Conte Sua História de SP: poema da cidade

 


Por Dryca Lys
Ouvinte-internauta da rádio CBN
(reprodução de texto publicado em abril de 2014, neste blog)

 

 

Eu nasci e cresci nesta cidade maravilhosa chamada São Paulo. E com seus mistérios e sua fantástica frieza aconchegante. São Paulo é uma experiência de vida, é uma chance única de encontrar vários países em um único lugar.

 

Você pode conhecer a cultura alemã, entrar em contato com a cultura indígena, se sentir no Japão, conhecer a cultura coreana, judaica entre várias e várias culturas sem sair de São Paulo. Graças a magia que existe aqui, você pode se inspirar e difundir arte. Para o aniversário da minha São Paulo, envio este poema. É o que sinto e o que vejo nesta metrópole que chamo de lar

 


Este poema é parte integrante do livro Clube de Autores

 

São Paulo

 

Existem lugares que te fazem sonhar
outros fazem você se sentir mal
mas existe um lugar que te enfeitiça
um lugar que acende seus desejos, atiça
sua vontade de estar ali presente
um lugar único que te faz voar…

 

Mesmo caminhando nos becos escuros
as ruas brilhando como diamante
a música se espalhando e de repente
as estrelas caem e você anda pela poeira sideral
todos os cantos desse lugar parecem seguros
nem sempre… Mas um tapete brilhante

 

se estende aos seus pés, você chora
sozinho, canta em meio a multidão
nos dias de chuva, a brisa aquece
seus anseios, a noite vem, incandesce
seus desejos, a noite se esconde, vai embora
nos dias de sol você vê a sua solidão…

 

Você pode estar em vários lugares, sem sair
de dentro dela, mas não há nada
melhor do que estar lá, faça
o que for, corra, vá e volte, você pode ir
mas ela esta dentro de você, a saudade
te queimará inteiro, você sempre volta para esta cidade.

 


O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às dez e meia da manhã, no programa CBN SP. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode participar deste quadro enviando seu texto para milton@cbn.com.br ou agendando entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@cbn.com.br.

Qual é o seu luxo?

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Natal e Réveillon. Esse período de fim de ano deixa as pessoas numa correria maluca. Seja para quem tem viagem planejada ou para anfitriões de ceias de Natal e  grandes festas de Ano Novo. Muitos aproveitam o momento e fazem promessas  e  planos para o novo ano. Os que se permitem preferem a auto-reflexão – e eu, particularmente, estou entre estes  porque acredito que o autoconhecimento é capaz de nos fazer evoluir de forma incrível.

 

Durante o ano, falamos bastante de diversos segmentos do mercado do luxo ao redor do mundo. Produtos, serviços, experiências, conquistas e frustrações…e na minha reflexão fui levado a pensar no significado do luxo para mim,  independentemente dos conceitos com os quais trabalhamos quando falamos de negócios e comportamento.

 

Pra mim, cada vez tem mais valor o tempo. Ou melhor, ter tempo para estar com as pessoas que gosto, amo e admiro. Tempo para viajar, descansar ou, simplesmente, refletir como faço agora! Conhecer novos destinos, mas também aproveitar o tempo para redescobrir, sob novos olhares, aqueles que já tvisitei. Tempo para dedicar ao meu bem estar.

 

Gostaria de aproveitar e convidar você, leitor do Blog do Mílton Jung, para compartilhar conosco o que é luxo para você! Uma viagem? Um bem material? Uma sensação?

 

Qual é o seu luxo?

 

Enquanto você pensar sobre isto, desejo a todos um 2015 maravilhoso e repleto de conhecimento, sabedoria, paz, amor e sucesso!

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung

Petrobrás nasceu com alerta de corrupção

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Segunda feira, no CBN Brasil, o jurista Modesto Carvalhal, autor de “O livro negro da corrupção”, disse a Sardenberg que a Petrobras pode tocar sua produção sem o auxílio das empresas contratadas. Como sempre fez até tempos atrás. Lembrou inclusive que algumas destas empresas que nunca tinham operado neste setor, foram treinadas pela Petrobras. O medo de o Brasil parar é, portanto, infundado. Carvalhal propugna a total condenação das empresas pela conduta corrupta, inclusive da Petrobrás. Recuperação dos prováveis 80 bilhões e multa de 20% sobre o último faturamento.

 

É uma postura dentro do contexto da criação da Petrobrás, quando Vargas, em 3 de outubro de 1953, assinou o Projeto Monopolista da Petrobrás. De autoria de Aliomar Baleeiro, da UDN, o partido liberal, que surpreendentemente propôs o monopólio. Inimigo de Vargas e antevendo a importância da nova Companhia preferiu o engessamento da empresa estatal a entregar ao adversário o capital misto, mais factível a corrupção.

 

Em 1967 a preocupação da relação entre grupos privados e funcionários governamentais foi atestada por Galbraith, economista de Kennedy, em seu livro “O novo Estado Industrial”:

 

“Com a simbiose burocrática forma-se um quadro de crescente interação que acaba contaminando as políticas de governo e colocando-as a serviço de interesses especiais e particulares”.

 

Em 1997, a Petrobras se configurou como empresa de capital misto. Hoje, passados 17 anos, tanto os pressupostos monopolistas dos liberais udenistas, quanto às previsões de contaminação de Galbraith, se concretizaram.

 

A solução aponta para o caminho do sistema único. Publico ou Privado. Purificar, para evitar defesas como a do café da manhã com a Presidenta na segunda-feira, que alegou não ter provas que Graça Fortes sabia ou não da corrupção. Ora, em qualquer dos casos a demissão é imprescindível. Se não sabia, deveria saber. Se sabia deveria coibir.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Neste Natal, vamos comemorar em família

 

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O olhar voltado para o painel que anunciava o desembarque dos voos em Congonhas era de preocupação e dúvida, na noite dessa segunda-feira. Muitas pessoas não tinham ideia do horário em que o avião que esperavam aterrissaria em São Paulo. Bem pior: se desceria na capital paulista. Havia a possibilidade de seguir para Guarulhos ou Campinas. A chuva forte havia parado as operações no aeroporto e causado transtorno para muitas pessoas, em ar e terra. Apenas quando se aproximava das 10 da noite, os primeiro voos receberam autorização para chegar. E em meio a centenas de passageiros que saíam do setor de entregas de malas, para mudar o clima no saguão, surge um que estava vestido de Papai Noel. A preocupação da espera foi substituída pela surpresa e curiosidade em torno daquela figura exótica apesar da época do ano. Convenhamos, as roupas de inverno, completadas pelo gorro na cabeça, pouco têm a ver com o verão que acabara de se iniciar no Brasil, marcado pelo início da temporada de chuvas na região sudeste.

 

O Papai Noel passageiro claro que me chamou muita atenção, mas estava longe de ser minha maior surpresa no saguão do aeroporto nessa semana. Um dia antes, no domingo que antecedia a semana de Natal, fui receber parte da família que chegava para as festas de fim de ano, em São Paulo. Havíamos combinado de nos reunirmos em casa, mas não teríamos a presença do pai que ficaria em Porto Alegre. Assim que a porta de desembarque abriu, minha irmã apareceu empurrando o carrinho com mais malas do que costuma transportar, o que não foi suficiente para me antecipar a boa notícia que viria em seguida: meu pai, que você está acostumado a ler às quintas-feiras, decidiu nos acompanhar nas festividades e, sem avisar, embarcou para São Paulo. O que para a turma que mora por aqui, assim como para todos que se juntaram a nós, foi um grande presente de Natal.

 

Nesta noite, véspera de Natal, teremos bons motivos para estarmos juntos e compartilharmos o que vivemos neste ano que está chegando ao fim. Cada um de sua maneira poderá relatar vitórias e emoções, por mais difícil que tenham sido os momentos enfrentados. Apenas a possibilidade de, ultrapassados todo este período e todas as barreiras, estarmos mais uma vez reunidos entre irmãos, mulheres, maridos, sobrinhos, primos, filhos, pai e avô é razão suficiente para comemorarmos. Se há uma conquista da qual temos de nos orgulhar é a de estarmos unidos mais uma vez.

 

Como já escrevi em natais passados, a data sempre foi comemorada em família com rituais curiosos, como as saídas de casa no fim da tarde para que o Papai Noel chegasse e distribuísse os presentes embaixo da árvore. O roteiro era sempre o mesmo, ano após ano, com os irmãos arrumados e engomados fazendo um passeio com o pai até o Morro da TV, próximo de onde morávamos em Porto Alegre, enquanto a mãe ficava em casa para abrir a porta para o Papai Noel. Programa que durou um bom tempo, mesmo quando já tínhamos noção de que o tal passeio era apenas desculpa para a mãe ajeitar os presentes e acender as luzes da árvore. Hoje, mais importante do que o passeio, a árvore e os presentes é a possibilidade de nos encontrarmos.

 

Desejo que você, caro e raro leitor deste blog, tenha ótimos motivos para compartilhar suas alegrias e angústias em família, neste Natal.

De vó Ruth

 

Por Maria Lucia Solla

 

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Agora há pouco, sábado, dia vinte de Dezembro de dois mil e quatorze, nasceu para mais uma vida, a minha sogra, a Dona Ruth Kroeff.

 

Nem se preocupe pensando que este texto será um texto triste.

 

Absolutamente!

 

Da Dona Ruth só memórias boas e principalmente apetitosas, porque ela cozinhou a vida toda, como ninguém! E para um batalhão de locais e agregados, como se diz por lá. Ela sempre perguntava: ‘quantos dezoito somos para o almoço?’ Era a senha para a sua entrada na cozinha.

 

A cozinha dela, aquela diária e corriqueira, sempre incluía um assado, que era uma de suas especialidades, uma linda salada, (quando eu andava por lá, ela sempre me chamava para enfeitar o prato da salada), arroz, feijão, alguns tipos de misturas e muita, mas muita sobremesa.

 

Tive outros maridos, mas uma sogra só a quem sempre amei = admirei e respeitei. E com esse seu novo nascimento, não muda nada. Ela continuará, para sempre, a minha sogra querida, e eu para ela, a sua norinha querida. A sua Lu, a sua Luzinha.
Aprendi tanto com ela! Do seu vocabulário único e delicioso e só dela, mesmo morando na cidade há anos e anos, aprendi que carteira era guaiaca e dentadura cremalheira. Só para dar uma amostrinha.

 

Me lembro do tempo em que a Dona Ruth já dizia que não iria a festa nenhuma, porque estava com tremedeira miúda. Eu entendia tão bem a minha sogra! Somos muito parecidas (hoje eu tenho tremedeira miúda!). Ela me ensinava do seu próprio manual de sobrevivência e estava sempre sempre do meu lado, principalmente quando algum perrenguezinho desandava.

 

Sogra de olhar de cumplicidade, que bota paninhos quentes em lugares que estavam gritando por eles, mas ninguém mais percebia; que sorri com os lábios e com o olhar quando a gente chegava, só gente muito sortuda como eu, para ter.

 

Vai em paz, Dona Ruth, que seu posto já está sendo preparado desde há muito.

 

Nós ainda ficamos mais um tanto, com o coração apertadinho agora, mas cheios de gratidão por ter participado da tua vida aqui e por tê-la compartilhada, pela senhora, com todos nós, os locais e os agregados, fossem eles quem fossem.

 

Meu amor continua com a senhora. Intocado.

 

Com meus filhos e netos e com todos os familiares e amigos, faço parte da corrente que vai conduzi-la, quem sabe, até o portal da sua nova morada.

 

Vó Ruth, eu te amo!

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Conte Sua História de SP: pensei ouvir a voz de amigos do Tatuapé

 

Por Maria Dulce Brito Gomes
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Em 1967, chegamos a São Paulo vindos de Araraquara. Meu pai, gerente do Banco de São Paulo, fora transferido para exercer um cargo de direção. E nós, quatro irmãos e mamãe, nunca imaginávamos morar na capital. Lá no interior, vivíamos em prédio do próprio banco – grande edifício dos anos 1950 com sacadas nas janelas do segundo andar e um quarto para cada filho. Tinha sala de jantar, de visitas e cozinha. Um luxo. Aqui a vida não seria mais a mesma; e se transformou radicalmente.

 

Meu pai alugara um sobradinho na Rua Bento Gonçalves, no Tatuapé, zona Leste, e para cá viemos assustados com a cidade grande. Dois quartos apenas, uma salinha e uma cozinha. Mas um quintal que nos afagava as lembranças de grandes espaços. A rua era uma descida de terra que chegava à Marechal Barbacena tão esburacada que o lixeiro recolhia o conteúdo dos nossos latões fazendo malabarismos com a carroça puxada a cavalo.

 

De manhã vinha o verdureiro. Era um alemão muito vermelho que manobrava o carroção atrelado a um enorme burro. Sr João, o verdureiro, trazia imensos caixotes de madeira repletos de couves, nabos, rabanetes, alface, limões e tudo o que ele mesmo plantava em uma das muitas chácaras da Rua Itapeti. Não havia ainda arruamento e, quando íamos ver as chácaras, era uma delícia percorrer as alamedas de brócolis, repolhos e almeirão – sem cercas, sem portões. Sr. João tinha mãos enormes, e nós, crianças, corríamos atrás da carroça pedindo ora uma banana, ora uma laranja. Ele, conduzindo o carroção, estancava o burro em frente a uma casa e distribuía as bananas despencadas ou as laranjas. Era nossa felicidade. Enchíamos os bolsos e lá íamos saborear as frutas na pracinha da Barão do Cerro Largo.

 

Certa vez, asfaltaram a Rua Bento Gonçalves. O Serviço de Águas e Esgotos implantou a rede coletora e abriu crateras imensas que demoraram a ser fechadas. Com o asfalto vieram as disputas de rua. Aos domingos, meus irmãos competiam com os amigos e os carrinhos de rolimã, fabricados, em casa mesmo, com uma tábua de caixote e uma trava horizontal. As rodas de rolimã sulcavam a frenética descida do negrume até o fim da rua e o breque era o próprio calçado que voltava irreconhecível. Eles subiam lentamente a Bento Gonçalves arrastando a geringonça para depois começarem a louca descida. Quantos arranhões, tombos, unhas despedaçadas! Nada que os impedisse de no próximo domingo estar de novo com a molecada.

 

Nos feriados, o barato era caçar passarinhos no “Matão”, como era chamado o bairro Anália Franco. Nenhuma casa ou edifício, apenas uma matinha densa repleta de pássaros: coleirinha, tico-tico, canários da terra. Era armar a arapuca e engaiolar os pobres para que cantassem no nosso quintal.

 

À tarde de domingo, nos reuníamos na sala para assistirmos à luta–livre no Canal 9. Ted Boy Marino, Fantomas, Índio, e tantos outros nos faziam gritar até à rouquidão numa torcida pelo “bonzinho” para que massacrasse o “mau”. Custamos a crer que o “sangue” era apenas groselha, como desmarcarava a farsa, meu Tio Benedito.

 

Hoje passei pela Praça Sílvio Romero, subi a Tuiuti e cheguei ao bairro Anália Franco. Só o Colégio Ascendino Reis, onde estudamos todo o ginásio e o colegial continua por lá, além da Padaria Lisboa. Antes, grandes glebas distantes, hoje, edifícios, muito progresso e luxo. Antes, o ruído das brincadeiras infantis e a presença daqueles amigos queridos: Nilson, Terezinha, Jer, Pepino, Cabeção, Batata, Camula e tantos outros. Voltei com a sensação de que ainda poderia ouvir aquelas vozes, encontrei apenas lembranças, pois algumas se calaram para sempre.

 

Maria Dulce Brito Gomes é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Já você é nosso convidado para comemorar os 461 anos de São Paulo. Envie agora seu texto para milton@cbn.com.br e participe da programação especial que está sendo organizada pela rádio CBN.

Nos bancos nem tudo está na palma da mão

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Tudo na palma da mão. É essa a promessa, ao menos nas campanhas publicitárias, da maioria dos bancos brasileiros a seus clientes. Cada um a seu jeito transmite a ideia de que tudo pode ser resolvido pela internet, e, principalmente, pelas plataformas “mobile” em canais dos bancos como celular e tablet.

 

Recentemente, tive uma experiência no mínimo inacreditável com o Bradesco Prime. Já descontente com o banco, há algum tempo, pelo atendimento dos gerentes, excluí os cartões de crédito do serviço de débito automático e optei por efetuar o pagamentos por boleto bancário. Minha fatura mais recente do Visa Infinite foi entregue em meu endereço um dia após o vencimento. Tentei fazer o pagamento em atraso na internet do próprio banco. Não era possível. Liguei no Fone Fácil (central de atendimento a clientes) e fui informado de que faturas vencidas somente poderiam ser pagas em agências do banco. Simplesmente inacreditável, em pleno 2014, um cliente ter que ir pessoalmente à agencia para efetuar um pagamento. Imaginei que fosse um erro de orientação, porém, através do Alô Bradesco, onde formalizei reclamação, a necessidade deste procedimento foi confirmada.

 

O Bradesco Prime já esteve presente anteriormente em meus artigos para o Blog do Mílton Jung com questões que envolviam atendimento e benefícios reduzidos a clientes de cartões de crédito. As empresas no mundo globalizado investem em tecnologia, centrais modernas e equipadas, mas pelo que percebo o Bradesco anda para trás, diferentemente de seu concorrente mais direto, o Itaú. Pelo atendimento que venho recebendo na agência e nas centrais de relacionamento, me parece que o banco não investe em pessoas. Esquece de treiná-las, capacitá-las e motivá-las para a função.

 

Com relação a essa minha recente reclamação, a sensação que os atendentes passaram era de que eles simplesmente liam a informação, sem sequer entender o cliente ou usar de empatia. Nesse caso, porém, o problema vai além do atendimento pessoal, está relacionado aos processos usados pela instituição.

 

Como foi resolvido o problema? Indo pessoalmente efetuar o pagamento na agência do banco, e com juros pelo atraso. Nem tudo está na palma da mão.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Cidade de meu andar, deste já tão longo andar!

 

Por Milton Ferretti Jung

 

A casa da rua 16 de Julho com destaque para a pracinha, em Porto Alegre

A casa da rua 16 de Julho com destaque para a pracinha, em Porto Alegre

 

Tivesse eu nascido,migrado, emigrado ou imigrado para a capital paulista,iria me candidatar ao “Conte sua história de São Paulo”,com leitura do Mílton e matéria por ele compilada em livro. Como sou caxiense de nascimento e porto-alegrense por adoção,resta-me acompanhar os relatos,sempre interessantes,de pessoas que,por vários motivos,saíram de outros lugares e fixaram residência em São Paulo.

 

O que eu posso fazer em troca da impossibilidade de escrever sobre a minha vida na Paulicéia Desvairada,para usar o titulo de um livro de Mário de Andrade – poeta,escritor,crítico literário e uma série de outras especialidades correlatas – é me contentar em produzir um texto acerca das minhas ruas preferidas no meu já “longa morar” nesta cidade que me acolheu ainda nenê. Mário Quintana,o meu poeta favorito, não vai ficar brabo por eu o ter, mais ou menos parafraseado,valendo-me daquela que é uma das minhas poesias favoritas de sua lavra.

 

A primeira rua da capital gaúcha na qual morei,a Conselheiro Travassos,só lembro pelas fotos da Agfa do meu pai,guardados em um álbum,em que apareço na janela da casa paterna e,pouco mais tarde,no meu primeiro aniversário. Nessa rua moravam também os meus tios e o meu primo Gildo,cinco anos mais velho do que eu. Formou-se em medicina e virou médico de toda a família. Quando ganhei a minha bicicleta Centrum,uma preciosidade sueca,visitava os meus tios – Alfredo e Gilda,esta irmã do meu pai – que,além de me hospedarem quando minha irmã Mirian pegava alguma doença infecciosa,ainda me davam a chance de ver uma jovem que eu tentava namorar. O meu primeiro namoro sério começou em uma quermesse da paróquia do Sagrado Coração de Jesus,então em construção. Foi numa dessas quermesses que conheci Ruth, aquela com quem casaria e se tornou mãe dos meus filhos. Eu era um dos locutores da Voz Alegre da Colina. Foi nas festinhas da igreja que decidi qual seria a minha profissão. Alguns anos depois fiz a minha estreia no metier que acabei exercendo,entre outros,durante 60 anos.

 

Na época em que comecei a namorar Ruth,morava na Rua 16 de Julho. Nessa,o meu pai construiu a sua primeira casa:um sobrado,com grande quintal e cheio de espaços vagos nos quais jogávamos futebol. A 16 de Julho se juntava com a Zamenhoff,em uma pracinha,na qual se jogou de tudo,situada bem na frente da casa paterna. Paralela,corria a Marcelo Gama,onde Ruth morou até que a sua família se mudasse para a Rua do Parque e antes ainda de nos casarmos. Nossa primeira moradia foi no andar térreo de um edifício construído na esquina da Paraná com a Cairu. Foi essa a primeira casa da Jacqueline. O Mílton,com um ano,foi morar naquela em que,hoje é habitada pelo Christian com a sua família,isto é,na Saldanha Marinho.

 

Ficou difícil de encaixar uma que foi muito importante na minha vida e onde não morei,mas,isto sim,trabalhei durante quatro anos:a Rádio Canoas,local do segundo estúdio dessa emissora,a Avenida Eduardo,cujo nome acabou dando lugar ao de um presidente dos Estados Unidos:Franklin Delano Roosvelt. Ruth e os seus pais,já escrevi,moravam na Rua do Parque. Eu ia de bonde até a Avenida Eduardo,se fosse trabalhar,ou descia mais adiante:bem na frente da residência dos Müller. Não perdíamos os bailes de carnaval,os adultos e os infantis,na Sociedade Gondoleiros. Essa,voltando no tempo,manteve piscina na qual nos banhávamos no verão. Já a Rádio Canoas costumava transmitir os bailes das debutantes e os comícios que,em épocas de eleições,eram realizados na Avenida Eduardo. À boca pequena diziam que a Canoas pertencia a Leonel Brizola.Recordo-me que Hermano Sperb era o gerente da Emissora,então instalada em um edifício da Avenida Eduardo. Seria um dos homens de confiança de Brizola.

 

A Avenida Eduardo era,igualmente,durante o carnaval,local de desfile das escolas de samba da Zona Norte da cidade. Ruth e eu sempre achávamos um jeito, também de passear por essa Avenida nas horas vagas. As lojas eram bem atraentes.Por isso,tirantes as ruas em que morei,repito,tenho como preferida pelo que representou para mim,a velha e querida Avenida Eduardo. Não me perguntem se ela mudou muito depois que deixei de a usar para namorar e trabalhar. Prefiro não saber o que fizeram da nossa Avenida Eduardo além de trocarem o seu nome,assim como os vereadores atuais resolveram fazer com a Avenida Castelo Branco.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, publicas seus textos no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

O que Dilma e Diletto já não têm mais em comum

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Dilleto

 

Há quinze dias, comentamos aqui neste espaço, que na propaganda e na política dois personagens ilustres tinham usado o artificio da fantasia para ganhar de concorrentes.

 

A Diletto inventou uma estória para valorizar seu produto, e a candidata Dilma artificializou acusações para desvalorizar seus adversários.

 

Na quinta feira, o conselho de ética do CONAR Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária recomendou por unanimidade, que a Diletto explicitasse a fantasia do “nonno” Vittorio. Embora a decisão do CONAR não tenha poder de lei, e da decisão caiba recurso, a Diletto já se manifestou aceitando o julgamento. Vai informar que Vittorio não existe e, que será usado apenas para fantasiar a origem do produto.

 

No meu modo de entender, um esmero de ética do CONAR, embora justifique o próprio nome de seu Conselho. Não menos louvável a atitude da Diletto, que acatará a sugestão, sem apresentar recurso.

 

Interessante notar que nesta mesma reunião o CONAR analisou o caso do suco Do Bem, cuja propaganda diz que: “as laranjas são colhidas fresquinhas todos os dias e vem da fazenda do senhor Francisco do interior de SP, um esconderijo tão secreto que nem o Capitão Nascimento poderia descobrir”. Mesmo sem o auxílio do herói Capitão, constatou-se que fazenda e Francisco existem, e o suco Do Bem ficou com a sua história intacta.

 

Nada mal para um setor em que a criatividade e talento já são reconhecidos mundialmente. O CONAR criado em 1977 para evitar a censura, está contribuindo para que a Propaganda se torne ícone de ética e possa influenciar outros setores a ter também o mesmo procedimento.

 

Ressalte-se que o CONAR se restringe à verdade na comunicação. E, é por isso que os partidos políticos ao invés de proibir jornalistas nos debates, deveriam convoca-los para ajudar no controle da comunicação das campanhas. Se já existisse o CONARP Conselho Nacional de Autorregulamentação Política, conforme sugerimos, a presidenta provavelmente não estaria com a saia justa de hoje.

 


Sobre o mesmo tema, leia a coluna de Carlos Magno Gibrail publicada no dia 2/12

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.