Corrupção: até quando?

 

Por Carlos Magno Gibrail

Protesto contra a corrupção

Há uma semana, dia da Independência, havia a expectativa sobre o impacto das manifestações contra a corrupção, deflagradas a partir da imagem de Jaqueline Roriz recebendo propina. Quem esperava a repetição de 1984 na Campanha das Diretas ou de 1992 na caçada ao Caçador de Marajás, terá que aguardar. Talvez breve, em 12 de outubro.

Até lá, é bom lembrar que munição para esta guerra contra a corrupção não falta. Aumento de salários públicos de forma corporativista, desvios anuais de 49 a 69 bilhões de reais, aumentos projetados de estados federativos para gerar mais cargos e gerir mais e más influências, aumentos de vagas de vereadores, representação desfigurada no Congresso Nacional, não limitação do número de representantes, 25.000 cargos nomeados, nomeações baseadas em troca de favores políticos e não por competência, financiamento das eleições sem origem e destino configurados, destinações de verbas em troca de poder eleitoral, incontestáveis objetivos pessoais de homens públicos em detrimento do bem público, falta de compostura a ponto de registrar promessas em cartório e descumpri-las, ou de negar obviedades como no caso de Jaqueline absolvendo-a pelo fato do crime anteceder a função, como se isso não fosse agravante, etc. etc.

Para os políticos é hora de repensar. A começar pela Presidenta, cuja faxina ao mesmo tempo em que atraiu extenso apoio geral da população, também recebeu a ira dos tais políticos indesejáveis. A ponto de frear o ímpeto inicial, que não pode arrefecer.

Para os contribuintes, é hora de participar. Nem que seja virtualmente.

Para a mídia, é bom que assuma também um papel maior, assim como fez nos grandes eventos do passado. É hora de sair das páginas internas e ir para as capas.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.


A foto deste post é do álbum digital de André Pereira Homer, no Flickr

Foto-ouvinte: Sem parada

Ônibus arranca cobertura

Por Devanir Amâncio

Um ônibus circular arrancou um ponto na esquina da rua Conselheiro Crispiniano com Avenida São João, na região central de São Paulo. O acidente ocorreu por volta das 8 horas desta terça-feira (13). Segundo informações de uma comerciária a batida foi forte e o prédio 404 da Conselheiro Crispiniano tremeu. No momento do acidente não havia passageiros no ponto e nenhum passageiro do ônibus se feriu. A prefeitura ainda não removeu o equipamento danificado .

Nossa SP faz Seminário na Semana da Mobilidade

 

A proximidade da primavera, marca a chegada da Semana da Mobilidade, destinada a discutir os mais variados temas relacionados ao transporte público, o respeito ao pedestre e a necessidade de uma revisão de políticas públicas que privilegiam o automóvel. Reproduzo texto da Rede Nossa São Paulo que chama a participação do cidadão em eventos que começam no dia 16 de setembro, nesta sexta-feira:

A mobilidade é uma questão central em todas as cidades do mundo – está diretamente ligada ao acesso à cidade e aos serviços públicos, ao meio ambiente e à saúde da população. Neste sentido, organizações de várias cidades do mundo decidiram dedicar uma semana – de 16 a 22 de setembro (quando é comemorado o Dia Mundial Sem Carro) – para refletir, debater e promover ações para melhorar a mobilidade.

A Rede Nossa São Paulo está no quinto ano consecutivo de atividades pela Semana da Mobilidade / Dia Mundial Sem Carro. O objetivo é juntar forças para a construção de uma agenda única e com poder de interferir em políticas públicas. Esta é uma grande oportunidade de chamar a atenção da sociedade civil para o tema da mobilidade urbana e dos problemas decorrentes da poluição do ar gerada pelos veículos motorizados.
Em 2011, a Semana da Mobilidade começa no próximo dia 16/9, sexta-feira. A primeira atividade será o seminário “Os modais não motorizados: pedestres e ciclistas”, que dá sequência à série “Mobilidade e Transportes Sustentáveis – Soluções Inovadoras para a cidade”. A iniciativa é do Grupo de Mobilidade Urbana da Rede Nossa São Paulo e o coletivo de mobilização para o Dia Mundial Sem Carro/ Semana da Mobilidade.
O objetivo, agora, é tratar do tema fazendo uma avaliação e balanço sobre a atual situação das vias e calçadas da cidade, a sinalização para os pedestres e ciclistas, levando em conta a situação das pessoas com deficiência e idosos e comparando o Plano de Metas e os indicadores.

