Quintanares: Canção de Ballet

 

 

Poesia de Mário Quintana
Interpretação de Milton Ferretti Jung
Publicado em Canções

 

Ele sozinho passeia
Em seu palácio invisível.
Linda moça risca um riso

 

Por trás do muro de vidro.

 

Risca e foge, num adejo.
Ele pára, de alma tonta.
Um beijo brota na ponta
Do galho do seu desejo.

 

E pouco a pouco se achegam.
Põem a palma contra a palma.
Mas o frio, o frio do vidro

 

Lhe penetra a própria alma!

 

“Ai do meu Reino Encantado,
Se tudo aqui é impossível…
Pra que palácio invisível
Se o mundo está do outro lado?”

 

E inda busca, de alma louca,
Aquele lábio vermelho.
Ai, o frio da própria boca!

 

O amor é um beijo no espelho?

 

Beija e cai, como um engonço,
Todo desarticulado?
Linda moça, como um sonho,
Se dissipa do outro lado?

 

Conte Sua História de SP: meu pai me levava para ver provas de remo no Tietê

 

Por Ricardo Pinto Filho
Ouvinte da Rádio CBN

 

 

Meus pais e eu viemos morar no Brasil em idos do ano de 1958. Meu pai, que atuou no corpo diplomático como adido comercial, se aposentou, e passamos a morar na cidade do Rio de Janeiro, mais especificamente em Copacabana.

 

Meu pai, homem dinâmico não queria parar de trabalhar e reingressou no mercado de trabalho, participando dos negócios de uma empresa de tecidos, que atuava com tecidos finos e seda importados.

 

O negócio obrigava meu pai a fazer viagens constantes à São Paulo, onde visitava negociantes e empresas importadoras para ver e comprar produtos.

 

Normalmente, viajava no meio de uma semana e retornava no meio da outra. Nos finais de semana em que ficava por aqui, aproveitava para rever velhos amigos de quando aqui morou por algum tempo. Sempre procurava visitar uma sobrinha muito querida, casada com um financista, que vivia em São Paulo fazia muito muitos anos.

 

Nas minhas férias escolares, sempre acompanhava meu pai nessas viagens. Eu adorava a viagem, sempre de ônibus, pois meu pai tinha medo de avião. Me recordo bem do ônibus GMC da Cometa, prateado, com janelas amplas com seus vidros Ray-Ban verdes e com o forte ronco do seu motor traseiro. Nada comparado aos ônibus urbanos.

 

Bem lembro que a via Dutra ainda tinha pista de mão dupla, que bem suportava o tráfego daquela época. A viagem sempre era muito tranquila e confortável.
Assim conheci São Paulo ainda criança.

 

Muito embora São Paulo não tivesse praia, me encantou pelos programas que proporcionava e as coisas e comidas que eu não achava pelo Rio. Meu pai, fora dos afazeres, me levava a passear pelos encantos paulistanos.

 

Sempre ficávamos no Centro, mas meu pai gostava de ir ao bairro oriental da Liberdade ou dos italianos do Bexiga. Nossos passeios sempre tinham museus, exposições, shows e parques para ver. Gostava muito de ir ao Jardim Zoológico, ao Jardim Botânico, ao Parque do Ibirapuera sendo o Planetário e o Museu da Aviação os meus prediletos. O Parque da Independência e o Museu de mesmo nome.

 

Visitávamos a Cidade Universitária, sem deixar de ir ao Instituto Butantã e seu serpentário.

 

Não me recordo ao certo de quantos lugares conheci, mas de um em especial, sempre me lembro, por causa do meu pai.

 

Ele, quando jovem, foi remador de competições no Clube de Regatas Guanabara. Remava em barcos de competição como o iole e os esquifes. Esse esporte sempre fez parte da sua vida e competições esportivas dessa modalidade sempre o atraiam.

