Conte Sua História de SP: o carnaval da Vila Esperança

 

Por Ana Maria dos Santos

 

Ana Maria dos Santos nasceu em 1956 em São Paulo. Quando criança, não conheceu seu pais. E uma série de coincidências curiosas a levaram a acreditar que finalmente havia revelado esse segredo. Ela contou sua história ao Museu da Pessoa, em janeiro de 2010.

 

 

Quando nasci, isso a mais de cinquenta anos, minha mãe estava sem condições e encontrou uma mulher muito bondosa para me criar. Essa senhora morava então na Rua Maria Carlota, na Vila Esperança. Essa rua ainda não havia sido asfaltada e, na época que asfaltaram, virou a alegria da molecada e a tristeza das mães, com surras e tudo, pois o danado do piche grudava em nós e em nossas roupas, dava o maior trabalho para tirar. Isso quando saía.

A filha da minha mãe de criação me batizou, era a minha madrinha muito querida, e de vez em quando eu falava que queria ter um pai. Às vezes, elas me arrumavam um (acho que era um parente distante do interior) e lembro que recebemos a visita da comadre que elas tanto falavam. Foi quando ela me contou que era a minha mãe verdadeira e que eu tinha de recebê-la (pensava que o nome dela era Rosa Maria?!).

A partir daí comecei a me esconder quando ela vinha me visitar. Eu simplesmente sumia. Até dentro de um cesto de vime enorme eu me escondia, tanto era o pavor que ela me levasse embora. Porém, aos meus sete anos ela teve que me levar para estudar num internato em Pinheiros. Aos onze anos, fugi com mais duas meninas, por causa dos maus tratos desse colégio de freiras, correndo a pé pela rua Cardeal Arcoverde, de Pinheiros até o Pacaembu. Foi tragicômico, pois a família que deu garantias que nos abrigaria, e era também o único lugar mais perto que eu sabia como ir, era do diretor da instituição.

Tudo isso para tentar voltar para minha Vila Esperança. Era fevereiro e eu queria também matar a saudade do meu querido e velho carnaval da infância, que subia pela Rua Evans e descia pela Rua Maria Carlota: as matinês, a batalha de confetes, eu tinha de ir.

Como naquela época eu não tinha muita proximidade física, afetiva, com minha mãe verdadeira e estava muita revoltada por causa da ida pro colégio interno, apesar dos esforços dela para fazer algo por mim, quase não conversávamos. Sabia muito pouco sobre ela, somente que trabalhava demais como empregada doméstica. Um dia, mexendo em seus documentos, li que seu nome era Maria Rosa!? Aí eu, muito infantil, quando escutei a música, marchinha de carnaval do Adoniran Barbosa, “Vila Esperança” – “Foi lá que conheci Maria Rosa, meu primeiro amor/Primeira Rosa, primeira esperança, primeiro carnaval, primeiro amor, criança”.

Criança!? Pensei: sou eu!! Pensei comigo: “Desvendei a segredo da minha mãe!” Que ilusão de mente fértil! Só dando risada mesmo. Mas a Esperança, o carnaval, ainda moram bem profundamente nesta velha criança. Por outro lado, até hoje não consigo cantar essa música inteira até o fim sem conter o choro. Nos últimos anos de vida da minha mãe, conseguimos restaurar muita coisa, principalmente a compreensão.

 

Ana Maria dos Santos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. O depoimento foi gravado pelo Museu da Pessoa. Você pode marcar uma entrevista em áudio e vídeo pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou enviar seu texto por escrito para milton@cbn.com.br

Avalanche Tricolor: foi uma várzea só!

 

São Paulo 2 x 1 Grêmio
Gaúcho – Aldo Dapuzo (Rio Grande)

 

 

A mais de 300 quilômetros da capital, Porto Alegre, e bem ao extremo do Estado, Rio Grande é cidade com vida própria, personalidade conquistada talvez pela posição geográfica e pela força econômica proveniente do porto. Foi, aliás, a primeira capital do Rio Grande do Sul. Lembro das viagens até Rio Grande na época em que jogava basquete pelo Grêmio, que só não eram mais desgastantes do que enfrentar o Ipiranga, time que levava o nome da petrolífera instalada na cidade e de relevância no esporte gaúcho. É de lá, também, o mais antigo clube de futebol em atividade no Brasil, o Sport Clube Rio Grande, fundado em 1900, vinte três dias antes da Ponte Preta, de Campinas. Apesar do feito histórico, o Rio Grande disputa, atualmente, a segunda divisão do Campeonato Gaúcho e o time de destaque na cidade é o São Paulo, assim batizado para homenagear o estado de origem de um de seus fundadores. Foi campeão gaúcho em 1933, coincidentemente vencendo o Grêmio por 2 a 1, mesmo placar da partida disputada no sábado de Carnaval. Pela qualidade do estádio e do campo, imagino que ambos sejam patrimônio daquele época também, pois há muito tempo não assistia a um jogo disputado em local tão impróprio e capaz de colocar em risco a integridade de atletas profissionais.

 

As arquibancadas acanhadas e abertas para oito mil torcedores não chegam a ser um escândalo, pois devem estar a altura do público que costuma assistir às partidas dos dois principais clubes da cidade. No sábado, foram pequenas para tanta gente, especialmente os gremistas que moram na cidade e queriam ver o clube pela primeira vez em 20 anos. Não conseguiram ver muita coisa, além de estar próximo de seus ídolos, já que o alambrado fica encostado na linha lateral, e, se agiram como eu diante da televisão, torceram tanto por uma vitória quanto para que nenhum dos nossos atletas deixasse o campo machucado. O gramado, não bastasse estar enxarcado pela chuva, tem uma quantidade inimaginável de buracos que impedem a troca de passe e surpreendem os goleiros a cada chute a gol. Há um trecho da intermediária em que a grama simplesmente morreu e levou junto a qualidade técnica do futebol jogado, o que talvez explique a dificuldade que o São Paulo está tendo para escapar da zona de rebaixamento. Verdade que ambas as equipes perdem diante deste palco, mas não há como pedir aos jogadores do Grêmio, que tem pretensões que vão muito além do Campeonato Gaúcho, que se exponham a riscos. Aliás, era de se rever a escalação da equipe neste sábado, pois atletas importantes para a campanha da Libertadores estiveram em perigo.

 

Dizer que o jogo foi disputado na várzea não é exagero. Campos de futebol na periferia de São Paulo, e creio que em Porto Alegre, também, têm gramado em melhores condições do que aquele. Sem contar a presença de um árbitro que parecia estar deslumbrado com o fato de apitar jogo do Grêmio e ter entrado em campo com a pretensão de aparecer em cima do time grande da capital. Era agressivo nas marcações de falta, cobrava de forma exagerada bom comportamento dos jogadores e inventou um pênalti que deu a vitória para o São Paulo. Para a várzea ficar completa, o Canal Premier FC, a quem pago para ver às partidas do Grêmio, passou a transmitir o jogo do Atlético Paranaense quando ainda faltavam os três minutos de acréscimo. A imagem só voltou à Rio Grande no lance final de partida.

 

Uma várzea só!

De herança

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Tenho pensado muito nos meus ancestrais, já há algum tempo, e tenho resgatado das caixas de pertences que conseguem me acompanhar no meu caminho cigano, os que vieram antes e desbravaram um país estrangeiro com língua muito diferente do português que alguns deles desconheciam, mesmo sendo vizinhos de fronteira. Para mencionar uma das barreiras a serem transpostas. Nós diferimos uns dos outros no pensar, no dizer e no sentir, porque carregamos os viveres dos que nos antecederam nas dependências da vida.

 

Mas voltando aos meus ancestrais, começando pelos bisavós que trouxeram pela mão bocas pequenas expressando fome, bagagem mínima e carteira leve, viveram sem telefone, nem geladeira, e agora você toma a frente e faz a tua lista mental.

 

Se deixaram os seus países, zona de conforto, é porque a coisa estava feia do lado de lá. Afastar-se da família era a última opção na vida. Casava-se, e construíam-se tantas casinhas quantas necessárias para abrigar filhos, noras, genros, netos, sobrinhos e toda a árvore, de preferência.

 

Essa gente simples, que já era ou foi tornada simples pela cadência da vida, não deixou na Europa nem a dignidade, nem a honradez. Pode ter deixado para trás cristais e prataria, mas trouxe o vício de agregar. Pela falta do vil metal, e pela necessidade do apoio uns aos outros, agrupou-se em cortiços, onde todos eram amigos, parentes ou afins.

 

Ajudavam uns aos outros, dividiam tarefas do agrupamento e, claro, como toda fruta tem caroço, havia falta de privacidade.

 

Aliás, acredito que privacidade é uma palavra que foi resgatada do ostracismo dos dicionários, nestes nossos novos tempos. Antes, na casa dos meus ancestrais, privacidade era solidão.

 

Meu pai, criado por uma avó portuguesa, filho de mãe portuguesa e pai espanhol de Murcia, aprendeu o que era trabalhar desde os quatorze anos. Foi premiado na maioria dos finais de ano da empresa, até a celebração dos seus quase sessenta anos de firma. Ele se orgulhava dizendo que só tinha um carimbo na carteira de trabalho.

 

Eu nasci em berço de ouro e tive a benção de ter sido criada nos seus moldes, uma vez que até os meus cinco ou seis anos, morei na mesma casa, com minha bisavó, meus avós paternos, meu tio Neno e minha tia Zoraide, irmãos do meu pai. Minha mãe, filha de italianos e uma entre onze irmãos, também foi responsável pela formação do meu alicerce. Quando eu tinha uns seis anos, meus pais já tinham evoluído tanto as suas consciências, que eu e os meus estudos éramos prioridade no orçamento de casa, e éramos orientados pela sabedoria e competência da Cirley Motta, a minha prima Ley. Construíram casa e se mudaram dela para que eu estivesse sempre perto da escola. Me apoiaram a aprender línguas que eles nem conheciam, me alimentaram seguindo as regras de saúde que trouxeram em suas bagagens e conviveram com uma filha que era tão diferente do que eles tinham sido.

 

Gratidão!

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: como a antropologia explica a cabeça do consumidor

 

 

“Por que alguém escolhe a minha marca e não a outra? O que é que me leva a atravessar a cidade para comer uma carne no tal restaurante e não comer aqui do lado? O que me faz pagar 20, 30 mil reais em uma bolsa de luxo em vez de comprar na 25 de março?” É para responder a essas e outras tantas perguntas que o antropólogo Michel Alcoforado decidiu investir seu conhecimento na criação da Consumoteca, empresa dedicada a decifrar a cabeça do consumidor. Entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Alcolforado diz que muitas vezes o próprio consumidor não sabe explicar os motivos que o levam a tomar determinadas decisões no momento da compra. Uma resposta que pode decidir o destino de uma marca ou produto, principalmente em mercados que estão sendo fortemente influenciados pelas novas tecnologias.

 

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, toda quarta-feira, às 11 da manhã, no site da rádio CBN (www.cbn.com.br) com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br ou pelo Twitter @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, depois das 8 horas da manhã, no Jornal da CBN.

Atendimento a clientes por telefone: o luxo ainda não chegou aqui

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

Telefonar para central de atendimento a clientes. Quem não se arrepia de ter que fazer isso muitas vezes? Seja para tirar dúvidas, solicitar segunda via de fatura de cartão de crédito ou reparos na sua TV a cabo, a tarefa sempre exige tempo e paciência do cliente. Se a necessidade for cancelar um produto ou serviço então… prepare-se para no mínimo meia hora de espera e ainda ter de ouvir todos os argumentos de benefícios que você muitas vezes já conhece, mas mesmo assim deseja o cancelamento do produto.

 

Empresas de telefonia, bancos e administradoras de cartões de crédito são campeãs de reclamações. Uma das principais queixas dos clientes na verdade nem é a solicitação ou a reclamação em si, que a princípio seria o propósito da chamada. O que mais irrita os consumidores é a famosa frase “vou transferir sua ligação para o setor responsável”. E quando o segundo funcionário lhe atende, você informa novamente TODOS os seus dados, e tem que repetir a solicitação a ele. Em muitos casos, este segundo atendente verifica que a chamada foi transferida para o setor indevido, e novamente vai o cliente se explicar a um terceiro. Neste processo todo, o cliente perde tempo, se irrita, e muitas vezes desiste. Mas, onde fica a imagem da empresa? Para o cliente, a imagem ficou extremamente negativa, o que vai provocar com que ele compartilhe toda sua ira sobre esta empresa com seus contatos, principalmente nas redes sociais. Afinal, a cultura estabelecida pelos consumidores, clientes, investidores, e pela sociedade é a imagem ou a percepção da marca.

 

As empresas investem em tecnologia, centrais de atendimento modernas e equipadas. Mas a questão é: por que este tipo de serviço no Brasil ainda é tão ruim? A verdade é que as empresas não investem em pessoas. Esquecem de treiná-las, capacitá-las e motivá-las para a função. Callcenters são repletos de funcionários em geral mal remunerados, muitos deles terceirizados e, é nítido durante a ligação, que não querem atender ao cliente. Muitas vezes são solicitações simples, que o cliente percebe que o atendente desconhece o produto, algo que um treinamento teria um peso importante para ao menos reduzir os problemas de conhecimento do produto e de comportamento.

 

O departamento de Recursos Humanos de algumas empresas ainda está longe se ser estratégico, o que é lastimável. Em um ambiente empresarial mutável, global e tecnologicamente exigente, obter e reter talentos são as “armas” no campo de batalha competitivo. As organizações empresariais no futuro competirão agressivamente pelos melhores talentos. Na verdade, hoje elas já competem. As empresas bem-sucedidas serão aquelas mais experientes em atrair, desenvolver e reter seus talentos com habilidades, perspectiva e experiência suficientes para conduzir um negócio global e atingir a satisfação de seus clientes.

 

Infelizmente, o atendimento a clientes por telefone no Brasil ainda é um artigo raro e inacessível.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Não é crime lutar

Por Nei Alberto Pies
Professor e ativista de direitos humanos.

 

“A essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direitos”

(Hannah Arendt, filósofa)

 

Há tempo que a criminalização daqueles e daquelas que lutam por melhores condições de dignidade humana vem sendo denunciada no Brasil e no mundo. É inaceitável, numa democracia, que a violência instituída seja aceita como normal e necessária. O Estado, instituído como guardião dos direitos, viola os mesmos quando reprime, violentamente, através das ações policiais, aqueles e aquelas que, pacificamente para buscar educação, terra, trabalho, saúde, segurança, lazer.

 

Ordem, associada ao progresso, parece mover o imaginário daqueles que tem a ilusão de uma democracia ideal. A democracia acontece nas contradições, na dureza da cidadania cotidiana, difícil de ser construída. Nem todos estão convencidos de que a democracia pode conviver com uma “certa desordem”. Como já escreveu Juremir Machado da Silva, “não existe democracia sem caos, confusão, entropia. A democracia é o sistema do dissenso. Na verdade, a democracia é um equilíbrio instável de ordem e desordem. Em alguns momentos, a desordem é mais importante do que a ordem. Tudo, claro, depende do grau de ordem e desordem”.
A criminalização é a face perversa do Estado e da sociedade que não permitem que a cidadania seja exercida na perspectiva dos “sujeitos de direitos”. Quem luta por seus direitos, e pelos direitos dos outros, é ligeiramente taxado, acusado e condenado sumariamente. Os estigmas e preconceitos sociais atribuídos àqueles que lutam anulam a vivência de uma cidadania plena e ativa.

 

O diálogo, em busca dos consensos possíveis, constitui a ordem democrática, muito antes das leis e das imposições arbitrárias. Quando perdemos a capacidade de escutar, de sentar à mesa para negociar, não chegamos a consensos e acordos que, mesmo que provisórios, são sempre necessários para qualquer perspectiva de avanço dos direitos em questão.

 

A democracia nasce das palavras, da retórica e da persuasão. Por isso mesmo, manifestar-se não pode significar só gritaria, de um lado, e repressão, de outro. Sempre é preciso colocar os pleitos à mesa, estar aberto para ouvir e dialogar. Quem responde pelo Estado, bem como quem marcha nas ruas, precisa colocar-se em movimento, para construir soluções e encaminhamentos provisórios. Ninguém sai de uma manifestação com os direitos já conquistados, mas toda manifestação pode indicar avanços para a materialização dos mesmos. Nesta perspectiva, temos todos muito que aprender. Como escreve Marcos Rolim, “a democracia que temos já não tem política. Nela, o futuro se ausentou porque as palavras não autorizam expectativas. Será preciso reinventá-la, entretanto, antes de desesperar. Porque o desespero é só silêncio e o melhor do humano é a palavra”.

Esporte nos extremos e atletas no comando

 

Carlos Magno Gibrail

 


A semana de tênis do Rio Open 500 que terminou domingo acentuou o problema do calor submetido aos atletas. Muitos deles, participantes da extenuante campanha de Melbourne, no mês de janeiro, com temperaturas acima de 42ºC, que deixaram sequelas preocupantes. O canadense Frank Dancevic desmaiou, o americano John Isner, 13º do mundo, passou mal e abandonou a quadra, o argentino Del Potro, suspirou: “Había que buscar la forma de sobrevivir”. Enquanto Djokovic agradeceu aos fanáticos do tênis por participar de um torneio que se pode fritar ovo na quadra.

 

Menos mal que no Rio não tivesse ocorrido casos graves, e muitas partidas apresentassem técnica e emoção de alto nível. Ainda assim, ficou evidente o acentuado desgaste físico em decorrência das condições ambientais. Se não chegamos aos 42ºda Austrália, os 38,8º que Nadal enfrentou na final às 17hs, depois da batalha de 3hs na véspera, só não foi mais complicado porque sua partida ficou no segundo set.

 

Em Melbourne foram criadas regras para o “calor extremo” que abrandaram o problema ao autorizar paralisação das partidas e suprimentos para reduzir os efeitos do calor. Os dois estádios definitivos e com ar condicionado ajudaram bastante.

 

O Rio com quadras provisórias e sem cobertura para o público se ateve a toalhas geladas, banheiras de gelo e equipes de fisioterapeutas e massagistas. Muito pouco para validar a sugestão de Rafael Nadal, de transformar o Rio 500 para Rio 1000, categoria só abaixo do Grand Slam. Será preciso aumentar o número de quadras e cobrir arquibancadas, evitando jogos no pico do calor.

 

O tênis, que é dirigido pela ATP e WTA, associações de tenistas profissionais masculinos e femininos, tem por isso mesmo as condições de propor e impor a melhoria para os jogadores aos organizadores e patrocinadores de torneios. É uma força considerável que deve ser usada e ampliada a outros esportes que não são dirigidos pelos próprios atletas.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Avalanche Tricolor: Dá-lhe, Luan! Dá-lhe, Grêmio!

 

Grêmio 3 x 0 Nacional COL
Libertadores – Arena Grêmio

 

 

Escrever não consigo, mas compartilhar com você minha alegria, é tudo que eu quero nesta noite. Quando estiver em condições, volto e deixo minhas impressões. Se é que você não sabe no que estou sonhando agora. Por enquanto, fica o nosso grito: DÁ-LHE, GRÊMIO!

 

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(Publicado quarta-feira, 10h39)

 

Depois de dormir extasiado com o futebol jogado ontem à noite, como se percebe no parágrafo publicado logo após a partida, já quase à meia-noite, nesta quarta-feira acordei feliz, sem dúvida, mas com uma ponta de preocupação. A caminho da CBN, ouvi o comentário do Juca Kfouri, no Momento do Esporte, no qual meu colega jornalista  fazia rasgados elogios a Luan. Lembrou de conversa que teve, recentemente, com o presidente Fábio Koff, que comparou Luan com Ronaldinho Gaúcho. Juca está entusiasmado com nosso atacante (preferem chamá-lo de meio-atacante, mas, convenhamos, ele é atacante por inteiro), assim como estamos todos nós que o assistimos vestindo a camisa do Grêmio no início desta temporada já no Campeonato Gaúcho. Agora há pouco, antes de começar a escrever este texto, também vi pela internet que o comentarista Wianey Carlet traça paralelo entre Luan e Garrincha devido a tranquilidade com que nosso jogador encara qualquer desafio. É capaz de disputar jogo pelo time principal da mesma forma que se estivesse na equipe de base; entra em campo para enfrentar adversários do interior gaúcho ou da Libertadores mantendo o mesmo comportamento atrevido e elegante de jogar. Ontem à noite, aliás,  durante a transmissão do jogo pela Fox, um dos repórteres já havia informado que os torcedores apelidaram o menino de Luanel Messi, uma brincadeira com o nome dele e do craque argentino. Entendo tudo isso.

 

Com tantas críticas favoráveis, onde mora o perigo? Por que acordar com a tal ponta de preocupação? É que apesar de Luan merecer todos os elogios feitos até agora, prefiro que, por enquanto, ele seja visto apenas como Luan, um garoto de 20 anos que jogava futebol de salão, foi descoberto por um grande clube brasileiro, ganhou a posição de titular, a confiança do técnico e a admiração da torcida. Estamos cansados de ver protótipos de craques surgirem nos mais diferentes clubes do País, e no próprio Grêmio. A maioria se perde pelos caminhos tortuosos do futebol, vai parar em clubes do exterior sem expressão e tem seu nome e futebol esquecidos.Neste momento, o melhor que podemos fazer é deixar Luan jogar sua bola, fazer gols, colocar os companheiros em condições de marcar os seus, driblar os adversários, passar de calcanhar e com talento. Sem taxá-lo ou compará-lo, apenas respeitá-lo como ele.

 

Dito isso, peço permissão para minha tietagem: que baita jogador este Luan! E dá-lhe, Grêmio!

Velhos modelos tiveram sucesso porque foram inovadores em seu tempo

 

 

A primeira entrevista de Satya Nadella como editor executivo da Microsoft me motivou a escrever texto na segunda-feira, que você pode ler baixando um pouco mais a página aqui do Blog ou acessando este link.Gostei tanto do assunto que resolvi voltar ao tema nessa terça-feira sem a preocupação de estar enchendo o saco do caro e raro leitor, mesmo porque você sabe que, diante deste texto, tem total liberdade para desconsiderá-lo, ler os artigos dos colaboradores que estão na coluna à direita ou, espero não ser esta a sua decisão, seguir em frente em busca de coisa melhor na internet. Satya alertou para a necessidade de as empresas reconhecerem a inovação e fomentarem o seu crescimento, sob o risco de ficarem estagnadas. E chamou atenção para armadilhas corporativas que tornam gestores e funcionários reféns dos métodos e soluções que deram certo no passado. Para ele, o segredo é saber como aproveitar toda a experiência e aplicá-la ao contexto atual.

 

Retorno ao tema porque percebo na área em que atuo, a comunicação, uma certa insistência em se querer aplicar as fórmulas do passado. No cotidiano das redações não faltam colegas para lembrar como se fazia antigamente e criticar as tentativas de inovação. Esse setor passa por uma revolução incrível a partir da difusão de tecnologias, e a variedade de fontes de informação e de meios para propagá-la. Há muito que o privilégio de desenvolver conteúdo jornalístico, por exemplo, não está mais nas mãos de alguns empresários e profissionais de imprensa. Acho graça quando recebo mensagens denunciando haver uma conspiração para impedir que determinados fatos sejam divulgados. Como se em um mundo no qual cada pessoa tem nas mãos um celular com câmera e acesso à um rede social fosse possível esconder notícia. É comum, também, ouvirmos críticas em relação à audiência que emissoras de televisão, especialmente, mas as de rádio, também, alcançam hoje em dia, bastante inferior aos índices de dez, quinze anos atrás. Como trabalhar com as mesmas métricas quando os canais pelas quais as pessoas se informam se multiplicaram e os próprios veículos tradicionais criaram novos meios para levar seu conteúdo ao público? Veja o caso do programa Mundo Corporativo que antes de ir ao ar, aos sábados, na rádio CBN, é apresentado, ao vivo, pela internet, e divulgado no canal da rádio no YOU TUBE e em podcast. Costumo brincar que é uma espécie de quatro em um. Há alguns anos, seria inimaginável as emissoras permitirem o acesso ao conteúdo antes que este fosse divulgado em sua fonte principal.

 

Gilberto Strunck, autor do livro Compras por impulso – Trade marketing, merchandising e o poder da comunicação e do design no varejo (Editora 2AB) escreve que “para se alcançar a audiência de 50 milhões de pessoas, foram necessários 38 anos pelo rádio, 13 pela TV, quatro pela internet e dois pelo Facebook. Ou seja, o tempo passa exponencialmente e as informações se multiplicam da mesma forma, a ponto de se calcular que, em 2010, se produziu um zettabyte de informações, mais do que tudo que foi produzido nos últimos cinco mil anos, calcula o publicitário. Para um estudante que entra em curso técnico de quatro anos, metade do que aprendeu no seu primeiro ano estará ultrapassada ao completar o terceiro ano. Ele terá de se atualizar dia a dia assim como nós profissionais que estamos nas mais diferentes áreas. Hoje, o desafio é conquistar a confiança e a atenção desse público que vive em ambiente poluído de informações e saber oferecê-las de forma organizada, sistemática e ágil. A experiência dos que construíram esta história até aqui foi fundamental mas reproduzir esses mesmos modelos é esquecer que eles só tiveram sucesso porque inovaram no seu tempo.

Conte Sua História de SP: para onde foi tua garoa fina?

 

Por Neusa Kihara
Ouvinte-internauta da CBN

 

 

Com tanto calor, para onde foi tua garoa fina, suave e suavizante?
Com tantos assaltos, para onde foi a calma das tardes de domingo no Parque da Aclimação, quando jogávamos pão aos peixes do lago, comíamos cachorro quente do carrinho da dona Maria e assistíamos aos jogos de vôlei e futebol?

 

Com tanto trânsito para onde foi a tranquilidade dos trólebus silenciosos, percorrendo as ruas do centro velho…Higienópolis…Perdizes…? Por onde andará o moço bonito das viagens da tarde, que sempre se oferecia para segurar meus livros e pastas, quando o trólebus lotava?

 

Dos teus 460 anos vivenciei apenas os últimos trinta, mas notei tuas mudanças…Já não é possível sentir o frescor da garoa contínua; andar despreocupada pelas ruas e parques, paquerar no trânsito… Talvez tua violência e insegurança sempre estiveram presentes e o calor de nossa paixão por ti nos manteve cegos!

 

Não importa, São Paulo: tu serás sempre a melhor cidade, por quem estaremos sempre, eternamente, enamorados!!