Quintanares: A mesma ruazinha sossegada

 

 

Poesia de Mário Quintana
Publicada em A Rua dos Cataventos, 1940
Interpretada por Milton Ferretti Jung

 

 

Para Emilio Kemp

 

É a mesma ruazinha sossegada,
Com as velhas rondas e as canções de outrora…
E os meus lindos pregões da madrugada
Passam cantando ruazinha em fora!

 

Mas parece que a luz está cansada…
E, não sei como, tudo tem, agora,
Essa tonalidade amarelada
Dos cartazes que o tempo descolora…

 

Sim, desses cartazes ante os quais
Nós às vezes paramos, indecisos…
Mas para quê?… Se não adiantam mais!…

 

Pobres cartazes por aí a fora
Que inda anunciam: — ALEGRIA — RISOS
Depois do Circo já ter ido embora!…

 

 

Conte Sua História de SP:o hino que cantei na inauguração do Pacaembu

 

Por Elmira Pasquini

 

 

São Paulo, que pena que seus filhos hoje não entendem de patriotismo, que deixou de ser ensinado nas suas escolas públicas. Deixou de lado o respeito aos professores que  sabiam despertar os corações para amar a pátria que aos poucos foi perdendo  seu valor.

 

Hino Nacional, Hino à Bandeira, Hino da Proclamação da Republica e outros eram ensinados e cantados com todo o respeito e amor.

 

No ano de 1940 quando foi inaugurado nosso Estádio do Pacaembu, lá estávamos como estudantes, outros como atletas, uniformizados e perfilados, esbanjando nosso amor pela pátria, através do respeito à nossa bandeira, e aos hinos entoados com vibração e alegria.

 

Depois de desfilarmos na volta ao estádio, fomos colocados perfilados  no campo de futebol, bem em frente ao local do hasteamento da bandeira. A alegria não poderia ser maior, demonstrando o que aprendíamos no lar, nas escolas, nos clubes e em nossa vida diária.

 

Que pena São Paulo chegamos a um saudoso sofrimento, mas com orgulho podemos dizer: somos felizes que, como antigos, muitos ainda podemos afirmar que  nos orgulhamos deste São Paulo que apesar de não ter  continuado a ser o exemplo de amor, dedicação e dignidade muitos ainda tem coração e lágrimas nos olhos ao entoar o Hino Nacional, assistir ao hasteamento da bandeira, etc.

 

Deixamos aqui um apelo àqueles que ainda sentem este amor pela pátria: não desanimem, levantem suas vozes com seus corações cheios de esperança e amor para que nossos descendentes ainda possam continuar a se orgulhar deste São Paulo tão sofrido.

 

Tenho orgulho de ser nascida neste torrão de terra.

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, após às 10h30, no CBN SP. A sonorização é do Cláudio Antonio e a narração de Mílton Jung.

Mundo Corporativo: Karin Khouri fala de liderança e engajamento da equipe

 

 

Há gestores que não gostam quando seus colaboradores levam até eles problemas que estão enfrentando em suas áreas. Por outro lado, aqueles que demonstram habilidade para contribuir com a solução conseguem ter equipes mais bem engajadas.

 

O alerta é do consultor Karin Khouri em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Autor do livro “Liderança é uma questão de atitude”, Khouri entende que uma equipe engajada tende a ser mais produtiva e criativa.

 

Entre outros assuntos, o consultor fala das estratégias que devem ser adotadas para que o líder consiga construir uma relação de confiança, de como abordar os integrantes do seu time em momentos de dificuldade e da necessidade de se planejar bem as reuniões de trabalho.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site http://www.cbn.com.br. O quadro é reproduzido aos sábados no Jornal da CBN. E tem a colaboração da Alessandra Dias, do Carlos Mesquita e da Debora Gonçalves.

Avalanche Tricolor: isso só pode ser coisa da nossa cabeça

 

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Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Wallace Oliveira em foto de RODRIGO RODRIGUES/GRÊMIOFBPA

 

O cérebro é uma máquina genial e ao mesmo tempo complexa que sempre me fascinou. Usá-lo exige exige muito do corpo humano, pois consome 20% da energia que geramos, apesar de corresponder a apenas 2% do peso corporal total.

 

É uma falácia a ideia de que algumas pessoas usam somente uma pequena parte do cérebro. Isso é uma verdade que deve ficar apenas no campo da figuração, pois todos nossos atos exigem do cérebro um tremendo esforço. Por isso, ele é considerado um órgão preguiçoso, sempre em busca de um padrão para não se cansar muito com novos estímulos.

 

Um dos meus parceiros de negócio, nos trabalhos que realizo no desenvolvimento de líderes através da comunicação, é o psicólogo Esdras Vasconcelos que me ensinou, recentemente, que nosso cérebro tem a capacidade de refletir ações praticadas por outras pessoas. Esse fenômeno é provocado por pequenas estruturas batizadas de neurônios-espelhos, que entram em atividade quando se executa ou se observa uma ação.

 

Um dos exemplos que dr. Esdras usou para ilustrar o funcionamento dos neurônios-espelhos é a reação de torcedores nos estádios de futebol. O grito irritado de uma pessoa leva outra a agir da mesma maneira, mesmo que ela, em seu cotidiano, seja uma pessoa que não esteja acostumada a gritar daquela forma. É inconsciente.

 

Isso pode ocorrer também quando alguém mexe no cabelo diante de você, ou boceja, ou coça a orelha. Nossa tendência é reproduzir, mesmo sem pensar, o comportamento do outro. São os neurônios-espelhos atuando.

 

Você, caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche, deve estar se perguntando por que dedico mais da metade deste texto ao cérebro e seus neurônios-espelhos, quando se sabe que este espaço tem como foco principal o futebol?

 

Primeiro: trato deste assunto para não precisar me estender muito na escrita sobre o futebol jogado pelo Grêmio, nesta noite de quinta-feira (e você deve imaginar os motivos do meu desânimo para falar disso).

 

Segundo: busco uma explicação para entender o que acontece com o nosso time sempre que enfrentamos um adversário de baixa qualidade. Ao não encontrar uma justificativa plausível dentro de campo, resolvi olhar para dentro do cérebro de nossos jogadores. Foi, então, que me lembrei dos ensinamentos do dr. Esdras.

 

Só pode ser isso: os neurônios-espelhos. Eles são os culpados pelos quatro pontos perdidos nas duas últimas partidas e por desperdiçarmos a chance de assumirmos a liderança nesta primeira metade do campeonato.

 

Diante de um futebol pífio, reproduzimos o comportamento adversário e jogamos de maneira pífia. Quando temos um time mais bem qualificado, lá vem o nosso time a desfilar com aquela performance estruturada e pensada por Roger, que tanto nos orgulha.

 

Sim, tudo isso pode estar relacionado também a ausência de Luan, a falta de criatividade para driblar o adversário, a inexistência de um goleador capaz de decidir as partidas mais complicadas, a laterais que não sabem aproveitar as jogadas pelos lados … enfim, aquelas coisas que muitos dos torcedores já vêm pensando do time (e alguns escrevendo).

 

Seja o que for, o certo é que nosso técnico terá de quebrar a cabeça para mudar esse comportamento e nos levar para o topo da tabela de classificação.

O (meu) sonho olímpico

 

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Tocha olímpica em foto de Rio2016/Fernando Soutello

 

Se o jornalismo sempre foi meu destino, por alguns anos tive a ilusão de ludibriá-lo como professor de educação física. Cheguei a passar na UFRGS – a federal do Rio Grande do Sul -, depois de quase tropeçar no teste físico que me obrigava a arremessar pelota. Fiz algumas cadeiras e alguns semestres antes de desistir da faculdade, especialmente devido as aulas de anatomia, que me levavam a dissecar cadáveres e explicar para que servia cada um daqueles músculos que acabara de mutilar. O cheiro de formol foi mais forte que o meu desejo de concluir o curso

 

A faculdade não terminei, mas ensinei crianças a jogar basquete, entretive alunos de escola pública e aprendi muito em um projeto com meninos e meninas especiais. O esporte sempre fez parte da minha vida, especialmente na infância e adolescência quando joguei futebol e basquete – este último por 13 anos. Portanto, no jornalismo era esse o tema que me seduzia e a primeira oportunidade de estágio que surgiu, em 1984, foi para produzir o programa “Esporte Amador na Guaíba”, único dedicado ao tema no rádio gaúcho. Um sonho.

 

Minha primeira experiência foi muito rica, a começar pelo mentor que tive: Alex Pussieldi, hoje comentarista de natação na SportTV. Graças ao programa, fiz minha primeira viagem “internacional”, quando vim a São Paulo para cobrir o I Meeting Internacional de Atletismo, em 1985, que tinha Joaquim Cruz e Zequinha Barbosa como atrações. Poucos anos depois, a força do futebol me fez migrar para os gramados, quando trabalhei como repórter, até ser levado para o departamento de jornalismo, de onde nunca mais saí (minto: em 2000/2001 tive rápida experiência de narrador de futebol e tênis, na RedeTV!).

 

Independentemente do que tenha acontecido no restante da carreira, o esporte sempre me atraiu e me emocionou. A história de superação dos atletas, as vitórias alcançadas nos segundos finais e as derrotas milimétricas me sensibilizam a ponto de chorar ou vibrar e, às vezes, chorar e vibrar ao mesmo tempo.

 

Alguém haverá de dizer que atletas, equipes, modalidades e competições estão a serviço de interesses econômicos e hegemônicos. Resumir o esporte a essas questões, porém, é desmerecer o esforço de cada ser humano envolvido na prática esportiva. É não compreender o poder de transformação que o esporte pode provocar nas mais diversas comunidades.

 

Imagino que você, caro e raro leitor deste blog, é um dos muitos brasileiros incomodados com os desmandos das autoridades que organizam os Jogos Olímpicos no Rio. É provável que preferisse ver o dinheiro investido no evento voltado às áreas mais necessitadas no Brasil. E hoje faça comentários indignados ou mau humorados com cada fato negativo que aparece no noticiário.

 

Espero também nunca perder o poder de me indignar com a injustiça, mas não quero que isto seja suficiente para tirar o brilho nos olhos de todas às vezes que vejo o feito desses grandes nomes do esporte. Quero me dar o direito de torcer pelos atletas brasileiros, muitos dos quais campeões por sua coragem e persistência. Gente vencedora desde o início, pois acreditou que poderia driblar o destino que lhe haviam traçado.

 

Espero muito pelo início dos Jogos Olímpicos, ciente de que o ouro não ofuscará os erros, e certo de que cada atleta que ali chegou merece nossa torcida. A minha, com certeza, eles terão, pois levam à frente o sonho que todo atleta tem de um dia disputar uma Olimpíada.

O direito dos moradores dizerem o que pensam e querem na sua cidade

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Um projeto de lei que permitia a convocação da opinião dos moradores da cidade de São Paulo no caso de grandes obras de impacto orçamentário, ambiental ou urbanístico, foi vetado pela Prefeitura.

 

De acordo com reportagem, que rendeu manchete de primeira página do Morumbi News, assinada por Diego Gouvêa, os vereadores propuseram o estabelecimento de plebiscito com 2% de assinaturas de moradores da cidade (180 mil), para decidir sobre o mérito das transformações urbanas a serem realizadas.

 

De um ponto de vista participativo e ecologicamente ativo, a Câmara começa a tocar num aspecto essencial, ao propiciar a intromissão de moradores na caixa preta das grandes obras.

 

A Prefeitura reagiu: com o argumento de que a maioria das modificações ocorre numa única subprefeitura, vetou o projeto e replicou com uma proposta de intervenção local para moradores locais. Com a exigência mínima da participação de 4%, desde que a mudança afete apenas a região em que habitam.

 

Haddad complementa sua contraproposta colocando que no segundo mês de mandato o Prefeito apresente o Plano de Metas e o Plano de Obras Públicas para, em até 120 dias, os moradores (2%) especificarem suas posições de exclusão ou inclusão de obras.

 

O Prefeito ao vetar restrições gerais e dar participações regionais de qualquer forma dá uma boa contribuição quando foca o plebiscito local.

