A história de um radialista fugitivo

 

Milton Ferretti Jung

 

Esta é mais uma história de rádio. Sei que quando escrevo sobre tal tema garanto, pelo menos, o interesse de um leitor: o Mílton, comandante deste blog, cujo gosto por este veículo sem o qual, é voz corrente, brasileiro não vive, rivaliza com o meu. Aliás, ele me mandou um e-mail, um dia desses, sugerindo que, volta e meia, contasse minhas experiências radiofônicas ou as vividas pelos meus colegas de profissão. Então, aí vai mais uma por mim protagonizada.

 

Corria o ano de 1977,véspera de uma Copa do Mundo que seria disputada na Argentina. Nossa seleção, que não obtivera sucesso na anterior, com sede na Alemanha, precisou participar das Eliminatórias do Mundial, competição em que não estava se saindo bem. Fui escalado para narrar Colômbia x Brasil. Ser escolhido pelo chefe da equipe esportiva da Rádio Guaíba, Armindo Antônio Ranzolin, para narrar um jogo desta envergadura era um privilégio. Meus companheiros na viagem com destino a Bogotá eram o comentarista Ruy Carlos Ostermann, o repórter João Carlos Belmonte e o operador Ronaldo Krebs.

 

Deixamos Porto Alegre num voo que nos levou a São Paulo. Lá (ou aí, como queiram) embarcamos para o destino final: a capital colombiana. Depois de uma escala em Manaus, viajamos mais algumas horas até desembarcar em Bogotá, onde chegamos no dia 4 de fevereiro, uma sexta-feira. No aeroporto de Eldorado tive minha primeira experiência com os 2.591 metros de altitude desta cidade andina. Há quem fique com falta de ar. Não foi o caso de nenhum do nosso grupo. Fomos de táxi para o Tequendama, hotel de cinco estrelas, um luxo. Nossa estada em Manaus seria de vinte dias. A seleção brasileira marcou para o domingo, 6 de fevereiro, um amistoso contra o Millionários, na época um dos mais badalados clubes de futebol bogotano.

 

No sábado, à noite, saímos a caminhar e acabamos jantando numa boate de bom nível. Até então, eu não tivera qualquer problema com a altitude. Comemos bem e bebemos moderadamente. Afinal, não se pode cometer qualquer tipo de exagero em véspera de uma jornada esportiva internacional. Voltamos os quatro para o Tequendama. Era madrugada e acordei com o estômago que parecia ter virado ao avesso. Se estivesse no México, pensaria estar sofrendo do Mal de Montezuma. Diz a lenda que todo estrangeiro que visita a Cidade do México arrisca-se a sofrer dele. Acordei mal. Não quis almoçar. Fomos para o El Campin para cobrir o amistoso da seleção brasileira contra o Millionarios. Narrei o jogo sentindo-me como um condenado. Meus companheiros foram passear na noite dominical de Bogotá. Fiquei sozinho no hotel e aproveitei para telefonar à Varig. Perguntei se a empresa tinha voo na segunda para o Brasil. Tinha, mas eu fui posto na lista de espera. Trocamos de hotel. No apartamento deste, dei um susto no Ruy ao lhe informar que eu logo iria para o aeroporto disposto a retornar a Porto Alegre. Solidariamente, os outros três me acompanharam. Antes, porém, sem que eu soubesse,o Ruy telefonara para a Guaiba comunicando que eu retornaria.

 

Voltei. O Ranzolin pediu ao Antônio Britto, coordenador do esporte,que me convencesse a retornar a Bogotá. O futuro governador gaúcho teve sucesso na empreitada. No dia seguinte, voei de retorno. No dia 20 de fevereiro narrei o  zero a zero de Brasil e Colômbia. Meu castigo foi pagar a viagem de volta. “Al fin y al cabo”, não tive prejuízo. As nossas diárias eram excelentes. O Belmonte, que viajava muito a serviço da Guaíba, com o que poupou em diárias, conseguiu construir sua casa. Talvez eu escreva alguma história sobre o João Carlos Belmonte.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

As 50 melhores marcas verdes do Planeta

 

No Mundo Corporativo que foi ao ar nesta quarta-feira, apenas no site da rádio CBN, apresentamos e analisamos o resultado do 2º relatório global das Melhores Marcas Verdes, segundo estudo desenvolvido pela Interbrand. Conforme prometi durante o programa, reproduzo o ranking com as 50 marcas que mais se destacaram neste estudo que abrange a percepção pública de desempenho com sustentabilidade ambiental e a demonstração desse desempenho para as marcas mais importantes do mundo. O relatório completo você acessa aqui, mas se quiser entender porque os fabricantes de automóveis aparecem tão bem colocados nesta classificação internacional, acompanhe a entrevista com o diretor-geral da instituição no Brasil, Alejandro Pinedo, que estará à sua disposição em vídeo na sexta-feira, no Blog, e em áudio, no sábado, no Jornal da CBN.

 

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Vale tudo: “Sempre antes neste país…”

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

 

As alianças políticas sempre fizeram parte do nosso sistema. Da época do Império quando os políticos se curvavam aos escravagistas, até os mais recentes episódios, protagonizados, por exemplo, por FHC e ACM, Serra e Kassab, Lula e Sarney, Lula e Collor. Entretanto, nunca antes com a repercussão do aperto de mão nos jardins da casa de Maluf.

 

De um lado a vantagem de 1 minuto e trinta segundos de TV, de outro um invejável currículo presidencial, evidenciava uma troca desigual. Acentuada pela ultima reserva de um partido que ainda guardava os resíduos de possuir um programa. Cuja antítese Maluf era o símbolo maior.

 

E, para confirmar o espanto geral daí advindo, perante a reação dos principais veículos de comunicação e dos mais importantes jornalistas, Lula empunha o velho chavão: “Não importa o que falem, importa que falem de Haddad”.

 

À luz da ação política, Luíza Erundina não perdeu tempo, usou o método de Jânio. Foi ao ataque e foi o destaque ao renunciar.

 

À luz da ciência política uma preocupação, muito bem colocada por Roberto Romano, professor de Filosofia da Unicamp: “Como o estado é o terreno da política, com seu enfraquecimento, somem a causa e a razão de qualquer doutrina. Na crise, o primeiro signo letal é a perda de substância programática nos partidos”.

 

Diante destes fatos, mais uma vez a cidade de São Paulo irá pagar a fatura. Para a eleição que se aproxima, não há vestígio concreto de algum programa partidário que aborde conceitual e tecnicamente os grandes problemas da metrópole. Além de correr o risco de novas alianças entre políticos e forças empresariais objetivando adensar ainda mais o solo paulistano. É hora de acionar o alarme do voto.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Soninha defende voto distrital misto e facultativo

 

Candidata à prefeitura de São Paulo pelo PPS, Soninha Francine defende a implantação do voto distrital misto em comentário publicado, neste blog, a partir de provocação feita por um dos nossos ouvintes-internautas. Dada a relevância da opinião dela, abro o comentário neste post com a intenção de gerar novas discussões. Antes registro, também, meus agradecimentos a Soninha por passar os olhos aqui e pelos demais internautas que preferiram registrar sua opinião no Twitter ou no Facebook. Aqui ou acolá, o fundamental é que as ideias políticas sejam tema de discussão permanentente nas redes sociais. E não me refiro apenas nas digitais, mas na sua escola, no trabalho, em casa, com a família e os amigos, também.

Vamos ao comentário de Soninha:

Voto distrital? PASSOU DA HORA! Muitas coisas precisam ser reformadas em nosso sistema eleitoral – sem falar no sistema político de modo geral. Essa é uma das sugestões mais SIMPLES de implantar e FÁCEIS de entender. Melhor do que o voto distrital “puro”, penso eu, é o distrital “misto”, em que o eleitor tem direito a dois votos: ele pode escolher UMA PESSOA, quer seja filiada a partido político ou não, como sua representante no Parlamento – isto é, reconhecendo que alguns eleitores não tem um partido com o qual se identifiquem de fato. No outro voto, aí sim ele escolhe UM PARTIDO, caso aprove seu programa, estatuto, conduta etc – e não faz distinção de pessoa, vota na legenda, isto é, no conjunto!, que terá uma lista pré-ordenada. Como será ordenada? Cada partido tem seus ritos, suas lideranças. (Não adianta fingir que a escolha dos candidatos agora é super democrática, porque NÃO É. Mesmo com a lista sendo, oficialmente, ordenada DEPOIS da votação, o partido sabe mto bem quem deve terminar em primeiro. Ou o PR deu aquele espaço todo para o Tiririca à toa?). E se não quiser votar… o cidadão NÃO VOTA! Votar só porque é obrigado não faz bem a democracia nenhuma. Pelo voto facultativo!! (Resumo das propostas do meu partido, o PPS, para a Reforma Política)

Considerações Contemporâneas

 

Por Julio Tannus

 

O Conhecimento

 

 

Os efeitos combinados da globalização e avanços da tecnologia da informação e comunicação desencadearam um processo onde a informação tornou-se disponível muito mais facilmente e em quantidade sem precedentes. Entretanto é preciso considerar que a informação torna-se necessária, mas não é suficiente. É preciso transformar a informação em conhecimento: o todo é maior que a soma de suas partes.

 

O Consumidor

 

 

No passado: o consumidor passivo, submisso, oprimido.

 

Sem Procon (Procuradoria de Proteção e Defesa do Consumidor), sem Pesquisa de Satisfação do Cliente, sem alternativa de escolha para várias categorias de produtos, etc.

 

No futuro: O consumidor resgata a sua alma, através das comunidades, dos blogs, dos comentários.

 

Internet amplamente acessível, inúmeras redes sociais, ampla gama de produtos dentro da mesma categoria, etc.

 

A Nova Geração

 

 

Lorena, com dois anos e meio de idade, ao ouvir que a sua avó por parte de pai era mãe de seu pai, retrucou “por que ele precisa de mãe, ele já é grande!”.
Em outra ocasião, sua mãe ao dar bronca nela respondeu “não mãe você não vai ficar brava comigo, eu que vou ficar com você”.

 

Catarina, hoje com 15 anos de idade, aos 12 anos escreveu:

 

Canto, poesia alçada
Aos ares de vasta alegria;
Sonho, sem cabeças ou pés
Sem pés fincados no chão.

 

Mundo vasto, desejo imenso
Calado, sem eira nem beira
E no fim, o que resta é somente
Aquilo que é infinito.

 

Tempo e espaço mentem.

 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” recém-lançado pela Editora Elsevier na Livraria Cultura. Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung

Cidadão propõe debate sobre Voto Distrital

 

De um dos caros e raros leitores deste blog recebi mensagem registrada na área de comentários que gostaria de compartilhar com você. David de Hollanda Viana se apresenta como engenheiro químico e mantém blog no qual discute a Proposta de Emenda Constitucional 523, que altera o sistema eleitoral nas cidades com mais de 200 mil eleitores, substituindo o atual modelo proporcional pelo distrital. Antes que você já corra os olhos para a mensagem dele, faço questão de agradecer ao David por provocar o debate e lembro que a criação do Adote um Vereador, há quatros anos, partiu do pressuposto de que boa parte do eleitorado não havia conseguido eleger o seu representante. Na cidade de São Paulo, calcula-se que apenas um em cada quatro eleitores tiveram sua escolha contemplada na Câmara Municipal, fato que não deveria desestimular a participação política do cidadão nem provocar o afastamento dele do parlamento. É fundamental que estejamos atentos ao que fazem os vereadores, portanto, convidamos o cidadão a escolher, ou melhor, adotar um e passar a fiscalizar, cobrar e monitorar seus atos. Mas vamos ao que pensa nosso leitor:

 

Vendo uma matéria sua, atentei para a frase do seu entrevistado “Você conhece o trabalho do seu vereador e do seu deputado?”. Esta frase oculta uma enganação. A propaganda eleitoral é individual mas a apuração é proporcional – por partido.

