Há 32 anos ônibus vestiram Saia e Blusa em São Paulo

 

No governo Olavo Setúbal foi feita a primeira padronização de pinturas em ônibus de São Paulo. A implantação do sistema causou confusão mas deixou legado à capital paulista. As mudanças se iniciaram em 1978.

FOTO 1 SAIA E BLUSA

Por Adamo Bazani

Uma das marcas da administração Olavo Setúbal (agosto/75 a julho/79), na capital paulista, foi a atuação no transporte de passageiros. Em época na qual o prefeito era nomeado pelo Governador do Estado, ele foi considerado um homem à frente de seu tempo. Muito mais que ações pirotécnicas, que só servem para ganhar eleição ou chamar a atenção da mídia, Setúbal e sua equipe tomaram medidas que alteraram a forma de se transportar passageiros na cidade. Algumas ações não foram consideradas ideais, masresolveram em parte as necessidades urgentes de deslocamento numa cidade que só crescia.

Primeiramente, se destaca o Plano Sistran – Sistema Integrado de Trólebus – que teve como um dos principais maestros o engenheiro Adrianno Branco. O Sistema previu não apenas o aumento do serviço de ônibus elétrico como criou uma nova geração desses veículos. O projeto inicial contemplava a criação de mais de 280 km de linhas de trólebus que se somariam aos 115 km já existentes e elevaria o número de veículos urbanos de tração elétrica para 1.280 ônibus. As exigências do Sistran fizeram a indústria nacional, em parceria com a CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos -, desenvolver um novo trólebus, baseado nos conceitos mais modernos adotados, principalmente, na Europa.

Foi até mesmo importado um trólebus alemão, Mercedes Benz O 305, para ser dissecado e estudado a fundo. Nascia assim, para todo o Brasil, um ônibus elétrico com sistema Copper, de controle eletrônico de velocidade por recortadores, piso mais baixo, direção hidráulica, melhor iluminação interna  e disposição dos bancos para o conforto dos passageiros, suspensão pneumática e portas mais largas.

Veja o que pode ser feito quando há vontade e sensibilidade política em relação aos transportes públicos. A iniciativa de uma cidade, no caso a de maior destaque econômico do País, fez com que fossem alteradas as formas de transportar em todo o território nacional.

O problema dos trólebus estava parcialmente resolvido, pelo menos encaminhado. Restava o sistema de transportes municipais. Linhas sobrepostas em detrimento a regiões de pouca demanda e de difícil acesso, sem oferta de transportes adequada. Lotações, ônibus velhos, excesso de empresas e falta de serviços. A cidade cresceu de forma desorganizada e os transportes também.

Em 1978, a equipe de Setúbal tenta reorganizar os transportes. Surge a primeira padronização das cores pela qual a parte de baixo dos ônibus (chamada de saia) indicava a região a ser servida. A cidade foi divida em 23 lotes operacionais. Bom para grandes empresários, que encampavam as viações menores. José Ruas Vaz, o maior transportador de São Paulo e dono da encarroçadora Caio, desde 2001, foi um dos grandes beneficiados na época. Mas, como nada se dá do dia para a noite, o início do sistema Saia e Blusa gerou muitas confusões entre usuários e até mesmo funcionários de empresas de ônibus.

Não seria possível padronizar todos ônibus de uma só vez. Então, foi um festival de veículos de uma mesma viação com cores diferentes. Por exemplo, o Grupo Gatti, de Luis Gatti, que fundou a Viação Gato Preto nos primórdios dos transportes por ônibus em São Paulo, tinha várias empresas: como a Trancolapa S.A, a Empresa Auto Ônibus Anastácio, a Empresa de ônibus Vila Hamburgueza, entre outras. Cada uma tinha uma cor diferente. Todas tiveram de se unir na Viação Gato Preto. Por mais que os serviços de funilaria e pintura não parassem, era impossível pintar toda a frota.

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Enem: professor é a solução

 

O Enem 2009 retrata bem a qualidade do ensino no Brasil, incapaz de preparar os alunos para chegar ao mercado de trabalho, e mostra a importância de se melhorar a formação dos professores. A opinião é da educadora Guiomar Namo de Mello com quem conversamos durante o CBN São Paulo para comentar os dados do Exame, divulgados nesta segunda-feira. Segundo ela, o problema é que o País não tem tempo para esperar a melhoria do ensino do magistério e ações imediatas precisam ser adotadas para apoiar os professores na sala de aula.

Ouça a entrevista com a educadora Guiomar Namo de Mello.

Uma das mensagens enviadas ao programa, logo após a entrevista, foi da professora Cleuds Savino que há cinco anos dá aula e diz estar cansada de ouvir que a sua categoria é a responsável pela baixa qualidade do ensino, principalmente, o público. Registro a opinião dela neste espaço porque entendo ser importante ouvir a entrevista da educadora Guiomar Namo de Mello de outra maneira.

Ao se falar que é necessário qualificar o magistério não se tenta jogar nas costas dos professores a responsabilidade por tudo que ocorre (de mal) na sala de aula. Ao contrário, quer se mostrar que o professor é a solução para a melhoria do ensino. Envolvido e compromissado com a escola, os resultados no desempenho dos alunos tendem a avançar, lembrou Guiomar. E para que isto ocorra é preciso, por exemplo, que estes professores possam ficar mais tempo na mesma escola, sem a necessidade de correr de um lado para o outro para melhorar seus vencimentos.

Sem número, seguros insistem em restrição ao Rodoanel

 

Mesmo sem números que comprovem a informação, as seguradoras insistem na restrição ao transporte de cargas no trecho sul do Rodoanel, em São Paulo. De acordo com o presidente da Comissão de Transporte da Federação Nacional das Seguradoras Jair Carvalheira as faltas de sinal de telefonia celular, policiamento e iluminação no local aumentam o risco de roubos. A recomendação é que as transportadoras que usarem a rodovia estejam com escolta particular, caso contrário a seguradora não pagará indenização pelo desaparecimento da carga.

Ouça entrevista com Jair Carvalheira da Fenaseg

Conforme informado no Blog, sexta-feira (15.07), o Governo de São Paulo diz que não há nenhum registro de roubo de carga no trecho sul do Rodoanel desde a abertura ao tráfego, em 1º de abril. O CBN São Paulo conversará sobre o assunto, amanhã, com representante da Secretaria Estadual de Transportes.

Contaminação e zoneamento no caminho do Piritubão

 

CBN SPO Ministério Público Estadual abriu inquérito civil, sexta-feira, para investigar as informações de que o terreno no bairro de Pirituba, onde se planeja construir o estádio de São Paulo para a Copa de 2014, está contaminado e em área estritamente residencial. O promotor de Justiça Raul de Godoy pediu que a Cetesb que apresenta laudo sobre as condições ambientais encontradas no local seja entregue em 30 dias e prevê que o inquérito seja concluído em seis meses.

Ouça a entrevista com o promotor Raul de Godoy.

Acompanhe outras informações da pauta do #CBNSP:

Condomínio Legal – A Justiça do Trabalho em São Paulo permitiu que uma empresa de telecomunicação não cumprisse a lei que exige contratação de pessoas com deficiência. A alegação é que falta mão e obra qualificada. Empresas com mais de 100 funcionários precisam oferecer ao menos 5% de suas vagas a deficientes. O comentarista Cid Torquato disse que o caso revela a necessidade de se melhorar o acesso a educação e sugere lei que incentive contratações de pessoas com deficiência por empresas de pequeno e médio porte. Acompanhe o comentário.

Esquina do Esporte – A derrota do São Paulo para o Vitória, na Bahia, preocupa muito mais pela atitude da equipe em campo do que pelo resultado em si. O Corinthians, por sua vez, tende a se manter líder do Campeonato Brasileiro a medida que tem apresentado um futebol produtivo. Ouça outras opiniões de Paulo Massini e Mário Marra, comentaristas da CBN, que participaram do quadro de esportes do CBN SP, para comentar os resultados da 9a. rodada do Brasileiro.

Época SP na CBN – O uruguaio Jorge Drexler é um dos destaques musicais da semana. Ele se apresentará, sexta-feira, no Via Funchal, e alguns setores estão com ingressos esgotados. Ouça as outras dicas do Rodrigo Pereira, no CBN SP

Quem roubou o palmito ?

 

Bons dias aqueles em que a Copa do Mundo tomava conta das manchetes. Na capa dos portais eram as falas de Maradona, as broncas do Dunga e os tropeços dos craques que apareciam em destaque. Fotos de torcedoras bonitas e torcedores loucos chamavam a atenção dos internautas que corriam a clicar no link para saber/ver do que se tratava. Estive fora do Brasil durante toda a Copa, mas os telejornais não devem ter agido de maneira diferente. E muita gente, é provável, reclamou “por que só falam disso ?”

Nem bem a Copa havia se encerrado, cheguei ao apartamento de uma brasileira em Roma e, como gesto de carinho, ela ligou o canal internacional de uma das emissoras do País. Com cinco minutos de jogo, carinhosamente, perguntei se era possível desligar a televisão. O noticiário me embrulhava o estômago.

O jogador de futebol acusado de trucidar com a namorada; o advogado suspeito de matar a ex-dele; o marido que bateu na mulher por nove horas; e o grupo de jovens que teria participando de estupros. Foi esta a seleção de notícias elencada pelo editor do telejornal, com direito a arte, reconstituição, entrevista ‘bombástica’ e suíte, para os telespectadores que vivem longe do País.

Cheguei a imaginar que seria uma estratégia para que os brasileiros que estão no exterior não se lamentassem por viverem tão distante. Bastou desembarcar no Brasil, porém, para ver que aquele era apenas um resumo do noticiário que dominava a programação na TV – portais, jornais e rádios também não escapam, mas impactam menos. Da sequência de manchete ao conteúdo jornalístico, a violência dramatizada é dominante.

A enorme diversidade de fontes de informação derrubou audiências cristalizadas pelo tempo. Todos os veículos tradicionais de comunicação perderam espaço que não será mais recuperado. Não convencidos de que os índices do passado não voltam mais – quem os teve, não os terá; quem nunca teve, continuará não tendo -, popularizou-se o noticiário contaminado pela ideia de que o povo gosta de sangue.

O caso envolvendo o goleiro Bruno, claro, seria destaque no Brasil e em qualquer outro lugar do mundo. É ex-capitão e jogador de futebol do time de maior torcida do País suspeito de participar de um crime bárbaro.

Assim como, não se deve eliminar a cobertura jornalística dos casos de violência – o tema é extremamente preocupante e importante. Estaríamos sendo coniventes e ausentes se deixássemos de lado o assunto.

No entanto, o excesso banaliza. Perde-se a dimensão de cada caso.

Qualquer briga de bar pode virar pauta na redação. Um confronto entre bêbados na madrugada que resultou em assassinato é suficiente para mobilizar uma equipe completa de TV que se transformará, talvez, no único ponto de luz daquele bar decrépito localizado em um bairro mal-conservado. Assim que os ‘escutas’ ficam sabendo, surge a ordem para que o repórter de rádio tire os pés da mesa e saia correndo a cobrir o fato. O fotógrafo do jornal chega junto com ele na tentativa de registrar o “nada”. E um delegado de polícia está de plantão para dar sua entrevista consagradora.

Mudar esta rotina é tarefa de coragem, pois seguir a cartilha nos exime da crítica, na maioria das vezes. Se “todos fazem assim”, por que não farei também? Para que inventar? Repetir é bom e conserva o emprego, pensam alguns.

Procurar a cobertura mais inteligente e criativa é coisa rara. Seja por covardia, seja por desconhecimento. Afinal – é impossível não constatar -, o que vemos na tela (no noticiário em geral) é reflexo da falta de preparo e educação. Jornalistas e jornalismo são frutos desta sociedade em que vivemos.

Tenho tido dificuldade de assistir aos telejornais da noite – tradicional fonte de informação do brasileiro – dado o destaque que se oferece à desgraça. Imagino crianças e jovens em busca de notícia, já que os pais e professores insistem que eles têm de estar por dentro de tudo o que acontece no mundo. Meus filhos têm preferido selecionar os temas diante do computador.

Com tudo isso, não me surpreendeu história contada por um colega jornalista. O filho, com apenas 3 anos de idade, ao saber que o pai estava de malas prontas para uma reportagem sobre palmito, logo quis saber: “Mas quem roubou o palmito?”

Conte Sua História: Carnaval da Vila Esperança

 

CBN SPNos próximos dias, estarei pagando uma dívida com o Conte Sua História de São Paulo e seus protagonistas. Com as férias, deixei de publicar no blog vários dos capítulos que foram ao ar nas edições de sábado, do CBN SP. Por isso, caro e raro leitor deste espaço, você terá a oportunidade de acompanhar, a partir de hoje, textos de ouvintes-internautas, lidos por mim e sonorizados pelo Cláudio Antônio.

Estas histórias foram enviadas por escrito para o site do Museu da Pessoa, nosso parceiro desde o início do ano. Você também pode participar deste projeto gravando o seu depoimento em áudio e vídeo na sede do Museu. Para isso, agende uma entrevista pelo telefone 2144-7150 e conte sua história de São Paulo.

O Carnaval da Vila Esperança

Ana Maria dos Santos nasceu em 1956 em São Paulo. Quando criança, não conheceu seu pais. E uma série de coincidências curiosas a levaram a acreditar que finalmente havia revelado esse segredo. Ela contou sua históira ao Museu da Pessoa em janeiro de 2010:



Ouça a história de Ana Maria dos Santos sonorizada por Cláudio Antônio

Quando nasci, isso a mais de 50 anos, minha mãe estava sem condições e encontrou uma mulher muito bondosa para me criar. Essa senhora morava, então, na Rua Maria Carlota, na Vila Esperança. Essa rua ainda não havia sido asfaltada e, na época que asfaltaram, virou a alegria da molecada e a tristeza das mães, com surras e tudo, pois o danado do piche grudava em nós e em nossas roupas, dava o maior trabalho para tirar. Isso quando saía.



A filha da minha mãe de criação me batizou, era a minha madrinha muito querida, e de vez em quando eu falava que queria ter um pai. Às vezes, elas me arrumavam um (acho que era um parente distante do interior) e lembro que recebemos a visita da comadre que elas tanto falavam. Foi quando ela me contou que era a minha mãe verdadeira e que eu tinha de recebê-la (pensava que o nome dela era Rosa Maria?!).



A partir daí comecei a me esconder quando ela vinha me visitar. Eu simplesmente sumia. Até dentro de um cesto de vime enorme eu me escondia, tanto era o pavor que ela me levasse embora. Porém, aos meus sete anos ela teve que me levar para estudar num internato em Pinheiros. Aos onze anos, fugi com mais duas meninas, por causa dos maus tratos desse colégio de freiras, correndo a pé pela rua Cardeal Arcoverde, de Pinheiros até o Pacaembu. Foi tragicômico, pois a família que deu garantias que nos abrigaria, e era também o único lugar mais perto que eu sabia como ir, era do diretor da instituição.



Tudo isso para tentar voltar para minha Vila Esperança. Era fevereiro e eu queria também matar a saudade do meu querido e velho carnaval da infância, que subia pela Rua Evans e descia pela Rua Maria Carlota: as matinês, a batalha de confetes, eu tinha de ir.



Como naquela época eu não tinha muita aproximidade física, afetiva, com minha mãe verdadeira e estava muita revoltada por causa da ida pro colégio interno, apesar dos esforços dela para fazer algo por mim, quase não conversavámos. Sabia muito pouco sobre ela, somente que trabalhava demais como empregada doméstica. Um dia, mexendo em seus documentos, li que seu nome era Maria Rosa!? Aí eu, muito infantil, quando escutei a música, marchinha de carnaval do Adoniran Barbosa, “Vila Esperança” – “Foi lá que conheci Maria Rosa, meu primeiro amor/Primeira Rosa, primeira esperança, primeiro carnaval, primeiro amor, criança”.



Criança!? Pensei: sou eu!! Pensei comigo: “Desvendei a segredo da minha mãe!” Que ilusão de mente fértil! Só dando risada mesmo. Mas a Esperança, o carnaval, ainda moram bem profundamente nesta velha criança. Por outro lado, até hoje não consigo cantar essa música inteira até o fim sem conter o choro. Nos últimos anos de vida da minha mãe, conseguimos restaurar muita coisa, principalmente a compreensão.

Avalanche Tricolor: Desculpa, Vítor!

G.Prudente 2 x 0 Grêmio
Brasileiro – Presidente Prudente

 

Mal havia começado o segundo tempo. O time ainda tinha no ouvido a bronca que o Silas declarou ter dado no vestiário. A bola era do Grêmio e foi parar nos pés do adversário, de graça – como dizem os locutores de futebol. Sem recurso, o zagueiro fez o pênalti. E o juiz assinalou.

A desvantagem iria se ampliar ainda mais. Mas Vítor estava no gol. Braços abertos, cara séria como sempre, se agigantou. A cobrança foi forte, meia altura, para o lado esquerdo do cobrador. Nosso goleiro se esticou todo para o seu lado direito. E deixou mais uma vez sua marca. Defesa de Vítor !

Antes, Vítor já havia impedido um chute forte no meio da goleira em que o atacante apareceu livre diante da área. Havia espalmado uma bola de outro atacante que estava livre dentro da área. Havia feito várias defesas impedindo gols que a torcida adversária comemorava. Havia jogado como o torcedor gremista exige e gosta.

Se ao fim do jogo, o zagueiro Rodrigo disse que “tem de tomar uma atitude logo, antes que a gente não consiga mais sair de onde estamos nos enfiando” que esta atitude seja adotada a partir do que nosso goleiro tem demonstrado em campo.

Vítor não é capitão do Grêmio por acaso. Além de ser o melhor jogador no momento, é o exemplo a ser seguido para uma retomada neste Campeonato Brasileiro que apenas se inicia. Ele é líder, sério, guerreiro e talentoso. Reúne todas as características que se espera de um jogador que receba o privilégio de vestir a camisa do Imortal Tricolor.

Aqueles que não têm conseguido ser nem uma coisa nem outra, ao menos tenham a vergonha na cara de pedir desculpas a Vítor pelo que estão fazendo com ele. E com a torcida, também.

De simplesmente existir

 

Por Maria Lucia Solla

na contramão deste mundo
eu quero alegria
e quero daquela infantil
declarada
sem medo do gargalhar
alegria do tipo que teme
pouco
ou nada

alegria
sem tempo de esconder
à luz do mundo
as rugas
da idade da saudade

quero romper a barreira do som
com meu riso atrevido
que revela
intensidade
e beleza
de tudo o que tenho vivido

quero gritar
na fronha escandalizada
espreguiçar
mesmo que amanhã
me ponha
de novo
a chorar

quero chorar
sim
e quero chorar de rir
ou rir
depois de chorar
mas sem precisar
entender
se estou a chorar
a rir
atriz
a fingir

quero querer
sem questionar
se realmente quero
o que penso querer

quero viver
sem o limite
dos corpos
quero ser
um
só
com você

quero negar a dor
abraçar o amor
posicionar o medo
no seu devido lugar
quero viver a vida
no real
de mãos dadas com o sonho
e ser
simplesmente
existir!

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, simplesmente (nem sempre) escreve no Blog do Mílton Jung.

A consciência do mundo através do jeans

 

Por Dora Estevam

mama jeans daddy jeans sissy jeans baby jeans

Se existe uma peça que não depende de estilista famoso para vender é o jeans. Uma exceção no mundo da moda. Usado por todas as classes sociais, todas as raças, idades e sexo, está sempre presente nos guarda-roupas.

Depois da recessão dos anos 1970, anti-moda era a palavra-chave. Com isso, tudo o que era simples e barato e não lembrava nem de longe a alta costura fazia efeito. Época em que os não-conformistas já optavam pelo jeans,

Em 1971, Levi Strauss – quem havia criado o jeans mais de um século antes – recebeu o prêmio Coty Award da indústria da moda americana. Merecido. Para onde quer que se olhasse havia alguém com a calça. Homens, mulheres, gays, pobres, ricos. Ninguém escapava.

Quem diria que o modelão feito para mineradores alcançasse tanto sucesso. Deles para os cowboys, a escalada de usuários chegou em Hollywood. E os astros Marlon Brando, James Dean e Montgomery Clift usaram e abusaram dos blues.

Joplin Dean

Após a Segunda Guerra Mundial, os soldados americanos desfilavam com umas calças estranhas e despojadas pelas ruas. Chamaram a atenção dos europeus que passaram a se interessar pela calça rústica e despretensiosa.

Romper o velho tabu, estar engajado em algum movimento estudantil e usar jeans significavam a mesma filosofia: refutar a velha imagem do passado.

Se até hoje dá vontade de chegar em casa correndo, tirar a roupa de trabalho e vestir um jeans, imagine quando havia uma filosofia a justificar a roupa.

Os tingimentos vieram a partir do anos 1980. A boa cotação dos “stonados” registrou caixas altos e as demandas por estilistas aumentou e se tornou internacionalmente grifado. Daí surgiram as peças mais sofisticadas e com qualidade atendendo público mais exigente.

Jeans Hoje

Eu mesma tenho várias calças jeans. Shorts e camisa, também. Uso com tudo, especialmente com camisas, camisetas e blazers ou jaquetas. Adoro mesmo. Às vezes, me pego usando todos os dias. E houve uma época em que não tinha uma só no meu acervo. Eram os anos de 1990. Não gostava. Não achava chique. Depois que comprei a primeira, indicada por uma amiga, não parei mais. Viraram amigas insparáveis, as calças.

Há quem se recorde das velhas calças com boca de sino, tipo Janis Joplin, em outros a imagem que ficou marcada foi a do ator James Dean, juventude rebelde dos anos 1950, ou as rasgadas dos punks.

Em constante renovação, mas sem perder a praticidade, o jeans continua sendo usado por muitos e muitos cidadãos. Os preços variam de acordo com a marca, e sempre há modelo compatível com o bolso de cada um. Fenômeno de massa, dificilmente a invenção americana será substituída. Ainda não apareceu ninguém para inventar algo melhor.

E você, caro leitor, cara leitora, tem alguma história legal para contar sobre o seu primeiro jeans?

Dora Estevam é jornalista e vestia jeans quando escreveu este artigo para o Blog do Mílton Jung

N.B: A foto que abre este artigo é do álbum de Aphasiafilms/Flickr; Janis Joplim e James Dean aparecem em imagens de arquivo; e os dois modelos são de editorial da The Artorialist