Juiz do Ficha Limpa analisa em livro manifestações populares no Brasil

 

 

O juiz Márlon Reis, um dos fundadores do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral e incentivador da Lei do Ficha Limpa, lança o livro “O Gigante Acordado – Manifestações, Ficha Limpa e Reforma Política” (Editora LeYa), nesta quinta-feira, 19h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na avenida Paulista, em São Paulo. Tive o privilégio de ser escolhido pelo magistrado para a escrever o prefácio deste trabalho no qual, além de tratar da mobilização social que ocorreu neste ano, em todo o Brasil, traz fatos curiosos dos bastidores para criar a primeira lei de iniciativa popular, a que transformou compra de voto em crime eleitoral, e para a aprovação da Ficha Limpa. Além disso, dedica um capítulo à defesa da liberdade de expressão.

 

Ontem, entrevistei Márlon Reis, no Jornal da CBN, quando falamos sobre a aprovação do fim do voto secreto em processo de cassação de parlamentares na Câmara e no Senado, além de análises que estão apresentadas no “Gigante Acordado”.

 

 

Como o conteúdo significativo é o escrito por Márlon Reis, tomo a liberdade de reproduzir a seguir o prefácio de minha autoria. Estarei na livraria para abraçar pessoalmente esse juiz que se tornou um exemplo no país, sem precisar atropelar as regras para defender o direito do cidadão e combater à corrupção.

 

Vamos ao prefácio:

 

“E o senhor acha pouco?”, perguntou o motorista Eriberto França ao ser questionado pelo deputado Roberto Jefferson se as denúncias que havia feito contra o presidente Fernando Collor eram movidas apenas por patriotismo. Para o parlamentar era difícil acreditar que havia um brasileiro, trabalhador, gente simples, sem diploma nem autoridade, disposto a enfrentar o poder e a confirmar a existência de contas fantasmas, onde era depositado o dinheiro da corrupção, usadas por Collor e o tesoureiro dele, PC Farias. Jefferson – que mais de uma década depois seria protagonista das denúncias do Mensalão – considerava inimaginável alguém deixar o sossego do seu cotidiano sem que fosse movido por segundas (e más) intenções. Não é de surpreender que pensasse assim. Historicamente, a elite política do Brasil subestimou a força do cidadão, e a avaliou usando sua própria régua moral e cívica.

 

Nos protestos juninos, que assistimos sem entender bem o que acontecia (este livro nos ajuda a ter compreensão melhor dos fatos), novamente o comportamento do cidadão foi questionado. Apressaram-se a culpar a oposição, que poderia ser qualquer coisa que estivesse do outro lado. Procuraram responsáveis na direita e na esquerda, em cima e embaixo, sem perceber que esta disposição física não se encaixava mais nas ideologias que se contróem em rede, neste emaranhado de pensamentos produzidos na internet graças as pessoas intensamente conectadas. Acusaram motivação política ao verem jovens, senhoras e senhores ocupando as ruas, como se exercitá-la fosse direito privado dos partidos. Esses que ali estavam, com cartazes nas mãos e coração indignado, não esperavam derrubar um governo, como se fez com Collor, nem ratificar uma lei, como nas Diretas Já, queriam reclamar do sistema (ou dos sistemas) e defender a democracia. Mas foram obrigados a ouvir a ironia da autoridade: “tudo isso apenas por 20 centavos?”. Não tiveram capacidade de entender que se pedia muito mais: respeito.

 

Há cinco anos, quando um grupo de cidadãos, na capital paulista, aceitou a proposta de fiscalizar, monitorar e controlar o trabalho dos parlamentares na Câmara Municipal, formando a rede Adote um Vereador, também teve de responder à desconfiança revelada em discursos no parlamento. Alguns vereadores, incomodados com o pedido de transparência no trato da coisa pública e a nossa intenção de controlar nossos representantes, sem perceber expuseram seus valores. Pediram para que informássemos os financiadores da nossa organização, como se somente o dinheiro pudesse mover as pessoas. Usaram sua própria moeda para nos julgar, já que tendem a ser reféns das empresas e grupos que sustentam suas campanhas. Para se ter ideia, em São Paulo, 57% do dinheiro doado aos partidos que elegeram os atuais vereadores saíram de empresas de construção civil e do ramo imobiliário. Tivemos de ir à público para deixar claro de que não precisávamos de um só tostão para acender o interesse do cidadão na política local. Tínhamos a pretensão (e como somos ainda pretensiosos!) de qualificar o trabalho legislativo com a participação popular e, assim, ajudar no desenvolvimento do ambiente urbano, pois é na Câmara Municipal que se votam as leis que vão reger nosso dia, além de serem os vereadores os responsáveis por fiscalizar as ações do prefeito e da prefeitura e a gestão do dinheiro público, o nosso dinheiro. Queríamos apenas praticar a cidadania.

 

Ao colocar uma ideia embaixo do braço e sair do Maranhão para desbravar o Brasil com a proposta da lei do Ficha Limpa, o juiz Marlón Reis também recebeu olhares desconfiados. Magistrado e consagrado em sua posição, melhor seria se ater às letras dos livros jurídicos e se acomodar na burocracia dos tribunais, aproveitando as mordomias do cargo e o ritmo do samba e do baião, nos momentos de prazer. Preferiu fazer política ao seu jeito. Assim como havia se engajado na campanha de combate à corrupção eleitoral, depositou sua fé no projeto que lhe foi entregue em um envelope de papel, na sede da CNBB, em Brasília, levou sua crença a todos os cantos e contaminou pessoas que, como ele, entenderam que o Brasil tinha de ter instrumentos para constranger políticos inescrupulosos e combater a prática da compra de votos. Nessa caminhada cívica, por estradas também virtuais, já que a internet foi extremamente importante, Marlón ouviu muita gente dizer que aquilo não daria em nada, e, se aprovada um dia, seu destino seria o lugar-comum das muitas leis que não pegam no país. Ao contrário, porém, sequer havia entrado em vigor e o caráter pedagógico da lei de iniciativa popular se evidenciava, ajudando a educar a sociedade para a democracia, ao fazer com que o eleitor, antes mesmo de ouvir a promessa do candidato, quisesse saber: “o senhor é Ficha Limpa?”. Hoje, pedimos ficha limpa para todo serviço público; ficha limpa para contratar e ser contratado.

 

O juiz maranhense sabe que é apenas um personagem dessa história, tão importante quanto todos os outros cidadãos que se mobilizaram com a mesma intenção e juntos criaram um fenômeno que o professor Augusto de Franco, criador da Escola de Redes, identifica como swarming, uma espécie de enxameamento criado pela dinâmica da rede, que tem sido o provocador de muitos movimentos sociais e políticos no mundo. Ciente de seu papel e certo de seu tamanho diante da dimensão dos fatos, Marlón Reis tem credenciais para contar essa história e analisar o atual cenário da política brasileira. E faz tudo isso apenas por patriotismo. O que não é pouca coisa, senhor deputado.

Somos 36 milhões de empreendedores

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Na segunda feira, dentro da SGE – Semana Global do Empreendedorismo aconteceu o 99FASHION, evento que faz parte do movimento internacional para a divulgação da Cultura Empreendedora.

 

Como se sabe o setor de vestuário é potencializado para novos empreendedores, pois as barreiras iniciais de capital e de tecnologia, comuns a muitos setores, não são tão intensas na moda. Fernanda Yamamoto e Rita Comparato da Neon, marcas de nicho e já consagradas, expuseram seus acertos e erros na implementação de seus negócios.

 

Se ainda convivemos em nosso país com sérios problemas em determinadas áreas, no que se refere ao espírito empreendedor estamos na dianteira, com louvor.

 

A GEM – Global Entrepreneurship Monitor descobriu que 30% dos brasileiros, ou seja, 36 milhões estão iniciando ou operando como empreendedores. A GEM é uma das mais respeitadas entidades de pesquisa do empreendedorismo global. No Brasil tem o IBQP – Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade como representante nacional, o SEBRAE como master, a FGV como parceiro acadêmico e foca seus trabalhos nas pessoas mais do que nos empreendimentos. Em pesquisa recente feita em 2012, levantou 10 mil indivíduos entre 18 e 64 anos e constatou que entre 2002 e 2012 houve um crescimento de 20milhões para 36milhões de pessoas atuando como empreendedores. Verificou também que os três maiores sonhos dos brasileiros são: 50% viajar pelo Brasil, 48% ter casa própria e 44% ter negócio próprio.

 

Ao mesmo tempo, a SGE – Semana Global do Empreendedorismo que ocorre em mais de 130 países no mês de novembro, teve no ano passado 3861 atividades em 341 cidades no Brasil, números que nos deram o primeiro lugar no mundo.

 

Certamente este ano deveremos estar repetindo o destacado papel de 2012. E com a colaboração do Mundo Corporativo da CBN, quando Mílton Jung no início de novembro apresentou: “A receita para abrir o seu negócio” entrevistando Henriley Domingos da Doctor Trade. Além da modesta contribuição do autor deste texto, ao abrir o 99FASHION com o tema “Empreendedorismo na Moda”.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Por que boas causas são bons negócios?

Reproduzo a seguir texto de divulgação do evento do qual estarei participando na quinta-feira, dia 28, na abertura da ONG Brasil, encontro que se realiza no Expo Center Norte, em São Paulo. Espero contar com a participação de você que acredita na possibilidade de agirmos como cidadãos para transformar as pessoas e a sociedade:

 

 

A Humanitare Foundation que atua em diplomacia social como ponte de conexão entre os atores da sociedade e as temáticas promovidas pela ONU, em conjunto com a KMPG, empresa de consultoria que incentiva a cidadania corporativa como modelo de transformação social convidam você a discutir a questão “Happy Returns” Por que boas causas são bons negócios? durante o Painel de abertura do Congresso ONG Brasil 2013.

 

Os temas de empreendimentos sociais serão debatidos por Ceos de empresas e Institutos Empresariais: Maria Antonia Civita (Verde Escola), Michael Hastings (KPMG), Luciana Quintão (Banco de Alimentos), Sheila Pimental (Humanitare Foundation), Joris van Wijk (UBM), Cônsul Lothar Wolff (Honorário do Brasil em Áustria),e as participações dos jornalistas Milton Jung (CBN) e Patrícia Trudes (Folha de São Paulo).

 

Por que boas causas são bons negócios estarão representados em cases de sucesso nos exemplos como o da Ong Banco de Alimentos que segue no objetivo de minimizar os efeitos da fome através do combate ao desperdício e promover educação e cidadania. Resultado: O Banco de Alimentos entrega 44 toneladas de comida por mês para 22 mil pessoas em 52 Instituições, outras 110 entidades estão na fila para serem atendidas.

 

Outro caso é o Instituto Verdescola que acompanha cerca de 300 adolescentes e jovens da comunidade de Sahy em São Sebastião, litoral norte de São Paulo. Com projetos educacionais, eles estão sendo capacitados para atender o turismo gerando investimentos para a região.

 

A Humanitare Foundation abordará experiências internacionais e contribuições da diplomacia social no contexto global e local dos negócios sociais sustentáveis baseados na essência de jovens lideranças e plataformas de e-contents para o desenvolvimento e as bases da nova economia.

 

Serviço:
ONG Brasil 2013
Local: Expo Center Norte – rua José Bernardo Pinto, 333 São Paulo/SP Seminário Happy Returns – dia 28/11 – horário 9h00 – 11:00

O IPTU de São Paulo, a coceira e a falta de lógica

 

Por Julio Tannus

 

Em um país como este, salve-se quem puder!

 

1) Após aguentar por um bom tempo uma coceira pelo corpo, resolvi dar um basta. Procurei uma médica dermatologista. Saí de seu consultório esperançoso, com receitas e exames a serem feitos. Com o passar do tempo, não obtive nenhum diagnóstico e a coceira voltou.

 

Minha caminhada continuou sempre focada na ideia de dar um fim a esse sofrimento. Consultei uma clínica especializada em alergia e o resultado foi idêntico. Imediatamente consultei outro dermatologista e o resultado foi o mesmo: minha coceira persistiu.

 

Resolvi então apelar para uma médica dermatologista especializada em acupuntura. Parecia que finalmente estava chegando ao fim do túnel. Paralelamente foi recomendado que eu fizesse alguns exames na tentativa de encontrar a origem da coceira.

 

Recorri então a um dos mais conceituados hospitais para me submeter a um raio-x e ultrassonografia do abdômen total. O laudo da ultrassonografia dizia: “Discreta alteração textural hepática, com pequena área hipoecogênica junto à bifurcação portal (a tomografia computarizada pode trazer informações adicionais). Fui recomendado a fazer a tomografia. Dirigi-me então ao mesmo hospital para fazer uma tomografia computadorizada de abdômen total. O laudo dizia: “Achados da transição tóracoabdominal: acentuado enfisema pulmonar centrolobular e parasseptal e irregularidade cortical na porção lateral do 11º. arco costal esquerdo, podendo representar fratura consolidada”.

 

A dermatologista recomendou que eu fosse de imediato a um médico pneumologista para aprofundar o diagnóstico de “acentuado enfisema pulmonar”. Recorri então a um médico do próprio hospital onde havia realizado os exames. Após a leitura das imagens da ultrassonografia e da tomografia e de um exame clínico, eis o diagnóstico do médico especialista: “O senhor não tem absolutamente nada no pulmão, o laudo está totalmente equivocado”.

 

2) O cidadão, por problemas de segurança (teve sua casa assaltada), resolve mudar para um apartamento. Passados sete anos em sua nova residência, ele se dá conta que o valor do IPTU mais que dobrou no período. Como ele vive de aposentadoria, resolve consultar a Prefeitura de São Paulo sobre o porquê do aumento tão elevado, uma vez que sua aposentadoria não teve qualquer aumento, e sim as correções decorrentes da inflação. A explicação que conseguiu apurar para esse fato é que os imóveis na região foram muito valorizados.

 

E ele então arguiu: se sou proprietário de um imóvel e não tenho nenhuma intenção de comercializá-lo, porque um órgão público quer se beneficiar de sua valorização? Não seria o caso de obter vantagem sobre essa valorização apenas no caso de venda do imóvel?

 

E desfiou seu descontentamento e indignação para o atendente da Prefeitura: o retorno obtido com esse elevado aumento do imposto é inexistente! Continuamos com as vias públicas em péssimas condições, esburacadas, cheias de remendos mal feitos. A iluminação pública, no geral, é deficiente, propiciando todo tipo de insegurança aos cidadãos. Toda a vegetação não tem o tratamento adequado. Sem falar na falta de segurança. Que tristeza!

 

E agora nos vemos frente à frente com um Prefeito e Câmara de Vereadores aumentando mais ainda esse maldito imposto. Um dos argumentos usados é que o valor dos condomínios nesses bairros com imóveis mais valorizados são bem mais elevados que o IPTU. Raciocínio ridículo, para não dizer totalmente idiota. Ora, se descontarmos o valor dos impostos nas despesas de condomínios, que só no caso das despesas com funcionários acresce-se cerca de 50%, o argumento cai por terra.

 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada
Co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve no Blog do Mílton Jung

Conte Sua História de SP: o engraxate do meu avô

 

Por Paolo Romano
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Essa é uma das muitas histórias de amor e ódio que vivo com essa cidade. Já sai pra morar fora, mas é difícil ficar longe daqui.

 

 
Nasci e me criei no bairro da Penha. Primeira geração de imigrantes italianos que escolheram o bairro para fixar residência. Meu avô paterno, do qual herdei o nome, era sócio com seu cunhado das cadeiras de engraxate que ficavam na estação Roosevelt no Brás, isso na década de 60.

 

Em 1964, eu com então quatro anos, tinha como programa dominical, após o almoço em família, ir com meu avô para a Roosevelt, caminhávamos de casa até o Largo da Penha para pegar o bonde que nos levaria à estação. A estação era meu playground, eu corria naquele piso que brilhava, tudo era limpo e bem cuidado, as pessoas que andavam por lá tinham aquela elegância paulistana dos anos 1960. Os engraxates que trabalhavam com meu avô usavam um uniforme com calça preta, jaleco e camisa brancos, completando o visual com gravata e sapatos pretos que brilhavam em seus pés. Os passageiros que chegavam do interior com as botinas cheias de barro tinham como destino certo as cadeiras dos engraxates, e de lá saíam com o pisante brilhando para sua estada na Capital que começava a florescer.

 

 
Infelizmente, essa minha diversão durou pouco tempo, os bondes foram aposentados e meu avô se desfez das cadeiras. Ficaram as lembranças e a saudade do meu avô, da estação  e de uma São Paulo que já não existe mais. Não tenho nenhuma foto daquela época e caso algum ouvinte tenha imagens da estação, na década de 1960, eu gostaria muito de vê-las. Quem sabe encontro alguma do meu avô ou do meu tio engraxando os sapatos dos chegantes.

 

Paolo Romano é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você mais um capítulo da nossa cidade. Marque uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net ou mande um texto para mim: milton@cbn.com.br
 
 
 
 
 

Avalanche Tricolor: quem diria, Pelé quase foi um Imortal!

 

Ponte Preta 1 x 1 Grêmio
Brasileiro – Campinas (SP)

 

 

Em reportagem que li no site ClicRBS, publicada no jornal gaúcho Zero Hora, neste domingo, Pelé confidencia ao jornalista Luiz Zini Pires que quase jogou no Grêmio. Quando estava no início da carreira, o Santos costumava emprestar seus jogadores mais jovens para que ganhassem experiência. O time paulista esteve em excursão no Sul, jogou em Pelotas e Rio Grande, no interior gaúcho, e foi consultado se alguns dos garotos poderiam ficar. Pelé era um deles. “Quase que eu reinicio minha carreira no Grêmio”, disse ao repórter. Tivesse um cartola santista aceitado a proposta, naquela época, haveria a chance de Pelé ter se imortalizado no cenário futebolístico com a camisa do Grêmio e, provavelmente, nossas conquistas nacionais e projeção mundial teriam chegado mais cedo. Por outro lado, a facilidade com que alcançaríamos nossas façanhas impediria que forjássemos a nossa imortalidade. O destino quis que cada um construísse sua própria história.

 

A verdade é que o futebol, assim como a vida, pode ter seu destino definido pelo acaso. Uma bola no poste, o chute descuidado que esbarra no zagueiro, a marcação equivocada do árbitro ou uma série de outros detalhes que fazem parte do jogo influenciam no placar final e na classificação de um time. Mas se o imponderável pode ser definitivo, também é verdade que existem fatores preponderantes que conspiram a favor do resultado, tais como o talento individual e a qualidade do elenco. Também coloco na lista a estratégia planejada pelo técnico. Quando esses não se sobressaem nos resta torcer por um lance de sorte.

 

Neste domingo, talento e sorte se uniram para levar o Grêmio ao empate com a Ponte Preta, em Campinas, e nos manter na luta pela vice-liderança, que dará passagem direta a Libertadores. O drible curto de Zé Roberto e o cruzamento com o bico da chuteira que iniciou a jogada do gol foram marcados pela qualidade técnica que diferencia nosso camisa 10. Já a sorte nos ajudou ao fazer a bola cabeceada por Vargas desviar no corpo de um adversário e entrar no gol. O resultado, antes de ser lamentado, tem de ser visto como normal em competição da dimensão do Brasileiro, principalmente se levarmos em consideração o desespero do adversário. Com o ponto conquistado, a disputa pela competição sul-americana está aberta e na nossa mão. Estão faltando apenas dois jogos, os quais temos todas as chances de vencer, bastando um lance de sorte (ou de talento).

 

Em tempo: jogadores de Grêmio e Ponte repetiram o gesto que marcou o protesto do Bom Senso Futebol Clube, na rodada do fim de semana, sentando no gramado antes de a partida se iniciar, em mais uma demonstração que estão unidos e dispostos a enfrentar a CBF.

De felicidade

 

Por Maria Lucia Solla

O que pode nos fazer felizes é um número infinito de combinações e de possibilidades, ou de ‘dependes’. Depende do dia, da hora, da situação, da conta bancária, do trânsito, da saúde, da família, de amigos e amores, do cabelo, de tempo e do tempo, da fome e de sede.

 

Quanto tempo passamos, por dia, fazendo o que nos faz felizes?
Depende das nossas escolhas, mas deixemos que o LEXIGRAMA apresente a Felicidade.

 

FELICIDADE

 

Felicidade tem ALÍCIA, (αλήφεια, ας), que em grego quer dizer ‘verdade’, ‘realidade’, e traz Cleide (κλειδί, ioύ), que quer dizer chave. Faz sentido?

 

FELICIDADE tem MALÍCIA, tem ELE e ELA, DELE E DELA, tem FEDIDA e tem FIEL. Tem FIDEL, mas só com IDA, porque a volta faltou.

 

Tem CIDADE e tem LEI, o que não é coincidência, vindo dela. Tem FÁCIL, acredita?, e tem FÉ e DELÍCIA. Não falta para ninguém, de qualquer IDADE.

 

Tem CAÍ, mas também tem E DAÍ!

 

Tem CIDA que é apelido de APARECIDA, e que quer dizer ‘a que surgiu, a que faz milagres, tem ELI, o Sumo Sacerdote, o Altíssimo, e tem DÉLIA, mas não tem Carina.

 

Bora descobrir e reconhecer a FELICIDADE, em cada tarefa da LIDA, em todo minuto da vida.

 

Não importando o tamanho do sonho, mas a qualidade e a consciência da escolha.

 

Bom divertimento Lexigramando e formando frases com a palavra FELICIDADE, ou sendo feliz, e até a semana que vem.

 

Alícia
cai
cal
cale
cela
Cida
Cleide
dai
cidade
dedal
defeca
dela
dele
Délia
delicia
dia
dica
ela
ele
Eli
fácil
fale
falei

fedida
fel
fica
Fidel
fiel
fila
ida
idade
ideal
ideia
lacei
lede
Lia
lida

 

Ps: FELICIDADE não tem FELIZ, por um Z.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: aprenda com as empresas familiares centenárias

 

 

A história de cinco empresas familiares que completaram 100 anos, no Brasil, foi o ponto de partida do estudo realizado pelo consultor Renato Bernhoeft e a jornalista Chris Martinez que identificou as estratégias desenvolvidas por seus proprietários para se manterem fortalecidas mesmo diante da troca de comando para as gerações mais novas. No programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, o empresário e conferencista Renato Bernhoeft falou de alguns aspectos que considerou mais importantes para essa longevidade. As cinco empresas escolhidas para esse trabalho foram a Gerdau, Sul América, Ypióca, Casa da Bóia e Cedro Cachoeira.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, ao vivo, às quartas-feiras, a partir das 11 horas da manhã, no site da Rádio CBN, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br, no Twitter @jornaldacbn ou no grupo de discussões do Mundo Corporativo da CBN, no Linkedin. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Viagens de luxo, experiências inusitadas e desejos realizados

 


Por Ricardo Ojeda Marins

 

Nova York, Miami, Paris, Milão, Londres. Essas são cidades que, certamente, nos vêm à mente quando pensamos em viagens de luxo. São destinos visitados por muitos consumidores de alto poder aquisitivo, viajantes que buscam muito além de hóteis elegantes, destinos urbanos e serviços especiais. Eles desejam viver experiências inusitadas que podem ser roteiros exóticos ou de aventura, contato com a arte, gastronomia e novas culturas. Visitas privativas a ateliês de costura ou a museus, fotógrafo particular para registrar, com qualidade, cada momento da viagem, jantares em restaurantes estrelados, aulas com experts e, claro, carros de luxo à disposição, são alguns itens que devem constar nesse cardápio.

 

O Estudo Global de Intenções de Viagem Visa 2013, realizado pela empresa Millward Brown, mostra um crescimento generalizado no turismo internacional e o Brasil é o país que apresenta percentualmente a maior aceleração entre os pesquisados. O turista brasileiro está entre os cinco que mais gastaram na última viagem, com valor em torno de USD 2.956, acima da média global, que foi de USD 2.390. E espera aumentar em 52% o valor desembolsado com a próxima viagem. Mesmo assim os valores são modestos se comparados com o que gastam os turistas de alto poder aquisitivo: em média USD 20 mil por viagem, de acordo com o World Travel Market Trends Report, da Euromotor.

 

No Brasil, cresce o número de agências de viagens especializadas no setor de luxo. Teresa Perez, PrimeTour, Matueté e Queensberry são algumas dessas que fazem parte do Virtuoso, seleta rede que reúne agências de viagens e hotéis de luxo ao redor do mundo. Os cartões de crédito também estão presentes no mercado ao dispor a seus clientes benefícios e atendimento especializado. A bandeira American Express tem o Platinum Travel Service, agência de viagens exclusiva apenas para os associados do cobiçado The Platinum Card. Clientes do cartão são atendidos e recebem ajuda na elaboração de suas viagens e contam com benefícios nos hotéis da rede Fine Hotels & Resorts, tais como café da manhã, late check-out e upgrade de acomodação. Já o Visa possui o Visa Luxury Collection, serviço exclusivo para associados dos cartões Visa Platinum e Visa Infinite em hotéis conveniados, oferecendo amenidades como café da manhã, status de hóspede VIP, late check-out e outros. A bandeira Mastercard também oferece aos portadores do cartão Mastercard Black alguns desses benefícios, além de crédito para uso em serviços no hotel. (Conheça outros benefícios oferecidos pelos cartões de crédito no artigo “Cartão de Crédito: a exclusividade transforma plástico em ouro”, que escrevi no Blog do Mílton Jung, em setembro)

A palavra-chave para atender as demandas desses clientes é customização. Cada um tem necessidades e gostos peculiares e busca algo feito sob medida, diferente de pacotes ou roteiros prontos. Com o aperfeiçoamento das agências especializadas, o consumidor elevou suas expectativas e se tornou ainda mais exigente. Há quem deseje, por exemplo, durante a viagem, alterar seus planos, como sair de Nova York para ir a uma festa no Caribe, ou, simplesmente, alugar uma residência privativa na Toscana. A agência deve estar preparada para não apenas atender, mas entender as necessidades dele. O relacionamento do cliente com sua agência de viagens é fundamental, pois é possível aprofundar-se nos interesses individuais de cada um e atendê-los de forma personalizada, tornando a viagem perfeita e uma experiência inesquecível. O viajante de luxo hoje busca o diferente, o inusitado, o “poder fazer”, o “feito sob medida” para as suas necessidades e desejos específicos, sempre com segurança, privacidade e conforto.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Atualmente cursa MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Conte Sua História de São Paulo: minha cidade aos 18 anos

 

Por Neusa M. Stranghette

 

 

Fim dos anos 60, morava em São Caetano e trabalhava em Santo André.  Na época, férias não era sinônimo de Disney, Paris, Roma, nem resort no Nordeste. Quando muito um cineminha e um dia na Praia José Menino.  E lá estava eu de férias, sem nada para fazer. Resolvi me dar uma tarde de lazer e ir assistir a Dr. Jivago, no cine Metro. Coloquei um vestido de passear, sandália combinando, afinal estava indo para a Cidade. Peguei o ônibus mais ou menos perto de casa e fui descer no Parque D. Pedro.

 

Subi toda a Rua Tabatinguera, passei por uma Igreja, que recentemente fiquei sabendo é a Capela do Menino Jesus e de Santa Luzia. Atravessei a Praça da Sé, fui pela rua Direita onde as pessoas realmente caminhavam pela sua direita. Praça Patriarca, Viaduto do Chá, passei atrás do Teatro Municipal e, finalmente, cheguei na Avenida São João para a sessão das duas da tarde, no Cine Metro, que ainda era bonito e chique. Era moda usar muitas pulseiras coloridas de plástico, e entre campos de girassóis e nevascas, venturas e desventuras de Jivago e Lara, quando lágrimas eram enxugadas discretamente era aquele som, “plac-plac, plac-plac”, de pulseiras batendo! Mas o romantismo do filme resistiu bravamente por mais de três horas. E no fim refiz todo o caminho de volta para casa, flutuando com o Tema de Lara ao fundo.

 

 
Hoje, o cine Metro é uma Igreja evangélica, a Avenida São João perdeu quase todo seu charme e o que se vê são prédios pichados e decadentes. O Teatro Municipal ainda mantém sua imponência. Ninguém mais respeita a direita na Rua que leva seu nome, entrar na Catedral da Sé só nas missas com muita gente, e não faço idéia de como está a Rua Tabatinguera.  Do Parque D. Pedro, uns três anos atrás, um motorista de taxi só faltou mandar eu me abaixar no banco para me tirar do Hospital da Móoca onde tinha ido visitar uma amiga. 

 

Ao menos ficaram boas lembranças! E escrevendo este texto percebi que, naquele dia de férias, meu programa mesmo foi atravessar praticamente todo o Centro velho de São Paulo, ida e volta. 

 

Como é bom ter 18 anos.

 

Neusa M Stranghette é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Marque uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net ou envie seu texto para milton@cbn.com.br