Prefeitura quer combater bullying pagando cirurgia para orelha de abano

 

Por Milton Ferretti Jung

 

O jornal Zero Hora,em reportagem divulgada no dia 13 de março,refere-se a uma controvérsia provocada por decisão da prefeitura de São José,cidade catarinense:a de custear operações plásticas em crianças que sofrem deboche porque possuem o que,popularmente,é chamado de orelhas de abano. Adeliana Dal Pont,prefeita do município e autora da ideia,afirma que a ortoplastia – esse é o nome da cirurgia destinada a corrigir o que não chega a ser um defeito congênito,mas talvez crie problemas para o desenvolvimento escolar de crianças sensíveis aos debochadores existentes,especialmente,em colégios que não lidem com o necessário rigor visando a evitar tal tipo de abusos.A opinião contrária à da prefeita Adeliana,ouvida pelo jornal gaúcho,psicóloga Carolina Lisboa,professora da PUC,especialista no tema,do alto de sua sabedoria,afirma que a cirurgia não acaba com o “bulling” . Escrevo essa palavra inglesa,me desculpem,com reservas,talvez porque, no meu tempo, os termos estrangeiros eram grafados com aspas e,hoje,inúmeros deles são tratados como coisa nossa. Aliás,fico mais danado com a maneira híbrida adotada pela maioria da mídia para postar o nome de uma das principais cidades dos Estados Unidos: “Nova York”. Por que não Nova Iorque ou New York. Mas o meu assunto neste texto é o que prefiro chamar de deboche.

 

Retorno a ele por achar necessário opinar sobre a controvérsia causada pela prefeita de São José. Tenho lá minhas dúvidas a respeito,também,do que pensa outra especialista na questão.Débora Dalbosco Dell´Aglio,professora do Instituto de Psicologia da UFRGS,entende que o procedimento não combate de maneira efetiva a agressão e,pelo contrário,chama muita atenção para essa espécie de situação.

 

Acho que é bem mais fácil pagar a cirurgia de crianças com orelhas de abano,que sofram nas mãos dos debochados,do que os dicionaristas brasileiros descobrirem um substituto para “bulling”(do inglês Bulli + valentão). Essa,vá lá,refere-se a todas as formas de atitudes agressivas,verbais ou físicas,intencionais ou repetitivas,que ocorrem sem motivação evidente e são exercidas por um ou mais indivíduos,causando dor e angústias,com o objetivo de intimidar ou agredir outra pessoas incapazes de se defender. Eu cheguei a imaginar que “bulling” viesse de “Bull” (touro,em inglês),eis que,em geral,os seus contumazes praticantes são mais fortes do que as suas vítimas.

 

Manifesto pela preservação das Zonas Exclusivamente Residenciais em SP

 

Incentivado pelo artigo escrito pelo colunista Carlos Magno Gibrail, na quarta-feira, neste bLog, com o título “O que a falta de água tem a ver com o Plano Diretor”, aproveito para reproduzir o manifesto pela manutenção, preservação e proteção das Zonas Exclusivamente Residenciais no Plano Diretor Estratégico da Cidade de São Paulo, a ser discutidona Câmara Municipal. O texto já tem a assinatura de cerca de 40 entidades.

 

Leia, reflita e apóie (se considerar importante):

 

Ao ensejo da elaboração do novo Plano Diretor Estratégico da Cidade de São Paulo, as sociedades, associações e entidades representativas das Zonas Exclusivamente Residenciais – ZER, que este subscrevem, apresentam suas razões para a manutenção, preservação e proteção das Zonas Exclusivamente Residenciais – ZERs, seja como elementos de excelência urbanística no campo do planejamento urbano, seja como elementos essenciais derivados desses projetos do espaço urbano, de qualidade inegável na prestação de serviços ambientais no ecossistema urbano, promovendo equilíbrio ambiental e redução dos impactos urbano-ambientais nocivos, promovidos pelo padrão mercantil de ocupação e de expansão da mancha urbana.

 

Nesse sentido, se destaca a importância do conceito urbanístico inerente às áreas exclusivamente residenciais, de estreita relação com o meio ambiente, cuja natureza jurídica figura no âmbito do direito difuso, conforme já definido no próprio texto do atual Plano Diretor Estratégico (Lei 13.430/02).

 

Por sua vez, a Lei 13.885/04, na sua Parte II, nos Planos Regionais Estratégicos, trata como política pública protetiva e preservacionista manter e promover os bairros com características exclusivamente residenciais. O atual Plano Diretor dispõe sobre a preservação e a proteção das áreas estritamente residenciais e das áreas verdes significativas e a manutenção do zoneamento restritivo dos bairros estritamente residenciais, que devem ser mantidas.

 

Dessa forma, resta claro que as Zonas Exclusivamente Residenciais integram a política pública de planejamento urbano do Município de São Paulo. Essas áreas estão incorporadas no patrimônio jurídico da cidade e de cada cidadão, de interesse público urbanístico e ambiental, com tal relevância para a sustentabilidade urbana–ambiental do território que seu tratamento na revisão do planejamento urbano somente poderá se dar através da criação de novos instrumentos normativos para assegurar ainda sua maior proteção e defesa, como a criação de Áreas de Amortecimento dos Perímetros das ZERs e a revisão das Zonas de Centralidade Linear a fim de aumentar do grau de restrição no uso e ocupação, pois alguns desses corredores, principalmente aqueles localizados no miolo das ZERs são altamente impactantes, promovendo, ao contrário da desejada preservação, a degradação desses espaços especialmente protegidos e seus benefícios urbanos e ambientais em prejuízo da coletividade.

 

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O que a falta d´água tem a ver com o Plano Diretor de São Paulo

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

No momento em que as atenções estão voltadas ao problema da seca, a capital paulista reinicia, provavelmente semana que vem, na Comissão de Política Urbana, a discussão do Plano Diretor da cidade. Nada melhor para aproveitar a ocasião e enfatizar os necessários cuidados com as áreas de mananciais. Fato que não passou despercebido no CBN São Paulo de segunda feira, quando Fabíola Cidral entrevistou o relator da Comissão, Nabil Bonduki, vereador e professor, com “doutorado” neste Plano Diretor, com participação ainda do cientista político Fernando Abrucio.

 

A contribuição do programa ao Plano Diretor veio através do apoio dos entrevistados ao novo gabarito máximo proposto pelo Prefeito de 25 metros para as edificações verticais e limitando-o proporcionalmente às demais áreas. Ao mesmo tempo em que foi sugerido para os 400km2 de área de preservação, que correspondem a quase 30% do município, normas e controles que preservem efetivamente. E, premiar através de pagamento os que contribuem mantendo intactas áreas naturais. Ainda sob o aspecto ambiental a proposta é urbanizar zonas não urbanizadas e reconstituir a zona rural.

 

Neste contexto, as ZERs, zonas exclusivamente residenciais também são contribuintes imprescindíveis ao meio ambiente. Aspecto significativo, pois sempre estão na mira do adensamento pelo potencial construtivo e infelizmente destrutivo em vários casos.

 

A defesa das ZERs especificamente direcionada às discussões está sendo realizada pelas entidades que representam os habitantes das áreas assim classificadas. Com o intuito de obter um substitutivo estão encaminhando um manifesto pela manutenção, preservação e proteção das ZERs. Onde pleiteiam o reconhecimento da excelência dos bairros residenciais e impõe sua preservação, através do controle do processo de adensamento e da saturação viária, mantendo o zoneamento restritivo. Chamam a atenção aos corredores comerciais e pedem que as restrições convencionais de loteamentos aprovados pela Prefeitura sejam atendidas quando forem mais restritivas que a disposição da nova lei.

 

Tudo indica que terão forte trabalho pela frente, embora já possuam experiência suficiente para estes embates, nem sempre vitorioso para seu lado. É o social e o econômico às vezes desequilibrado pela lei eleitoral que permite o patrocínio das pessoas jurídicas.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.


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Conte Sua História de SP: a maravilhosa Vila Pompeia

 


Por Denilson Claro
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Nasci em 1966 no Hospital Beneficência Portuguesa, Vila Mariana, fui batizado na Igreja de São Judas Tadeu, próxima ao Jabaquara e de todos os anos de minha vida, mais de trinta passei no bairro de Vila Pompeia, zona oeste da capital, mais especificamente na Rua Raul Pompeia, em uma casa na qual meus pais ainda moram. Mais Paulistano impossível.

 

Tenho muita saudade deste que foi meu antigo bairro de infância, adolescência e juventude no qual cresci, estudei e fiz grandes amigos.

 

Sou de um tempo em que aos domingos tudo fechava incluindo os postos de gasolina. Tudo ficava muito silencioso, menos em dias de jogos. Quando brincávamos na rua escutávamos os vizinhos torcendo assistindo suas tevês dentro de suas casas. Sim casas e de muros e portões baixos, pois hoje este bairro recebeu a intensa verticalização que veio das Perdizes e os bares e restaurantes que vieram da direção da Vila Madalena.

 

Um tempo que brincávamos na porta de casa fosse de esconde-esconde (e não valia se esconder na garagem dos outros, apenas atrás dos carros ou em cima das árvores) ou então competindo na contagem de cores dos Fuscas, Kombis e Corcéis que passavam, sempre de forma bem espaçada, pela rua. Tempo que a frota de veículos era de pouco menos de um milhão de veículos e hoje passam de sete milhões.

 

Um tempo em que com meus onze anos ganhei a “liberdade” de ir a pé a escola que ficava pouco mais de três quadras de casa na então “semi tranquila” Avenida Pompeia. Hoje vendo meu filho com esta exata idade, sinceramente não creio ter a coragem de dar a mesma liberdade de locomoção que meus pais me deram na época.

 

Conhecíamos cada vizinho pelo nome e pela história de vida. Jogávamos bola em uma pequena e tranquilíssima rua próxima chamada Taipas, na qual fiz grandes amigos. Marcávamos o campo com tijolo e valia a famosa tabelinha com os muros das casas.

 

Naquele tempo, nem era preciso planejar grandes viagens nas férias escolares, pois no dia seguinte ao término das aulas, cada rua do bairro se transformava em um recanto de amigos conversando, andando de bicicleta, jogando futebol ou até mesmo bola de gude em algum terreno vazio.

 

Poderia me estender e contar de cada rua e cada estabelecimento, mas infelizmente não há tempo nem espaço aqui para contar, mas guardo todos em meu coração.

 

Tudo passa, São Paulo mudou e a Pompeia não foi exceção, muito pelo contrário. Os edifícios cada vez mais repletos de infraestruturas de lazer colocam os garotos de hoje atrás dos muros. Amizades hoje só na escola – amigos de bairro, ou de rua estão praticamente extintos na capital. Vizinhos? Morando nos edifícios, mal encontramos nosso vizinho de frente.

 

Por fim, minha vida neste maravilhoso e inesquecível bairro da capital, deixou marcas e muita, muita saudade.

 


O Conte Sua História de São Paulo é sonorizado pelo Cláudio Antônio e vai ao ar aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP. Você pode contar mais um capítulo da nossa cidade enviando seu texto para milton@cbn.com.br ou agendando entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.

Avalanche Tricolor: torcendo contra o racismo

 

Grêmio 3 x 1 Passo Fundo
(São Luiz 2 x 2 Grêmio)
Campeonato Gaúcho

 

 

Escrevo antes mesmo de a partida deste domingo ter se iniciado, pois, convenhamos, se é para falar de jogo jogado, o que nos interessa, nesta maratona que encaramos, é a quinta-feira, dia 13 de março, quando teremos o New’s Old Boys como adversário, na Arena Grêmio. Independentemente dos resultados desses últimos jogos, inclusive o de sexta-feira, sobre o qual sequer dediquei uma Avalanche – apesar de todo o meu respeito aos jogadores que estiveram em campo – , temos é que repetir o desempenho que entusiasmou o torcedor, na próxima rodada da Libertadores. O Campeonato Gaúcho, por enquanto, está bem resolvido com nossa presença garantida na fase eliminatória. Antecipo-me na escrita mesmo porque o assunto ao qual quero me dedicar pouco tem a ver com a bola rolando e muito mais com que nós somos ou queremos ser.

 

Hoje cedo, na missa dominical, na paróquia da Imaculada Conceição, próxima de casa, encontrei o Pe. Jose Bertoloni, meu conterrâneo e torcedor do Grêmio. E posso lhe garantir que frequentar as missas de um padre gaúcho e gremista, aqui em São Paulo, não passa de coincidência (eu juro que é uma coincidência). Ele acabara de celebrar a cerimônia e, como sempre fazemos, trocamos algumas rápidas palavras de despedida. Ao contrário das vezes anteriores, porém, o recado do Pe Bertoloni não tinha o tom otimista que sempre emprega quando se refere ao nosso Grêmio. Ele me chamou atenção para a tristeza que sentia desde que soube, pela rádio CBN, do incidente racista que havia ocorrido em Bento Gonçalves, cidade em que nasceu e onde alguns dos seus parentes ainda moram. Imagino que você tenha ouvido falar dos insultos proferidos contra o árbitro Márcio Chagas da Silva por torcedores do Esportivo, durante partida contra o Veranópolis, no estádio Montanha dos Vinhedos, pelo Campeonato Gaúcho, quarta-feira à noite. Além de chamá-lo de macaco, alguns estúpidos sujaram com bananas o carro do árbitro que estava estacionado do lado de fora do estádio. O acontecimento se deu um dia antes de torcedores do Mogi Mirim usarem as mesmas palavras ofensivas contra Arouca, do Santos, no interior paulista.

 

É bem provável que os dois casos que mancharam a semana futebolística avancem pouco, quando muito serão publicados alguns artigos reprovando a atitude dessas pessoas, proferidas palavras de apoio às vítimas e, na melhor das hipóteses, alguma punição sem consequência será anunciada. Sem precisar muito esforço, vamos nos lembrar do que aconteceu com Tinga, do Atlético Mineiro, alvo de ofensas racistas, em partida contra o Real Garcilaso, no Peru, pela Libertadores. Faz pouco mais de um mês e até agora os torcedores e o clube não sofreram nenhuma sanção. Independentemente do que vier ocorrer, porém, é fundamental que esses casos nos ajudem a refletir sobre estes atos inaceitáveis. É preciso entender que isto não é parte apenas do futebol, pois não se leva para a arquibancada comportamento diferente daquele que cultivamos no nosso cotidiano. Acreditar que existe uma conduta no estádio e outra na rua é querer esconder um desvio grave da nossa sociedade que pode ser percebido no mercado de trabalho e na sala de aula, apenas para ficar com dois exemplos mais conhecidos.

 

Como o futebol, porém, é um componente importante na formação do caráter da sociedade brasileira, e não apenas consequência deste, se poderia usar o esporte para corrigir este comportamento, assim como Nelson Mandela fez com o rugby para reduzir diferenças profundas que persistiam na África do Sul pós-apartheid. Nos discursos oficiais, há uma tentativa de transformar a Copa do Mundo no Brasil em um grito contra o racismo, mas será preciso muito mais do que isso. Os clubes poderiam começar a educar seus torcedores sobre o papel primordial dos negros na nossa história. Lá mesmo em Bento Gonçalves, cenário de cenas racistas na quarta-feira, no início do século passado, surgia o primeiro clube genuinamente negro a excursionar pelo interior gaúcho, batizado, aliás, com o nome da cidade. Como gremista me orgulho de saber que a estrela dourada que faz parte de nossa bandeira oficial é homenagem ao lateral Everaldo, tricampeão mundial pelo Brasil, assim como o hino que cantamos foi escrito por Lupicínio Rodrigues – dois ícones negros em suas artes.

 

A tristeza do Pe. Bertoloni deve ser compartilhada por todos nós que acreditamos na igualdade e no respeito ao próximo, mas tem de ser seguida por atitudes afirmativas. É preciso estarmos convencidos da ideia de que, sim, somos brancos, somos pretos, e, no caso dos gremistas, também somos azuis.

De evolução

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

tenho vivido muitas vidas
nesta vida
ciclos e ciclos e mais ciclos
e ainda outros
vou viver
círculos perfeitos

 

Máquina de lavar a roupa, de secar a roupa e mais uma de lavar a louça – e secar! Geladeira, congelador, fogão elétrico, fogão a gás, forno de micro-ondas, forninho elétrico, toalha descartável, triturador de todo calibre, batedeira, liquidificador que liquidifica – e coa! – o que quer que seja. Chá em saquinho, café em cápsula, açúcar em gota e leite em pó.

 

Banheiro individual com descarga e chuveiro quente e frio, segundo o gosto e a carteira do freguês. Aparelhos de televisão espalhados pelos cômodos da casa, feito abajures de leitura. Um para cada um. Tevê que se mede em polegadas, e eu ainda não entendi. Por que não se mede em centímetro? Internet, tevê a cabo, satélite espalhado por todo o céu, cano enterrado nas entranhas da Terra, computador de todo tamanho: de mesa, de colo, de mão, de cabeceira, do trabalho e o de casa. De toda cor, feitio, originalidade e custo. Como os carros e todo o resto que se pode comprar.

 

Celular cada dia mais sofisticado substitui no dia a dia a máquina fotográfica, o telefone atado à parede, o correio, todos os outros computadores e seus armazenamentos de dados – nas nuvens! e ainda decide o caminho que vamos tomar.

 

Qual?

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo entrevista Sérgio Nogueira, RH da Kimberly-Clark

 

˜O resultado vem das pessoas, o que elas fazem, o que elas produzem, o que elas acreditam; interferem imediatamente nos resultados, no clima; então, o principio é: se eu confio na empresa, se eu confio nos lideres, se eu sei para onde esta empresa vai, e se eu posso contribuir e se a minha opinião é importante, eu vou dar o máximo” A afirmação é de Sérgio Nogueira, diretor de Recursos Humanos da Kimberly Clark em entrevista ao jornalista Mílton Jung do programa Mundo Corporativo da CBN. Nogueira fala das estratégias usadas para criar um espírito de equipe em uma empresa que tem cinco mil funcionários espalhados em cinco fábricas e três centros de distribuição no Brasil. Recentemente foi anunciada a troca de comando do grupo com a chegada do colombiano Sérgio Cruz que substitui João Damato, um momento de transição que exige do setor de recursos humanos cuidados especiais, principalmente em relação a comunicação.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo e em primeira mão, às quartas-feiras, a partir das 11 horas, no site da Rádio CBN, com participação pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN.

Bentley: o bom gosto dos automóveis britânicos também na perfumaria

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

A montadora britânica Bentley Motors dá sequência a sua estratégia de expansão em produtos lifestyle com a introdução de sua mais recente fragrância masculina, Azure. Depois do sucesso da Bentley for Men, a tradicional montadora de automóveis de luxo agora tem mais um perfume com o intuito de atingir a um público maior de consumidores. Não é a primeira vez que a Bentley amplia sua marca para novas linhas de produto. Além de seus icônicos automóveis, desejados ao redor do mundo, o nome da empresa já está em bolsas, óculos de sol, perfumes e mobiliário doméstico.

 

A extensão de produtos no mercado do luxo é cada vez mais presente e, na verdade, inevitável para boa parte das marcas, principalmente pelo fato de que estas precisam atingir os resultados financeiros necessários e desejados como qualquer outra empresa, seja ela com foco no luxo ou não. Nesse caso, implementando linhas de produtos considerados como luxo acessível, a marca pode atingir um número bem maior de pessoas do que somente os consumidores potenciais de seus automóveis – é o que consideramos ser o luxo aspiracional.

 

O importante é manter uma gestão rigorosa e seletiva de distribuição de produtos, sempre se preocupando com a comunicação que deve ser feita de forma seletiva e, principalmente, criando categorias alinhadas ao conceito da marca. É necessário, também, que se conserve o alto nível de relacionamento do público com a marca. A expansão realizada sem critério confunde o que a marca representa, afetando a sua imagem e o seu valor perante o público-alvo.

 


Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: torcedor está entusiasmado com o time

 

Cruzeiro 0 x 0 Grêmio
Gaúcho – Vieirão/Gravataí

 

 

O cartaz na mão da torcedora pedindo Barcos na seleção só percebi ao conferir as fotos publicadas no site oficial do Grêmio, nesta manhã. Deve ter aparecido durante a transmissão da TV, mas, confesso, não me chamou atenção, talvez porque estivesse mais preocupado em entender porque desperdiçamos tantos gols em uma só partida. De qualquer forma, a reivindicação da moça, que soa irônica diante do fato de o nosso atacante ser argentino e, claro, não ter a menor possibilidade de ser chamado pelo Felipão, demonstra o entusiasmo da torcida com o time neste início de temporada. Muitos amigos gremistas, por exemplo, não se cansam de me telefonar ou escrever por e-mail (ainda não inventamos o verbo emeiar, certo?) para elogiar Luan, que a cada partida revela-se melhor. Há os que preferem destacar o trabalho de Enderson Moreira, técnico que chegou sem tanta banca nem fama e tem imposto sua marca na forma de o time jogar.

 

A satisfação do torcedor faz sentido, pois apesar de sairmos de campo com um empate e sem marcar gols, ontem à noite, foi evidente o bom futebol demonstrado mais uma vez. Pode-se até lamentar os gols perdidos, mas é inegável que um time que finaliza 22 vezes e tem 17 oportunidades de marcar está produzindo bastante. Sem contar que no caso de ontem, o ponto conquistado foi suficiente para selar a passagem às quartas de final do Campeonato Gaúcho no momento em que estamos iniciando mais uma desrespeitosa maratona. Sim, desrespeitosa, pois um time que conquista o direito de representar o Brasil na Copa Libertadores não poderia ser punido pelo calendário como o Grêmio será, pois disputará seis jogos em apenas 15 dias. Para se ter ideia, amanhã, 48 horas após a partida com o Cruzeiro, em Gravataí, enfrenta o São Luis em Ijuí, e, no domingo, tem o Passo Fundo na Arena, antes do compromisso mais importante contra o Newell’s Old Boys, da Argentina, na quarta-feira, pela Libertadores.

 

Se por um lado nossos jogadores serão expostos a esse sacrifício, nós torcedores não temos o que reclamar: não faltarão partidas para vibrarmos com as boas jogadas do tricolor e, de preferência, com os gols que serão marcados.

O Carnaval dos aposentados

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Parte dos 30 milhões do total de aposentados do INSS deverá pensar em carnaval somente a partir de amanhã. Simplesmente porque recebem acima do salário mínimo nos primeiros dias do mês, e o INSS somente os pagará amanhã, sexto dia do mês. O contingente de aposentados que recebem no dia primeiro, por exemplo, está acostumado a ter seu crédito no sábado quando é o primeiro dia do mês, mas desta vez irá receber somente na quinta-feira, dia seis.

 

É verdade que esta é uma pequena indeferência, diante das acentuadas diferenças dentro do sistema de aposentadoria brasileiro. A começar pelo déficit de quase 60 bilhões para um milhão de aposentados do funcionalismo, enquanto o déficit para cobrir os 30 milhões de aposentados e pensionistas do INSS não chega a 50 bilhões. E essas discrepâncias não ficam nisso conforme elencou Ruy Altefender, presidente da APLJ Academia Paulista de Letras Jurídicas, em artigo na FOLHA de quinta-feira. Por exemplo, a média de ganho mensal entre os setores privado e público:

É bem verdade que estes “gaps” têm uma tendência a diminuir em função da EC14 de 2003, que acabou com a paridade entre servidores ativos e inativos, e da limitação de benefícios a partir de 2012, quando se estabeleceu que o optante pagasse mais pelo que quiser a mais. Entretanto, ainda há distorção na atualização monetária, pois o RGPS Regime Geral da Previdência Social aplicado à CLT tem apresentado índices de reajuste abaixo da inflação. Distorção esta que piora em muito aos que recebem acima do salário mínimo, pois além de abaixo da inflação, o reajuste a que fazem jus é inferior aos demais.

 

Aposentado, idoso e com valor acima do mínimo tem mesmo é que questionar e protestar. Na realidade a longevidade está cobrando um preço alto, pois as vagas especiais nos estacionamentos, as meias entradas, e as filas exclusivas nem de longe compensam planos de saúde sobretaxados e a atenção da família que muitas vezes vai diminuindo.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.