 

Assim, sempre que estávamos em São Paulo e havia competições no Rio Tietê, a partir da Ponte das Bandeiras, ele me levava. Me lembro que para chegar lá, nosso táxi passava por grandes trechos de mato alto, como se ali não houvesse cidade até chegar a margem esquerda daquele rio, junto ao clube Tietê.

 

As regatas sempre atraiam muito público, naquele domingos pela manhã. Os barcos de cada prova alinhavam em uma espécie de píer de madeira e de onde a molecada pulava para se esbaldar no rio ao final das provas. Lembro do meu pai falar das guarnições do Espéria, Tietê, Corinthians e o Náutico da cidade de Santos.

 

Guardo nas minhas recordações do quanto cristalinas eram as águas do Rio Tietê. Tinha gente que pescava ou a garotada que nadava em grande farra, com suas bóias feitas com câmaras de ar de automóveis. Se vão 50 anos e ainda relembro esses fatos guardados em minha memória.

 

Depois de muitas andanças em minha vida, acabei por vir morar em São Paulo.

 

Hoje, estou casado com uma filha dessa cidade, com quem constituí família. Moro no bairro da Pompéia e invariavelmente passo todos os dias pela marginal Tietê a caminho do trabalho. Vejo com muita tristeza a que condições reduzimos o nosso Rio Tietê.

 

Falo assim “nosso” porque me julgo como parte de São Paulo, que tão bem me recebeu quando aqui vim morar e construir o meu futuro. Essa é a mina história de São Paulo.

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar no CBN SP, logo após às 10h30, e tem a sonorização do Cláudio Antonio

Mundo Corporativo: Anna Maria Guimarães, da Saint Paul, defende mais mulheres no conselho das empresas

 

 

As mulheres ocupam apenas 21% das cadeiras nos conselhos de administração no mundo, enquanto no Brasil esta participação é de apenas 7,2%. Com isso, as empresas estão desperdiçando o potencial que a diversidade de gênero tem a oferecer. O alerta é de Anna Maria Guimarães, diretora da Saint Paul Escola de Negócios, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no Mundo Corporativo, da rádio CBN: “a diversidade de gênero faz a riqueza do conselho; a mulher é mais detalhistas, em uma análise de demonstração financeira, a gente tem o talento de ir mais profundamente nos detalhes. O homem é mais generalista, em uma discussão estratégia, os homens se saem muito bem. Então é uma questão de junto atuarmos para o bem da companhia”.

 

Anna Maria Guimarães também coordena o curso de pós-MBA que visa preparar as mulheres para assumirem postos nos conselhos de administração das empresas. De acordo com ela para que isso aconteça de maneira mais ampla é necessário que as executivas e gestoras tenham “um desejo genuíno, tempo para se preparem e formação complementar em governança corporativa; e depois adquirir a prática”.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site cbn.com.br. O quadro é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Colaboram com o Mundo Corporativo, a Alessandra Dias, o Douglas Matos e a Débora Gonçalves.

Avalanche Tricolor: gols cedo e inteligência para jogar

 

Grêmio 4×1 Brasil-Pelotas
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Festa em mais um gol  na foto de Richard Ducker/Framephoto/Divulgação

 

Em dois minutos de jogo, Geromel já havia marcado o primeiro gol. Fizemos outros depois com Bobô, Giuliano e Pedro Rocha; tomamos um, também. Mas quero focar nossa conversa, agora, nesse gol inicial. Pois, para mim, sinaliza um padrão de comportamento.

 

Com forte intensidade e marcação na saída de bola, o Grêmio tem feito gols logo cedo. Sem forçar a memória, em todas as últimas partidas deste campeonato começamos a construir o resultado antes dos primeiros 15 minutos.

 

Contra o Juventude, marcamos aos 3; contra o Passo Fundo, aos 6; e contra o Lajeadense, aos 13 minutos. Se você pesquisar um pouco talvez encontre outras partidas em que os gols saíram no início do jogo.

 

Verdade que nem sempre isso significou vida fácil, haja vista o que assistimos no fim de semana passado. Mas, certamente, o Grêmio de Roger tem demonstrado um jeito interessante de ser em campo.

 

E neste futebol qualificado, outro aspecto me chama atenção: a inteligência na forma de jogar. A maneira com que se cadenciou o jogo, logo após o susto no início do segundo tempo, mantendo o domínio da bola e trocando passes na tentativa de se livrar da marcação adversária, foi um dos sinais dessa inteligência.

 

Na partida desta quarta-feira, outros lances ratificam esta minha percepção: no segundo gol, o drible de Giuliano e a calma para permitir a chegada de Bobô; no terceiro, o passe incrível de Lincoln no que, antigamente, chamamos de ponto futuro, muito bem aproveitado por Marcelo Hermes; no quarto, a visão de Luan fez com que Pedro Rocha surgisse livre diante do goleiro, e o próprio Pedro Rocha foi inteligente o suficiente para apenas “dar um tapa” na bola.

 

Com intensidade, gols marcados cedo e inteligência, o Grêmio segue em frente no Campeonato Gaúcho, onde já está na semifinal, e arruma as malas para mais uma decisão na Libertadores.

Afogado em corrupção, Pólo Aquático tenta se salvar com liga independente

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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foto de Ayrton Vignola/Flickr

 

Em 2015,  a seleção brasileira de POLO AQUÁTICO ganhou a medalha de bronze da FINA Water Polo World League, e US$ 50 mil de premiação aos atletas. A CBDA Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, entidade responsável pela atividade, não entregou o dinheiro e não deu explicações aos ganhadores. Menos mal que agora terá que se entender com o Ministério Público Federal, que está cobrando esclarecimentos pelo contexto. E, também por irregularidades nos estatutos e na Assembleia Geral Ordinária realizada para aprovação dos balanços e do calendário para 2016.

 

A semelhança destes fatos com o que vem ocorrendo em outras entidades esportivas, como no caso da medalha embolsada por José Maria Marin da CBF, agora encarcerado em Nova York, não é aleatória. É sistêmica.

 

O presidente da CBDA, Coaracy Nunes, está há 27 anos na presidência da entidade.

 

Não só no âmbito esportivo, mas de forma universal, cargos de poder ocupados indefinidamente geram ditaduras e corrupção, para não falar em coisas piores.

 

Em 2015, a seleção de juniores, após meses de treinamento intensivo, foi informada dias antes pela CBDA, que não participaria mais do torneio, sem maiores explicações. Os clubes se prontificaram então a arcar com os custos. O valor de mais de R$ 300 mil apontados, comprovadamente excedia em muito ao real (e honesto).

 

Os clubes se reuniram e exigiram mudanças a Coaracy e seus diretores Ricardo de Moura e Ricardo Cabral. Não houve mudanças, apenas uma gracinha pelas redes sociais de Cabral: “Fizeram uma grande lista de pedidos e ganharam apenas um pirulito”.

 

Esses fatos impulsionaram simultaneamente uma reunião na segunda-feira, em 10 dos 12 clubes que competem no PÓLO AQUÁTICO do Brasil: FLAMENGO, FLUMINENSE, HEBRAICA, JUNDIAÍ, PAINEIRAS, PAULISTANO, PINHEIROS, SANTOS, SESI, TIJUCA. O BOTAFOGO e ABDA estão com a CBDA.

 

Nestas reuniões, foi proposta a adesão à LIGA PAB – POLO AQUÁTICO BRASILEIRO.

 

Um desafio e tanto, pois a força imensa do conjunto unido pode se desmoronar se algum clube se encantar com sereias de canto conhecidamente traiçoeiros. E corruptas.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

A Condenação: história real para ser vista sempre

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“A Condenação”
Um filme de Tony Goldwyn.
Gênero: Suspense,Drama.
País:USA

 

A história verdadeira de uma irmã dedicada que se forma advogada para defender seu irmão, injustamente acusado de um homicídio. Kenny sempre foi um garoto problemático e perseguido pela polícia. Quando algum crime acontecia na cidade, ele logo era investigado. Sua irmã se chamava Betty Anne Waters e sacrificou a vida, seu casamento e seus filhos por esta obsessão: provar a inocência do irmão. Depois de ficar sem dinheiro, seus advogados não conseguirem absolver o irmão, ela, muitos anos depois, consegue se formar e, finalmente, achar provas que o inocentaram.

 

Por que ver:
Se você, assim como eu, adorar histórias verídicas. O filme, no geral, é bem feito, as atuações coerentes e, mesmo nada se destacando, a história é legal. Vale como entretenimento. Hylary Swank e Sam Rockwell passam uma veracidade que emociona.

 

Vale a pena conferir.

 

Como ver:
Este filme pode ser visto sempre. Com amigos dos mais diversos tipos, família e etc… Este não é um assunto infantil, portanto já sabem, nada de filhos menores de 12 anos, ok?

 

Quando não ver:
Vou me permitir um pouco de humor negro…Você tem algum amigo acusado de assasinato? Ele certamente não será a companhia ideal.

 

“Curuzes”!!!

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Dá dicas de filmes e séries aqui no Blog do Mílton Jung

Conselho Participativo: pseudodemocracia?

 

Por Márcia Gabriela Cabral
Conselheira participativa, advogada
Integrante do Adote um Vereador

 

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Conselheiros tomaram posse dia 25 de janeiro, Foto: Heloisa Ballarini/ Secom/ PMSP http://fotospublicas.com

 

O Conselho Participativo Municipal de São Paulo foi criado, em 2013, pelo prefeito Fernando Haddad, por tratar-se da meta 114 do Programa de Metas da cidade. É um mecanismo de controle social no qual os conselheiros acompanham e fiscalizam a atuação da Administração Pública Municipal. Existem 32 conselheiros participativos que atuam na área territorial das respectivas Subprefeituras. As reuniões são abertas ao público, contam com a presença de representantes da Prefeitura e ocorrem mensalmente.

 

A lei que criou o Conselho Participativo estabeleceu que o mesmo tem caráter transitório, pois foi criado a fim de substituir os Conselhos de Representantes até que estes possam validamente existir e estarem em funcionamento, uma vez que o Ministério Público, em 2005, questionou a constitucionalidade da Lei dos CRs, que está suspensa aguardando decisão definitiva do STF.

 

Assim, o Conselho Participativo é uma política de governo e não de Estado e, deste modo, a sua manutenção dependerá do entendimento do prefeito que estiver à frente da Administração da cidade. A solução para o caso é o chefe do Executivo editar lei específica. Diante disso, o prefeito Haddad, no início da gestão, disse que iria apresentar tal lei. No entanto, o prefeito já está no fim de seu mandato e ainda não apresentou projeto de lei para validar definitivamente o Conselho Participativo.

 

O que estaria aguardando, o prefeito Haddad?

 

Observa-se que a principal diferença na legislação pertinente aos Conselho de Representantes e  Conselho Participativo é que no primeiro é obrigatória a filiação partidária, ao passo que no segundo isto não é necessário.

 

Portanto, o Conselho Participativo cumpre a finalidade da soberania popular, pois não vincula o cidadão a partido político, requisito este da democracia representativa; entretanto, estamos versando a respeito de mecanismos de controle social, por conseguinte, trata-se de democracia semidireta/participativa. Ainda, tal pressuposto cerceia o direito de qualquer cidadão fiscalizar a atuação da Administração Pública.

 

Espera-se, então, que a Lei dos Conselhos de Representantes seja declarada inconstitucional e o prefeito apresente lei específica, mas que seja com o conteúdo atual, para que o Conselho Participativo se torne de caráter permanente e seja um efetivo instrumento de controle social.

 

Embora o Conselho Participativo tenha sido criado neste mandato, questiona-se se esta gestão dá condições para que este instrumento atue de forma efetiva e eficiente.

 

É notória a falta de conhecimento e interesse por parte da população a respeito da existência do Conselho Participativo. Basta avaliarmos o número ínfimo de eleitores que compareceram nas duas eleições do Conselho Participativo. Observa-se que do eleitorado paulistano, o comparecimento foi de apenas 1,5% e 0,5%, respectivamente, logo, houve uma enorme queda na participação.

 

Há representatividade e/ou significância um mecanismo com tão baixa performance?

 

Isso se dá devido a falta de divulgação de forma ampla e em meios de comunicarão de massa. Talvez seja assim exatamente para que a população não faça uso adequado de seus direitos de fiscalizar, influir, cobrar e indicar os serviços públicos.

 

Outro ponto é a organização e estrutura dispensadas pela Administração Municipal ao processo de eleição do Conselho Participativo, que foi feita de forma totalmente manual, inclusive a apuração, que perdurou por cerca de 16 dias, pois havia falta de recursos humanos, de metodologia e de organização.

 

A criação dos Conselhos de Representantes vem de projeto de lei de 1991, o que demonstra a falta de interesse das autoridades, pois há mais de duas décadas trava-se o embate na criação deste mecanismo de controle social, que pode ser declarado nulo, por vício formal de criação, ou seja, por incompetência dos legisladores paulistanos.

 

Assim, observa-se que a regulamentação precária dos instrumentos de participação esvazia a democracia. Há que se refletir se situações como estas dos Conselhos de Representantes incidem de caso pensado a fim de protelar o efetivo exercício da cidadania. Nota-se que os representantes do povo, dificultam ao máximo a participação dos cidadãos. Não é a atoa que a participação política é anêmica.

 

É sabido que os inúmeros mecanismos de participação e controle social existentes são frequentemente meros instrumentos decorativos. Ou seja, embora tenham sua magnitude,o resultado efetivo muitas vezes não é satisfatório.

 

Seria mera demagogia, o Conselho Participativo?

 

Ludibriam o cidadão ao dar a ele a ilusória sensação de que influenciam na atuação do Poder Público?

 

Diante do explanado fica a reflexão: o Conselho Participativo trata-se de uma pseudodemocracia?

 

Avalanche Tricolor: o gol de Luan vale bem mais do que um empate

 

Grêmio 2×2 Juventude
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Luan comemora golaço de falta, em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Vamos convir que o jogo pelo jogo pouca coisa nos valia. A classificação estava garantida e a liderança, também. Méritos que construímos ao longo do campeonato, disputado, não vamos esquecer, em paralelo com a mais importante das competições: a Libertadores, onde se encontra apenas a elite do futebol sul-americano.

 

Independentemente da qualificação da partida, do quanto acrescentaria no nosso currículo e de estarmos apenas com parte do time titular em campo, vamos combinar que não gostamos nunca de perder (nem em treino), especialmente dentro de casa. Por isso, a virada que tomamos no segundo tempo deixava um sabor amargo, neste fim de domingo, principalmente porque havíamos dado sinais de vitalidade no primeiro tempo e não aproveitamos as chances de gols construídas.

 

Mesmo com o resultado negativo, havia pontos positivos: Wallace Oliveira e Giuliano de volta aos gramados, por exemplo, nos ofereciam alternativas para a construção do time, mesmo que o desempenho deles não estivesse a altura do que são capazes de dar à equipe. No caso dos dois, porém, o mais importante é estarem disponíveis no grupo novamente, aumentando as opções para Roger.

 

Wallace, aliás, apareceu bem pela direita na jogada que resultou no primeiro gol, após receber um passe incrível e de longa distância de Maicon. Já pela esquerda, testar Iago para a ausência de Marcelo Oliveira no próximo jogo da Libertadores também foi mais um mérito desta partida dominical. O jovem lateral precisa de mais quilometragem, devido aos desafios que teremos pela frente, mesmo assim mostra ser audacioso, ofensivo e driblador.

 

Como disse, porém, não gostamos nunca de perder (nem em treino).

 

Foi, então, que Luan apareceu para cobrar a falta na entrada da área, no momento em que a partida estava prestes a se encerrar. Pegou a bola, secou-a na camisa, esfregou-a com as mãos e a ajeitou cuidadosamente na marca de espuma deixada pelo árbitro sobre o gramado. Havia muita gente entre ele e o gol, mas todos estavam ali apenas para assistir à cobrança de falta magistral de nosso jovem talento. O guri deu apenas alguns passos até lançar a perna direita em direção a bola e tocá-la com tanta delicadeza que ela parecia não ter outra coisa a fazer do que agradecer, seguindo seu destino até as redes.

 

Gol de Luan; golaço de falta; cobrança de craque!

 

Ao contrário do que muitos devem estar pensando, aquele não era apenas um gol para empatar a partida. Era muito mais do que isso. Era a demonstração que o Grêmio, quando o talento, intensidade e velocidade não conseguem se impor com a bola rolando, pode contar com a qualidade individual de alguns de seus jogadores. Que o Grêmio, mesmo quando as coisas parecem estar conspirando contra, pode apostar na genialidade de alguns de seus craques. Que o Grêmio não desiste nunca, porque aprendemos na vida a lutar sempre!

Quintanares: Canção da Aia para o filho do Rei

 

 

Poesia de Mário Quintana
Publicado em Canções (1946)
Interpretação Milton Ferretti Jung

 

Mandei pregar as estrelas
Para velarem teu sono.

 

Teus suspiros são barquinhos
Que me levam para longe.
Me perdi no céu azul
E tu, dormindo, sorrias.
Despetalei uma estrela
Para ver se me querias.
Aonde irão os barquinhos?
Como será que tu sonhas?
Os remos mal batem n’água!

 

Minhas mãos dormem na sombra.
A quem será que sorris?
Dorme quieto, meu reizinho.
Há dragões na noite imensa,
Há emboscadas nos caminhos.
Despetalei as estrelas,
Apaguei as luzes todas.
Só o luar te banha o rosto
E tu sorris no teu sonho.
Ergues o braço nuzinho,

 

Quase me tocas? A medo
Eu começo a acariciar-te
com a sombra dos meus dedos.
Dorme quieto, meu reizinho.
Os dragões, com a boca enorme,
Estão comendo os sapatos
Dos meninos que não dormem.

 

Quintanares era o nome do programa reproduzido originalmente na rádio Guaíba de Porto Alegre

Conte Sua História de SP: nos ombros de meu pai assisti à festa da cidade

 

Por Deise Caramello
Ouvinte da rádio CBN

 

 

Naquele dia, percebi que algo muito importante estava acontecendo . Minha mãe nos vestiu, eu e meu irmão, com nossa melhor roupa, nosso melhor sapato.  Fomos até o ponto de ônibus -eu, meu pai, minha mãe e meu irmão – todos rumo ao centro de São Paulo. No letreiro do ônibus  estava escrito em letras grandes “CIDADE”.

 

Apesar de nascida no Tatuapé, morávamos em um bairro de Guarulhos. E “cidade” queria dizer “Centro de São Paulo”. Passamos pela Penha, Avenida Celso Garcia, Rangel Pestana e chegamos ao ponto final: a  praça Clóvis Bevilaqua.

 

Era um movimento só; que eu não entendia, mas achava lindo… todas aquelas pessoas. Eu estava muito alegre por estar ali, naquele agito. Meu pai segurava firme a minha mão e, assim, seguimos pela praça da Sé, rua Direita, praça do Patriarca até chegarmos ao glorioso viaduto do Chá.

 

No Vale do Anhangabaú, bandas e fanfarras desfilavam com sons, cores e bandeiras … radiantes por estarem ali comemorando o aniversário da cidade. Foi então que todos olharam para o céu. Um som ensurdecedor nos envolvia cada vez mais. Meu pai me colocou sobre seus ombros e uma chuva prateada desceu sobre nós. Nos meus quatro anos., estava vivendo um sonho, um conto de fadas. Encantada.

 

Era São Paulo em festa pelos seus quatrocentos anos de fundação.