Como escolher um candidato a deputado

 

Com a mídia de olho na disputa para a presidência e quando é possível para o governo estadual, também, o espaço para discussão em relação ao trabalho legislativo fica reduzido. A própria legislação eleitoral dificulta a cobertura nas emissoras de rádio e televisão, pois exige tempos semelhantes a todos os concorrentes, o que inviabiliza qualquer debate entre candidatos a deputado estadual e federal.

As regras da propaganda eleitoral também não oferecem oportunidade para que os candidatos apareçam com mais frequência para o eleitor e os leva a realizar malabarismos para se destacar em um mundo de caras e bocas políticas que dizem a mesma coisa. Não por acaso, os partidos correm em busca de personalidades do mundo artístico e personagens exóticos capazes de chamar atenção do cidadão.

Deputados que concorrem à reeleição levam enorme vantagem, pois tiveram quatro anos para estabelecer vínculos com as comunidades e criar canais de comunicação que se transformam em uma preciosidade no período eleitoral.

Neste cenário, a responsabilidade do eleitor aumenta na mesma proporção que a dificuldade para a escolha certa. Por isso, é fundamental que nestes dias que antecedem o pleito o cidadão estabeleça critérios claros para a escolha do seu candidato à assembleia legislativa (ou Distrital, caso de Brasília) e o Congresso Nacional.

Nesta semana, o CBN São Paulo vai conversar com os ouvintes-internautas para saber qual a estratégia que usam para decidir seu voto para o parlamento. Caso você tenha sugestões de sites com informações sobre os candidatos que possam ajudar na escolha, não deixe de nos enviar.

Na edição desta segunda-feira, perguntei aos ouvintes-internautas se já haviam escolhido seu candidato e qual o critério que usam para a escolha.

Reproduzo a seguir algumas das mensagens que chegaram

Pelo Twitter

@k4rlosss pesquiso seus antepassados. Tds as emendas sugeridas e só depois vejo suas propostas futuras

@Màssao Uéhara  ninguém está escolhendo seu candidato pelo @fichalimpa ? Está tão fácil escolher pela quantidade de candidatos que se comprometeram serem #fichalimpa com transparência com quem está fazendo doações para a sua campanha

@AlmirVieira Olho sempre o candidato no Projeto Excelências e agora se ele tem #FICHALIMPA. Também analiso seus sites e onde atuam

@Zabarov Sigo de perto o meu eleito e, se merecer, mantenho o voto. Nesse pleito só votarei para DFed. O resto vou anular. Depois, adoto.

@MarcosTomazini Eu voto na legenda para que o partido, elegendo o Executivo, tenha cadeiras no parlamento

@bethgrampola procuro ver a trajetória política do candidato e quais suas propostas caso seja eleito

@rsbraun Candidato comprometido com educação. Porém como o voto é proporcional, deveríamos analisar toda a chapa da legenda.

@ antobastos Já e fiz a escolha baseada na bio do candidato, programa viável e comportamento parlamentar anterior

@ _nizer Já desisti de votar em duas candidatas depois de ver cavaletes de propaganda nas ruas

Pelo e-mail

Rodrigo Romero: Meu critério de escolha se baseia em um tripé: biografia política, realizações em mandatos (costumo não votar em estreantes) e trajetória partidária (se muda muito de partido). Acompanho todos os meus votos, durante os quatro anos de mandato. Para mim, são importantes a coerência e a competência e capacidade do candidato. Por isso, a maioria dos meus votos vão a candidatos experientes. Já escolhi todos os meus.

Cezar e Michel: Procuramos escolher nossos deputados, tanto Federal, quanto Estadual, verificando sua vida pregressa, honestidade e capacidade para o cargo.

Laércio Teodoro: A minha escolha é de acordo com a atuação do candidato, seja para primeiro mandato ou reeleição. Acompanho constantemente o candidato que  ajudei eleger, porém se vejo que ele não se compromete  com aquilo que se propôs, meu voto ele não recebe nunca mais e ainda faço campanha contra.

Fábio Boni: Não voto em quem já é deputado ou já foi. Renovação total.

Trólebus é a melhor solução, diz instituto internacional

 

Às vésperas do encerramento do contrato com a Eletropaulo, estudo mostra que o custo para reativar linhas é pequeno e maior problema está na manutenção do sistema.

Manutenção de trólebus

Por Adamo Bazani

Este ano se encerra o contrato com a Eletropaulo, responsável pela conservação da rede de trólebus na capital e região metropolitana. E a expectativa é que o trabalho fique ao encargo das gerenciadoras dos transportes nas duas áreas, SPTrans e EMTU.

Órgãos internacionais realizaram análises independentes sobre o assunto e concluíram que, apesar de todo o sucateamento que a rede da cidade de São Paulo é vítima, inclusive com redução de mais da metade de sua extensão nos últimos 10 anos, o trólebus ainda é a solução mais limpa, barata e viável. Necessita, porém, de soluções urgentes, com vistas ao conforto, agilidade e menor poluição.

Este repórter teve acesso a um estudo realizado pelo ITDP – Institut for Transportation e Development Policy (Instituto de Políticas e Desenvolvimento em Transporte), no quais seus técnicos analisaram as necessidades dos transportes na capital e nos municípios do ABC Paulista, desde 2008, e realizaram uma série de entrevistas com gestores, integrantes de órgãos públicos, motoristas e usuários.

O estudo diz entre outras coisas:

“… muitas cidades em muitos países revitalizaram suas áreas centrais priorizando modos de transportes elétricos e removendo os ônibus a diesel e automóveis privados. Sendo assim, no caso de São Paulo, as rotas de trólebus na área central seriam revitalizada e teriam melhor aproveitamento da rede…”

E prossegue:

“Mesmo que atualmente as condições econômicas dos trólebus não pareçam tão favoráveis, seria muito prejudicial à população que as linhas remanescentes sejam removidas de São Paulo.. Existe um risco de que o custo do diesel suba rapidamente no futuro, por ser uma reserva natural limita”

E finaliza::

“Portanto, o IDTP recomenda que São Paulo mantenha e modernize a frota de trólebus existente. As implicações ambientais e econômicas de qualquer outra decisão, dado o atual nível de incertezas, merece ser estudado com maior cuidado possível”
O órgão faz um alerta importante de que “remover completamente a existência do sistema de trólebus sem substituí-lo por uma alternativa muito limpa seria dar um passo atrás na política de combate à poluição de São Paulo”.

Os dados que aparecem no trabalho do IDTP são impressionantes.

Vamos pensar com os pulmões.

Se os 140 km de rede de trólebus atuais na capital fossem substituídos por ônibus diesel, mesmo modernos, seriam lançadas na cidade de São Paulo mais de 150 mil toneladas de CO2 por ano. A rede atual, que não é nem a metade do que era, transporta 2,56 milhões de passageiros por mês.

Às vésperas do fim do contrato com a Eletropaulo fica mais um alerta: o maior problema encontrado pelos técnicos é em relação justamente a manutenção da rede área. Isso faz com que nosso trólebus tenha menos capacidade de transporte por sentido, que em São Paulo é de 7.500 usuários, enquanto em Quito, no Equador é de 12 mil passageiros.

Reportagem publicada pelo Portal G1, em maio, dá conta que a manutenção é tão ruim, que há uma emenda nos fios a cada 58 metros, o que provoca desconforto para motoristas e usuários. (Leia aqui)

A foto, de acervo do grupo CMTCBUSSP, desperta saudade de uma época na qual a própria CMTC fazia a manutenção da rede, o que ocorreu entre 1949 e 1983, quando o serviço foi parar na Eletropaulo.

Adamo Bazani, busólogo, jornalista da CBN, que não quer ser obrigado a respirar 150 mil toneladas de CO2 por ano a mais.

Para onde vão os votos de candidato indeferido

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

Conforme ensina Fávila Ribeiro (Direito Eleitoral, 2ª. Ed., Rio de Janeiro, Forense, p. 400), “É o registro a condição essencial a que se possa concorrer a cargo eletivo”. Para isso, os/as pretendentes devem reunir as condições de elegibilidade (CF/88, art. 14, §3º) e não configurar nenhuma hipótese da Lei Complementar 64/90, mais especificamente hoje, a tal de Ficha Limpa ou Suja. Caso contrário, na ausência de uma daquelas ou na presença de uma inelegibilidade, o registro da candidatura poderá ser impugnado ou indeferido, sem prejuízo de realização da campanha eleitoral. Entretanto, mesmo que tenha havido presença na urna eletrônica e votação, poderá se configurar o “ganhou mas não levou”.

Mencionada hipótese, recentemente reforçada pela decisão (inconclusa) do STF sobre a Lei Complementar Nº 135/10, além do impacto, frustra os protagonistas da disputa. Neste momento, surge um tema complexo cuja jurisprudência, em vista da proximidade do pleito, impõe reflexão: o destino dos votos sufragados a alguém cujo registro foi negado pela Justiça Eleitoral e que realizou campanha.

O candidato cujo registro esteja sub judice poderá efetuar todos os atos relativos à sua campanha eleitoral: abrir comitê, fazer carreata, visitações, santinhos, utilizar (e pagar) o horário eleitoral para sua propaganda no rádio e na televisão, etc. Porém, fique claro: tudo “por sua conta e risco, (…) ficando a validade de seus votos condicionada ao deferimento de seu registro por instância superior”, conforme já advertia a Instrução Nº 73 do TSE.

Com relação às candidaturas majoritárias (Governo, Vices, Senador e Suplentes), o posicionamento da Corte é firme na aplicação do § 3º do artigo 175 do Código Eleitoral, conforme o acórdão 3.100/MA: “candidato inelegível ou não registrado nas eleições (…) majoritárias: nulidade dos votos recebidos”. Em caso de eleição proporcional, o aproveitamento ou não dos votos tem solução distinta. O § 4º do antes mencionado dispositivo excepciona ao admitir como válidos os votos sufragados à candidatura que teve negado seu registro em decisão definitiva proferida após o pleito. Com isso, os votos são aproveitados e incorporados à legenda. Nos demais casos, os votos são considerados nulos, na forma do § 3º, segundo o TSE (acórdão Nº 3.112/RS, relator o Min. Luiz Carlos Madeira, DJ 16.05.2003).

Concorrer sem registro é, muitas vezes, situação causada pela letargia do TSE e, por isto mesmo, um risco potencial assumido por candidatos e partidos. Afinal, a normatização não determina à Justiça Eleitoral advertir os eleitores de que os candidatos concorreram “sub judice”. Mas fique claro: mesmo sem registro, o candidato nesta situação estará na urna eletrônica. No entanto, a sua votação será validada e computada para si, para a sua legenda e na formação de bancada somente se obtiver o registro, ainda que após a diplomação dos demais eleitos.

Ou seja: sem registro, sem votação.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Haja paciência, vereador !

 

“O exercício de um cargo público exige também o exercício da paciência”.

A frase abre artigo assinado pelo vereador Aurélio Miguel do PR que está publicado em jornal de bairro que circula em redutos eleitorais dele. Nada mais apropriado do que ele falar sobre o tema, afinal é um vereador que chegou a política impulsionado por seus feitos em esporte no qual a paciência é um mérito.

Surpreendeu-me, porém, o que li nas demais linhas de texto que tomou espaço considerável da publicação.

Aurélio Miguel não exercita a virtude da paciência para suportar a pressão de grupos econômicos poderosos que tentam – e conseguem – influenciar as decisões na Câmara. Ao menos não é sobre isto que o vereador escreve.

Como também não é sobre a necessidade de praticá-la com o intuito de obter sucesso nas negociações com forças políticas antagônicas dentro da Casa. Menos ainda a propósito do tempo para o convencimento de seus pares na aprovação de algum projeto de lei que, por ventura, tenha interesse em particular.

O que demanda muita paciência do vereador, está escrito, é o comportamento de instituições que “se auto-intitulam fiscais dos mais diversos poderes”.

Diz lá: “a crítica fácil, os julgamentos apressados e feitos sob critérios pouco claros, sem rigor técnico, baseados no ‘achismo’ de seus autores terminam publicados como verdades ‘verdadeiras’. Notas são dadas pelos desempenho dos legisladores e governantes”.

E reclama: “No caso da Câmara Municipal, boa parte dos avaliadores nunca sequer colocou os pés no Palácio Anchieta. Baseiam suas análises a partir de dados parciais, critérios subjetivos e sem nenhum conhecimento do trabalho legislativo”.

Aurélio Miguel não é original em seu pensamento, lamentavelmente.
Reproduz o que parte de seus pares diz nos gabinetes ou mesmo no plenário da Câmara. Ficam incomodados pela  vigilância do cidadão – organizado ou não. Preferem o eleitorado amorfo que se restringe ao ato de votar.

Mesmo tendo se consagrado pela coragem com que enfrentava seus adversários, no artigo Miguel preferiu não citar o nome das “organizações não governamentais (ongs) e outras instituições particulares”, apenas levantar suspeitas: “A questão está em saber quem as financia e quais os verdadeiros motivos que as movem”.

É uma pena, pois com isso vai me obrigar a partir para o ‘achismo’ que tanto exige de sua paciência.

Das instituições que fiscalizam o trabalho dos vereadores, conheço bem ao menos uma: o Voto Consciente. A esta, porém, não cabe a crítica de que seus integrantes desconhecem a ação parlamentar, pois os ‘fiscais’ assistem às reuniões das comissões, participam de audiências públicas e acompanham as sessões em plenário. Mais não controlam porque a própria Câmara impede.

Tampouco procede a reclamação sobre os critérios usados pelo Voto Consciente para a avaliação anual que faz dos vereadores. Estes são de conhecimento público, devidamente divulgado aos parlamentares e, em sua maioria, objetivos. Não se avalia, por exemplo, o comportamento de um determinado vereador quando tem seus interesses negados em uma determinada subprefeitura. É difícil de ver e mensurar tal atitude.

Dos cidadãos que expandem seu papel de eleitor ao cotidiano do legislativo, conheço alguns,  parte reunida em torno de uma ideia lançada no CBN SP, o Adote um Vereador. Mas a estes chega a ser risível a desconfiança sobre o interesse de seus financiadores e do que os move. Do cafezinho que pagam nas reuniões mensais a passagem de ônibus que usam para visitar a Câmara Municipal, o dinheiro tem origem conhecida: o trabalho de cada um.

A motivação ? A cidadania.

(“E o senhor acha pouco ?”, perguntaria o motorista Eriberto França.)

Sei lá se são estes grupos e pessoas que levaram Aurélio Miguel a desabafar. Tivesse sido mais transparente, facilitaria a vida deste leitor.

Mas que fique bem claro, aos incomodados e impacientes: o cidadão tem o direito – chego a dizer, o dever – de fiscalizar, monitorar e controlar o trabalho dos parlamentares, conheça ou não o que é feito dentro da Câmara Municipal, na Assembleia ou no Congresso Nacional.

E para fazer este trabalho é preciso mesmo, vereador, muita paciência !

Avalanche Tricolor: O nosso Top 10

 

Atlético MG 1 x 2 Grêmio
Brasileiro – Sete Lagoas (MG)


Terminado o jogo, a televisão já mostrava a tabela de classificação ao fim da 25a rodada. E o nome do Grêmio aparecia na primeira tela, raro nesta temporada atribulada. É o décimo colocado, ou seja, estamos na metade de cima da competição. Longe do que pretendemos. Muito além do que havia até bem pouco tempo.

Mais importante, porém, para quem está sempre atento aos pequenos gestos que possam ter grandes significados, ao fim da partida, foi a maneira como o grupo de jogadores se comportou. O abraço coletivo e o cumprimento sincero entre eles demonstraram o quanto estão convictos neste instante de que têm potencial para ir ainda mais longe.

E os resultados mostram isso.

Neste segundo turno, temos a melhor campanha dentre todos os demais concorrentes e com três vitórias seguidas fora de casa, uma mudança que impressiona mesmo os mais deslumbrados torcedores.

Quando me referi ao Top 10 no título desta Avalanche, no entanto, não tinha a intenção de falar sobre nosso lugar na tabela, mas sobre o nosso número 10. Douglas é diferenciado e conseguiu driblar a aparente falta de compromisso com a bola e o preparo físico. Tem um pé esquerdo de dar inveja e experiência suficiente para manter o time no seu lugar.

Enquanto todos estão correndo, querendo se livrar da bola o mais rapidamente possível, ele está em busca de um espaço livre no campo, com o braço em pé, querendo recebê-la. E quando esta chega nele, costuma sair redonda até um companheiro melhor colocado, como fez no segundo gol, o de Gabriel.

Sua transformação com o time é tal que hoje foi capaz de correr para marcar e roubar bolas. Foi dele pelo menos duas das 40 roubadas feitas pelo Grêmio nesta partida.

Douglas não se esforça para ser simpático. Tem cara de galã de novela mexicana. Usa um topete que lhe oferece um ar de desleixo. Está sempre com a barba mal-feita. Parece não reconhecer a história do clube que representa. Mas é um grande jogador.

Mesmo com Vitor mais uma vez sendo um gigante no gol – e penso o que será de nós com ele na seleção – e Jonas seguindo sua caminhada para além do topo da tabela de goleadores, não poderia deixar de registrar, em mais esta sofrida vitória, a importância do nosso TOP 10.

De censo e bom-senso

 


Por Maria Lucia Solla

Ouça de Censo e bom-senso na voz e sonorizado pela autora

Toda vez que há boa vontade na jogada, o trabalho sai, e sai bem-feito. É batata!mesmo que o trabalho escape do âmbito da roça e da cozinha; mesmo que aconteça na rua, na chuva, na fazenda; ou numa casinha de sapé.

Quando a gente se une em volta de um propósito, mesmo que seja a gente com a gente mesmo, a gente com um amigo, com uma porção-de-outra-gente, ou com uma população inteira, a gente vai em frente, executa, realiza; e a coisa sai. A coisa vai.

Agora, quando não, quando não sai do blá blá blá costumeiro, morre no gogó.

Quando a gente mora na esquizofrenia e delira em vez de se engajar; quando a gente reverbera o nada, que é eco de coisa nenhuma, em vez de as mangas arregaçar; quando se põe apalermado em vez de dar conta do recado; não tem jeito, acaba todo mundo insatisfeito.

Como agora, durante o Censo 2010.

Sábado passado fui entrevistada pelo recenseador Claiton Costa Vieira. Fui avisada logo cedo de que ele ficaria à disposição dos moradores do prédio, até às três da tarde. Eu já conhecia seu rosto e sabia seu nome porque, num trabalho bem-feito pelo IBGE, um folheto tinha sido afixado no elevador, com larga antecedência, contendo informações detalhadas e claras.

Fotografei e publico o folheto, tendo o cuidado de esconder os números de telefone do recenseador, declaradamente, porque não confio mais no outro, como costumava confiar.

Tem por aí muito engraçadinho-de-plantão; muito bandidinho-de-meia-tigela, disfarçado de cidadão.

Este é o censo que espera mapear a população e suas reais necessidades, e este é o país em que vivemos, eu e você que vivemos nos queixando de tudo e de todos. Um país em que o recenseador precisa implorar para que as pessoas respondam simples perguntas. O rapaz chega cheio de respeito e de boa vontade por um bando de gente que quer viver na clandestinidade, quer levar vantagem em tudo e exige ser respeitado como cidadão de bem.

Até agora, hoje é quarta-feira, dia 22 de setembro, na segunda tentativa do jovem, apenas 11, dos 24 apartamentos deste condomínio, deram o ar da sua graça no salão de festas do edifício; e os moradores de dois apartamentos já se re-cu-sa-ram a responder.

Pois é, meu caro leitor, o recenseador não consegue realizar o trabalho a que se propõe porque o povo quer se esconder, e as respostas? se nega a responder.

Triste, muito triste!

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira, realiza curso de comunicação e expressão, escreve no Blog do Mílton Jung aos domingos e contou tudo isso para o Censo.

Moda infantil é coisa de criança

 

Por Dora Estevam

 

Criança tem que ser como criança. Tem que se vestir e se comportar como tal.

Quantas marcas no mercado infantil já lançaram roupas imitando as dos adultos. Sim, marcas que fazem roupas para adultos e jogam no mercado o mesmo modelo, só que para homens pequenos.
 
É evidente que todas as mães, na maioria das vezes responsáveis pelas compras, querem ver os seus filhos vestidos magnificamente bem. E nestas horas elas acabam optando por comprar roupas parecidas com o estilo que elas usam; ou o pai usa, no caso dos meninos. A criança pode até ficar engraçadinha, mas, sem dúvida, a mãe estará empurrando este filho para uma idade mais avançada do que ele realmente tem.
 
A idade da criança compreende até os 11 anos de vida. É uma fase em que ela se espelha muito nos pais para se desenvolver, imita o comportamento deles. É comum encontrarmos garotinhas com a mãe nos salões de beleza fazendo as unhas ou vestidas com tamancos enormes e até maquiadinhas. No caso dos meninos, eles acabam optando mais por esporte e seguem o pai nesta área.Também querem usar uma cueca, um pijama ou um par de tênis parecidos com o do pai.


 
Assim como nos adultos, é preciso ver o que cai bem e o que fica ridículo. Às vezes uma camiseta da marca tal que todos estão usando pode não ficar bem no seu filho e arrasar no filho da amiga. É uma questão de tipo físico.

Não posso deixar de falar das mães que não conseguem ver que o filho cresceu e continua vestindo o garoto com roupas infantis.

Ou seja, nem pra cima nem pra baixo. Roupa tem de ser na medida certa.

Particularmente é uma graça quando uma criança está bem vestida. Garotinhas com vestidos florais, tiaras, sapatilhas e bolsinhas estampadas; meninos com camisetas pólos ou listradas, jeans e tênis, bermudas. Super fofos. Mas isso hoje em dia é quase um sonho.
 
O fato é que os pequenos também gostam de moda, eles sabem o que querem. Nos shoppings é visível a presença deles e de lojas especializadas. Outro dia li uma entrevista de uma garotinha que queria ter uma ponte que desse direto do prédio dela para o shopping. A criança já sabe o que quer e o que usar em determinados ambientes.
 
E as escolhas não param por ai, são filmes, lanchonetes, passeios programados: alto-mar, fazenda, casa de campo. A publicidade é muito grande, tudo que eles assistem na televisão, eles querem. O consumo é tal que certos cantores, brinquedos e acessórios viram febre difícil de ser curada.

Há uma dicotomia entre o consumo necessário e a necessidade pela moda.
 
Com isso, um simples passeio ao zôo ou no aquário da cidade se torna ingênuo diante desse universo espetacular de novidades. Mas o importante de tudo isso é não desistir e cultivar os valores familiares, não se distanciar daquilo que você acredita ser melhor para seu filho.

Em lugar de influenciar no jeito dele se vestir, quem sabe se preocupar com o que ele vai ler.

Aproveito para deixar aqui uma dica de leitura: “Mil-Folhas”, livro infanto-juvenil escrito pela jornalista Lucrecia Zappi e editado pela Ed Cosac Naify É uma obra que conta a história do doce desde as navegações motivadas pela busca do açúcar até as origens de produtos como o alfajor e o chiclete.

É para as crianças, lógico, mas você pode dividir com ele o prazer da leitura. E depois, não deixe de escrever aqui no blog e me contar o que você acha que seu filho deve vestir ?

Dora Estevam é jornalista e escreve aos sábados sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung

Canto da Cátia: A vida na Real

 

Incêndio na favela Real Parque

O que sobrou foi para a viela. Do que sobrou, algo foi roubado.

No incêndio que destruiu 300 barracos na favela Real Parque, em zona rica de São Paulo, a repórter Cátia Toffoletto flagrou não apenas imagens mas histórias do cotidiano deste povo. Logo que chegou ao local, após trânsito e encrencas, entrou ao vivo. E ao vivo entrevistou uma moradora ainda impressionada com o ocorrido.

Incêndio na favela Real Parque

A senhora (tinha voz de senhora) disse que o fogo começou “nove e pouquinho” e ela só ouviu a gritaria dos vizinhos, acordou, e passou a mão na bolsa e em um dos filhos. Correu pra fora enquanto alguns poucos pertences foram retirados do barraco. “O microondas foi roubado”, disse para Cátia. Ao fundo, uma voz de menina se espantava: “Foi roubado ?”

Incêndio na favela Real ParqueEm meio ao desespero de quem tentava impedir mal maior, houve quem visse ali a oportunidade de levar daqueles que tem muito pouco. E este pouco ficou no caminho a espera de um lugar para ser abrigado.

Foi a Cátia quem lembrou também o esforço dos bombeiros para impedir que as chamas chegassem na mata que resistiu a ocupação do local e no Singapura, construído há anos pela prefeitura para maquiar um problema que nunca foi contido. Faltam mais de 600 mil habitações para os paulistanos ao mesmo tempo que milhares vivem nas condições precárias dos moradores da Real Parque.

Candidatos estiveram na favela este ano garantindo melhorias. Mas toda eleição é a mesma coisa. Vão até lá, prometem “fazer e acontecer” e voltam para casa. A única coisa que deixam para trás é a propaganda irregular pendurada no poste.


Ouça aqui a reportagem da Cátia Tofolletto

Câmara tá com a caçamba cheia

 

Lixo da Câmara Municipal SP

Por Devanir Amâncio
ONG Educa SP

O lixo que sai de uma obra da Câmara Municipal de São Paulo está transbordando em duas caçambas(20/9), em frente ao número 211 da rua Santo Antônio, entrada oficial dos vereadores. O mau cheiro está insuportável.

Um gari disse: “A gente  já varreu umas três vezes hoje ao redor dessas caçambas…daqui a pouco tem lixo no chão. Fui falar com o pessoal da portaria para retirar as caçambas. ..o homem disse: – gari , vai cuidar do seu serviço”.
 
O morador de rua Cristiano Leandro Brás, 23 anos, revirava  uma delas  em busca de pedaços de madeira para fazer caixa de engraxate.
 
“Pode me chamar de Negrinho !.. Todo mundo me chama assim.  Sou filho de Araraquara,interior de São Paulo. Estou na rua um tempão… frequento o SEFRAS (Serviço Fraciscano de Solidariedade) na  Riachuelo. Fotografar? Pode!.. Minha Ficha é Limpa. O que pode acontecer é minha família descobrir  o meu paradeiro.”
 
Agora o outro lado (publicado às 17h43)     

“A respeito da reclamação encaminhada pelo Sr. Devanir Amâncio, da ONG Educa São Paulo, esclareço:
 
As duas caçambas citadas pertenciam à empresa contratada para execução de serviço de remoção de entulho, deixado por obra em andamento na Câmara Municipal de São Paulo.
Elas foram retiradas no mesmo dia 20 de setembro que o ouvinte faz referência. Não continham lixo, somente entulho de obra.
A empresa contratada colocou uma nova caçamba. Foi advertida para que seus funcionários adotem todas as medidas destinadas a manter limpo o local ao redor da caçamba.  
 
Assessoria de Imprensa da Presidência da Câmara Municipal de São Paulo”
                                 

Foto-ouvinte: Esquina da batida

 

Acidente de carro

Batidas de carros não são novidades no cotidiano dos moradores da Alameda Itu e Ministro Rocha Azevedo, nos Jardins. Em média, um por dia, calcula a ouvinte-internauta Lena Cardoso: “em alguns dais chegamos a três”, escreveu. Segundo ela, o pedido para que um sinal de trânsito fosse colocado no local não surtiu efeito até agora, pois a CET alega que não poderia fazer isto em uma ladeira. Leda, além de lembrar que em outras ladeiras da capital o semáforo está lá a organizar o trânsito, salienta que neste cruzamento as crianças que saem do Colégio Dante Alighieri “tentam atravessar por sua própria conta e risco”. O farol amarelo piscando não é suficiente para evitar os acidentes, comentou no mesmo e-mail em que enviou fotos de acidentes que ocorreram no dia 20 e 22 de setembro