Pré-sal e pós-ética

 

Por Carlos Magno Gibrail

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Enquanto a British Petroleum, maior do mundo em petróleo, não consegue estancar o desastre ecológico no pré-sal do Golfo do México, acarretando insuperável prejuízo ao meio-ambiente americano, Pedro Simon, sucedendo ao conterrâneo e colega de PMDB-RS Ibsen Pinheiro, surge na madrugada de Brasília para brecar os ganhos de Estados produtores de petróleo, gerando contundentes prejuízos ao Rio e Espírito Santo. Mirando lucros eleitoreiros locais a si e a seus pares. Burlando a ética e a Constituição e renegando o próprio passado.

A emenda de Simon, aprovada pelo Senado propõe a divisão igualitária dos royalties entre os 26 estados da federação, desconsiderando a região onde se extrai a matéria-prima. Para compensar os estados de origem transfere à União o ônus regulador do ressarcimento.

Fere o artigo 20 da Constituição que estabelece a compensação ao estado fornecedor e desafia a ordem jurídica, pois entra em contratos já estabelecidos e os desconsidera.

Se o presidente Lula vetar terá 24 governadores e respectivos prefeitos contra, se não vetar terá a aprovação destes, mas violará a Constituição.

A jornalista Lucia Hippolito, conforme pauta na CBN de sexta feira, considera que Pedro Simon “está bancando Tiradentes com a nossa cabeça” e crítica severamente o Governo Lula que colhe a tempestade que iniciou quando enviou ainda nesta legislatura ao Congresso tema tão complexo e cheio de alternativas, aos aproveitadores e oportunistas em véspera de eleições.

O jornalista e escritor Ruy Castro também pensa nessa linha, e em sua coluna na Folha de segunda-feira, ao referir-se à “casca de banana” que Simon quis jogar para Lula, advertiu: “Com essa jogada, Simon iguala-se em marotice e oportunismo aos políticos que já atacou e, com isso, despede-se dos que um dia o admiraram”.

Para que ícones como Pedro Simon não desfaleçam na saída, há que se criar um mecanismo de controle no sistema político, que venha a coibir votações e atos públicos que envolvam gastos e investimentos a serem executados na legislatura seguinte, em véspera de eleições.

Se for a “oportunidade que faz o ladrão”, por que não a “oportunidade que faz o cidadão”?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung

Um exército de abnegados com algum talento

 

Direto da Cidade do Cabo

Chegou veloz, convicto, certo de sua tarefa naquele momento. Maicon sabia qual era seu papel quando recebeu a confiança de Dunga para jogar na ala direita e a bola passada por Elano. Da mesma maneira, não teve dúvida de como chutar, de que lado da jabulani bater. E bateu de maneira que a bola mudasse de direção, escrevesse um roteiro diferente daquele programado pelo adversário.

Robinho havia tentado no primeiro tempo o mesmo através de seus dribles. No pouco espaço que havia no campo de ataque, onde estiveram 21 dos jogadores em boa parte do tempo, ele mostrou o que pode torná-lo um jogador diferente entre os “zés” e “manés” que representam suas seleções nesta Copa. Foi ele, por sinal, que encontrou Elano lá do lado direito, também, por trás da muralha montada pelos norte-coreanos, no segundo gol brasileiro.

Mesmo Kaká, limitado não pela qualidade, mas pelo físico, fez o que podia dado os problemas que enfrentou até agora. Chamou a marcação para ele, tentou se movimentar enquanto não estava com a bola nos pés, e ofereceu espaço para que os companheiros de equipe aparecessem.

Os lances na televisão não vão mostrá-lo na jogada, mas o sempre criticado, Felipe Melo, disse em campo porque recebeu a missão de ser uma dos volantes da seleção. Para que Maicon alcançasse sua glória pessoal – marcar gol em Copa é algo que fica gravado para o resto da vida -, precisou que Felipe desse início a jogada. Para Elano deixar sua marca, precisou que Felipe roubasse a bola lá trás, pegando os “armados” norte-coreanos de surpresa. Aliás, para que o Brasil levasse um gol, precisaram os coreanos que Felipe deixasse o gramado.

Goste ou não, assim é a seleção brasileira de Dunga, formada por jogadores que foram preparados para cumprir sua função, fiéis ao script desenhado pelo chefe durante todo o período de treinamento e sempre dispostos a oferecer um pouco mais do que o talento natural que receberam.

Comprometidos, sim. Abnegados, com certeza. E prontos para encarar todos os adversários que estiverem no caminho de seu compromisso maior: ser hexacampeão mundial. Podem até não alcançar esta marca, mas não tenha dúvida de que Dunga e companhia limitada vão derramar suar até o segundo final desta Copa.

E vão derramar lágrimas, também, como fez Maicon ao comemorar seu gol. Que seja sempre de alegria.

Futebol em um estádio da Copa

 

Direto da Cidade do Cabo

Green Point

Coisa rara quando estou no Brasil é assistir ao futebol em estádio. Houve época em que não saía de dentro de um, hoje tento ficar o mais distante possível. Aqui na Copa, porém, é inevitável o desejo de conhecer ao menos um desses gigantes construídos para os jogos.

Em Cidade do Cabo, a atração é o Green Point, construído no lado mais rico, próximo do mar, com vista para a Table Montain e a 15 minutos a pé de Victoria & Alfred Waterfront, onde se encontram turistas e compras.

Com ingresso em mãos e a oportunidade de ver a campeã do mundo na estreia, o frio e a chuva não seriam barreira para a caminhada do hotel até o estádio. Pelo movimento nas calçadas, muita gente aderiu ao “até a pé nos iremos”, talvez convencidos de que o carro não é a melhor alternativa.

A quantidade de policiais era enorme, reflexo do protesto dos trabalhadores revoltados com os baixos salários que estão sendo pagos. Os agentes privados de segurança fizeram greve no dia da partida, mas pouca coisa mudou no atendimento ao torcedor – há muitos voluntários atuando, também. Foi um deles que me indicou o caminho para a primeira linha de controle, um portão estreito no qual a sacola e você são rapidamente revistados.

Para chegar ao assento número 49, fila 5, no quarto andar, contei com a ajuda de outro voluntário. E não é que meu lugar estava lá, reservado, apesar de ter chegado 20 minutos antes do jogo se iniciar? E que belo lugar. A concepção de Arena multiuso, sonho recente de todos os clubes brasileiros, fica evidente quando você olha o gramado. Tudo parece muito próximo, apesar da distância, beneficiado que somos pela iluminação.

Vuvuzela é muito chato

O Green Point é visivelmente italiano dada a êxtase que toma conta do estádio durante a execução do hino. Os paraguaios, apesar de estarem em minoria, tentavam ganhar espaço no grito, mas, infelizmente, o efeito vuvuzela acabou com a cantoria nos estádios. As músicas que embalaram os jogos de copas anteriores desaparecem com o irritante som das cornetas que só silenciaram quando o locutor oficial pediu respeito durante o hino.

O sistema de som anima a torcida quando anuncia a escalação dos times, e tudo é acompanhado em dois telões com a imagem do jogador. Estes telões reproduzem as imagens que você vê na televisão, mas com censura. Os lances polêmicos são tirados do ar e o cronômetro desaparece assim que se aproxima o fim do jogo. Tudo para evitar pressão sobre o árbitro.

O gol do Paraguai foi reproduzido várias vezes, uma baita vantagem pra quem acostumado a ficar em frente a TV sempre sentiu falta do replay no estádio. E um comentário bem-humorado de um neófito em Copa do Mundo como eu: “Meu primeiro gol de Copa é paraguaio!”

Congestionou o banheiro do estádio

No intervalo, a prova dos nove. E o desafio da fila. Escolha a pior: no bar, enorme como em qualquer estádio brasileiro; no banheiro, impossível de entrar. Incrível como uma arena para 66 mil pessoas tenha banheiros tão mal situados e de difícil acesso. Foi preciso descer dois andares para ainda assim não conseguir chegar até lá. Deixa pro fim do jogo, porque a bola já estava rolando, novamente.

A chuva me acompanhou boa parte da partida com a vantagem de todos os lugares serem cobertos – ou quase todos. O problema foi o vento forte que fez respingar mesmo nos torcedores mais bem protegidos. Nada que estragasse o clima de Copa.

A Itália empatou e o estádio veio abaixo, confirmando minha primeira impressão. A casa era italiana. Aliás, como é saudável ver que os torcedores podem dividir espaço apesar de serem rivais. Enquanto um festeja, o outro respeita. Como deve ser no mundo civilizado.

Com o fim da partida, a primeira constatação: os jogos apresentados até aqui não estão a altura da beleza do estádio. E aproveito para anotar mais um item na coluna dos problemas, ao lado do atendimento no bar e no banheiro: rota de fuga. Para deixar o quarto andar, havia necessidade de passar por uma pequena porta e descer alguns lances de escada. Simples em uma situação normal como a de ontem, apesar do grande número de torcedores. Perigoso em um momento de crise e confusão.

Torcedores seguem para o estádio

Passada esta barreira, o estádio esvazia rapidamente e o deslocamento externo também é fácil, se você não estiver de carro. Os motoristas tiveram de esperar pacientemente a passagem de boa parte da torcida.

Um brasileiro, acostumado a assistir aos jogos do São Paulo, com quem conversei ao fim da partida me disse com um certo ar de tristeza: “hoje entendi porque os jogos da Copa não podem ser realizados no Morumbi, pra fazer como este aqui só colocando tudo abaixo”.

Como o Morumbi já é passado, na volta para o hotel fico a imaginar como seria o nosso Green Point em Pirituba.

É Copa do Mundo e meu coração não saiu de férias

 

Entusiasmado com o futebol, e disposto a torcer pela seleção brasileira, o jornalista Airton Gontow enviou para o Blog o artigo que reproduzo a seguir, no dia em que o Brasil estreia na Copa do Mundo da África:

Por Airton Gontow

Há uma cena emblemática em “O ano em que meus pais saíram de férias”, excelente filme de Cao Hamburger sobre a Ditadura Militar, que tem como pano de fundo a Copa do Mundo de 1970. Jovens da esquerda brasileira assistem a um dos jogos da Seleção cientes de que o certo é torcer para a derrota do Brasil, já que o triunfo do time nacional seria mais uma arma nas mãos do governo militar. Mas na hora do primeiro gol do Brasil o que se vê é uma explosão de alegria.

Vivi uma cena, de certa forma semelhante, muitos anos antes, na Copa do Mundo de 86. Eu estava na Universidade de Tel Aviv, em Israel, onde estudava, assistindo à partida decisiva entre Argentina e Alemanha. Ao meu lado, estudantes judeus latino-americanos, metade deles da Argentina e os outros de países como México, Colômbia, Uruguai e Brasil. Todos manifestaram apoio irrestrito ao “irmano sul-americano”, ainda mais contra a Alemanha, time que, por motivos óbvios, não encontra muitos seguidores em Israel. Quando a Argentina fez o primeiro gol, nossos vizinhos vibraram intensamente e todos nós aplaudimos. Na hora do segundo gol, a vibração foi ainda mais forte e até nos arriscamos a cantar “Vamo, Vamo, Argentina…” Quando os alemães marcaram pela primeira vez houve um silêncio absoluto no quarto. O jogo prosseguiu, com todos nós ansiosos pelo seu término. Na hora do empate da Alemanha o que se viu e ouviu foram gritos ensurdecedores: “Gol! Gol! Gol!” De repente lá estavam todos os jovens estudantes – judeus e sul-americanos! – festejando em pé o gol dos alemães, sob os olhares surpresos dos argentinos que, aliás, saíram do quarto vibrando e sem nos olhar ou se despedir quando sua seleção conquistou o título.

Lembro destas histórias quando penso em Dunga. Meu Deus, não convocou o Ganso! Que loucura, não deu chance para o menino Neymar! Que heresia: o Zangado, ops!, o Dunga, ignorou a recuperação de Ronaldinho Gaúcho no Milan e vai pra Copa com Júlio Batista, Elano e Kleberson. Deixou o Hernanes de fora e convocou o Josué. Ao tirar com razão o Adriano riscou com a caneta, ou melhor, com Grafite, o nome de Fred, o substituto natural. Teremos na Copa o Doni e o Victor, melhor goleiro do País nos últimos dois Brasileirões, ficará por aqui!

Lembro destas histórias quando vejo as entrevistas e outras manifestações de Dunga e seu fiel escudeiro, Jorginho – que acusam qualquer crítica de falta de patriotismo. “Brasil: silencie ou deixe-o!”

Eu e você deveríamos torcer contra a Seleção Brasileira, já que a vitória na Copa poderá significar a perpetuação do jeito Dunga de comandar: a criação de inimigos externos para unificar o grupo; o desprezo pelo talento e o revanchismo. Deveríamos é torcer pela Argentina, do maestro Verón e do craque Messi, com seu futebol de técnica e garra. Ou mesmo pela Espanha, que nunca venceu uma Copa e que hoje joga um belíssimo futebol, com Fúria e arte.

Mas, claro, não dá. O coração simplesmente não deixa. Não há espaço para a razão na hora do futebol. Como jornalista terei sempre o sagrado compromisso de buscar a verdade. Mas não vou escrever “O Elano em que meu país saiu de férias”. Comprei uma televisão nova e até parei em faróis e lojas para decorar minha casa com as bandeiras e outros badulaques do Brasil. Já estou vestido – corpo e alma – com a camisa canarinho. De vuvuzela verde-amarela na mão!

Que o venha o Hexa! Com um gol de Grafite! Pelos pés de Júlio Batista! Com um petardo do operário Elano. “Doni! Doni!” “Dunga! Dunga! Dunga!” Pra frente Brasil!

Airton Gontow é jornalista e cronista.

Trólebus no ritmo da Copa

 

Veículo elétrico da empresa operadora Metra foi decorado para mostrar ao País a torcida pela seleção e pela alegria do povo brasileiro. Já é a segunda empresa no ABC que prepara um veículo especial para comemorar o mundial de futebol

Por Adamo Bazani

A ansiedade está cada vez maior pelos nossos astros da bol, que têm a missão muito maior do que ganhar algumas partidas, mas de proporcionar a alegria que o brasileiro merece, fazerem bonito neste mundial da África do Sul, em 2010.

Pelo menos a torcida brasileira, como sempre, faz sua parte. Da simples bandeirinha na janela de uma casa humilde de alguma periferia neste País de dimensões continentais até a mais sofisticada decoração no luxuoso estabelecimento comercial ou conjunto residencial, ricos e pobres, iletrados e cultos, todos falam a mesma língua e proporcionam à Nação uma energia especial que pode ser sentida de alguma forma nas ruas, apesar de todos os problemas que a população enfrenta.

E esse clima contagiou de vez o setor de transportes no ABC Paulista.

Depois do BUS COPA, que roda pelas ruas de Santo André, com o simpático motorista Edílson Oliveira Santos, da Viação Vaz, agora é a vez de um dos melhores sistemas de transportes com tecnologia limpa do País, exemplo para o mundo, com corredor segregado moderno, também mostrar sua torcida.
Até o final da Copa do Mundo, em 11 de julho, roda pelo Corredor Metropolitano ABD, um trólebus todo decorado, com adesivação especial em homenagem ao esporte maior da nação. No corredor que liga São Mateus, na zona leste da capital, ao bairro do Jabaquara, na zona sul, passando pelos municípios de Santo André, São Bernardo do Campo, Diadema, e Mauá, na região do ABC, a empresa operadora Metra decorou o trólebus de prefixo 7301, modelo Urbanuss Pluss LF, que pode ser visto revezando de linhas no corredor exclusivo.

Aliás, o sistema tem de comemorar mesmo na Copa.

Para a instalação dos BRTs (Bus Rapid Transit), em cidades como Pretória, Joanesburgo, Porto Elizabeth, Cidade do Cabo, o sistema do ABC Paulista foi uma das inspirações para as autoridades sul-africanas, que também consideraram os exemplos de Curitiba, o primeiro sistema de via segregada com embarque rápido e veículos especiais do mundo, inaugurado em 1974, e o Transmilênio, de Bogotá, na Colômbia.

Aliás, a Colômbia que mesmo não jogando, foi muito bem representada na Copa do Mundo, com a apresentação da pop Star Shakira. Como o país está fora do mundial, restou à musa torcer pelo Brasil, conforme declarou em entrevista, em bom português, ao canal Sport TV que você pode conferir aqui.

A escolha do carro 7301 também não foi à toa.

O veículo é um dos orgulhos da Metra e uma prova de que o Brasil tem muito mais a oferecer ao mundo que o Futebol. Uma destas coisas é a tecnologia de ponta 100% nacional para transportes coletivos limpos. O trólebus que tem mais de 10 anos funcionava com sistema de corrente contínua e chassi de tração importado. A empresa Eletra, que produz veículos sem emissão de poluentes totalmente brasileiros, pertencente ao grupo da Metra e da Auto Viação ABC, numa operação inédita, no ano passado, conseguiu converter o trólebus para corrente alternada.

O sistema é mais econômico, moderno e possibilita maior força de arranque nas operações do trólebus. A principal vantagem, no entanto, é que pelo fato de a corrente ser alternada, a relação entre o motor e o eixo de tração é bem mais simples. Sendo assim, os trólebus de corrente contínua usam eixos de tração importados, já o de alternada, possibilita o uso de qualquer eixo nacional, articulado por conta do peso maior de um trólebus.

Este tipo de eixo é bem mais barato, elimina as taxas de importação e a manutenção é simplificada, podendo-se achar peça de reposição em qualquer concessionária ou revenda especializada.

Sem a necessidade de importação das peças, é mais fácil controlar os estoques e as reposições são mais rápidas.

Além disso, a Metra aproveitou o layout do ônibus elétrico para decorá-lo, pois é o único do sistema que possui o padrão de cor verde, justamente por causa dessa alteração conseguida pela empresa Eletra. Com as frases “Todos Torcemos pelo Brasil” e “Brasil Rumo ao Hexa”, a pintura verde do trólebus, na lataria, se une a um campo de futebol, estampado na janela, que é inteiriça por conta do ar condicionado.  No desenho, um jogador está pronto para chutar e fazer o que é mais importante numa partida: o gol. Afinal, “Bola na Trave não Altera o Placar.”

Ao fundo deste cenário, uma torcida com confetes, enfeites bem alegres e uma bandeira do Brasil tremulando … Típico cenário dos estádios e da casa de muita gente. Um dos detalhes mais bonitos é a bandeira no vidro traseiro.

Rosana Isabel dos Santos, de 24 anos, usuária do corredor metropolitano, gostou da idéia. “A bandeira atrás do ônibus poderia ficar sempre, mesmo depois da Copa.”, comentava sorridente.

Vale lembrar que o trólebus da Copa só vai operar no trecho entre São Mateus, Santo André e São Bernardo do Campo, até o Terminal de Piraporinha, únicos trechos do corredor eletrificados e que podem receber este tipo de veículo.

Pela Metra, a torcida pela seleção será mais saudável e com o ar mais limpo. Afinal, o trólebus, depois de 61 anos no Brasil, ainda é o único veículo com emissão zero de poluentes, economicamente viável com a realidade brasileira.

Os ônibus decorados no ABC Paulista foram aprovados pela população. Basta ver se aprova, hoje, o time de Dunga.

Adamo Bazani, jornalista, busólogo, fã da Shakira, torce para o Brasil e escreve no Blog do Mílton Jung.

Vuvuzela não cala decepção de trabalhador africano

 

Trabalhador na África do Sul

O estádio Moses Mabhida, em Durban, reuniu na noite de domingo duas verdades desta Copa da África do Sul: o espetáculo do futebol e o escândalo da desigualdade social. Os milionários jogadores da Alemanha já haviam deixado os vestiários de volta para a concentração, após a goleada por 4 a 0 contra a Austrália, quando estourou o confronto entre policiais e centenas de trabalhadores que prestam serviço no local.

Os funcionários protestavam contra o pagamento que consideram insuficiente para a função que realizam. Reclamavam terem recebido ofertas de salário que chegariam a R 1,500 mas não levaram mais de R 190. Em bom português: em vez de R$ 350 por dia, ganharam R$ 45.

Poucos dias antes do início dos jogos, o analista do jornal sul-africano Business Report Terry Bell alertava que os sindicatos e trabalhadores não identificam nenhum favorecimento para os movimentos sociais vindos da Copa e da Fifa. Enquanto a organizadora dos jogos garantia o maior lucro possível para si, eximia-se de qualquer responsabilidade em relação aos direitos trabalhistas advindos de contratações relacionadas a Copa.

Um dos líderes de sindicato que reúne trabalhadores de empresas de energia elétrica Lesiba Seshoka acusou a concessionária de emperrar as negociações por aumento salarial com o objetivo de jogar a opinião pública contra os funcionários, pois estes, supostamente, estariam interessados em prejudicar a realização da competição. “Não podemos adiar a fome para os nossos filhos”, comentou em um jornal que eu lia na praça procurada por milhares de turistas na hora do almoço, em Cidade do Cabo.

Aqui mesmo, em conversas com funcionários, nas áreas de prestação de serviço, é possível identificar outros motivos para a indignação. Muitas das vagas criadas para atendimento do público durante a Copa foram ocupadas por trabalhadores que chegaram dos demais países do continente. Calcula-se que 30% delas estão servindo a pessoas que se deslocaram desde Angola, Gana, Moçambique, entre outros.

Boa parte dos empregos que surgiram na onda dos jogos é temporária e informal. Ou seja, desaparecerá assim que o capitão da seleção vencedora levantar o caneco.

Nem o entusiasmo das vuvuzelas menos ainda a violência do gás lacrimogênio e das balas de borracha – jogados sobre os trabalhadores que participaram do protesto de domingo – serão suficientes para encobrir a frustração desta gente que acreditou no “espetáculo” do futebol.

De vida e trabalho

 


Por Maria Lucia solla

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Ouça “De trabalho e vida” na voz e sonorizado pela autora

Silvana pediu que eu falasse sobre trabalho na minha vida, para um trabalho dela na universidade.

Gostei e rapidamente me prontifiquei. Mais uma oportunidade pra eu pensar no que gosto.

É bom pensar no que se gosta. As vezes a gente se empolga e fica lá, viajando no pensamento e se deixando levar de bom-grado, por ele. Aquietando a mente do agora e despertando outra: atemporal, amoral, anônima. Livre!

mente é escrava de começos e meios
mas soberana de finais
e o quê na vida
se pode pedir mais

mas prometo me concentrar
preparar as rédeas
e a minha mente encilhar

Vem cá, mente minha, ô sua traquinas! façam um belo trabalho, você e o meu coração, e digam pra mim, de modo que eu possa colocar em palavras, o que é que eu penso, afinal, de vida e trabalho.

E assim, de bate-pronto, como plim-plim, o quadro é claro, e vejo na tela, nitidamente, o passar da minha vida:

trabalho e vida

pernas e braços
esquerda e direita
bem-me-quer malmequer
cabeça tronco e membros

como viver um sem a outra
só não vê quem não quer

trabalho é caminho
é Vida
que é não por acaso
também chamado de Lida

trabalho é levantar da cama cedo
pra treinar com o Val
é preparar o ano todo
fantasia pro Carnaval

trabalho é fazer café
pro grande amor
ou pro chefe doutor
sempre adoçado com mel
o escolhido
entre ele e o fel

é andar estudar amar

sim porque amar é trabalho também
ou você acha que é fácil
ter juntinho a você
alguém pra chamar de bem

Trabalho é forma de expressão; trabalho é o leão correr atrás do sustento da leoa e seu rebento.

E termino pedindo desculpa pela invasão do poema, mas acabo sem sentir culpa, pois não me afastei do tema.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua inglesa e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

Por quem você torce e por quê ?

 

Direto da Cidade do Cabo

Primeiro de tudo. Esqueça este papo de que jornalista é imparcial. Não torce por ninguém. Torcemos, sim. E este que vos escreve é gremista desde pequenininho. Azar de quem não gosta.

Em seguida, vamos ao que interessa.

Torcedores em Cidade do Cabo

A bola começa a rolar, e você lá com aquele olhar blazê. Coreia do Sul e Grécia, não interessa. A troca de bola rápida chama a atenção. A movimentação de um dos times lhe agrada. A defesa do goleiro, entusiasma. E, de repente, o gol. E você, discreto, comemora. Por que você torce ?

Eu escolhi os asiáticos porque mostraram futebol melhor do que os gregos, e estavam cheios de Jung na escalação. Me dei bem.

Aqui na Terra da Copa, há torcedores de todos os lados. Eles caminham juntos, cruzam um pelo outro, tocam uma corneta (não, não é da vuvuzela que estou falando), brincam, se cumprimentam e seguem em frente. Vestem a camisa da sua seleção, pintam o rosto com a bandeira nacional e às vezes pregam algumas peças.

O menino com a jaqueta do Brasil é mexicano. O brasileiro de verde e amarelo veste o uniforme da África do Sul. As suecas, também. E os dois argentinos não se acanham de andar prá lá e prá cá com a bandeirinha da Inglaterra – receberam de umas moças de shorts curto que saíram de dentro de um enorme e barulhento ônibus que tocava o hino da Rainha, diante da praça na qual turistas se encontram em V & A Waterfront, área rica da cidade.

Torcida inglesa

No jogo da Argentina, a torcida dos brasileiros pela Nigéria era explícita. Os poucos ataques do time africano eram acompanhados com atenção; enquanto os chutes de Messi e companhia, com apreensão. Não fiz parte desta torcida, pois tendo a ficar com os sul-americanos, mesmo quando estes são considerados arquirivais. Acertei o lado, de novo.

EUA e Inglaterra estavam em campo lá na parte de cima da África do Sul. Aqui na parte de baixo, “americanos” e “ingleses” sentaram lado a lado em uma pequena arena montada diante de um tela gigante de TV na praça do shopping Victoria Wharf. Havia africanos-ingleses, franceses-americanos, indiano-ingleses, sei-lá-o-quê-americanos e assim por diante.

Torcedores em Cidade do Cabo

Conversei com alguns brasileiros: Marcelo torce para os EUA porque “eles estão melhorando”; Fabi para a seleção de Beckham e ele é o motivo da torcida dela; Carol morou seis meses em Londres e não tem receio em socar o ar quando sai o primeiro gol do jogo; está com mais dois amigos que também viveram por lá e até agora não entenderam como Green deixou a bola passar. Eles quiseram saber para quem eu torcia: Inglaterra, eu disse. Se não os americanos vão perder em que esporte ?

A torcida internacional no Victoria Wharf se definia de acordo com o passar do jogo. Havia umas 400 pessoas sentadas nas arquibancadas ou debruçadas nas cercas do andar de cima. Os ingleses de origem e os agregados eram maioria, apenas uma pequena parcela comemorava os lances em favor dos Estados Unidos. Havia americanos de verdade, com bandeira enrolada, garrafa de whisky na mão e mais exaltados do que todos. Quando ensaiavam um “USA” desafinado, eram logo calados pelo “England” que soava mais alto e em diferentes sotaques.

Torcedores em Cidade do Cabo

As três amigas sul-africanas que estavam voltando para casa, depois de um dia de trabalho no shopping, sentaram por ali mesmo. A mais excitada era “american”, a colega “england” e a terceira “não-fede-nem-cheira”: “Nem gosto muito de futebol, mas está muito divertido.

Assim que a temperatura baixou ainda mais e a chuva apareceu, Inglaterra e Estados Unidos perderam o apoio de uma parcela da torcida.

“Por que vai embora ?”, perguntei. “Com essa chuva, deixa eles pra lá”, respondeu o torcedor com o moleton estampando a bandeira da Eslovênia. Deve ter deixado o local feliz com o empate de 1 a 1 que assistiu. Ele não estava ali torcendo, estava secando. A seleção dele joga amanhã contra a Argélia e se vencer termina a primeira rodada líder.

E você, como escolhe a seleção pela qual vai torcer. Ou secar ?

Eles querem as gordinhas

 

Por Dora Estevam

Fluvia Lacerda

O frio chegou, assim como a Copa. E a fome também. Há quem brigue com a balança achando que está quebrada, que tem algum engano. Também pudera – não sei você, mas eu não paro de comer. E isso que o Brasil ainda não jogou.

Não pensa que esqueci das festas Juninas. Pelo menos duas são obrigatórias. Para quem gosta de comida típica como eu, impossível fugir delas.

E tem também os desfiles da SPFW – edição que apresenta a coleção de verão 2011. E volta o assunto das modelos magras. Mas sempre foram. E vai coleção, vem coleção o assunto é sempre o mesmo. Uma campanha aqui, outra ali, e continua tudo igual. Verdadeiros cabides.

Calma, não estou querendo dizer que deveria ser diferente nem criticando o fato de não ser como elas (nem de longe… ) também não posso dizer que tem que ser assim mesmo porque senão as gordinhas vão me matar.

Tá ! Por falar nelas, agora muito, mas muito mesmo, em moda são as modelos Pluz Size (modelo GG) garotas de bem com a vida e lindas. A novidade este ano é que o evento que organiza o Miss Brasil (normalmente, Miss Magrinha) agora também seleciona Miss Brasil GG. Legal, né!

A garota precisa seguir alguns pré-requisitos, nada complicado: primeiramente, é claro, ser G ou maior que G; ser solteira, não pode nem morar junto (põe o namorado pra correr); nunca ter posado nua, nem mostrado o seio em foto (ufa!) nem ter feito filme pornô; e ser muito alegre, simpática, ter boa postura, estar com a saúde em forma e a educação, também.

Bem, se você conhece alguém que se enquadra nestes requisitos e gostaria de ser Miss, vale a pena tentar. É só clicar www.misssaopaulo.com.br.

Fluvia LacerdaUm caso muito conhecido de modelo nesta categoria é o da brasileira Fluvia Lacerda, 29 anos,13 anos em Nova York. Pode-se dizer que a moça revolucionou o mercado GG no Brasil. Voltou para renovar o conceito das confecções com relação aos tamanhos grandes e também deu um empurrão nas modelos gordas que na opinião dela eram desvalorizadas e mal pagas.

Tem mercado para todo mundo, ninguém fica de fora nem a barriguinha proveniente da comilança, efeito Copa, Festa Junina, desfiles, e etc.

O interessante é que a roupa exerce um poder nas pessoas sem que elas percebam. Mesmo que diga que não liga pra estas coisas, acaba caindo em contradição quando vai às compras porque a peça que está em casa está fora de moda ou está velha. É sempre assim.

Eu conheci gordinhas lindas e super bem vestidas, meninas que se produzem com peças da moda e ficam charmosas. Assim como outras que nem ligam para a moda e dão graças a Deus por ter um camisão bem largo para se esconder dentro dele. Também conheço magras que são verdadeiras cafonas e outras que são chiquérrimas. Tudo é uma questão de gosto e estilo da pessoa.

Agora, é muito comum ouvir as grávidas, as gordas e as pessoas com deficiência reclamarem que nunca tem roupa para eles. É verdade. Vergonha mesmo é o Brasil com tantos talentos de estilistas não ter um sequer que faça a moda voltada para estes segmentos. Assim como o pessoal do Miss Brasil deu o primeiro passo quem sabe o Paulo Borges, diretor do SPFW, não segue o caminho e convide estilistas com propostas para este mercado desfilarem na próxima edição.

Na mesa com o Capitão do Tri

Direto da Cidade do Cabo

Carlos Alberto Torres

Véspera da abertura da Copa do Mundo, o jantar foi em um dos melhores hotéis de Vitoria & Alfred Waterfront, área turística, rica e movimentada. Na mesa, um convidado especial, Carlos Alberto Torres, Capitão do Tri, bom papo e bem humorado apesar da dor provocada pelo nervo ciático que não resistiu a mais de 12 horas de avião entre Rio, São Paulo, Johannesburgo e Cidade do Cabo.

Para acompanhar a conversa, um Saxenburg Pinotage 2004, vinho produzido em vinhedo não muito distante daqui, de sabor amadeirado capaz de agradar a este escriba.

A safra é boa ?

Não é das melhores, respondeu Carlos Alberto. Nós não falávamos de vinho, mas de futebol. “Nenhuma seleção se sobressai”, disse logo de cara.

Fez algumas ressalvas, ao citar a Espanha que tem a melhor formação desde 1962 quando perdeu para o Brasil por 2 a 1, na Copa do Chile. Lembrou da Argentina e os jogadores de ataque, principalmente, citados ao mesmo tempo que Carlos Alberto tocava o peito com a mão fechada, sinal de que acredita que a raça desta turma pode fazer diferença.

“Messi, se entrar no ritmo da Copa, pode dar seu grande salto”, acrescentou quando perguntei quem seria o melhor jogador deste Mundial.

E o Brasil, “Capita” ? Perguntou o anfitrião que escutava a conversa e demonstrava intimidade.

Quando Carlos Alberto Torres fala da seleção brasileira demonstra a mesma personalidade forte que o consagrou em campo. Não esconde seu descontentamento com o time que estreia dia 15 contra a Coreia do Norte, em Johannesburgo. Em entrevistas já havia revelado discordância em relação a convocação feita pelo técnico Dunga e a falta de criatividade.

Preferia ter em campo Ronaldinho Gaúcho, Ganso, Neymar e Adriano.

“Imagina o Adriano entrando em campo, aquele baita cara, impõe medo no adversário”, explicou assim por que era a favor de que tivesse havido mais cuidado de Dunga com o atacante da Roma.

Para ele, o técnico brasileiro deveria ao menos ter trazido Paulo Henrique Ganso, menino do Santos, time pelo qual Carlos Alberto Torres também fez sucesso, entre 1966 e 1974, com Pelé ao lado. Dunga não teria nada a perder e ofereceria ao torcedor mais esperanças: “tá todo mundo com uma cara assim, será que vai dar ? Não sei, não !?”

Essa coisa de comprometimento com o grupo, pode até ser importante, mas o Capitão do Tri volta a ser taxativo: “Seleção é seleção, seleção é diferente”.

Conta que em um dos muitos eventos internacionais que tem participado – está na África à convite da Visa -, depois de reclamar da ausência de jogadores que poderiam desequilibrar um jogo, ouviu de um interlocutor que Felipão também havia deixado Romário fora do time e ganhou a Copa mesmo assim.

“Mas ele tinha o Ronaldinho Gaúcho”, rebateu com a mesma objetividade e precisão que o levou a marcar o gol que fecharia a goleada sobre a Itália, por 4 a 1, na final da Copa de 70.

Na cerimônia do “pontapé inicial” da Copa da África, transmitida na TV que estava pendurada na parede atrás da nossa mesa, o lance escolhido para representar a conquista do Brasil no México 70, não por coincidência, foi o gol de Carlos Alberto. Ele sorriu quando todos olhamos para a tela e para ele: “Já não aguento mais, vi esse lance umas 50 mil vezes na vida”, desdenhou.

Aquela, sim, foi a melhor safra de todos os tempos.