Entre os debatedores estarão: Asuncion Blanco, coordenadora do GT Mobilidade Urbana da Rede Nossa São Paulo; João Ribas, coordenador de área de Diversidade & Inclusão da Serasa Experian; Sérgio Faria, consultor de inclusão e coordenador de projetos de TI da Accenture; Carlos Aranha, coordenador de participação pública da Ciclocidade; Patricia Gejer, do CESVI Brasil e representante do Movimento Chega de Acidentes. Evento gratuito.

Serviço:
16/9, das 9h30 às 12h30 – Seminário “A mobilidade urbana e os modais não motorizados – pedestres/ciclistas”.
Local: Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo – Viaduto Jacareí, 100 – 8º andar – Bela Vista.

A segunda fase da Ciclovia da CPTM

 

André Pasqualini, cicloativista como poucos, foi até a Ciclovia da CPTM, aquela que passa ao lado da Marginal Pinheiros, em São Paulo. Estava acompanhado de técnicos da Companhia, fez anotações, deu sugestões e escreveu um detalhado texto no Blog O Bicicreteiro. Aqui estão apenas as considerações finais e alguns comentários sobre as novidades a serem implantadas no local, por isso sugiro a leitura completa do artigo sobre o que Pasqualini chama de a maior obra cicloviária da cidade de São Paulo:

Há previsão de 5 novos acessos e 4 novas bases de apoio. Tirando o acesso da Cidade Jardim, a previsão é que tudo seja entregue até dezembro de 2011. Confira abaixo detalhamento de cada obra que está sendo tocada pela CPTM
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Havia uma base temporária, com bebedouros e banheiros químicos (ainda há alguma estrutura no local), mas está sendo construída uma nova base, onde o ciclista terá banheiros e até uma infraestrutura para mecânica de bicicleta. Essa base está em estágio bastante avançado, já em acabamento.
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Nessa segunda-fase optaram por colocar o guarda-corpo de ferro em todo o trajeto, já que os de corda deram muitos problemas, pois as cordas se desgastavam, alguns ciclistas se apoiavam nelas o que as afrouxava, chegando até a rompê-las. Quando isso ocorria, todo o trecho da corda ficava desprotegido. Já os de ferro são mais resistentes e fáceis de serem removidos, caso os técnicos da Emae precisem realizar algum trabalho no rio.
….
Quando escrevi no título “Ciclovia da CPTM” é porque, apesar da área ser de responsabilidade da Emae e da Secretaria do Meio Ambiente Estadual ter tentado por diversas vezes abrir aquele espaço para os ciclistas, apenas quando a CPTM entrou na jogada é que a Ciclovia saiu do papel. Ela comprou essa briga, mesmo com resistência interna e até mesmo de parte de alguns ciclistas, que reclamavam do fato dela não ter vocação para transportes, sem falar naqueles que achavam que era só uma ação midiática com fins eleitorais.

Eu fui um dos principais defensores da abertura da Ciclovia com os acessos existentes. Sabia da importância de “tomarmos” o território e depois de conquistado, seria bem mais fácil lutar por novos acessos e que sua evolução seria questão de tempo.

A Ciclovia foi inaugurada, o tempo passou e hoje além de motivo de orgulho é uma bandeira da empresa. No começo, apesar de perceber que o alto escalão da CPTM estava super empenhado na evolução da Ciclovia, sempre notei uma relativa resistência e desconfiança entre os funcionários já que o “negócio” deles não era bicicleta, mas sim trem.

Minha sensação mudou, desde a sua inauguração em Fevereiro de 2010, cada vez mais percebo o empenho e o carinho dos seus funcionários, não só com a Ciclovia, bem como com os demais ciclistas que usam o sistema, ou acessam seus bicicletários. Podemos dizer que a bicicleta é sua segunda especialidade dessa empresa, pois além dos seus Bicicletários estarem praticamente todos lotados, não podemos esquecer que junto a Estação Mauá existe o maior Bicicletário da América Latina, com duas mil vagas para bicicletas, com um movimento diário em torno de 1200 ciclistas.

Isso me deixa feliz, já que esse é um exemplo de mudança cultural que é lenta mas consistente. Quando vemos toda uma empresa (principalmente seus funcionários) empenhada numa causa, significa que mesmo com uma troca de gestão, será difícil acabar com a cultura. Nem vou citar a enorme evolução que ocorreu nessa empresa de 2004 até os dias de hoje, alguém que luta tanto pela mobilidade sustentável como eu só consegue ficar feliz com o que vem ocorrendo.

Parcerias “morais e ideológicas” como essas que existem entre a CPTM e os ciclistas podem contaminar outras empresas a seguirem esse exemplo.

Para finalizar, minha última consideração. Como tudo é mais fácil quando juntamos a vontade política, competência e principalmente a coragem de desafiar o novo. Eu só tenho a agradecer o pessoal da Secretaria de Transportes Metropolitanos da outra gestão por ter assumido esse desafio e principalmente a atual, que manteve todos os projetos anteriores. Duvido que essa evolução pare por aí e em dezembro estarei mais uma vez presente na inauguração dessa nova fase, curtindo mais essa vitória.

O golpe do curso de graça

 

Alô ! Bom dia, senhor. Seu filho foi selecionado e ganhou um curso de graça de informática. Quantas vezes você recebeu telefonema com esta promessa? Algumas vez foi conferir? Um amigo, crédulo na sorte do filho menor, acaba de voltar da sede da escola e me conta que ouviu do atendente algo do tipo:

Havia 3 mil pessoas inscritas, foram escolhidas 150 que farão aula de iniciação. Desses nós escolheremos 20 pessoas para ganhar uma bolsa de 70% do curso completo. Já temos 16 nomes, faltam apenas quatro e seu filho pode ser um deles. Tem apenas de fazer um teste com 20 questões. Se acertar 10 tem direito a bolsa. O curso completo custa R$ 700 de inscrição, mais R$ 1.200 pelo material didático – com apostilas, livros e HQs -, e R$ 700 de mensalidades. Mas com a bolsa, o senhor está isento da inscrição e recebe o material didático. A mensalidade se for paga entre os dias 5 e 10 do mês ainda terá 30% de desconto.

A explicação, em alta velocidade, é acompanhada de anotações automáticas no papel. As soma e subtração feitas na ponta do lápis não batem na hora de puxar o traço. O curso de graça, atrativo do convite feito pelo telefone, a esta altura, foi deixado de lado. Se resumia a algumas aulas sem importância.

O golpe é antigo, aplicado desde os tempos dos cursinhos de datilografia (lembra?) e segue enganando as pessoas. Tão velho quanto, é o ditado que previne para este comportamento: quando a esmola é demais, o santo desconfia.

Foto-ouvinte: Lixo prejudica acesso

 

VILA INDEPENDENCIA 001

“Esta é a rua Forte de São Bartolomeu, travessa da Av. do Estado, que, neste trecho, se chama Av. Francisco Mesquita. É na Vila Independência, atrás do Central Plaza Shopping. Ali, regularmente são descarregados entulhos, que algumas vezes impedem o fluxo normal de veículos. A prefeitura leva alguns dias para retirar o lixo, portanto na maioria do tempo há problema de circulação. Parece que há necessidade de se instalar uma câmera para punir os caminhões que frequentemente descarregam suas cargas de lixo no local” – recado do nosso colunista e ouvinte-internauta Carlos Magno Gribrail

Avalanche Tricolor: O sorriso do Campeão

 

Grêmio 1 x 0 São Paulo
Brasileiro – Olímpico Monumental

Jogadores com a cor do Grêmio estarão sempre na nossa memória. E Tarciso é um desses. Sua imagem nos leva a um passado de incríveis resultados, tempos em que superar adversários de Rio e São Paulo ainda eram vistos como feitos quase impossíveis. E, também, está ligada a uma fase de transição do Imortal Tricolor, momento em que deixávamos de ser um time apenas para consumo interno para sermos temidos pelos grandes clubes do País. Era ele o ponteiro direito do time campeão brasileiro em 1981, treinando pelo meu querido padrinho Ênio Andrade, que conquistou o título após duas difíceis disputas contra o São Paulo.

Hoje cedo, antes da partida com o mesmo São Paulo, Christian, meu irmão, e Fernando, meu sobrinho, que moram em Porto Alegre, tiveram a feliz oportunidade de encontrá-lo próximo do Estádio Olímpico. Se apresentaram e pediram para tirar uma foto. Nada mais natural para fãs que encontram seu ídolo. Na conversa, Tarciso soube que eram filho e neto de Milton Ferretti Jung, o homem do Gol-gol-gol, que você, caro e raro leitor deste blog, conhece seja pela própria história dele, seja pelos posts de toda quinta-feira. Na mesma hora deu aquele sorriso que meu irmão definiu como o de Campeão do Mundo. Sim, Tarciso também fez parte daquele time que conquistou o Planeta, em 1983. E mandou “um abração para o velho Milton”. Abraço enviado.

Foi Milton, o pai, quem o batizou de Flecha Negra, apelido que refletia bem a velocidade com que Tarciso escapava dos adversários e chegava na cara do gol. Uma característica que, aliás, o levou para o Grêmio após marcar um gol contra o próprio, na época em que ainda vestia a camisa do América do Rio, em 1973. Durante os 13 anos em que jogou pelo Grêmio sua postura em campo, a forma como se entregava em cada jogada e as disparadas com a bola no pé o transformaram em eterno ídolo.

Tarciso é um exemplo para todos estes que hoje jogam no nosso time. Sei lá quantos deles serão capazes de repetir a mesma história e serem lembrados para sempre pelos torcedores. O que sei é que a disposição de cada um, desde que Celso Roth assumiu o comando, tem um pouco da raça, da determinação, da coragem e da personalidade com as quais apenas alguns foram capazes de se consagrar. E, tenha certeza, Tarciso foi um desses.

Nenhum comentarista viu, os narradores não falaram, o adversário jamais poderia imaginar e duvido que o atual elenco tenha percebido. Mas o espírito de Tarciso estava em campo nesta vitória que reforça a Avalanche Tricolor recém iniciada, que só vai sossegar quanto estiver de volta a Libertadores.

N.B: Os números estranhos (tema da última Avalanche) estiveram de volta no jogo de hoje. Nada porém supera a criatividade dos pais de alguns jogadores de futebol no momento de batizá-los. Um dos zagueiros do São Paulo, estava grafado na camisa, se chama Rhodolfo. Assim mesmo, com um intrometido “h” na primeira sílaba. Haja imaginação!

De despertar

 

Por Maria Lucia Solla

Despertar

Ouça este texto na voz e sonorizado pela autora

Faz tempo ouvi de um amigo dos meus filhos, quando ainda eram adolescentes, que a gente ensina o que precisa aprender. E não é? Tudo bem que quando a gente está no pique de falar mais que a boca para ouvir o som da própria voz, acreditando ser dono da razão, pode parecer que não, mas o falar sem ouvir é chegar ao mestre com a xícara cheia, é estar tão repleto, que uma pá de coisas boas gritam em volta, e nada! A gente está tão distraído pelo som que produz, que não ouve. Aí a vida, que é aliada e não judas declarada, espera o tempo justo para que a gente se dê conta da situação, e quando a gente não se dá, ela dá um jeito de fazer a gente entender, de fazer cair a ficha. Não é puxão de orelha, não é castigo, que isso é história de bicho-papão e a gente já passou da idade de acreditar nele. É a tal da oportunidade.

