Nem 8 nem 80!

 

Por Julio Tannus

 

Há alguns anos, um amigo meu nascido e crescido em São Paulo recebeu uma herança. Cansado das contravenções impunes e da pesada carga tributária sem retorno, tomou nas mãos o globo terrestre e passou a meditar sobre qual país seria ideal para morar. A Suíça foi o escolhido. Passou então a morar em um condomínio de luxo e comprou um belíssimo automóvel.

 

Após alguns dias no novo domicílio, ao entrar em seu apartamento, toca o interfone e uma voz pede que compareça a entrada do condomínio. Dá de cara com um policial, que com uma fita métrica nas mãos mostra que seu carro foi estacionado alguns centímetros além da guia, e, portanto ele, o policial, iria autuá-lo por desrespeito a lei.

 

Passado algum tempo, após multas e mais multas, chega ao condomínio bastante irritado e dá um tapa em uma planta. Ao entrar em seu apartamento o zelador lhe informa que acaba de multá-lo por agressão a vegetação. Foi a gota d´agua! Arruma as malas e retorna a São Paulo.

 

Outro dia desses, ao recordar esse episódio, passei a observar com mais atenção o comportamento de nós paulistanos.

 

No trânsito: motoristas falando ao telefone celular enquanto dirigem. Carros parados em fila dupla com pisca alerta ligado em vias de mão dupla, e, portanto, impedindo a passagem de veículos indo na mesma direção. Carros fazendo conversão sem acionar o pisca-pisca. Pedestres que atravessam fora da faixa. Carros que não respeitam pedestres. Motociclistas aos montes vindo em ambos os lados dos automóveis em alta velocidade, sem qualquer regulamentação, etc…

 

Trânsito em São Paulo

 

No Metrô: ninguém ou quase ninguém obedece aos avisos

 

 

Nas escadas rolantes: apesar dos avisos, nenhum deles é seguido pela maioría dos usuários

 

 

E assim por diante…

 


Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung

Carta a um sobrinho corintiano

 

Por José Renato Santiago
Amante do futebol e ouvinte-internauta

 

Meu querido sobrinho, Felipe.

 

Sua mãe, minha irmã, é testemunha sobre o quanto a sua chegada foi desejada.
Em 1995, quando ela engravidou pela primeira vez, ganhei de presente ser padrinho de sua irmã, Mariana.
Uma grande alegria e orgulho para mim.
Em 1999, quando sua mãe nos avisou que o meu primeiro sobrinho viria ao mundo, vibrei!!!
Mesmo assumindo, apenas, o papel de tio, me satisfez muito saber que passaria a ter um novo amigo para ir comigo aos jogos do meu tricolor.
Olha que tentei.

 

Seu primeiro jogo no estádio foi um São Paulo x Juventus no Morumbi.
Escolha estratégica, adversário supostamente tranquilo, tudo convidativo para fazer alguém se tornar são paulino.
Bem, só não avisaram isso ao Juventus que venceu por 1 a 0 naquele dia.
Não foi problema, você era tão pequeno que nem notou a derrota do São Paulo.
Ainda assim, fui tentando de trazer para o meu lado rs rs.

 

Em uma partida do São Paulo x Rio Claro, conseguiu que você, juntamente com seu irmão, Marcos, entrassem junto com a equipe tricolor, ao lado de Ceni.
Desta vez, vitória tricolor, para mim, o jogo estava ganho.
Ledo engano…

 

Em 2007, o Corinthians estava muito mal no campeonato brasileiro e acabou rebaixado.
Novamente, achei que estava resolvida esta questão, ainda mais porque o São Paulo tinha sido campeão.
Mas naquele dia, o do rebaixamento, a primeira coisa que você fez foi: vestir a camisa do Corinthians e ficou com ela a semana inteira.
Realmente, o jogo estava ganho, você seria corintiano.

 

Aliás, foi com você que aprendi a respeitar efetivamente os torcedores rivais.
Não que eu fosse desses torcedores que saem ofendendo os rivais, mas achava, até então, impossível ter um corintiano na minha família (lembrando que cunhado, seu pai, não é parente rs).

 

Minha torcida contrária ao Corinthians continuou, mas certamente sem a mesma força de antes, graças a você.
Não conseguia realmente torcer de forma contrária da mesma maneira.
Esta Libertadores, torci a favor do Vasco, a favor do Santos e até mesmo a favor do Boca…
Mas, capitulei…

 

Acompanhei a sua aflição…
Acompanhei a sua alegria…

 

E mais, é difícil deixar de admitir que a atual equipe corintiana é realmente merecedora da conquista da Libertadores deste ano.
Sendo assim, não irei torcer a favor do seu time, mas sim que você fique feliz com o resultado.
Pois independente do resultado, para você, o Corinthians é sempre Corinthians e isto é o suficiente!

 

Um grande abraço de seu tio tricolor desde sempre.

O roteiro turístico da corrupção

 

Leio que Rafael Greca será candidato do PMDB para prefeitura de Curitiba e me lembro de ideia inusitada defendida por ele em entrevista que fiz na época em que apresentava o CBN São Paulo. Em 1998, o País assistiu às denúncias de envolvimento de funcionários da prefeitura de São Paulo em casos de corrupção, durante a gestão Celso Pitta, que levaram a Câmara Municipal a instalar a CPI da Máfia dos Fiscais. Foi um marco na luta contra a corrupção, definiu o promotor Roberto Porto, do Grupo de Repressão ao Crime Organizado (GAECO), pois pela primeira vez na história da cidade um vereador foi condenado à prisão. Vicente Viscome, denunciado em 1999, foi para a cadeia por fazer parte do esquema de cobrança de propina.

 

Greca em mais uma de suas ideias mirabolantes propôs que São Paulo criasse uma espécie de roteiro turístico da corrupção que passaria pela sede do Ministério Público, onde as investigações eram feitas, pela Câmara Municipal, que havia instalado a CPI e de onde saíram parlamentares envolvidos no caso, pelos prédios que teriam sido beneficiados com o pagamento da propina, e, claro, pela cadeia onde Viscome estava preso. O ex-vereador seria apresentado como um troféu no combate à corrupção. Imagino que este roteiro ganharia novos rumos, incluindo, hoje, os shoppings centers que pagaram para construir além do permitido por lei ou criaram vagas invisíveis de estacionamento.

 

A ideia, lógico, não prosperou. Tempos depois, Rafael Greca acabou deixando o Ministério do Turismo acusado de envolvimento com casas de bingo e máquinas caça-níquel (incrível, Carlinhos Cachoeira já tinha seu dedo nesta história). Nada ficou provado contra ele, mas as denúncias marcaram sua carreira política. A propósito: Vicente Cândido condenado a 16 anos de prisão já está em liberdade e chegou a pensar em voltar para a política. Não conseguiu (até agora).

Avalanche Tricolor: goleiros, eles não são o problema

 

Grêmio 0 x 1 Atlético – MG
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

 

Três defesas incríveis de Marcelo Grohe, que impediram uma derrota vexatória em casa, foram provavelmente os únicos momentos em que a torcida do Grêmio pode comemorar com satisfação, no início da noite deste domingo. O goleiro, que fazia sua estreia no time titular, apenas ratificou a opinião de muitos torcedores que confiam nele desde que demonstrou talento e segurança substituindo Galatto e depois Victor, sempre que este era convocado para a seleção brasileira. Grohe é mesmo um goleiro de qualidade, transmite seriedade e esperou muito pela chance de vestir definitivamente a camisa de número 1. Desejo que todos estes anos de paciência e resignação sejam recompensados.

 

Vibrar com as defesas de Grohe, porém, está muito aquém do que imaginava para esta que foi a mais importante partida que disputamos neste campeonato até aqui. Os três pontos desperdiçados nos colocariam em posição privilegiada na competição e impediriam a ascensão do adversário à liderança. Neste Brasileiro de pontos corridos, jogos assim são como se estivéssemos em uma final, o que a comemoração dos “mineiros” após o jogo deixou bem claro. E em decisão se espera não apenas bola no pé, mas bola chutada com perigo no gol, caminho mais apropriado para chegarmos ao resultado positivo.

 

A derrota apenas reforçou o sentimento de frustração que se revelou, há três dias, quando soube que o Grêmio havia vendido Victor para o Atlético Mineiro. Ao contrário de uma parcela da torcida, continuava a confiar na performance dele. Mais importante, porém, é que ele era dos poucos ídolos que ainda estavam preservados no clube que tem se especializado em se desfazer de seus principais jogadores sob a justificativa de que é preciso deixar as contas em dia. Concordo que não se pode cometer absurdos com o dinheiro alheio, mas talvez se deixassem de gastar na contratação de gente que não faz a menor diferença para o elenco nem são capazes de comover um torcedor, sobraria mais para segurar aqueles que respeitamos.

De remédios

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Falávamos de remédios, suas fórmulas, marcas, grifes e genéricos. Esse tem sido um assunto recorrente na pauta de papos aqui em casa, lá em cima, no jardim, em volta da mesa redonda. Nos perguntávamos principalmente como funciona essa coisa de grife e genérico. Alguém me diz se isto faz sentido: digamos que eu tenho um laboratório de produtos químicos, e um dos meus pesquisadores pesca uma fórmula que navegava no mar dos pesquisadores. Próximo passo é a comprovação de sua eficiência nos casos previstos disso, daquilo e daquilo outro. São os animais, as cobaias, que primeiro se submetem a testes que nem sempre dão certo. Feito receita de suflê. Só que como os animais não têm necessariamente nem isso, nem aquilo, e muito menos aquilo outro, é preciso que as doenças neles sejam provocadas, para então dar início à tentativa de curá-los com a nova receita. Se um percentual desses animais, que foram feitos doentes, se curarem ou ao menos sobreviverem, então recebo autorização para aliciar um número de pessoas que não têm dinheiro para continuar a comprar as drogas necessárias para abrandar ou mesmo curar seus males, ou não têm coisa melhor a fazer na vida, para substituírem os animais. Não vem me dizer que se submetem a isso por amor aos nossos irmãos, os humanos, ou que se entregam de bandeja pelo desenvolvimento da ciência.

 

E assim, a partir desse passo, se os resultados forem satisfatórios, segundo critérios que desconheço, passo a ter uma fórmula aprovada para combater ou abrandar os sintomas dos tais males, e consigo um atestado de comprovação da sua eficiência por um órgão governamental.

 

Nós que ainda reclamamos da burocracia e da dificuldade aqui no nosso patamar de vis mortais, nem podemos imaginar quantos despachantes e lobistas, quanto tempo, quanta paciência, quanto rapapé e quanto dinheiro são necessários para a autenticação de um trem desses e sua consequente fabricação.

 

Obstáculos superados, muito tempo e muita verba depois, diploma da fórmula na mão, lá vou eu reproduzir essa receita, pagar pela criação de peças de propaganda, desenhar embalagens atraentes para convencer o prezado público de que ele precisa daquela receita, e fazer muita visita, oferecer mimos, amostras, e às vezes mais do que isso, aos médicos das áreas específicas. Confecciono então caixas de dez ou de quinze comprimidos, quando a dosagem usual mínima são cinco. Aliás, nas andanças por hospitais e farmácias, descobrimos que existe uma lei que diz que podemos pedir para abrir a caixinha e comprar metade dos comprimidos, pagando portanto metade do preço, ou um terço deles, ou a quantidade prescrita pelo médico, de acordo com minha idade, peso, condições físicas, histórico do mal que me aflige, entre outros, mas as farmácias não são obrigadas a obedecer essa lei (!) se não tiverem em suas dependências uma sala com especificações laboratoriais de higiene e uma série de exigências determinadas por um desses órgãos governamentais. Daí que como todos os donos de grifes de farmácias ou os seus franqueadores dizem que não têm recursos para projetar e executar a tal sala, e como existe outra lei dizendo que ninguém pode obrigá-los a fazer isso, ninguém faz. Resultado, ninguém vende o número de comprimidos que precisamos, e fica por isso mesmo, e pronto. Levamos os tais comprimidos para casa, tomamos a quantidade prescrita e esperamos que seu prazo de validade vença, ou vai que…, para aliviarmos o armarinho dos remédios, que representam um risco enorme e causam acidentes sérios com crianças que estão na fase de descobrir o mundo a partir de suas casas, dos armários de panelas e de tudo que possam alcançar se esticando ou trepando em banquinhos mambembes para chegar ao desconhecido.

 

Mas aí transitamos também por outra lei; a dos genéricos. Agora, vamos pensar juntos: se eu confecciono uma receita de droga com nome de Bolo e o mesmíssimo item sem nome, mas com a sua receita no rótulo, eu deveria vender aquele que tem a receita no rótulo, mais caro do que vendo o outro que tem apenas quatro letrinhas. Mas parece que também não funciona assim. O item sem nome, o genérico, custa, às vezes, menos da metade do preço do produto que só traz quatro letras em seu nome. E tem mais, se eu sou dona da receita, devo disponibilizá-la para que possa ser elaborada por outros laboratórios, ou pelo meu mesmo. O importante aqui, e meu maior ponto de interrogação, é saber como é possível fabricar a mesmíssima coisa, com nomes diferentes, pela metade do preço. E aqui não falamos de bolsa ou cd pirata. Falamos de vidas, de bem-estar e de saúde; da vida do cidadão.

 

Será que só eu tenho estas perguntas? Quanto a mim, é só o que tenho, por isso, entro com as perguntas, e se você puder e quiser me ajudar, entre com as respostas, ou não, e até a semana que vem.

 


Maria Lucia Solla é professora, realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Dica gourmet: prato espanhol

 

Por Dora Estevam

 

 

Faz tempo que não falo de comidinhas, né? Como eu gosto muito de receitas e de comida, eu pedi uma força para o meu amigo Horácio Cymes, um dos owners do Buffet Arroz de Festa, me ajudar. Eu amo as comidas dele e hoje a dica vem com muitos frutos do mar, já sabe qual é? Paella! Que tal, gosta? Então, vamos anotar tudo direitinho e tentar fazer em casa, vai ser um sucesso.

 

Ingredientes:

 

500g de camarão
500g de lagosta com casca
500g de mexilhão
500g de polvo picado
500g de lula em anéis
6 colheres (sopa) de azeite
2 colheres (café) de alho
5 xícaras de água
2 e 1/2 xícaras de arroz
2 cebola pequena branca picada
2 cebola pequena roxa picada
300g de vagem picado
300g de ervilha em grão
1 pimentão vermelho
1 pimentão verde
1 pimentão amarelo
1 maço pequeno (50 gramas) de salsinha e cebolinha verde picadas
2 colheres de chá de pó de açafrão espanhol
Sal e pimenta a gosto

 

Modo de preparo:

 

Fritar o alho no azeite até ele ficar dourado. Em seguida, colocar todos os frutos do mar e refogá-los. Acrescentar a água, o arroz e o pó de açafrão. Quando a água ferver, acrescentar as cebolas, a vagem, a ervilha e os pimentões. Somente depois que desligar o fogo, adicionar a salsinha e a cebolinha verde picadas. Decorar o prato com casquinha de mexilhão, camarão, lagosta, perninha de polvo, salsinha e cebolinha. Bom apetite!

 

Muito simples, não acham? Desejo que você faça esta receita e reúna os amigos para um bom almoço, será um sucesso.

 

Depois me conta como ficou.

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida (e comida, também), aos sábados, no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: não basta ser, tem de parecer Verde

 

As montadoras de carros, os fabricantes de eletrônicos e a indústria da área de consumo aparecem em destaque no ranking global das 50 melhores marcas verdes, desenvolvido pela Interbrand, consultoria internacional de marcas. O estudo teve como base as 100 maiores marcas do mundo e identificou qual o comportamento dessas empresas na questão ambiental e como as pessoas percebem estas ações. O diretor-geral da Interbrand no Brasil Alejandro Pinedo, entrevistado no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, disse que “acreditamos que as marcas verdes mais fortes existem onde a percepção e o desempenho se encontra – uma diferença positiva ou negativa representa um risco para a marca ou um recurso subutilizado”. Os riscos que enfrentam as empresas que falam mais do que fazem e as estratégias para que as marcas que desenvolvem ações ambientais sejam mais bem percebidas também foram temas do programa. A classificação com as principais marcas você encontra aqui.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br ou pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Sem cerimônia, "tchu, tcha" embala funeral

 

Cena assistida por conterrâneos durante funeral do ex-governador do Rio Grande do Sul Amaral de Souza, há duas semanas. No momento em que o caixão com o corpo chegava ao salão principal, o sucesso musical “Eu quero tchu eu quero tcha” começou a tocar e ecoou pelas escadrias do Palácio Piratini. Era o ringtone do celular que estava no bolso da calça de um dos funcionários da funerária. Antes que ele conseguisse soltar o caixão e desligar o telefone, em meio a risos e constragimentos, foi possível ver alguns presentes batendo o pezinho no ritmo da música de João Lucas e Marcelo.

Se tem Romarinho, não precisa se preocupar com os ataques

 

Texto publicado originalmente no Blog Adote São Paulo

 

Deixei minha casa, como faço toda semana, ainda de madrugada e com neblina forte no meio do caminho até a rádio, que tem sede no bairro de Santa Cecília, região central de São Paulo. Passei por ao menos dois postos de polícia e os cones estreitando as pistas, as viaturas com luminosos ligados e os homens de prontidão chamavam a atenção pelo comportamento atípico. Geralmente, esta parafernália está recolhida e os policias parecem mais relaxados, mas desde que ataques criminosos se iniciaram tendo bases da PM como alvos e uma série de ônibus foram incendiados, a situação mudou. Justifica-se esta atitude, pois à sociedade o que se sinaliza, quando os homens responsáveis pela segurança são vítimas da violência, é a nossa total fragilidade diante da violência.

 

Antes de chegar à redação, ouvi a participação do repórter Eliezer dos Santos, que faz a cobertura jornalística durante a madrugada na rádio CBN, na qual informava que mais uma base, esta na Zona Sul, havia sido atingida por oito disparos que teriam partido de uma dupla que estava em uma moto. E que, na noite anterior, havia subido para dez o número de ônibus incendiados, o último em Ferraz de Vasconcelos, cidade da Região Metropolitana. Ao mesmo tempo, motoristas da companhia Via Sul, que rodam na região do Sacomã, tinham recolhido os ônibus temendo serem atacados.

 

Diante deste cenário de medo que impera na cidade nos últimos dias, fui surpreendido mesmo é com o diálogo descrito pelo jornal O Estado de São Paulo que, na noite de quarta-feira, recebeu ligação do Secretário de Segurança Pública Antonio Ferreira Pinto. Ele queria explicar porque havia pedido dois dias de licença do cargo em um momento de tanta tensão. Estava na Argentina para assistir ao Corinthians, seu time do coração, na final da Libertadores, compromisso que, segundo o próprio secretário, não o impedia de estar em contato, por telefone, com os comandos das duas polícias, a Militar e a Civil. Sem contar que se houvesse alguma urgência, estaria a apenas três horas de avião de São Paulo, rapidamente chegaria por aqui. Ferreira Pinto também tranquilizou a população – ao menos tentou – ao declarar que não havia nenhuma preocupação com os últimos acontecimentos, assim como não haveria provas de alguma conexão entre as ocorrências policiais das últimas semanas.

 

Pelo que pude entender, a preocupação mais imediata do secretário era com a Bombonera e o ataque do Boca. Mas, convenhamos, para encarar estes dois inimigos, Ferreira Pinto e toda a torcida do Corinthians tinham para defendê-los Romarinho.

Da pior espécie

 

Por Juliana Furtado
Ouvinte-internauta da CBN

 

O dedo do meio mostrado para mim por uma loira apressadinha, de dentro do seu carro na Marginal logo de manhã, me fez pensar na falta de educação que acomete aqueles que justamente têm acesso a ela.

 

O ma-educado típico não é a manicure, o cobrador de ônibus ou o frentista do posto, dos quais recebo frequentemente sorrisos e palavras de profunda inteligência.

 

Ele é o executivo-padrão que sai do restaurante da Faria Lima e joga papel de bala no chão. É o dono do carro mal-estacionado que come a vaga ao lado no shopping, jaula da humanidade pós-moderna. É o pai de família que trata o garçom com superioridade no restaurante da moda. É a dondoca que buzina lá atrás quando você pára o carro para o pedestre atravessar. Na selva de pedra, evolução zero.

 

Os macacos que apareceram outro dia no jardim da minha sogra são mais civilizados. Você dá a banana, eles pegam, não avançam. Respeitam o espaço do outro. Não fazem ideia do que é arrogância. Seguem o instinto, mas nele há coerência.

 

Aliás, olhando bem para eles, vi o quanto somos primatas. Aos macacos, as bananas. Aos homens, um curso de boas maneiras.