Passageiros em lata pode ser o título da foto feita pelo ouvinte-internauta Marcos Paulo Dias, colaborador do Blog do Mílton Jung, no fim da tarde dessa quinta-feira, dia 23/09, no corredor exclusivo da Nove de Julho.
Os alunos do Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos do Butantã foram provocados a debater em sala de aula sobre a Semana da Mobilidade e o Dia Mundial Sem Carro. O trabalho foi desenvolvido pela professora Elisabet Gomes do Nascimento para que os estudantes pensassem soluções para a questão da mobilidade e do transporte público. Textos de sites como o do Nossa São Paulo e deste blog foram utilizados e o resultado do trabalho reproduzo a seguir:
1 – Dia Mundial Sem Carro
De carro ou bicicleta?
Incentivar as pessoas
Ainda não tem metrô nem ciclovias suficientes
Mostrando que somos capazes de ficar
Um dia sem carro
Não esquecendo que o pedestre
Deve ter prioridade
Inspeção veicular ajuda, mas não resolve
Assim o povo se conscientiza
Lutando para vencer a poluição
Sempre que saimos à rua
Encontramos congestionamentos
Metrô é parte da solução
Comece hoje a deixar seu carro em casa
Ande de bicicleta ou experimente ir a pé
Repense seus hábitos
Respeite faixas e sinalização
O planeta agradece
Alunas: Telma Lopes Galhardo Dias;Maria do Carmo R. Monteiro; Tatiane Vieira
Sou jornalista há 26 anos, blogueiro há quatro e ciclista há uma semana. Tudo bem que pedalo desde guri em Porto Alegre, mas nunca muito além do meu quarteirão, limite que mantive em São Paulo. Havia feito passeios de bicicleta na Cidade do Cabo, durante a Copa do Mundo da África, mas foi semana passada que arrisquei o primeiro desafio. O segundo foi neste Dia Mundial Sem Carro e foi o mais difícil pois, além de distante, fiz o percurso na ida e na volta – interminável volta que se encerrou diante de casa quando completei 39km em um só dia – com interrupções, lógico.
Escrevo ainda sob o efeito da pedalada. No corpo, nas pernas em especial, e na cabeça, também. Haja fôlego e preparo físico para percorrer ruas e avenidas que separam minha casa, na zona sul, da rádio, próximo ao centro. Mesmo que algumas destas vias tenham ares bastante agradáveis, em especial no Butantã e nos Jardins, atravessar a cidade é tarefa hercúlea – para usar expressão dos tempos de meu pai – para um neófito como eu.
Meu guia de pedal, Mig, foi excepcional para a ida. A volta tive de fazer na cara, na coragem e no resto de fôlego que tinha.
Pelo plano de viagem do Mig, fugimos das vias mais movimentadas o quanto foi possível. Em vez de Francisco Morato ou a inclinada Giovanni Gronchi, começamos na avenida Pirajuçara e Eliseu de Almeida. Pista larga em boa parte do percurso, apesar da obra que segue no canteiro central, mas com caminhões e ônibus. E uma pista simbólica para entender as prioridades de uma prefeitura que adora fazer mizancene no Dia Mundial Sem Carro.
Ali deveria ter sido construída uma ciclovia. Promessa de prefeito em 2007 com projeto desenhado e tudo mais. Por enquanto, só tem lama. E a CET envia nota dizendo que o plano da prefeitura está sendo readequado, sem prazo para terminar o tal estudo, menos ainda iniciar a tal obra. Será que erraram na primeira vez ? Os 750 ciclistas que usam a vida diariamente vão esperar sentados no selim.
Passar por dois quarteirões da Vital Brasil nos obrigou a andar entre os carros. Calma lá ! Estavam todos parados, assim como os ônibus. E logo que algum deu sinal de se movimentar, já havíamos vencido esta etapa.
Cruzar a ponte Euzébio Matoso foi tenso. Aliás, cruzar as pontes é sempre tenso quando se está de bicicleta. Mas deu pra vencer o percurso e logo fugir para o início da Rebouças, na esquina com a Marginal Pinheiros. Dali pra frente, uma sequência de belas alamedas, árvores na calçada, praças e “ouve o passarinho cantando”, chamou-me atenção meu tranquilo colega de pedal.
Difícil foi encarar a Bela Cintra e seus quarteirões finais, íngremes, intermináveis para meu (des)preparo, logo ali para quem já pedala há algum tempo. Mas superá-lo, mesmo que empurrando a bicicleta em uma das quadras, tinha duas motivações: encontrar a turma toda na Praça das Bicicletas, na avenida Paulista com Consolação, e depois descer o resto do percurso até a rádio.
Entre um gole de suco, frutas e barrinhas de cereal conversei com muita gente que havia estacionado na praça. A primeira reivindicação veio do Carvalho, funcionário de banco, que pedala todos os dias, mas sente falta de um banheiro com chuveiro na agência. Dificuldade enfrentada pela maioria dos ciclistas-trabalhadores. Felizmente, a CBN pode ser incluída na lista das empresas amigas da bicicleta. O banho foi o prêmio que recebi logo que cheguei por lá.
Houve quem reclamasse da falta de respeito com o ciclista. Devo ter tido sorte de iniciante. Pois nos 14km do Desafio e nos 39km do Dia Sem Carro o grau de risco foi muito baixo, o confronto com os carros e ônibus não foi evidente, e notei motoristas segurando no freio para permitir a passagem da minha bicicleta. Ouvi uma só buzinada na volta pra casa de alguém que parecia gritar para mim: teu lugar é na calçada ! Não é, mesmo.
É preciso, aqui, deixar esta questão bem explicada: evidentemente que quanto mais você pedala, maior é o risco. E quanto mais você pedala de maneira arriscada, o perigo é eminente. Mesmo que a rua seja espaço público e, portanto, a bicicleta teria de estar incluída nela, não adianta partir para o enfrentamento, o ciclista é o elo mais fraco nesta corrente, só superado pelo pedestre.
Por falar em calçada, dado o caminho privilegiado que fiz, fiquei satisfeito em ver que boa parte delas tinha guia rebaixada, sinal positivo para a civilidade que deve prevalecer no ambiente urbano.
Após 1h10 de pedalada, com mais meia hora de conversa na Praça do Ciclista, chegamos a CBN. Suado, sim, mas extremamente acelerado para trabalhar, ainda mais com o banho antes de entrar no ar. Havia entre os colegas da redação um espécie de espanto pela minha tarefa, principalmente ao ouvirem a promessa de que retornaria para casa no pedal. O Leonardo Stamillo, nem tanto. Ele é ciclista de verdade e hoje também estacionou a bicicleta no estacionamento da rádio.
Quem sabe seja possível incentivar outros companheiros de trabalho a usarem a bicicleta. E, em breve, tenhamos um número razoável de jornalistas ciclistas. Sugiro apenas que nas primeiras tentativas, façam percursos menores do que o meu. E se forem, respirem bem, antes de voltar.
Meu retorno foi bem mais demorado e sem a orientação do Mig. Mesmo por caminhos mais amenos, a perna estava muita pesada e, às vezes, tinha dificuldade para encontrar ar para os pulmões (sem contar que muitas vezes quando o encontrava vinha sujo pela descarga dos carros ou pelo pó das obras). Parei em vários pontos, bebi muita água, sentei na calçada, respirei até o batimento cardíaco baixar os 200 bpm.
Fui mais inseguro no caminho, mas aproveitei o embalo das pedaladas o quanto pude. Tive que cruzar a ponte Cidade Jardim e não foi muito fácil, não. Peguei avenidas mais longas e alcancei novamente a Elizeu que me pareceu bem mais extensa do que pela manhã, mas cheguei a meu destino.
Estou muito cansado, claro, mas bastante satisfeito com o resultado e a expectativa de incluir a bicicleta no meu cotidiano. Ainda não para as distâncias que percorri nestes dias, mas para trechos que estejam ao meu alcance e que vão bem além do quarteirão do tempo de criança.
Logo após o banho em casa, me preparo para esticar as pernas e descansar. Ledo engano, o rapaz do Censo bateu na porta. Profissão: jornalista e ciclista, brinquei com todo meu atrevimento.
NB: Na primeira foto, meu bate-papo com o vereador Floriano Pesaro (PSDB); na segunda, a mesa que nos esperava na Praça do Ciclista; na terceira, na frente da CBN e ao lado do meu guia, Mig
 
No grupo de jornalistas esportivo, um deles era gremista de quatro costados. E na roda o tema era o Grêmio, lógico. Assim que me aproximei, meu conterrâneo foi definitivo: “É consenso, Douglas e Souza não podem jogar juntos”.
Como entendo muito pouco das estratégias de jogo, das formações táticas, do estilo de cada um em campo e das combinações possíveis, e enxergo as partidas de meu time pelo coração, neguei-me a compactuar com aquela conspiração: “Não vejo problema nenhum – desde que joguem”, complementei.
O toque rápido de Souza que deixou Douglas em condições de marcar o primeiro gol do Grêmio me fez lembrar o diálogo de ontem à noite. O que devem ter pensado aqueles especialistas em futebol. Talvez preferissem outro qualquer em campo, como se estivéssemos com gente sobrando no elenco.
Douglas e Souza podem jogar juntos, sim, desde que joguem.
Hoje, enquanto os dois estiveram no time, estávamos na frente, graças, aliás, a outra bola de Souza que encontrou André Lima e rebateu nos pés do goleador Jonas. Aliás, André e Jonas também podem jogar juntos desde que façam os gols necessários. Nem sempre conseguem.
A propósito, depois que Souza saiu, Douglas não conseguiu jogar mais.
Conto toda está história, mas não posso deixar de citar o mais importante. A TV pouco destaque deu, na vez que mostrou parece ter sido sem querer, pretendia chamar atenção para outra coisa. Mas a crônica deste jogo começou com um carrinho de Adílson na intermediária que não se limitou a roubar a bola do adversário, serviu-a para Souza e o resto você já sabe.
Vamos precisar de muitos carrinhos de Adílson e companhia para seguir em frente.
Por Carlos Magno Gibrail
Os principais meios de comunicação do país noticiam os rankings das melhores universidades do mundo, onde chama à atenção a distante posição da nossa melhor universidade.
Embora 8ª Economia do mundo, o Brasil aparece na lista norte americana da “Times Higher Education”, cujos critérios principais consideram as verbas para pesquisa e inovação, com a 232ª posição da USP e a 248ª da Unicamp.
No ranking da empresa inglesa “QS World University Rankings” que leva em conta a opinião da academia e o mercado, a USP aparece como a 253ª e a Unicamp como a 292ª, enquanto que na lista do “Instituto de Educação Superior de Xangai”, cujo principal indicador é a produção científica, a USP está entre o 100º e o 150º lugar, e a Unicamp entre o 200º e o 300º.
Harvard é o destaque, e só não aparece em primeiro na avaliação inglesa, onde ocupa o segundo lugar.
Mesmo levando em conta possíveis desvios de critérios, corporativismos, nacionalismos ou demais juízos de valor, há uma similaridade nestes rankings que endossa as avaliações.
Qual a razão da distância entre a economia e a educação nacional?
Sob o aspecto numérico é considerável a diferença de idade de Harvard (1636) e da USP (1934), são 298 anos. Também é significativo o 3,1% investido em educação superior nos Estados Unidos sobre um PIB de 14 trilhões de dólares contra menos de 1% num PIB de 2 trilhões de dólares no Brasil .
Não bastasse isso, temos ainda as considerações de ordem sócio-econômica e cultural, como bem lembra o Prof. Nelson Barrizzelli (FEA USP), atribuindo à elite brasileira uma propensão extrativista não construtivista. Sempre foi mais fácil extrair do que construir quer do solo, da natureza ou dos seres humanos.
De outro lado a excelência do produto universitário passa também pela qualidade da matéria prima, que são os alunos, e longe está daquela condição aprovada por Peter Drucker quando atendeu ao pedido de Harvard para lecionar seu primeiro curso de mestrado. Aceitou somente após receber a lista com a qualificação dos alunos e verificar que poderia aprender com eles.
Mas, como que para demonstrar a excelência, ainda que não no topo, mas com disposição de chegar lá, a USP reagiu e ontem, extensa matéria na Folha apresenta mudanças que priorizarão a qualidade e atualidade do ensino objetivando melhoria de qualidade e atualidade dos cursos.
A restrição à expansão no primeiro momento será inevitável, pois como bem colocou o jornalista Hélio Schwartsman:
“Gostemos ou não, incorporar mais estudantes significa aceitar alunos com pior desempenho, o que resulta em queda de qualidade. O problema é menos a USP e mais a educação básica, incapaz de preparar para o mercado global universitário”.
É a freada que certamente preparará a acelerada futura.
Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Mílton Jung
Vou tentar mais uma vez. Depois de completar o percurso de 14 quilômetros do Desafio Intermodal, vou encarar 18 pedalando no Dia Mundial Sem Carro. Na primeira vez não havia compromisso com o tempo, apenas com a causa. Desta vez, tenho de estar atento aos dois.
Para quem está acostumado com a bicicleta como meio de transporte, tarefa simples. Para mim, sempre um desafio.
Saio logo cedo de casa, próximo do Portal do Morumbi, e vou para o bairro de Santa Cecília, quase no centro, onde está a rádio CBN. Lá “bato ponto” às 10:02, assim que a vinheta do CBN SP vai ao ar. Meu “guia do pedal” Marcelo Mig disse que é bom sair às 7 e meia da manhã e não ter necessidade de acelerar o pedal. Cheguarei, se o previsto ocorrer, com boa antecedência.
Ele também me fez vários alertas: não esqueça o capacete; óculos para proteger é importante, e de preferência troque os pneus por modelo mais apropriado ao asfalto. Luz de alerta na frente e atrás, luvas, câmbio ajustado e espaço para o celular que vai gravar parte do trajeto foram cuidados que eu acrescentei na lista.
Vou sair pela avenida Eliseu de Almeida para fugir da complicada Francisco Morato. Apesar dela não ser grande coisa, também, era lá que deveria haver uma das muitas ciclovias prometidas na cidade. Se tudo der no tempo certo, encontrarei uma turma de ciclistas lá no fim da Bela Cintra para recuperar o fôlego da subida até o espigão da Paulista. Dali pra frente, é só descida.
O que interessa mesmo é me convencer de que posso usar a bicicleta sempre que sentir necessidade. E chamar atenção para o fato de que a cidade precisa se adaptar a este modelo de transporte, também.
Se não somos capazes de criarmos pistas específicas e mais seguras que sejamos de construir uma consciência cidadã em favor da bicicleta.
Até mais !
A dificuldade que partidos e políticos têm encontrado para explorar de maneira apropriada a internet se contrapõe ao uso que o cidadão faz das ferramentas que tem à sua disposição. Quem reforça esta ideia que tenho há algum tempo, é o jornalista Charles Cadé, consultor e especialista em redes sociais, em entrevista ao jornal Diário do Nordeste – indicada ao Blog por Claudio Vieira pelo Twitter
Dentre as várias experiências que permitem a participacão política dos usuários da rede, apontadas na reportagem, Cadé destaca o trabalho do Adote um Vereador e o jornal explica que a ideia do projeto desenvolvido em São Paulo “é o usuário acompanhar o mandato do parlamentar e postar, em uma plataforma tipo enciclopédia virtual, todas as ações referentes ao mandato do vereador da Capital”.
Cadé constata que “O cidadão não pode participar da democracia só de dois em dois anos, com o voto. Esse trabalho de engajamento deve ser diário. É realmente um grande desafio”.
Veja outros projetos citados pelo Diário Do Nordeste:
Eleitor2010
Espaço para que o internauta acompanhe detalhes da legislação e dos crimes eleitorais e denuncie qualquer prática criminosa, apontando no mapa (Google Maps) os locais em que ocorreram os atos ilícitos.
O blog posta imagens de poluição visual nas cidades e, nestas eleições, está se dedicando a mostrar as propagandas visuais irregulares de muitos candidatos.
Extrato Parlamentar
A intessante plataforma submete o internauta a um questionário sobre temas atuais e projetos de discussão nacional e traça um perfil dele com o dos candidatos do estado que ele indicar na consulta.
Vote na Web
O site submete à votação dos internautas os projetos que estão sendo discutidos no Congresso Nacional. O cidadão pode votar pela web.
Google Eleições 2010
Por meio da página, o eleitora tem acesso à nota dos principais candidatos a presidência da República. É só indicar o presidenciável e o mapa mostra o destino dos candidatos.
Pelo fim da progressão continuada, redução ou cancelamento do pedágio nas rodovias, extensão do sistema de trem e metrô na região metropolitana de São Paulo e aumento salarial para professores, policiais e qualquer outro tipo de servidor público. Tivesse feito um controle mais apurado sobre as propostas mais vezes citadas pelos candidatos ao Governo do Estado de São Paulo não tenho dúvidas de que os temas citados acima estariam na lista dos mais mais.
Oito dos nove concorrentes ao cargo participaram da série promovida pela CBN na qual durante 30 minutos cada um deles discutiu temas relacionados a organização da coligação e campanha eleitoral, além de terem tido oportunidade de apresentarem alguns projetos de lei nas áreas de educação, transporte, segurança, saúde, meio ambiente e gestão pública.
Do ponto de vista do eleitor, os dois temas que mais tiveram repercussão foram educação e transporte. O nosso “perguntômetro” que mede o nível de interesse do eleitor pelos candidatos entrevistados a partir da quantidade de perguntas e comentários enviados pelos ouvintes-internautas, mostrou que Alckmin do PSDB e Mercadante do PT foram os que mais receberam e-mails antes e durante a entrevista – sem surpresa pois são os dois primeiros colocados nas pesquisas eleitorais. Feldmann do PV e Skaf do PSB apareceram acima de Russomano do PP. Os candidatos socialistas não chegaram a despertar tanta curiosidade. Anai Caproni do PSTU foi a única a não comparecer na entrevista.
Todas as perguntas foram encaminhadas aos candidatos e suas assessorias. Da estatística final não foram calculadas as perguntas feitas a todos os candidatos. Veja como foi o resultado final no Perguntômetro do CBN SP:
Nas seis décadas em que está no ar, a televisão brasileira sempre teve a companhia dos ônibus. Os dois, juntos ou separados, deixaram sua marca no cotidiano do cidadão
Por Adamo Bazani
Os dois são considerados veículos. E veículos de massa. Estão aí para atender a população independentemente de classe social e região. Os donos de ambos os negócios conseguiram poder econômico e social tão grande que, se não podem mudar, poder influenciar e muito nos rumos seguidos pela sociedade. Por que não dizer que podem colaborar para a queda e crescimento de governos, também. Quer mais uma coincidência? Ambos passaram a ser tipicamente brasileiros a partir dos anos de 1950.
Apesar de os dois fazerem parte do cotidiano do brasileiro, um é veículo de comunicação, e o outro, de transporte. São eles, a televisão e o ônibus. Este, aliás, tem aparecido com frequencia naquela. Atualmente, há até é um reality show a bordo de um ônibus. Na maioria das vezes, porém, o que aparece na tela do brasileiro é o ônibus sendo vítima e vitimando. Passageiros inconformados com as situações precárias dos transportes, acidentes por imprudência de motoristas, descuido de algumas empresas em relação a manutenção e também as péssimas condições de conservação das estradas.
Mas por que ligar a história do ônibus com a da TV ?
As duastêm pontos em comum, como a influência em relação a vida da população e até os poderes constituídos. E as lembranças dos ônibus que estrelaram na TV vêm bem a calhar, já que neste sábado, 18.09, a TV no Brasil completou 60 anos de transmissões. Cheios de altos e baixos, orgulhos e vergonhas, mas considerada uma das de maior destaque do mundo.
No 18 de setembro de 1950, uma menina com trajes de índio dizia: “Boa noite, está no ar a TV do Brasil”. A TV Tupi iniciava as transmissões. O primeiro programa foi o Show do Taba, que teve a participação de Lolita Rodrigues. A Dama da TV brasileira, Hebe Camargo, também estava por lá.
Assis Chateaubriand, fundador da TV Tupi não imaginaria, provavelmente, que a TV no Brasil ganhasse tamanha influência e tivesse as atuais proporções. Assim como vários donos de empresas de ônibus, que dirigindo suas jardineiras, enfrentando as dificuldades de comunicação entre um bairro e outro, uma cidade e outra, talvez não imaginassem que algumas viações hoje se tornariam impérios.
E assim como as empresas de ônibus iam crescendo com o desenvolvimento econômico e urbano, a partir dos anos de 1950 – década inclusive que a Mercedes Benz fez o que é considerado o produto que marcou a escala de produção do genuíno ônibus no Brasil (os monoblocos) – as TVs também foram surgindo.
Em 1950, foi a TV Tupi; em 1954, a TV Record (a mais antiga em funcionamento); em 1960, a TV Excelsior; em 1965, a TV Globo, com o surgimento de outras redes locais e nacionais, até 1981 com a criação da TVS, hoje SBT, de Silvio Santos.
Nem só de acidentes e protestos vive o ônibus na televisão.
Houve aparições tímidas e triunfais. Exemplo, era a simpática Marinete, uma jardineira transformada em personagem da novela Tieta, da Rede Globo. Os mais antigos, apaixonados por ônibus, aguardavam numa propaganda da Shell, um ônibus da Itapemirim rasgar um enorme painel branco e aparecer triunfante. A Itapemirim se destacou com a propaganda na qual havia um menino sentado do lado do ônibus grande com uma miniatura nas mãos, réplica perfeita. Qual busólogo nunca invejou este menino? A Cometa, também tinha seus comerciais de destaque.
Das telonas para as telinhas, marcaram muito a Sessão da Tarde, filmes com ônibus como estrelas: Velocidade Máxima, As Peripécias do Ônibus Atômico e Priscila, a Rainha do Deserto.
Ao lembrar estes momentos faço aqui nossa homenagem a estes dois veículos fundamentais para a sociedade brasileira.
Adamo Bazani é busólogo, jornalista da CBN, e escreve no Blog do Míton Jung
N.B: A Imagem que ilustra este post é uma raridade cedida pelo historiador Marco Antônio da Silva: um monobloco Mercedes Benz O 321, usado em gravações pela TV Record, nos anos de 1970. Duas coicidências, a Mercedes, fabricante de ônibus mais antiga em operação no Brasil, e a TV Record, a emissora mais antiga em funcionamento.
Na última entrevista da série com os candidatos ao Governo do Estado, não havia militantes na porta nem equipe de televisão no corredor. A presença de Igor Grabois, do PCB, mobilizou apenas a sua assessora de comunicação – mais do que isto, uma defensora dos ideais socialistas pregados pelo partido. Foi dela que veio o alerta para o fato de que a entrevista seria transmitida pela internet, portanto “cuidado com a imagem”.
Gola da camisa e blazer arrumados no que era possível, Grabois começa a falar com a tranquilidade de quem dá aula e domina o tema. A união dos partidos socialistas, a atuação dos conselhos populares, o fim das privatizações e o não pagamento da dívida de São Paulo com a União são assuntos que fazem parte do cotidiano dos comunistas brasileiros – sim, eles existem para espanto de alguns ouvintes-internautas que teimam em não entender como seria possível inserir na sociedade o discurso anti-capitalista. E para a surpresa dos institutos de pesquisa que não conseguem registrar um só voto em favor do candidato.
Grabois sabe bem qual o papel do PCB nesta eleição e defende o Poder Popular, a principal plataforma política do partido. Não dá sinais, porém, de esperança de vitória. Seria preciso, como ressaltou na entrevista, uma frente socialista que reunisse não apenas os partidos de esquerda, mas os movimentos sociais, também. Um encontro que não visasse apenas a eleição. Uma utopia quase tão distante quanto a sociedade que deveria surgir após a derrocada do sistema capitalista.
Houve essa tentativa de união na eleição presidencial de 2006 quando o PCB se juntou com o PSOL e o PSTU. Não funcionou: “a candidatura ficou concentrada em uma personalidade”, disse o candidato em referência a Heloísa Helena.
Grabois, assim como a maioria dos candidatos ao Governo de SP, também não se inscreveu no site do Ficha Limpa, no qual se compromete a atualizar as contas da campanha a cada semana, divulgando o nome dos doadores e a forma como o dinheiro é gasto. Nem tanto pelo custo da campanha – R$ 50 mil -, muito mais pela falta de organização: “sei lá o que aconteceu no partido”.
Fora do ar, seguimos a falar de educação, tema que tem sido discutido de forma superficial no debate político. Ele é a favor da progressão continuada, mas não da maneira como foi instituída na rede pública paulista; e se espanta quando ouve candidatos propondo boletim de notas contra todas as recomendações pedagógicas em vigor. Porém, não se assusta ao saber da ideia de um de concorrentes ao cargo de Governador de que para resolver o problema vai colocar dois policiais na porta de cada escola. “Se ouve de tudo”.
Antes de ir embora, a assessora de Grabois, em tom entusiasmado, anuncia: voltaremos aqui com o Poder Popular constituído.
Perguntômetro
Seis perguntas e comentários foram encaminhados diretamente para o candidato Igor Grabois. Todas foram repassadas para a assessoria do PCB, juntamente com questões que haviam sido enviadas para todos os candidatos entrevistados pela CBN.