Cubanos buscam casa, comida e liberdade, no Brasil

Pode chegar a quatro o número de atletas cubanos que abandonaram a delegação durante os Jogos Pan-Americanos, no Rio. Desertores são comuns, em Cuba, mesmo entre atletas que tendem a receber tratamento diferenciado no país. Um deles veio para São Paulo, Rafael Capote, de 19 anos, da equipe de handebol. Seguiu os passos de outro compatriota que está morando na região do Grande ABC, há quase dois anos.

Eros, meu labrador desconfiado, foi até São Caetano para entender o que traz este pessoal para cá. Além de uma história, escrita em sua velha máquina de escrever, trouxe esta foto que está publicada no Orkut:

Um dos maiores goleiros da seleção de handebol do seu país. O título poderia não ser grande coisa, não fosse essa uma equipe cubana. O esporte é forte, de destaque, na terra de Fidel. É lá que nasceu o melhor jogador de handebol do mundo, Carlos Rodriguez, naturalizado espanhol.

Neste caso, porém, a história é de Michael Oquendo, 26 anos, 1,84 metro de altura e olhar desconfiado – bem diferente desse que ele mirou a câmera -, atleta do Imes/São Caetano.

Com ele, nada de ilegal. Já tem documentos brasileiros que lhe permitem trabalhar com todos os benefícios. A saber: casa, comida e uma pequena ajuda de custo. É de se imaginar que como atleta amador essa ajuda de custo não chegue a valores muito altos, mas, mesmo sem revelar quanto, para ele o salário representa cem vezes mais do que recebia em Cuba, isto há um ano e sete meses quando aproveitou uma viagem ao Brasil com a seleção de Cuba para abandonar tudo: a posição de destaque no time, o país onde nasceu e a família – pai, mãe e três irmãs. “O dia que minha mãe sentir saudade, ela pode me visitar”.

O que ele tem aqui? A resposta é rápida: “Liberdade”. Liberdade para sair do país a hora que quiser. Liberdade para falar.

Em Cuba isso não existe ? “Claro que não! Lá você vai até onde eles deixam”.

Na fala de Michael talvez se encontre a explicação para o número de cubanos que decidiram ficar no Brasil, após irem ao Rio disputar o Pan.

Para quem tem mais do que casa, alimentação e uma ajuda de custo aqui no Brasil, pode parecer pouco os motivos da deserção. Mas os cubanos sabem que liberdade não tem preço.

Morador já sobreviveu a acidentes e a pneu de avião

Uma aeronave caiu no pátio, para onde também foi arremessado um pneu de avião. Foi dali, ainda, que o médico Américo Paulo Morgandi assistiu a uma série de incidentes no aeroporto de Congonhas. A tragédia da semana passada com o avião da TAM foi o sinal de que está na hora de ir embora. Ele teve a casa interditada devido ao risco do prédio da TAM Express despencar, e está hospedado em um hotel da região.

A repórter Marcela Guimarães, da CBN, conversou com este paulista que mora há mais de 55 anos em frente a Congonhas:

Aquecimento popular para acabar com o “gato”

Engenheiros e técnicos desenvolvem, desde 2001, equipamentos para aquecimento solar de baixo custo, em São Paulo. De acordo com um dos fundadores da Sociedade do Sol, Augustin Woelz, “é o fim do gato”. Com o mínimo de conhecimento de instalação hidráulica, o cidadão é capaz de montar o coletor solar e ter água quente sem consumir energia elétrica.

Augustin Woelz falou no CBN São Paulo:

Conheça melhor o projeto acessando http://www.sociedadedosol.org.br

“No meio do ‘vivo’, um segundo de silêncio”


Fabiana Panachão é da nova geração de repórteres da CBN. Na terça, fim de tarde, subiu no helicóptero da rádio para a cobertura do trânsito na capital. Uma explosão mudou o rumo da cobertura. Ela foi a primeira repórter a anunciar o desastre aéreo da TAM, assim como Vanessa Di Sevo havia sido, há 11 anos, a primeira a relatar o acidente com o Fokker-100.

A pedido do blog, Fabiana escreveu sobre os primeiros momentos do acidente.

