Dedicatórias no sebo

 

Luis Cosme pode ser apresentado como jornalista paulista, desde que não comece a falar. O sotaque carioca foi cuidadosamente preservado e parece fazer parte do nome dele. Nascido no Rio, onde brincou e se formou, trabalha nas redações paulistanas há 23 anos. Cruzei com ele na TV Cultura, onde foi repórter de destaque por um bom tempo. Esteve na Globo e está na Record no papel de editor. Descubro, agora, que é, também, escritor tendo lançado recentemente o livro “Ponte Aérea” no qual apresenta crônicas que relatam a vida nas duas cidades.

Aqui no Blog, reproduzo uma delas para que você sinta o sabor do que ele conta e, depois, vá se deliciar com o livro em mãos. Bom proveito:

Gostei da frase: “São Paulo se ergue sobre si mesma, se constrói, se destrói, se levanta sobre suas ruínas…”. Quem a disse foi um arqueólogo que se referia à velocidade com que novos prédios surgem e enterram o que existia antes.

Acredite, até cemitérios já foram sepultados.

Há alguns anos, descobriram resquícios de um cemitério
de escravos no bairro da Liberdade. Quem sabe não está aí a explicação do nome do bairro?

Mas São Paulo sempre nos dá a chance de um outro olhar. A cidade tem fortes laços com seu passado. Por exemplo, que outra capital brasileira tem tantas e tão boas feiras de antiguidades?

Minha preferida é a da Praça Benedito Calixto, no bairro de Pinheiros. Aos sábados, pelo menos cem antiquários vendem suas relíquias. Já aos domingos, é dia da feira no vão livre do Masp, o Museu de Arte de São Paulo, na Avenida Paulista. Fui lá procurar qualquer coisa sem saber direito o quê. Como dizia aquele sucesso de Chico Buarque, estava à toa na vida… Mas como a banda não passou nem ia passar, uma prosa com um daqueles antiquários resolveria minha angústia.

Esses senhores e senhoras (aliás, você conhece algum jovem antiquário?) têm sempre um sorriso e sabem a distância exata entre a gentileza e a insistência. Oferecem suas preciosidades e sempre acrescentam uma informação sobre a porcelana, o mármore, o estilo de uma cadeira. Se é verdade ou não é outra história, mas eu faço de conta que é.

Por experiência própria, sabem que menos de 10% dos frequentadores vão comprar. A grande maioria está ali para passear, olhar e, acima de tudo, pegar.

— Tem gente que só sabe observar com as mãos — reclama em tom confidencial o seu Nelson.

O vizinho dele vende retratos, discos e postais. Cartões-postais cuidadosamente guardados em caixas de papelão. Quase todos são de cidades estrangeiras: a Praça Vermelha em Moscou, os canais de Veneza, as livrarias da Charing Cross em Londres. São dezenas, centenas de cartões. Todos antigos e o melhor: escritos!

O vendedor conta que seus fornecedores são famílias que se desfazem dos bens do pai ou de um avô já morto e que não tem onde guardar a papelada. Ele percebe o brilho dos meus olhos e incentiva: que se eu quisesse poderia ler, já levantando e oferecendo-me um banco. Elias, morador do bairro de Higienópolis, é o destinatário de quase todos.

Não sei você, mas eu já tive muita vontade de violar uma correspondência alheia… Estava ali, portanto, a chance de realizar um antigo desejo e sem complicações futuras!

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Minhas férias (lá se foram)

 

Volta às aulas era sempre assim. A professora pedia uma redação na qual teríamos de contar como foram as férias escolares. Nem sempre tínhamos coisas interessantes para escrever, mas o número de linhas era pré-estabelecido. Aí, era aquele enorme esforço para preenchê-las com algo legal e sem muitos erros de gramática. Lembrei disso ao pensar neste post que marca meu retorno ao trabalho depois de 15 dias de férias e uma semana inteira de folga devido ao Natal. Vamos à lição de casa:

 

Dique em Porto Madero

Buenos Aires, na Argentina, e Colonia del Sacramento, no Uruguai, foram meus portos seguros nestas férias de dezembro. As duas cidades que estão em margens opostas e próximas do Rio da Prata se completam. Um barco, cerca de R$ 150, alguma burocracia de fronteira e uma hora separam a capital argentina fundada em 1536 da mais antiga cidade uruguaia, que surgiu no século seguinte, em 1679.

A primeira, uma metrópole caótica com comércio de qualidade e tradição preservada em alguns de seus bairros. A segunda se contrapõe oferecendo tranquilidade excessiva e ruas e prédios históricos a vista de todos. Interessante casar o passeio pela riqueza de elementos e preços bastante atrativos, seja para comprar, se alimentar ou se hospedar. Cruzar o extenso Rio da Prata deveria ser programa obrigatório para quem vai a Buenos Aires, tanto quanto visitar a Ricoleta, o Boca e o Porto Madero.

Os portugueses, sob o comando de Manuel Lobo, tinham mesmo a pretensão de criar no pedaço de terra mais próximo da Argentina uma base que lhes permitissem chegar ao território dominado pelos espanhóis. Estes logo entenderam as más intenções lusitanas e botaram seus navios do outro lado, expulsaram os recém-chegados e tomaram o território, só o devolvendo muitos tratados depois.

Centro de Colonia del Sacramento

Aliás, esta mistura portuguesa e espanhola é possível de se perceber em Colonia del Sacramento com casas de tijolo e pedra que se avizinham, todas ao longo de ruas calçadas como antigamente, sem um só pingo de asfalto. Por ali passam poucos carros e a preferência é para lambretas e carrinhos de golfe, alugados com facilidade para quem não quer caminhar.

A cidade não tem mais de 21 mil moradores, dos quais apenas dois são brasileiros – outro contraste com Buenos Aires que, sozinha, tem quase a mesma população que o Uruguai inteiro. Há quem a compare com Parati, no litoral fluminense. A mim lembrou Embu das Artes, na região metropolitana de São Paulo (sem o rio, é lógico).

Não vá até lá esperando luxo e requinte nem mesmo uma farmácia com produtos básicos para a higiene pessoal. Nas lojas, a aposta é pelo artesanato. Esteja preparado para a conversão, pois eles aceitam dinheiro de qualquer nacionalidade e origem – não deve ser uma coincidência que o Uruguai é visto como uma espécie de paraíso fiscal sulamericano.

Carros da metade do século passado desfilam pelas ruas mais “modernas” ou fazem pose estacionados no centro antigo. Novos apenas os da frota de táxi que ajuda no deslocamento dos hotéis para os pontos turísticos.

Aproveite para relaxar, refletir e fotografar.

Patins em Buenos Aires

Se em Colonia há poucos brasileiros, em Buenos Aires nós estamos saindo pelo ladrão (sem trocadilho, por favor). As lojas estão tomadas pelos conterrâneos com carteira recheada de real forte. Os restaurantes, também. Em ambos, produtos de qualidade enchem os olhos e o estômago. Tive de me conter em um caso e em outro, pois vinha de um dieta programada para o fim do ano.

Confesso que sinto inveja do que os argentinos foram capazes de fazer em Porto Madero, principalmente após ter visitado, logo no início das férias, o cais de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul – grande desperdício. Fiquei hospedado ali perto e da sacada do apartamento enxerguei coisas muito agradáveis. Saudáveis, em especial.

Ciclofaixas se estendiam por boa parte do trajeto que fiz em Buenos Aires e muita gente de patins brincava em grupo. Passear na cidade me faz pensar como seria agradável São Paulo com este espaço para pedalar e patinar.

O que não dá saudade é o trânsito, mesmo porque estamos falando da segunda maior área metropolitana depois de São Paulo. Principalmente durante a semana, dirigir por lá me pareceu uma ação tresloucada.

Na região próxima do Aeroparque (o Congonhas portenho), os carros se misturam aos enormes caminhões que transportam carga no porto e ônibus coloridos que levam passageiros para os bairros da cidade. Os “marronzinhos” que vestem jalecos amarelos dão a impressão de que são apenas figuras decorativas tamanho o desrespeito às leis.

Ainda bem que bares, restaurantes e boas vistas não faltam para amenizar este estresse que, diga-se, é dos motoristas, apenas, não deste turista. Afinal, férias é para se divertir, conhecer e viver. E isto fiz muito durante estes dias todos.


Veja mais imagens de Buenos Aires e Colonia del Sacramento feitas por este fotógrafo amador

Suplentes, os senadores sem-voto

 

Por Antonio Augusto Mayer dos Santos

Dispõe a Constituição Federal que cada Senador será eleito com dois Suplentes (art. 46, §3º). O Código Eleitoral (1965) afirma que se entende dado aos Suplentes o voto conferido ao candidato ao Senado. A disciplina do cargo também consta na Lei 9.504/97 e nas resoluções do Tribunal Superior Eleitoral relativamente a registro de candidatura e propaganda eleitoral, bem como na Lei de Inelegibilidades (LC 64/90) quanto às desincompatibilizações.

Interpretando este conjunto de regras, o TSE reconhece que os Suplentes são políticos tão eleitos quanto o Senador com o qual compartilham a chapa. Todavia, a redação constitucional é insofismável ao estabelecer que cada senador será eleito com dois suplentes, excluindo, assim, aqueles do sufrágio universal. Dito por outras palavras: somente o titular é que é eleito; os Suplentes se encontram numa situação jurídica de mandatários sem votos.

Face às renúncias de alguns Senadores eleitos Governadores em 2010 e as licenças de outros para assumir Ministérios a partir de 2011, é importante lembrar que a diplomação do Suplente habilita-o à investidura no cargo de Senador nas mesmas condições do titular afastado.

O tema é realmente controvertido e apresenta regulamentação peculiar em cada país, variando quanto à possibilidade e limitação de tempo na investidura. Na Itália, se um Senador é nomeado Ministro de Estado, ele deve manter as suas funções no Legislativo compatibilizando-as àquelas do Executivo pois inexiste Suplente, ao passo que na França, esta é a única hipótese dele assumir, vez que para as outras situações há previsão de convocação de nova eleição para o preenchimento da vaga.

Nos Estados Unidos também inexistem Suplentes. Se o Senador se afasta do mandato ou este é declarado vago em razão de outras circunstâncias (cassação, impedimento, morte ou renúncia), assim permanece, salvo se o titular falece durante o primeiro ano de mandato, quando é convocado um pleito específico para o seu preenchimento. Se esta vacância for declarada no último ano, a Assembléia Estadual a qual o titular representava se reúne e ratifica a indicação de um Senador para cumprir o restante daquele mandato. Na Alemanha, há previsão de procedimento semelhante ao americano que ocorre somente se a vacância surge até seis meses antes do pleito normal de renovação da vaga.

No Brasil, desde a sua origem, diversos são os questionamentos que incidem sobre o suplente. Embora relegado a um plano secundário da Reforma Política, o tema da suplência vem recebendo editoriais contundentes nos meios de comunicação, com absoluto predomínio da rejeição do modelo atual. Também neste sentido concluiu uma pesquisa do próprio Senado Federal divulgada em 09.07.2007, quando 72% dos entrevistados não concordou com o atual modelo constitucional, preferindo que os Suplentes “sejam votados separadamente”.

Em 20 anos, mais de 200 suplentes assumiram cadeiras no Senado Federal. Objeção substancial invocada pelos adversários da atual forma de recrutamento dos Suplentes diz quanto ao nepotismo. Com razão. Afinal, uma análise das recentes composições do Senado Federal confirma que pai, esposa, primo, filhos, cunhados, tio e irmãos de Senadores foram indicados, sendo que vários exerceram o mandato.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

De saudade

 


Por Maria Lucia Solla



Ouça “De Saudade” na voz e sonorizado pela autora

Minha comadre me escreveu. A gente se gosta muito, mas dá para contar nos dedos as vezes que nos vimos nos últimos muitos anos. Moramos a mais de mil quilômetros uma da outra, e temos nossas vidas. Ela queria saber mais sobre mim. Tem saudade. Eu também.

então foquei
olhei para mim com mais atenção
no embalo da energia forte
que está por toda parte
da esperança e vontade de ser melhor
que dá para sentir no ar

em menos de um segundo
encontrei em mim o mundo
você ele ela eles elas

tateando meu rosto
longe do espelho
reconheci pai mãe filho irmão
parente amigo
o que sonhei viver
os sonhos que vivi
e nos meandros da lembrança
me perdi

Vi meus erros que brotavam, acredite!, da mesma fonte de onde jorram os erros de todos; de afetos e desafetos, de povos de todas as terras. Cheguei o mais perto que pude da fonte de onde jorravam alegrias. A multidão se apinhava de tal modo que morria por um punhado, no afã de viver delas. Em volta dos meus acertos havia poucos; matavam a sede e o calor lá, onde apodreciam erros velhos, decadentes, que eu já descartara, e os que ainda estão estampados na minha cara.

chorar
escolhi sorrir
dizer
preferi calar

foi quando senti que as fontes eram interligadas
a que te faz chorar e a que te deixa contente
a que te faz olhar para trás
e aquela que ilumina o caminho à frente

senti impulso de gritar, bradar, alardear
quando percebi o brilho brincalhão de uma estrela
que me mostrava um caminho
confiante e curiosa segui
e foi então que vi
claramente
que a água de todas as fontes tem uma só origem

saí então da terra da lembrança
e voltei ao presente
de onde
por muito tempo
eu estive ausente

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung.

Os presentes de Natal

 

Paz e reflexão : )

O relógio não havia chegado às quatro da tarde e todos estávamos de cabelo lambido e roupa impecavelmente nova. A casa cheirava à colonia que completava o banho dos três irmãos ansiosos pelo passeio prometido. Na véspera de Natal, sair com o pai até o Morro da TV era a senha para o Papai Noel chegar e deixar os presentes embaixo da árvore. Mal aproveitávamos a bela vista de Porto Alegre que aquela altura toda nos proporcionava, queríamos mesmo é ver o tempo passar rápido, voltar e nos deliciar com os brinquedos e roupas comprados por minha mãe.

Hoje, a árvore está vazia, não há presentes nem passeio ao Morro. E não pense que o trânsito complicado, o shopping lotado e o tempo sempre escasso justificam a ausência das caixas coloridas que costumam decorar a sala. Deixamos pra lá as roupas dos filhos, a bolsa da mãe, a traquitana eletrônica que sempre agrada o pai, os DVDs, livros e lembrancinhas que satisfazem as visitas e parentes. Estas ausências não serão sentidas por ninguém.

Nossos presentes, este ano, não cabiam lá na árvore. Nossas conquistas não estavam ao alcance do cartão de crédito O bem estar que domina nosso espírito tinha preço incalculável, impossível de parcelar, o queremos sempre à vista.

Quando a noite chegar, vamos celebrar a consciência tranquila de quem buscou fazer o melhor, mesmo nas muitas vezes em que este não se realizou. Comemoraremos o equilíbrio sentimental buscado por um, o emprego merecido do outro, a força encontrada pelos que viam dificuldades, o ano saudável que se seguiu após a doença, os filhos que surpreenderam pelo carinho e amadurecimento, o resgate à vida de um ente que não era mais tão querido mas sempre foi amado – ser que descompassado faz uma caminhada que me leva a analogias com o renascimento de Jesus, personagem maior desta festa.

Vamos agradecer à Deus, não mais ao Papai Noel, por ter nos permitido preservar a nossa família e tê-la tornado mais rica de sentimentos. E por todas as demais que cresceram a nossa volta, seja com as trapalhadas típicas de quem está vivo seja com as gargalhadas que proporcionaram.

A árvore está vazia, sim. Nossa festa, porém, está completa. A mesa é farta de bons motivos. E os presentes atenderam todos os pedidos que fizemos neste ano, ao menos os que realmente importam para a vida.

São Paulo fica distante dos irmãos e do pai que permanecem no Sul – minha mãe morreu há muito anos, infelizmente. Claro que tenho saudade daqueles Natais em que subíamos o Morro a espera de presentes, mas sou muito feliz pelos que tenho recebido nestes anos todos. E por todos aqueles que os proporcionaram.

Feliz Natal !

Bicicletas fantasmas em protesto por ciclofaixas

 

Dica do mano que além de escrever o Blog MacFuca, ainda fica de olho no noticiário de modelos de transporte que valem a pena: ciclistas de Pelotas, no Rio Grande do Sul, acorrentaram oito bicicletas brancas em um poste, em frente ao Altar da Pátria, na avenida Bento Gonçalves. A intervenção é para alertar autoridades e cidadãos da necessidade da criação de ciclofaixas na cidade.

A ação que se repetiu em Joiville integra a campanha “Cada Asfalto uma Ciclofaixa”

Horto, de volta ao futuro

 

Por Carlos Magno Gibrail

Horto Florestal

O Horto Florestal reserva ambiental para o Município paulistano, contíguo ao Parque Estadual da Cantareira, abrigando remanescentes da Mata Atlântica e da Mata de Planalto, compõe o Cinturão Verde da Cidade dentro do corredor de vegetação que a Serra da Cantareira está estrategicamente posicionada.

O Parque Estadual Alberto Lofgren, nome oficial do Horto, escolhido pela CBN SP para encerrar a série Parques da Cidade, teve certamente ontem uma exposição bastante produtiva.

A reportagem de Fabiana Novello e a participação de usuários do Horto e do Coordenador do Programa de Uso Público, Reinaldo Moreira, ressaltaram a satisfação que o Parque causa para visitantes e usuários ao mesmo tempo em que exige atenção a alguns aspectos de manutenção e cuidados especiais.

A despoluição da água dos lagos e a educação cívica com o trato do bem comum foram destaque.
Para o futuro, segundo Reinaldo Moreira já estamos providenciando um programa estadual de educação infantil. Em breve certamente teremos uma geração mais ambientalista.

Para o presente, já existe um pré estudo para despoluir totalmente os lagos. Idealizado pela estilista e empresária Cristiane Barbara Strauss e executado pela Manancial, empresa especializada e que aquiesceu ao convite de uma empreitada ambiental que pudesse gerar um Planejamento Técnico Econômico-Financeiro para o tratamento das águas com o aporte de recursos da iniciativa privada.

A direção da Manancial informa que a tecnologia já está definida aguardando o plano de mídia para buscar os demais patrocinadores.

A direção do Horto sinaliza disposição em flexibilizar ao máximo as condições de divulgação do projeto, com o intuito de torná-lo atraente aos futuros parceiros.

Tudo indica que se trata de um empreendimento em que todos os envolvidos poderão levar vantagem. Os usuários, o Horto, a Cidade e os Patrocinadores. E, na volta à qualidade das águas do passado estaremos vivenciando no futuro uma Cidade de mais qualidade.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Cidadão quer lago recuperado no Horto Florestal

 

Lago do Horto Florestal Clique aqui e veja as imagens da série Parques da Cidade produzida pelo CBNSP

Onze quilômetros o separa do centro da cidade, distância que não deve ser empecilho para o paulistano deixar sua casa até área tão privilegiada quanto o Horto Florestal, na zona norte. No pé da Serra da Cantareira, com cerca de 174 hectares, boa estrutura para receber os visitante e dois lagos que merecem cuidado maior, o Horto foi cenário da última reportagem ao vivo da série sobre os parques da cidade, produzida pelo CBN SP desde a primeira semana de dezembro.

A sujeira e o mau cheiro dos lagos foram as principais reclamações dos frequentadores ouvidos pela repórter Fabiana Novello que esteve lá durante toda a manhã desta terça-feira.


Ouça a opinião do público sobre o Horto Florestal

Fabiana, também, conversou com a administração do local para saber quais ações que estão sendo adotadas pelo Estado para atender a demanda dos visitantes. De acordo com o coordenador de educação ambiental Reinaldo Moreira a expectativa é pela parceria com a iniciativa privada para efetuar a limpeza do lago.

Ouça o que disse o representante do Horto Florestal

Conte Sua História de São Paulo: Eu vi o Zepellin

 


Ouça estas duas história sobre o Zepellin sonorizadas por Claudio Antonio

Na década de 1930, apenas dois anos antes do início da Segunda Guerra Mundial, o Hindenburg Zeppelin passou pela cidade de São Paulo. A imagem do monumental dirigível cortando os céus da cidade marcou a memória dos moradores na época. Alzira Paulino, nascida em São Paulo em 1931, contou suas lembranças durante uma oficina de memória do Museu da Pessoa em novembro de 2008:



Morávamos, eu e minha família, na rua da Consolação, travessa da avenida Paulista.
Deveria ter mais ou menos 7 anos quando ouvimos um grande alvoroço na rua. Era um Zepellin que estava passando lentamente, muito grande, parecia um balão. Saímos todos muito assustados, pois nunca tínhamos visto tal coisa no ar; mamãe, vizinhos, todos acenando para o alto, e éramos correspondidos; as pessoas que nele estavam também acenavam para nós. Foi emocionante, ficamos muito tristes quando soubemos que o mesmo havia pegado fogo com todos os tripulantes e passageiros. Foi um fato que muito marcou a minha infância.



Samuel Blay, nascido em São Paulo em 1922, era adolescente quando o Zeppelin passou pela cidade. Ele também se lembra da comoção na época do incêndio do dirigível. Mas o que mais o marcou foi a lentidão com que a aeronave cruzava o céu, como ele contou ao Museu da Pessoa em 1999:





Foi em 1937 que o Zeppelin Hindenburg passou por São Paulo, e depois ele pegou fogo lá nos Estados Unidos, caiu e matou muita gente.  A velocidade do Zeppelin era três vezes menor do que a de um avião e parece que tinha também compartimentos, camarotes para passageiros… Isso eu não tenho muita certeza, havia uma forma de acolher os passageiros, porque levava dois, três dias uma viagem de Paris a Nova York. O avião levava 15 horas e o Zeppelin levava, vamos dizer, umas 40 horas.


Participe do Conte Sua História de São Paulo enviando seu texto ou agendando uma entrevista em vídeo e áudio no site do Museu da Pessoa.

De semente


Por Maria Lucia Solla

Zeus at Versailles

Ouça De Semente na voz e sonorizado pela autora

Estamos muito afastados do divino, e é urgente que esse elo seja restabelecido. Eu não saberia dizer como nem quando começamos a nos afastar, mas tenho pistas do afastamento, e pistas da reaproximação.

Para começar, há muito ignoramos os mitos; a ponto de lançarmos olhares enviesados, quando alguém fala de Afrodite, Atena, Cronos ou Hermes. Desprezamos o passado como se fosse bagaço, sem perceber que é na estrada esculpida por ele que eu e você caminhamos aos tropeços, por não conhecer seu traçado.

Atena é intelectual; mais cabeça do que corpo. Afrodite, ou Vênus, tem o cetro do amor e da beleza, enquanto Apolo é um deus artista que se guia pela intuição. Só para dar uma provinha do que é o Panteão.

Deletamos os deuses e usurpamos seus atributos, como crianças mimadas que roubam o Ferrari do papai e se esborracham na primeira curva. Substituímos os deuses que nos serviam de bússola, por máquinas e outras traquitanas.

Conhecendo deuses, seus mitos, suas histórias encontramos as pistas que procuramos para compreender os nossos homens, e eles podem entender a que viemos, nós as mulheres, se conhecerem um pouco das deusas.

A mulher esqueceu que representa a vida, para onde ela traz o homem, e quer ser reconhecida por algo que nem mesmo sabe o que é. Assim segue cambaleando, batendo a cabeça, feito galinha-sem-cabeça zanzando pelo terreiro, antes de mergulhar na panela. Segue sem decidir se se orgulha de ser o que é ou se quer parecer ser o que não é.

Os povos que nos precederam criaram mitos e os presentearam de geração em geração, como mantras, como oração; e nós, com toda a modernidade, esquecidos do Paraíso, em vez de abraçarmos uns aos outros, espalhamos pela Terra incompreensão e ganância, desde a mais tenra idade. Sonegamos amor; e amor é como água, se não deságua inunda, e se inunda mata.

Ah, Zeus, pai de deuses e homens, aí do teu trono no Olimpo, olha por nós que nos colocamos assim, de próprio desejo, em total abandono.

Ah, Cronos, deus do tempo e da responsabilidade, faz que percebamos da vida a finalidade.

Netuno senhor dos mares, faz que entendamos que a turbulência é só na superfície; nas profundezas de mares e amares há mais beleza que tristeza.

Somos universos em miniatura; contemos tudo, o universo inteiro, o mesmo celeiro que encontraríamos, se tivéssemos acesso aos universos fora de nós.

e na chegada do natal

agradeço pela vida

pelas vidas que gerei

pelas geradas por elas

e por todas as que fisicamente

não conhecerei

as vidas que geraram a minha

quero também agradecer

pelo que desde o início dos tempos

me permitiram perceber

Παν = todo – θεοσ =deus – Pan + Téos = Panteão.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung