Com equilíbrio, independente e em busca da verdade, sempre!

 

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O Brasil está em ebulição. Tem gente na rua contra o Governo. Tem gente na rua a favor do Governo. Tem gente em casa, contra e a favor. Todos falam em defesa da democracia, mesmo quando suas atitudes não condizem com esta defesa. Todos reivindicam o direito ao contraditório, nem todos, porém, o toleram. Ouvir o contraditório tem se tornado um desafio. Pois, o contraditório não quer falar, quer gritar mais alto. E quem é contrário não quer ouvir.

 

Em um clima como esse, o Brasil não precisa de incendiários. Eles já estão soltos por aí, alguns com cargos públicos. Tentam se beneficiar desse cenário para esconder suas mazelas, justificar seus atos. Clamam pela união mas pregam a cizânia. Querem a união, desde que em torno da sua causa. Nem sempre a causa pública.

 

O equilíbrio na análise é fundamental para quem tem como meta a busca da verdade possível diante dos fatos, neste Brasil enredado em casos de corrupção e luta pelo poder. Digo a verdade possível porque esta é construída no cotidiano do nosso trabalho, no levantamento dos fatos, na entrevista dos contrários e no relato objetivo dos acontecimentos.

 

Nem sempre a verdade surge no primeiro momento, depende das peças que são encontradas em declarações oficiais e extra-oficiais, em documentos públicos ou não, anônimos às vezes. Nesse quebra-cabeça, a verdade vai sendo montada na investigação realizada pelos órgãos policiais e pela justiça; no trabalho investigativo do jornalista, também; no interesse das partes que usam a informação e a contra-informação para construir sua própria verdade.

 

Algumas verdades somente o tempo nos permitirá compreender. Mas não podemos perder jamais este desejo de buscá-la de forma independente e equilibrada. O tom certo na transmissão do fato, na crítica e no embate pode fazer o país melhor. Qualquer coisa fora disso soa como paixão e militância. Colabora com a discórdia. E não é este o meu papel.

The Borgias: uma obra-prima que reúne talento, arte e intriga

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“The Borgias”
Uma série de Neil Jordan
Gênero: drama, romance , épico
Produção: canadense-hungara-irlandesa

 

A série é baseada na história da familia Borgia, proeminente família de origem espanhola que se tornou a mais poderosa da Itália na época da Renascença… Uma família conhecida por cometer vários crimes, incluindo adultério, simonia, roubo, estupro, corrupção, incesto e assassinato (especialmente por envenenamento)

 

Por que ver:
Além de ser uma obra-prima, fala sobre a história mundial daquele período riquíssimo em arte, Michelangelo, Leonardo e etc…

 

Jeremy Irons interpreta o papa Alexandre VI e acredito ser o papel de sua carreira…

 

A parte política cheia de detalhes, intrigas, jogadas de mestre, guerras, articulações é excepcional. O filho do Papa, O Cesare Borgia, foi a inspiração de Maquiavel para escrever “O Príncipe”, para vocês terem ideia do que lhes aguarda…

 

Os figurinos, cenários, linguagem são perfeitos, também…

 

Tem tantas curiosidades. Leonardo Da Vinci foi o primeiro a desenvolver uma arma de fogo portátil: uma espingarda. Não era um escândalo, mulheres grávidas sem ser do próprio marido … Enfim um mar de detalhes interessantes para você explorar.

 

Eu desconhecia várias passagens desta parte da história; não sei como vivi até agora sem elas … hahahahahah.

 

Como ver:
É bem pesado, mas rola assistir com amigos e familiares…Menos filhos menores de 16, tá?

 

Quando não ver:
Não sei se tem em aviões… Mas não veja em lugares onde você não terá acesso aos próximos capítulos… Outra informação, a série acaba antes da morte do Papa e a derrocada final da família…Se você se incomodar em ficar sem um final para os principais personagens, não assista, mas agora que assisti a série todinha, esse certamente não seria um motivo contundente…. Eu pude descobrir o final da história na internet.

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Dá dicas de filmes e séries aqui no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: simplesmente sofisticado

 

Ypiranga 1×2 Grêmio
Gaúcho – Estádio Colosso da Lagoa/Erechim

 

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Lincoln comemora golaço, em foto de Diogo Zanaga/Gremio.net

 

O gol de Lincoln foi belíssimo. Há muito não se assistia a algo semelhante. O guri atrevido descobriu-se dentro da área, não bastasse todo o talento que tem demonstrado quando fora dela domina a bola, levanta a cabeça e coloca seus companheiros em condições de gol ou apavora seus marcadores com dribles rápidos e precisos.

 

A mando de Roger, Lincoln tem jogado mais próximo do gol e gols tem feito, como o que nos manteve na disputa da Libertadores no meio da semana, no minuto final da partida, e esse que nos ofereceu a liderança do Campeonato Gaúcho, ainda no primeiro tempo.

 

Dessa vez, o guri caprichou. Pelo alto, girando e de calcanhar colocou a bola longe do alcance do goleiro. Primeiro disseram que era de letra, depois chamaram o lance de chaleira, quiseram até compará-lo a Ibrahimovic, enquanto todos nós comemorávamos como sendo genial.

 

Foi preciso, porém, o guri deixar o gramado no intervalo de jogo para entendermos bem o que significava aquele gol para ele: uma ordem cumprida; função exercida a pedido do “professor”; aproveitar alguma bola que sobre por ali; nada de mais, até porque, disse com a mesma simplicidade com que dribla seus adversários, já marcou outros de calcanhar.

 

Visto o lance a partir da descrição de seu protagonista, confesso, tudo pareceu mesmo muito simples, sem ostentação, nada de excepcional, apenas o recurso que a jogada exigia pela maneira como a bola chegou nele e pela forma como ele chegou na bola.

 

Se com os pés, Lincoln fez os narradores lembrarem-se de craques do futebol, suas palavras me remeteram a um gênio da humanidade. Leonardo da Vinci já ensinou que “a simplicidade é o último grau da sofisticação”.

 

Lincoln foi simplesmente sofisticado.

Quintanares: Contigo fiz, ainda em menininho

 

 

Poesia de Mário Quintana
Publicado em A Rua dos Cataventos
Narração de Milton Ferretti Jung

 

Contigo fiz, ainda em menininho,
Todo o meu Curso d′Alma… E desde cedo
Aprendi a sofrer devagarinho,
A guardar meu amor como um segredo…

 

Nas minhas chagas vinhas pôr o dedo
E eu era o Triste, o Doído, o Pobrezinho!
Amava, à noite, as Luas de bruxedo,
Chamava o Pôr-do-sol de Meu Padrinho…

 

Anto querido, esse teu livro “Só”
Encheu de luar a minha infância triste.
E ninguém mais há de ficar tão só:

 

Sofreste a nossa dor, como Jesus…
E nesta Costa d′África surgiste
Para ajudar-nos a levar a Cruz!…

 

O programa Quintanares foi ao ar, originalmente, na Rádio Guaíba de Porto Alegre

Conte Sua História de SP: meu encontro com D. Eva em Moema

 

Por Marina Zarvos Ramos de Oliveira
Ouvinte da CBN

 

 

Olá D.Eva!

 

Espero que minha carta a encontre cheia de vida como quando a conheci. Nossas vidas se cruzaram dias atrás. Foi no cruzamento de duas movimentadas avenidas de nosso bairro, Moema. Preparava-me para atravessar quando a vi do outro lado ensaiando o mesmo. Se tudo desse certo, iríamos nos encontrar no cruzamento das ruas. Se tudo desse certo…

 

Num “flash”um temor me assola: suas frágeis pernas e braços, carregando um carrinho de feira abarrotado de suprimentos, fardos de água em uma mão e uma garrafa na outra, teriam a agilidade necessária para a empreitada? Movida pelo medo de que algum carro a atingisse, saí em sua direção o mais rápido que pude. Postei-me ao seu lado para juntas atravessarmos. Ofereci ajuda e a senhora, um tanto ofegante, agradeceu-me e aceitou. Apenas para ajudar na travessia, não me permitiu segurar o carrinho.

 

Sãs e salvas após atravessarmos, comento sobre o peso que carregava, reitero meu pedido para puxar o carrinho e acompanhá-la até seu destino. A senhora aceita, mas me entrega apenas a garrafa de água.

 

Percebo um forte sotaque e ponho-me a conversar. Caminhamos juntas dois quarteirões, suficientes para saber que D.Eva, com 90 anos e um 1,5 metro de altura, imigrante romena, esta mesmo é preocupada comigo: ”cuidado esquina mais perigosa que a anterior”, alertava-me.

 

D.Eva, como me esquecer de seu olhar atento para os dois lados? E de sua voz? Ecoa até agora ao me dizer certeira: “vamos,vamos”. E fomos em direção ao seu prédio. Naqueles últimos metros, outra revelação bombástica.

 

– “Morei cinco anos debaixo da terra”, disse D.Eva.
– “Debaixo da terra? Como assim?”
“Sim, saía apenas para procurar comida à noite.Tempos difíceis os da Segunda Guerra”!

 

Paro minha caminhada para recuperar o fôlego e enxugar as lágrimas. Dona Eva prossegue e já sinaliza ao porteiro sua chegada…

 

“Por favor, D. Eva, deixe-me levar até o elevador”, pedi a ela.

 

Neste instante, percebo que meu desafio maior aproximava-se. A entrada escolhida pela senhora foi a da garagem com uma longa e íngreme rampa. A senhora, tal qual uma jovem e habilidosa “skatista”, desliza em direção à garagem, enquanto prendo minha respiração. Não esquecerei o sorriso largo da senhora ao voltar-se para trás e olhar-me com ar de vitória absoluta e total.

 

Despedimos-nos no térreo, não sem antes receber inúmeras, incontáveis e maravilhosas bênçãos.

 

Perdi a direção, o rumo e o motivo pelo qual sai naquela manhã. Nada mais importava, mediante a beleza da lição de força e de vida que recebi. Perguntava-me como não a havia visto antes? Somos vizinhas próximas e há mais de 20 anos! São Paulo nos acolheu generosamente. Minha família emigrada da Grécia, fugindo da mesma guerra e a senhora da Romênia.

 

D.Eva, que benção tê-la encontrado naquele dia! Nossas ruas se cruzado! Nossas vidas se encontrado aqui em São Paulo!

 

PS: Eva tem origem no hebraico :”Hawwá”,que quer dizer ” Cheia de vida”.

Mundo Corporativo: Tomas Arregui ensina como planejar a volta ao mercado de trabalho

 

 

Você foi demitido? Então, prepare-se para voltar ao mercado de trabalho e comece realizando um inventário profissional, como nos sugere o consultor de carreira Tomas Arregui, nesta entrevista a Mílton Jung, no Mundo Corporativo, da rádio CBN. “Você tem que saber quais foram os seus resultados, quais são suas principais competências, que valores você tem, e, dessa maneira, você vai ao mesmo tempo que contrói sua carreira corporativa, construindo sua carreira pessoal, aquela carreira que vai levar você onde você quiser”, diz Arregui, autor do livro “Sucesso na conquista de emprego – entendendo o mundo da procura de trabalho para fazer a coisa certa” (Editora Nelpa).

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site cbn.com.br O quadro é reproduzido aos sábados no Jornal da CBN. Colaboram com o Mundo Corporativo Alessandra Dias, Douglas Mattos e Debóra Gonçalves.

O eleitor e o consumidor

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Domingo, a parcela dos eleitores brasileiros que foi às ruas para protestar, além do desagrado pela crise em que o país está vivendo, certamente foi motivada, também, pelo engodo da campanha eleitoral.

 

A presidente Dilma mentiu e sonegou informações sobre a real situação econômica financeira, além de prometer benesses futuras inatingíveis. Vendeu um produto que não estava ao seu alcance entregá-lo. Parte do eleitorado brasileiro vulnerável pelas condições econômicas e a falta de acesso às informações, foi enganada.

 

Ontem, 15 de março, foi comemorado o Dia Mundial do Direito do Consumidor e os 25 anos da implantação do Código de Defesa do Consumidor no Brasil.

 

O consumidor brasileiro tem motivos para celebrar, pois nosso Código tem possibilitado avanços ao estabelecer regras entre compradores e consumidores. Considerando a vulnerabilidade do consumidor pela condição econômica e a falta de acesso à informação.

 

Se o mercado de consumo tem condição de regular e controlar as relações entre compradores e fornecedores, não podemos afirmar o mesmo para o sistema político eleitoral.

 

No fim de 2014, quando Dilma se elegeu acusando Marina de ser apoiada por banqueira e Aécio de planejar pacote de maldades financeiras e tributária, a sorveteria Diletto foi obrigada pelo CONAR Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária, de retirar de sua propaganda a afirmação falsa do proprietário ter trazido o conhecimento do avô para a fabricação dos produtos Diletto.

 

Como sabemos, Dilma nomeou um diretor de banco para Ministro, e aplicou o pacote de maldades que acusava Aécio. As promessas não foram cumpridas e veio inflação, desemprego, corrupção, e recessão.

 

É hora, portanto, de rever todo o sistema político eleitoral: fundo partidário, doações de campanha, número de partidos políticos, voto obrigatório, qualificação de candidatos e criar um órgão controlador.

 

Se o mercado pode ter o Código do Consumidor e o CONAR, por que as eleições e os candidatos podem ficar sem normas, padrões e controle?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Avalanche Tricolor: salve, Imortal!

 

San Lorenzo 1×1 Grêmio
Libertadores – Buenos Aires

 

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Lincoln voa em foto de Lucas Uebel/Gremio FBPA

 

Um gol quando o jogo mal havia se iniciado. Um gol bem quando o jogo estava terminando. E entre um mal-feito e um bem-feito, havia Marcelo Grohe.

 

Nosso goleiro foi heróico aos 19 do primeiro tempo quando limpou a barra do nosso esquema defensivo.

 

Foi elástico, aos 42, ao despachar o chute traiçoeiro do adversário.

 

Como a sorte ajuda aos homens de boa vontade, aos 43, Grohe foi salvo pelo travessão, uma vez; pelo pé alheio, na segunda; e por seu fiel escudeiro Geromel, na terceira.

 

E ainda havia todo o segundo tempo para Grohe operar milagres.

 

Verdade que o time da casa não repetiu a artilharia dos primeiros 45 minutos, mas quando só Grohe poderia nos salvar, como naquele lance nos acréscimos, foi ele quem nos salvou.

 

Salve, Grohe!

 

Grohe, porém, não pode fazer tudo. É preciso que alguém faça gol. E Lincoln fez justo quando os descrentes já haviam abandonado a causa.

 

Salve, Lincoln!

 

O guri entrou desajeitado em meio a um time que jogava desajustado. A bola quase não chegava ao pé dele, pois não havia ninguém mais em condições de carregá-la com a precisão necessária.

 

Após um cruzamento mascado e uma bola prensada, Lincoln acertou o único chute a gol do nosso time, naqueles últimos 45 minutos de partida. A bola passou rente e entre as pernas do zagueiro deles (que não era assim um Geromel) e foi parar dentro do gol.

 

Um gol que talvez não tenha feito jus ao futebol que apresentamos. Mas que fez à história que construímos: a de Imortal Tricolor. E só por acreditar sempre nesta história, fiquei atento, ligado, sofrendo e torcendo até o apito final do árbitro, sem perceber que me restariam pouco minutos para descansar e iniciar maratona de trabalho, nesta quarta-feira.

 

Quem se importa com isso, depois de ter tido o prazer de assistir a mais um grande feito da nossa imortalidade.

 

Salve, Gremio!

Adote um Vereador: você é quem vai financiar a campanha eleitoral

 

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Encontro do Adote, em São Paulo Foto: Alecir Macedo

 

– Você vai?
– Vô.
– Eu, tô fora!
– Vai com a gente!?
– Sou contra.
– Eu não; sou apenas um observador.
– Quem sabe apareço lá.

 

Era o que se ouvia nas conversas em volta da mesa do café do Pateo do Collegio, durante o encontro do Adote um Vereador, que ocorreu um dia antes da manifestação contra o Governo Dilma, em boa parte do Brasil. Um diálogo que explica a essência do grupo que costuma se reunir no segundo sábado do mês, no centro de São Paulo: saudável, tolerável, democrático … possível, eu diria, apesar de pouco exercitado na maioria das rodas políticas.

 

Sim, ali, entre um café, um copo d’água e o suco de laranja – pagos pelo nosso próprio bolso, sem lei de incentivo, verba de gabinete ou pixuleco -, pessoas com tendências políticas divergentes são capazes de conversar, pois estão unidas pelo desejo de cobrar dos agentes públicos que atuem em respeito ao cidadão.

 

Parece-me, também, que não têm a ilusão de que precisamos de um salvador da pátria na política brasileira. Sabem que somente com o cidadão atento e fiscalizando o trabalho dos parlamentares conseguiremos melhorar a qualidade do legislativo.

 

No Adote um Vereador somos adeptos do lobby do bem para combater os grupos que tentam se beneficiar economicamente, influenciando projetos de lei e decisões no parlamento. E, apesar da aparente fragilidade diante dos grupos mais poderosos que atuam nas câmaras municipais – nosso foco de ação – acreditamos que a sociedade mais bem informada se fortalece e qualifica o seu voto na eleição.

 

Na tarde de sábado, enquanto alguns justificavam sua presença ou ausência no ato dominical, ouvi um dos grupos de conversa chamar atenção para tema que precisaremos divulgar com maior alarde neste ano de eleição municipal: o fundo partidário.

 

Em ano no qual os cofres públicos estão em frangalhos e os governos rapam o tacho para pagar suas contas, os partidos políticos garantiram repasse de R$ 819 milhões, quase o triplo do que era previsto inicialmente no Orçamento da União.

 

O fundo partidário é dinheiro que vem de parcela dos impostos que pagamos. Portanto, somos nós que tiramos do nosso bolso para financiar os partidos e seus políticos.

 

Do total reservado no Orçamento da União, 5% é distribuído de forma igual a todos os 35 partidos políticos constituídos no Brasil.

 

95% do dinheiro vai para as siglas na proporção de votos obtidos na eleição para a Câmara dos Deputados.

 

Tem partido que mal consegue um voto na eleição, é incapaz de eleger um vereador sequer, quanto mais um deputado federal, mas, mesmo assim, recebe nosso rico dinheirinho: algo em torno de R$ 1,1 milhão por ano. É muito mais do que a maioria das empresas brasileiras consegue arrecadar (vale mais a pena abrir um partido do que uma empresa, no Brasil?)

 

A justificativa para separar tanto dinheiro do Orçamento da União para os partidos, mesmo diante da crise econômica que enfrentamos, é a lei eleitoral que está em vigor. Está proibida a doação de empresas para as campanhas políticas. Só pode entrar na conta dinheiro doado pelo cidadão. E, claro, do fundo partidário, que também é financiado por mim, por você, por todos nós.

 

Este ano, as campanhas terão de ser mais comedidas e o dinheiro não vai jorrar com a mesma facilidade. Além disso, muitas empresas, que antes aceitavam pagar por fora – vulgo, Caixa 2 -, vão pensar um milhão de vezes, traumatizadas com os efeitos da Operação Lava Jato.

 

O Fundo cresceu, mais dinheiro nosso vai para as campanhas e, portanto, mais explicações esses partidos e políticos terão de nos dar.

 

Quando você deparar com um candidato, lembre-se: a campanha dele está sendo paga com o seu dinheiro; você tem o direito de saber como ele está gastando esse dinheiro.

 

Tenho certeza de que voltaremos ao assunto nos próximos encontros. E convidamos você a, desde agora, espalhar e discutir este tema entre seus amigos, familiares e colegas de trabalho, independentemente de ter ido, fugido, se escondido ou se colocado contrário as manifestações deste domingo. Porque o que nos interessa é ver o cidadão participando da política da sua cidade, honesta e legitimamente.

Tomando um cafezinho com meu poeta preferido, Mário Quintana

 

Por Milton Ferretti Jung

 

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Mílton,meu filho e âncora deste blog,que aos domingos vem publicando post cujo nome – Quintanares – foi uma homenagem prestada pela Rádio Guaíba ao poeta Mário Quintana. Modéstia à parte,atrevo-me a dizer que,tanto eu quanto o Mílton,adorávamos Quintana e até hoje,quem visita a casa do meu filho,vê a imagem do poeta em uma parede a ele dedicada.

 

Na Rádio,deram-me a honra de declamar as suas poesias. Ainda bem que o Christian,meu filho mais moço,que se dá ao trabalho de guardar o que o seu pai, descuidadamente, esquece de fazer,toma tal providência.Os áudios usados no blog fazem parte deste acervo mantido por ele.

 

Conheci de perto o poeta.

 

Nos sábados,o fechamento do jornal Correio do Povo de domingo era acompanhado bem mais cedo do que durante a semana. Mário aparecia na redação e lá ficava por bom tempo.

 

Ah,claro,ele ia entregar um dos seus poemas ao Tito Tajes. Esse,era casado com minha irmã,a Mirian,e responsável pelo fechamento, sem erros, das notícias dominicais. Eu apresentava as duas últimas edições do Correspondente Renner e,entre uma e outra leitura,visitava o Tito,sempre um bom papo. Junto com esse,já lá estava Mário Quintana.

 

Sabem o que ele fazia? Tratava de preencher as palavras cruzadas do Correio do Povo de domingo. Lembro-me que ali mesmo,sentado na redação do jornal,ele “matava a charada” com incrível rapidez e sem precisar,como eu, de dicionário.

 

Eu costumava levar os meus três filhos – a Jacque,o Mílton Júnior e o Christian para me acompanhar aos sábados. O Tito,por sua vez,levava minha sobrinha, a Claudia,hoje roteirista da Globo e que também é colunista da revista Donna. Como se viu,ela não atendeu ao desejo paterno: Tito não queria que ela fosse jornalista…

 

Dos meus,o Mílton foi um dos que mais se divertiram ao visitar a Rádio Guaíba. Os operadores,mal o Mílton chegava,tratavam de fazer uma bola com muito papel e guarnecida com fita isolante para aguentar os chutes que ele dava no corredor da Guaíba.

 

Ao conhecer o Christian,então com crespos cabelos louros,Mário Quintana,que também encontrava o meu caçula na redação do Correio do Povo,aos sábados,tratou de apelidar o garotinho de “Anjinho”.

 

Já os meus contatos com o poeta se davam quando,eventualmente,ele me ouvia declamando uma de suas poesias,as que seriam acompanhas pelos ouvintes da Guaíba ao irem ao ar. Eu ficava imaginando o que ele estaria pensando do seu “declamador”.

 

Não esqueço que ele fez um elogio ao Lauro Quadros -meu colega de rádio na época-, dizendo que gostava muito de vê-lo na televisão, não para ouvi-lo,mas porque achava muita graça na maneira como ele se sacudia.

 

Quem costumava almoçar no bar da rádio Guaíba,o que muitos faziam praticamente todos os dias, sempre podia aproximar-se de Mário Quintana,que tomava café preto e,invariavelmente,fumava um “cigarrinho”.

 

Mário Quintana não foi somente um poeta que,a meu juízo e do Mílton,foi o melhor de todos. Ele foi um jornalista dos melhores que eu cheguei a conhecer quando ainda vivo e atuando na Livraria do Globo.

 

Ah,que saudade do tempo em que tínhamos um grande poeta com quem se podia conversar e,no meu caso,ter o prazer de ser o seu intérprete no Quintanares.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)