Avalanche Tricolor: No calor das emoções


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Grêmio 2 x 1 São José
Gaúcho – Olímpico Monumental

Foi a primeira partida do ano que não assisti por inteiro. Aliás, não vi um só minuto do jogo, pois ao chegar em casa, após uma tarde em que política e cidadania foram o foco das conversas do Adote um Vereador, no Sesc Pompeia, liguei a televisão e os jogadores deixavam o gramado com mais uma vitória de virada no Gaúcho.

Nas entrevistas, ficaram em segundo plano o belo gol de Mithyuê e o oportunismo de Fábio Santos em jogo “amistoso” no qual o único objetivo era manter a invencibilidade no estádio Olímpico que completa um ano e cinco meses. Entenda as aspas em amistoso: o Grêmio havia garantido classificação à próxima fase com dois jogos de antecedência e o primeiro lugar no grupo na rodada anterior.

Os jogadores que encerraram a partida falaram em dificuldade para respirar, esforço sobre-humano e calor insuportável. Eram sobreviventes de uma estratégia insana de dirigentes incapazes de entender o que sofre o corpo exposto a atividade física sob o sol escaldante do verão gaúcho. Os mesmos que criticam a autorização para jogos disputados a mais de 2.500 metros de altitude, fazem vistas grossas a temperatura de quase 37º.

No Rio Grande do Sul, por imposição do Ministério Público, as partidas não podem ser jogadas quando os termômetros registram mais de 35º. O árbitro vai a campo com um medidor de temperaturas em mãos, e foi com base na informação de uma dessas maquininhas digitais que o Carlos Eugênio Simon autorizou o início do jogo. Bastava ver a expressão desses atletas após a partida para entender que seria impossível praticar futebol de qualidade.

Mesmo nestas condições, o torcedor assistiu ao primeiro gol de Mithyuê, um menino que aceitou trocar o título de ídolo do futsal por craque no futebol de campo. E não vai se arrepender – nem ele nem os torcedores. Tem talento, habilidade, inteligência e marca gols como o desta tarde em que acertou um belo chute de fora da área.

Ter deixado de assistir à partida deste sábado de Carnaval não chegou a me incomodar. Havia uma boa justificativa para tal, não fui cúmplice do desrespeito imposto aos atletas e, convenhamos, Mithyuê ainda vai jogar muita bola para a alegrai do torcedor gremista.

Careca, relaxa e goza

 

Dora Estevam

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É dos carecas que elas gostam mais … Quantas vezes na vida você já ouviu esta Marchinha de Carnaval ? O fato é que ninguém gosta da ideia de ficar careca. Mas, se é que serve de consolo, existem algumas soluções (clínicas e estéticas) tanto para o homem quanto para a mulher (siiiim, elas ficam carecas, também) que podem ser seguidas sem ter que passar  vergonha ouvindo aqueles apelidos desagradáveis: canteiro de cebolinha, cabelo de boneca, pouca telha, plantação de milho, aeroporto de mosquito… e por ai vai.

Diz o médico de calvície, Francisco Le Voci, da Sociedade Brasileira de Dermatologia e especialista em transplante capilar do Hospital Albert Einstein, que as pessoas passam por um momento no qual o que importa é a aparência. Com isso há enorme procura pelos tratamentos que trazem resultados naturais, algo impossível há 15, 20 anos. O ciclo do cabelo melhora muito com a evolução das técnicas e  os novos materiais.

Foi a solução encontrada pelo cabeleireiro Narciso Guilherme, do salão Amica-SP. Assim que os fios começaram a cair e foram sobrando aqueles tufos, ele logo procurou um esteticista especializado em calvície. Com implantes conseguiu que em seis meses os fios crescessem. Hoje, estão ótimos e Narciso está satisfeito com o resultado.

Como profissional, a sugestão de Narciso: “Toda vez que vem algum cliente com aqueles poucos cabelinhos no pescoço, compridinhos e desajeitados,  eu logo dou a dica para cortá-los. Não precisa ser radical e raspar a cabeça, basta mantê-los beeeem curtinhos. Se for optar por uma barba, cavanhaque ou bigode, a dica é a mesma: mantê-los bem aparados, para que haja um equilíbrio entre a careca e os fios curtos.”

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Ele ensina que existem vários shampoos no mercado para a boa higiene. Há também algumas maquiagens, mas Narciso desaconselha, não vê necessidade. O ideal é que  se vá ao médico para saber qual o tratamento adequado. Há um para cada tipo de cabeça. E alerta: tem de ser natural e saudável.

A exemplo de Narciso, o doutor Francisco Le Voci entende que o ideal é ouvir um especialista assim que perceber a queda de cabelos. Se é uma pessoa jovem, é mais fácil controlar o problema logo no começo. Existem formas de desacelerar a queda. Nos mais velhos, o processo de recuperação é mais lento, às vezes é preciso até cirurgia.

Le Voci alerta que as  mulheres também sofrem de queda de cabelo. Não ficam carecas, mas o cabelo fica ralinho no alto da cabeça. Antigamente, em lugar de buscar soluções para o problema, usavam perucas. Hoje, quando a queda afeta a auto-estima, partem para o transplante. Cuidam da cabeça assim como da pele, das rugas e do peso.

Atualmente, as mulheres perdem muito mais cabelo do que no passado. Isto é resultado da mudança de comportamento provocada pela revolução feminina, o uso da pílula, menstruação, estresse no trabalho – tudo isto interfere. Le Voci calcula que 80% das mulheres podem perder cabelos depois da menopausa. Se tiverem antecedentes na família, será quase inevitável.

Todos temos uma perda fisiológica de cabelo que vai de 50 a 100 fios por dia, mas não é o suficiente para se ficar careca, pois nascem novos fios, também. O sinal de alerta é quando está caindo de mais e nascendo de menos. Neste caso, é fundamental procurar um dermatologista.

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Um caso famoso de careca  é o do ex-tenista André Agassi.  Em “Open an autobiography”, livro no qual revela o consumo de droga e critica colegas de quadra, ele conta que usou peruca para jogar e, em partida disputada pelo Torneio de Roland Garros, em 1990, quase a perdeu – a peruca, não o jogo: “Claro que poderia ter jogado sem ela, mas depois de meses de criticas e ironias eu  já estava muito afetado. A imagem não é tudo? Que diriam se soubessem da peruca? Ganhasse ou perdesse, não iriam falar do jogo. Só falariam disso. Se fechar os olhos, consigo ouvi-los e sei que não ia aguentar”.  

A sugestão de raspar a cabeça e se livrar da peruca foi da Brooke Shields, mulher dele na época.

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Ano passado o ator e produtor Mel Gibson, aos 53 anos, caiu na traquinagem do filho e aceitou o desafio: raspou a cabeça. Comentário dele ao New York Post: “Pensei que me sentiria bem. Que seria uma boa mudança. A verdade é que eu parecia um frango despenteado, e a única vantagem é que não me reconheciam nas ruas”,.

Apesar da grande preocupação com a aparência  o que precisa mesmo é ser saudável, cuidar da  pele, da alimentação, da espiritualidade e do cabelo, é lógico, ensina doutor Francisco Le Voci. Não adianta jogar todas as frustracões na careca. Não vai resolver. Importante é o que tem em você.

Saiba que não existem milagres, mas há alternativas para sentir-se bem. Quanto antes você tiver orientação de um profissional seguro e honesto maior é a chance de resolver o problema. Se é que calvície chega a ser um problema para você.

Dora Estevam é jornalista e aos sábados escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung.

Encontro do Adote um Vereador é neste sábado, no Sesc Pompeia

 

adoteNeste sábado de Carnaval, integrantes do Adote um Vereador se encontram para trocar experiências, conversar sobre política e discutir temas relacionados a cidade de São Paulo, na sede do Sesc Pompeia. As reuniões mensais costumam ocorrer de maneira informal, quando cada participante conta um pouco do trabalho que realizou e como o seu “adotado” está se comportando. Neste primeiro evento do ano, as presenças tanto do pessoal da Transparência Brasil como do Movimento Voto Consciente Jundiaí serão importantes para que se aprenda um pouco mais sobre a ação cidadã no legislativo.

A ideia do Adote um Vereador foi apresentada logo após a eleição municipal de 2008 e consiste em motivar os eleitores a escolherem um dos parlamentares da Câmara Municipal, levantarem informações sobre ele e publicarem em blogs estes dados para que o conhecimento seja compartilhado com a sociedade. Com alguns vereadores o diálogo avançou bastante, outros se mostram reticentes pois parecem ter medo do cidadão.

Neste ano, o desafio do Adote é ampliar o número de participantes para que São Paulo e demais cidades possam criar uma grande rede de controle social sobre o legislativo, reforçando assim o trabalho competente desenvolvido por ONGs como Voto Consciente, Nossa São Paulo e Instituto Ágora, além da própria Transparência que congrega informações sobre os parlamentares no site Excelência.org.

O encontro de hoje será a partir das duas da tarde, e concentração será logo após o portão principal do Sesc Pompeia, na rua Clélia, nº 93. Não precisa ser participante do Adote para aparecer por lá e conversar com a gente. Contamos com a sua colaboração.

Enquanto não ligo meu carro na tomada

 

Por Rosana Jatobá

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O telefone toca na redação. É o Jô Soares, interessado em saber sobre o risco de chuva forte naquela tarde quente de verão em São Paulo.

Consulto o último boletim da meteorologia e vou ao encontro do meu amigo, no estacionamento da emissora.

Ele está vestindo uma camiseta com emblema do SuperHomem, pilotando um jipe conversível, réplica do modelo usado pelo exército americano na segunda guerra mundial para a invasão da Normandia. A intenção é dar umas voltas pela zona sul da capital paulista no brinquedo recém-comprado.

-Vá tranquilo, Jô; o radar meteorólogico indica chuva forte só no início da noite. Você ainda tem pelo menos três horas de passeio.

Ele aproveita para perguntar sobre meus projetos na área de sustentabilidade, comenta a última entrevista que dei para o programa dele, e provoca:

– Outro dia, eu te vi saindo da TV. Como uma pessoa tão envolvida com as questões ambientais pode ter um carrão daqueles, um utilitário beberrão?

E agora? Pensei. Que saia justa…
No mês anterior, tinha ido ao programa do Jô divulgar o meu programa ambiental no GNT – “Um mundo pra chamar de seu”. Na ocasião, falei pra todo o país da importância de minimizar a sobrecarga sobre o planeta e dei dicas de como adotar medidas pra reduzir a “pegada de carbono”. Agora, minha coerência estava sendo posta à prova…

– Este é o meu calo, Jô. Incomoda minha consciência, mas não consigo me livrar dele. Sempre tive carros utilitários, robustos, que me fazer sentir poderosa no trânsito de São Paulo.

E o argumento cabal:

– Só veiculos desta envergadura conseguem suportar uma blindagem, sem perder a potência. Confesso que o medo da violência é maior do que o meu desapego.

Ele pareceu convencido, o que não diminuiu meu constrangimento.

Em casa, desabafei com meu marido:

-Amor, vou trocar o carro. Não posso levantar as bandeiras ambientalistas e acelerar um motor que só roda seis quilômetros e meio a cada litro de gasolina e emite 348 gr de dióxido de carbono por quilômetro. Preciso de um carro flex, movido a etanol, o nosso combustível verde!

-O etanol tem rendimento inferior ao da gasolina. Você vai precisar de mais álcool para percorrer a mesma distância. No cano de descarga , o volume de emissão de CO2 será praticamente o mesmo entre os dois combustíveis.

– Mas se a gente considerar a cadeia produtiva , o etanol é mais eficiente no combate ao aquecimento global. Todo o gás carbônico emitido pelos veículos movidos a álcool é reabsorvido pelas plantações de cana-de-açúcar. Isso reduz em até 70% as emissões do gás. Além disso, o etanol usa o gás carbônico retirado da atmosfera pelas plantas. O petróleo joga na atmosfera o gás carbônico armazenado no solo e não o reabsorve.

– Mas você acabou de comprar este carro. Já perdeu 30% do valor original. Vai jogar mais dinheiro pela janela?

-Então vou converter o motor.

-Aí você perde a garantia. Seja racional. Você já faz a coleta seletiva do lixo aqui em casa, reduziu o consumo de sacolas plásticas, compra alimentos orgânicos e já não come carne vermelha há quase 2 anos; trocou as lâmpadas incandescentes, comprou móveis de madeira certificada e aparelhos elétricos eficientes….não seja radical, porque ninguém aguenta uma ECOCHATA!

– Ecochata, eu? Quer dizer que lutar por uma atmosfera mais limpa é ser ecochata?

O termo ecoou dentro de mim pelos dias seguintes. E me despertou para o risco de cair na armadilha mais comum na vida dos ambientalistas: seguir à risca o manual ecologicamente correto, o que nem sempre resulta em consumo consciente. É preciso bom senso para fazer as escolhas.

Para mitigar a culpa por ter um vilão na garagem, reformei a velha bicicleta, com a qual faço os percursos mais curtos no bairro, como ir à academia, à banca de frutas ou ao parque.

Mas a minha redenção está a caminho. Estou de olho no carro elétrico. Ele tem zero de emissão direta e aproveita as fontes alternativas de geração elétrica. É mais eficiente em termos energéticos, pois se reabastece na frenagem, na descida e não gasta energia em ponto morto. É mais barato, pois não requer sistemas de transmissão e refrigeração sofisticados e dispendiosos. E simplesmente não tem sistema de injeção de combustível, de lubrificação do motor, de escapamento, motor de arranque, catalisador e abafamento de ruído. O motor elétrico custa uma fração de um motor à combustão e seus acessórios. Resolvido o problema da bateria, o carro elétrico custará menos do que os carros convencionais, terá custo de abastecimento muito inferior, desempenho superior em torque e nenhuma emissão de barulho e gases poluentes.

Até parece que sou “expert” na parafernália automobilística, não é? Que nada! Toda esta propriedade ao comentar as vantagens do carro elético vem do trabalho “Carro elétrico, a revolução geopolítica e econômica do século XXI e o desenvolvimento do Brasil”, de Gustavo Antônio Galvão dos Santos, Bruno Galvão dos Santos, Rodrigo Loureiro Medeiros e Roberto Pereira D’Araújo – os dois primeiros, economistas do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social); o terceiro, professor de engenharia da Universidade Federal do Espírito Santo; e o quarto, engenheiro eletricista.

Com um veículo superpoderoso como este – quem sabe?- eu possa vestir uma fantasia de Mulher Maravilha e, a exemplo do que fez o Super Jô Soares com seu jipe retrô, eu consiga pilotar o carro dos meus sonhos, sem culpas, e sem o medo das ameaças que vêm dos céus e da terra!!


Rosana Jatobá é jornalista da TV Globo, advogada e mestranda em gestão e tecnologias ambientais da USP. Toda sexta, conversa com os leitores do Blog do Mílton Jung sobre sustentabilidade.

Foto-ouvinte: Vidas derrubadas

 

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Operários jogam ao chão um das últimas paredes da “Viela dos Peixes, no Jardim Patanal, bairro alagado desde dezembro na zona leste de São Paulo. Gilberto Travesso, do Blog Notinhas de São Miguel, diz que cerca de 60 famílias foram removidas e casas, demolidas. Todas moravam praticamente dentro do “velhor Rio Tietê”, em área de preservação ambiental.

A lamentar, digo eu, o fato de muitas das crianças que tiveram de sair de suas casas estarem sem vaga nas escolas da região para onde foram transferidas.

Canto da Cátia: Olheiros para os Ecopontos, também

 

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Fiscais disfarçados de morador de rua foram usados pelas subprefeituras da Casa Verde e Freguesia do Ó, na zona norte de São Paulo, para flagrar depósito ilegal de entulho em locais públicos. O resultado de dois dias de ação foi a prisão de seis pessoas e o susto naqueles que agem de forma criminosa, conforme ressaltou o subprefeito Walter Abrahão Filho, da Casa Verde, que conversou com o CBN SP. No mesmo programa, ouvi da Cátia Toffoletto o relato de irregularidades e descaso em ecopontos mantidos pela prefeitura de São Paulo, locais que deveriam servir para o depósito deste material. No entanto, estes ambientes tem se transformado em “lixões” ao ar livre. Talvez esteja na hora de colocar “olheiros” também para verificar porque os administradores municipais não controlam o acesso aos ecopontos.

Ouça a reportagem da Cátia Toffoletto sobre o descaso nos ecopontos

Ouça a entrevista com o subprefeito da Casa Verde sobre a operação de combate ao lixo clandestino

Assim se faz uma limonada

 

Por Abigail Costa

Tenho  me sentido meio-ácida.

Tudo bem que se botar na ponta do lápis tinha lá meus motivos para o meu lado limão. A semana começou com o meu pequeno no hospital, só isso já me deixa sem rumo. Nada me tira mais do eixo do que a febre de filho. Chego até me preparar para de vez em quando… Só que quando o termômetro bate na casa dos 38,5º, me desespero.

Alguns dias de preocupação e depois vai passando.

Família, casa, cachorros e gato. Esse conjunto de vidas tão diferentes e tão iguais ao mesmo tempo no tema dependência.

Primeiro o filho: olhar dengoso do tipo fica-do-meu-lado-por-favor! Agora o cachorro. Acabei de dar remédio, banho…. Sim, o cão também teve febre. Coitado. Percebi que até emagreceu.

É assim, cuido, tomo conta, fico olhando se dormiu, comeu …. e me consumo. Energia gasta. Pilha quase no fim, mas me sinto uma privilegiada.

Essa acidez, prefiro lidar como um excesso de zelo. Enquanto vejo meus colegas enlouquecerem por conta do trânsito, este definitivamente não me amola. Atrasos, tiro de letra. Bem sei que de outra maneira já estaria batendo os pinos.

Chefes, se dá um jeito. Falta de dinheiro agora pra pagar as contas, deixa para o mês seguinte e se parcela.

Mas os meus problemas domésticos, estes não consigo repassar.

Tenho que estar por perto. Acompanho a chegada deles. Tem que ser eu a dar o diagnóstico, fazer o tratamento e presenciar a cura. Até chegar nos finalmentes, às vezes custa um pouco.

Falava sobre isso com um amigo. Com  simples perguntas ele me fez ver beleza nisso tudo.

“Quer preocupação mais gostosa do que essa?  Quer maior sinceridade, que a de alguém que pede ajuda só pelo olhar?”

Tem razão.

Cuidando de um,  de outro, dormindo menos, acordando mais cedo. Sabe que  nenhum cartão de crédito paga isso ? Sinto que em determinados momentos erro na dose. Mas  não abro mão da minha limonada.

Abigail Costa é jornalista e às quintas-feiras escreve no Blog do Mílton Jung sempre pronta a deixar a vida mais doce.

Apenas por cidadania, caro amigo

 

adoteNa CPI que investigava as maracutaias de Fernando Collor, Roberto Jefferson, da tropa de choque, perguntou ao motorista Eriberto, que reforçava denúncias contra o então presidente, se ele fazia tudo aquilo “apenas por patriotismo”. Eriberto respondeu: “E o senhor acha pouco ?”.

Roberto Jefferson provavelmente achava, pois no meio em que vivia isto não era comum; de seus mais próximos jamais assistiria atitude semelhante; dele, certamente, nunca haveria movimento neste sentido. Jefferson não é o único. De todos os lados, vemos reações desconfiadas e incomodadas contra aqueles que, voluntariamente, acreditam no exercício da cidadania.

Nesta semana mesmo, se ouviu no plenário da Câmara Municipal de São Paulo queixas em relação a entidades e organizações não-governamentais que acompanham o trabalho dos vereadores. Para eles, são grupos que não atuam pelo bem de São Paulo, mas por interesses particulares.

Pouco me interessa quem foi o parlamentar que perdeu seu precioso tempo atacando a quem deveria agradecer, pois ele não fala sozinho. Outros, menos corajosos, preferem o comentário no corredor, no bastidor ou no papo ao pé da orelha de colegas jornalistas.

Recentemente, em debate realizado pelo CBN SP sobre as perspectivas da Câmara para 2010, por mais que os convidados demonstrassem desprendimento e interesse na discussão democrática, deixaram escapar o quanto a fiscalização cidadã constrange.

Neste blog, no mesmo dia e com palavras semelhantes a do parlamentar que falou na Câmara, um leitor publicou comentário pondo em dúvida o interesse de integrantes do Adote um Vereador, movimento que incentiva a participação popular no processo legislativo. Não consegue crer que alguém ‘desperdice’ seu tempo cobrando dos políticos atitudes coerentes e respeito à coisa pública, sem que por trás disto não haja comprometimento partidário ou má-intenção.

Pois, acreditem. Existem cidadãos que sabem o papel que devem exercer na sociedade e estão dispostos a melhorar o trabalho no legislativo, em um sinal claro de que ainda crêem que o caminho para que tenhamos uma cidade melhor passa pela Câmara Municipal. Pela qualificação de nossos vereadores. E, por isso, não se incomodam com as críticas e desconfianças, se fortalecem.

Prova disto, é que neste sábado de Carnaval integrantes do Adote um Vereador se mobilizam para um encontro no Sesc Pompeia, em São Paulo, a partir das duas da tarde. Oportunidade em que trocam experiência, traçam estratégias, organizam campanhas, divergem sobre ações realizadas, riem daqueles que acham que há alguém financiando tudo isso que aí está e se reforçam para combater o bom combate.

Aproveite o início do ano, participe do encontro e Adote um Vereador. Apenas por cidadania.

Avalanche Tricolor: De Rondonópolis para o Japão 2011

 


Araguaia 1 x 3 Grêmio
Copa do Brasil – Rondonópolis (MT)

Quatro vezes campeão, sete vezes finalista, copeiro. Poucos sabem tanto quanto o Grêmio como são complicadas as estradas que levam ao título da Copa do Brasil. Neste ano, começou em Rondonópolis, 210 quilômetros de distância da capital Cuiabá, no sudoeste do Mato Grosso, apenas metade do caminho de onde veio o primeiro adversário, Alto Araguaia, terra de gente valente, lutadora.

É preciso coragem pra dividir a bola com um zagueiro que encara este como o último jogo de sua vida ou um atacante que enxerga a rede como a única garantia de que terá comida no prato no dia seguinte. Por isso, é quase um ato de bravura entrar em campo nestas primeiras rodadas da Copa. E para premiar os bravos, a CBF oferece a oportunidade de eliminar a segunda partida em casa se houver vantagem de dois gols de diferença jogando fora.

O Grêmio saiu atrás no placar, empatou, virou e se classificou para a próxima etapa por antecipação. Antes disso, assistiu a mais uma excelente atuação de Vítor; demonstrou que Mário Fernandes é o melhor defensor que temos; pela primeira vez comemorou alguma coisa boa dos pés de Rochemback – duas, se contar a sola que deu em uma dividida de bola (desculpa, eu vibrei !); e comprovou que Borges tem o espírito de goleador.

Fez dois gols na partida, dez na temporada e dá de goleada na disputa paralela com Washington, do São Paulo: 10 a 2. E não me venham com este papo de desqualificar o adversário.

O homem é matador. Tá na cara. Tanto quanto o Grêmio nasceu para ser campeão da Copa.

Já comecei a arrumar minhas malas para Japão 2011.

Canto da Cátia: Sala de aula

 

Volta às aulas no JD Helena

A caminho da escola, os alunos do CEU Três Pontes tem à disposição um rico material pedagógico. Lama, móveis destruídos e imóveis alagados alertam para os riscos ambientais que a ação do homem gera. Ensinam que nossa forma de consumo, a maneira como exploramos a terra ou mesmo a falta de respeito das autoridades com populações mais pobres deixam suas marcas no ambiente urbano. Da geografia à história, da ciência à biologia, boa parte das matérias que estudam na sala de aula tem capítulos relacionados ao cenário fotografado pela Cátia Toffoletto, na rua Capachós, onde fica o CEU.


Ouça a reportagem de Cátia Toffoletto sobre a volta às aulas nos bairros atingidos pelas enchentes, na zona leste de São Paulo

Pode parecer irônico, mas a prefeitura teve de construir uma ponte para que os alunos consigam entrar no CEU Três Pontes.