“Uma terça-feira comum. Sobrevoando a cidade. Trânsito ruim, habitual. Um pouco pior devido à garoa que caía na capital paulista. 18h54. Ao vivo, entro na CBN falando sobre o trânsito e o tempo. um ruído – abafado pelo barulho do helicóptero – me distrai. Olho para a esquerda e vejo uma explosão. Grande, muito grande. Um cogumelo de fogo sobe pelo céu. Dourado. Assustador. Impiedoso. No meio do “vivo”, um segundo de silêncio. Um segundo para decidir o que falar e como falar. A verdade: “Me desconcentrei porque acabo de presenciar uma explosão, na zona sul”. Um quilômetro. Era o que me separava do local do acidente. Um quilômetro percorrido em um minuto. O único minuto em que me permiti sentir medo, desesperar. Pouco tempo para digerir o que parecia indigerível. Porém, tempo mais do que suficente para perceber que o que desviou a minha atenção durante o vôo habitual era apenas o início da maior tragédia da capital paulista.”

De tragédia e reflexão

Por Maria Lucia Solla

Olá,

Hoje, estamos de luto, recolhidos, tristes, emocionados, emotivos, conectados, de olhos abertos e luzes acesas. E o que provocou isso tudo, o despertar, a conexão, e a reflexão decorrente, foi a tragédia ocorrida na cidade de São Paulo, com a queda de mais uma aeronave e a morte de centenas de pessoas, na noite de terça. Como disse um amigo, agora não é hora de pensar em culpa e de discutir a localização do aeroporto, que estava ali muito antes da chegada dos moradores com a benção dos poderes públicos. Não é hora de discutir a perícia do piloto, a eficácia dos trabalhos de reforma da pista principal de pouso e decolagem, a sorte, o azar, o direito à informação, ao conforto e à paz, nem de discutir o sexo dos anjos. É hora de falar, de chorar, de botar para fora os nós da garganta e os do estômago. É hora de reagir, da maneira que se pode e que se sabe. Não tem receita e nem regra de etiqueta que regule.

Tragédia é acontecimento tão impactante que arranca a gente da zona de conforto, provocando catarse coletiva e purificando-nos a alma através da descarga emocional. Elimina tensões e angústias há muito acumuladas e ignoradas. A catarse vem nos socorrer e libertar para que possamos chorar e sofrer por algo concreto. Catarse vem do grego, κάθαρση, e significa purificação, expiação.

O número absurdo de acontecimentos negativos à nossa volta, erros, desmandos, agressividade, violência, abandono, mortes, acidentes, assaltos, abuso a crianças, surra em professores, desrespeito pelo próximo, corrupção (classificada em ativa e passiva!), descaso das autoridades, e por aí vai que a lista é comprida, acaba nos anestesiando e nos induzindo ao conformismo para evitarmos o tão temido sofrimento. Mas o ser humano precisa do amor e da dor, para ser completo!

Vivemos a era do perfeito. Rosto sem marcas (aparentes), corpo sem gordura, anorexia, bulimia, seios com silicone, bundas duras e empinadas, lordose, crianças que nadam, dançam, usam aparelhos nos dentes, aprendem chinês, judô, xadrez, e vivem virtualmente. Têm até animaizinhos de estimação virtuais. É proibido errar, é proibido chorar, é proibido reclamar (até por que, reclamar para quem?), e é proibido sofrer.

Quem me conhece sabe que faço o que posso para estar de bem com a vida, mas com ela inteira, com seus momentos de alegria e de tristeza, com as perdas e ganhos, com o amor vivido intensamente e com a solidão vivida da mesma forma.

É tempo de buscarmos não apenas o belo, mas o equilíbrio e a flexibilidade. É ali que moram a beleza duradoura, o bem-estar verdadeiro e a segurança que tanto buscamos.

Que esta tragédia que nos atinge de forma tão brutal, em meio ao frio e à chuva, nos possibilite, acima de tudo, o despertar. Que possamos sair do torpor e do estado anestésico em que temos vivido.

Pense nisso, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é professora, terapeuta e autora do livro “De bem com a vida mesmo que doa”, lançado pela editora Libratrês. Aos domingos, está neste blog com textos sobre o cotidiano.

Você quer mesmo um carro ?

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Por Wellington Ramalhoso, da Rádio CBN

“Eu quero um carro, você quer um carro, ela quer um carro, ele quer um carro.

Pelo menos nas grandes cidades brasileiras, carro é um objeto de desejo. Este ano, a indústria automobilística do país vive uma ótima fase. No primeiro semestre, foram vendidos 1,08 milhão de veículos novos, de acordo com a Anfavea (Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores). A cifra é recorde e representa uma expansão de 25,7% em relação aos primeiros seis meses do ano passado”

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“Quem tem ou deseja um carro ou uma moto quer mobilidade. Mas quem disse que esses carros e motos cabem na malha viária das cidades e conseguem trafegar com fluidez? São Paulo, a maior referência, mostra que a circulação é difícil.”

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“Esse entupimento das veias vem acontecendo numa cidade que há décadas prioriza o carro, com numerosas obras viárias: retificação de rios e córregos para a construção de avenidas às margens ou acima dos leitos, alargamento de pistas, construção de pontes, túneis e viadutos. O mesmo acontece em outras cidades brasileiras. Brasília, por exemplo, conta com largas avenidas, porque foi planejada nos anos cinqüenta para ser uma cidade do automóvel. A menos de três anos do seu cinqüentenário, a cidade ainda privilegia os carros, que vão congestionando as vias. A facilidade que a estrutura viária de Brasília proporciona para a construção de corredores de ônibus não foi aproveitada, e o transporte coletivo da cidade é deficiente.

Dar preferência ao transporte individual não tem sido solução para as cidades. Tem sido, a bem da verdade, uma aberração, porque representa o descaso e o desrespeito com a maioria que não tem carro e depende de outras formas de transporte. Além disso, tem provocado prejuízos econômicos, ambientais e de saúde.”

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“A minoria motorizada deve, então, reavaliar os hábitos e repensar o uso do carro. Fugir dos horários de pico já seria uma boa medida. Ainda assim, usar o automóvel diariamente e em todos os deslocamentos não parece a opção mais sensata. Sair de carro é aumentar a emissão de gás carbônico, poluir mais o ambiente da cidade e agravar o efeito estufa do planeta. Se conseguir reduzir a quantidade de deslocamentos de carro, o cidadão diminuirá o gasto com a manutenção do veículo, economizará o dinheiro do combustível e o do estacionamento. Encarando o trânsito todos os dias, corre o risco de se estressar mais e ficar mais exposto a acidentes. Deixando o carro em casa, passa a ter uma vida menos sedentária. No transporte coletivo, pode usar o tempo do deslocamento para fazer leituras, o que é praticamente impossível ao dirigir um veículo.

Convém considerar as hipóteses de morar mais perto do trabalho ou numa área com maior oferta de transporte. O preconceito contra o transporte coletivo precisa ser combatido. Para quem só anda de carro, há que se perguntar: há quanto tempo você não anda de ônibus ou metrô? Será que é insuportável, mesmo? E se é, não é hora de cobrar melhorias com vigor? Também é hora de exigir ciclovias para pedalar e uma calçada melhor para caminhar.

Sentado no banco do motorista, protegido pelos vidros e a lataria e tendo um motor para acelerar, muito cidadão pacato se transforma e se torna agressivo. Andar de carro é evitar o contato cara a cara com as pessoas. Se o número de pessoas que saem de carro diminui, o espaço público pode ser tomado por uma forma de convívio mais saudável na cidade.

Eu ainda quero um carro? Você ainda quer um carro? Ela ainda quer um carro? Ele ainda quer um carro? É isso que queremos? Se ainda queremos carros, é preciso ao menos saber quando e quanto usá-los”.

Trechos do artigo escrito pelo jornalista Wellington Ramalhoso, da Rádio CBN, no site Jornalirismo.com.br. Leia o texto completo em http://www.jornalirismo.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=152&Itemid=29

A pureza de um gesto obsceno

Transmitir sentimentos e pensamentos através de gestos é uma forma de comunicação não-verbal. O entendimento destes sinais ocorre conforme a cultura de cada povo, podendo oferecer mensagens completamente opostas. Dois dedos formando um “V”, sinal de vitória após a Segunda Guerra Mundial e adaptado ao “paz e amor” do movimento hippie nos anos 1970, é visto como gesto obsceno em certas culturas.

Nesta sexta-feira, o colega Walter Maierovitch, em seu blog http://www.waltermaierovitch.globlog.com.br, contou que mandar o pessoal para aquele lugar não ofende à honra ou ao decoro de ninguém, na Itália. Pelo menos, foi esta a percepção da Corte Suprema de Justiça que teve de decidir se um “vaffanculo”, solto em um momento de indignação, seria condenável pelo crime de injúria.

Mesmo de posse do texto da corte maior em mãos, eu não recomendaria que você experimentasse usar a expressão diante de um legítimo “Ferretti”. Estive na Itália por quase duas semanas e, confesso, houve momentos em que tive vontade de elevar a voz para disparar um sonoro “vaffa”. Me contive (ou quase). A interpretação e reação do ofendido não seria baseada na jurisprudência, com certeza.

Aqui no Brasil, apesar da falta de respaldo da justiça, a atriz Cris Nicolotti virou estrela com música interpretada durante peça teatral na qual repete, em bom português, “vaffanculo”. Quem ouve dá gargalhadas. Não se sente atingido.

Houve outras situações nas quais gestos considerados obscenos provocaram debates acalorados. Em uma dessas, estivemos a beira de uma crise diplomática. O piloto da American Airlines Dale Robbin Hersh, em janeiro de 2004, mostrou o dedo médio enquanto tirava foto de identificação na área de desembarque do Aeroporto Internacional de Guarulhos. Os agentes da Polícia Federal consideraram desacato a autoridade.

Usar o dedo médio para ofender os outros, tem sido muito mais comum do que se imagina. Uma senadora italiana da extrema-direita, semana passada, além de chamar o adversário esquerdista de criminoso, ainda fez o famoso gesto, que, tanto lá como aqui, tem o mesmo significado: “vaffanculo”.

No esporte, vários jogadores protagonizaram o gesto em público. De Romário, com a camisa do Vasco, a Fininho (quem ?), com a do Corinthians, todos revelaram descontentamento acentuando o dedo médio. O técnico do Real Madrid Fábio Capello (ele é italiano) teve de dar muitas explicações e foi punido após repetir o sinal para a torcida que o hostilizava.

A cena de Marco Aurélio Garcia, flagrado em um legítimo top-top-top (de acordo com o ouvinte-internauta Deco Ribeiro é assim que Henfil descrevia o gesto), entre quatro paredes, foi descrito como comemoração e desrespeito, por alguns. Para o autor, um desabafo, sinal de indignação.

Para mim, momento de pura honestidade. Desnudo das declarações burocráticas, dos textos diplomáticos e afirmações calculadas à luz do conhecimento, o assessor do presidente Lula expôs seu sincero pensamento naquele instante.

Que todas as autoridades, quando estiverem diante das câmeras, ajam da mesma forma, revelando ao cidadão o que realmente pensam, por mais absurdo e estúpidos que sejam estes pensamentos. Ao menos saberemos com quem estamos tratando.

Obscenidade pedagógica

Vasculhando a internet em busca de gestos obscenos, encontrei texto de Edmundo Leite, postado no “Bate-pronto, blog de esportes do Estadão”, do qual destaco o seguinte parágrafo:

Os que usam o dedo médio para expressar os seus sentimentos deveriam aprender com o grande mestre Johnny Cash, que ensinou que para fazer isso com dignidade é preciso estar por cima e, mais que isso, ter absoluta certeza disso. Foi o que aconteceu em 1996, quando foi à forra depois de ser premiado como Melhor Álbum Country pelo fabuloso disco Unchained. Do alto de seus então 64 anos de sabedoria, Cash pagou um anúncio de página inteira na BillBoard, a principal revista de música do país, para agradecer o apoio recebido das rádios e do meio musical de Nashville, a meca do Country, que haviam ignorado o disco.

http://blog.estadao.com.br/blog/batepronto/?m=20070117

Taboão da Serra pode receber terceiro aeroporto

“Jamais diríamos onde será a construção para não sermos fatos de especulação imobiliárias”. A ministra Dilma Russef não havia chegado ao ponto final da frase e as especulações sobre o local do novo aeroporto, anunciado pelo governo, se iniciavam.

Um dos lugares em estudo fica na região do Taboão da Serra, na zona oeste da região metropolitana. Em favor da área, além dos vazios urbanos que ainda podem ser encontrados, está o acesso pelo Rodoanel.

A Anac e a Aeronáutica terão de apresentar, em no máximo 90 dias, estudos sobre locais disponíveis para a construção.

Grupos de empreiteiras trabalham, há pelos menos seis meses, no projeto de construcão de um novo aeroporto a 35 quilômetros do centro de São Paulo. Segundo o Estadão, nos planos das empresas Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez o aeroporto poderia ser entregue em três anos a um custo inferior dos R$ 5 bilhões previstos pelo Governo Federal.