Encare essa: Desafio Intermodal 2011 é amanhã

 

Desafio Intermodal 2009Imagem do Desafio Intermodal de 2009, realizado em São Paulo

 

Felipe Aragonez, do Instituto CicloBR, convida o paulistano a participar do Desafio Intermodal 2011, amanhã, terça, dia 20 de setembro, em São Paulo. Por dois anos participei do evento que alerta para a importância de a cidade ser diversificada também nas opções de transporte para seus cidadãos. Na primeira, encarei o helicóptero que perdeu para uma bicicleta; na segunda, ano passado, botei o pé no pedal e fiz o maior percurso que havia realizado até então, em meio ao trânsito confuso de São Paulo. Bem orientado e com tranqulidade cheguei à prefeitura de São Paulo. Cansado, sim, mas muito satisfeito por ter ajudado a mostrar que é possível mudar o foco de uma cidade quando se pensa no coletivo. Leia o texto do Aragonez e se não der para entrar nop Desafio, use a proposta para repensar seus hábitos:

 

Qual meio de transporte é mais eficiente nos deslocamentos urbanos? Essa é a pergunta que o Desafio Intermodal, pelo sexto ano consecutivo, se propõe a responder.

Cerca de 15 pessoas participarão em diferentes modais, como carros, motos, ciclistas, cadeirantes e pessoas integrando os transportes públicos como ônibus, Metrô e Trem. Eles serão testados pelo tempo gasto para se chegar ao destino final, o custo que cada um gera e quantos quilos de gás carbônico emitem. Ou seja, não basta chegar em primeiro lugar, os impactos ambientais também serão importantes.

O Desafio pretende mostrar as infinitas possibilidades de se locomover pela cidade além de analisar o desempenho do transporte público ano a ano.

Como o Desafio Intermodal faz parte dos eventos que promovem o Dia Mundial Sem Carro, ele será realizado no dia 20 de Setembro (terça feira).

A saída acontece na Praça General Gentil Falcão, altura do número 1.000 da avenida Eng. Luis Carlos Berrini (ver mapa), às 18h00 em ponto. Cada participante deverá chegar ao prédio da Prefeitura do Município de São Paulo com o seu modal.

As Regras

O tempo computado será o deslocamento completo da pessoa e não do modal. Portanto, levaremos em conta o tempo que a pessoa leva até o modal e o tempo que ele perderá para estacionar o veículo. Como o ciclista desmontado se equipara a um pedestre, o único veículo que não será necessário estacionar é a bicicleta.

No deslocamento deverão ser respeitadas todas as regras de trânsito, os pedestres terão que atravessar na faixa, a não ser que ela esteja a mais de 50 metros. Nesse caso, segundo o art. 69 do CTB, ele poderá atravessar no local que considerar mais seguro.

O pedestre corredor terá que correr na calçada, caso isso não seja possível, será tolerado que ele use a rua.

Todos os participantes estarão uniformizados.

A relação dos modais a serem avaliados

Pedestre caminhando
Pedestre correndo
Ciclista por vias rápidas
Ciclista por vias calmas
Ciclista por vias calmas (feminino)
Ciclista + Metrô com bicicleta dobrável
Motociclista
Automóvel
Ônibus
Trem + Metrô
Trem + Ônibus
Ônibus + Metrô
Cadeirante
Programação do Desafio

17h00 – Início da Concentração Na Praça Gal Gentil Falcão e atendimento a imprensa.

17h45 – Alinhamento dos participantes e explicação das regras do desafio

18h00 – Será realizado um contato telefônico com um representante da organização do desafio, lá na Prefeitura e ele dá a largada pelo viva-voz do celular.

Nesse momento as pessoas se dirigem até o seu modal e cada um faz o trajeto que achar mais conveniente.

18h25 – Previsão de chegada dos primeiros participantes em frente à Prefeitura de São Paulo

20h00 – Previsão de chegada do último participante

Locais e data

20 de setembro de 2011 (terça-feira)
Partida: Praça General Gentil Falcão – Brooklin (Altura do número 1.000 da avenida Eng. Luis Carlos Berrini) (ver mapa)
Chegada: Prédio da Prefeitura ao lado do Viaduto do Chá.