 

É evidente que o melhor para a cidade é que os Projetos, da Câmara e da Prefeitura, se somem. Se ambos forem implantados, estarão recebendo contribuições dos moradores e a favor dos moradores. Como sabemos, quem mora tende a preservar o seu meio ambiente.E parte deles estará sempre atento às ameaças.

 

Por exemplo, na segunda feira, Giba Jr. apresentou, na Folha, a luta que moradores da Cidade Jardim estão travando contra um edifício já pronto, de apartamentos que chegam a R$ 16 milhões. Ao lado das irregularidades oriundas da Operação Urbana Água Espraiada, apontadas pela Promotoria, há o desejo de preservação dos moradores locais que pretendem manter a privacidade de suas casas a serem devassadas pelo edifício e o sossego prestes a ser perdido.

 

Eis aí um tema e tanto para os candidatos a Prefeito.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Avalanche Tricolor: sofrer é preciso!

 

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Brasileiro – Estádio Independência BH/MG

 

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Jailson escapa da marcação, em foto do site Grêmio.net

 

Começamos a rodada em terceiro lugar e com alguma chance de ser líder. Quando iniciamos a partida ainda havia a possibilidade de ser vice-líder. Terminamos o domingo, em quarto lugar.

 

E como isso aconteceu, levando-se em consideração o adversário!?

 

Era o lanterna do campeonato – aliás, o será por um bom tempo, a persistirem os sintomas – e acabara de ser goleado na Copa do Brasil. Havia levado 14 gols nas últimas sei-lá-quantas partidas que disputou.

 

A aposta da maioria, aqui em São Paulo, era de que os três pontos já estavam nas contas do Grêmio. Imagino que em Porto Alegre, Belo Horizonte e em todas as outras capitais brasileiras, também. A vitória era o único resultado previsível diante das circunstâncias, apesar de a disputa ser fora de casa.

 

Confesso que eu teimava em não acreditar em nenhuma das previsões otimistas. Aos que contavam com os três pontos na tabela, expressava meu ceticismo: “o Grêmio gosta de se complicar contra os pequenos”. Cheguei pensar que era coisa de torcedor chato, desconfiado … A partida me deu razão, infelizmente.

 

Foi um jogo mal jogado, e os primeiros minutos já deixavam claro de que a inspiração e respiração que costumam nos diferenciar dos demais adversários foram esquecidas em um lugar qualquer do vestiário.

 

O pouco espaço deixado pela marcação fizeram o bom futebol gremista se tornar pequeno: um chutão por cima, um pelo lado e outro no poste foram os únicos momentos capazes de nos dar alguma perspectiva de vitória.

 

Verdade seja dita, também: o perigo de perdemos esteve distante na maior parte do jogo; exceção a uma ou outra bola metida na área, como aquela em que de cabeça (sempre de cabeça) o atacante deles obrigou Marcelo Grohe a excelente defesa.

 

A expulsão de Edílson, aos 29 minutos do segundo tempo, serviu apenas para deixar mais complicado um problema para o qual não havíamos encontrado até aquele momento a solução.

 

A frustração e lástima dos próprios jogadores ao fim da partida refletia bem o pensamento da maioria dos torcedores. Cético, sofri menos, pois tive a impressão de que já estava com o espírito preparado para o empate sem gol.

 

Agora, antes que você, caro e raro leitor desta Avalanche, acostumado com minha visão sempre otimista, às vezes ufanista, em relação ao Grêmio, estranhe minha postura neste domingo: saiba que meu ceticismo se encerrou junto com a partida.

 

O tempo me ensinou que não sabemos fazer as coisas pela via fácil. Sofrer é preciso!

 

Assim que olhei a tabela da classificação, independentemente das boas possibilidades que tínhamos nesta rodada, percebi que agora estamos a apenas dois pontos da liderança. Um tropeço de um aqui, uma vitória ali, três pontos conquistados no confronto direto, e o Grêmio logo poderá comemorar o primeiro lugar.

 

Temos time, temos condições e o campeonato sequer chegou a metade. Bola pra frente!

