Um dia na Câmara de Vereadores de São Paulo

 

Vereador discursa e plenario não presta atenção

Os três mosqueteiros e seus seguidores.

Claudio Vieira, Massào Uéhara e Sérgio Mendes, são três cidadãos paulistanos que acreditam no efeito da participação da sociedade na vida do legislativo. Por isso, aderiram a ideia do Adote um Vereador e conectados em rede passaram a tarde a informar, pelo Twitter, o dia de trabalho dos parlamentares paulistanos. À distância, Mário Nogales e Alecir Macedo retuitavam e trocavam informações

Logo que chegaram à Câmara souberam pela segurança que somente poderiam tomar assento nas galerias – espaço reservado ao público – após a chegada dos vereadores em plenário. Esperaram até que as portas se abrissem. Eram os três e mais duas pessoas ligadas ao Serviço de Zoonose.

“Quorum total: 5 cidadãos ! Pífia a presença do POVO” – escreveu Cláudio Vieira, o mais agitado dos três.

Convenhamos, nem pode ser diferente. Quem deveria incentivar a presença do cidadão no parlamento são os menos interessados. Quanto menos gente lá em cima a controlar, “mais” se pode fazer lá em baixo. Sem contar que boa parte das decisões tomadas na Casa é às portas fechadas em conversas de gabinete ou na reunião dos líderes, que o cidadão não tem o direito de assistir.

Painel da CMSP as 15h55

Cidadãos em seus postos e vereadores, também – ao menos no painel eletrônico. O número de presenças no placar, porém, não condizia com os gatos pingados que apareciam diante da mesa diretora. “Eles registram presença pelo leitor biométrico, na sala que fica ao lado do plenário, ou ao lado de um elevador próximo; depois sobem para seus gabinetes e ficam livres para voar, inclusive os que são candidatos podem sair a fazer campanha”, soube Cláudio.

Massáo decidiu, então, fotografar o plenário quase vazio no que foi interrompido por um policial militar que faz a segurança no local (deve ser para que o povo não invada as galerias). “Só com autorização do 8º andar”, disse a autoridade. Pouco satisfeito com a resposta, enquanto Massao seguia a fotografar, Sérgio foi ao céu – ou ao tal 8º andar, onde foi informado que por ser um popular (e do Adote), e não um jornalista, não precisava de autorização. O policial aceitou a resposta “mas ficou de longe, sem entender o que aqueles três malucos faziam ali”, relatou Cláudio.

Logo que vereadores souberam que a “imensa maioria” do público presente fazia parte do Adote um Vereador, reagiram. Alguns com simpatia acenavam lá de baixo, como Floriano Pesaro (PSDB) e Dalton Silvano (PSDB). “Escreve no Twitter que estou aqui”, disse este último. O presidente da Casa e candidato suplente ao Senado, Antonio Carlos Rodrigues (PR) retribuiu os cumprimentos recebidos de um dos populares que ocupavam as galerias.

Os debochados também marcaram presença. Milton Leite (PMDB) chegou quase no fim da sessão e fez piadinha: “Olha eu estou aqui, heim ! Podem me fotografar que estou aqui”. Nos bastidores, costuma dizer que quanto mais falam mal dele, mais ele fica popular.

Plenario da CMSP

Sessão encerrada. Encerrada ? Como ? E os projetos de lei a serem votados ?

Não havia quorum. Ou seja, não tinha vereador suficiente para que os trabalhos continuassem. É que apesar de haver mais ou menos 47 parlamentares registrados no painel eletrônico, apenas mais ou menos 17 estavam no plenário para votar. Na maioria das vezes, eles fazem vistas grossas e votam assim mesmo, no que chamam de votação simbólica.

Desta vez, porém, havia cinco cidadãos para contar a história.

Russomano, PP, será entrevistado no rádio e internet

 

CBN SP painelTerceiro colocado nas pesquisas eleitorais, distante da disputa dos dois primeiros, mas com potencial para impedir uma vitória do PSDB no primeiro turno. É com este cacife que o candidato Celso Russomano do PP, que integra a Coligação Em Defesa do Cidadão, chega a essa altura do campeonato – ou da campanha. O discurso, lógico, ainda é de que está na disputa e com chances. E assim deve se apresentar na segunda entrevista da série com os candidatos ao Governo do Estado, promovida pela CBN.

Com transmissão simultânea no rádio e na internet, a entrevista vai ao ar das 10 e meia da manhã às 11 horas, com participação dos ouvintes-internautas que podem fazer perguntas pelo e-mail milton@cbn.com.br. Todas as mensagens enviadas ao candidato durante o programa serão, após a entrevista, encaminhadas à assessoria dele para que possam ser respondidas.

Os temas discutidos na entrevista com os candidatos foram sugeridos pelo público, nas duas últimas semanas. O CBN São Paulo conversou também com especialistas nas áreas de transporte, educação, saúde, segurança, meio-ambiente e gestão pública.

A ordem dos entrevistados foi decidida em sorteio com a presença dos representantes das nove coligações que disputam o cargo ao Governo do Estado:

Dia 08.09 – quarta – Paulo Skaf (PSB)
Dia 09.09 – quinta – Celso Russomano (PP)
Dia 10.09 – sexta – Paulo Roberto Bufalo (PSOL)
Dia 13.09 – segunda – Luiz Carlos Prates (PSTU)
Dia 14.09 – terça – Aloizio Mercadante (PT)
Dia 15.09 – quarta – Anai Caproni Pinto (PCO)
Dia 16.09 – quinta – Geraldo Alckmin (PSDB)
Dia 17.09 – sexta – Fábio Feldmann (PV)
Dia 20.09 – segunda – Igor Grabois Olimpio (PCB)

Avalanche Tricolor: Palmas para ele !

 

Grêmio 2 x 0 Atlético – GO
Brasileiro – Olímpico Monumental

Adílson sobe e evita mais um ataque, como sempre (Foto: Gremio.Net)

Adílson sobe e evita mais um ataque, como sempre (Foto: Gremio.Net)

Douglas fez um golaço e descubro que foi o primeiro. Borges escapou com velocidade e bateu seco para marcar o seu e vejo que é apenas o terceiro. Os dois, porém, terão sua imagem reproduzida nesta noite e amanhã em todos os programas de esporte. Afinal, o gol é alma do negócio. E quem o faz tem méritos.

Longe de mim reduzir a importância dos dois gols marcados em mais uma vitória que nos empurra à frente neste campeonato e confirma a previsão de que a retomada se iniciou e vamos para apenas quando a vaga da Libertadores estiver garantida. Dedico, porém, esta Avalanche a um jogador que poucos lembrarão de entrevistar no vestiário e, amanhã, talvez sequer apareça no compacto dos melhores lances (melhores para quem, Cara Pálida?).

Adílson tem apenas 23 anos de idade. E uma personalidade surpreendente. É volante, posição para qual muitos torcem o nariz e, hoje, foi o único de ofício a segurar a onda no nosso meio de campo. Chegou a vestir a 5 em lugar da tradicional 11 que sempre me faz lembrar de meu ídolo do passado, Loivo – mas isto era na época em que o número cabia ao ponteiro esquerdo.

E com a 5, Adílson parece que ficou ainda mais poderoso na função. Pura impressão, claro. Pois ele sempre mantém a mesma forma de jogar. É sério, dá o bote na hora certa, interrompe o ataque adversário (quando não o contra-ataque), fala pouco, atua sem espalhafato e sai jogando bem. É um sinal de tranquilidade.

Logo que chegou aos profissionais, em 2007, sofreu lesões que o afastaram de boa parte da temporada. Voltou em 2008, fez boas partidas como de costume, mas não se firmou. Foi em 2009 que ganhou posição de titular, apesar de às vezes ser sacado do time, como ocorreu neste ano. Discreto, seu estilo não muda quando vai para o banco. E quando deixa a reserva parece que nunca havia saído de campo.

Hoje, a torcida reconheceu parte do mérito deste volante de estilo moderno que não é apenas mais uma promessa do time de guris. No segundo tempo, depois de ter contido, outra vez, a jogada adversária, partiu para o ataque com a cabeça em pé e a bola bem dominada. Passou por um marcador e a entregou para que um colega brilhasse mais adiante. Os torcedores o aplaudiram e gritaram seu nome. Adílson voltou para marcar.

Ele sabe seu papel. E eu sei admirá-lo por isso.

Skaf fala em tirar aeroportos do Governo Federal

 

Em cima da hora, mas na hora. E com duas recomendações e muitos cuidados. Assim chegou Paulo Skaf (PSB), primeiro entrevistado da série com os candidatos ao Governo de São Paulo, ao estúdio de internet na CBN, nessa manhã.

Faltavam 15 minutos para começar a entrevista, por telefone a assessoria dele informou que ainda estavam na avenida Angélica. Não é longe, mas o trânsito atrapalha. E este seria um dos assuntos a serem tratados mais tarde quando defendeu uma espécie de “CET estadual” para cuidar do trânsito na região metropolitana.

Foi da assessoria o primeiro pedido, assim que todos chegaram na rádio: ele é presidente licenciado da Fiesp e não ex-presidente. Bom saber, assim fica certo que tem cargo garantido após a eleição.

Foi do próprio candidato o segundo: “Me chame de Skaf, é como está na propaganda”. Aliás, o resultado da campanha eleitoral abriu nossa conversa, já que por enquanto o nome dele não vai além dos 2% nas preferências de voto, segundo as pesquisas. Isto não parece lhe tirar o entusiasmo. Acredita que a hora da mudança é agora.

Antes de ir ao ar chamou atenção para o fio do microfone que aparecia de mais ao lado da lapela, fez questão de perguntar quais câmeras poderia olhar para conversar com o eleitor e ajeitou várias vezes o terno bem alinhado – hábito que trouxe dos tempos de Fiesp.

Começa a entrevista e o candidato Paulo Skaf, como preferi chamá-lo, dá sinais de que está bem treinado. Pontua sua fala com as mãos, alterna o olhar para a câmera e para o apresentador, segue a risca as mensagens-chave da campanha: educação em tempo integral, tirar projetos do papel, oferecer mais segurança, saúde melhor, transparência nos atos de governo etecetera e tal. Arriscou até mesmo a defesa da estadualização dos aeroportos: “Se não estiverem funcionando vou intervir”.

Deixa a desejar, porém, quando precisa explicar melhor cada um desses pontos. Prefere voltar as frases formatadas e reforçar a ideia do Governo com mão forte no qual com autoridade tudo consegue. Mas estas coisas é melhor você mesmo avaliar assistindo à entrevista que está disponível na página da CBN no You Tube.

A propósito, repetiu o comportamento da maioria dos candidatos ao justificar que não vai se cadastrar no site do Ficha Limpa por que não tem como atualizar as contas da campanha semanalmente e seria cruel com os doadores “se eu publicar o nome de um doador nesta semana, os outros candidatos vão lá no dia seguinte pedir dinheiro”.

Perguntômetro do CBN SP

Antes e durante a entrevista, ouvintes-internautas enviaram 39 comentários e perguntas ao CBN São Paulo, dos quais 22 feitos para Paulo Skaf, os demais foram dirigidos a todos os candidatos ao Governo. Logo após a entrevista, as perguntas foram encaminhadas à campanha de Skaf para que ele tenha oportunidade de responder a todos os questionamentos. O mesmo será feito com os demais candidatos no decorrer da série que vai até o dia 20 de setembro

A riqueza de Lemann e Joesley

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Por Carlos Magno Gibrail

Jorge Paulo Lemann, brasileiro, de ascendência suíça, vindo de Harvard, e Joesley Batista, brasileiro, de ascendência goiana, vindo do açougue do pai, são os novos protagonistas globais, de acordo com Larry Rohter do New York Times.

Dias antes da divulgação do crescimento da economia brasileira neste primeiro semestre, quando obtivemos uma das mais altas taxas de aumento do PIB, confirmando a confiança global que o mundo nos tem conferido ultimamente, o jornalista Larry Rohter já indicava como uma de suas resultantes o sucesso brasileiro em formar uma nova geração de empreendedores.

Rohter aponta os dados do BCG Boston Consulting Group de Harvard, indicando que de 2006 a 2008 o número de milionários brasileiros aumentou de 130 mil para 220 mil. O que equivale ao acréscimo de aproximadamente 70%. Crescimento que continua, possibilitando ao Brasil apresentar um quadro maior de milionários do que a Índia, embora com uma população 1/6 da indiana.

Lemann (48ª fortuna mundial), esportista de alto desempenho, penta campeão brasileiro de tênis, iniciou a sua trajetória de negócios comprando a Garantia, pequena corretora. Usando pioneiramente o modelo de “private equity” e assimilando o sistema de Goldman Sachs, focado na meritocracia, onde proporcionava status e ganhos invejáveis aos colaboradores, transformou a corretora em um grande Banco de Investimento. E, também seus principais talentos, Marcel Telles e Alberto Sicupira em executivos de sucesso. Hoje, a 152ª e 176ª fortunas do mundo, Telles e Sicupira são seus sócios na 3G, a empresa que acaba de acordar a compra da Burger King por US$ 4 bilhões.

Isto depois de comprar as Lojas Americanas, AmBev, Submarino, Blockbuster, formar a Inbev, incorporar a Budweiser, além de ser grande acionista de empresas como a Gafisa e Oi.

Joesley Batista e família anteviram oportunidade na crise cambial de 1998 e recorrendo ao BNDES levantaram o capital necessário para o envolvimento no mercado exportador Em 2007, compraram a Swift para, em 2009, adquirir a Pilgrim’s Pride e superar a Tyson Foods, passando a ocupar a liderança mundial no processamento de carne.

Para a satisfação dos brasileiros, provavelmente também de Caetano Veloso, compositor da canção que cita o NYT, o jornalista declara:

Uma coisa fica clara: o domínio brasileiro sobre todas as etapas do setor mundial de carne. O país já é o maior exportador mundial de carne bovina e agora, com a oferta pelo Burger King anunciada na quinta-feira, disporá de mais um veículo para encorajar o consumo em todo o mundo. Isso que é sinergia.

Lemann e Joesley, origens e estilos diferentes chegaram ao mesmo destino, demonstrando que várias trajetórias podem levar a um mesmo ponto. Embora a família Batista chame mais atenção pela evolução de classe social, que tanto os norte americanos reverenciam.

Mais do que o sucesso destes empreendimentos, o fato de surgirem de talentos iniciais em pequenos negócios é que certamente atrai a mídia.

A origem distinta de ambos não deverá diferenciar o futuro dos empreendimentos, entretanto o estilo poderá fazer diferença no aspecto de RH. Ou seja, na formação, manutenção e retenção dos talentos tão necessários ao desenvolvimento dos negócios. A história da civilização tem demonstrado que as grandes rupturas sociais foram demandadas por líderes oriundos das classes abastadas. E, não será anomalia se o setor privado depender de líderes aristocratas para se aprofundar na meritocracia.

Lemann conta hoje, além de Telles e Sicupira, com profissionais balizados na meritocracia.

Harvard ou Frog* até agora não fez diferença na evolução dos negócios de Lemann e Joesley, mas como ficará nos aspectos inerentes aos recursos humanos?

Frog = From Goiás, método familiar e duro de administrar.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feira no Blog do Mílton Jung

Skaf abre a série de entrevistas no rádio e na internet

 

Estúdio CBN na InternetTrês câmeras profissionais, mesa para o corte das imagens, tapadeiras cinematográficas vermelhas – destacando as cores da emissora – e iluminação especialmente planejada para o ambiente. Assim é o estúdio da CBN de onde serão transmitidas as entrevistas com os nove candidatos ao Governo do Estado de São Paulo, a partir de hoje, no rádio e na internet, simultaneamente.

O cenário é o mesmo usado para as entrevistas com os três principais candidatos à presidência da República, no Jornal da CBN, e para a transmissão do programa Mundo Corporativo, apresentado por Heródoto Barbeiro. Para assistir na internet, basta acessar o site da CBN.

Desta maneira, os ouvintes-internautas terão oportunidade não apenas de ouvir mas também de ver a reação dos candidatos diante das câmeras quando questionados sobre temas que foram sugeridos pelo público, nas duas últimas semanas. O CBN São Paulo conversou com especialistas nas áreas de transporte, educação, saúde, segurança, meio-ambiente e gestão pública, além de ter aberto espaço para o eleitor propor assuntos e perguntas por e-mail.

É com base nesta pauta compartilhada que as entrevistas serão realizadas das 10h30 às 11 horas da manhã, no CBN São Paulo. Durante a entrevista, mais perguntas poderão ser enviadas no endereço eletrônico milton@cbn.com.br. Todas as perguntas feitas por e-mail serão encaminhadas, após a entrevista, ao candidato para que ele tenha a oportunidade de responder às dúvidas dos ouvintes-internautas.

A ordem dos entrevistados foi decidida em sorteio com a presença dos representantes das nove coligações que disputam o cargo ao Governo do Estado, tendo como primeiro convidado Paulo Skaf, da Coligação Preste Atenção São Paulo.

Veja como ficou a ordem das entrevistas e participe:

Dia 08.09.10 – Paulo Skaf (PSB)
Dia 09.09.10 – Celso Russomano (PP)

Dia 10.09.10 – Paulo Roberto Bufalo (PSOL)

Dia 13.09.10 – Luiz Carlos Prates (PSTU)
Dia 14.09.10 – Aloizio Mercadante (PT)
 
Dia 15.09.10 – Anai Caproni Pinto (PCO)

Dia 16.09.10 – Geraldo Alckmin (PSDB)

Dia 17.09.10 – Fábio Feldmann (PV)
Dia 20.09.10 – Igor Grabois Olimpio (PCB)

A Sete de Setembro dos ônibus vermelhos

 

Empresa de ônibus de São Paulo ostentou até o final dos anos de 1970 como nome uma das datas cívicas símbolos do País.

Por Adamo Bazani

4968367457_a1db850f39_mFoi no sete de setembro de 1822 que Dom Pedro II, às margens do Rio Ypiranga em São Paulo, bradou: “Independência ou Morte” (é o que dizem). A partir desta data, depois de vários movimentos políticos, o Brasil teve uma administração autônoma de Portugal. A data é um dos símbolos brasileiros adotada em diversos negócios, logradouros, clubes, enfim.

Como os transportes participam e influenciam em diversos aspectos da sociedade, desde os econômicos e urbanos até os sociais e comportamentais, a “marca” 7 de setembro fez parte da história de muitas empresas de ônibus. Uma das mais marcantes na Capital Paulista foi a Viação Sete de Setembro Ltda, que entre o início dos anos de 1960 e 1979 serviu a zona Sul da Capital Paulista.

Tão polêmica quanto a independência do Brasil, que para muitos historiadores, se deu de uma maneira unilateral, e até mesmo passiva, foi a atuação da Viação Sete de Setembro e são várias as histórias que envolvem a empresa.

Para começar, os seus serviços nem sempre considerados de boa referência e a operação de veículos velhos. Os historiadores Paulo Sérgio Vidal e Carlos Coelho, especializados em transportes nos contam como era a realidade da empresa:

“Eu conheci a Viação 7 de Setembro em 1976, os carros tinham uma aparência bem desgastada, no português claro eram uns pau-velhos. Tempos depois vi na TV uma manifestação contra os péssimos estados de conservação dos carros desta empresa e o excesso de lotação que andavam.” – afirma Carlos Coelho

“Realmente a 7 de Setembro só tinha pau velho e era uma verdadeira alça de caixão de defunto. Um largava , outro pegava e às vezes ninguém queria” – relembra Paulo Sérgio Vidal.

Vidal conta que a empresa surgiu na primeira metade dos anos de 1960, fundada por um empreendedor conhecido como João Vermelho. Mas com o tempo, diversas pessoas entravam e saíam da sociedade da empresa. A historiadora Maria Vanessa Norberto da Cruz fez um levantamento no Diário Oficial do Estado de quantos sócios entraram e saíram da empresa.

Na edição de 23 de julho de 1963, é publicada a saída de Hamilton Dias e a permanência de Nilda Siervo Ferreira e Moysés dos Santos Ferreira. O Capital da empresa era de 1 milhão de cruzeiro
Já na edição de 16 de julho de 1969 consta que saíram Euclides de Carvalho e Nestor Carvalho se retiravam ficando na empresa Joaquim de Almeida Saraiva e Manuel Augusto Ferreira (ambos portugueses), entrando Mário Jorge Pires da Foncesa.

Em 03 de julho de 1973, o Diário Oficial publica algo que melhoraria a situação da empresa : a entrada de famílias que já tinham grandes negócios na área dos transportes do ABC Paulista – Danilo Adelelmo Setti (com metade das ações) e Rubens Fogli com Antônio Said, que detinham juntos a outra metade. A partir daí começou haver uma renovação na frota.

Um detalhe curioso lembrado por Paulo Vidal é que os ônibus da empresa eram de cor predominantemente vermelha. Os Militares, que impunham a Ditadura no Brasil, obrigaram, em meados dos anos de 1960, os donos da empresa a pintarem sob as letras BR, da palavra SETEMBRO, uma faixa verde e outra amarela para que os ônibus vermelhos não transparecessem nenhuma conotação comunista. “Coisa da Ditadura” – diz.

A empresa também teve uma linha intermunicipal ligando Itapecerica da Serra a Santo Amaro, que segundo o Diário Oficial de 12 de fevereiro de 1966, foi transferida para a Viação Rio Bonito.

Mesmo com os problemas, a empresa inegavelmente ajudou no desenvolvimento de Santo Amaro, Grajaú e região, que a partir dos anos 60 tiveram a população aumentada.

Na reformulação do sistema em 1978, a empresa deixara de existir.

A imagem é ilustrativa de um dos modelos que operou na viação, já que não encontramos uma imagem da 7 de setembro.

Adamo Bazani é jornalista da CBN, busólogo e escreve no Blog do Mílton Jung – às vezes em dose dupla, como neste feriado.

A Independência do Brasil e o ônibus no País

 

Revista de 1962, coloca o primeiro auto ônibus nacional e o primeiro trólebus brasileiro numa mostra de evolução dos transportes coletivos

Por Adamo Bazani

Cópia de Revista Quatro Rodas - 07 1962Apesar das grandes dificuldades e problemas que envolvem o setor de transportes no Brasil, uma coisa é inegável: a produção e os serviços de ônibus no Brasil evoluíram muito. Os primeiros ônibus brasileiros eram puxados por animais. Isso mesmo. Não eram os ônibus como são conhecidos agora, mas já eram veículos de transportes coletivos, chamados de OMNIBUS, termo que significa Paratodos e que resume bem o papel destes veículos que não são apenas automóveis, mas agentes sociais, de integração econômica e, com boa imagem ou não, fazem parte do cotidiano de milhões e milhões de pessoas há mais de um século.

E a história dos ônibus no Brasil tem tudo a ver com a Independência do País, proclamada por D. Pedro I, em 7 de setembro de 1822. É que com a vinda da família real portuguesa ao Brasil, que trouxe consigo 25 navios mercantes, fugindo em 1808 das ameaças de invasão francesa, milhares de pessoas que trabalhavam para os portugueses desembarcaram no Brasil.

Com a cultura e modo de vida mais urbano, a vinda dessas pessoas significou uma transformação na paisagem dos povoamentos e cidades. Novas atividades econômicas para manter o padrão de vida da realeza e atender os funcionários surgiam no Brasil e as necessidades de deslocamentos de cargas e mercadorias também. Mesmo com o retorno de parte da família real para Portugal, uma máquina estatal e econômica que compreendia serviços, comércio e manufaturas já estava instalada.

Com a Independência, essa nova realidade urbana brasileira se torna mais forte.

Tanto os súditos de D. Pedro como os plebeus e primeiros comerciais e industriais (para os padrões da época) viviam em áreas que aumentavam de tamanho com atividades econômicas mais intensas.

Transportar era preciso, principalmente no Rio de Janeiro, onde toda essa novidade social e econômica aflorava.

E foi justamente no Rio de Janeiro que se tem o primeiro registro oficial do serviço de ônibus no Brasil. Em 1837, Jean Lecoq importou de Paris um Omnibus, que veio com esta nomenclatura. As dimensões do veículo impressionavam: uma estrutura de madeira grande, com 4 rodas de borracha com dois andares. Tudo puxado pro 4 cavalos. O serviço agradou tanto que em 14 de setembro de 1837 D. Pedro I criou um decreto real autorizando o funcionamento de Omnibus.

Nasce então, a primeira empresa de ônibus do Brasil “Companhia de Ônibus”, criada por Aureliano de Sousa e Oliveira Coutinho, Paulo Barbosa da Silva, José Ribeiro da Silva, Manoel Odorico Mendes e Carlos Augusto Taunay, este último, agente e negociador da empresa.

A primeira viagem aconteceu em julho de 1838. Os primeiros serviços ligaram a região central da cidade do Rio de Janeiro a Botafogo, Engenho Novo e São Cristóvão. Mais tarde os ônibus entraram em declínio por causa do surgimento dos transportes por trilhos: bonde e trens.

Em 1908, na ocasião dos festejos dos 100 anos da vinda da família real portuguesa,  o empresário Octávio da Rocha Miranda aproveita a demanda maior de pessoas que precisavam de deslocamento no Rio de Janeiro e importa um ônibus a gasolina de mecânica Daimler  e carroceria francesa. Foi o primeiro ônibus com motor no Brasil.

As cidades crescem e os bondes não dão conta do número de passageiros. Nos anos de 1920, iniciam-se os maiores negócios com ônibus. Em 1924, a Grassi faz a primeira carroceria brasileira produzida em linha: chamada de Mamãe Me Leva. Os ônibus elétricos começam a ser produzidos no Brasil em 1958, também pela Grassi.

Uma reportagem da Revista Quatro Rodas, de 1962, consegue um feito, não mais possível hoje, colocando lado a lado o primeiro trólebus nacional ao lado do primeiro ônibus (veja acima).

Uma imagem a ser eternizada.

Adamo Bazani é jornalista da rádio CBN, busólogo e escreve no Blog do Mílton Jung

Falta transparência em São Paulo, diz Abramo

 

“São Paulo é o estado mais opaco do Brasil”. A afirmação é de Claudio Weber Abramo, da ONG Transparência Brasil, convidado pelo CBN SP para sugerir políticas na área de gestão pública. Ele disse que os planos de meta desenvolvidos pelas administrações estaduais são mantidos em segredo no Estado quando estas são informações que deveriam ser de domínio do cidadão. “Inclusive com os diagnósticos sobre o que ocorreu a partir dos planos definidos pelo governo”.

Abramo chama atenção, ainda, para o fato de que é preciso dar publicidade aos programas voluntários de governo. A distribuição desta verba nos convênios com os municípios deve ter critérios muito claros para evitar que o dinheiro público seja usado com interesses políticos.

Para a implantação desta gestão transparente, Abramo sugere que seja usado dinheiro previsto no orçamento do Estado para a área de comunicação. “Gasta-se fortuna com propaganda estúpida, fazendo propaganda do governador”, reclamou.

Ouça a entrevista completa de Claudio W. Abramo, ao CBN SP

Investir na educação ambiental, sugere Greenpeace

 

Poluição no rio São Paulo deveria bancar uma revolução no ensino sobre as técnicas ambientais, desenvolvendo conhecimento e inteligência para combater problemas que tem prejudicado a qualidade de vida do cidadão. A sugestão é do diretor de campanhas do Greenpeace Sérgio Leitão, convidado pelo CBN São Paulo para propor políticas públicas e compromissos a serem assumidos pelos candidatos ao Governo do Estado.

Leitão entende que para haver avanços nas propostas ambientais é preciso que o próximo governador relacione este tema a economia, emprego e saúde. Ele lembrou que São Paulo registra uma quantidade enorme de mortes provocadas devido a poluição do ar, que está ligada às queimadas no interior e ao incentivo para o uso do automóvel nos centros urbanos. “O Governo tem poderes para tirar de circulação carros que estejam poluindo acima do permitido por lei”, exemplificou.

Ouça a entrevista de Sérgio Leitão, do Greenpeace

Os candidatos ao Governo de São Paulo serão entrevistados pelo CBN São Paulo, a partir de quarta-feira, e os temas ambientais estarão na pauta sugerida pelos ouvintes-internautas.