 

Exemplo. Nas últimas eleições em Belo Horizonte, o quociente eleitoral (número mínimo de votos por cadeira de cada um dos 41 vereadores) foi de aproximadamente 29.000 votos. Mais de 1000 candidatos. Os vereadores eleitos receberam, no total, menos de 25 % dos mais de 1 milhão de votos válidos. Os demais 75% dos votos necessários para completar o quociente eleitoral vieram dos votos de outros candidatos do partido, o voto de legenda. Votos de pessoas que votaram ingenuamente em um dos outros 950 candidatos !!!!!!!!!!

 

A reforma eleitoral precisa de ocorrer a partir da imprensa. Os políticos contam com o engodo atual. Por favor, ajude a esta causa. Dê transparência a este assunto. Meu blog tem algumas informações preliminares que talvez possa te interessar (acesse aqui).

 

Abs,
David de Hollanda Vianna
eng. químico (não sou político, mas filiado a um partido desde 1995, por princípios)

Coligações e negócios

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

 

Quando a legislação eleitoral permite coligações de qualquer naipe sem exigir um mínimo critério de afinidade entre os programas partidários ela dissemina uma falsa isonomia a partir da qual todos os partidos tem direito aos mesmos benefícios legais. Porém, na prática, este aspecto é o mesmo que vitaliza o embrião das não mais tão surpreendentes corrupções eleitorais e administrativas, as primeiras por conta de negociações de duvidosa probidade acerca dos horários de propaganda gratuita para a campanha eleitoral, as outras pelo loteamento de cargos públicos nas administrações.

 

De fato, partidos “sem voz” são aqueles que carecem dos elementos vitais em matéria de política: voto, prestígio e representatividade. Entretanto, nem mesmo esta anemia se revela capaz de barrar a concessão dos aludidos benefícios. É exatamente esta falsa igualdade que oportuniza negociatas em torno dos disputados espaços de rádio e televisão na formação de coligações, sendo que algumas destas, segundo o Professor Paulo Bonavides, ocasionam “uniões esdrúxulas” constituídas “intrinsecamente oportunistas (…) de partidos, cujos programas não raro brigam ideologicamente”.

 

Neste período de Convenções e negociações, o país observa partidos se coligarem de forma absurda. Sim, o país, vez que seus protagonistas não se importam com isso. A maioria das coligações ignora programas partidários para estabelecer acordos que embora ideologicamente incompatíveis, são eleitoralmente viáveis.

 

Progressos e novos horizontes são necessários quando se constata que o atual formato da representação partidária está exaurido e vem consolidando, pleito após pleito, as deformações que são oriundas da campanha eleitoral, a qual, segundo dispara Barry Ames, “(…) enche o Legislativo de partidos fracos e indisciplinados”.

 

Na prática, estas coligações muitas vezes se esboroam logo na arrancada dos governos por conta dos desentendimentos estabelecidos a partir da distribuição de cargos nos mais diversos escalões, visto que em grande parte dos Estados e Municípios existem divergências inconciliáveis entre partidos e lideranças.

 

Mas nada se compara quando o assunto passa às eleições proporcionais, este ano para Vereadores. A representação popular é desvirtuada quando um determinado candidato, embora amparado por votação retumbante, é preterido por outro cuja performance é inferior.

 

A ocorrência de paradoxos tais como a eleição de candidatos com poucos votos na esteira de outros mais bem votados da coligação e a derrota de outros que não alcançaram o quociente pelo partido reflete na própria representação. Afinal, os eleitores, além de não entenderem, desconfiam de um sistema eleitoral que admite a eleição de candidatos com pouca votação apenas porque associados numa coligação invertebrada e meramente de quociente.

 

O eleitor pode romper isto votando bem ao selecionar os seus candidatos a partir de uma coligação coerente.

 


Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor dos livros “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age) e “Vereança e Câmaras Municipais – questões legais e constitucionais” (Editora Verbo Jurídico). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Vereador do PSDB faz propaganda eleitoral disfarçada

 

O vereador licenciado Adolfo Quintas do PSDB deve estar ansioso para que chegue a eleição municipal, pois sequer esperou o início da campanha para pedir o seu voto. E usa de um subterfúgio para enganar o Tribunal Regional Eleitoral, já que propaganda fora de época pode gerar punição e até impugnação da candidatura. Mandou imprimir (espero que não com o nosso dinheiro) adesivos no qual aparece a fotografia, o nome e o site dele. Como não pode escrever “vote em mim” – porque aí seria crime explícito -, usa de forma indevida a expressão “Adote um vereador” – nome do movimento que lideramos há quatro anos na cidade de São Paulo. O desrespeito foi flagrado e registrado no Twitter pelo ouvinte-internauta Everton Soares (@soareseverton). Apesar de a imagem não ser clara, Cláudio Vieira, que participa do Adote um Vereador, fez contato com o gabinete de Adolfo Quintas que, através de seus assessores, confirmou a estratégia.

 

Malandrinho o vereador, não é?

 

Avalanche Tricolor: Para curar a ressaca

 

Grêmio 2 x 0 Flamengo
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

Jogos tensos costumam provocar uma tremenda ressaca na partida seguinte. O desgaste físico e emocional é enorme, principalmente após uma frustração como a sofrida na Copa do Brasil. Assim, não era de se esperar muito na partida desta tarde de domingo, ao menos de minha parte. No entanto, ao ver o céu azul, claro e bonito, em Porto Alegre, logo na abertura da transmissão da televisão entendi aquela imagem com um sinal de bons agouros. Aqui em São Paulo, o domingo também estava bonito e quase me arrependi de deixar de lado tudo o que havia programado para este dia. Excessão a ida à missa dominical todo o resto foi transferido para outra data qualquer. Preferi ficar em casa, descansando, me preparando para a semana que sempre se apresenta complicada, ao lado da família e deixando o tempo passar. O único compromisso à tarde era ver o que seria da ressaca tricolor. Fui recompensado, assim como boa parte da torcida gremista.

 

Depois de duas partidas de muita tensão, nós bem que estávamos merecendo um jogo como o de hoje. A troca de passe lateral e a falta de criatividade chegaram a incomodar em um primeiro momento e sinalizavam mais um desempenho pífio e sofrível, mas de repente a dupla Kleber e Marcelo Moreno começou a se entender. E de uma tabela deles, fazemos um a zero em uma jogada de muita paciência. Digo isso porque Moreno não se impressionou com a impaciência da torcida, dos locutores e do técnico. Esperou o momento certo para matar. Nem bem havia começado o segundo tempo e já havíamos aberto dois gols de diferença, graças a uma cobrança de escanteio e a forma como Werley se antecipou a defesa adversária.

 

Perdemos muitos gols durante o restante da partida, o que poderia ser motivo de irritação dos torcedores – como parece ter sido em alguns momentos. Para mim, relaxado no sofá, satisfeito com o resultado e sempre confiando de que algo novo está para aparecer e renovar nossas esperança, revelava uma mudança de postura em relação aos jogos anteriores em que os chutes a gol e as jogadas de ataque eram cenas raras. Por falar em algo novo, a postura de Tony na lateral direita foi entusiasmadora para um time que não tem chegado a linha de fundo há algum tempo. Confesso que não o conhecia, mas fiquei satisfeito com a performance dele.

 

Terminamos a rodada no G-4, o que nos põe no caminho de nossa obsessão, a Libertadores, esta mesma que desperdiçamos ao não sermos capazes de chegar ao título da Copa do Brasil. Estamos a apenas dois pontos do líder, o que, levado em consideração o desempenho das últimas temporadas, é uma excelente notícia. E estamos a espera de Zé Roberto, que pode dar um jeito na meia cancha (como diziam os mais antigos).

 

Não sei se foi aquele céu que apareceu no início da transmissão, mas com certeza o domingo foi muito mais agradável em campo do que eu imaginava. Parece até que descobrimos um ótimo antídoto para resolver a ressaca: jogar futebol.

De Tejo

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Lexigramei a data do nosso acidente na Marginal Pinheiros para ver o que tinha para dizer. Fiquei privada de movimento, não de cabeção e coração. Esses continuam a milhão. Assim, vou dividir com você algumas palavras que encontrei na primeira olhada no que brotava de “quatro de junho”. Umas me chamaram mais do que outras, como sempre acontece com o Lexigrama e com tudo e todos na vida. A gente vê o que está pronto para ver, a cada momento da leitura do momento. Simples assim.

 

Então vamos lá: tenho dor quarto ato arte

 

Fiquei algum tempo no quarto, semi-imobilizada, o que quer dizer imobilizada pelo colar cervical e pelos traumatismos músculo-esqueléticos que me davam dores musculares tão fortes que meu filho precisava fazer alavanca para eu poder deitar e sentar, depois do quê eu ficava esperando a respiração voltar. Não encontrei dramática em quatro de junho, mas a gente pode acrescentar no rodapé

 

Como sempre fui fascinada pelo teatro, associo ato, de pronto, à arte cênica, e como boa arteira criei duas almofadas lindas – aqui a modéstia foi tirar um cochilo – e, no que comecei a mexer os braços, mãos à obra! Hoje termino a segunda.

 

ré dano dentar doutor doutora da tarde hora hoje doeu duro dor nua onda ano duro

 

A batida foi atrás, nos jogou contra o carro da frente, e o carro ficou todo amassado.

 

Ainda quero, mais uma vez, agradecer ao Dr. Cristovão Colombo e à Dra. Naira, dizer até breve aos doutores Amaury, Padula e Pires de Camargo, e mandar um super beijo aos que têm facilitado a nossa vida.

 

O acidente aconteceu por volta de quinze para as cinco da tarde.
Nada como a dor para nos desnudar.
Você já levou um caldo quando uma onda doida te pega de surpresa?
Este ano não tem sido mole para a maioria de nós.

 

Encontrei também euro. O carro do meu filho, ou o que restou dele, é francês. E não faltou tunda. Quem é gaúcho ou entende gauchês sabe que levar uma tunda quer dizer levar uma surra. Aliás tunda vem de tundere, que em latim quer dizer dar ou levar uma surra. É como estamos nos sentindo.

 

Também dei de cara com Tejo, que é um rio da terra da minha bisavó e da minha avó, do lado do meu pai. Ah, e Juno. Ora, Juno e todos os outros deuses de todas as sociedades, de todos os tempos passados, presentes e futuros, de todas as raças, estão conosco sempre, e nos protegem.

 

Tem ainda:

 

hoje não noutra junto juro! deu não deu doente dona dono doar dojô dourou horta jade janto jota Judá junta norte onde ouro outro quando quanto quer quero rato roeu renda Reno reta roda ronda rota rua rude tão tendão terna terno teu tua trono tudo Tudor turno una urna

 

É isso. Experimente lexigramar, ou não, e até a semana que vem.

 


Maria Lucia Solla é professora, realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung