A viagem no ônibus da Copa, em Santo André

 

Ônibus da Copa em Santo André

Por Adamo Bazani
 

“Já são três dias sem dormir direito. Não via a hora. Para mim a abertura da Copa do Mundo é hoje. A expectativa é a melhor possível”. A frase foi dita no dia 9 de junho, quarta-feira, e revelava a expectativa não de um dos convocados do técnico Dunga, mas de Fumassa (com dois esses mesmo), motorista da Viação Vaz, que faz parte integr o Consórcio União Santo André, gerenciado pela SATrans – Santo André Transportes.

Acostumado a se vestir de Papai Noel no fim do ano, desta vez o personagem que ele iria representar era outro: o de torcedor do Brasil, a bordo de um Comil Svelto Midi, motor Mercedez Benz OF 1418. A empresa vestiu o ônibus de verde e amarelo e o transformou em uma espécie de estádio de futebol ambulante. Há bandeiras e enfeites alusivos ao Brasil, uma réplica da Copa do Mundo no painel do Motorista e o assoalho está revestido com grama sintética. Além disso, foram instalados dois televisores LCD, de LED, 22 polegadas, para que os passageiros possam assistir aos jogos do mundial.

O sócio-diretor da empresa, Thiago Vaz, conta que a preparação do ônibus deu trabalho, mas que valeu a pena:

“Priorizamos a alegria e as cores do Brasil e isso será gratificante demais quando o ônibus estiver na rua. E esse veículo foi fruto de união, vontade, abnegação dos funcionários e trabalho de equipe. Primeiro elaboramos o layout com a opinião de todos, para deixar o ônibus com visual alegre, porém equilibrado, sem ser pesado ao olhos das pessoas. Depois veio o trabalho de envelopamento e adesivação, de acordo com o que foi autorizado pela gestora de transportes aqui de Santo André. Foi um dia inteiro de trabalho artesanal, contando com um profissional especializado. A parte interna, que tem os enfeites e a grama sintética, teve a participação de especialistas e também de funcionários. As idéias e boa parte do trabalho para decorar o ônibus internamente foram de duas funcionárias do setor de almoxarifado, a Regina e a Natiele. O ônibus integrou a equipe interna e com certeza vai integrar a Viação Vaz à comunidade” .

Só para o envelopamento externo a empresa investiu R$ 6,8 mil. Investimento que, segundo o dirigente, é compensado pela maneira como a comunidade reage diante de uma ação como esta.

Acompanhei a primeira viagem do ônibus pelas ruas de Santo André com o motorista Fumassa no comando. Mal saímos da garagem, no Jardim Bom Pastor, o pessoal de uma padaria foi para a calçada aplaudir e acenar.

“É hexa, é hexa” – gritava o motorista e a galera repetia.

Ônibus da Copa em Santo André

Na primeira parada, um presente para Fumassa. Era Dona Iraíde Paulo da Silva, que conhece o motorista desde pequenininho. Ela já entrou brincando:

“É muito chique viajar com o Fumassa. Conheço ele há 28 anos, quando tinha 5 aninhos e fazia o prezinho … Fumassa, sabe que eu tenho por você um amor de vó “ .

A demonstração de carinho emocionou o motorista, que lembrou de sua infância e adolescência difíceis. Junto com a mãe, ele tinha de ajudar no sustento da família.

“Minha mãe é uma guerreira, viu. Pena que ela já é de idade e doentinha. Senão, fazia questão que ela fosse minha primeira passageira neste momento tão especial” – emociona-se.

Especial mesmo. A cara emburrada e de cansaço de boa parte dos passageiros mudava ao ver o ônibus todo enfeitado e o motorista vestido como jogador da seleção – sim, porque Fumasse não perderia a oportunidade de estar travestido assim como o ônibus.

Muitos riam, outros puxavam assunto, faziam piadas. Alguns, mais surpresos, perguntavam se era mesmo o ônibus da linha I 03 (Jardim Bom Pastor / Parque Caupava).

As crianças então eram as mais entusiasmadas. Fumassa retribuia distribuindo chaveirinhos para os meninos e meninas que festejavam a passagem do ônibus. Era presente para crianças, mas adulto também queria.

As reações dos passageiros do “Bus Copa” eram as mais variadas possíveis.

“Muita gente diz que o povo só é patriota na Copa do Mundo. Eu discordo. Só de acordar cedo, pegar uma condução nem sempre como queríamos, trabalhar o dia todo com pressão e ainda ter um espaçozinho dentro do coração para ser bem humorado, já é um sinal de amor ao País e à vida” – disse o mecânico José Tonduratto, um dos passageiros do sentido Capuava.

Aliás, frases e pensamentos como este eram despertados pelos enfeites e o entusiasmo do motorista Fumassa.

Num certo ponto da viagem, um senhor entrou no ônibus, ficou admirando os veículo. A grama sintética no piso, o que era mais comentado pelos passageiros, mas passou quase o tempo todo em silêncio. Este repórter então foi puxar um papo com ele. Não deu outra, o homem demonstrou toda a emoção e saudosismo que sentia no momento. Isso porque ele, já aposentado, fora motorista de ônibus e, mesmo sem o incentivo da empresa, em época de Copa do Mundo, sempre fazia questão de decorar  o veículo mesmo que de maneira simples.

Erinédio Soares trabalhou na Viação Garcia, não a famosa do Sul do País, mais uma de fretamento que operava no ABC. Ele foi motorista só desta empresa por 24 anos.

“Nossa, me lembro que eu decorava os ônibus também. Claro, era simplezinho, mas para mim era uma ocasião especial na época de Copa do Mundo e outras datas festivas. O senhor Ângelo Garcia fundou a empresa em abril de 1973. Já fui trabalhar na empresa quase em seguida. Em 1981, ele passou para outros donos que ficaram com a Garcia Fretamento até 1998. Foi quando eu fui transferido para a São José de Turismo. Trinta carros com os motoristas foram para a São José e 60 carros, também, com os funcionários para a Domínio. Êta época boa, dirigir ônibus tem seus problemas e estresse, mas é muito bom” .

Ao se aproximar do ponto final, Fumassa falava em alto e bom som: “Aqui é minha área”. Era verdade. Ele tinha de parar em quase todo o quarteirão para dar um olá para um conhecido e entregar um chaveiro para uma criança. A cada rua uma história.

“Vi o filho da dona deste bar pequenininho, agora ele está crescendo …. nos finais do ano, sempre uma velhinha que morava nesta casa vinha me ver de Papai Noel …. ah essa casa aí, ta vendo? .. Tem uma senhora muito legal. Me dá uma garrafa de café quase todo o dia”.

Muitas outras histórias foram contadas por Fumassa até chegarmos ao ponto final, no Parque Capuava. A satisfação dele contaminava a todos e a este repórter, em especial.

Ao desembarcar, pensei comigo mesmo: ” Falta de união para lutar por uma vida melhor… Pouco engajamento político… A crença e ilusões … A fácil manipulação… Tudo isso é crítica que se pode fazer ao povo brasileiro, mas é um povo batalhador que com todos os problemas ainda dá valor ao sorriso, como se vê no rosto e na alma do motorista Fumassa”.

Ádamo Bazani é repórter da CBN, busólogo, e torcedor do Brasil

Pedalando na Cidade do Cabo, amiga da bicicleta

 

Direto da Cidade do Cabo

Passeio de bicicleta na Cidade do Cabo

Além da mão inglesa – que ainda atrapalha a maioria dos turistas -, os britânicos que estiveram por aqui no século 19 parecem ter deixado outro legado para o trânsito da Cidade do Cabo: o respeito ao pedestre e ao ciclista. Parar antes da faixa de segurança e dar preferência aos que caminham e pedalam, é comum por aqui.

Foi neste ambiente que decidimos – eu e mais três colegas do Portal Terra – fazer um tour pela cidade de bicicleta. Tivemos de buscá-la no centro porque se a encomenda fosse no hotel custaria bem mais caro e a caução também seria maior. Com R 160, moeda local, algo próximo de R$ 50, você aluga uma bicicleta por 24 horas, e deixa o número do cartão de crédito à disposição para casos de desaparecimento.

O trajeto havia sido planejado com um mapa em mãos, mas logo o nosso caminho sofreu mudanças. Avenidas que nos levaram a passar por prédios modernos e calçadas largas foram escolhidas por curiosidade. A cidade que tem um pouco da cara do Rio de Janeiro, já que está na orla e tem o morro logo atrás, também abriga construções como as da avenida Berrini, em São Paulo (não me refiro a bom gosto, mas a dimensões). Isto se justifica por ser a capital legislativa da África do Sul, onde o Parlamento Nacional e vários escritórios do governo estão postados, além de ser um pólo comercial e industrial importante no país.

Mesmo o passeio tendo se iniciado logo após o meio-dia, o trânsito não chegou a ser uma barreira. Em algumas vias centrais era preciso prestar bem atenção para não sermos traídos pela mão invertida. Com exceção de um motorista que não pensou duas vezes ao fazer a conversão à esquerda para entrar na garagem, o que obrigou uma freada brusca, os demais parecem ser cuidadosos com os ciclistas – ao menos com estes que tem cara de turista.

Cidade do Cabo ciclovia

Atravessar as ruas é tarefa facilitada pois todas as calçadas são acessíveis com guias rebaixadas. Nos locais em que não existem semáforos, a faixa de segurança é facilmente identificável seja pela pintura zebrada seja pelo piso diferenciado. Não há também aglomeração de pessoas circulando, o que permite pedaladas e paradas estratégicas para fotografia ou apenas para apreciar uma construção qualquer. Isto talvez seja resultado da baixa densidade demográfica de Cidade do Cabo. Cerca de 3 milhões e meio de habitantes vivem em uma área de 2.455km2 – bem mais extensa do que a maioria das cidades sul-africanas. Cálculo rápido:1.425 habitantes/km2.

Desnecessárias, talvez, e pouca utilizadas, com certeza, encontramos faixas exclusivas de bicicleta com sinalização horizontal e nos postes em parte do nosso caminho que a esta altura do campeonato já se aproximava de Waterfront, onde se encontra um complexo de lojas, bares e hotéis. Elas, por sinal, estão em rotas turísticas o que me leva a entender que tem como objetivo os que pedalam por lazer.

Questiono a necessidade das ciclofaixas demarcando a área pelo fato desta ser, claramente, uma cidade amigável dos ciclistas. Parece que mesmo sem estes sinais, o respeito seria mantido, como vimos nos trajetos em que a ciclofaixa não existe.

Quanto a utilização das mesmas, nosso passeio que durou cerca de 3 horas deu a impressão de que a bicicleta está na cidade apenas para quem se diverte, não para quem trabalha. Cruzamos por pouquíssimos ciclistas em todo o caminho que fizemos.

Caminho, aliás, que foi ganhando contornos ainda mais bonitos quando nos aproximamos do porto, área muito bem aproveitada que mistura o movimento de carga e descarga de navios com a exploração turística do local. Ali tivemos que pedalar com muito cuidado, devido ao grande número de pessoas, a maioria torcedores devidamente identificados, seja pelas camisas, seja pelos gritos.

Green Point stadium Cidade do cabo

Saindo da aglomeração, procuramos a Beach Road, que não se perde pelo nome, e encontramos quebra-mares curiosos, feitos de cimento em formato de âncoras gigantes. Trajeto que só foi possível porque estávamos de bicicleta. De carro teríamos ido embora sem prestar atenção no local. Este é um dos grandes baratos do passeio de bicicleta. Conseguimos enxergar melhor a cidade.

Foi de lá que tivemos das melhores visões do Green Point, estádio que será inaugurado na sexta-feira com a partida entre França e Uruguai. Chegar até ele passou a ser nosso novo objetivo, apesar de o mar batendo do lado direito também nos chamar atenção. O caminho é todo margeado por prédios novos com muitos apartamentos abrigando torcedores – tais eram as bandeiras esticadas nas sacadas.

Foi a possibilidade de nos aproximarmos do estádio que nos deu fôlego para continuar com a pedalada. No entorno do Green Point, as ciclofaixas estão delimitadas sobre as calçadas, com espaço para ida e volta, além da faixa dos pedestres. As placas alertam que lá é proibido parar automóveis em dias de evento. Em compensação, o número de vagas para os carros é enorme na área de estacionamento, o que faz com que o jornalista sem credencial ou o torcedor sem ingresso tenha de permanecer distante.

Depois de apreciar esta construção polêmica – por seu custo e local (outro dia conto esta história) – e muito bonita, nos restava voltar para “casa”. Afinal já estávamos a quase 3 horas pedalando.

A facilidade com que o deslocamento foi feito, a beleza das áreas pelas quais passamos e as novidades do caminho evitaram o cansaço deste que é ciclista nas horas vagas e pouco acostumado a fazer esta aventura em São Paulo, cidade que, infelizmente, não é amiga da bicicleta.

O exterminador do futuro

 

Por Carlos Magno Gibrail

0,,14627708-EX,00

O exterminador do futuro para a ONG SOS Mata Atlântica é Aldo Rebelo, relator do Projeto de Lei que reforma o Código Florestal Brasileiro. Para ele são as ONGs, que de forma geral são patrocinadas pelo capital estrangeiro com interesse direto em impedir o avanço do agronegócio nacional.

Rebelo apresenta um discurso fortemente embasado em aspectos sociais. Criticando duramente a postulação do conservador inglês Roberto Malthus do século XIX, para quem a pobreza era imutável, transporta-a para a atualidade acusando os países ricos de absorver a tese malthusiana:

“O reacionarismo desumano de Malthus foi implacavelmente derrotado, na doutrina e na prática, mas ressurge, no confronto da agricultura fortemente subsidiada dos países desenvolvidos com a produção agrícola cada vez mais competitiva de nações como o Brasil”.

