Avalanche Tricolor: Uma noite perdida

 

Grêmio 1 x 1 Vasco
Brasileiro – Olímpico

Gremio e Vasco embaixo da água

Havia chovido quatro horas seguidas antes de a partida se iniciar, em Porto Alegre. A previsão era, inclusive, de granizo. Mas o árbitro Héber Roberto Lopes entendeu que havia condições de se jogar futebol.

Choveu durante todos os 45 primeiros minutos. E com vento forte a atrapalhar. Isto não foi suficiente para ele cancelar o jogo. Talvez tenha se iludido com o fato de as duas equipes terem conseguido marcar gols logo no início (quando a condição do gramado era apenas precária).

As equipes retornaram para o segundo tempo embaixo d’água, e sofreram até o fim com um aguaceiro que apenas aumentava a cada minuto. Nada, porém, convenceu o árbitro de impedir a continuidade da partida. A chuva era tal que ele foi incapaz de enxergar um pênalti no minuto final que favoreceria o time da casa – se é que não viu.

Muitos dos poucos torcedores que foram ao estádio, na noite desta quarta-feira, vaiaram o técnico Silas e a diretoria gremista assim que o jogo se encerrou, descontentes com a campanha do Tricolor (imagino que ninguém esteja feliz).

Deveriam, no entanto, ter se indignado com o principal personagem deste triste espetáculo aquático encenado no Olímpico. Faltou responsabilidade ao árbitro Hérber Roberto Lopes que desrespeitou o público e expôs atletas profissionais a um risco desnecessário.

A lamentar, ainda, o fato de que no intervalo e fim do jogo não houve nenhuma declaração dos jogadores contra a autoridade que permitiu a realização deste evento. Deveriam ter tido a coragem de pedir o cancelamento da partida por total falta de condições para a prática esportiva.

Esperar, porém, que jogadores de futebol se unam em defesa de seus direitos talvez seja um pouco demais, já sinalizaram em várias oportunidades de que são incapazes de se articular sem que estejam sob a tutela de seus empresários.

É uma pena. Desperdiçou-se uma noite de futebol, no estádio Olímpico.

Goldman insiste no Morumbi, mas nada está decidido

 

Ainda não decidimos. Este foi o resumo do recado de pouco mais de cinco minutos passado aos jornalistas ao fim do encontro que discutiu a participação de São Paulo na Copa do Mundo de 2014, no Palácio dos Bandeirantes, no meio do dia. Alberto Goldman, governador, Gilberto Kassab, prefeito, e Ricardo Teixeira, presidente da CBF, conversaram sobre as alternativas para que a capital seja palco da partida de abertura do Mundial.

Na reunião, Goldman insistiu na ideia de que o estádio do Morumbi, reformado, é a primeira opção para que a cidade de São Paulo seja sede do Mundial. Em entrevista ao CBN SP, antes do encontro, ele comentou que a CBF e a Fifa poderiam abrir mão de algumas exigências e permitir que o local sirva para a realização do jogo inaugural. A construção do Piritubão, que já foi opção para o prefeito Gilberto Kassab, foi descartada. Goldman reforçou, também, a ideia de que dinheiro público é apenas para obras de infraestrutura, jamais para estádios.

Ouça a entrevista de Alberto Goldman antes da reunião com o presidente da CBF. Ricardo Teixeira

Hoteleiros defendem dinheiro público em estádio

Os empresários do setor de hotéis em São Paulo foram taxativos ao defender o uso de dinheiro público na construção de estádio caso haja algum risco de a cidade perder o jogo de abertura da Copa do Mundo de 2014. Na entrevista desta manhã, ao CBN SP, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, em São Paulo, Maurício Bernardino, explicou que a oportunidade não pode ser desperdiçada pois o retorno econômico com a presença de profissionais e turistas na cidade compensaria os gastos.

Outros destaques da pauta #CBNSP:

Com biblioteca – Após três anos de reformas, a biblioteca Mário de Andrade foi reaberta, parcialmente, na cidade de São Paulo. Acompanhe a reportagem de Juliano Dip que visitou o local.

Sem buraqueira – É possível fazer obras no subsolo da cidade sem deixar cicratizes, mas para isso é preciso investir em tecnologia. É o que defende o presidente da Associação Brasileira de Tecnologia Não Destrutiva, Paulo Dequech. Ele explicou ao CBN SP que estas técnicas já são usadas pela Sabesp e Comgás, por exemplo, em São Paulo. Desta maneira, as intervenções nas ruas e avenidas podem ser feitas sem a necessidade de se abrir enormes crateras para a troca e implantação de equipamento.

Daqui a pouco, ouça a entrevista de Paulo Dequech que fala, também, sobre a má-qualidade dos reparos feitos no calçamento após a realização de obras.

Época SP na CBN – Maria Alcina e a banda de um homem só são destaques na agenda cultural de São Paulo. Ouça as dicas de Rodrigo Pereira, no CBN SP

TT: Tira Teixeira

 

Por Carlos Magno Gibrail

Copa 2014Tira Teixeira é a campanha recém lançada para a saída de Ricardo Teixeira da CBF e pela transparência na COPA 2014, encabeçada por Eduardo Rocha Azevedo, um dos fundadores da BM&F.

Pelas condições de manutenção de poder das entidades do futebol, FIFA, CBF, e demais, talvez demore um pouco a saída da CBF. Entretanto não há motivo para desânimo, pois um processo vigoroso de oposição popular e de lideranças políticas, esportivas, empresariais e dos meios de comunicação começa a tomar corpo pelo controle dos gastos públicos a serem realizados para a Copa 2014. Principalmente em São Paulo, a primeira vítima dos ataques do secretário geral da FIFA, Gêrome Valcker.

E é de São Paulo que virá a resposta sugerida ano passado por Juca Kfouri ao então governador José Serra, através de seu sucessor Alberto Goldman para o presidente da CBF e do COL (Comitê Organizador Local): “São Paulo abre mão da abertura da Copa caso o Morumbi permaneça vetado pela CBF”.

É o que o jornalista Juca Kfouri relatou domingo na Folha e no seu blog no UOL.

Goldman difere de Serra e segue o mesmo padrão da Premier da Alemanha, Angela Merkel, que se impôs à FIFA ao manter o Estádio Olímpico de Berlim para a final sem alterações exigidas na fachada com colunas e preservando os “pontos cegos” apontados pela equipe de Blatter.

O que a FIFA não conseguiu na Alemanha, que investiu apenas U$ 2 bilhões em estádios, dos quais apenas 1/3 do governo, veio alcançar na África do Sul. Ganhou U$ 3,2 bilhões e deixou à África uma conta de U$ 1,1 bilhão de dólares para pagar. Prejuízo que nem os mais de 100 participantes do COL africano puderam evitar. Ganharam nota 9 de Blatter, que tinha dado 8 para a Alemanha, mas pelo apetite demonstrado pelo secretário geral, espera um 10 do Brasil.

E não devem faltar argumentos, pois pela composição do COL brasileiro há chances. Teixeira acumula o cargo de presidente, a sua filha Joana Havelange é a secretária executiva, o advogado de Daniel Dantas, Francisco Mussnich é o diretor jurídico, o assessor de imprensa da CBF, Rodrigo Paiva ocupa a mesma função no COL, o administrador do patrimônio pessoal de Teixeira, Carlos Langoni faz parte da diretoria financeira do COL.

O que Blatter, Valcker e Teixeira não consideraram é aquilo que Lula começou a perceber e que Alberto Goldman será o porta-voz. São Paulo, embora tardiamente, não se curvará, assim como a Alemanha e a França, no episódio com a entidade francesa de futebol, não se submeteram às exigências da FIFA.

Sobre o tema sugiro os artigos nos blogs:

Juca Kfouri – Em Clima de Paz


Victor Birner – Da Carta Capital e quem vigia Teixeira

Conte Sua História de SP: ‘Perigos’ da cidade

 

Mario Messaggi Junior nasceu no Rio de Janeiro em 1962, mas passou a infância em São Paulo. Na cidade, ele precisava ficar distante dos grandes perigos da cidade: um carro que poderia aparecer e os ventanistas. Ele falou sobre todos esses perigos ao Conte Sua História de São Paulo em texto enviado pela internet ao Museu da Pessoa. em janeiro de 2010:
 

Ouça a história de Mário Messaggi Júnior sonorizada por Cláudio Antonio

Nasci no Rio de Janeiro e vim para São Paulo com quatro anos de idade, em 1966. Guardo flashes da viagem de trem do Rio a São Paulo. Chegamos à noite, chovia, o tamanho do trem me impressionou.

Fomos morar no bairro de Vila Mariana, numa casa térrea bem mal cuidada pelos antigos inquilinos, na Rua Sabóia de Medeiros. Depois da escola, o almoço, a lição de casa e a ordem de minha mãe: “Vá brincar lá fora, nada de ficar grudado na TV”. Imagino que as mães dos outros meninos diziam o mesmo, porque a rua se transformava num enorme parque de diversões, com carrinhos de rolemã descendo a Joaquim Libânio, bicicletas de todas as cores, velotróis fazendo ratatá, guerra de mamona e futebol na ladeira. O gol era demarcado por camisetas, pedras ou latas.

Os pais achavam perigoso brincar com carrinhos de rolemã, porque sempre podia aparecer um carro. Isso mesmo, podia: as ruas em volta de minha casa eram movimentadas, mas mesmo assim os carros ainda não as dominavam, dava tempo de avisar os amigos. “Olha lá um carro!”

O fluxo era de um carro a cada meia hora. As histórias de crianças que entravam por debaixo de caminhões com seus rolemãs eram contadas sempre pelos pais, com uma entonação dramática, como um aviso sinistro. Nem eu e nem meus amigos presenciamos algo assim.

As oficinas mecânicas estavam acostumadas com moleques que iam pedir rolemãs velhos para montar seus carrinhos, que ganhavam pedaços de pneu como freio, ripa de madeira pregada atrás do assento, fazendo o encosto, e pinturas coloridas das mais variadas. Muitos moleques queriam ser chofer de caminhão quando crescessem, talvez por essa razão os rolemãs tivessem frases escritas com tinta a óleo.

Outra preocupação dos pais eram os “ventanistas”, ladrões que entravam nas casas e roubavam roupas do varal. As pessoas achavam o cúmulo alguém roubar roupas no varal, era um absurdo, um escândalo. Para evitar os ventanistas, bastava fechar a porta, nem era preciso trancar. Eles não ousavam abrir. Bons ladrões!

Cinco e meia, seis da tarde, a criançada voltava para casa em bando, para tomar banho, jantar, assistir uma hora de TV e ir para a cama.

Você também pode participar do Conte Sua História de São Paulo, enviando seu texto ou gravando seu depoimento no Museu da Pessoa. Agende uma entrevista pelo telefone 2144-7150.

Hotéis temem perder dinheiro sem Copa em SP

 

Os empresários do setor de hotéis em São Paulo estão preocupados com a possibilidade de a cidade ficar fora da Copa do Mundo 2014 ou perder a oportunidade de sediar o jogo de abertura do Mundial. De olho no dinheiro que o segmento poderia arrecadar, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado de São Paulo, Maurício Bernardino, alertou que para a partida inaugural se prevê a presença de cerca de 20 mil pessoas entre jornalistas estrangeiros, delegações esportivas e dirigentes convidados da Fifa, sem contar os torcedores que se fariam presentes.

“É preciso informar os desavisados sobre o dinheiro que será deixado aqui pelo turista. Imaginem sete diárias de hotel para 500 mil pessoas, público estimado do evento”, disse Bernardino, logo após encontro da Câmara Temática da Copa 2014, realizada nesta terça-feira, na capital.

Ele criticou quem estimula o cidadão a pensar que a construção de um estádio desviaria recursos das áreas de saúde, habitação e educação: “se a população continuar a pensar apenas este lado da questão, perderá a verdadeira noção que o legado de uma Copa do Mundo ou grande evento pode trazer para uma cidade”.

Para o empresário e representante da indústria de hotéis, “é inconcebível pensar em uma Copa do Mundo no País sem considerar a cidade como uma das sedes”. Cita, por exemplo, o fato de que São Paulo tem cerca de 45 mil quartos para hospedagem, uma quantidade enorme de restaurantes, bares, casas de espetáculos e outros equipamentos para atender turistas. Acrescenta à lista, 18 roteiros “interessantes” que estariam a uma distância de até 100km da cidade.


“Só posso dizer que sem hotéis não há turismo e sem São Paulo a Copa é impossível”, conclui.

“Seguradoras estão mal informadas”, diz gerente do Rodoanel

 

A polêmica sobre o roubo de cargas no trecho sul do Rodoanel Mário Covas, em São Paulo, levou a Dersa atacar as operadoras de seguro que se negam a permitir que caminhões de carga utilizem o acesso para o litoral paulista. O gerente de operações Paschoal Vargas Sobrinho disse que as seguradoras estão mal informadas, e não entende a restrição imposta, pois não teria havido nenhum roubo desde o início das operações, em 1º de abril.

Apesar de confirmar a existência de pontos em que não há sinal de telefonia celular, o que dificulta o monitoramento dos caminhões de carga, Paschoal Sobrinho diz que o trecho sul do Rodoanel é bastante seguro em função das característica da rodovia. “Não existem rotas de fuga”, explicou o gerente.

Quando a crítica de que os caminhões estariam preferindo seguir por dentro de São Paulo em lugar de usar o trecho sul do Rodoanel, Paschoal Sobrinho disse que também não se confirma. Atualmente, 70 mil veículos passariam por dia pela rodovia, aumento de 5% em relação há três meses.

Seguros ‘proíbem’ caminhões de andar no Rodoanel Sul

Para saber o que dizem as operadoras de seguro e os transportadores de carga, acesse os links a seguir:

Sem números, seguradoras insistem em restrição ao Rodoanel

São Paulo é refém dos perueiros

 

A prorrogação dos contratos dos 6 mil perueiros até 2013, decidida pelo prefeito Gilberto Kassab, demonstra que a cidade ainda é refém das cooperativas que transportam mais de meio milhão de passageiros, por mês. Toda vez que a administração municipal pensa em reorganizar o sistema de transporte coletivo é pressionada por grupos que exploram, econômica e politicamente, os proprietários de vans.

A nova licitação que deveria ser realizada neste ano mudaria parte da estrutura de transporte de passageiros seja por ônibus seja por vans. Atualmente, linhas se sobrepõem, há excessos de veículos atendendo alguns corredores e carência em outras regiões. Empresas de ônibus e cooperativas não rodam em parceria, são adversários a disputar o mesmo segmento, na maioria das vezes de forma predatória que prejudica diretamente o passageiro.

Haveria necessidade, por exemplo, de se tirar as vans dos corredores e faixas exclusivas de ônibus e colocá-las a trabalhar como alimentadoras deste sistema, além de restringir o acesso às regiões mais centrais. Isto, porém, mexeria com o faturamento das cooperativas que exploram os cooperados/motoristas.

O doutor em Planejamento de Transportes e Logística pela Universidade de Illinois Paulo Resende disse, em entrevista ao CBN São Paulo, que as cooperativas faturam com a indisciplina que impera no setor. Ele reclamou que a cidade não tem uma gestão integrada de transporte nem plano de mobilidade estabelecido.

Ouça a entrevista com o professor Paulo Resende, ao CBN SP

O CBN São Paulo tentou conversar com o novo secretário municipal dos Transportes Marcelo Cardinale mas a assessoria dele disse que “não tinha agenda” para a entrevista. Cardinale assumiu recentemente a pasta em substituição a Alexandre de Moraes, que era citado como supersecretário de Kassab, pois acumulava vários cargos na administração municipal, e teria sido demitido porque insistiu na ideia de abrir a licitação para a contratação de perueiros.

O jornal o Estado de São Paulo trouxe boas reportagens sobre o tema na sua edição de hoje que ajudam a entender a dificuldade do prefeito Gilberto Kassab em enfrentar o segmento.

Clique no link a seguir para ler um desses textos

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Cidade Limpa não vale para candidatos

 

Acostumado que está com o combate à poluição visual, o paulistano vai levar um susto assim que a campanha eleitoral esquentar. A lei Cidade Limpa não vale para os candidatos que podem, desde 6 de julho, pintar muros, pendurar faixas e banner, colocar cartazes e espalhar cavaletes por todos os lugares – ou quase todos.

Por fazer parte de lei federal, as regras que restringem a propaganda eleitoral se sobrepõem as que estão em vigor na capital paulista e tiraram das ruas boa parte da publicidade externa. A explicação é da assessora de comunicação Eliana Passarelli, do TRE-SP, em entrevista ao CBN SP.

A propaganda eleitoral pode, mas com restrições. Cartaz e banner não deve ter mais de 4m² e somente podem ser expostos em propriedade particular. O mesmo ocorre com pinturas em muros que são proibidas em área pública.
Não estaremos livres, porém, daqueles cavaletes com cartazes que ficam nas esquinas e praças, pois este tipo de propaganda é considerada móvel e está autorizada desde que permaneça no local apenas entre às 8 da manhã e às 10 da noite.

Ouça a entrevista com Eliana Passarelli, do TRE-SP.

Existem formas de coibir os abusos, denunciando no site do Tribunal Regional Eleitoral, em São Paulo, ou em qualquer outro Estado, pois as regras são nacionais. Além disso, o Ministério Público Federal também mantém um site para receber as denúncias de irregularidades. Veja outros canais na coluna No Ar, na coluna à direita, do Blog.

E lembre-se que se a Lei Cidade Limpa não vale para candidatos, vale, e muito, para os seus eleitores. Portanto …

Para conhecer o que está proibido na campanha de rua e o que está autorizado, acesse o link a seguir:

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“Em lugar de estádio, zerar creches”, diz Nossa São Paulo

 

O paulistano está consciente de que a cidade não pode entrar em uma aventura para sediar jogos e abertura da Copa 2014. A opinião é do coordenador geral do Movimento Nossa São Paulo, empresário Oded Grajew, que considera este comportamento um avanço importante da sociedade. Ele lembra que fosse há alguns anos estaríamos defendendo o Mundial a qualquer custo.

Para realizar quatro ou cinco jogos que se faça no Morumbi reformado, comentou. Sugere que em lugar de se colocar dinheiro público na construção de estádios, a prefeitura invista, por exemplo, nas metas com as quais se comprometeu através da criação da Agenda 2012.

“Em lugar de estádio, melhor zerar creches”, citou ao lembrar a promessa da prefeitura de atender 100% das crianças de até 3 anos cadastradas para vagas em creches municipais, até o fim da atual administração. Estariam faltando 40 mil vagas ainda.

Quanto aos investimentos que a capital paulista poderia obter em função da Copa, Oded Grajew entende que a cidade não teria prejuízos. Para ele, o dinheiro a ser aplicado em obras de infra-estrutura terá de vir independentemente dos eventos que São Paulo sediar. Ampliação de aeroportos, sistema de transporte melhor, crescimento dos serviços de saneamento e extensão das redes de comunicação são fundamentais para o desenvolvimento da cidade.

Conte Sua História de SP: Saudades de Santo Amaro

 

Agenor Borba Junior nasceu em 1939 no bairro de Santo Amaro, em São Paulo. Em texto enviado para o Conte Sua História de São Paulo, através do Museu da Pessoa, em março de 2010, ele fala de momentos inesquecíveis da vida passada no bairro.

Ouça a história de Agenor Borba Junior sonorizada por Cláudio Antônio

Eu, Agenor Borba Junior, conhecido por todos como Nonô, gostaria de contar algumas passagens da minha infância em Santo Amaro, lugar onde nasci, em 1939.
Tinha eu mais ou menos 7 anos de idade, meus pais me levavam para ver a festa do Divino, no Largo 13 de Maio. Era uma festa muito bonita, com muitas barracas e muita gente que vinha dos povoados vizinhos.

No mês de junho tinha muitas festas nas casas, erguiam o mastro em homenagem a Santo Antônio, São João e São Pedro, tinha fogueira, soltavam balões e muitos fogos, era muito alegre. Cheguei até ver carros de boi trazendo lenha para o meu vizinho.

Estudei no grupo escolar Paulo Eiró, onde fiz até o 4º ano do primário. Aos 12 anos de idade já comecei a ter meus amigos, como dizia antigamente “minha turma”.

E que turma! Na rua Anchieta, esquina com a rua Santo Antônio, onde eu nasci, tinha muitas árvores dos dois lados da rua. Nós subíamos nas árvores esperando a boiada passar e, quando estava no meio da boiada, com um galho da árvore nós espantávamos os bois, até que um ou dois bois se assustavam e saíam correndo pelas ruas. O boiadeiro ia logo atrás do boi fujão, laçava e amarrava as patas até que um caminhão viesse buscar, às vezes, no dia seguinte.

Aí era a parte mais gostosa da brincadeira: passando algumas horas, lá estávamos nós para desatar as amarras das patas do boi, ele levantava e saía correndo pelas ruas, chegava até o Largo 13 de Maio assustando a todos. Era a farra do boi.

Na avenida João Dias, próximo ao Mercado Velho, existia uma chácara de verduras, onde entrei correndo para pegar um balão que estava caindo. Estava olhando para cima quando caí num poço com água, me molhando todo, levando um baita susto.

Em Santo Amaro tinha dois cinemas: São Francisco e Cine Mar. Todos os domingos nós íamos assistir a matinê. Quando terminava o filme, eu e meus amigos íamos para a Rua Direita passear e ver a banda de música tocar no coreto do jardim. Esse era o nosso domingo…

Na avenida João Dias morava o famoso escultor e escritor Julio Guerra, que na época estava fazendo no quintal de sua casa a estátua do Borba Gato.
Por eu ser de uma família tradicional de Santo Amaro e o Julio Guerra ser muito amigo de meus pais, ele me deu um quadro do Mercado Velho de Santo Amaro pintado por ele em 1928, que guardo com muito carinho.

O bonde que vinha da Praça João Mendes até o Largo do Socorro era nossa diversão. Na porta de trás do bonde ficava uma pessoa para abrir e fechar a porta, quando essa pessoa faltava, era eu que estava lá, abrindo e fechando a porta. Às vezes, antes de o bonde parar, eu abria a porta, o bonde dava um tranco e um estouro. Levava uma bronca do motorneiro.

Todos os anos saíam de Santo Amaro duas romarias a Pirapora, com muitos cavaleiros, charretes e ônibus. Uma era do Cinerino, que tinha um armazém. Na calçada, havia uma argola no chão para amarrar os cavalos dos donos que vinham fazer compras.
A outra romaria era do Vereador José Oliveira de Almeida Diniz, conhecido na época como Zé da Farmácia, pai do Zezito, grande amigo meu. Nós íamos amansar os cavalos que vinham das olarias para levar na romaria, isso era no Varjão onde hoje é a Marginal do Rio Pinheiros.

Dos 13 aos 14 anos formamos um time de futebol num pequeno campinho da rua Anchieta, e demos o nome de Anchieta. Tinha bons jogadores, mas quem se destacava mais eram Irineu, Maloquinha e o Rivelino, que na época começou a jogar no Banespa Futebol de Salão.

Saí com eles várias vezes, no carro do Rivelino, um fusquinha, para ver o “Palmeirinha” jogar, um grande time na época, onde jogavam bons jogadores, inclusive José Maria Marim, que foi Governador de São Paulo.

Você também pode participar do Conte Sua História de São Paulo, enviando seu texto ou gravando seu depoimento no Museu da Pessoa. Agende uma entrevista pelo telefone 2144-7150.