Jornal da CBN: – Alô, Ministro !? – Seu secretário tá preso

 

 

Aconteceu no Jornal da CBN de hoje: o prefeito José Fortunati (PDT), de Porto Alegre, era entrevistado sobre a Frente Nacional de Prefeitos, presidida por ele, e o barateamento das passagens de ônibus, quando encerrou bruscamente a conversa. Disse que na outra linha estava o Ministro da Justiça José Eduardo Martins Cardoso com uma informação urgente: “neste momento, o Ministro é prioridade” – disse Fortunati. Era mesmo. O ministro informava que o secretário municipal do Meio Ambiente de Porto Alegre, Luiz Fernando Zachia, estava na cadeia acusado de crime ambiental, lavagem de dinheiro e corrupção.

 

Ouça aqui a reação do prefeito que nos inspirou no encerramento do Jornal da CBN.

Tô de saco cheio: Oi, Vivo, NET e Sky na bronca do leitor

Fone Fácil

 

Semana passada estreei coluna Tô De Saco Cheio, para falar do direito ao consumidor, aqui no Blog. Não precisei esperar muito tempo para perceber que meu sentimento era compartilhado pelos caros e raros leitores deste espaço. Acompanhe a sequência de mensagens deixadas na área de comentários do meu texto:

 

O leitor Pedro reclama da cobrança indevida feita pela Vivo Celular SP, são R$ 94 a mais a cada conta, em função de serviço que não foi contratado por ele. A bronca da Márcia também tem como alvo empresa de telefonia celular, no caso a Oi, que aliás foi a campeão no ranking de reclamações dos Procons, no Brasil, em 2012, conforme dados do Ministério da Justiça. Ela conta que a Oi não cumpriu o prazo de sete dias para instalação de linha telefônica, no Morro dos Cabritos, em Copacabana, no Rio de Janeiro.

 

Já o Armando briga com a NET que lhe cortou o sinal por quatro dias em uma semana, a mesma empresa que tem provocado dor de cabeça ao nosso comentarista do Blog, Carlos Magno Gibrail. Aliás, outro dos comentaristas, Milton Pai, registrou queixa em relação a serviço da Sky que o deixou na mão em jogos comprados pelo PPV, mas ao menos foi ressarcido em parte depois que fez a reclamação. Aliás, vale a regra de reclamar sempre e pedir o dinheiro de volta pelo serviço não prestado, mesmo que para isso tenhamos que ganhar fios brancos de cabelo enquanto esperamos o atendimento nos SACs.

 

Leia o texto de estreia da coluna Tô de Saco Cheio e a reclamação completa dos leitores do Blog, aqui.

 

A propósito, não sei se você percebeu, mas semana passada foi a vez da Anatel – Agência Nacional de Telecomunicações divulgar pesquisa de opinião sobre o serviço das empresas de telefonia celular. Não surpreende que nenhum dos 200 mil usuários consultados tenha respondido estar totalmente satisfeito com a prestação de serviço. Os resultados indicam que, na telefonia pós-paga, 56% consideram o serviço mediano – portanto, nem estão satisfeitos nem estão insatisfeitos -, 29,5% estão satisfeitos e 14,5% insatisfeitos.

 

Sobre o assunto conversei com Marcelo Sodré, professor de direito do consumidor da PUC-SP, que chamou atenção para a responsabilidade da Anatel que deveria cobrar, punir e exigir serviços melhores das operadoras de telefonia celular.

 

Ouça a entrevista completa:

 

De falar e dizer, ouvir e escutar

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Você não sente, às vezes, que anda falando demais? Pois eu sinto, e comecei a treinar para dizer mais, falando menos. Para escutar, não simplesmente ouvir. É difícil, mais para uns do que para outros, mas é arte como pintar, esculpir, desenhar, expandir a consciência, fotografar, viver.

 

“A gente é jovem, a gente aprende.”

 

Eu gosto de olhar nos olhos de quem fala, e de escutar, não só de ouvir. Meio caminho andado, porque tem aqueles que gostam de falar muito, dizendo pouco, e para completar o quadro, têm alergia a escutar.

 

Quando a gente começa a exercitar uma coisa difícil, como é o falar menos, para mim, a gente percebe melhor alguns aspectos da própria personalidade. Tenho me dado conta do quanto sou intensa, apesar do meu modo aparentemente calmo de ser. Tenho me dado conta de como pode ser difícil conviver comigo, por isso. Agora, imagina viver dentro de mim.

 

Esse é um bom exercício, procurar imaginar como deve ser para o outro, viver dentro de si, com suas dores, alegrias, sonhos, ansiedade, tropeços, dúvidas, bobeadas e acertos.

 

Como diz o Nana: ‘Do outro lado do problema tem um ser humano fazendo o que pode para solucioná-lo, para resolver a situação. Não uma máquina.”

 

E continua dizendo que esse ser humano, na sua complexidade e no seu modo único de ser, vai resolver o que deve ser resolvido a seu modo, não ao nosso.

 

Assim, falando o menos que consigo, digo que é urgente que ensinemos aos nossos filhos, desde o seu nascimento, e que mostremos aos nossos jovens e aos nossos velhos a importância de aceitarmos a diferença em nossos semelhantes.

 

Aceitação, tolerância e respeito, já!

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: vamos ao que interessa

 

Juventude 1 (5) x (4) 1 Grêmio
Gaúcho – Alfredo Jaconi (Caxias do Sul)

 

 

Dia 1º de maio, 19h30, Arena, Porto Alegre.

 

Está lá, marcado na minha agenda com destaque e em azul. Esta é a decisão que nos interessa. Este é o jogo da temporada. Santa Fé, o inimigo a ser abatido. Um time argentino, com certeza. Uma decisão sul-americana, sem dúvida. Nada que fizemos (ou deixamos de fazer) até aqui é mais importante do que este compromisso em pleno feriado do Dia do Trabalho. Uma decisão de 180 minutos ou um pouco mais que tem de ser resolvida nos primeiros 90, se não quisermos estender nosso sofrimento. Apesar de que tudo que fizermos nesta primeira hora e meia de futebol, por melhor que seja, terá de ser ratificado na hora e meia seguinte, diante da torcida adversária. Por isso, reunir nossa força e história neste desafio inicial é fundamental para nosso destino em busca da marca maior, o  Tri da Libertadores. Temos de nos desvencilhar de todos os entraves que surgem nesta caminhada. Craques lesionados, guerreiros debilitados e lutadores em recuperação têm de se unir, contar com o apoio incondicional da torcida. As trapalhadas técnicas, os erros gerenciais, as carências estratégicas e percalços como a decisão de pênaltis na noite deste sábado têm de ser deixados para trás.

 

Temos de ser fortes e capazes de superarmos nossas deficiências e para tanto contamos com nossa história de imortalidade. E se você me provocar pelo mau resultado de hoje, perdeu seu tempo. Tudo que aconteceu em Caxias do Sul é ensinamento, é motivo de reflexão, é a penitência que temos de pagar pela grande conquista que sonhamos.

 

É isso que penso, é nisso que creio (principalmente depois de uma garrafa do malbec argentino Lindaflor La Violeta 2008 – mesmo porquê só bebendo para aceitar um chute como o do André Santos e a falta de criatividade para chutar a gol)

Mundo Corporativo: RH, muito além da folha de pagamento

 

O departamento de Recursos Humanos tem de ocupar posição estratégica dentro da empresa e participar do processo decisório, principalmente no que se refere às pessoas. A afirmação é do consultor de RH, Alfredo Bottone, em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. “Há 20 anos, o RH era apenas operacional, cuidava da folha de pagamento, fazia treinamento técnico e não estratégico, hoje lida com as questões das metas e performance dos colaboradores e gestores, e dos planos de sucessão”, explicou. Bettone é o autor do livro “Insights de um RH estratégico”, publicado pela Schoba, no qual reforça a ideia de que as corporações têm de tratar as pessoas reconhecendo que são elas os mais valiosos ativos da empresa.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e no Twitter @jornaldacbn. Aos sábados, o programa é reproduzido no Jornal da CBN. Você também pode colaborar com esta discussão participando do grupo Mundo Corporativo da CBN, no Linkedin.

Conte Sua História de SP: o médico da Freguesia do Ó

 

Por Luís Augusto do Prado
Ouvinte-internauta

 

Ouça esta história que foi ao ar na CBN, sonorizada pelo Cláudio Antonio

 

A história de São Paulo que quero contar não é minha, e como dois dos personagens já são falecidos, o outro não conheço, fico à vontade e omito os nomes.

 

Aconteceu no início dos anos 1980.

 

O tio do meu pai era um homem dinâmico, nasceu em 1900, foi um dos fundadores do sindicato de sua categoria, andava muito a pé, morava na rua Itapeva, ia e voltava ao trabalho na Santa Cecília, às vezes ia em casa ou na da minha tia, ambas na Freguesia do Ó, sempre a pé. Recuperou-se de derrames com fisioterapia caseira, ele mesmo fez “instalações” para isso. Por isso sempre teve físico bom.

 

Uma noite, só com a esposa em casa, ele caiu no banheiro.  Como ela não tinha força para levantá-lo, não pensou duas vezes, foi à rua e pediu ajuda ao primeiro homem que passou. Esse, gentilmente, atendeu ao pedido, ajudou a colocar na cama, aguardou que ela fizesse curativos, conversou um pouco com eles e não esperou nem por um cafezinho.

 

No dia seguinte, toca a campainha. A tia foi ver quem era, não tinha a visão muito boa e não reconheceu a visita. Foi até o portão. Continuou não reconhecendo quem era. Então o homem perguntou pelo marido dela e se identificou dizendo que ele é quem tinha ajudado na véspera. Ela fez com que entrasse e logo o homem foi ver o Tio. Conversou com eles e se apresentou: era médico e acabara de fazer seu plantão no hospital Umberto Primo, que ficava próximo.  A tia questionou porque na noite anterior não se identificara e ajudou a fazer os curativos. O doutor respondeu que ela os fez muito bem e que viu que o Tio estava bem, batimento cardíaco, temperatura, bem orientado. 

 

Isso foi há 30 anos,

 

Já hoje…. é uma outra história.
 

 

Luís Augusto do Prado é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br. Ou agende uma entrevisa, em áudio e vídeo, no Museu da Pessoa. Para ouvir outras histórias de São Paulo vá no blog, o Blog do Mílton Jung

Ideia do Adote Um Vereador vira lei em São Paulo

 

 

O Serviço de Atendimento ao Cidadão, no site da prefeitura de São Paulo, passará a estampar um ícone que permitirá o envio de fotografias pelos moradores que registrarem reclamações sobre buraco na via, calçada ruim, árvores necessitando de poda ou semáforo quebrado, por exemplo. O mesmo benefício também será oferecido a quem procurar o SAC, pessoalmente, nas 31 praças de atendimento das subprefeituras.

 

O prefeito Fernando Haddad (PT) transformou em lei a ideia que foi apresentada por Cláudio Vieira, do Adote um Vereador, ao seu “afilhado”, o vereador Marco Aurélio Cunha (PSD). O parlamentar apresentou o projeto de lei, no ano passado, e antes de ser aprovado pelos colegas da Câmara já havia recebido prêmio da Fundação Mário Covas por “Boas Práticas Legislativas”. De acordo com o verador Cunha, a lei “vai melhorar para o munícipe, que poderá embasar melhor seus pedidos, e para a prefeitura, que vai agilizar o atendimento da solicitação, já que a zeladoria do município terá a real dimensão da solicitação ao ver a imagem”.

 

A transformação em lei de uma ideia que surgiu de um cidadão é motivo de orgulho para todos que participamos do Adote um Vereador, pois além de mostrar que somos capazes de interferir no desenvolvimento da nossa cidade, ratifica a importância de as pessoas se aproximarem do legislativo e acompanharem de perto o trabalho dos parlamentares. Cláudio Vieira já tem outra de suas ideias transformada em projeto de lei e aprovada em primeira votação, na Câmara Municipal. É a que obriga os valets a registrarem a quilometragem do carro no boleto entregue ao motorista. Uma forma de impedir que o veículo seja usado indevidamente pelos manobristas.

 

Parabéns ao Cláudio e a todos que acreditam no poder do cidadão. Obrigado ao vereador Marco Aurélio Cunha por ouvir a palavra do cidadão.

A gente não quer carro, quer se deslocar

 

Este texto foi escrito, originalmente, para o Blog Adote São Paulo, da revista Época São Paulo

 

Ônibus atrasado, passageiro no ponto

 

Ter carro próprio é sonho que se equivale ao da casa própria, com a vantagem de que os governos sucessivamente criam políticas que facilitam o acesso ao automóvel. O garoto próximo de completar 18 anos já vislumbra ganhar um modelo zero quilômetro do pai se passar no vestibular. A marca e os acessórios podem significar ascensão social no grupo em que vive e mudar seu relacionamento com os amigos (e amigas, principalmente). Esta cultura que impera no Brasil tem peso significativo na nossa qualidade de vida com a piora da poluição ambiental, doenças pulmonares graves e riscos à vida. O ambiente urbano está entupido, cenário que não se resume às grandes cidades. Médias e pequenas também enfrentam esta dificuldade e ouvem reclamações de seus moradores que pedem mais investimento em avenidas, pontes e asfalto.

 

Pesquisa do Instituto Akatu, que prega o consumo consciente, porém, revela mudança de comportamento no cidadão, talvez pelo esgotamento do modelo anterior. Ao ouvir cerca de 800 pessoas, de todas as classes sociais e em diversos Estados, descobriu que antes de ter um carro, o brasileiro quer mesmo é ter o direito de se deslocar pelas cidades com segurança, conforto e flexibilidade. Em uma escala de 0 a 10, a mobilidade alcançou índice de 7,9, enquanto ter carro próprio, 4,9. De acordo com os dados, até mesmo para quem não usa carro próprio em seu cotidiano (82% dos entrevistados), a preferência é fortemente em favor da mobilidade (7,7). “O resultado da pesquisa é uma prova do equívoco que são as políticas públicas que priorizam os carros. As pessoas podem ter carro, mas antes de serem proprietárias de automóveis, elas querem eficiência no transporte”, me disse o diretor-presidente do Akatu, Hélio Mattar.

 

A implantação de corredores de ônibus e faixas exclusivas para o transporte público, medidas de baixo custo que reduzem o tempo de deslocamento e oferecem mais conforto aos passageiros, têm de ser prioridade. Importante, também, dar mais velocidade aos projetos de ampliação das redes de metrô e trem, para atender a demanda crescente da população. Nessa quinta-feira, em Brasília, o prefeito de Porto Alegre, José Fortunatti (PT), que assumiu a Frente Nacional dos Prefeitos, defendeu a união dos governos federal, estadual e municipal no sentido de desonerar o setor de transporte e aumentar os investimentos, tornando as passagens de trem, metrô e ônibus mais acessíveis.

 


Conheça a pesquisa “Rumo à Sociedade do Bem-Estar”, do Instituto Akatu

Pequenas cidades e grandes problemas

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Imagino que inúmeras pessoas residentes em cidades grandes, uma vez na vida,pelo menos,cogitaram trocá-las por uma de menor porte ao atingir a idade madura e desde que tenham amealhado pé-de-meia capaz de sustentá-las. Por que fariam tal escolha? Viver em metrópoles,é inegável,tem lá as suas vantagens. Quem pesar os prós e os contras,no entanto,talvez entenda que, nessas, os congestionamentos, a poluição e,em especial,a insegurança, que é cada vez maior,conspiram e contra a sua permanência.

 

Nasci em Caxias do Sul,na casa dos meus avós maternos. Meus pais me trouxeram para Porto Alegre quando completei uma semana. Durante toda a minha infância e mesmo ao me tornar adulto,visitei com frequência minha cidade natal,seja para visitar os inúmeros parentes que lá moravam,seja por razões profissionais. Narrei,para a Rádio Guaíba, muitos jogos da dupla Gre-Nal contra os dois times de Caxias:o Juventude e a Sociedade Esportiva e Recreativa Caxias. Fui,com isso,acompanhando o crescimento do município.

 

Meus avós moravam na Avenida Júlio de Castilhos,em um sobrado de quatro pisos,se esses fossem contados do porão ao sótão. A Júlio se estendia,em linha reta,do bairro de São Pelegrino até a saída da cidade e, então,ainda não possuía calçamento. Quando chovia, virava um lamaçal,dando muito trabalho para ser vencida pelos enormes caminhões carregados de toras de madeira. Com o passar dos anos,Caxias do Sul foi ficando cada vez mais povoada. Os italianos,que a colonizaram,se viram obrigados a conviver com oriundos de municípios menores ou até de outros estados. Aos poucos,Caxias passou a ser notícia nas páginas policiais. Crimes de toda espécie eram e são cometidos. Recordo-me que,durante bom tempo,era fácil estacionar o carro no centro,na praça, em frente à Catedral. Hoje,a cidadezinha na qual nasci,transformou-se em metrópole,com todos os defeitos que foram crescendo com ela.

 

Lembrei-me de Caxias do Sul porque a vida lá somente ficou complicada com o seu rápido crescimento. Muitas das cidades do interior gaúcho não vão chegar nem perto do tamanho dela. Não serão,todavia,pacatos pequenos municípios,em condições de receberem quem pensa fugir,por exemplo,do caos porto-alegrense,piorado com a Copa das Confederações e a Copa do Mundo. Esses sofrem por não contarem com hospitais,com policiamento capaz de impedir a invasão frequente de quadrilhas de assaltantes de bancos,como a que espalhou o terror em Pedras Altas,nesta semana. Quase todos os dias,aqui no Rio Grande do Sul,ocorrências iguais a de Pedra Altas são registradas pela mídia gaúcha. Será que alguma família idosa e ou de aposentados,diante das circunstâncias,ainda sonha em viver no nosso interior?

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Qual é o seu número?

 

Por Carlos Magno Gibrail

Há pessoas que se interessam pela moda, e a seguem. Outras nem tanto. Mas, a grande maioria se importa com o tamanho adequado ao seu corpo e ao seu modo de ser. Modelagem de acordo com a tendência, modelagem em função do estilo independente da moda, modelagem para exibir o corpo, são preferências que ainda exigem parte do ritual da época das costureiras e alfaiates. Provar as roupas.

 

A roupa feita, ou o “pronto para vestir” (prêt-à-porter) não conseguiu manter a etiqueta de tamanho como a indicação necessária e suficiente para representar as dimensões do produto. A fragmentação do setor de confecção, com milhares de produtores e marcas, a competição, e a diversidade de tipos físicos tornaram o padrão de medida tão necessário quanto complexo determiná-lo.

 

Esta semana o SENAI-CETIQT se apresentou na mídia com um projeto de levantar 10000 amostras de pessoas escaneadas em 100 pontos de medida computadorizada e mais 21com fita métrica. Ressaltando que estas medidas estão sendo realizadas por região geográfica.

 

Uma novidade, pois apresentada como ação para finalmente estabelecer um padrão de tamanhos brasileiros, não traduz toda a verdade histórica.

 

O fato é que a ABRAVEST em 1987, presidida por Roberto Chadad, através do CB17 Comitê Brasileiro do Setor Têxtil iniciou os estudos para a determinação de um padrão de medidas.

 

Procuramos então Chadad, que ainda hoje preside a ABRAVEST , e nos informou que já existe o padrão para a moda masculina, estabelecida na resolução ABNT 16060 em vigor a partir de 9/5/2012 com determinação da obrigatoriedade em seis anos, ou seja, 9/5/2018, cuja fiscalização será feita pelo IPEM. Dentro de um ano sairá a regulamentação para o setor feminino, mesmo com o Sindicato patronal de confecção feminina sendo contrário.

 

Roberto Chadad acredita que o estudo do pessoal do CETIQT deverá apenas auxiliar na validação da norma do CB17, embora os critérios sejam bem diferentes e sem o poder de normatizar.

 

O CB17 começou com os levantamentos e estudos dos componentes de toda a cadeia têxtil. Principalmente com estilistas, modelistas, confeccionistas e varejistas. Os dados de cada componente do setor foram trazidos e analisados em 12 reuniões técnicas. A primeira informação é a altura, a seguir ombro, manga, cintura, comprimento entre perna, comprimento lateral e diagrama do esqueleto apresentando graficamente estas medidas, que serão mostradas em todas as etiquetas no varejo. Esta configuração está segmentada para três tipos físicos. Especiais, normais e esportistas.

 

Chadad lembra ainda que a amostra do CB17 é imensamente maior, pois envolve o resultado de grande quantidade de empresas fornecedoras, com total pluralidade de perfis.

 

O padrão de medidas certamente beneficiará a grande maioria do mercado de moda, que desde já adverte: não crie confusão siga o padrão.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.