, profissionalismo e, até mesmo, segurança.

Tenho consciência de que não vivemos mais em séculos passados, apesar de haver quem me dê a impressão de que ainda está por lá. A evolução da sociedade suprimiu algumas formalidades em razão de um mundo menos desigual. Simplificamos coisas que foram perdendo a razão de ser com o tempo, mas trabalhamos muito ainda no sentido de respeitar as pessoas e as instituições. Levantamos a bandeira de cerimonialistas não como sendo alguma coisa feita por “eles” ou por “elas”, mas para que consigamos desenvolver um convívio social a partir de relações mais delicadas e civilizadas, menos desordenadas e brutas.

Cerimonial não é questão de gênero, é de educação — o que falta, aliás, aos preconceituosos.

Christian Müller Jung é mestre de cerimônia por profissão, publicitário por formação e meu irmão de nasceça

Avalanche Tricolor:  calma que estamos chegando!

Brusque 1×1 Grêmio

Brasileiro B – Estádio Augusto Bauer, Vale do Itajaí/SC

Villa e Bitello comemoram o gol do Grêmio, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

Às vésperas da viagem a Porto Alegre, com uma série de tarefas a realizar, apesar de as férias terem se iniciado há três dias, e com as malas a fazer, ainda deu tempo de sentar à frente da TV e assistir à partida desta noite. Estava apenas cumprindo tabela, confesso. A mente ainda mantinha o ritmo acelerado por uma trabalho intenso, compromissos que não cabiam em apenas uma agenda e um trânsito complicado no início da noite paulistana.

Assisti ao primeiro tempo do jogo do jeito que deu. Na tela do celular,  enquanto me deslocava do último compromisso do dia para a casa — garanto que o fiz com toda a segurança possível. Dei mais ouvidos do que olhos para a partida que rolava na “tv”. E o que ouvia do narrador e dos críticos era crítico. Expectativa zero de sairmos com a vitória em mais um partida fora de casa. 

Foi então, com surpresa, que tive tempo de ouvir o gol que abriu o placar logo no início do segundo tempo — uma jogada com qualidade bem superior a tudo o que havíamos registrado até então e acima daquilo que viríamos a seguir. Ferreirinha e Bitello triangularam, tiveram precisão no passe e completaram para as redes, com um toque sutil entre as pernas do goleiro adversário. 

Pelo visto, foi tudo que conseguimos fazer. E o suficiente para levar mais um empate para casa. 

Há quem reclame da série de empates fora de casa. Haverá de convir, porém, que muito melhor são os empates do que as derrotas “conquistadas” pelos adversários que estão ficando cada vez mais para trás. 

Toda vez que ouço os comentaristas repetirem que “o Grêmio chegou ao oitavo jogo sem vitórias como visitante”, penso que eles esqueceram de lembrar que desses oito somente em um deixamos de pontuar — ou seja, perdemos apenas uma partida fora de casa. Os empates fora de casa têm sido compensados com as vitórias na Arena — foram sete até agora. 

No total, 19 jogos, oito vitórias, nove empates e apenas duas derrotas — suficientes para nos colocarem entre os quatro primeiros que sobem para a primeira divisão, ao fim do primeiro turno do campeonato.

Sábado que vem se inicia o returno quando teremos a oportunidade de enfrentar os adversários mais fortes na Arena. Eu estarei lá na Arena para reforçar nossa torcida. E em campo, teremos Lucas Leiva — que trará talento e maturidade para o meio de campo — e um elenco mais consistente, com a chegada de Thaciano e Guilherme. Roger também está conseguindo fazer com que o time tenha melhor performance, especialmente quando joga em casa. Tudo leva a crer que essa nova etapa será bem melhor, e a primeira divisão ficará ainda mais próxima. 

Calma, gente, nós estamos chegando!

Sobre frases e livros de auto-ajuda

Por José Cascão

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Um amigo comenta com outro: “Faz mais de três meses que estou pagando a academia de ginástica e ainda não emagreci um quilo sequer. Vou ligar lá para saber o que está acontecendo.”

Sempre lembro dessa piada quando vejo a quantidade de livros de auto-ajuda que se publicam e vendem, enquanto boa parte dos leitores, entusiastas do estilo e compradores compulsivos, seguem sendo o que sempre foram, fazendo o que sempre fizeram, mas esperançosas de que um dia acordem e as suas vidas mudem para sempre.

Alguns, quando se cansam de ler (ou de comprar livros), adquirem cursos pela internet e enchem as redes sociais com frases de efeito sobre como a vida deve ser. E, para muitos, a isso se resume o autoconhecimento e a evolução pessoal.

Nada de errado com frases inspiradoras ou livros de auto-ajuda. Também os leio de vez em quando e compartilho pensamentos. Mas, como acontece com o álcool, penso que essas coisas devem ser consumidas e compartilhadas com moderação.

Duas frases que li recentemente e que me deixaram pensando por vários dias, têm relação direta com o que estou falando aqui: “Nada sairá da sua vida enquanto você não aprender o que precisa saber”. Para mim explica muito do por quê entra dia e sai dia e nada diferente acontece na vida da pessoa, parece que está sempre andando em circulo. A outra é: “Ninguém vira borboleta de uma hora para a outra. A evolução é um processo.” Esta é justamente sobre a ilusão de que apenas e simplesmente comprando livros ou reproduzindo posts de frases feitas vamos melhorar as nossas relações e viver de forma mais consciente e significativa.

Se não evoluímos, não é porque não saibamos o que temos de fazer. É porque não o fazemos!

José Cascão é publicitário, diretor de criação, copywriter on-off e ajuda a construir e valorizar o ativo mais importante da sua empresa: a sua marca.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: transforme seu vendedor em embaixador da marca

“O que eu posso fazer para tornar seu dia mais feliz?”

Vendedora não identificada
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Imagine entrar em uma loja de café, de roupas ou de bijuterias  e ouvir da pessoa que atende você a frase que está no epígrafe deste post? A pergunta é transformadora. De cara, remete o consumidor a ideia da felicidade de estar naquele local, da felicidade de consumir naquele lugar e da felicidade com que as pessoas atendem seus clientes naquele lugar. Foram essas as sensações que Jaime Troiano teve quando entrou em uma cafeteria de São Paulo. 

“É como se eu estivesse tomando café com um sabor de acolhimento”

Jaime Troiano

A cena se repetiu em outra loja da franquia, o que levou Jaime — o curioso de plantão deste programa — a perguntar se a atendente se comportava daquela forma por iniciativa própria. Ouviu dela que a gerência da loja estimulava os funcionários a agirem daquela forma. E ao estimularem, tornavam o comportamento em hábito.

Vendedores que agem desta maneira se transformam em “embaixadores da marca”, porque compram a ideia e a importância de representar a empresa na ponta da linha — ou no ponto de contato com o cliente.

“Em empresas médias e pequenas, os donos e diretores precisam organizar quem são seus embaixadores. Posso garantir que o impacto desses embaixadores na imagem da empresa é grande”.

Jaime Troiano

O embaixador ou a embaixadora da marca não é um cargo, é uma vocação que se exerce com naturalidade e convicção. Ou seja, não dá para obrigar as pessoas a assumirem essa função. Isso tem de ser genuíno. Caso contrário, o contato com o cliente é artificial, é robótico, é chato! Saber trabalhar essa ideia nos colaboradores ajuda, inclusive, a reduzir custos com comunicação e marketing. 

“Pensem no quanto vocês podem se beneficiar em ter a presença de embaixadores Tenho certeza de que, onde houver alguém sensível e antenado na  área de RH, a empresa pode melhorar muito sua imagem e negócios com a presença de embaixadores. Seja nas relações externas com o mercado e mesmo interna entre os colaboradores”.

Cecília Russo

Mais interessante ainda é saber que os colaboradores que assume o papel de serem embaixadores da marca contaminam colegas e alimentam a atração que a marca exerce. 

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso com apresentação de Jaime Troiano e Cecília Russo. O quadro vai ao ar aos sanados, no Jornal da CBN:

Avalanche Tricolor: sai da frente que atrás vem gente!

Grêmio 3×0 Tombense

Brasileiro B – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Bitello prestes a marcar seu gol, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

Lá se foram um tanto de horas desde o apito que marcou o fim de mais uma boa partida do Grêmio. Nesse meio tempo, namoramos o terceiro lugar da tabela de classificação pela primeira vez desde o início da “maldita” B, tiramos vantagem sobre os que tentam colocar o pé na zona de classificação e encostamos nos que estão acima na tabela. 

Mais do que isso: chegamos a 12 jogos invictos, cinco vitórias seguidas em casa, tomamos um só gol nas últimas dez partidas e elevamos Diego Souza a goleador da competição, já tendo marcado nove. 

As conquistas não param por aí: se na rodada anterior não titubeei em taxar que “o Grêmio renasce para o futebol”, a distância entre o fim do jogo e o momento em que escrevo essas linhas me dá tranquilidade para afirmar: “sai da frente que atrás vem gente!”.

O Grêmio descobriu o caminho do futebol. Está de volta a triangulação,  sempre demandada por Roger, em que cada jogador que tem a bola no pé encontra dois colegas disponíveis para receber, ampliando o percentual de passes certos — vide as estatísticas de Villasanti e Bitello. Sem a bola, marca próximo da área do adversário e aumenta o índice de desarmes e interceptações. 

Lá atrás, na defesa: #meodeosdoceo. Gabriel Grando ganha maturidade e, na partida, fez defesas difíceis — a primeira logo no início, o que eliminou a possibilidade de iniciarmos a disputa em desvantagem. Os laterais dão sinais de estarem mais seguros, Bruno Alves faz da discrição sua eficiência. E Geromel …. será que ainda tenho palavras para elogiá-lo? O Cara é o melhor jogador da série B, segundo meu coração e as estatísticas do serviço Footstats 12A.

Sim, caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche, mesmo depois de tantas horas após o fim da partida desse sábado à tarde, meu entusiasmo pelo futebol jogado segue firme e forte. Alguém pode me acusar de ser um iludido — talvez até tenha razão e eu não correrei para negar — mas essa minha sensação diz muito sobre o que Roger está conseguindo construir no comando do Grêmio, aos trancos e barrancos. 

Que venham os reforços! Que cheguem as próximas rodadas! E que essa “maldita” termine logo, porque não vejo hora de assistir ao Grêmio de volta ao seu lugar.

Mundo Corporativo: Leandro Melnick, da Even, diz como construir a ideia de sustentabilidade no canteiro de obras

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“Não é que a gente investe, a gente atua de forma sustentável, porque a gente entende que é o melhor formato. Não somos uma empresa muito preocupada com essa visão do quanto vai ser o retorno para cada projeto; nós olhamos de forma mais amplificada o resultado”

Leandro Melnick, Even

Mão de obra intensa, grande número de fornecedores e um volume considerável de resíduos são apenas alguns dos muitos desafios que o setor de incorporação e construção tem diante das demandas da pauta ESG. No caso de Leandro Melnick, entrevistado do Mundo Corporativo, uma peculiaridade se expressa nessa lista: equilibrar-se na governança de duas empresas que atuam no mesmo segmento e com participação mútua na sociedade. Leandro é CEO da Melnick, criada pelo pai dele, no Rio Grande do Sul, e da paulista Even, com quem fechou sociedade, em 2008. 

“Em um  mercado tão supervisionado e analisado, com vários bancos e entidades que cobrem as empresas de capital aberto, esse assunto tinha que ser muito transparente. Então, a gente foi exaustivo, fomos vigilantes no processo de transparência de relatórios, de comitês de apoio e de governança para dar segurança. E isso foi muito bem aceito por todos os stakeholders, o que deu muita tranquilidade para a empresa seguir o trabalho”.

Outra característica destacada por Leandro, que deve ser consideradas nas boas práticas de sustentabilidade, é o fato de as incorporadoras trabalharem com produtos de vida longa — conforme a qualidade, apartamentos e casas podem durar além dos 50 anos. Ou seja, não basta implantar sistemas que reduzam o consumo de energia ou o volume de resíduos durante a construção, é importante pensar na eficiência energética do ambiente, na arquitetura sustentável e no tipo de material a ser usado, entre outros aspectos.

A política de gestão de resíduos da Even promove o total aproveitamento da madeira que sobra nas obras, que é separada em contêineres  exclusivos, que são coletados por cooperativas, que limpam essa madeira e a fornecem para a indústria novamente para fazer, por exemplo, compensados. De acordo com o relatório de sustentabilidade da construtora e incorporadora, 98% dos resíduos gerados nas obras são reaproveitados de diversas formas. Desse total, 20% entram no ciclo da logística reversa, como é o caso da sucata  oriunda dos blocos de concreto e de cerâmica e das estruturas metálicas:

“Quando ela (a fornecedora do material) vai fazer o fornecimento de uma nova carga, ela traz para sua origem toda a sucata, todo o material que foi gerado por essa mesma industria “.

Leandro Melnick disse que ao longo dos dez anos em que essa estratégia está sendo usada, a Even conseguiu devolver ao mercado 46 toneladas de sucatas de resíduos metálicos, 100 toneladas de blocos de concreto, cinco toneladas da embalagem de papelão das cerâmicas e 15 toneladas de embalagens plásticas.

Na relação com os colaboradores, um dos objetivos é ampliar a diversidade de gênero em um setor com intensa mão de obra masculina.  Atualmente, no escritório e na gestão das obras, já existem 40% das vagas de escritório ocupadas por mulheres e 39% nas obras. Leandro destaca ainda os projetos na área da educação que oferecem ensino básico para todas as pessoas que trabalham no canteiro de obra; cursos técnicos, pelos quais já passaram cerca de 600 profissionais que começam como serventes; e a oportunidade de os colaboradores atuarem na área de voluntariado, onde aplicam o conhecimento desenvolvido dentro da empresa.

“Já temos a adesão de 26% dos nossos profissionais que participam em mutirões para reformar uma escola, para moradias populares e para dar aulas em entidades”.

Para Leandro, o investimento em ESG aumenta o engajamento dos funcionários que tendem a oferecer novas ideias para a evolução do tema no canteiro de obras e nas unidades habitacionais entregues. Uma consciência que é levada para além dos tapumes, construindo uma consciência coletiva que impactará de forma positiva as pessoas que esses colaboradores são capazes de alcançar.

Assista à entrevista completa com Leonardo Melnick, CEO da Even incorporadora e construtora, ao Mundo Corporativo ESG:

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no Canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, aos domingos, às dez da noite e em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Conte Sua História de São Paulo: meu Brás, oh, meu Brás!

No Conte Sua História de São Paulo, você acompanha a série de textos escritos por pessoas em situação de rua acolhidas no Arsenal da Esperança, antiga Hospedaria dos Imigrantes. O autor de hoje se identificou apenas como Fábio e escreve um poema sobre um dos mais tradicionais bairros da cidade:

Reprodução de foto do livro “Os desafios de uma pandemia”, do Arsenal da Esperança

Quando voltei, foi difícil acreditar.

Me bateu desespero.

Deu até vontade de chorar.

Confesso, chorei… não deu para suportar.

O que antes era um grande curral social

Hoje, chora em prantos

Ruas desertas, portas fechadas

Mais parecia faroeste, cidade fantasma

Meu Brás, oh, meu Brás!

Nas ruas onde me criei; aprendi a arte do comércio.

A comercializar, comercializo.

Devido às circunstâncias, por algum momento

Até mesmo manguear, mangueei

Meu Brás, oh, meu Brás!

Não vejo a hora disso tudo acabar.

Os que nesse genocídio

Junto com Deus, esteja a vos olhar.

E quando acabar…

Sacolas cheias novamente

Compra, vende, movimentação de gente

Das gentes, povos e etnias

Temos um arsenal de costura

Bolivianos, quem diria!

Pretos, Brancos, Pardos e Índios.

Somos o maior polo comercial.

Da América Latina.

Meu Brás, oh, meu Brás!

Coração de São Paulo.

Hoje bate por aparelhos.

A esperança renasce, no vagão do trem.

No soar da voz, de mais um marreteiro

Meu Brás, oh, meu Brás!

A metrópole comercial da América Latina.

A cidade do comércio, que antes não dormia.

Hoje descanse em paz, feitos da pandemia. 

Fábio, do Arsenal da Esperança, é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva você também o seu texto e envie agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Não alimentem as bestas do futebol

Imagem reproduzida da TV

A noite da Copa do Brasil, de quarta-feira,  começou com o ônibus do Atlético Mineiro sendo atacado por tresloucados torcedores do Flamengo. As cenas absurdas se voltaram para dentro do Maracanã, que tiveram portões arrombados e invasão de torcedores sem ingresso. Longe dali, em Santos, novamente as bestas se expressaram, a partir do comportamento de torcedores do Santos que explodiram foguetes contra os jogadores do Corinthians. No apito final, um torcedor correu para dentro do gramado até agredir o goleiro Cássio.

As declarações de indignação se espalharam no noticiário, os pedidos de punição falaram mais alto e notas de repúdio foram publicadas. Nada que vá impedir que os violentos voltem a agir com a conivência de parte da comunidade futebolística, a começar pelos próprios jogadores que deveriam ser os mais preocupados em tentar amenizar os ânimos nas arquibancadas.

Falo dos jogadores porque eles exercem forte influencia sobre os torcedores a medida que são ídolos, reverenciados e têm importância singular no espetáculo — além de serem os principais alvos dos ataques cometidos. Os fatos que assistimos no Rio talvez se realizassem da mesma forma, mas não há como negar que a promessa pública de Gabriel Barbosa, de que o Atlético conheceria o “inferno” no Maracanã,  foi combustível para a agressividade de torcedores sem controle. Detentor dos benefícios que os grandes jogadores têm e merecem, Gabigol precisa também entender que de mãos dadas aos direitos conquistados está a responsabilidade — que não foi exercida na declaração explosiva da semana anterior.

Frases de efeito, troca de provocações e deboches sempre fizeram parte da crônica esportiva, muitas vezes incentivados pelos jornalistas. Infelizmente, o que antes se resumia a “guerra de palavras”, hoje é estopim para gente desequilibrada que leva para os estádios e organizadas suas frustrações e recalques. Portanto, não se tem mais espaço para esse comportamento. O discurso dos boleiros terá de se adaptar a estes tempos sob o risco deles serem as maiores vítimas, em breve.

Em Santos, outro gesto de jogadores me chamou atenção. Logo após o torcedor, que de maneira covarde tentou agredir Cassio pelas costas, ser derrubado no chão por seguranças, jogadores do Santos vieram para defendê-lo como se a besta voadora fosse vítima de uma agressão. Teriam, sim, de ser solidários com Cássio, como o foi Marcos Leonardo que impediu que o goleiro corintiano fosse atingido de forma mais violenta. O torcedor que invade o gramado não apenas é um perigo pelo que ele próprio pode cometer, mas também serve de inspiração para outros que estão na arquibancada, podendo provocar um tragédia no estádio. Portanto, tem de ser condenado e não abraçado pelos jogadores.

