Pode me chamar de Francisco: filme para ser assistido e querido por todos

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“Pode Me Chamar de Francisco”
Um filme de Daniele Luchetti
Gênero: Série Biografica
País:Itália

 

Biografia do papa Francisco. Originalmente chamado de Jorge Maria Bergolio, o papa teve sua vocação descoberta em Buenos Aires, Argentina, que, em 1960, passava por uma ditadura que não poupava nem os padres. Em meio ao conturbado momento político um dos seres humanos mais benevolentes era querido por todos.

 

Por que ver:

 

Em vários momentos a série tem acontecimentos bem tensos. Sabe aquela coisa de segurar a respiração…. Então, boa parte da vida do Papa foi assim, se arriscando para ajudar ao próximo e em que acreditava ser o correto.

 

O diretor é o mesmo do filme “Meu irmão é filho único”, e para esta pegada de filme político ele realmente manda muito bem.

 

As cenas são realistas, do tamanho certo, e sem sensacionalismo ou exagero na exaltação da humanidade de Bergolio.

 

Bergolio era um homem sensacional, humano, benevolente e sempre, sempre que possível livre de julgamentos. Um Papa no sentido mais espiritual da palavra…

 

Como ver:

 

À noite é uma boa pedida. Apesar de momentos tensos, não vai te tirar o sono, nem te fazer dormir rápido demais… Pode convidar a família…Avós e etc…

 

Quando não ver:

 

Se você quiser manter a rixa Brasil x Argentina… Com este Papa seus conceitos vão mudar hahahahahahah…

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Dá dicas de filmes e séries aqui no Blog do Mílton Jung

No gravador de Enon, a essência do rádio

 

Por Christian Müller Jung
reproduzido do LinkedIn

 

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Formei-me publicitário. Mesmo sendo filho, irmão, sobrinho, primo de jornalistas, a veia criativa sempre esteve presente em minha vida. Muito disso por influência da mãe que era uma pessoa super inspirada.

 

Mas, enfim, o que me traz aqui hoje é curiosamente essa tarefa instigante de levar a informação para todos os cantos do planeta: o jornalismo.

 

Tive a oportunidade de conviver desde a infância com essa turma que carrega gravadores nas mãos para não perder uma palavra que tenha sido pronunciada ou alguma mensagem que seja de interesse da população.

 

Cresci dentro da Rádio Guaíba, de Porto Alegre, em virtude do pai que por lá circulou mais de 50 anos, como locutor comercial e de notícias, narrador esportivo, comentarista e, claro, jornalista. Quando digo o pai, refiro-me a Milton Ferretti Jung.

 

Assistia ao trabalho dele e dos colegas nos campos de futebol e, por vezes, presenciei os repórteres chegando da rua prontos para editar as suas matérias.

 

Muitas vezes, apesar do Christian no nome, fui e sou chamado de “Miltinho”, seja porque o pai é Milton seja porque meu irmão também é Milton, o Júnior (e, também, jornalista). Nada que me afete porque afinal de contas tenho orgulho dessas referências; assim a troca de nome mais do que uma simples confusão, é uma deferência.

 

Apesar de ser publicitário, fui parar na tribuna do Palácio Piratini como Mestre de Cerimônia. Se a gente não herda uma coisa herda outra. Se não virei jornalista como o pai, fiquei com o padrão vocal do velho Milton e isso me ajudou na obtenção do registro de locutor e apresentador.

 

O Palácio e as atividades pelo Rio Grande como Mestre de Cerimônia me permitiram acompanhar de perto as coberturas jornalísticas, especialmente nas solenidades do Governo, e me aproximaram desse pessoal: os jornalistas de rádio.

 

Alguns são da velha guarda, são do gravador da National e da fita K-7 – um trambolho que exigia o uso das duas mãos, uma para apoiar e a outra para apertar o botão REC.

 

Junto a eles, tem a turma bem mais nova que se recicla a cada dia chegando com toda a tecnologia disponível para facilitar e arquivar a informação. Tanto de áudio como de vídeo.

 

Nessa atividade que exerço no governo gaúcho, desloco-me por várias cidades do interior e foi numa destas, mais precisamente em Tapes, no centro sul do Estado, que encontrei o radialista, o jornalista e o dono da Rádio Tapense, Enon Cardoso.

 

Na solenidade anterior em cidade bem próxima, Sentinela do Sul, já o tinha visto trabalhando, porém foi em Tapes, após escutar a minha apresentação, que ele quis saber como eu me chamava. Logicamente que pelo tipo de voz e o sobrenome, Jung, ele me perguntou o que eu seria do Milton Ferretti Jung. Disse que era o filho mais novo e de cara ele abriu um sorriso lembrando-se de um acontecimento que tinha marcado a vida dele, há muito tempo.

 

Em certa oportunidade, muito antes das grandes redes de rádio, Enon veio a Porto Alegre para saber se teria autorização para reproduzir na emissora dele o Correspondente Renner, que era lido pelo Milton, na Guaíba. Falou com o pai que era só o locutor no noticiário e não tinha esse poder de decisão. Depois, falou com Flávio Alcaraz Gomes, amigo dele e um dos jornalistas mais influentes da emissora. Precisou, porém, muita insistência para chegar à direção da Guaíba quando, então, recebeu o aval inédito para retransmitir o Renner. Havia apenas uma condição: ele não poderia dizer o nome da rádio dele durante a locução.

 

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Quando vejo um senhor como o Enon, de cabelos brancos, sentado em uma cadeira, próximo ao palco da cerimônia, em frente a caixa de som e com o gravador na mão, em pleno 2017, parece que voltei no tempo. A maneira improvisada de cobrir os assuntos como forma de superar a falta de dinheiro e condições de trabalho, me remete à época em que cada um tinha de fazer das tripas coração para emendar fios, montar um transmissor, levantar enormes e pesadas antenas e torcer para que o trabalho todo fosse ao ar.

 

A história de Eron por si só já é ótima, mas o que quero destacar mesmo, nisso tudo que relato até aqui, é a essência da coisa. É nela que se cria a verdadeira escola da informação. Muito mais que a tecnologia, está a vontade de retransmitir e compartilhar os fatos da forma mais imediata possível com a audiência.

 

Ainda que os telefones celulares e toda a tecnologia desenvolvida facilitem tanto a vida dos profissionais, quando faço essas solenidades percebo que a necessidade de levar a informação para o ar ainda exige algum tipo de improviso para não que se perca nenhuma sílaba do que foi dito.

 

Os gravadores mudaram de tamanho e de analógicos se transformaram em digitais, mas a turma ainda precisa correr, instalar antenas de wi-fi, conectar notebook, tablet ou qualquer outra traquitana nova. Sai de uma solenidade para a outra, tem pressa para chegar e para transmitir a mensagem ao seu público.

 

Se antigamente era preciso colar o gravador e o microfone no rosto de quem falava ou se tinha de se subir na tribuna para captar tudo, hoje basta se aproximar da caixa de som ou ligar o equipamento direto na mesa montada pelos técnicos.

 

Se antes o material coletado tinha de viajar de carro ou ônibus para chegar à emissora, hoje é editado na mesma hora, viaja pela nuvem ou é transmitido ao vivo e com sinal digital.

 

Mas nada disso muda a razão maior que move todos os jornalistas desde quando comecei a conviver nesse mundo da notícia. Velhos ou novos profissionais, todos buscam cumprir sua missão.

 

Bem lá atrás ou aqui na frente da linha do tempo, o que interessa no fim do dia é se a bendita da informação chegou ao público.

 

Naquele dia em Tapes, com seu gravador em punho, Enon mais uma vez cumpriu sua missão.

Avalanche Tricolor: eu aposto!

 

Flamengo 2×0 Grêmio
1a Liga – Mané Garricha/Brasília

 

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Miller Bolaños pode ser a solução (foto de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA FLICKR)

 

Vamos combinar: você não levou este jogo de hoje muito a sério. Só mesmo meu amigo Juca Kfouri, para esquentar a partida desta noite, em Brasilia. No comentário feito no Jornal da CBN logo cedo, deixou no ar uma aposta: vitória do Grêmio ou empate eram meus; vitória do Flamengo, era dele. Estava de brincadeira, é lógico, pois assim como eu, você e toda a torcida do Flamengo sabíamos, a tal 1a Liga ainda não pegou. E parece que não vai pegar, pois os próprios clubes que a criaram estão revendo sua realização. Nossa aposta não valeria um tostão furado.

 

O Grêmio levou o time reserva para a capital federal. Perdão, o politicamente correto prefere chamar de time alternativo. Time e técnico alternativos. Nem mesmo Renato viajou. Preferiu permanecer em Porto Alegre trabalhando com os titulares e preparando a equipe para domingo quando enfrentaremos o Passo Fundo, na Arena.

 

Sabemos que nestes dois primeiros meses da temporada o foco é o Campeonato Gaúcho. Afinal, tá mais do que na hora de voltarmos a ganhar a competição estadual. A 1a. Liga, sem trocadilho, está em 2o. plano. Portanto, não dava para esperar nada muito melhor do que assistimos.

 

Tudo bem, a defesa poderia estar um pouco mais arrumada, a marcação na entrada da área mais firme, nossos zagueiros e goleiro mais seguros. A turma do meio para a frente bem que ajudaria se acertasse mais passes. Sem contar a falta de entrosamento que superava todo o esforço do pessoal para chegar ao gol adversário. Até criamos algum perigo, mas insuficiente para a vitória ou mesmo o empate, resultados que me levariam a vencer a aposta (fria) feita pelo Juca.

 

O que não estava nas nossas previsões, nem na minha nem nas do Juca, era o incidente que haveria de ocorrer durante os treinos em Porto Alegre: a lesão que deixará o maestro Douglas afastado do gramado por seis meses. Essa sim não é brincadeira. Nosso 10 foi genial na conquista da Copa do Brasil e seria essencial para o Gaúcho e a Libertadores. Não existe à disposição no futebol brasileiro jogador com o talento e a experiência dele.

 

A solução dependerá da criatividade de Renato e da audácia da diretoria em buscar alguém capaz de substituir Douglas. Ou então contarmos com aquelas peças que o destino nos reserva. Diante da perda do Maestro, da preocupação da comissão técnica e do lamento da torcida, quem sabe não descobriremos em casa o novo protagonista para comandar a equipe dentro de campo: Miller Bolaños.

 

Da mesma forma que o destino ofereceu a ele a oportunidade de marcar o gol do título da Copa do Brasil, no fim do ano passado – em um dos poucos bons momentos do equatoriano na temporada -, por que não pensar que a história lhe oferece uma missão especial neste primeiro semestre de 2017?

 

Em Miller Bolaños, eu aposto!

Comércio eletrônico pode transformar shoppings em elefantes brancos?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Vendas de 157 bilhões de reais, 100 mil lojas, 152 milhões de metros quadrados de área locável, um milhão de empregos diretos, 558 empreendimentos. Esta é a fotografia numérica que a ABRASCE, entidade representativa dos Shoppings Centers recentemente apresentou.

 

Enfatizou ainda que em relação a 2015 houve um crescimento de 4,2% nas vendas, um aumento de 2,7% no emprego, um acréscimo de 3,7% nos empreendimentos, uma diminuição no fluxo de pessoas de 1,2%, e uma redução na ocupação das lojas, gerando uma subida de 4,6% na vacância.

 

Para 2017, a ABRASCE previu um crescimento de 5% nas vendas, de 5% nos empreendimentos, e de 5% nos empregos diretos. Observou que a atuação dos Outlets, que já correspondem a 17% do setor, tende a crescer, e comemorou a comparação com as vendas do Varejo total que caíram 6,5% enquanto os Shoppings cresceram.

 

Demasiado otimismo, pois a subida dos Outlets reflete o mercado em baixa, enquanto que na análise com o Varejo geral é necessário considerar que o aumento das vendas nos Shoppings foi em função dos novos empreendimentos.

 

A boa notícia poderia estar no setor virtual, que não foi enfatizado. A internet que continua crescendo em ritmo acima de todos os outros formatos comerciais tem uma conexão natural com as estruturas dos Shoppings, na construção dos “omni-channel” para fornecer aos consumidores os serviços e produtos desejados nos momentos em que ele vier a desejar. E, não está sendo aproveitada.

 

Indagamos ao CEO da SOKS, uma das empresas fornecedoras de tecnologia para a construção de Market Places, Antonio Mesquita, qual o resultado obtido com os Shoppings no processo de aceitação da replica virtual:

 

“O comércio eletrônico corresponde a 12% do varejo no Reino Unido, a 8% nos Estados Unidos e a 3% no Brasil. Apenas 14 das 50 maiores empresas de varejo no Brasil figuram entre os 50 maiores operadores de comércio eletrônico. Os shopping centers acabarão se tornando “Elefantes Brancos” confirmando que os empreendedores de shoppings no Brasil não se tratam de empresários e sim de construtores buscando remuneração exclusiva através da locação de seus espaços.”

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Avalanche Tricolor: no esporte eletrônico, os motivos para sorrir nesta segunda-feira

 

Caxias 2×1 Grêmio
Gaúcho – Caixas do Sul

 

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Muita gente acordou de ressaca nesta segunda-feira. Lá na redação, teve colega que mal dormiu na noite passada pois esticou o domingo até a madrugada para assistir ao Super Bowl e a incrível virada do Patriots sob o comando de Tom Brady. Depois de amargar uma surra no primeiro e em boa parte do segundo tempo, com um placar que chegou a 28 a 3 para o Falcons, o time do “Giselo” – referência a esposa, gaúcha por sinal – empatou no tempo normal e venceu por 34 a 28 em inédita prorrogação na final da NFL, a liga de futebol americano. Lembrou o nosso Imortal.

 

Lá no Rio Grande do Sul, imagino, que além da noite mal dormida boa parte dos torcedores do futebol acordou de cabeça inchada, afinal a dupla Grenal se estropiou contra os times do interior. Verdade que alguns perderam o sono já no sábado, pois a derrota os deixou beirando a Segunda Divisão (do Campeonato Gaúcho, registre-se). Nada que vá durar muito tempo, como diziam no ano passado. Lembra?

 

De minha parte, não temos muito a reclamar. Apesar do tropeço na Serra, a vitória da estreia nos mantém entre os quatro primeiros, nesta segunda rodada Claro que esperávamos um pouco mais do time que começou batendo um bolão no Gaúcho, repetindo o desempenho que nos deu o título da Copa do Brasil, no ano passado. Ao mesmo tempo, se puxarmos da memória, vamos perceber que também no ano passado os jogos fora de casa eram de tirar o sono.

 

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Não sei quanto a Renato, mas eu gostei de ver que Miller entrou no finalzinho da partida e marcou um gol, pois ratifica o que tenho lido na imprensa e nos textos em redes sociais publicados por jornalistas que acompanham os treinos de início de temporada: o atacante venezuelano está em franca recuperação e tem tido performances mais próximas daquelas que o levaram a ser contratado, em 2016.

 

Assisti ao jogo do Grêmio de revesgueio, pois quando cheguei em casa tínhamos acabado de levar o primeiro gol, em cobrança de pênalti. Não que eu tivesse fazendo pouco caso da partida pelo Gaúcho – já registrei na primeira Avalanche deste ano a saudade que estava do estadual e em especial do título deste campeonato.