O romantismo de Aldo Rebelo, não encontra eco nos especialistas de tal forma que sábado através de artigo na Folha, os professores titulares* Thomas Levinson- Unicamp, Jean Metzger- USP, Carlos Joly- Unicamp e Ricardo Rodrigues- ESALQ ressaltaram que:

“A pretendida reforma deveria remover o estrangulamento para a expansão de terras agrícolas, hoje supostamente bloqueadas pela combinação de áreas de preservação permanente APP e reservas legais RL. Só que esse bloqueio não existe”.

“Realocando para cultivo agrícola terras com melhor aptidão, hoje ocupadas com pecuária de baixa produtividade, e aumentando a eficiência da pecuária nas demais, por meio de técnicas já bem conhecidas, a área cultivada no Brasil poderá ser quase dobrada, sem avançar um hectare sequer sobre a vegetação natural.”

A nova ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira um pouco nesta linha e querendo lembrar outra necessidade que é o fim do desmatamento ressalta: “Eu entendo que podemos expandir as fronteiras agrícolas sem a necessidade de se desmatar um hectare sequer”.

O ex-ministro Carlos Minc, alertava assertiva e oportunamente para os seguintes aspectos que considerava cruciais:

– Manutenção das RL reservas legais
-Manutenção da centralização das políticas de proteção ambiental, não permitindo a descentralização na forma de regionalização, transferindo aos Estados total autonomia
– Manutenção de condenação aos desmatadores, não permitindo sua absolvição

Do romantismo ao tecnicismo podemos derivar ao pragmatismo, que em termos de futuro aponta um limite aos 900 reais de subsídios na vaca européia, enquanto a produtividade brasileira irá quase duplicar. Entretanto as certificações deverão acompanhar as demandas e obrigarão o cuidado ambiental ser cada vez mais cuidado. É um alerta significativo para a bancada ruralista. Ou não?

Quanto ao futuro a melhor proposição vem do economista indiano Pavan Sukhdev, coordenador do projeto criado pelo G8 “A economia dos ecossistemas e da biodiversidade TEEB” em entrevista ao editor de Veja, Diogo Schelp:

“Em vez de arrecadar impostos sobre a renda e os bens, como é feito hoje, seria melhor taxar os efeitos externos negativos da atividade empresarial. As alíquotas deveriam ser aplicadas sobre o uso dos recursos naturais e dos materiais. O modelo atual apenas incentiva o mau uso do capital.”
Os ambientalistas agradecem. E nós também.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung


*Thomas Levinson – Prof. Titular da Unicamp e presidente da Associação Brasileira de Ciência Ecológica e Conservação, Jean Paul Metzger – Prof. da USP e Coordenador do Laboratório de Ecologia de Paisagens, Carlos Joly – Prof. Titular da Unicamp e Coordenador do Programa Biota – FAPESP, Ricardo Rodrigues – Prof. Titular da ESALQ USP e Coordenador do Laboratório de Restauração.

A “mesa” está quase posta na Cidade do Cabo

 

IMG_1428No pequeno hotel do primeiro dia, no hotel boutique que será estadia até o fim dos dias por aqui e de qualquer outro ponto que você esteja em Cidade do Cabo, impossível não ver a Table Mountain – nome mais do que apropriado para esta formação rochosa que se parece mesmo com uma enorme mesa de onde é servida toda a beleza e elegância da cidade legislativa da África do Sul. Um mesão, diga-se de passagem, a mais de mil metros de altura e para onde se voltam boa parte das máquinas de fotografia penduradas no pescoço dos turistas que começam a chegar em maior número por aqui.

Neste segundo dia, enquanto conversava com Fabíola Cidral no CBN São Paulo, a combinação foi perfeita, pois alguns minutos após a rápida chuva que aparece algumas vezes ao dia, com as nuvens encostadas no topo formando uma espécie de “toalha” da mesa, surgiu um belo arco-íris. Satisfação e corre-corre de estrangeiros para registrar a imagem.

Ainda não fui ao alto da Table Mountain, onde se pode chegar pelo Cable Car, semelhante ao bondinho do Pão de Açúcar no Rio. Há os atrevidos que recomendam fazer a escalada a pé, e monitorada. Coisa de três horas. Outros convidam para descer de rapel. Coisa de louco. Vou no mais confortável, sem dúvida.

Além do visual maravilhoso, a vantagem de estar lá em cima, imagino, é não ter de ouvir a vuvuzela, som que faz parte do cenário de todas as cidades-sede, que se torna mais forte a cada turista que desembarca na região. Comprar uma dessas cornetas se transformou nesta Copa quase tão obrigatório quanto sair do México com sombreros ou de Salvador com um berimbau em mãos. Convenhamos, não há o que fazer depois e o objeto se transformará em incômodo na bagagem de volta.

Quem vive em São Paulo e tem de suportar os motoboys buzinando enquanto cruzam no meio dos carros tem ideia do ‘tamanho’ do barulho.

Aqui embaixo, ainda, além do barulho das cornetas, o cheiro de tinta está em vários pontos, sinal de locais renovados ou recém-construídos. Uma obra aqui outra acolá estão atrasadas, mas nada que esteja no caminho da Copa.

Durante o dia, porém, ouvi lá de Johannesburgo um burburinho diferente, com jornalistas atrapalhados pela falta de energia elétrica em alguns locais e a dificuldade para receber pontos de acessos para transmissão de áudio em outros. A expectativa é que nos próximos dois dias mais confusão apareça, pois os aviões não param de despejar torcedores e jornalistas.

Seja como for está quase tudo pronto.

A Copa da África é nossa. Ou melhor, dos nossos ônibus

 

Meu consultor particular para assuntos de ônibus, Ádamo Bazani foi uma das fontes de informação para texto publicado na segunda-feira, no Blog Fora da Área, no Portal Terra. Deu o que falar, graças a participação de ‘comentaristas’ especializados ou não. Trago para cá, o texto de autoria do Ádamo que me inspirou na chegada a Cidade do Cabo.

Ônibus brasileiro na Copa

Por Ádamo Bazani
 
É oficial! O Brasil conquistou a Copa do Mundo na África do Sul, em 2010.

No futebol, ainda é necessário esperar e ver como o time de Dunga irá se comportar, mas no setor de transportes, o país surpreendeu até mesmo a expectativa dos produtores nacionais. Marca presença em praticamente todos os deslocamentos, urbanos e específicos para os times e comitê organizador do evento máximo do futebol mundial.

Vencendo concorrentes de até mais tradição na fabricação de ônibus, a indústria brasileira conseguiu aliar preço, boas condições de produção e qualidade e foi a grande vencedora do Mundial neste setor.

Se, em todos os campeonatos de futebol, em qualquer lugar do planeta, há um espírito de Brasil no ar, nesta Copa, mais ainda.

Os 460 ônibus que levarão as 32 delegações, o comitê oficial da Fifa, profissionais de imprensa, convidados especiais e que também prestarão serviços para as empresas de turismo que compraram camarotes são produzidos pela Marcopolo, empresa de Caxias de do Sul, com chassi Mercedes Benz do Brasil, cuja fábrica é em São Bernardo do Campo. Os ônibus foram adquirido pela Autopax Passenger Service Ltda, empresa com sede em Pretória , sendo a maior transportadora da África do Sul.

A Marcopolo, genuinamente brasileira, é uma empresa multinacional, e possui uma unidade fabril em Gauteng Province, localidade de Johannesbrugo. A fabricante de carrocerias ganhou a concorrência aberta pela Fifa em agosto do ano passado. Já em setembro começou a fabricar as primeiras das 460 unidades iniciais previstas. O número aumentou para 476, já que a empresa acabou fornecendo ônibus reservas e para outros serviços encomendados pela transportadora local. As últimas unidades foram produzidas em fevereiro. Os veículos chegaram no fim de abril na África do Sul, numa viagem de navio que durou aproximadamente um mês.

As carrocerias saíram do Brasil 80% prontas: sem os chassi, alguns detalhes de acabamento e pintadas de branco.

A maior parte dos veículos é do modelo Paradiso 1200, da Sexta Geração, um ônibus muito conhecido dos brasileiros e líder no segmento nacional de rodoviários para médias e longas distâncias. Eles possuem capacidade entre 38 e 46 lugares. A Marcopolo também vai fornecer o Modelo Andare 1000, com capacidade de transporte semelhante, só que mais simples, e, em menor número, os veículos de luxo Multego.

Aliás, dois Multego já estão garantidos para levar os dirigentes da Fifa. Eles possuem ar condicionado ecológico, capacidade para 39 passageiros, que serão transportados confortavelmente em poltronas mais amplas que as convencionais. Os Multego também possuem geladeira, área de convivência, com mesa, e são equipados com monitores de TV LCD especiais, mais finos que os aparelhos de LCD encontrados normalmente no mercado. Os Multego também terão portas centrais de acesso, o que permite um maior isolamento da área do motorista do salão dos passageiros.

Quando os ônibus Marcopolo chegaram à unidade da empresa na África do Sul, no fim de abril, foram finalizados, recebendo mais itens de conforto, pintura e chassi.

Vale lembrar que os ônibus que aparecem na TV, com as cores e frases das seleções, levam a marca da Hyundai, montadora de veículos, que é uma das patrocinadoras oficiais do evento.

Ônibus do Brasil na Copa

Não serão apenas as carrocerias que vão deixar a marca do Brasil nos transportes da Copa do Mundo na África do Sul. Os chassis destes veículos também são brasileiros. Os 460 veículos para o transporte especial voltado exclusivamente para evento, operados pela Auto Pax de Pretória, receberam plataformas e motores produzidos em São Bernardo do Campo.

Os chassis são da família O 500, a mais moderna da Mercedes do Brasil. A maior parte dos modelos é de O 500 RSD, de três eixos. É considerado um dos mais avançados do mundo. A motorização é toda eletrônica e segue rigorosos parâmetros europeus para a redução de emissão de poluentes e oferecem, por meio da eletrônica e informática, um maior controle operacional, fornecendo ao motorista dados em tempo real sobre o desempenho, operação e eventuais problemas nas partes elétrica e mecânica dos veículos. A potência também agradou os sul-africanos e os técnicos da Fifa. O motor desse ônibus, OM- 457 LA rende de 360 a 422 cavalos, dependendo do torque. O ônibus é robusto, com reforços na estrutura do chassi, nas rodas e todo sistema de transmissão. O Peso Bruto Total é de 24 mil quilos cada ônibus.

Os chassis e motores foram exportados para a África do Sul no sistema CDK, ou seja, partiram de São Bernardo do Campo desmontados. Chegando à África do Sul, eles foram montados na planta da Mercedes Benz em East London.

Quem quiser conferir as imagens de alguns ônibus das seleções, pode acessar o link

Continuar lendo →

O primeiro dia na terra da Copa

 

Aeroporto Johannesburgo

Nem o frio que se anunciava, nem a confusão que se imaginava. As primeiras impressões da África da Copa estão distantes daquelas para as quais nos preparamos. A temperatura em Cidade do Cabo, onde cheguei na noite de segunda-feira, era baixa, sim, e a chuva incomodava, também. Muito parecido com o clima paulistano de inverno quando os termômetros beiram os 13 graus e a garoa castiga. Nada mais além disso. Chegou a se dizer que enfrentaríamos algo próximo de zero grau nesta cidade mais ao sul da África do Sul. Talvez mais à frente, mas neste início de semana este será o cenário a recepcionar os turistas.

A chegada no principal aeroporto sul-africano, o Aeroporto Internacional Oliver Tambo, em Johannesburgo também chamou atenção, pois o ‘congestionamento’ que muitos temem não ocorreu. Nem no pouso nem no desembarque. Para quem encara as intermináveis filas da alfândega brasileira, descer na África do Sul foi rápido e tranquilo de mais, principalmente se levarmos em consideração o fato de que estamos há poucos dias de uma Copa.

Será que muita gente desistiu? Deve ser cedo, ainda.

A entrada no País somente surpreendeu a agente policial que me olhou com desconfiança quando disse que estava chegando do Brasil: “Neste horário?” perguntou ao mesmo tempo que esticava a mão na direção do meu cartão de embarque. Só depois se convenceu de que o voo que vim – com partida a 1h30 da madrugada – é novidade na South Africa Airlines. Avião extra para atender a demanda da Copa.

Malas devolvidas em ordem – apesar de um pouco batidas – e com agilidade. Despacho para o voo seguinte sem burocracia. Aviões no horário. E uma turma simpática atendendo nos bares no saguão de embarque, onde aguardei a viagem para Cidade do Cabo. Depois de oito horas e meia de um continente ao outro, ainda havia mais duas horas e meia pela frente até o ponto final.

A assustar apenas o comportamento de cinco ou seis brasileiros que desfilavam embandeirados de verde e amarelo com uma réplica da Copa do Mundo nas mãos e dizendo bobagens a quem passava.

O aeroporto de Cidade do Cabo não é tão grande como o de Johannesburgo, mas muito bonito. Os corredores vazios e o estacionamento com poucos carros às sete e meia da noite – hora local – pouco se parece com o que temos, por exemplo, em Congonhas ou Santos Dumont. Antes de aterrissar vê-se uma cidade com solo menos ocupado do que Johannesburgo.

No caminho para o hotel o trânsito não era intenso apesar de estarmos na hora do rush. O motorista encomendado antes de sair do Brasil segue com velocidade pelas pistas exclusivas para ônibus. Difícil mesmo é se acostumar com a mão inglesa. Aqui parece que todos andam na contramão. Teve colega que se atrapalhou inclusive para entrar no carro. Insistia em sentar no lado reservado ao motorista. Mas eu não conto quem foi.

No saguão do hotel simples que nos hospedará na primeira noite, apesar da ausência do vouncher em mãos, as atendentes fizeram todo o esforço para que nossa chegada se desse da maneira mais confortável possível.

Para quem chegou com um pé atrás e desconfiado da organização do evento, por enquanto as surpresas são positivas.

Problemas mesmo estavam estampados na primeira páginas dos jornais locais, impressionados com o incidente durante o amistoso da Nigéria em que 15 torcedores ficaram feridos e no telejornal sul-africano que mostrava um trânsito complicado em uma das cidades-sede da Copa, a qual não guardei o nome. A televisão estava distante e o som baixo. Foi nela, aliás, que vi os lances da vitória brasileira sobre a Tanzânia, goleada que também não surpreendeu a ninguém – a não ser pelo dois gols marcados por Ramires.

Sub de Campo Limpo diz que vai investigar muro pintado

Depois de algumas semanas denunciando desrespeito a Lei Cidade Limpa, nos muros de avenidas e ruas da zona sul de São Paulo, a Subprefeitura do Campo Limpo decidiu tomar uma atitude e anunciou que tentará identificar os autores da pintura de anúncios publicitários e de imagens que se assemelham a logomarca do presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Antonio Carlos Rodrigues.

Nesta segunda-feira, a Subprefeitura enviou a seguinte nota:

Em atenção à denúncia feita pelo jornalista Milton Jung durante a programação do CBN São Paulo desta quarta-feira (02/6), e comprovada por fotografia postada em seu blog, sobre pinturas em muros desrespeitando a Lei Cidade Limpa, a Subprefeitura Campo Limpo esclarece que solicitou a imediata presença de seus funcionários para realizar a pintura do local.

Concluído este trabalho, a Subprefeitura tentará identificar os responsáveis pela publicidade irregular e, tão logo localizados, estarão sujeitos às penalidades previstas na legislação municipal. A Subprefeitura informa ainda que os proprietários dos referidos imóveis também serão notificados a prestar esclarecimentos sobre as irregularidades constatadas em suas propriedades.

Ficaremos no aguardo.

Avalanche Tricolor: Agora é a Copa

São Paulo 3 x 1 Grêmio
Brasileiro – Morumbi (SP)

Três casacos de lã, calças para o frio e algumas malhas mais grossas. É preciso também camisa social. Três ou quatro, não mais do que isso. Não é bom esquecer as camisetas de baixo e as meias de inverno. Cachecol, luva, cueca, bota, sapato e tênis. Pantufa, não ! Isso é coisa para o Heródoto Barbeiro.

Livros, máquina de fotografia, gravador, bloco de anotações, caneta. Ops ! Será que esqueci de alguma coisa ? Espero que não. São duas malas meio vazias pra quem saber voltarem bem cheias.

Desculpe-me ! Se você esperava ter neste espaço sempre dedicado ao esporte algum comentário sobre o jogo desta tarde no Morumbi, esqueça. Meu domingo foi destinado a arrumar as malas porque na madrugada de segunda embarco para a Copa.

Estarei nos próximos 20 dias aportado na Cidade do Cabo com alguns compromissos: atualizar este Blog aqui e o Blog Fora da Área que comecei a escrever hoje no Portal Terra, onde também mediarei as conversas, ao lado do ex-goleiro e técnico Zetti, em um programa que irá ao ar todos os dias a partir da uma da tarde. E, claro, sempre que a turma do CBN SP entender que posso ser útil estarei a postos para conversar com você na rádio.

Até a África do Sul !

De percepção e opção

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça “De percepção e opção” na voz e sonorizado pela autora

ML Menina

Hoje me vem de falar de alegria e de tristeza, o que não é diferente da comida que se põe na mesa. De prato, travessa, feiura e beleza.

Alegria é como prato bem feito, equilibrado na porção, caloria e gordura. Bonito. Que alimenta e contenta.

Tristeza é prato relaxado, privado de arte; tem tudo demais, enche a pança, é certo, mas não contenta jamais.

Admito que sou exagerada e que falo pelos cotovelos e de forma figurada, mas isso não me traz problema nem nada.

Fui menina triste. Tinha tudo na matéria, mas a tristeza era tanta que você podia jurar que eu brotava da miséria.

Nem me pergunte por quê. Quem é que sabe da vida o quê?

Do porquê já confessei ignorância, mas tristeza, a seu modo, me ajudou muito na infância.

Eu me enterrava no estudo e na leitura, mas não se apoquente que eu também sabia ser contente e tinha meus momentos de alegria e de pura gostosura.

Quem é que pode dizer o que é muito, pouco ou suficiente? Só a medida que te deixa contente.

Aí fui crescendo, olhando, loucamente copiando e pouquissimamente selecionando. Fui curtindo a vida e, sendo curtida por ela.

ML Mulher

Hoje percebo o tempo que passei, instalando, do lado de fora de mim e à mercê das intempéries, meu bem-estar; e meu coração, afinado que é, se via afastado do cantar.

Ao longo do tempo busquei felicidade e emoção e disso tudo tive uma porção, mas eram momentos fugazes que me deixavam sedenta, pedindo sempre mais, quando o que havia já não havia mais.

Também carreguei no peito mágoa, que ficou ali recolhida e amarelada. Só me dou conta hoje de que ela poderia, muito antes, ter sido esquecida e apagada.

Agora, quando algo me faz entristecer, pisco muito, que esse é um cacoete, enxugo um par de lágrimas durante um par de dias, e marco o evento a lápis no calendário, em vez de gravá-lo no meu diário, e então, deixo esse algo lá, onde deve mesmo ficar.

E decido eu o que quero sentir e que pensamento pensar, em vez de por eles, por anos a fio, me escravizar.

Uma coisa é certa, tendo ou não tendo o que quero, não abro mão do meu sonho, que só faz aumentar minha capacidade de amar.

E você, está a fim de experimentar?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.


Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língiua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung.

Guia pra não perder o namorado na Copa

 

Por Dora Estevam

166443940_b931678c45_o

Verde ou amarelo?
Bandana ou chapéu; corneta ou apito; shorts ou camiseta;
Bandeira grande na janela ou bandeirinha no vidro do carro;

Já escolheu o seu adereço para celebrar ou torcer pelo Brasil na Copa da África do Sul ?

Devo lembrar que neste mesmo mês de muitos jogos, no dia 12 de junho comemora-se o Dia dos Namorados brasileiro. Será um páreo duro. Saem o vermelho e rosa, entram o verde e amarelo.

Você vai dizer: coisa de mulher pensar em romantismo essa hora. Mas não é mesmo ! Mulheres adoram o Dia dos Namorados e homens amam os jogos que, por coincidência, serão pela Copa do Mundo.

O que fazer? Se você não pode com o inimigo, junte-se a ele.

Hoje no mercado é fácil encontrar tudo na temática da Copa.

Tem lingerie, sapatilhas, lindas camisetas bordadas com muito brilho, brincos… Compre uma bandeira daquela bem grande e use a sua imaginação, só não vale ficar aborrecida. Você pode fazer uma produção bem especial sem sair do ‘climão’ da Copa.

Para abastecer a casa: copos, saco de pipoca, brinquedos, tem muita bugiganga por ai. Encha a casa delas e todos ficarão contentes. Não fique isolada nesta jogada, faça tudo para agradar, entre no clima e se divirta.

Convide casais para assistir aos jogos, divida as funções com os maridos, vai ficar bem bacana.

E se os seus filhos são daqueles que pintam a rua de verde amarelo para torcer não seja chata, saia de uma olhada, converse um pouco e, se der vontade, caia no pagode.

Uma outra dica também é decorar o nome dos jogadores da seleção escolhidos por Dunga (ele é técnico da seleção brasileira, isso você sabe, né ?). Se não consegue, imprima e cole na geladeira, não vai fazer feio dizendo que não sabe nome de jogador, isso é coisa do passado, lembre-se você é uma pessoa antenada.

Confira a lista de Dunga:
• Goleiros: Júlio César, Gomes e Doni
• Laterais: Maicon, Daniel Alves, Gilberto e Michel Bastos
• Zagueiros: Juan, Lúcio, Luisão, Thiago Silva
• Meias: Gilberto Silva, Felipe Melo, Josué, Kleberson, Elano, Ramires, Kaká e Júlio Baptista
• Ataque: Luis Fabiano, Nilmar, Robinho e Grafite

E por favor, só use a vuvuzela em casos extremamente conflitantes. Faça tudo com muita alegria e moderação. Afinal, futebol é a grande paixão do brasileiro.

Dora Estevam é jornalista, torce para a seleção brasileira e escreve no Blog do Mílton Jung

Veja outras imagens da galeria de Emarquetti no Flickr