É claro que cartolas de federações e dirigentes de futebol teriam de estar à frente de medidas para controlar o comportamento violento dos torcedores. Assim como todos aqueles que investem e lucram com o futebol precisariam estar atentos para essa sequência lamentável de ocorrências. Agora, se os jogadores ficarem de braços cruzados e, pior, tomarem atitudes que sirvam de combustível ou de alimento para essas bestas, o preço a ser pago poderá ser fatal.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: as lições que temos de aprender com marcas centenárias

Arquivo: Livraria Bertrand, Lisboa

“O valor não tem a ver com idade e sim com  a entrega que se faz todos os dias”

Cecília Russo

Frágeis, fugazes e maleáveis. Assim são as relações sociais e econômicas, na visão do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, autor do conceito de modernidade líquida. Diante deste cenário, imagine o desafio de marcas, empresas e serviços que se propõem à longevidade. Por isso, inspirar-se naquelas que foram capazes de superar a barreira dos 100 anos ajuda a encontrar caminhos que influenciam tanto a gestão do negócio quanto o comportamento do consumidor. Jaime Troiano e Cecília Russo foram ainda mais longe: trouxeram de Portugal a experiência de marcas com mais de 200 anos de existência.

O maior exemplo apresentado no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso é o da livraria Bertrand, uma rede varejista de livros que existe desde 1732 —- sim, isso mesmo, estamos falando do século 18. Em um mundo em que as marcas nascem todos dias, assim como desaparecem, ter uma que beira os 300 anos é fantástico, especialmente porque persiste em área tão fundamental como a cultura.

Cecília reproduziu no programa, o texto escrito pelos gestores da Bertrand que diz muito do seu sucesso:

“Passa o tempo, mudam-se as gerências, mas ficam os livros. É verdade, são já quase trezentos anos de uma História que se confunde com a de Lisboa. Bertrand é hoje o nome da mais antiga e maior rede de livrarias em Portugal. A nossa História ensinou-nos a cumplicidade com o leitor, a lealdade. Fazemos questão de lhe oferecer as mais atuais obras do mercado, os best sellers do momento, mas também de ter em estante, ao seu dispor, os títulos de referência e uma variedade editorial que desafia leitores de diferentes gostos e idades. Fazemos História, estando no presente. Atuais, atentos, ainda apaixonados pelo LIVRO.”

Dessas linhas que resumem a visão da livraria sobre o seu negócio, Cecília identificou três mensagens que servem de lição aos gestores de marcas:

Compromisso com o leitor: coloque seu cliente no centro, sempre, é o que ensina a Bertrand. Tenha cumplicidade e se lembre que tudo começa com um profundo respeito e amor às pessoas.

Capacidade de evoluir, preservando: a Bertrand traz o novo e o antigo juntos, ensinando que uma coisa não “mata” a outra. Ou, cuidado para não jogar fora o bebê junto com a água do banho, como alertamos frequentemente.

Amor pelo que faz: a paixão pelo negócio alimenta o poder de uma marca. Sem que os gestores sejam apaixonados pela área, pelo que vendem ou pelo que oferecem, teremos uma gestão burocrática, mecânica e fria.

Outra referência lusitana: Porcelana Vista Alegre, fundada em 1824. Foi a primeira unidade fabril dedicada à porcelana em Portugal. E, assim como muitas outras marcas longevas, teve um fundador obstinado, José Ferreira Basto, que levou à risca o ideário liberal da época, tendo se tornado o primeiro exemplo de livre iniciativa de Portugal.

“Isso mostra uma outra face das marcas que sobrevivem ao tempo. Elas nascem de um ideal e trazer alguma ousadia desde o nascimento. Se nos transportarmos para aquela época e nos colocarmos nos sapatos do senhor João, veremos que ele foi um visionário. Marcas precisam dessa visão de futuro”.

Atualmente, é possível encontrar marcas centenárias também aqui no Brasil, cada qual com sua característica própria: a Granado que está com 152 anos; a Hering, com 142; a União, com 136; a Klabin, com 123; e a Gerdau com 120 anos. Todos persistem porque souberam alimentar a relação com os consumidores, mantiveram-se relevantes e não se descuidaram de seus produtos. 

Ouça o comentário completo do Jaime Troiano e da Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com a sonorização do Cláudio Antônio”