 

Acontece que há três semanas, e isso vai se repetir ao longo da temporada, minhas atenções estão voltadas também para outro tipo de esporte que a maioria de vocês – os caros e raros leitores desta Avalanche – deve torcer o nariz: o esporte eletrônico. Recentemente falei sobre o tema aqui no blog, pois meu filho mais novo assumiu o comando técnico de uma das principais equipes de League of Legends – Lol, no cenário nacional, e tem partidas disputadas sábados ou domingos.

 

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Ontem, experimentei torcer no local dos jogos, um gigantesco estúdio na zona Oeste de São Paulo, de onde são feitas as transmissões que podem ser assistidas na SportTV e nos canais de internet. Fiquei impressionado com a estrutura montada para que as imagens cheguem com qualidade aos telespectadores e internautas. Incrível também é a “infra” à disposição das equipes formadas por cinco atletas, treinador, estrategista, psicólogo e outros quetais típicos das organizações esportivas. A tecnologia é bastante sofisticada para que o esporte possa ser praticado de forma qualificada e atenda as expectativas da audiência. E a impressão que tive é que os organizadores, no caso a Riot Games Brasil, conseguem oferecer essa experiência aos fãs do Lol.

 

Tecnologia à parte, quando a bola começa a rolar na tela, ou melhor, quando os campeões começam a percorrer o mapa a ser conquistado, a pressão sobre os atletas, a necessidade de estratégias bem construídas e a apreensão do torcedor se equivalem a de outros esportes.

 

Imagine, então, a emoção do pai-torcedor. Sofri como nunca, mesmo ainda titubeando em algumas regras do Lol. Incomodei-me com os comentaristas nas críticas ao meu time, mesmo que feitas com justiça. Torci os dedos para que o ataque adversário falhasse. E comemorei os abates, torres e dragões conquistados. Ao fim e ao cabo, festejei a primeira vitória da Keyd Stars, por 2 a 0, sobre a Operation Kino, no CBlol2017 – o circuito nacional. Especialmente a última da série, que lembrou muito o estilo Imortal do Tricolor, com uma recuperação incrível quando muitos já teriam entregado os pontos.

 

Assim, mesmo de ressaca pelo Super Bowl e de cabeça inchada pelo Gaúcho, encontrei ótimos motivos para sorrir, nesta segunda-feira.

Conte Sua História de São Paulo: a namorada que eu levava ao Playcenter

 

 

Por Humberto Bernardino de Andrade

 

 

 

 

Cheguei à metrópole no fim da década de 1990. O primeiro lugar onde morei foi em Santana, na zona Norte. Nunca havia andado sozinho de metrô. E ao chegar ao terminal do bairro, vindo da rodoviária do Tietê, um amigo, que me recebera em uma república de colegas da minha cidade, me esperava para que eu não me perdesse.

 

 

Quando eu era criança e morava no interior, sempre ouvia os mais velhos dizerem: “─Jamais moraria em São Paulo… aquela loucura, trânsito, violência, poluição…”. Fiquei com aquilo na cabeça. O tempo passou e cá estava eu, recém-saído da faculdade de engenharia, cursada lá no interior.

 

 

Meu primeiro emprego aqui foi em uma obra na Av Luis Carlos Berrini, na zona Oeste: prédios modernos, muita gente bonita. Aquilo me impressionava.

 

 

Cruzava a cidade de ônibus pra trabalhar, pois tinha medo de ir de carro. Só tomei coragem de me arriscar no trânsito quase um ano depois.

 

 

A cidade não era mais da garoa como nos tempos em que fazia excursão ao Playcenter, nos anos de 1980. Era a terra dos temporais, que alagavam tudo castigando a cidade. Minha mãe quando via aquilo na TV nos programas da tarde, ligava preocupada pra saber se eu não tinha ficado sitiado em alguma enchente.

 

 

Apesar daquela resistência com a cidade, provocada pela ideia dos conterrâneos de que “jamais moraria em São Paulo”, uma coisa que sempre me deixava curioso, era saber como seria assistir a um jogo do meu time de coração, ao vivo, num estádio.

 

 

Tomei coragem: ao sair do trabalho, decidi ir ao Pacaembu. Era uma terça-feira à noite. Ao chegar lá, os holofotes estavam acesos, a arquibancada ainda tinha poucas pessoas – o suficiente para ficar com aquela imagem marcada na memória. Assisti, naquela noite, à vitória do Corinthians diante do Juventus, time tradicional da cidade. Foi um a zero. E simbólico para quem naquela altura já estava apaixonado pela cidade.

 

 

Ao mesmo tempo que, na agitação do dia-a-dia, pensava que tudo aquilo era provisório, que logo, logo arrumaria um emprego no interior e voltaria, nas horas de lazer, diante de inúmeras opções, imaginava que não havia como abandonar mais tudo aquilo e retornar.

 

 

Depois de Santana, morei em vários lugares: Vila Mariana, Saúde, Centro, Vila Prudente  … e até andei cometendo infidelidades: morei em Santo André, Osasco e Barueri. Mas sempre trabalhei em São Paulo.

 

 

Hoje estou de volta. E moro na Barra Funda, na zona Oeste, bem próximo do terreno, onde estacionava o ônibus que trazia a mim, minha namorada e meus amigos de adolescência para o Playcenter. O terreno está vazio, em compensação a namorada virou minha esposa.

 

 

É curioso porque nas minhas andanças pela cidade, ouço paulistanos da gema dizerem que “isso aqui é uma loucura, já não aguento mais, trânsito, enchente, violência… quando me aposentar, quero ir morar no litoral ou no interior.”.
 

 

Eu, que já me rendo à paixão pela cidade, como paulistano naturalizado penso logo que “, quando me aposentar, quero mesmo é morar em São Paulo”.
 

 

Humberto Bernardino de Andrade é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha participar desta história: envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Avalanche Tricolor: saudade do meu Campeonato Gaúcho

 

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Gaúcho – Arena Grêmio

 

Gremio x Ypiranga

Luan em uma disputa típica do Gaúcho,na foto de Lucas Uebel/GremioFBPA

 

Diga o que quiser. Pense o que pensar. Pode desmerecer. Não tem problema. Eu vou entender, mas nada será capaz de me tirar do peito esta saudade que sinto do Campeonato Gaúcho. Uma baita de uma saudade, como diria lá no meu Rio Grande.

 

Conheci o Gauchão quando este aumentativo era dispensável. Bastava-nos chamá-lo de Campeonato Gaúcho. Era ainda a competição mais importante que disputávamos nos anos de 1970. Assistia a todos os jogos no Olímpico, que ficava do lado de casa. Ou então viajava para o interior seguindo os passos gremistas. Muitas vezes passos enlameados em estádios acanhados e arquibancadas de madeira.

 

Tive o privilégio de acompanhar o Grêmio por todo o interior do Rio Grande levado de carona pela equipe de esportes da rádio Guaíba, onde meu pai trabalhou por cerca de 50 anos. Na maior parte das vezes ficava em pé, atrás dos postos ocupados pelo narrador e comentarista da emissora, nas cabines de rádio. Algumas eram tão pequenas que mal cabiam os profissionais, os equipamentos e este torcedor fanático.

 

Da mesma forma que a lama, o frio era uma das marcas da competição. Houve até um histórico jogo na neve, em Bento Gonçalves, lá pelos anos de 1980. E se alguém me perguntar qual o momento mais marcante como torcedor gremista, não vou titubear: o título Gaúcho de 1977. Foi o primeiro que pude comemorar ao lado e abraçado com o meu pai nas cadeiras do Olímpico.

 

Desde lá, nossas ambições foram além das fronteiras do Rio Grande. Brasileiro, Copa do Brasil, Libertadores e Mundial entraram no nosso cardápio. E ganhamos todos eles, queiram ou não os mercenários da Fifa.

 

O Gaúcho ficou menor, mas segue muito perto do coração de cada um dos torcedores. Por isso, foi muito legal ligar a televisão nesta quinta-feira à noite para assistir à estreia gremista na temporada 2017.

 

O jogo foi na Arena que tem mais cara de Copa do Brasil e Libertadores do que Gaúcho. Mas tinha muita chuva para nos lembrar do passado e um adversário tradicional, lá do norte do Estado na divisa com Santa Catarina. Teve jogadas duras, chutões para o alto, excesso de força e reclamações – o suficiente para matar a saudade.

 

Teve também o talento que fez do Grêmio penta campeão da Copa do Brasil no ano passado. Geromel, Luan, Douglas, Marcelo Grohe … marcação alta, volume de jogo, troca de passe precisa e muita movimentação.

 

O primeiro gol foi contra e resultado de uma blitz que resultou de sete cobranças de escanteio em pouco mais de meia hora de partida. O segundo saiu dos pés do redivivo Fernandinho após outra pressão imposta no segundo tempo.

 

Que venham novas vitórias, a classificação às próximas fases e o título do Campeonato Gaúcho. Até porque desse também estou com uma baita de uma saudade.

Sem cortes: bastidores, estúdios e ideias sobre o rádio e o jornalismo

 

 

Como é a produção do Jornal da CBN, a necessidade de o rádio se reinventar, uma entrevista a ser feita e quem me inspirou na profissão foram alguns dos temas provocados pela estudante de jornalismo da ESPM-SP Gabriella Lemos em vídeo experimental que realizou, nos bastidores da rádio CBN. São nove minutos e pouco de entrevista, sem corte, nos quais, além de falar sobre rádio e jornalismo, mostramos estúdios, corredores e redação da CBN, em São Paulo. Curta, compartilhe e opine.

 

São Paulo: Cidade Limpa deve ser referência para Cidade Linda

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Há 10 anos, São Paulo era uma das raras cidades grandes do mundo em que a comunicação visual excessiva e desordenada lhe atribuía uma singularidade. Mas, extrapolava. Quase a sufocava.

 

Naquela época eu ainda guardava na memória as observações favoráveis dos professores europeus doutores na ECA USP, sobre a fantástica cultura paulistana exibida nas ruas, nos muros, nos prédios. Alguns edificados especificamente para servir de painel.

 

O desordenamento intenso e extenso, não importa se expressava a vida e cultura das pessoas que ali viviam, teve um antídoto do mesmo calibre. O prefeito Gilberto Kassab insuflado com a energia da arquiteta Regina Monteiro passaram a limpo toda a cidade. Não se detiveram pelo cultural, ou econômico, ou o social.

 

A ordem era limpar a cidade.

 

E veio a surpresa geral, o projeto CIDADE LIMPA, após um breve período de contratempos, foi um sucesso. Empresas cerraram atividades, escritórios de criação, gráficas, operários de colocação de anúncios, transportadoras, etc. deixaram de existir instantaneamente.

 

São Paulo passou de raridade de comunicação desordenada em exemplo de organização visual. Regina Monteiro até hoje é uma celebridade mundial nesta área.

 

Desde então a cidade tem conseguido manter o princípio mestre da CIDADE LIMPA, blindando-se de uma forma geral aos eventuais ataques do poder econômico, ou de interesses corporativos menores, como no caso das bancas de jornal.

 

O prefeito João Doria, recém-empossado, talvez pela eficácia da CIDADE LIMPA, deve ter se surpreendido com a retaliação à CIDADE LINDA do grupo de pichadores, das gangues de “pixadores” e de alguns grafiteiros. Afinal, está apenas indo contra os ilícitos e não está mexendo com o poder econômico.

 

Quem sabe não seria bom chamar os “universitários” ou a experiente Regina Monteiro?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Conte Sua História de SP: minha irmã foi registrada dia 25 de janeiro por amor à cidade

 

Por Mara Rocha
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Ouça este texto que foi ao ar na CBN, sonorizado pelo Cláudio Antônio

 

 

Minha história com São Paulo começa antes mesmo de minha família e eu morarmos aqui. Em 1952, meus pais viviam em Presidente Epitácio e só tinham dois filhos. Meu pai vinha a São Paulo comprar tecidos para minha mãe fazer as roupas da casa, dos filhos … ela costurava pra fora, também. Meu pai adorava São Paulo e voltava pra casa todo feliz contando para os amigos o que tinha visto por aqui: falava dos cartazes de filmes, teatro e shows musicais.

 

Em 16 de fevereiro de 1953, nascia minha irmã. Meu pai esperou um ano só para poder registrá-la com a data de 25 de janeiro. Em 1955, foi minha vez de vir ao mundo e meu nome Mara foi em homenagem a atriz de teatro de revista Mara Rubia. Em 1957, nascia outra irmã e o nome foi (completo) Dalva de Oliveira. Dispensa apresentação. Em 1960 nascia o coitado da turma feminina, porque depois dele vieram mais três meninas e formamos o time de nove, mas essas já são paulistanas.

 

Chegamos em São Paulo em 1961, minha mãe ficou encantada com o tamanho da cidade. Fomos morar no bairro Taboão em São Bernado do Campo e a minha rua chama-se São Paulo. O pai era motorista de ônibus na linha São Bernardo – São Paulo, passando pelo Zoológico, Jardim Botânico e, finalizando, na Praça da Árvore onde tinha o Cine Estrela. Nossos finais de semana eram nesses lugares. Adorava passear no Jardim Botânico onde fazíamos piquenique, jogávamos bola, peteca e nos divertíamos comoutros brinquedos da época. Visitámos com frequência também o Zoológico.

 

Minha irmã mais velha Wandy, trabalhava como modelo dos maiôs Cenimar ou Celimar (não lembro ao certo), as mulheres eram esculpidas pela natureza porque tudo era feito a pé ou de bicicleta. Ela foi a primeira a ter carro em casa e isso demorou um bocado. Ela fazia também as feiras do Ibirapuera. E a que eu mais gostava era o Salão da Criança porque brincava muito, e bebia muito iogurte Paulista, no estande onde ela trabalhava.

 

Nas férias íamos de trem para a casa do meu tio em Santa Fé do Sul. Ficava encantada com a Estação da Luz e a viagem de muitas horas passava rápido porque era divertidíssimo dormir nas camas da cabine com o balanço do trem. E durante o dia passeávamos pelos vagões.

 

Só comecei a frequentar o Cine Estrela quando fiquei adolescente (na época: mocinha). Daí foi um passo pra conhecer outros lugares, como o Cine Ipiranga e o Cine Ópera, esses dois no Centro. Ficava até difícil escolher pra onde ir nos finais de semana. Pedalinhos no Parque do Ibirapuera, tardes deliciosas no Museu do Ipiranga, encontro com a galera no Pilequinho, um bar em Moema que fazia deliciosos sucos e batidas de frutas. Sem deixar de frequentar o Jardim Botânico, meu lugar predileto.

 

 
Nossas compras eram feitas no Mappin e adorava ver o ascensorista descrevendo tudo que tinha nos andares. Minha loja predileta chama-se Piter, próxima do Teatro Municipal e o vestido verde água que comprei no crediário, é inesquecível!

 

Tinha 24 anos (1979) quando nos mudamos para Moema, a 50 metros do Shopping Ibirapuera, inaugurado em 1976. Os trilhos do bonde ainda estavam na Avenida Ibirapuera e minha vida não mudou nada porque desde sempre eu fui paulistana de corpo e alma. Casei, tive filho e neta. Passei pra eles tudo isso, o que ficou, claro! Meu filho e minha neta amam parques, piqueniques, bicicleta, patins e, principalmente, amam São Paulo.

 

Mara Rocha é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br. Este texto foi ao ar, em 2013, no CBN SP, mas ainda não havia sido reproduzido aqui no Blog.