Avalanche Tricolor: Marcelo Grohe merece vestir nossa camisa listrada

 

Figueirense 0x0 Grêmio
Brasileiro – Orlando Scarpelli/Florianópolis (SC)

 

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O time era o reserva. De titular, só Marcelo Grohe. E meu destaque vai para ele.

 

Antes dele, porém, falarei de outros personagens do jogo deste fim de sábado.

 

Era de se esperar pouco, apesar de eu sempre alimentar a esperança de que alguns dos escalados tenham seu momento de recuperação, desempenhando em campo o futebol que imaginávamos ter, mas que deixou a desejar e os levou à condição de reserva.

 

Dos mais jovens, a expectativa é que se destaquem, demonstrem condições de reivindicar um lugar no time e, principalmente, ofereçam alternativas para Renato, nesta ou na próxima temporada.

 

Do que se esperava de uns e de outros, ficou o esforço e a luta pela bola. Foram competentes na marcação e impediram qualquer perigo que o adversário pudesse impor.

 

Tivessem caprichado um pouco mais até sairíamos de campo com os três pontos, subiríamos na tabela de classificação e estaríamos colados no G6. Mas não dá pra reclamar. Eram os reservas em campo. E, independente do que esperávamos deles, tinham como principal missão dar fôlego aos titulares para a batalha que realmente vale, na quarta-feira, pela Copa do Brasil.

 

Além de fôlego, nas duas vezes que foram convocados ganharam dois pontos e nos deixaram ainda na disputa pela vaga a Libertadores, graças a combinação de resultados com os outros jogos da rodada. E convenhamos:  tem uma turma aí que tem metido o time titular, joga em casa, precisa desesperadamente de uma vitória e tem sofrido para conquistar o mesmo ponto que os nossos reservas garantem a cada partida.

 

Como disse lá em cima, o que me agradou mesmo foi ver Marcelo Grohe. Por uma ótima defesa no primeiro tempo, mas, principalmente, por vê-lo vestindo a camisa tricolor. 

 

Tenho sempre um olhar especial aos goleiros, pois os considero solitários em sua função ingrata de impedir que um time inteiro alcance seu maior objetivo: o gol. É sempre difícil de entender por que alguém ao tomar a decisão de jogar futebol queira fazê-lo como goleiro, apesar de eu já ter me arriscado na posição e meu pai ter se dedicado a ela nos times da escola e de amigos. Deve haver um viés masoquista ou algo equivalente que a psicologia saiba explicar.

 

Ao ser goleiro você sequer tem o direito de vestir a camisa titular da equipe que representa. Refiro-me aquela que os torcedores usam para ir ao estádio ou desfilar pelas ruas. Os do Grêmio, por exemplo, jogam anos no clube sem jamais ter usado nosso manto listrado. Imagine a frustração.

 

Fui surpreendido, hoje, com o número 1 e o nome de Marcelo Grohe estampados nas costas da camisa azul, preto e branco. Grata surpresa. Em um jogo de tão poucos atrativos, ao menos ali havia um motivo para minha satisfação.

 

Achei justa a decisão, de quem quer que tenha sido, de oferecer esta oportunidade ao goleiro gremista. Que se repita sempre que o Grêmio entrar em campo com o segundo ou terceiro uniformes. Grohe merece!

Conte Sua História de SP: o cineminha no refeitório da escola e o achocolatado de graça

 

Por Clênio Caldas

 

 

Minha história se passa nos anos de 1950, na rua Dona Júlia, na Vila Mariana, onde se localizava o então Grupo Escolar Marechal Floriano. Ali, estudávamos no curso primário sob a orientação das professoras Maria da Glória, Ana e Júlia. Foram nossas dedicadas mestras, como também educadoras conscientes e responsáveis com os garotos para as quais nossos pais nos entregavam. A classe era somente de meninos. As meninas ficavam em outra ala do prédio.

 

Foram anos tranquilos e proveitosos, prova do alto grau de conceito das escolas estaduais e do quilate dos professores que nos ensinavam com zelo e carinho.

 

Cenas pitorescas, todavia, não deixavam de ocorrer.

 

Houve o garoto que comprou o pirulito e, sem ao menos saboreá-lo, quebrou-o no pátio da escola para ver se a haste estava premiada. Foi advertido pelo rigoroso inspetor Trivino devido o desperdício cometido.

 

Lembro de alunos em pranto ao fim da aula por não notarem a presença dos pais que, atrasados, demoravam a aparecer.

 

Tinha o medo generalizado da molecada nos dias em que todos passávamos pela “revisão dentária” na temida e apavorante cadeira do dentista, em uma das salas da diretoria separada especialmente para isto.

 

Havia dias festivos e felizes, também, especialmente quando eram suspensas as aulas para que todos aproveitassem o “cineminha” no refeitório, apinhado de meninos e meninas, ávidos por assistirem às trapalhadas de “O Gordo e o Magro”. E mais: com direito a amostra grátis do achocolatado Vic Maltema, com o jingle cantado a plenos pulmões por uma gurizada alucinada de felicidade!

 

Ao deixarmos a escola, encontrávamos o Sr. Osvaldo, o guarda civil que com um sorriso singelo e terno, exalando simpatia e confiança, nos conduzia em segurança para atravessarmos a já movimentada Domingos de Morais. Lá do outro lado, pegamos o ônibus ou embarcáramos no bonde que nos levava para casa.

 

Lembrança de uma São Paulo ainda pacata mas em pleno desenvolvimento, com seus momentos singelos e deliciosos, marcados na memória, que permanecerão para sempre em um cantinho especial de muita saudade!

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às 10h30, no programa CBN SP, da rádio CBN. A sonorização é do Cláudio Antonio e a narração de Mílton Jung

Mundo Corporativo – Nova Geração: Denis Giacometti fala de frustração e perspectivas para a turma dos 30 anos

 

 

 

 

“62% estão frustrados com relação a sua vida e de outro lado 52% estão frustados com a carreira que escolheram … qual é o ponto comum? a gente acredita muito que o que está faltando é a necessidade do autoconhecimento aprofundado”. A análise é Denis Giacometti, publicitário e coordenador do Projeto 30, que entrevistou 1.200 profissionais que completaram 30 anos de vida para avaliar como foi o desenvolvimento de carreira desses jovens. Giacometti apresenta os resultados da pesquisa ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, que no último sábado do mês se dedica às novas gerações.

 

 

O Mundo Corporativo – Nova Geração tem a participação da Alessandra Dias, Carlos Mesquita e Débora Gonçalves.tá faltando é a necessidade do autoconhecimento aprofundado”.

Amanda Knox: assista e diga qual é o seu veredicto?

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:

 

“Amanda Knox”
Um filme de Brian Mcginn / Rod Blackhurst
Gênero: Documentário
País:USA/Dinamarca

 

A americana Amanda chega a Perugia, Itália, para  intercâmbio e conhece Meredith, sua colega de quarto. Poucas semanas depois, Meredith é assassinada. Amanda e seu namorado, Raffaele, são os principais suspeitos de um crime brutal. Muitos detalhes de um verdadeiro conto ao estilo Sherlock Holmes, vão te fazer pirar.

 

Por que ver:

 

Pessoal, este documentário teve uma importância a mais para mim pois eu morei em Perugia… É uma cidade medieval, linda, com uma vida cultural agitada,alegre, no coração da Úmbria, cheia de estudantes, enfim o lugar perfeito para ser intercambista.

 

Quando este assasinato aconteceu, pegou-me de surpresa pois jamais pensaria que algo parecido pudesse acontecer.

 

A linguagem do documentário é super estética e moderna, vale a pena! Amei!

 

O conteúdo não fica atrás e nos conduz através do raciocínio das autoridades e dos próprios suspeitos, que participaram ativamente das gravações.

 

Muitas perguntas não respondidas, muitas convicções quebradas…Convido você a dar seu veredicto aqui nesta coluna…Eles são ou não culpados?

 

Eu tenho o meu,  mas prefiro ouvir  você antes, e ai?

 

Como ver:

 

Com a cabeça aberta a muitas possibilidades. E claro, pronto para dar seu veredicto aqui!

 

Quando não ver:

 

Se você é daquela pessoas que quer sempre estar certo, não importam os argumentos…sua convicção mudará algumas vezes durante o doc, portanto sabichão, não assista!

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Dá dicas de filmes e séries aqui no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: categoria e vigor deixam o Grêmio próximo da final

 

 

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Copa do Brasil – Mineirão

 

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Torcida do Grêmio no Mineirão (reprodução da SPORTV)

 

Raro momento este que exercito agora: escrever esta Avalanche antes mesmo do fim da partida. E se me atrevo a tal, é porque o Grêmio me proporcionou esta oportunidade.

 

Poucas vezes nestes últimos tempos, vi o Grêmio jogar com tanta maturidade. O estádio lotado e a experiência do adversário não foram suficientes para intimidar nossos jogadores.

 

Exceção aos 15 primeiros minutos, o Grêmio dominou o jogo, tocou a bola, se movimentou com inteligência e voltou a desfilar o futebol ensinado por Roger e desenvolvido por Renato.

 

Foi solidário na marcação com os jogadores da frente atrapalhando a saída de bola, deu pouco espaço para que o adversário impusesse perigo e a dupla de área foi de uma seriedade de chamar atenção.

 

O primeiro gol deu a cara da partida com a bola rolando de pé em pé. Foram 23 toques em pouco mais um minuto, com jogadores passando a bola e se deslocando para receber livre, a ponto de desnortearem os marcadores. E um chute genial de Luan que voltou a marcar após 12 partidas. E que gol, ele marcou!

 

O segundo gol foi resultado da vantagem conquistada no primeiro tempo. O Grêmio obrigou o adversário a dar mais espaço, e isso costuma ser fatal diante da qualidade do toque de bola gremista. Foi resultado, também, da forma voluntariosa – nem sempre com bons resultados – com que Marcelo Oliveira atua, pois ao cortar a bola na lateral do campo proporcionou nosso contra-ataque. E, sem dúvida, foi resultado da maneira como Ramiro e Douglas – principalmente Douglas – tratam a bola.

 

Chego ao fim do texto no momento em que a partida se encerra. E nada mudou desde que comecei a escrevê-lo.

 

O Grêmio foi melhor, jogou futebol de verdade e fez o placar que lhe põe muito próximo da final da Copa do Brasil. Mas a gente sabe que nada está resolvido ainda. É preciso confirmar o resultado na Arena semana que vem, pois, como disse lá no inicio, escrever esta Avalanche com o jogo em andamento é coisa rara e sabemos que as conquistas não costumam ser fáceis para os Imortais.

Pequenos empreendedores dominam o e-commerce no Brasil

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Mercadão de São Paulo está no e-commerce, foto de Luis F Gallo/FlickrCBNSP

Pesquisa SEBRAE e E-Commerce Brasil* indica que 90% do comércio eletrônico brasileiro estão sendo realizados por pequenas empresas. Empreendimentos com vendas de até R$ 3,6 milhões anuais. Um mercado cuja previsão de faturamento para este ano é de R$ 52 bilhões, atingindo  crescimento de 8% sobre 2015, enquanto o PIB deverá retroceder 3,3%.

 

A base da pesquisa considerou a seguinte estruturação dos negócios:
Somente e-commerce 15%
Loja física e e-commerce 13%
Pretendem abrir e-commerce 12%
Somente loja física 31%
Nenhuma das anteriores 28%

 

Dentro desta base 53% correspondem a E-commerce puro e 47% a loja física e e-commerce.

 

Em princípio, o tamanho do mercado real e potencial não condiz com a pouca participação das grandes empresas. As poucas que atuam apresentam os melhores desempenhos.

 

A taxa de conversão é de 2% para as grandes e 1,5% para as pequenas. Enquanto 51% das pequenas tem lucro e para as grandes são 80%.

 

Ao mesmo tempo o comércio eletrônico tem evoluído apresentando índices menores de trocas e apontando ações de melhoria competitiva focadas em mix de produtos, atendimento, preço, entrega e acessibilidade. Exigências que a escala maior poderia apresentar vantagem.

 

Dentro deste princípio, a SOKS, criou uma plataforma para atender em 2D e 3D as lojas do Mercado Municipal de São Paulo, que servisse de modelo para grandes corporações.

 

Hoje estão no ar o Don Mercatto, o Shopping Piratas, o Shopping TV Record, e em desenvolvimento o Shopping TV Cultura. Esta tecnologia possibilita infinitas formas de comunicação e vendas, incluindo licenciamento de produtos inerentes a programas e artistas.

 

A trajetória da SOKS, segundo seu fundador e CEO, Antonio Mesquita, contabiliza R$ 43 milhões investidos, e sete anos de trabalho contatando empreendedores de Shopping Centers e de Comunicação para convencê-los desta oportunidade que a pesquisa SEBRAE evidencia. Embora com uma modesta taxa de conversão tendo em vista a efetiva taxa potencial de sucesso.

 

Mesquita, sem esmorecer, atenta também para o setor público ao propor a gestão tecnológica comercial do Mercado Municipal de São Paulo. Licenciar a marca do Mercado e todas que ali operam, vender tudo para todos e remunerar a Prefeitura.
Um avanço

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

*Pesquisa SEBRAE/E-Commerce Brasil
Pesquisa quantitativa, 2781entrevistados em junho de 2016, obedecendo ao código de ética ABEP Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa, e ICC/ESOMAR Code on Marketing and Social Research

A geração que troca o computador pelo celular um dia vai ouvir rádio, também

 

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Foi em 2004 que escrevi ‘Jornalismo de Rádio’, livro que até hoje é consultado nas bibliotecas ou na internet, muito mais do que nas livrarias, por estudantes de jornalismo. Às vezes me espanto, pois imaginava que a esta altura haveria visões ultrapassadas, substituídas pelas novas tecnologias. Verdade que não se falava em Twitter, Facebook e menos ainda em Snapchat, mas consolo-me em saber que a ideia de ter o rádio nas mãos de um número cada vez maior de ouvintes se transformou em realidade devido a facilidade de acesso aos telefones celulares.

 

O dial ainda é o principal canal dos ouvintes, mas não temos dúvida da relevância que os aplicativos e a internet, através de todos seus equipamentos, ganham no cenário. O carro ainda é a fonte que nos deixa mais próximo do público, mas isso não significa que o passageiro no metrô e no ônibus não esteja “sintonizando” a rádio em seu celular. São mais de 250 milhões desses aparelhinhos circulando pelo Brasil. E muitos com oferta da nossa programação.

 

Trago o tema para cá depois de noticiar no rádio a pesquisa que ouviu 1.811 jovens que não têm mais de 20 anos, ou seja, nasceram entre o fim de 1990 e começo dos anos 2000. O estudo desenvolvido pela WMcCann e apresentado em entrevista ao Fernando Andrade, da CBN, traçou o comportamento desta turma diante da tecnologia.

 

Alguns números como o fato de enviarem, em média, 206 mensagens de texto por dia, chamaram atenção. Isto é três vezes mais do que enviam meninos e meninas que nasceram nos anos de 1980, uma geração que já cresceu sob o signo da conectividade.

 

Mesmo escrevendo tanto, em lugar de falar ao celular, como fazem os da minha geração, os Centennials – como também são conhecidos – gostam mesmo é de se comunicar através dos emojis – aquelas carinhas e artes que substituem palavras -, mais até do que por fotografia, apesar da onda de selfies que circula na rede.

 

Por falar em foto, a pesquisa da WMcCann apontou que ao menos 25% dos integrantes da Geração Z já receberam ou trocaram nudes. Uma perversão, diria você. Nem tanto, se levarmos em consideração o conceito que os move. Disse Debora Nitta, vice-presidente de planejamento da WMcCann que “aquilo é simplesmente a vida e na vida acontece beijo, acontece transa, acontece de gostar de um carinha e no outro dia não, acontece de eu ser dona do meu corpo … e os ‘nudes’ não têm um valor que teria no passado, de uma exposição pornográfica.”

 

Fotos, emojis e nudes de lado, o que mais me interessou foi o fato de descobrir que para a maioria desses garotos e garotas o computador não é mais sonho de consumo. Muitos talvez nunca tiveram um em mãos e jamais sentiram falta deles. A Geração Z já desembarcou no mundo online de smartphone em mãos e assim satisfaz seus desejos, em todos os sentidos. Entra na internet, pesquisa dados, envia textos, comunica-se por carinhas, fotografa a si mesmo, joga em rede, compra, vende … se oferece. Tudo pelo celular. Um dia descobrirá que podem ouvir rádio, também.

 

É a minha esperança!

Avalanche Tricolor: clássico de muita disputa e pouco futebol

 

 

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Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Torcedores a espera do Gre-Nal em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Se você não é da terra, dificilmente será capaz de entender o sentimento que move os gaúchos em um domingo de Gre-nal. Esse clássico extrapola os interesses do futebol, vale mais do que três pontos na tabela e talvez um título não seja capaz de superar o desejo da vitória.

 

Já assisti ao meu time vencer uma partida final por 3 a 1, na casa do adversário, e apesar de o resultado não ser suficiente para o título, comemorarmos como se a conquista do jogo fosse maior do que a do campeonato. Do outro lado, a festa foi constrangida, sem graça. O contrário também deve ter ocorrido, mas prefiro não lembrar coisa ruim.

 

O resultado do Gre-nal define a segunda-feira, a semana, às vezes a temporada que se segue. Pergunte a eles se já esqueceram do 5 a 0?

 

Quando era guri, fingia uma dor qualquer para não ir a aula no dia seguinte em caso de derrota. E quando não havia a conivência da mãe, vestia a camisa tricolor e tomava um copo de leite quente misturado a uma dose extra de coragem para encarar os colegas encarnados. Aí deles, porém, se a vitória fosse minha. O dia começaria cedo com direito a homenagem já na porta da escola. E seria longo, capaz de durar até o próximo clássico.

 

Estou mais velho e vivido do que naqueles tempos de guri em Porto Alegre; e a distância do Rio Grande reduz o impacto do resultado. Mas, acredite, o Gre-nal ainda importa muito.

 

Hoje cedo, como sempre faço aos domingos, fui à Igreja perto de casa, onde a missa das 9 da manhã é rezada por um padre gremista – e isso, como já expliquei nesta Avalanche, é apenas uma feliz coincidência.

 

Padre José sabe que temos coisas mais importantes durante o ato religioso, mas é incapaz de se despedir sem uma palavra de graça: “é hoje”, disse-me de forma simpática. E imagino que a expressão foi ouvida em todo o Rio Grande, a cada troca de cumprimento na padaria, no passeio na Redenção ou a caminho da Arena.

 

“É hoje” significa muita coisa. É quando vamos vencer ou vamos derrotar. É quando, com certeza, vamos sofrer. É quando vamos viver emoção que não se encontra igual em nenhuma outra partida de futebol pelo mundo – e deixemos que os torcedores de outros clássicos pensem igual de suas disputas. Mas este é o nosso clássico a disputar.

 

“É hoje” tem a capacidade de resumir tudo que pensamos sobre o Gre-nal. E dá o clima deste jogo de características singulares no futebol brasileiro.

 

Mexe a tal ponto com os ânimos que o torcedor comemora até recorde de público, como na festa feita pelos gremistas diante da informação de que havia 53.287 pessoas assistindo ao jogo, o maior número já registrado na curta história da Arena.

 

É este ambiente que fez o gringo Kannemann se transformar em jogador de rugby ao se atirar na grama para disputar com as mãos a bola que sequer estava em jogo, e provocar a agressão do adversário. Mesmo motivo que o levou a se jogar como pode para impedir o contra-ataque que poderia ter sido fatal, quase ao fim da partida.

 

É esta sensação que nos faz vibrar (sem que isso signifique comemorar) ao assistir a cena de pugilismo travada no campo e provocada por Edílson. Soca-se o ar e depois bate uma baita vergonha, pois se percebe que nada daquilo é justificável. É uma sensação animal que toma conta da pessoa e tem de ser contida.

 

O “É hoje” de hoje só não foi capaz de levar as equipes a fazerem um jogo mais bem jogado. Apesar de a bola ter rolado muito e por boa parte do tempo, foi mal rolada e isso deixou os times muito parecidos em campo, um prejuízo para nós que estamos mais bem arrumados e ainda disputando vaga para a Libertadores.

 

PS: diante do pouco futebol jogado, o melhor do clássico foi o pedido de casamento de um torcedor gremista para a colorada que estava ao seu lado na área destina à torcida mista. É a prova de que apesar de todas as provocações e indignações, a convivência é possível e muito bem-vinda. Imagino que o casal ao sair de casa se olhou e disse um ao outro:”é hoje” – cada um com o seu significado!

Quintanares: Operação Alma

 

 

Poesia de Mário Quintana
Interpretação de Milton Ferretti Jung

 

Há os que fazem materializações…
Grande coisa! Eu faço desmaterializações.
Subjetivação de objetos.
Inclusive sorrisos,
Como aquele que tu me deste um dia com o mais
puro azul de teus olhos
E nunca mais nos vimos (Na verdade a gente nunca mais se vê…)
No entanto,
Há muito que ele faz parte de certos estados do céu,
De certos instantes de serena, inexplicável alegria,
Assim como um vôo sozinho põe um gesto de adeus na paisagem,
Como uma curva de caminho,
Anônima,
Torna-se às vezes a maior recordação de toda uma volta ao mundo!

 

 

Quintanares foi ao originalmente na rádio Guaíba de Porto Alegre

Conte Sua História de São Paulo: o bonde passava na rua da Glória

 

 

Por Elza de Oliveira Reis

 

Último veículo da era dos românticos, o bonde, além de deixar descendentes importantes – o trolebus e o metrô – deixou também muita saudade.

 

Pela rua onde eu morava, lá vinha ele, com seus passageiros, na Pauliceia desvairada do poeta, com destino ao Cambuci, Vila Prudente e Ipiranga. E a Rua da Glória se enchia do ruído de suas rodas de aço sobre trilho e o som de sua buzina – o bater de um sino – a lembrar ao pedestre distraído – o perigo.

 

Eu, criança ainda, gostava de vê-los da janela de minha casa. Eles passavam com destino à Praça João Mendes ou se dirigiam aos bairros com a calma que a nossa cidade de então podia propiciar. Iam e vinham, com seus ilustres passageiros, belos tipos faceiros, salvos ou por salvar de bronquites, pelo Rhum Creosotado como apregoava o anúncio:

 

“Veja ilustre passageiro
O belo tipo faceiro
Que o senhor tem a seu lado.
No entanto, acredite, quase morreu de bronquite.
Salvou-o o Rhun Creosotado”

 

Era ainda o tempo do cavalheirismo: às mulheres, a primazia dos acentos nos bancos de madeira; aos homens, na falta de lugares para todos, a coragem de viajar de pé no estribo,de onde podiam saltar, quando havia lentidão na marcha do veículo. O cobrador passava por eles exercendo o seu ofício: cobrava e registrava o recebimento da passagem, utilizando dispositivo especial para esse fim. Ouvia-se, então, o dim-dim, dim-dim, acusando o recebimento da tarifa.

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, logo após às 10h30, no CBN SP. A interpretação é de Mílton Jung e a sonorização é de Cláudio Antonio.