Felipe Aragonez
Secretário Geral

Instituto CicloBR

De triste tristeza

Por Maria Lucia Solla

De triste tristeza


Ouça este texto na voz e sonorizado pela autora

Nunca fui de ter medo, e olha que já tive motivo de sobra; mas hoje tenho. Não sei se é medo, medo, mas é uma cosquinha forte no plexo sollar e no umbilical, sabe como é, que não dá moleza. Medo do nosso afastamento da natureza e da sua reação em cadeia. Medo da cadeia dos prédios que se erguem atrás, na frente, do meu lado esquerdo e do direito. Medo do formigueiro da cidade e do politiqueiro que depaupera o campo. A maioria não pisar na terra e não ver o nascer nem o pôr-do-sol, e disso não sentir falta, me dá medo.

Vivemos em caixas, por enquanto fixas, empilhadas e divididas em pequenas caixas onde se subdivide a família. Saímos dela para entrarmos numa caixa, por enquanto limitadamente móvel, que nos leva até um estacionamento abaixo do solo; e entramos numa outra caixa com maior mobilidade que a anterior. Vrumm, saímos dali dentro dela, pimpantes sob o efeito de café, e depois de passar ali muito tempo, olhando no relógio e bufando, desviando de motoqueiros que camicazeiam pelo caminho, já suados e com pouca energia para tocar o resto do dia, estacionamos noutro sub-solo, descemos da caixa, entramos noutra caixa de média mobilidade e subimos até chegar a mais uma caixa fixa. Ali, antes de começar a jornada, engolimos um punhado de pílulas que supostamente repõem a energia perdida e suprem a falta do sol, da chuva, da lua, da terra, do diálogo, do amor, do amar e do afago.

Não se faz mais casa com janela para o jardim, com porta de entrada alta e larga para receber alta e largamente parentes e amigos. Horta é coisa do passado que nem é remoto. Passado remoto é o tempo de juventude dos meus avós, quando se colocavam cadeiras na calçada e se sentava ali para socializar com vizinhos ou falar da vida alheia. As senhoras ofereciam biscoitos recém saídos do forno, e os senhores, as notícias do jornal da manhã. Hoje socializamos e lemos o jornal virtualmente, alheios ao que se passa debaixo do próprio nariz, enfiando e tirando a mão, distraídos, de saquinhos de biscoitos com data de validade estendida. E proliferam os hoteis-fazenda, disneilândias da terra perdida.

Quando noutro dia disse a um amigo que não checo e-mails no iPhone, achei que fosse sacar um crucifixo na minha direção. Já não nos garantem o direito de nos desligarmos da rede, que tudo sabe, tudo grava, tudo vê. Tenho saudade de conversar olho no olho e tenho medo de sentir cada dia mais medo. Uma saudade medonha e um medo tamanho que nem preciso buscar; vêm a mim servidos na mesa, cobertos de triste, triste tristeza.

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: Eu acredito

 

Vasco 4 x 0 Grêmio
Brasileiro – Olímpico Monumental

Se eu disser que o Grêmio jogou bem no primeiro tempo, mesmo tendo saído com desvantagem de dois gols, você acredita? Claro que não. Isso só pode ser ilusão de torcedor fanático, pensará.

Se eu disser que chutamos a gol e mantivemos a bola na primeira etapa tanto quanto nosso adversário, você acredita? Claro que não. No primeiro tempo a derrota já estava desenhada, responderá.

Se eu disser que mais uma vez o árbitro esqueceu de marcar um penâlti a favor do Grêmio quando ainda tínhamos o domínio da partida, você acredita? Claro que não. É coisa de gente que não sabe perder, dirá.

E se eu disser que mesmo com o resultado desta noite de sábado, o Grêmio ainda está na disputa pela vaga da Libertadores, você acredita?

Não precisa responder, não. Pouco me importa o que você pensa do meu time numa hora dessas – e não entenda esta linha como desrespeito porque você sabe o tanto que me orgulho de tê-lo como leitor deste espaço. Respondo assim apenas porque depois de um jogo como dessa noite só dá pra refrescar a cabeça, sacudir a poeira e sair por ai dizendo aos amigos: eu acredito, eu sempre acreditarei no meu Grêmio.

Pernocas de fora e colorido anunciam nova estação

 

Por Dora Estevam

Elas estão espalhadas em vitrines, lojas de ruas e shoppings. São as flores da primavera. Nas ruas, as meninas se entregam para os shorts, vestidos e saias.

E para completar o cardápio floral e colorido a semana esteve recheada de desfiles da NYFW (New York Fashion Week). Com todas as tendências e propostas para a primavera de 2012, acreditem. Um dos desfiles eu já mostro aqui para você sentir como eles vão trabalhar com as cores “color block e neutras”. Destaque para os cabelos tié die (duas cores) modelos. A sala estava cheia e com as presenças de Anna Dello Russo e Tommy Hilfinger, entre outros.

Os sapatos usados neste desfile dão da estilista Charlotte Olympia que, aliás, lançou o vídeo da campanha dela. Incrivelmente sensual e sinistro ao mesmo tempo. Vale a pena assistir, é uma forma diferente de ver o produto.

Aqui, um pouco da proposta da marca Calvin Klein para refrescar os olhos.

O bom destes desfiles é que podemos usar a criatividade e já por em prática tudo o que foi apresentado.

Para finalizar, o colunista do New York Times Eric Wilson faz um apanhado geral do que foi a semana, das tendências emergentes às entrevistas com os mais renomados editores e consultores de moda.

Estilo e moda é aqui.


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: O valor está na rede

 

A tendência no marketing de relacionamento é trabalhar não apenas o cliente, mas a rede que cada um deles dispõe. E o verdadeiro valor deste cliente não será o que ele compra, mas a influência que tem em suas relações. A opinião é de Marcelo Miyashita, conselheiro líder da Miyashita Consulting e professor de marketing em cursos da MBA e pós-graduação de algumas das principais faculdades do país, entre elas Cásper Líbero e Madia Marketing School. Ele foi entrevistado pelo Mundo Corporativo e falou da 3ª geração do Marketing de Relacionamento. Nesta conversa, Miyashita fala do comportamento do consumidor moderno e as estratégias que as empresa têm explorado para conquistar e manter seus clientes.

O Mundo Corporativo é transmitido, ao vivo, toda quarta-feira, às 11 horas, no site da CBN, e reproduzido, aos sábados, no Jornal da CBN. A participação dos ouvintes-internautas é feita pelo Twitter @jornaldacbn e pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br

Semana da Mobilidade começa nas calçadas

 

Calçada na Barata Ribeiro

Todos nós somos pedestres diz a campanha da CET que promove o respeito as faixas de segurança (muito bem-vinda, por sinal). Busca alertar para o fato de que o mesmo motorista que põe em risco a vida do cidadão quando não para antes de uma faixa, a qualquer momento terá de atravessar a avenida a pé e será alvo do mesmo comportamento. Fico pensando se o prefeito Gilberto Kassab e seus assessores prestaram atenção nesta ideia. Não me parece, dada a falta de prioridade que os mesmos têm quando o tema é a principal via usada pelos pedestres: a calçada.

Sei que ao ler este primeiro parágrafo (se é que alguém o lerá), o pessoal da comunicação da prefeitura vai disparar uma resposta com uma dezena de dados tentando provar o contrário. Pode mandar, mas não vão me convencer. E duvido que convençam qualquer outro paulistano que tenha tido a necessidade de caminhar na cidade, por menor que seja o percurso. É lamentável o estado de boa parte dos 32 mil quilômetros de calçadas que temos (não calculo aqui os que não temos e deveríamos). Pior mesmo apenas a situação para aqueles que têm dificuldades próprias de locomoção. Cadeirantes e deficientes visuais, por exemplo. Idosos, sem dúvida. E, até mesmo, a saudável mãe de recém-nascido, que sabe quanto é complicado empurrar o carrinho do bebê de uma esquina a outra.

De tanto caminhar e reclamar nos mais variados fóruns – Câmara, Ministério Público, audiências públicas, ONGs, seminários, etc -, a gerontóloga Asuncion Blanco se transformou em porta-voz dos pedestres. Hoje, é coordenadora do Grupo de Trabalho de Mobilidade Urbana da Rede Nossa São Paulo e coleciona uma quantidade enorme de fotografias e casos incríveis de calçadas mal cuidadas. “Costumo dizer que as calçadas de São Paulo não fazem a curva, você tem um pedaço correto aqui, mas você não consegue fazer a curva sem encontrar um problema”, me falou em conversa que tivemos sobre a abertura da Semana da Mobilidade, nesta sexta-feira, dia 16.09, no salão nobre da Câmara Municipal de São Paulo, às 9 e meia da manhã. Não por acaso, os pedestres, ao lado dos ciclistas, serão o centro do primeiro debate de uma série que se encerrará no dia 22 de setembro, o Dia Mundial Sem Carro.

Leia a reportagem completa no Blog Adote São Paulo, da revista Época SP

Acompanhe aqui a programação da Semana da Mobilidade.

Lei anacrônica livra Edmundo de homicídio no trânsito

 

Por  
Milton Corrêa da Costa
 

Cel da reserva da PM do Rio e estudioso em segurança de trânsito

Um dia após a ocorrência de mais uma tragédia, dentre as muitas que acontecem rotineiramente no trânsito brasileiro, que matou, na Zona Norte do Rio, um bebê de um ano e oito meses,  deixando com fratura exposta em uma das pernas a mãe da criança, ambos atropelados numa calçada – a liberdade condicional do motorista culpado já está garantida em lei- surge a notícia ( coluna de Ancelmo Gois, de ‘O GLOBO’, de 15/09)  que, por decisão  do Supremo Tribunal Federal, o ex-futebolista Edmundo, acusado de triplo homicídio no trânsito, além de lesão corporal, teve extinta a punibilidade por prescrição da pretensão punitiva.. Os crimes prescreveram. Ou seja, agora é cidadão livre e quites com a Justiça.

Em 1995, no bairro da Lagoa, no Rio, o ex-atleta, ao volante de uma caminhonete, momentos após deixar uma boate no local, envolveu-se em um grave acidente de trânsito onde três moças morreram e outras três resultaram feridas. Edmundo foi salvo pelo air bag do seu carro, não sendo submetido, na ocasião, a exame etílico pós acidente. Acaba de ser beneficiado pela benevolência da lei, pelos intermináveis recursos judiciais e pela morosidade da justiça brasileira. O mesmo arcabouço de impunidade que deixou  o jornalista Pimenta Neves (matou fria e covardemente a ex-namorada), mais de dez anos fora do cárcere, sendo somente recolhido às grades meses atrás.

Por falar em tragédia e impunidade registre-se aqui a recente, oportuna e elucidativa matéria especial de ‘O GLOBO”, sobre a Lei Seca, com o título ” UM SOPRO DE RESPONSABILIDADE”. Apesar de opiniões conflitantes de estudiosos e juristas, a respeito da legalidade e aplicação da norma, ficou comprovada, sem dúvida, a importância da edição de tal lei na preservação de vidas e na prevenção de tragédias. O triste relato de vítimas do trânsito, atreladas à cadeira de rodas e a constatação da redução de atendimentos de vítimas, em emergências de hospitais públicos, como comprova a matéria, já são o bastante para provar a extrema importância e necessidade da Lei 11705/08, de autoria do deputado federal (RJ) Hugo Leal. É cristalino o fato de que o direito individual de não se submeter ao teste do bafômetro não pode sobrepujar-se ao interesse maior coletivo que visa, neste caso, a incolumidade dos usuários da via pública e a defesa da vida como finalidade precípua. Infelizmente alguns motoristas continuam bebendo e dirigindo. Matando, morrendo ou mutilando. É preciso frear o ímpeto dos homicidas em potencial do volante. Antes que as tragédias ocorram e se tornem notícia.

A pergunta que fica é: quantos homicidas do volante, já condenados, cumprem pena hoje no Brasil e recolhidos ao cárcere? Bem poucos,  talvez nenhum. Se você, portanto, tem intenção um dia em matar alguém, é melhor que pegue um carro e o faça. As penas dos crimes de trânsito são mais brandas, a liberdade condicional está garantida, há inúmeros recursos à sua disposição, a Justiça é morosa e ainda há a possibilidade da prescrição, sem falar no habeas corpus. Um atestado legal de benevolência e desrespeito às  vítimas da barbárie do trânsito e aos seus familiaraes. Se você ainda socorrer a vítima, também não se imporá a prisão em flagrante. Está expresso no Artigo 301 do Código de Trânsito Brasileiro. É o incentivo a matar no trânsito. Tudo legalizado. É a chamada impunidade misericordiosa brasileira no país do direito penal mínimo. Edmundo agora vai dormir o sono da tranquilidade, os familiares das vítimas o da indignação.


Mulher no volante, assalto constante

 

Sempre que chego a uma terça-feira sem ter encontrado assunto capaz de agradar, como o Milton sempre diz,”os caros e raros leitores do blog”, fico preocupado. Gosto de entregar o texto bem antes da quinta-feira. Quem me conhece, está cansado de saber que sou cheio de preocupações, herança genética, com certeza. Meu pai passou a vida preocupado comigo e com meus irmãos. Ainda bem que foi a única coisa desagradável que herdei dele. Em compensação (se é que esta palavra cabe para o que vou escrever a seguir), quando eu era menino e papai demorava para chegar em casa, depois da sua faina diária, eu me postava diante da janela da sala e apenas me tranqüilizava ao vê-lo estacionar o Citroën negro na frente do portão da garagem.

Esta – a de entregar o texto com razoável antecedência- é, porém, uma das minhas menores preocupações. Afinal, se algum dia não descobrir assunto que valha a pena digitar, não temo ser demitido. Por motivos óbvios. Já uma das maiores refere-se à segurança da minha família nestes tempos cada vez mais difíceis de serem vividos. Maria Helena, minha mulher, acha que trato a questão da segurança com cuidados exagerados. Preocupa-me, faz muito, vê-la sair de carro sozinha. Sempre que possível, prefiro acompanhá-la, dirigindo o automóvel. Pois não é que, nesse domingo, dia 11 de setembro, data de má memória para o mundo civilizado, Zero Hora estampou a seguinte manchete: ”MEDO FEMININO. Roubo de veículos assombra gaúchas”

A seguir, numa “cartola”, Francisco Amorim, autor da reportagem, escreveu: “A cada quatro horas, uma mulher tem o carro roubado. Esta, entre outras estatísticas de Porto Alegre e do Estado, assusta as gaúchas ao volante”. E não é para menos, digo eu. Recentemente li neste blog a história de uma mulher, em São Paulo, que parou o carro num semáforo, e foi surpreendida por uma vozinha que lhe pedia passasse seus pertences. Para seu espanto, era um pivetinho que a “ameaçava”. Perto do local, meninos mais velhos esperavam o resultado do assalto. O aprendiz de ladrão não teve sucesso, mas estava apenas sendo treinado para futuros e exitosos roubos. Desfecho fatal, porém, ocorreu em Porto Alegre, lembra o jornal, com uma fotógrafa de eventos, ao sair de um banco do qual retirara 150 reais. Ela se dirigia ao seu carro, falando com o marido pelo celular, quando foi empurrada para dentro do veículo e, em seguida, friamente assassinada pelos assaltantes. A estatística mostra que quase 1,4 mil mulheres foram atacadas em Porto Alegre (é daqui que envio meus textos), entre janeiro e julho deste ano, foram vítimas de assaltos. Diante deste número, sabendo que os ladrões imaginam encontrar mais facilidade para assaltar mulheres ao volante e que as autoridades pouco podem fazer para evitar a ação dos criminosos, como não ficar terrivelmente preocupado com a situação? Invejo aqueles que não ficam.

Ladrão troca celular pelas mãos em saidinha de banco

 

Três ladrões foram presos acusados de participarem de uma quadrilha que praticava a “saidinha de banco”, assalto cometido logo após as pessoas sacarem dinheiro em agências e caixas eletrônicos, em São Paulo. De acordo com a polícia, eles se passavam por clientes e identificavam as vítimas sinalizando com as mãos. A prática revela que, rapidamente, estes bandos mudaram a estratégia para assaltar, depois que lei municipal proibiu o uso de telefone celular dentro das agências, em São Paulo.

Sugeri, durante o Jornal da CBN dessa quarta-feira, que, na próxima vez, os vereadores paulistanos aprovem lei proibindo o uso das mãos nas agências bancárias. Ouvintes-internautas foram além na ironia pelo Twitter:

@rovira_jesse: “vai surgir lei obrigando os bancos a contratar especialistas em Libra”

@Guilhermeolsen: “vamos proibir o uso dos bancos”

@aladiaamorim: “Antes do celular ladrões se comunicavam com cara, boca e gestos, agora voltou isso, não é novidade não, lamentável”

A autora do projeto, vereadora Sandra Tadeu (DEM), não gostou da brincadeira, foi a plenário e pediu que a imprensa respeite os vereadores. Pelo Twitter, três deles encaminhado a mim, comentou:

@miltonjung Fico feliz ao saber que, em menos de um mês, minha lei que proíbe o uso de celulares em bancos já começa a fazer efeito!

@miltonjung Vi hj na imprensa q bandidos buscam outras maneiras p/ praticar a saidinha d banco. Foram devidamente descobertos pela policia

@miltonjung Isso prova q a iniciativa d proibir os celulares é correta, já q os bandidos usavam sim os aparelhos p/ falar c/ comparsas

Engana-se a vereadora mais uma vez (a primeira foi ao propor a lei). Nunca se negou o uso de celular pelos assaltantes. O que sempre se disse é que sua proibição prejudica o cidadão, tira-lhe um direito e não reduz o risco de assaltos. A retomada do método (antigo, como disse uma ouvinte-internauta) é prova disso.

Em lugar de impedir o uso do telefone, deveria usar sua autoridade e cobrar por ações efetivas no combate a violência.