Gestão do luxo pode ajudar empresas que não são de luxo

Por Ricardo Ojeda Marins

 

Galeria do Rock

 

Quando falamos em produtos e serviços de luxo, a excelência é algo imprescindível. Excelência na feitura dos produtos, nos serviços prestados antes, durante e após a venda, e na forma de se relacionar com seus clientes.

 

Por que, então, muitas empresas que não atuam no mercado do luxo não aprenderam ainda a encantar seus clientes?

 

Por mais que essas empresas não trabalhem com produtos de altíssima qualidade ou ligados a marcas prestigiosas, elas tem em mãos um poder ainda não utilizado pela maioria: oferecer a excelência no atendimento, criar relacionamento com cliente que gere fidelidade, e até mesmo encantar esses clientes.

 

A experiência vivenciada pelo cliente é hoje algo percebido não apenas por consumidores de alto poder aquisitivo. Clientes de marcas que não são de luxo ou premium, também tem seu nível de exigência e esperam por um bom atendimento. Seja uma loja de varejo, moda, restaurantes ou até mesmo bancos são exemplos de empresas que não atuam no mercado do luxo, mas que podem (e deveriam) atentar-se à importância que esse segmento pode contribuir com seus negócios.

 

E por que essas empresas (ainda) não utilizam as ferramentas de gestão do luxo?

 

É possível que empresas aprendam peculiaridades da gestão de marcas de luxo para gerirem seus negócios. Ter uma abordagem de luxo, transformando a compra numa experiência única e sensorial para seu consumidor. Cabe a essas empresas beneficiarem-se desse conhecimento de um mercado tão seletivo, que pode contribuir com que elas tenha diferenciais competitivos. Para isso, há muito o que inovar nos pontos de venda e, principalmente, na mente dos empreendedores, além, é claro, de treinar e capacitar suas equipes para chegar a esse objetivo.

 

Afinal, todos gostam e merecem um atendimento de excelência. É essa excelência e encantamento que certamente farão o seu cliente voltar.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Quem diria, os separatistas estavam por aqui

 

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É no mínimo curioso receber mensagens pedindo a separação de São Paulo do restante do País, especialmente do Nordeste, desde a divulgação dos números finais da eleição presidencial deste ano. A cisão unilateral está apoiada no que consideram ser um absurdo: ser comandado por uma presidente, no caso Dilma Roussef, que teve apenas 35,69% dos votos do eleitorado paulista – provavelmente nordestinos que vem se aproveitar das nossas riquezas, dizem alguns. Que voltem para seus estados de origem e se submetam às ordem superiores. E na República Independente de São Paulo ficaríamos apenas nós, os puros de alma, combatentes da corrupção, defensores dos bons costumes e bem informados. As manifestações de indignação e em defesa da divisão ganha caráter oficial quando assinada por gente de alto coturno com representatividade no Palácio Nove de Julho que, talvez, sonhe em transformá-lo em palco da resistência. Tudo bem que os arroubos políticos se resumiram às redes sociais, mas se ouvirem muitos aplausos temo que decidam subir à tribuna.

 

Têm todo meu respeito os que estão incomodados com a derrota na eleição, é um direito nos inconformarmos sempre que uma batalha é perdida, mas defender a separação do Estado de São Paulo em função de resultados obtidos nas urnas é não compreender a dinâmica da democracia, se não bastasse ser um absurdo. Como sei que São Paulo é muito maior do que estes que se descontrolam – e em alguns meses mesmo estes já estarão envolvidos em outras disputas – chego a me divertir, especialmente pela ironia do destino.

 

Desde que cheguei em São Paulo, em 1991, por mais de uma oportunidade fui acusado de ser separatista. Sim, você, caro e raro leitor deste blog, não tem ideia do que muitas vezes tenho de ler e ouvir. O ataque é baseado no fato único e exclusivo de ter nascido no Rio Grande do Sul, onde, no século 19, grupos se rebelaram contra o governo imperial do Brasil e declararam independência, fundando – sem sucesso, diga-se – a República Rio-Grandense. De vez em quando, surge uma ou outra voz por lá retomando o assunto e acreditando que o Rio Grande se bastaria, mas são gritos que não ecoam há muito tempo nos pampas.

 

Verdade, também, que os gaúchos tendem a exacerbar seu orgulho pelo estado em que vivem, conservam suas raízes, preservam o chimarrão e a bombacha, usam o sotaque sulista para reforçar sua identidade e não se envergonham de entoar o hino rio-grandense (registre-se, de letra e ritmo belíssimos). Orgulho, sim, mas sem deslumbramento nem desrespeito ao restante do Brasil. História e comportamento que talvez confundam pessoas desinformadas como essas que procuravam me atingir sempre que me ouviam criticando os problemas de São Paulo.

 

As agressões, geralmente por e-mail, eram mais frequentes na época em que apresentava o CBN São Paulo, a medida que as reportagens e entrevistas que realizava tinham o foco no estado e capital paulistas. Costumavam me mandar de volta para casa já que, segundo eles, eu estaria descontente com a vida que levava por aqui. Não eram capazes de entender que ao reclamar a falta de estrutura, desrespeito no atendimento ao cidadão, ambiente poluído, congestionamentos intermináveis, entre outros problemas comuns do nosso cotidiano, o fazia por força da profissão e por gostar muito de São Paulo.

 

Talvez o que mais me incomodava (e me incomoda, nos raros momentos em que ainda sou chamado de separatista) é o fato dessa gente não entender o quanto gosto de São Paulo. Trabalhar aqui foi escolha minha, por admirar a força desta região. Construí minha carreira, minha casa e minha família; meus filhos são paulistanos, assim como minha mulher (isto ao menos me valeria um passaporte brasileiro, em caso de secessão, não?). Nestes 23 anos desenvolvi projetos em favor da cidade que me orgulham muito como o programa Conte Sua História de São Paulo, que está no ar desde 2006 e se transformou em livro, no qual moradores e pessoas que tiveram alguma experiência na capital paulista registram sua memória. Tem ainda o Adote um Vereador – apesar de que este, para esta turma, é uma forma que encontrei de reclamar da política na cidade. Hilário.

 

Quem diria, depois de tantos anos ouvindo que sou um separatista, hoje me deparo com pessoas defendendo que São Paulo dê seu grito de independência, se liberte do restante do Brasil. Descubro que apenas usavam sua própria régua moral para me julgar. Vamos combinar o seguinte: somos todos brasileiros, independentemente de onde tenhamos nascido, onde vivemos e como votamos. E como brasileiros, o que temos é o que as urnas nos ofereceram. Saibamos então aceitar as diferenças, reduzir as desavenças e trabalhar para que cada vez mais nossos destinos sejam traçados por nós mesmos, sem depender deste ou daquele governo. Valorizemos as características de cada um dos 26 estados e do Distrito Federal, mas convencidos de que fazemos parte de um só país.

Esta não é meme: Pizzolato está livre na Itália

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Vamos brincar de faz-de-conta? Não se espante. Os internautas conhecem muito bem o significado de uma palavra que,de tanto chamar a minha atenção,despertou a curiosidade deste veterano escriba. Passava os olhos pelo programa e era meme para cá, meme para lá. Só nesta terça-feira,porém,dia em que envio os meus textos para que o Mílton possa os postar na quinta-feira,resolvi informar-me sobre a palavrinha de duas vogais. Como pode existir ainda algumas pessoas distraídas que nem se deram conta de que surgia um novo nome no mundo da internet,apresso-me a usar mais este modismo que invade os nossos computadores,IPads etc.

 

O conceito de meme foi criado pelo zoólogo e escritor Richard Dawkins em 1978,ao escrever o livro “The Selfish Genre” (o Gene Egoísta). Tal como o o gene,o meme é uma unidade de informação com capacidade de se multiplicar,por meio de ideias e informações que se propagam de indivíduo para indivíduo. Os memes constituem vasto campo de estudo da Memética. Sua ideia pode ser resumida por tudo aquilo que é copiado ou imitado e que se espalha com rapidez entre as pessoas. Como a internet possui a capacidade de abranger milhares de pessoas em alguns instantes,os memes da internet são virais.

 

E já podemos,usando meme,ligá-lo ao que aconteceu com Aécio Neves,em Minas Gerais. O candidato teve de suportar memes que zombavam do resultado de,na terra dele,já haver perdido uma eleição para o rival Patrus Ananias,em 1992.Permitam-me comparar o que aconteceu agora no seu confronto com Dilma. Digamos que,em Minas Gerais,Aécio Neves imaginava poder imitar o Cruzeiro e que Dilma,mesmo contando com os votos dos nordestinos,cujos times são muito inferiores ao mineiro, líder do Brasileirão, perderia para ele. O Aécio-Cruzeiro chegou ao final da eleição superado pela atual Presidente por 500 mil votos. A partir de agora,pelo sim pelo não,o melhor é demonstrar respeito pelas Dilma-equipes do Nordeste. Muito cuidado,já que quem tentar diminuí-las,pode ser acusado de cometer crime racial.

 

Ao lado ou,no mínimo perto das notícias que li na internet antes de compor este texto,há uma outra,além do meme,que me deixou irritado: “Itália nega extradição e Pizzolato ganha liberdade”. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil foi condenado a 12 anos e sete meses de prisão. Pelo jeito, entretanto,Pizzolato vai,salvo melhor juízo(não leve isso como trocadilho)continuar na Itália. Trata-se de mais um ganacioso,incapaz de viver com o belo salário que o BB lhe pagava. Talvez consiga ficar na Itália porque está doente e não existem,no Brasil,presídios em condições de o receber.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Pia Mancini: como trazer o cidadão para a política na era da internet

 

 

Foi Bel Pesce, do Caderninho, quem provocou o tema ao lembrar o trabalho da argentina Pia Mancini, ativista política que lançou aplicativo que permite o acesso direto do cidadão com seu representante no parlamento. Com dificuldade para propor aos políticos de sua terra, ela própria mobilizou-se para fundar um partido e se lançou candidata com a proposta de apresentar e votar projetos conforme decisão direta de seus eleitores, que seria apresentada através do aplicativo. Através de sua plataforma móvel, Mancini quer trazer os cidadãos para o processo legislativo. Ela não se elegeu, mas seu aplicativo está no ar a espera de políticos dispostos a ouvir a opinião do cidadão.

Notas e observações: eleições 2014

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

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A não aprovação da Rede Sustentabilidade de Marina para impedir a sua candidatura foi um primeiro sinal de que o pleito que viria seria um vale tudo. Inevitável, diante de condições propícias como a corrupção e a manutenção por doze anos do mesmo grupo no poder. E ampliada com o fator inesperado da morte de Campos, que trouxe de vez a candidatura de Marina.

 

A disparada de Marina acionou uma artilharia pesada que levou Aécio ao segundo turno. O emocional se acentuou e a paixão dominou eleitores, candidatos e afins. A postura se transformou em descompostura, onde predominou o juízo de valor e se abandonou a técnica e a lógica. A metodologia das pesquisas e o reconhecimento dos jornalistas foram ignorados.

 

Um dos argumentos mais utilizados para criticar as pesquisas era que ninguém conhecia eleitor que tivesse sido pesquisado .Ora, tecnicamente conhecer um dos 2.000 a 4.000 pesquisados num universo de 144 milhões de eleitores é que seria um fato raro. Ao mesmo tempo, eleitores de Aécio diziam que havia erro nas previsões que apontavam a vitória de Dilma porque no seu ambiente quase todos iriam votar em Aécio, esquecendo “apenas” que existe a segmentação de mercado, e havia outro mercado que não votaria em Aécio. Já na apuração e apresentação dos resultados também se ignorou a segmentação, e o Brasil foi apresentado como um país dividido por região, embora o seja por segmento. Situação e oposição, estado por estado. Fato muito bem ilustrado no Facebook de Amanda Dassié onde encontrei o mapa acima estampado.

 

Entretanto, grave foi a combinação PT e PSDB de afastar os jornalistas dos debates pela TV. O resultado foram diálogos com dados a bel prazer dos candidatos, quando não insultos inflamados com informações manipuladas ou fora do contexto. Viraram “memes” como o da economista que perguntou como a Presidenta Dilma iria tratar o problema da mão de obra qualificada que não consegue colocação por causa da idade, e recebeu orientação para fazer o PRONATEC.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

E as ciclovias!? Vão bem, obrigado (por enquanto)!

 

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Esses dias, publiquei aqui no Blog texto no qual me referia ao esforço que devemos fazer para mudar nossos hábitos. Falava da atividade física e do mau costume que temos de voltarmos ao sedentarismo duas semanas depois de feita a inscrição na academia mais próxima de casa. Pesquisas provam que precisamos de 66 dias para transformar uma ação em rotina. Lembrei-me disso ao ler e publicar o texto do colega de blog Julio Tannus no qual critica as ciclovias implantadas em São Paulo e a falta de planejamento na cidade.

 

Por anos nos acostumamos a usar o automóvel, meio de transporte privilegiado tanto pela forma como a cidade se espraiou sem que o sistema público conseguisse alcançar as franjas da capital quanto pelo incentivo à indústria automobilística. De maneira geral, nossas cidades transformaram-se em grandes aglomerados urbanos sem que suas administrações encontrassem formas de financiar a expansão necessária do transporte coletivo – e São Paulo é o exemplo mais bem acabado deste modelo (ou seria, mal acabado?). O resultado é o drama diário de paulistanos que passam parte do dia emperrados no trânsito enquanto tentam se deslocar de casa para o trabalho, do trabalho para a escola, e vice-versa.

 

Desconstruir essa lógica da cidade, convidando as pessoas a deixarem o carro em casa e em troca oferecendo sistema de ônibus e metrô mais eficiente e espaço para bicicleta, é tarefa para muito mais do que uma gestão. Um costume que exigirá investimento e envolvimento em ações conjuntas do poder público e privado. Imagino que ninguém têm a ilusão de que as faixas pintadas nas ruas e avenidas, seja para ônibus seja para bicicletas, resolverão esse problema. Porém, e aí começo a me distanciar do que pensa meu colega de blog, havia a necessidade de alguém disposto a dar a “pincelada” inicial.

 

A atual administração decidiu tomar para si a responsabilidade de implantar ciclovias como já havia feito com as faixas nem tão exclusivas de ônibus. Aposta que o número de ciclistas aumentará – como já se percebe em algumas vias – tanto quanto cresceu a velocidade dos coletivos. É verdade que se esqueceu de conversar com os cidadãos, o que poderia ter amenizado a reclamação inicial e evitado alguns atropelos e rotas impróprias. As faixas vermelhas, porém, servem de alerta aos motoristas de carro para algo que o próprio Código Nacional de Trânsito já prevê, mas nunca foi respeitado: o compartilhamento da via pública entre carros, caminhões, ônibus, motos e bicicletas. Em nenhum momento é exigida identificação dos ciclistas e da bicicleta, mas lhe é cobrado o respeito às leis de trânsito – mesmo porque a condução imprópria deste veículo tende a ser muito mais arriscada ao seu condutor do que a terceiros.

 

As dimensões e geografia de São Paulo devem servir muito mais de incentivo do que restrição para o uso da bicicleta. Com uma cidade deste tamanho (e altura) pode-se, por exemplo, pedalar em trechos menores e medianos, reduzindo a frequência com que usamos o carro, ou integrá-la ao transporte coletivo, como ocorre em algumas estações.

 

O que mais prejudica a implantação das faixas de ônibus e de bicicleta é a falta de confiança do cidadão no poder público. Poucos creem que as medidas persistirão e apostam que assim que a tinta começar a desbotar as boas intenções permanecerão apenas na propaganda de governo. Prevêem que as faixas de ônibus nunca se transformarão em corredores exclusivos, e as de bicicleta logo estarão tomadas por todo tipo de obstrução. E têm motivos para isso: nossa história, como o próprio Tannus, descrente, descreve em seu texto, está cheia de bons planos nunca executados e execuções mal planejadas.

 


Não deixe de ler o texto do nosso colunista Julio Tannus que gosta muito de bicicleta, mas não de como estão nossas ciclovias

E as ciclovias!?

 

Por Julio Tannus

 

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Trabalhei desde 1975 com o sistema de transportes na cidade de São Paulo: SISTRAN – Sistema de Transportes para a cidade de SP, no governo Olavo Setúbal na Prefeitura e Paulo Egídio Martins no Estado. Participei de projetos no Metrô e coordenei projeto para um novo sistema de trólebus. No governo Franco Montoro (governador) e Mário Covas (prefeito) atuei no projeto Participação e Descentralização.

 

Tudo engavetado!

 

Mudam-se os personagens e a peça é outra! O que é preciso mudar é essa estrutura política infame!

 

Lutei ferozmente, enquanto presidente e fundador da Sociedade Amigos da Região da Praça-do-Pôr-do-Sol para um novo Plano Diretor para a cidade de São Paulo, no governo Marta Suplicy: só faltou sair tiros, não fosse a intervenção da polícia, pois em uma das reuniões descobriu-se que o lobby imobiliário havia “comprado” alguns participantes para que votassem a favor de seus interesses.

 

Falando das ciclovias: essa medida é totalmente irresponsável, pois não há nenhum controle sobre as bicicletas, não se tem qualquer registro de quem é o proprietário, de quem está dirigindo, e assim por diante. Afora a questão da (in)segurança: se somos assaltados dentro de nossos carros, o que dirá em cima de uma bicicleta!

 

E há quem a defenda, citando como referêcia algumas cidades europeias. Amsterdã, por exemplo, é uma cidade totalmente plana, com uma população incomparavelmente menor e socialmente diferente da nossa.

 

E as ciclovias foram construídas nesse período totalmente atípico de falta de chuva.

 

Como diz o sociólogo Zygmunt Bauman sobre os dias atuais, quando, na visão dele, a experiência e a maturidade não têm mais vez: “aprender com a experiência a fim de se basear em estratégias e movimentos táticos empregados com sucesso no passado não funciona mais”.

 


Julio Tannus é Consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier)

Meu irmão é filho único, o filme

 

Por Biba Mello

 

Olá, quero começar minha vida nesta coluna me apresentando…Meu nome é Gabriela Moreira Mello, mas gostaria que me chamassem de Biba Mello, pois é assim que meus amigos se referem a mim. Sou paulistana, diretora de cinema, mãe de um pequeno de três anos e casada há cinco. Tenho 37 anos recém completados, sendo destes anos, vinte e um dedicados ao cinema publicitário. Vou dirigir meu primeiro longa metragem em breve, uma comédia escrita por mim intitulada “Celulite”. Falarei sobre cinema e assuntos femininos, minhas duas grandes paixões. Com o tempo, perceberão que meus textos serão balizados principalmente pelo humor. Mesmo na tragédia, busco a comédia…E para começar nossa história, indico um filme perfeito para nosso momento político atual, acredito que ele ilustra minha personalidade e coloca em discussão o fanatismo político.

 

FILME DA SEMANA:
“Meu irmão é filho único”
Um filme de Daniele Luchetti.
Gênero: comédia dramática.
País:Itália/França

 

 

Accio, o condutor dos conflitos deste filme, é o irmão mais novo de uma família sulista. Ele estuda e mora em um seminário, questiona abertamente os dogmas da igreja e acaba sendo expulso, tendo que voltar a conviver com os “seus”. Sua ideologia é Facista, o que acaba gerando sérios problemas com seus familiares, comunistas fervorosos. Seu irmão Manrico é seu oposto. Operário comunista, galanteador nato, e namorado da que vem a ser o seu grande amor, a bela Francesca. O filme é um baile virtuoso! A direção é imperceptível, de tão perfeita, e a atuação genial!

 

Por que ver: é um filme italiano delicioso e que mostra o absurdo de qualquer fanatismo e o perigo da intolerância(qualquer semelhança com a realidade não é coincidência). Perfeito para nosso momento político atual… A despeito disso, se você assim como eu, tiver uma família italiana totalmente louca como a minha(desculpe tias, tios e primos, mas é a realidade), a identificação será imediata, e o fará comprar o DVD( lembrem de mim “no tapa na nuca” …Impagável!). E por último, mas não menos importante, é a trilha sonora, ah que delícia de trilha!!! (clica no vídeo abaixo, enquanto lê o restante do texto)

 

 

Como ver: Dopo il pranzo della domenica! Depois do almoço de domingo! Sim…Depois daquela vitela com macarrão que vai te empanzinar maravilhosamente, te convido a assistir a esta obra de arte do cinema italiano. Mais perfeito impossível.

 

Quando não ver: com o seu filho aborrecente! Nesta fase sabemos que esses “seres” adoram nos irritar e portanto ele/a talvez achem linda a rebeldia do Accio ou Manrico, e provavelmente tentarão imitá-lo para a sua desgraça! Ou, então, com aquele seu amigo que só gosta dos blockbusters americanos e se sente incomodado quando algo menos raso venha à baila( não que eu não goste…adoro filmes água com açúcar e “homens aranhas”da vida, mas não só isto).

 

Até semana que vem querido leitor!
Um tapa na nuca para você!

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Escreve no Blog do Mílton Jung, a partir de hoje, a qualquer momento em sessão de cinema extraordinária. (na verdade, eu iria definir um dia da semana melhor, mas estava muito ansioso para publicá-la)

Avalanche Tricolor: um momento de transição

 

Coritiba 1 x1 Grêmio
Campeonato Brasileiro – Couto Pereira (PR)

 

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Meu filho mais velho completou 18 anos, nesse sábado. A data é especial para todo e qualquer jovem, talvez o mais simbólico momento de transição. É quando a vida parece nos entregar um certificado de responsabilidade mesmo que ainda tenhamos tantas incertezas sobre nosso comportamento. Somos adolescentes em um corpo de adulto, com deveres de adultos mesmo que nossa personalidade ainda não esteja amadurecida. Em algumas famílias, é o instante em que o pai puxa a cadeira, chama o filho para sentar à sua frente e em um ritual de passagem transmite-lhe toda a responsabilidade que será assumida a partir daquela data, talvez porque não tenha dedicado parte do seu tempo a ensinar-lhe com gestos e atos. Aqui em casa, nossas conversas são frequentes seja com o mais velho seja com o mais novo. Angústias e medos são compartilhados da mesma forma que alegrias e atitudes na busca de nos anteciparmos aos problemas que possam surgir – e eles sempre surgem. Há surpresas inevitáveis para as quais temos de ter discernimento para decidirmos o melhor caminho ou aquele que causará menos perdas. Com preparo – ou aquilo que, em família, consideramos ser preparo – cruzar a linha dos 18 anos deixa de ser uma transformação. É uma evolução.

 

Diante do jantar que organizamos para comemorar a data, a partida do Grêmio, em Curitiba, ficou em segundo plano – tenho certeza de que você, caro e raro leitor desta Avalanche, entenderá minha posição de colocar a família acima de todas as outras coisas. Cheguei assistir ao primeiro tempo na televisão quando detalhes de cada jogada mostravam a dificuldade para conter o ataque adversário, especialmente com a chuva que se intensificou quando ainda tínhamos o domínio do jogo, apesar de não transformá-lo em lances de gol – o que, aliás, é uma constante no nosso time. A caminho do restaurante onde os padrinhos do aniversariante nos esperavam, a solução foi o aplicativo para celular de uma das rádios gaúchas que transmitiam a partida, no Paraná. Pelo empolgação do narrador, percebia-se que a forma de jogarmos havia mudado em relação aos primeiros 45 minutos.

 

Um dos aspectos que me chamaram atenção é que a medida que a responsabilidade aumentava, com os adversários diretos na tabela fazendo seus resultados e o tempo do jogo se encerrando, Luis Felipe Scolari buscava soluções no banco de reservas, e a mão de obra disponível era relativamente jovem. Alan Ruiz, que voltou com o time já do intervalo, tem 21 anos e muito a ver com a mudança na nossa forma de jogar no segundo tempo – substituiu o volante Biteco de apenas 19 anos, mesma idade de Nicolas Careca que entrou no lugar de Dudu (22 anos). Tem 19, também, Erik que saiu jogando (demonstra ter muita qualidade) e foi substituído por Lucas Coelho, um ano mais velho apenas e autor do principal lance de ataque antes do gol. Só por curiosidade: Bressan na zaga e Ramiro no meio, desde o início em campo, têm 21 anos, também. Ou seja, um time claramente em renovação, em transformação, o que torna nossos desafios mais difíceis.

 

No momento em que cheguei a meu destino faltavam menos de 10 minutos para a partida se encerrar. Por respeito aos convivas, desliguei o rádio/celular e resolvi entregar nas mãos dessa legião de jovens a tarefa de nos manter na busca por uma vaga na Libertadores. Desliguei-me de coração, também, para me dedicar por completo ao momento de alegria do meu filho. Como sabe quanto gremista sou, ele voltou-se para mim com palavras de esperança: deixa que os guris resolvem, pai.

 

O jantar foi excelente, pratos e bebidas bem servidos e saborosos, conversa e lembranças emocionantes. O placar do jogo somente me foi apresentado algum tempo depois quando recebi ligação do meu pai que estava em Porto Alegre. Curiosamente em um time tomado de garotos, soube que dois velhinhos, Pará com um lançamento para dentro da área e Riveros se agachando para conseguir cabecear a bola, ambos com 32 anos, protagonizaram o gol de empate que nos manteve na disputa.

 

Um brinde a eles (e ao meu filho, também)!

Lei que proíbe prisão antes da eleição está ultrapassada

 

Por Antonio Augusto Mayer dos Santos

 

A vedação de prisão de eleitores nos períodos imediatamente antecedentes e seguintes à realização dos pleitos, descontadas as exceções previstas, vigora desde o Decreto nº 21.076, de 24 de fevereiro de 1932.

 

O texto em vigor estabelece o seguinte: “Nenhuma autoridade poderá, desde 5 (cinco) dias antes e até 48 (quarenta e oito) horas depois do encerramento da eleição, prender ou deter qualquer eleitor, salvo em flagrante delito ou em virtude de sentença criminal condenatória por crime inafiançável, ou, ainda, por desrespeito a salvo-conduto”.

 

Esta redação legal, mantida praticamente inalterada ao longo de mais de oito décadas, esgotou-se. Não poderia ser diferente em relação a um instituto jurídico que remonta ao nefasto período do Estado Novo. Entre os segmentos de juristas e estudiosos, predomina o entendimento de que a interpretação literal do artigo 236 do Código Eleitoral colide com o direito de segurança pública guindado a patamares constitucionais pela Carta de 1988.

 

Como era de se imaginar, o Brasil tem eleições periódicas, passou de país agrário a urbano e a sua população superou os 200 milhões de habitantes. Contudo, este cenário implicou numa violência crescente e acompanhada de índices de criminalidade alarmantes. Delitos e criminosos não cessam mas gozam de uma tolerância legal absolutamente estarrecedora.

 

É diante dessa dura realidade que a regra eleitoral se mostra anacrônica ao restringir, senão obstruir, o trabalho de policiais, tribunais, promotores e juízes, além de reforçar a sensação de impunidade. Sua redação é lírica diante do cenário de guerra urbana que conflagra o cotidiano nacional.

 

O texto vigente exige alargamento para incluir outras hipóteses de prisão e adequação à realidade, ou seja, ao direito de segurança pública estabelecido em nome e em função da coletividade. Se as diversas proposições legislativas visando alterá-lo criam bolor no Congresso Nacional, que os integrantes da próxima legislatura tenham o bom-senso de votá-las. Afinal, “vivemos, atualmente, um período de normalidade político-institucional, com ampla liberdade de imprensa e com significativa participação popular, de sorte que não há mais espaço para normas dessa natureza”, sintetizou o bem fundamentado Projeto de Lei nº 5.005/13.

 


Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor dos livros “Prefeitos de Porto Alegre – Cotidiano e Administração da Capital Gaúcha entre 1889 e 2012” (Editora Verbo Jurídico), “Vereança e Câmaras Municipais – questões legais e constitucionais” (Editora Verbo Jurídico) e “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Escreve no Blog do Mílton Jung.