Quintanares: Que bom ficar assim, horas inteiras

 

 

Poesia de Mário Quintana
Publicado em A Rua dos Cataventos, 1940
Interpretação de Milton Ferretti Jung

 

XXXIII [QUE BOM FICAR ASSIM, HORAS INTEIRAS]

 

Que bom ficar assim, horas inteiras,
Fumando…, e olhando as lentas espirais…
Enquanto, fora, cantam os beirais
Abaladilha ingênua das goteiras…

 

Evai a Névoa, a bruxa silenciosa,
Transformando a Cidade, mais e mais,
Nessa Londres longínqua, misteriosa,
Das poéticas novelas policiais…

 

Que bom, depois, sair por essas ruas,
Onde os lampiões, com sua luz febrenta,
São sóis enfermos a fingir de luas…

 

Sair assim (tudo esquecer talvez!)
E ir andando, pela névoa lenta,
Com a displicência de um fantasma inglês…

 

Quintanares foi produzido, originalmente, pela rádio Guaíba de Porto Alegre, e é reproduzido todo domingo no blog

Conte Sua História de SP: minha vida na cidade começou de fato no Fórum João Mendes

 

Por Paula Calloni
Ouvinte da rádio CBN

 

 

O Hospital e Maternidade Central Nossa Senhora da Abadia, em Santo Amaro, que era administrado por freiras, já não existe mais. Lá conheci meus pais pela primeira vez, quando tinha 15 dias de vida, em 1968.

 

Eles já tinham 3 filhos, mas queriam mais uma menina. A freira levou minha mãe ao berçário e mostrou vários recém-nascidos, abandonados pelas mães biológicas… a maioria solteiras e recém-chegadas à cidade. Ao me pegar no colo, minha mãe disse: “quero esta”. E não adiantou a irmã apresentar outros bebês: “quero esta!” – disse mamãe, firme.

 

Dias depois, lá fui eu para o fórum João Mendes, região da Sé, nos braços da enfermeira Venina de Oliveira Costa, já falecida, que me entregaria para meus pais adotivos.

 

Quantas vidas se encontrando na São Paulo que se agigantava, vivaz, onde viver já era uma correria.

 

Naquela manhã, o juiz da Vara de Menores do Fórum propôs que eu ficasse num abrigo para menores até sair a papelada oficial da adoção.

 

Nesse momento, meu pai, imigrante italiano, me segurou firme e desafiou o juiz: “ela é minha filha e se eu não sair com ela no colo hoje, vou deixá-la aqui!”.

 

O que fazer? O juiz se viu encurralado. E cedeu. Ufa…

 

Ganhei uma família. Ganhei um lar.

 

Hoje, quando passo ao lado do Fórum João Mendes, olho para ele, imponente, sem jamais esquecer que ali, de fato, começava a minha história com São Paulo.

 

O Conte Sua História de São Paulo tem sonorização do Cláudio Antonio e narração de Mílton Jung. Vai ao ar aos sábados, após às 10h30, no CBN SP. Para participar, envie seu texto para milton@cbn.com.br

Mundo Corporativo – Nova Geração: Sidnei Oliveira sugere, aos jovens, foco e desapego

 

 

“Quando eu foco em alguma coisa, eu sou obrigado a desapegar de outras coisas para fazer aquilo que eu estou fazendo. Esse desapego, a gente não vê presente no jovem. O jovem muitas vezes não quer escolher porque a perda traz frustração”. A avaliação é do consultor e mentor Sidnei Oliveira, ao analisar o comportamento dos jovens que estão iniciando-se na carreira profissional, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no Mundo Corporativo – Nova Geração.

 

Autor do livro Gerações – encontros, desencontros e novas perspectivas (Editora Integrare), Sidnei Oliveira sugere que as empresas criem ambientes que permitam a interação do conhecimento e experiência das diferentes gerações que dividem o mesmo espaço de trabalho: “o jovem tem um conhecimento da tecnologia, ele tem o conhecimento mais amplo da realidade, ele é mais globalizado, então ele pode usar isso pra abrir a mente do mais veterano; e o veterano pode ajudar também o jovem desde que a gente perceba que o jovem tem um princípio só com relação ao veterano: eu respeito o que você fez mas eu vou te superar”

 

O Mundo Corporativo – Nova Geração vai ao ar no último sábado do mês, no Jornal da CBN, e tem a colaboração de Alessandra Dias, Carlos Mesquita e Débora Gonçalves.