Este texto foi publicado originalmente no Blog Adote São Paulo da revista Época São Paulo
A violência na cidade de São Paulo tem assustado, apesar de os índices de criminalidade terem sido melhorados nos últimos dez anos. Nenhum número consegue impactar mais do que os casos de assassinatos, chacinas, assaltos e roubos que noticiamos diariamente. Recebo críticas frequentes de ouvintes e leitores que entendem que ao publicarmos tais fatos estamos apenas tornando ainda pior o ambiente urbano, enquanto outros mais radicais veem na divulgação desta violência uma conspiração – às vezes com interesses partidários, às vezes, regionais – contra São Paulo. Concordo que há uma super valorização das notícias relacionadas à segurança pública e situações menores acabam surgindo com o destaque das manchetes. É recomendável um pouco mais de ponderação no momento de realizarmos a cobertura jornalística sobre o tema. Deixar de tratar todos os B.Os com a mesma importância.
Exageros da imprensa e teorias absurdas à parte, é evidente que temos acompanhado desde o segundo semestre do ano passado um descontrole da situação, com quadrilhas de bandidos e de farda se enfrentando nas madrugadas. A troca do comando da Segurança Pública em São Paulo foi uma reação a esta realidade na maior parte do tempo negada pelo Governo Alckmin. Outro sinal da preocupação que existe foi a medida, anunciada nesta semana, que proíbe os PMs de socorrerem vítimas de violência, com a intenção de acabar com os casos em que o “suspeito morreu a caminho do hospital”.
Semana que vem, às vésperas do aniversário da cidade de São Paulo, grupos da sociedade civil entregarão ao prefeito Fernando Haddad manifesto convocando as autoridades a trabalharem com o objetivo de “eliminar a violência na raiz de suas causas”. O texto será levado, também, aos Governos Federal e Estadual, e alerta para a necessidade de se melhorar as condições sociais e econômicas da população como forma de reduzir as desigualdades e injustiças. Pede a qualificação e melhoria das condições oferecidas às polícias, e o combate a corrupção entre outras formas de se combater à violência.
A iniciativa é da Rede Nossa São Paulo, Centro Santo Dias de Direitos Humanos da Arquidiocese de São Paulo, Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, Instituto São Paulo contra a Violência, Pastoral Fé e Política da Arquidiocese de São Paulo e Sociedade Santos Martires. O manifesto será entregue ao Prefeito Fernando Haddad no lançamento da IV edição do IRBEM, que ocorrerá no dia 17 de janeiro, às 10h, no Sesc Consolação.
Leia o texto completo com a proposta das entidades a seguir:
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