Então a ficha cai, e a gente se cala, fica boquiaberto, paralisado. A gente sai de cena. Não tem como continuar no palco quando não sabe a fala. O que dizer quando a gente se dá conta de que fala, fala, fala e faz pouco do que diz? O que fazer quando se dá conta de que a tralha velha precisa ser descartada para dar lugar ao novo que se insinua? O que fazer quando se dá conta de que o tempo está se escoando e ainda há tanto a fazer, a aprender, a curtir? O que fazer quando percebe que pegou a estrada errada? Continuar fingindo que não se deu conta, para que o mundo não perceba que a gente não é dono da certeza?

O nascer de cada dia traz oportunidade de acordar do sono profundo que é a vida; sem trégua. Mas o sono da vida é tentador, sedutor, e a gente, que nem sabe do que tem fome, abre um cadinho os olhos para o real e volta a fechar, sem se dar conta de que não se trata de ir pela direita ou pela esquerda, não se trata de fazer assim ou assado; de abrir mão do prazer e se açoitar. Trata-se simplesmente de ir se entregando sem medo, pela rota do coração aliado à razão. Assim a dor que aflige já não domina; vai dando lugar à força. A desesperança deixa de ser tão teimosa e dá a mão à esperança, reconhecendo que, no fundo e na superfície, é juntas que conseguem chegar a algum lugar.

E a gente percebe então com maior nitidez que o mapa da vida que a gente conhece não mostra o desenho do caminho da vida de mais ninguém sobre a face desta doida terra, percebendo a maravilha da trama dos diferentes caminhos que se cruzam e se afastam na velocidade do inspirar e expirar, e então a gente sorri e se cala ao menos um pouco.


Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e promove curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

O rádio na cobertura do 11 de Setembro

 

Para lembrar os 10 anos dos atentados de 11 de Setembro, reproduzo neste post trechos do livro “Jornalismo de Rádio” (Editora Contexto), que publiquei em 2004, no qual, entre tantas histórias, conto como foi a cobertura na rádio CBN dos ataques nos Estados Unidos.

Para ler o texto completo sobre os bastidores desta cobertura da CBN, compre o livro aqui

E ouça aqui o plantão CBN com a primeira notícia sobre o atentado em Nova Iorque

Onze de setembro de 2001 se inicia, antecedido por uma cortina musical tocada na velocidade da emergência que marca as edições extraordinárias no rádio. O primeiro par[agrafo do mais dramático capítulo escrito pelo terrorismo internacional na era moderna é anunciado, ironicamente, em trinta segundos, tempo reservado na comunicação do mundo capitalista para a venda de produtos e a oferta de serviços. No texto improvisado que descreve a cena inicial do prédio em chamas, de 110 andares e 412 metros de altura, se oferece ao público o que seria a propaganda de maior impacto dos grupos anti-americanos.

Os meios de comunicação multiplicam a mensagem enviada por Osama Bin laden e pela Al Qaeda, através de pilotos suicidas e aviões-bomba. Cada veículo, usando de seus recursos característicos para conquistar o público ansioso pela informação. A televisão estava lá quando o segundo Boeing acertou a torre sul do World Trade Center, quinze minutos após o primeiro ataque, transmitindo ao vivo o “espetáculo”. O rádio propagou o feito terrorista narrando o acontecimento em off tube, como nos grandes jogos internacionais de futebol— sem precisar pagar pelos direitos de transmissão. A internet também calçou a cobertura nas imagens da TV, na noticia do rádio e nas informações das agências internacionais, a maioria levando em tempo real material colhido pela CNN.

Nas ruas, o pedestre tem atenção despertada pelo anúncio do painel eletrônico: “Terroristas arremessam aviões sobre WTC”. Na tela do telefone celular, o texto do serviço de mensagem informa; “Torres gêmeas em fogo, após ataque terrorista”. O pager na cintura da calça chama: “Terror no ar: avião com passageiros atinge Pentágono”. Jornais e revistas mobilizam redações para rodar o mais cedo possível uma edição extraordinária — prática abandonada desde o advento da internet.

A sociedade informativa, fenômeno na virada do Terceiro Milênio, acorda para viver o dia que ainda não acabou.

MAIS UM DIA DE TRABALHO

O CBN São Paulo, programa que apresento desde 1999, estava apenas começando. Era hora de falar do esporte com os destaques dos clubes. Antes, já havíamos passado em revista a tropa de repórteres. Cada um apresentando a informação que cobriria naquela manhã. Meteorologia, trânsito, estradas e aeroportos, informações da cidade — este é o nosso foco das 9h30 ao meio-dia, horário destinado ao noticiário local na rádio CBN, que tem boa parte da programação dedicada aos temas nacionais e internacionais.

Logo cedo, após ler um jornal diário, assistir aos telejornais da manhã e ouvir um trecho da programação da rádio, havia negociado com a produção, pelo viva voz do celular no carro, a pauta do dia. A produtora Fabiana Boa Sorte, na redação, havia feito o balanço das reportagens que poderiam entrar gravadas; conversado com o chefe de reportagem para saber quais assuntos seriam cobertos pelos repórteres; e feito varredura nos demais jornais impressos. Também já recebera, pelo correio eletrônico, sugestões de ouvintes e assessores de comunicação.

Ao entrar no ar, duas entrevistas estavam fechadas — ou seja, os convidados estavam disponíveis para falar sobre o tema nos horários propostos. Ainda se aguardava o retorno de um terceiro entrevistado. Não tinha sido encontrado pela produção até aquele momento. Alguém da assessoria dele ficara de telefonar de volta. Os comentaristas␣ tinham assuntos decididos. Os cartuchos com reportagens, sonoras e teasers gravados, estavam separados, cada um com sua devida cabeça redigida em laudas de computador. Ao operador de áudio Paschoal␣Júnior, que comanda a mesa de som responsável por levar a rádio ao ar, havia sido passada as orientações do que seria apresentado. Ele, por sua vez, havia feito algumas sugestões a partir de notícias que lera no jornal ou ouvira na programação da rádio, desde às seis horas da manhã. O pessoal da área técnica é parte integrante da equipe de jornalismo, e tem de ser consultado. Essa interação facilita o andamento do trabalho.

Em geral, buscamos tratar de questões relacionadas à vida do cidadão. Fatos que mexem com o dia a dia do paulistano. Ações de participação da comunidade, à medida em que a parceria com o poder público deve ser incentivada. Também orientam nossa pauta denúncias contra desrespeito aos direitos humanos e a fiscalização do que as autoridades públicas fazem com nosso dinheiro.

A minha frente, o computador recebia mensagens de todo o tipo. A quantidade de spams (material enviado para os correios eletrônicos sem autorização nem utilidade) é enorme e atrapalha a avaliação criteriosa daqueles que merecem alguma atenção.␣Já desperdicei meu tempo levantando a seguinte estatística: de cada vinte e-mails que aterrissam na caixa de correio eletrônico, cinco merecem ser abertos, dos quais três têm de ser respondidos e apenas um tem direito e respeito para ser registrado no ar. Além do correio eletrônico, navegava na internet em busca de informação e acessava as agências de notícias. Um televisor sobre a mesa, ao lado do computador, estava ligado na Globonews, canal de notícias 24 horas, da Rede Globo de Televisão. Entrávamos no ar para mais um programa. Mas era 11 de setembro de 2001.

FOGO NO AR

A agência internacional acabara de anunciar, em apenas uma linha, o incêndio na torre, em Nova York, provocado pelo choque de um avião, e a Globonews interrompia a programação para reproduzir imagens, ao vivo, da CNN. Pelo canal interno, todas as emissoras da CBN eram comunicadas de que em trinta segundos seria formada rede para notícia extraordinária. Imediatamente, quem estava no ar em Cuiabá, Curitiba, Maringá, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília ou qualquer ponto do país em que houvesse retransmissora da Central Brasileira de Notícias parou a entrevista, a reportagem, seja lá o que estivesse sendo apresentado, para ouvir o Plantão CBN, transmitido do estúdio em São Paulo.

Com base nas primeiras informações, anunciei o incêndio no World Trade Center, imaginando um acidente de avião ocorrido há apenas dez minutos. Disse que seria um Boeing 737, mas se descobriu em seguida que o avião era modelo 767, duas␣ vezes mais pesado e com quase o dobro de capacidade para transportar passageiros. Encerrado o plantão, continuamos em rede descrevendo as imagens. O apresentador da CBN no Rio de Janeiro, Sidney Rezende, passou a dividir o comando da programação.

Às 10h03, logo após a leitura do Repórter CBN — síntese noticiosa com duração de dois minutos, que vai ao ar de meia em meia hora —,transmiti ao vivo, o choque do segundo avião, com a voz revelando o impressionante da cena.

Até aquele instante ainda era difícil entender o que acontecia à nossa frente. Impossível não se emocionar, porém, com as imagens. Produtores no Rio e em São Paulo já haviam ligado para correspondentes em Nova York, em Washington e na Europa. Apuradores haviam levantado detalhes nas agências. Quem conhecia alguém nos Estados Unidos, correu para o telefone em busca de informação. Na redação, todos os monitores estavam sintonizados nas emissoras a cabo americanas. O escritório da BBC Brasil também foi acionado. E a cobertura se iniciara há apenas seis minutos.

DEU NO RÁDIO

O “espetáculo” do 11 de setembro foi planejado para ser transmitido pela televisão. A diferença de tempo entre o choque de um e outro avião nas torres gêmeas vai ao encontro dessa idéia. O primeiro, da␣ American Airlines, chamou atenção das emissoras americanas que circulam por Nova York com suas equipes móveis de alta tecnologia.

Quem anda pelas grandes avenidas de Manhattan se depara a todo o momento com os técnicos, sem a companhia de repórteres, em pequenos e ágeis furgões. Haveria tempo suficiente para se direcionar uma câmera para o prédio que se enxergava de vários pontos da ilha. Daí a facilidade para reproduzir, ao vivo e a cores, o segundo ataque.

O recado enviado pelo segundo avião, o Boeing da United Airlines, era claro. Se alguém não havia entendido até então o que estava acontecendo — e eu, que transmitia tudo aquilo, não entendia␣ mesmo — ali estava a verdade. Um ataque programado para se transformar em fenômeno midiático. A câmera era a única forma de contato do mundo com aquele cenário. A aproximação do local atingido era impossível. Toda e qualquer leitura que se fez naquelas primeiras horas foi construída a partir da imagem.

Apesar de o episódio ter privilegiado a televisão, como ocorre nos shows de entretenimento, no Brasil, o rádio teve papel importante na cobertura jornalística do 11 de setembro. No momento em que o ataque se iniciou, boa parte das pessoas não estava mais em casa. Encontravam-se no carro, a caminho do trabalho, ou haviam chegado ao escritório. Nas escolas e universidades, as aulas tinham começado. Muita gente se deslocava a pé nas ruas de comércio. Com esse quadro e com base em análise comparativa da audiência, arrisco dizer que a maioria da população ficou sabendo do atentado pelo rádio.

Números do Ibope deixam evidente a supremacia da programação radiofônica em relação à televisiva na faixa das nove às dez da manhã. Chega a ser, em média, três vezes maior o número de pessoas que ouvem rádio nesse horário do que os que assistem à televisão. Mesmo no decorrer do dia, o número de ouvintes supera o de telespectadores. Pesquisa do␣ Ibope, citada pelo Jornal do Brasil, mostra que no terceiro trimestre de 2003 os ouvintes foram 2.967.603, enquanto os telespectadores não passaram de 2.408.560, entre seis da manhã e sete da noite, no estado de São Paulo.

Não tenho dúvida de que, alertado pelo plantão da rádio jornalística da cidade, o ouvinte saiu à procura do primeiro aparelho de televisão que houvesse nas proximidades. Reação provocada em todo o cidadão que, por outros meios de comunicação, até mesmo o telefonema de um vizinho, teve acesso à notícia. Mas, ao encontrar os canais que reproduziam as imagens da CNN para o mundo, esse cidadão se deparou com âncoras, repórteres e comentaristas atuando como se estivessem no rádio.

Sem acesso à “cena do crime”, a solução foi voltar as câmeras para o local do atentado e, por telefone, conversar com pessoas que escaparam do prédio em chamas, acionar correspondentes internacionais, entrevistar especialistas, falar com autoridades políticas e policiais em uma linguagem muito próxima à do rádio. Os programas jornalísticos na televisão não têm humildade suficiente para aceitar o uso do telefone como meio de informação. Um repórter que esteja diante da notícia, mas sem uma câmera, terá dificuldade de convencer o editor de que o fato deve ser transmitido, apesar da falta de imagem. Foi com o surgimento das emissoras de notícias 24 horas, como Globonews e Bandnews, que esse formato passou a ser aceito na TV brasileira, apesar de ainda encontrar muitas restrições. Antes disso, repórter ou entrevistado falando por telefone era␣cena rara na televisão. Por mais fascinante que seja a TV, fenômeno de massa de enorme impacto na sociedade, a imagem por si só não informa. É perigosa a idéia de que a câmera aberta diz tudo. De que o cidadão não carece de um intermediário para explicar o que vê. Precisa, sim. A reflexão, o questionamento e a apuração dos fatos são imprescindíveis para que o processo de comunicação se complete. Jornalistas e público não podem se tornar reféns da imagem.

O rádio contou para as pessoas o que acontecia no 11 de setembro e elas foram ver na televisão. Encontraram seus apresentadores favoritos fazendo rádio, apesar da imagem. E que imagem.


Leia o restante do texto, no livro Jornalismo de Rádio

Roupa de missa

Por Dora Estevam

Para muitas mulheres, pensar em moda vai desde a roupa para o dia-a-dia, para trabalhar, até o que vestir no domingo. Refiro-me, particularmente, as mulheres religiosas que vão à missa (católicas) ou culto (evangélicas). Diferentemente das roupas para trabalho, a consideração na hora da escolha leva outros aspectos: morais e religiosos.

A roupa evangélica, normalmente, traz na bagagem todo o emocional religioso. Nas regiões do Brás e Bom Retiro, em São Paulo, não é difícil reconhecer uma loja direcionada a moda evangélica. Saias longas ou saia jeans na altura dos joelhos e blusas com mangas longas. Decote nem pensar. Elas não fazem restrições às cores, segundo a professora de estilo Leca Calvi.

Como nem tudo são flores, é claro que mesmo nesta escolha que parece ser tão simples são muito importantes os sapatos e acessórios; afinal, a senhora estará exposta na missa ou culto na frente de muitas outras pessoas. Destoar não ficaria bonito.

No universo da moda ficou mais fácil escolher este tipo de roupa. Um exemplo bom disso, as saias e vestidos longos que estão na moda há alguns anos e, pelo que tenho visto nas campanhas de moda, vão ficar por mais um bom tempo.

As sapatilhas e sandálias se tornaram companheiras das mulheres, botas com salto baixo e cano curto estão  em qualquer loja brasileira, não temos problemas em encontrar produto. O Brasil está bem abastecido de moda.

De certa forma creio que hoje a mulher brasileira não precisa escolher uma roupa somente para a missa. A saia que vai ao escritório pode facilmente ir à missa ou culto. E os cuidados com a beleza só favorecem as escolhas.

A roupa de igreja não se restringe aos cultos religiosos, temos que lembrar também dos casamentos, batizados e, porque não, os velórios. Para cada ocasião mesmo que a pessoa não curta moda e em alguns momentos nem pense em moda é importante saber que tem sim uma cerimônia que envolve desde o ritual ao figurino.

E você sabe disso.

Em se tratando de moda religiosa, faça cerimônia e boa escolha.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung