A incrível atração do lixo

 

O novo sistema de varrição pública nas ruas de São Paulo, que impõe uma série de serviços às empresas vencedoras do processo de licitação, deve custar cerca de R$ 2,1 bilhões, em três anos. Enquanto lia reportagem sobre o assunto, recebi foto e mensagem de Devanir Amâncio, colaborador deste blog. E não foi difícil perceber a ironia do texto.

Atraídos pelo lixo , lixo desorganizado

“O lixo exerce irresistível atração e poder sobre a vida das pessoas. Um homem e uma mulher conseguem revirar e retirar objetos de uma lixeira – gaiola protegida com cadeado, na avenida São João, no centro de São Paulo.”

Tem razão, Devanir. o lixo é muito atrativo.

Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência

 

Por Milton Ferretti jung

A ocasião – reza um ditado popular – faz o ladrão. O antigo adágio (qual não é?) vale apenas, porém, para algumas espécies de furto ou roubo. Alguém, por exemplo, quem sabe até sem más intenções, entra numa loja dessas mais modestas, sem alarme na saída, do tipo que dispara em contato com a etiqueta dos produtos ofertados e, imaginando que não será flagrado, dá de mão numa camiseta de pouco valor, esconde-a e escapa incólume. Há, entretanto, maneiras bem mais sofisticadas de furtar ou roubar. Não sei se as pessoas que, seja aproveitando a ocasião, seja por outros motivos bem mais condenáveis, apropriam-se de dinheiro público, o fazem por pura ganância. Refiro-me, especialmente, às que recebem bons e até excepcionais salários e que não necessitariam praticar ilícitos penais. Estão bem acima da carne seca dos menos favorecidos, mas são incapazes de resistir à tentação de aumentar os seus proventos ou até mesmo as suas fortunas. E não se envergonham! Quando, por má sorte ou pouca perícia, são levantadas suspeitas sobre a origem do dinheiro do qual se apropriaram indebitamente – e isso acaba acontecendo mais cedo ou mais tarde – não se pejam de jurar inocência. Fariam isso sobre uma Bíblia, caso o costume ainda estivesse na moda.

A corrupção nunca saiu da moda. Ao estudar latim no curso clássico do Colégio Nossa Senhora do Rosário, em Porto alegre, cheguei a decorar discurso de Cícero contra Catilina, um corrupto, que foi seu contemporâneo. A Catilinária, como ficou conhecida a empolgante fala de Cícero, advogado, orador e escritor romano, pronunciada no ano 43 a.C., nunca vou esquecer, começava assim: “O tempora, O mores” (Oh, tempos, Oh,costumes). Mais adiante, o famoso tribuno disse: “Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência”. A primeira frase e esta que recordei, caberiam, sem tirar nem pôr,nos nossos dias. Pior que isso: no que acontece no Brasil de hoje. Sem dúvida, corrupção, roubalheira e outras patifarias semelhantes são males que acompanharão as gerações que nos sucederão. Até o fim do mundo os malditos vão prosseguir abusando da paciência das pessoas sérias. Só espero que essas não se transformem em minoria.


Milton Ferretti jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele).

E o vencedor é …

 

Os 18 nomes que aparecem nos dois anúncios produzidos pela Rádio CBN em razão dos seus 20 anos, publicados em revistas e jornais brasileiros, foram devidamente identificados. De 75 respostas registradas pelos ouvintes-internautas aqui no Blog, 28 acertaram em cheio. E desses um foi sorteado para receber o Manual de Redação da CBN: Jésse Henrique – o prêmio será entregue ao ouvinte-internauta assim que identificarmos o endereço dele.

Foi bem legal ter dividido com vocês esta brincadeira e ainda mais divertido ler cada uma das mensagens deixadas por aqui. Confira a resposta certa:

1. Luis Fernando Correia
2. Milton Jung
3. Merval Pereira
4. Max Gehringer
5. Carlos Alberto Sardenberg
6. Arnaldo Jabor
7. Miriam Leitão
8. Viviane Mosé
9. Arthur Xexeo
10. André Trigueiro
11. Mílton Jung
12. Mara Luquet
13. Max Gehringer
14. Carlos Alberto Sardenberg
15. Arnaldo Jabor
16. Miriam Leitão
17. Juca Kfoury
18. Kennedy Alencar

Quem é quem na CBN 20 anos

 

Identifique quem são os âncoras e comentaristas da CBN que estão nos anúncios em homenagem aos 20 anos da emissora, publicados em jornais e revistas brasileiros, e ganhe um exemplar do Manual de Redação da CBN. Registre a sua lista, com o nome de cada um e o número de 1 a 18, na área dos comentários aqui do Blog. Mesmo que alguns estejam repetidos é preciso identificá-los nos dois anúncios. As respostas publicadas no blog somente serão divulgadas ao fim do concurso, na quinta-feira, dia 20. Se houver mais de um acertardor, haverá um sorteio na redação para definição de quem receberá o prêmio. O ganhador será informado por e-mail. Divirta-se !

Atenção: o concurso já terminou, veja o resultado clicando aqui

Pot-pourri da corrupção

 

Por Carlos Magno Gibrail

Na canção, é comum ordenar músicas com afinidades, para tributos a estilos, compositores ou épocas. Por que não na corrupção? Para cumprimentar autores de textos atuais sobre a corrupção, destacamos:

“O que retém a voz da rua” – Notas & Informações Estadão. As manifestações de rua não refletem o desconhecimento da população, mas a melhora sem precedentes no padrão de vida, que não as anestesia, apenas não as incentiva.

“Faz diferença” – Editoriais Folha. Sem novas mobilizações populares, dificilmente medidas para coibir a corrupção encontrarão meios de implantação. Entretanto, a faxina de Dilma se conclusa, o voto aberto no Congresso, a Ficha Limpa e a diminuição dos 25mil cargos nomeados, poderão contribuir no movimento contra a corrupção.

“Abaixo a corrupção” – Eliane Catanhêde. A onda contra a corrupção está crescendo. A Ficha Limpa e sua ampliação ao Executivo e Judiciário, o fim do voto secreto no Congresso, a abrangência do CNJ, começam a tomar corpo.

“Um campo e um tiro” – Carlos Heitor Cony. Nesta batalha contra a corrupção não há rosto, ou tem tantos que dificulta a identificação. Jacó corrompeu Esaú, Judas vendeu o seu mestre, Collor ganhou um Elba. Rostos em todos os casos. Até num caso às avessas. Getúlio quando soube que um de seus filhos comprara um campo no Rio Grande do Sul com Gregório, seu guarda-costas corrupto e mandante de assassinato, perguntou-lhe se era verdade. Ao ter a confirmação, deu um tiro no peito.

“A ‘primavera’ brasileira não chega” – Fernando Rodrigues. O copo meio cheio ou meio vazio é propício à análise das recentes manifestações públicas contra a corrupção. Seu raquitismo não desmerece o movimento. A realidade é que ainda não temos um caldo de cultura já pronto e desaguando em grandes protestos contra a roubalheira do dinheiro público.

“A corrupção é hoje fato normal no Brasil” – CBN Arnaldo Jabor. A dificuldade é que tudo está corrompido. Os comentaristas se esgoelam em vão, e os canalhas não tiram as mãos das cumbucas. Será que um dia teremos uma “primavera” brasileira?

“Presidente: sonhar e não ceder” – Miguel Srougi. Presidente, a senhora adotou algumas medidas corretivas diante da corrupção, tragédia que nos assola, mas isso foi só um começo, talvez pouco. Como médico luto contra o câncer de próstata que ameaça 140 mil homens, mas escrevo para falar de outra doença que ameaça toda a sociedade brasileira.

E, assim por diante. Não há espaço para todas as manifestações. Felizmente.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

A foto deste post é do álbum digital de Saulo Cruz, no Flickr

Cidadãos de Lages tentam barrar aumento de vereadores

 

Os moradores de Lages, interior de Santa Catarina, se mobilizam para barrar o aumento de 12 para 19 vereadores, aprovado em março deste ano pela Câmara Municipal com base em Emenda Constitucional nº 58/2009. Com a campanha “Diga não para o aumento de vereadores”, pretendem arrecadar cerca de 6.800 assinaturas de apoio a projeto de lei de iniciativa popular que propõe a manutenção do atual número de parlamentares.

Panfletos distribuídos na cidade estampam a frase: “Não precisamos de mais vereadores, precisamos que os vereadores façam mais”. Em 2010, os 12 parlamentares aprovaram 92 leis. Considerando o valor total gasto pela Câmara no ano, de R$ 5,75 milhões, cada lei aprovada custou aos cofres públicos cerca de R$ 62,5 mil, informa o jornal Correio Lageano.

Hoje, o salário de um vereador, sem encargos, é de R$ 7.019,00 além da verba de gabinete de R$ 1.200,00. De acordo com cálculo feito pelos organizadores do movimento, mais sete vereadores representariam gastos de mais de R$ 690 mil por ano ao município. Nesta conta devem ser acrescidos o valor do salário pago aos assessores, além de gastos com encargos empregatícios, e os custos para ampliar o número de gabinetes e adaptar o plenário.

Os vereadores de Lages, assim como da maioria das Câmaras que aprovaram o aumento no número de vagas, tentam convencer o cidadão de que os custos da casa não aumentarão pois o repasse de 6% do Orçamento municipal será mantido. O que eles não contam é que parte deste dinheiro costuma ser devolvido aos cofres públicos e pode ser investido no ano seguinte em áreas prioritárias. Com o aumento no número de vereadores, o custo da Câmara atingirá o teto ou, em um cenário ainda pior, haverá um esforço para aumentar a arrecadação da cidade, o que significa aprovar o aumento do ISS e IPTU.

Por um banco de reciclagem na sua cidade

 

Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP
Transporte reciclável

Quem são os candidatos à Prefeitura de São Paulo realmente comprometidos com a geração de renda que vem da reciclagem? […]

A reciclagem foi e ainda é vista por alguns setores da sociedade, como atividade – ganha pão – dos miseráveis.Talvez a visão curta de nossos gestores sobre sustentabilidade e desenvolvimento econômico explicaria a falta de uma política de reciclagem na cidade de São Paulo. Quem são os candidatos à Prefeitura de São Paulo realmente comprometidos com a geração de renda que vem da reciclagem ? , e não dos discursos, com frases de efeito sobre o tema ,elaborados por marqueteiros.

Banco de reciclagem

Se a reciclagem dá tão certo para milhares de pessoas , resultando numa importante movimentação financeira para São Paulo e o País, por que não adotá-la como política de prioridade?

Um prefeito ousado e comprometido com o meio ambiente e vida das pessoas criaria o Banco da Reciclagem na cidade de São Paulo […].

Eleição de 2012 sem mudanças

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

No dia 7 de outubro último expirou o prazo de anualidade para que alguma “lei nova” entrasse em vigor em relação ao pleito municipal de 2012 cujos prazos já estão na praça. Com isto, salvo alguma pendência de interpretação acerca da Lei das Fichas, nada foi ou será alterado, muito menos para 2014 (ou você imagina que os congressistas que trocaram de partido ficarão sem horário de rádio e TV?).

Contudo, é essencial, é necessário, é preciso repetir e refletir que não há mais possibilidade de contornar temas aflitivos que despertam indignação tanto na sociedade quanto na própria classe política. Sim, na classe política. Afinal, os políticos não são todos iguais. Há exceções muito nítidas na causa pública. Ocorre que a sucessão de Comissões e adiamentos, legislatura após legislatura, a par do desperdício, impulsiona a sensação de que o desfecho pretendido jamais será alcançado. Se a um ângulo a constante exposição da matéria converteu a Reforma Política numa espécie de redenção ética de cunho salvacionista, a outro é leviano supor que a sua aprovação funcionará como um antídoto capaz de eliminar todas as mazelas vigentes.

No início do século XX, o dramaturgo alemão Bertold Brecht cunhou uma manifestação que se tornou célebre:“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não sabe o custo de vida, preço do feijão, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio, depende de decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”.

Reforma Política no Brasil do Fundo Partidário, da Coligação para eleger deputado e vereador, da votação secreta por decoro parlamentar, não significa somente a necessidade de alteração mas de uma nítida evolução nos mecanismos de acesso e desempenho de mandatos.

A sistemática atual, defasada e desacreditada ética e instrumentalmente, exige recomposição para viabilizar o resgate da Política como atividade digna e respeitável mas hoje em desalento. Esta necessidade é inadiável pois, infelizmente, as relações entre candidatos, partidos e mandatos estão num processo de saturamento que beira a hipertrofia.

No entanto, conforme apontam estudos e análises, nenhuma das alterações preconizadas, especialmente aquelas mais divulgadas, encerra uma solução definitiva. Há um regime de interdependência. Até porque, uma modificação integral jamais será executada, seja porque as resistências são sólidas, seja porque algumas propostas são incompatíveis à realidade brasileira.

Prova disso foi novamente em 2011 a ausência de consenso para colocar o tema ao menos em discussão.

No tocante à corrupção, não há como divinizar o eleitor quando decisões da Justiça Eleitoral comprovam que a corrupção passiva é tão praticada quanto a ativa.

É certo que a cada legislatura um contingente de respeitáveis e respeitados parlamentares se mobiliza visando reação. Contudo, eles expressam minoria. Nem mesmo os anêmicos índices de credibilidade que as pesquisas de opinião conferem à maioria dos Congressistas e Legislativos tem sido suficientes para substituir a semântica pela atitude. Esta engrenagem frustra a cidadania pois a sensação dominante é de que não há respaldo às demandas sociais, especialmente aquelas mais eloquentes e sobre as quais existe um clamor quase diário exigindo aperfeiçoamentos.

O saneamento do sistema – triste sistema – exige o fim da inércia. Somente a participação ativa e direta da sociedade opinando e sugerindo através de eventos, fóruns e similares é que determinará alguma mudança positiva. Opções existem e o momento é este. A geografia dos debates confinou a Reforma Política à Brasília e isto – a inacessibilidade ao debate – sempre foi um poderoso e eficiente fator impeditivo à transparência e às reivindicações.

O eleitor, destinatário final desta situação, deve despertar e ser protagonista. Já dizia o político e jurista Assis Brasil, pioneiro da legislação eleitoral no Brasil: “O voto deve ser a voz, não o eco”.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor dos livros “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age) e “Vereança e Câmaras Municipais – questões legais e constitucionais” (Editora Verbo Jurídico). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Desistir de fiscalizar é entregar o ouro para o bandido

 

A aparição de movimentos instigados pelas redes sociais, a cobrança por transparência nas ações públicas e a necessidade de dialogar com a sociedade são realidades muito distantes de parcela da classe política no Brasil. Tentativas frustradas de cidadãos no contato com seus representantes no parlamento são os sinais mais claros desta realidade. Nestes dias, recebi ao menos duas mensagens de ouvintes-internautas descrevendo o descaso como foram atendidos.

Um deles é Marino Verardi que decidiu consultar os 513 deputados federais sobre qual havia sido o voto deles e a justificativa no pedido de cassação de Jaqueline Roriz, aquela moça que “tem a política no DNA” e entende que não há problema em ser corrupto, desde que tenha sido antes de eleita. Pesquisou no site da Câmara o e-mail de um por um e enviou mensagem a cada um deles, individualmente. Na primeira leva de mensagens fez a pergunta para 150 parlamentares, recebeu resposta de apenas três deles: Dr Rosinha (PT), Edinho Araújo (PMDB) e Eduardo Barbosa (PSDB). Todos disseram terem votado a favor da cassação. Desistiu de continuar o trabalho pois logo percebeu que seria malsucedido em sua iniciativa.

No outro caso, Fernanda de Andrade, moradora de Nova Lima, em Minas Gerais, se entusiasmou com a ideia do Adote um Vereador. Ela enviou mensagem para o vereador Marcelino Antonio Edwirges (PT) nos dias 10 e 22 de setembro. Se na primeira, não obteve resposta, na segunda o e-mail retornou, ou seja, sequer deve ter entrado na caixa de correio dele. Estava lotada ou inoperante – o que no fim das contas vai dar no mesmo. A tentativa dela agora será pelo site do vereador.

O cidadão, nos dois casos, não reivindica nada além de uma resposta, uma atenção, um respeito que seja. Mas os parlamentares parecem não estar dispostos – ao menos parte deles – a incentivar esta conversa. Este comportamento, contudo, não deve tirar o eleitor do seu propósito, é um direito dele cobrar, fiscalizar e monitorar seu representante. É obrigação do vereador, deputado ou senador justificar seu comportamento, ideia e voto. O cargo não o torna imune a críticas e cobranças, menos ainda ao diálogo.

Mesmo que as respostas não apareçam, aos dispostos a encarar a ideia do Adote um Vereador, minha sugestão é que pesquisem sobre o adotado por outros caminhos. No site da Câmara costuma ter os projetos apresentados por ele, uma boa oportunidade para desenvolver o olhar crítico sobre as ideias que o vereador defende. Dê um Google para ver o que está publicado na internet, o que os outros estão falando dele. Procure informações nos jornais da cidade, preste atenção no noticiário de rádio. Todo dado levantado pode virar um post no blog, de preferência agregando sua opinião sobre o tema ou um simples curti ou não curti, ao estilo Facebook.

Desistir de fiscalizá-los é entregar o ouro para o bandido – me perdoem, isto é apenas forma de falar, não tem nenhuma outra conotação a realidade política no Brasil.

Avalanche Tricolor: Na chuva, no barro e histórica

 

Santos 0 x 1 Grêmio
Brasileiro – Vila Belmiro

No futebol quando o time perde vai para o brejo, se o jogador tem talento dá o drible da vaca e quando despacha a bola manda para o mato porque o jogo é de campeonato. Se a partida está ruim, dizem que é de várzea. Mato, brejo, várzea e vacas nos acompanharam no encharcado que se transformou a Vila Belmiro após dias seguidos de chuva forte em parte do Estado de São Paulo. Jogadores torciam a camisa para tirar o excesso de água, a grama foi ficando marrom do barro que subia a cada passada e a bola, pobre dela, era empurrada para frente do jeito que dava. A estatística na televisão mostrou a certa altura que as duas equipes haviam errado 70 passes sem que os 90 minutos tivessem se encerrado. Deveriam informar quantos foram os certos.

Se a chuva não para, o campo encharca e o barro aparece, azar dos outros. Para quem cresceu jogando nos gramados do interior gaúcho estes são desafios que se aprende a superar quando pequeno. Se a bola não quer entrar na primeira, empurrasse para dentro do gol na segunda, como no pênalti não convertido por Douglas e concluído por Escudero, este argentino que dribla os esteriótipos ao jogar calado, concentrado e disposto a aparecer apenas com o seu talento (repito aqui definição publicada em Avalanche anterior).

A vitória histórica – a primeira em um Campeonato Brasileiro na Vila – renova minha esperança, mesmo que o futebol jogado não tenha sido lá estas coisas. Mas ver Fernando dando um carrinho dentro da área para impedir o gol adversário, como ocorreu quando ainda estava 0 a 0, me entusiasma. Olhar a tabela de classificação e ver que saltamos dois postos neste fim de semana, me instiga pensamentos maliciosos. Ler como li em reportagens pós-jogo que o Grêmio ainda tem chances remotas de chegar a Libertadores e saber que a turma lá de cima se digladia como louca, me faz pensar. Será que ainda dá ? Não sei, não. Mas se continuar a chover deste jeito, quem sabe isto não acabe em uma incrível Avalanche Tricolor.