Política e Reforma Política

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

 

No início do século XX, o dramaturgo alemão Bertold Brecht cunhou uma manifestação que se tornou célebre pela sua contundência:“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não sabe o custo de vida, preço do feijão, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio, depende de decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”.

 

Se merecedora de respeito ou desprezo, se atrativa ou desinteressante, o certo é que se tornou impossível ignorar a política enquanto engrenagem de qualquer Estado minimamente organizado. Afinal, é na área do que se costuma chamar de Governo que são decididos os destinos do País, do Estado e do Município relativamente às condições de vida da população em geral, não obstante o desprezo que esta manifesta pela classe parlamentar ou pelos parlamentos, conforme apontam as pesquisas de opinião. Todavia, os eleitores são muito poderosos – embora não percebam – e podem – devem – alterar o quadro.

 

Neste país eivado de contrastes e contradições que a um lado incorporou o jeitinho como forma de conduta e a outro banaliza os escândalos que maculam a integridade de instituições republicanas, atingiu-se a plenitude quanto ao ato do voto. Afinal, neste Brasil de aeroportos precários e de um sistema público aviltante, há eleições periódicas, regulares e secretas para todos os cargos eletivos. Contudo, há que se ter presente que uma democracia ideal, onde predominaria a harmonia absoluta entre tudo e todos, existe apenas numa concepção intelectual e não como realidade concreta. Por outra, sem política não se executa a Democracia. E se não elimina os conflitos sociais, esta fórmula que prioriza a maioria como solução de disputas oferece alternativas para solucioná-los, ainda que falhas ou imperfeitas.

 

Daí porque a necessidade absoluta de uma Reforma Política no país. Mas uma reforma possível, coerente e direcionada ao que realmente faz diferença numa eleição e na representação junto aos Legislativos e Executivos. Nada de delírios mirabolantes e teses que ninguém compreende.

 

Leitores e eleitores convergem numa compreensão básica: não há mais possibilidade de contornar temas aflitivos que despertam indignação na sociedade e na própria classe política. Neste cenário, a sucessão de Comissões e adiamentos impulsiona uma sensação de que o desfecho pretendido jamais será alcançado. Se por um ângulo a constante exposição da matéria converteu a Reforma numa espécie de redenção ética de cunho salvacionista, a outro é leviano supor que a sua aprovação funcionará como um antídoto capaz de eliminar todas as mazelas políticas que vicejam no país.

 

De acordo com estudos e análises de pesquisadores e juristas, inclusive estrangeiros, o eixo sobre o qual gravita o sistema partidário–eleitoral vigente está superado e se revela anacrônico a ponto de causar deformações na própria representação popular, especialmente na distribuição das cadeiras do Congresso Nacional. Diante deste quadro neurótico mas consentido por todos os setores, a cada legislatura, um contingente de respeitáveis e respeitados parlamentares se mobiliza visando modificar o sistema da representação popular no Congresso Nacional.

 

Não é de hoje e muito menos apenas no Brasil que se constata uma apatia política. Escândalos e mazelas não têm geografia, ocorrem em todos os continentes. Entretanto, a Reforma Politica é uma exigência em nome e em função da democracia brasileira.

 

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor dos livros “Prefeitos de Porto Alegre – Cotidiano e Administração da Capital Gaúcha entre 1889 e 2012” (Editora Verbo Jurídico), “Vereança e Câmaras Municipais – questões legais e constitucionais” (Editora Verbo Jurídico) e “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Da saudade, o compromisso.

 

Por Nei Alberto Pies
Professor e ativista de direitos humanos

 

“Toda a política pública sazonal ou que venha atender interesses passageiros que não tem continuidade, principalmente às que dizem com a questão de violência, tem perdas porque o projeto em algum momento vai ter que recomeçar e certamente não começam do ponto onde estava. Assim, as situações que foram examinadas, vão regredir e esse retrocesso é o grande prejuízo”. (Luis Cristiano Aires, juiz de Direito, sobre as perdas da não continuidade do trabalho das Mulheres da Paz)

 

Como num sonho roubado, acabou o trabalho social das Mulheres da Paz que vinha sendo realizado em nossa cidade há mais de um ano. A prevenção à violência contra mulheres e jovens tornou-se órfã de um dia para outro. As possibilidades de divulgar e convencer a comunidade sobre a importância dos direitos humanos e da cidadania como o melhor antídoto para a superação de nossa tão complexa realidade de violência esgotaram-se porque preferiram que este trabalho continuasse sendo realizado apenas por voluntários, que já o fazem faz muito tempo.

 

O Projeto Mulheres da Paz, em Passo Fundo, é uma fecunda e valiosa semente lançada para colaborar com a superação da violência em Passo Fundo, particularmente da violência doméstica praticada contra as próprias mulheres. Como demonstra o encarte produzido pela jornalista Camila Almeida e publicado no Jornal Zero Hora do dia 28 de abril de 2013, quem sofre as consequências da violência doméstica são também nossas crianças, adolescentes e jovens. A referida jornalista soube de maneira especial abordar o caso da Sílvia, Mulher da Paz. Quem acompanhou os desdobramentos desta triste história, irá transformar saudades em compromissos com a Silvia e com tantas mulheres que a sua história representa.

 

A luta pela superação da discriminação e violência contra a Mulher falará sempre mais alto em nossas vidas. Por isso mesmo, nos tornamos tão corajosos e insistentes na defesa de Projetos como o Projeto Mulheres da Paz, da qual Silvia fez parte. Este projeto deu tão certo em nossa cidade porque foi realizado com mulheres, em comunidades onde ocorre o ciclo da violência doméstica, com o protagonismo das vítimas. As Mulheres, ao refletirem sobre as causas da violência e ao se apropriarem dos seus direitos, tornaram-se mediadoras de conflitos e protagonistas de uma cultura de paz e direitos humanos.

 

Lamentamos que a tão propalada ideia de continuar tudo o que era bom já se transformou em esquecimento ou era verborragia de campanha eleitoral. Mas para as Mulheres da Paz e para os ativistas de direitos de direitos humanos que as acompanharam neste percurso, acabou apenas um trabalho sistematizado e organizado enquanto Projeto. Ficam grandes ensinamentos: a convicção de que segurança pública precisa vir acompanhada de processos de cidadania ativa para ser completa. Que a prevenção à violência contra mulher passa pelo encorajamento e protagonismo cidadão que adquirimos através da informação, cidadania e direitos. Que a cidade, a partir de seus bairros mais vulneráveis, precisa articular todos os sujeitos ativos e entidades para construir uma cultura de paz a partir dos direitos humanos. Que a violência contra a mulher deixará de ser uma triste realidade quando se tornar uma política pública local a partir de nossa cidade.

 

Sobram saudades, mas renovam-se os compromissos.

 

De intensidade

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Você quer viver a minha vida?

 

Eu certamente não quero viver a tua, nem a vida de qualquer outra pessoa. Da mendiga, da princesa, do João ou da Teresa.

 

Não.

 

Levamos décadas para começarmos a entender o funcionamento de nossos corpos! É assim mesmo, gostando ou não. Recebemos a máquina novinha em folha, e não temos a mínima ideia de como dirigir. Aí, um dia, quando começamos a entender um pouquinho melhor, a ver melhor, a nos percebermos melhor, ela começa a falhar.

 

Eu, aqui na minha máquina, – importante confessar que não entendi ainda se sou eu que a dirijo, ou se ela é simplesmente o caminho – , sinto pressa e percebo que a maioria em volta tem pressa. De chegar aonde, não sei; talvez ao dia seguinte, apenas, mas sinto que há um objetivo, e é para lá que me dirijo. Qual ou quais dos meus corpos dirige os meus passos, quando e em que sequência, seria preciso mais que um simples texto para pensarmos juntos, mas temos pressa. Não dá tempo de escrever e não há tempo para ler.

 

Sentimos que dele temos cada vez menos – jovens e velhos -, e acabamos, em bandos desenfreados, nos batendo uns contra os outros, ou sofrendo o vazio da falta do outro, sendo empurrado, cerceado, renegado ou afagado pela turba do momento e do lugar.

 

Eu me permito sentir tudo isso, e vou continuar me permitindo sentir. Tem vezes que esse sentir me impulsiona, e tem vezes que trava minhas quatro rodas. Mesmo assim, vou continuar, deixar minha intensidade aflorar e desabrochar ainda mais. Minha intensidade não é do tipo ‘dane-se o mundo’, que esse nunca foi o meu estilo. Também não é do tipo ‘vou pintar os cabelos de azul turquesa’.

 

Será?

 

O que tem sido importante para mim é perceber que a vida é magicamente fascinante, e é me permitir agradecer pela oportunidade de estar a bordo. E você, se permite? Se dá conta do enredo? Dá conta do recado?

 

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Cheiros e bocas na moda

 

Por Dora Estevam

 

O make de passarela está cada vez mais atrativo e mais perto das consumidoras. Os olhos quentes, esfumados e brilhantes são tendências deluxe para qualquer mulher moderna e sedutora. E se estes tiverem um forcinha da celebridade do momento, melhor ainda. É venda na certa.

 

 

De olho nos lancamentos, há produtos que esgotam em poucas horas das prateleiras, caso do lançamento do batom da cantora po Rihanna. A MAC, empresa que colocou o batom no mercado, comemorou o sucesso absoluto da parceria lançada oficialmente na quinta, 02/05. Em três horas, o batom RiRi Woo se esgotou nos estoques da marca.

 

 

Outro nome fashion que já incorporou o currículo de garota-propaganda é a IT Girl Amanda Seyfried, ela é o rosto da Givenchy, que substitui a colega Liv Tyler. A marca jura que não vai sobrar um perfume nas prateleiras.

 

 

E esse negócio de garata-propaganda pega mesmo, as parcerias vão e voltam e as celebridades é que arrematam as campanhas: Kristen Stewart acaba de clicar para a nova campanha do perfume Florabotanica, da Balenciaga, figurinha confirmada para 2013, mesmo depois de escândalos a garota ainda vende muito.

 

 

Investimentos em perfumes é que não faltam, a Rochas acaba de investir no segundo perfume da linha feminina Les Cascades, que ganha o nome Song d’Iris, fragância que passa a sensação de frescor, segundo o perfumista Jean Michels Duriez. Com um currículo de It Girl a garota que abocanhou, pela segunda vez, a campanha é Olivia Palermo, rainha dos street style, dos blogs e agora das campanhas, também.

 

Bom, já que na próxima semana, dia 12/05, comemora-se o Dia das Mães, por que não a dica de presente para ela. Um perfume gostoso, um batom novo, uma paleta de sombras de maquiagens…apenas ideias e sugestões. Crie !

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, no Blog do Míltonn Jung, aos sábados

Mundo Corporativo: quem não comunica, não lidera

 

“O processo de liderança é pautado pela habilidade de comunicação de quem vai liderar. É preciso, sim, uma formação técnica e conhecimento para que a pessoa assuma papel de líder, mas sem a comunicação ela não é nada, não consegue influenciar, dirigir um trabalho e envolver grupos”. A opinião é do professor de comunicação e presidente do Instituto Passadore de Educação Corporativa, Reinaldo Passadori, entrevistado do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Métodos e estratégias a serem desenvolvido, além de armadilhas que surgem no caminho da mensagem, fazem parte desta entrevista, na qual Passadore apresenta algumas da histórias que estão no livro recém-lançado “Quem não comunica, não lidera” (Editora Atlas).

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN, com participação, ao vivo, dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábado, no Jornal da CBN.

A batalha da sustentabilidade: SP X RJ

 

Texto publicado originalmente no Blog Adote São Paulo, da Época São Paulo.

 

Guarapiranga, a represa

 

Sou do Rio Grande do Sul como já deve estar cansado de saber o caro e raro leitor deste blog. Os gaúchos somos bairristas, ao menos é a fama que temos desde que na Guerra dos Farrapos grupos rebelados pediam a independência do Estado Farroupilha. Mas bairrista mesmo é você, independentemente de onde tenha nascido. Tenho certeza de que se falarem mal de sua terra natal, você será o primeiro a sair em defesa do seu Estado, a despeito de reconhecer todos os problemas que existam por lá (ou por aqui). Dia desses, minha colega de Jornal da CBN Viviane Mosé comentou sobre a violência em São Paulo. Foi o que bastou para alguns paulistas mandarem mensagens desaforadas para minha caixa de correio. Como aquela moça, nascida no Espírito Santo e vivida no Rio de Janeiro, se atreve a reclamar da falta de segurança em São Paulo? Questionavam alguns, como se o assunto não fosse uma preocupação enorme dos paulistanos. Eu mesmo já ouvi desaforos deste tipo porque me meto a pedir melhorias para a capital paulista.

 

Hoje, em sua coluna Economia Verde, em O Globo, o jornalista Agostinho Vieira, meteu sua colher nesta disputa regional ao comparar as cidades do Rio e de São Paulo do ponto de vista da sustentabilidade. Sabia bem o risco que corria, pois já na abertura do texto lembrava que “para alguns cariocas, a melhor parte de uma viagem a São Paulo é a hora de voltar para o Rio. Já certos paulistas acham que este é um balneário decadente e caro, onde não vale mais a pena nem um fim de semana”. Vieira é craque no assunto – não do bairrismo, mas no da sustentabilidade – por isso trago algumas das comparações pertinentes que estão na edição desta quinta-feira do jornal. Acompanhe comigo:

 

Trânsito

 

SP – 11 milhões de moradores/5 milhões de carros (2,2 pessoas p/carro); 30% viajam de carro; da casa ao trabalho gastam 44min42seg em média
RJ – 6 milhões de moradores/2,6 milhões de carros (2,3 pessoas p/carro) 13% viajam de carro; da casa ao trabalho gastam 44min18seg

 

Metrô

 

SP – 74,3Km
RJ – 42km

 

Ciclovias

 

SP – 36km
RJ – 300km

 

Mortes no trânsito

 

SP – 12,1 morrem p/100 mil habitantes
RJ – 5,4 morrem p/100 mil habitantes

 

Poluição

 

SP- 38 microgramas de poluentes por metro cúbico
RJ- 64 microgramas de poluentes por metro cúbico

 

Emissão de gases de efeito estufa

 

SP- 15,7 milhões de toneladas de CO2 (2005)
RJ- 11,3 milhões de toneladas de CO2 (2005)

 

(neste ítem, os dados de 2011 devem mostra empate técnico)

 

Árvores

 

SP- 12,5 metros quadrados p/habitante
RJ- 56,8 metros quadrados p/habitante

 

Lixo

 

SP- 18 mil toneladas/dia
RJ- 9 mil toneladas/dia

 

Lixeira

 

SP- 1 para cada 58 habitantes
RJ- 1 para cada 213 habitantes

 

Reciclagem

 

SP – 2% do lixo gerado
RJ – 1% do lixo gerado

 

Fornecimento de água

 

SP- 100% das casas
RJ- 91% das casas

 

Esgoto coletado/tratado

 

SP- 96% das casas/54% das casas
RJ- 70% das casas/53% das casas

 

Uma ganha aqui, outro acolá. As duas, na maior parte dos itens, estão bem distante das recomendações internacionais. Mas, como escreveu Agostinho Vieira, “esta é uma boa e saudável disputa. Do tipo que deveríamos fazer questão de ganhar em 2016”. Todos nós, bairristas: paulistas, cariocas, gaúchos, pernambucanos …

Querem inventar mais um jeito de espoliar os motoristas

 

Por Milton Ferretti Jung

 

O jornal gaúcho Zero Hora,nessa segunda-feira,dia 29 de abril,a propósito de uma matéria assinada por Marcelo Gonzatto que tinha como título “opção para desafogar o trânsito”,em um box ao pé da página,deu chance aos leitores de manifestarem sua opinião sobre a tal de Lei de Mobilidade Urbana, aprovada em 2012. Eis a pergunta:

 

“Você considera viável e oportuno cobrar para usar automóvel nas grandes cidades em determinados dias e horários?

 

Minha opinião: sou contra o que se pode chamar de pedágio urbano. Já não basta o pedágio que somos obrigados a pagar em várias rodovias,querem inventar mais um jeito de espoliar os motoristas. Os defensores da Lei citam exemplos bem sucedidos,por exemplo,em Milão,Roma,Londres e Cingapura,cidades que cobram taxas de motoristas que circulam por áreas centrais,com a finalidade de diminuir os congestinamentos. É claro,esses provocam,além de diminuir a mobilidade dos veículos,diminui a poluição em diversos níveis.

 

As cidades citadas possuem,porém, algo inexistente nas brasileiras (me avisem se existe uma exceção):transporte público qualificado. No meu caso,se não fosse o meu carro levar-me para o centro da minha Porto Alegre,teria de andar a pé longa distância,seja para sair,seja para retornar. Moro num bairro que é atendido, exclusivamente,por ônibus. Nenhum passa perto da minha casa.

 

Zero Hora lembra,na matéria,o que aconteceu em Estocolmo. Lá, 80% da população não aceitou bem o projeto-piloto da taxa. Em referendo feito sobre a cobrança, 52% acabaram mudando de ideia. Ora,isso se verificou na capital da Suécia, país exemplar em muitas coisas. A diferença entre os prós e os contras, porém, foi de apenas 4% por cento,muita pequena para justificar a existência dessa,insisto,espécie de pedágio urbano. Não bastasse isso,duvido que o transporte público em Estocolmo não fique entre os melhores do mundo.

 

No Brasil, sei quem adora um congestionamento: Maria das Graças da Silva Foster, presidente da Petrobras.Ela pode ter feito essa confissão de brincadeira,mas falou sério quando declarou que o negócio dela é vender gasolina. Veículos que se metem em engarrafamentos gastam mais combustível.

 


Milton Ferretti Jung é radialista, jornalista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: lutamos, sofremos e vencemos

 

Grêmio 2 x 1 Independiente (COL)
Libertadores – Arena

Lutamos, acertamos, erramos, sofremos e vencemos. Com a mesma precisão com que distribuiu passes, driblou adversários e despachou bolas que rondavam nossa área, Souza descreveu a vitória que nos deixa com vantagem na disputa pela vaga às quartas-de-final da Liberadores. Um resultado que ganhou dimensão diante das circunstâncias da partida, quando mais uma vez tivemos um jogador expulso (aliás, mais uma vez o mesmo) e, agora, contra o único time invicto na competição e com a segunda melhor campanha até aqui.

 

O gol de Vargas, de cabeça, premiou o atacante que, apesar da pouca estatura, se agiganta diante dos marcadores. Fez isto especialmente na partida desta noite quando teve uma de suas melhores apresentações desde que chegou à Porto Alegre.

 

O gol de Fernando, de fora da área, consagra a história deste volante que talvez seja, hoje, o jogador que mais bem simboliza a saga gremista. Foi dele que saiu, em entrevista ao fim do jogo, a fórmula para superarmos nossas carências: cada um deve jogar 10% a mais para substituir a ausência do colega expulso. Ele, com certeza, jogou muito mais do que isso e se transformou no herói da partida.

 

Para um clube que forjou sua vida nas conquistas históricas e construiu a imagem de Imortal, não podemos esquecer que, nesta noite, tínhamos, ao lado do campo, o estigma de um vencedor: o técnico interino Roger.

 

Que venha a próxima batalha!

No Reino das Biografias

 

Por Carlos Magno Gibrail

Roberto Carlos não gosta nem mesmo de caricatura

 

Essa nossa mania de chamar de “Rei” personalidades do mundo pop tinha mesmo que sair da metáfora e extrapolar ao mundo das divindades. É o que está acontecendo com Roberto Carlos, o cantor. E, com o beneplácito geral, até mesmo da mídia, que nem liga ao fato de RC não atender jornalistas. Exemplo disto é o tom da coluna da Mônica Bergamo, ontem, destacando ações dos advogados do cantor a quem usar o nome ou a imagem do “Rei”.

 

Tema antigo, mas atualizado em virtude da tramitação no Congresso, através da CCJ Comissão de Constituição de Justiça, cujo relator Alessandro Molon (PT-RJ) conseguiu aprovar, há duas semanas, em caráter conclusivo, isto é, sem necessidade de ir a plenário, o Projeto das Biografias 393/2011. Entretanto o deputado Marcos Rogério (PDT-RO), evangélico, apresentou recurso, sem data prevista para votação em Plenário. Desta forma, o Projeto não vai direto ao Senado e a parte mais importante que é a liberação para biografar pessoas com dimensão pública será ponto central das discussões. Marcos Rogério exemplifica sua preocupação: “Imagine que um adversário seu resolva fazer uma biografia para te atacar ou até mesmo que um aliado resolva te promover”. Por aí percebemos qual é a intenção do deputado que registra também a dificuldade de estabelecer a dimensão pública do biografado, obstáculos visivelmente sem consistência.

 

Diante disso, a preocupante demora na futura tramitação no Congresso recebeu um alento. Eis que o “Rei” Roberto Carlos não gostou de um desenho seu estampado em uma dissertação de mestrado e enviou uma notificação extrajudicial à autora, Maíra Zimmermann. Aluna do Centro Universitário SENAC, com o apoio da FAPESP, publicou pela Editora Estação das Letras e Cores o livro “Jovem Guarda, Moda Música e Juventude”. A obra contempla seu trabalho acadêmico que se propõe a analisar o contexto da formação do mercado consumidor jovem resultante dos novos aspectos comportamentais da década de 60, e associado ao início da sedimentação do prêt-à-porter brasileiro.

 

A sintonia fina do trabalho, a extensão estritamente acadêmica, o específico mercado potencial, nada disso inibiu o “Rei”, cujos advogados argumentaram: “a própria capa do livro contém caricatura do notificante e dos principais integrantes da jovem guarda sem que eles nem sequer fossem notificados”.

 

Nem D.Pedro II, Imperador de fato, numa época em que havia escravos, ousou usurpar o direito da caricatura aos súditos.

 

Acreditamos que a extrapolação de Roberto Carlos contribua para chamar a atenção dos parlamentares ao exagero a que a atual legislação permite chegar. Além do impedimento às informações históricas de personalidades relevantes da vida brasileira, cria-se combustível para ações doentias como esta.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Imposto de Renda

 

Por Julio Tannus

 

 

Ah se fosse de renda! Leve e delicado, trabalhado pelas mãos sensíveis das rendeiras nordestinas. Quanta farsa, quanta mentira neste nome. Seu verdadeiro nome é Imposto de Chumbo: pesado e muitas vezes mortífero. Vamos resgatar a verdade!

 

Precisamos de um movimento popular para diminuir a carga tributária, como a história nos conta: a Inconfidência Mineira (1789), a Revolução Americana (1776) e a Revolução Francesa (1789). No Brasil, o primeiro imposto era cobrado pela Coroa portuguesa, que arrecadava 20% (o quinto) de todo ouro encontrado no país, o que teria originado a expressão “quinto dos infernos”.

 

Temos hoje no Brasil mais de 70 tributos federais, estaduais e municipais em vigor. E um de nossos problemas é que essa carga tributária corresponde aos padrões europeus, mas possuímos indicadores econômicos de países pobres e serviços públicos de péssima qualidade. Ou seja, não temos retorno minimamente equivalente ao que é arrecadado!

 

O problema desses impostos é que eles tornam as mercadorias mais caras, estimulando desde os famosos sacoleiros que trazem muambas do Paraguai até o mercado informal de camelôs. Para o setor industrial e empresarial, a tributação excessiva torna os produtos brasileiros mais caros e, por isso, menos competitivos no mercado externo, encarecem o maquinário e estimulam a sonegação fiscal.

 

Já os impostos indiretos taxam a produção e comercialização de produtos e serviços, além disso, não trazem justiça social.

 

Só uma reforma tributária poderia corrigir essas distorções, propiciando uma redução da carga tributária e beneficiando as empresas e os trabalhadores. Entretanto, a reforma emperra na questão política, pois os políticos relutam em abrir mão dos ganhos no país, tanto na esfera federal, como nos estados e municípios. Em consequência, todas as propostas de reformas não foram a frente no Congresso Nacional.

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung