Canto da Cátia: Viciado em lixo

 

Entulho na calçada 2

Um “passeio” pela cidade, sem precisar ir muito longe, é suficiente para a repórter Cátia Toffoletto encontrar pontos “viciados” de lixo em São Paulo. Nesta manhã, passou pela avenida Presidente Wilson, no Ipiranga, e encontrou a calçada tomada pelo entulho. Em seguida se deparou com outro desrespeito à cidade na rua Coelho Netto, na Vila Prudente. Fotografou e conversou com os moradores e comerciantes da região que não gostam nada desta situação.

Ouça a reportagem de Cátia Toffoletto

Depois que a reportagem foi ao ar no CBN São Paulo, a Secretaria Municipal de Serviços enviou nota ao programa afirmando que o lixo seria recolhido e as subprefeituras responsáveis pelas áreas iriam intensificar a fiscalização no local para punir os autores desta irregularidade.

Interessante constatar que todos na região sabem do problema, o serviço de limpeza já esteve lá em outras oportunidades, mas somente agora prometem “intensificar a fiscalização”.

Cassação de governadores não comove eleitores

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos 

Um pedido de vista – o Ministro pediu o processo para examinar o seu conteúdo para depois votar – interrompeu o julgamento do governador de Rondônia, Ivo Cassol, no TSE. O placar está empatado em um a um. Corre o risco de ser cassado pois a decisão no TRE local foi unânime em cassá-lo. Está no cargo porque obteve uma Medida Liminar (provisória) do mesmo TSE, que entende prudente evitar o rodízio e o trauma das substituições.

Meses antes, o Tribunal havia confirmado a cassação dos mandatos do governador e do vice-governador da Paraíba por abuso de poder econômico e político e prática de conduta vedada nas eleições de 2006.  O TSE, tal e qual como já fizera o Tribunal Regional Eleitoral daquele Estado, reconheceu a utilização viciada e espúria de programa social para distribuir recursos públicos mediante a entrega de cheques a determinadas pessoas, eleitores, visando à obtenção de benefícios eleitorais. Diante da ausência de previsão legal e orçamentária para distribuição daqueles recursos e da ausência de critérios objetivos tais como estudos sociais, perfil do beneficiado, comprovação de carência, etc para escolha e concessão de benefícios, aquele Tribunal declarou o uso promocional do programa social. 

Um detalhe decisivo para a cassação: o próprio governador distribuía os cheques e atendia pessoalmente a eleitores em diversos municípios do Estado. Depois, numa prática nauseante, o Governo por ele chefiado, em nome do contribuinte, claro, enviava foto do governador junto com os cheques distribuídos. Para arrematar, às vésperas do pleito, ocorreu uma elevação dos gastos com o “programa”.

Embora afastado do cargo, Cunha Lima lidera com folga absoluta as pesquisas para o Senado Federal, a ser disputado em 2010.  

No início de março, o mesmo TSE cassou os mandatos do governador e do vice-governador do Maranhão por abuso de poder político, eis que suas campanhas eleitorais haviam sido drenadas por práticas não menos medonhas pelo governador da época. No julgamento, o Tribunal registrou a ocorrência da assinatura de convênios públicos do Estado em comícios do candidato Jackson Lago. Cassado e afastado, Lago provavelmente será candidato a Governador novamente em 2010, dizem os sites maranhenses.

Tanto o sucessor de Cunha Lima quanto de Lago respondem em processos junto aos seus TREs e TSE por motivos bastante semelhantes: abusos nas eleições de 2006.

Sabe-se que um expressivo contingente de candidatos disputa eleições desenvolvendo campanhas limpas e pregando propostas sem a interferência do abuso de poder econômico, político ou de autoridade. Todavia, não se pode ignorar que o discurso piegas de conotação sebastianista tem se mostrado deveras eficaz a ponto de vitaminar aristocracias estaduais, especialmente diante do horário gratuito de rádio e televisão proporcionado pela legislação, que a tudo distorce. 

A eficácia da relação paroquial e clientelista é indiscutível, sobretudo junto àqueles colégios eleitorais que apresentam altos índices de analfabetismo, baixa renda e desemprego.

Tal contexto, num país onde muitas campanhas eleitorais são drenadas pela corrupção e oportunismo entre o público e o privado, torna impossível divinizar a cidadania e transformar a representação popular em algo intocável ou insuscetível de questionamento judicial. Logo, cassar mandatos obtidos de forma espúria, indevida e sob o rompimento da legalidade, é uma valorização da Democracia.

Adiante, no início de novembro, o STF, confirmando decisão do TSE, cassou o mandato do Senador Expedido Júnior por corrupção eleitoral (cassado em Rondônia neste mesmo processo que o Governador Ivo Cassol responde). Porém, o Senador que assumiu a sua cadeira responde a vários processos, sendo que num deles, criminal, foi condenado à pena de prisão. Mais? Seu primeiro suplente no Senado é o seu pai. Mais um registro de nepotismo na Suplência.

Retomando, cabe uma pergunta: quem será que lidera as pesquisas para o Governo Estadual de Rondônia em 2010? O mesmo ex-Senador cassado!

Caso DF: juridicamente, há possibilidade de Impeachment, eis que os fatos, segundo as informações e gravações denunciantes, envolvem atos de gestão pública.

Estes processos, assim como mais meia dúzia de similares envolvendo outros Governadores que aguardam pauta no TSE, evidenciam que a reeleição para o Poder Executivo não deu certo no Brasil É necessário repensar o seu formato atual, que facilita a recondução do titular por conta da verdadeira confusão que se estabelece entre o gestor-candidato, um verdadeiro palanque ambulante.

O eleitor destes colégios eleitorais é, sem dúvida, partícipe direto deste circo de horrores. Aliás, a responsabilidade é parelha tanto dele como dos eleitos, vez que o candidato concorre porque sabe – e usufrui – desta relação neurótica. Afinal, todos os demandados na Justiça Eleitoral nestes processos foram eleitos ou reeleitos.

Por outra, cassar governadores que foram eleitos de forma ilícita não significa uma interferência de um poder no outro, tampouco rompimento da representação popular e muito menos vulneração da cidadania. Trata-se de uma restauração compulsória da normalidade, da ordem e até mesmo da higiene. 

Contudo, de tudo isso, também é possível se concluir que as cassações judiciais, se a um ângulo determinam o encerramento dos mandatos obtidos de forma espúria, a outro, não comovem os eleitores, visto que estes, sob a forma de desagravo, reconduzem cassados a relevantes cargos públicos.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado em direito eleitoral e escreve às segundas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Audiência pública influenciará decisão sobre IPTU

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adoteA pressão contra o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e os vereadores da base governista tem crescido desde que o projeto que aumenta o IPTU em até 60% foi aprovado em primeira votação. A expectativa é que haja forte mobilização na audiência pública marcada para hoje, às 15 horas, na Câmara Municipal de São Paulo.

Os principais movimentos sociais da capital paulista devem estar presentes para apresentar sugestões ao projeto de lei da Planta Genérica de Valores e cobrar as mudanças que alguns vereadores governistas tem prometido nos bastidores. A discussão será a base para as mexidas que possam ser feitas até a votação em segundo turno que deve se realizar na quarta-feira, dia 2.

Na tentativa de reduzir o impacto do aumento proposto pelo prefeito Kassab, vereadores do PSDB admitem parcelar o repasse do reajuste, que, originalmente, é de 40% para os imóveis residenciais e de 60% para os comerciais. O índice é o limite máximo que o valor do IPTU pode aumentar, em 2010. A intenção agora é diminuir este índice no primeiro ano. E cobrar o restante da conta depois que a eleição presidencial passar.

Aliás, se tem algo que não se pode condenar o prefeito Gilberto Kassab neste episódio é que ele tenha tomado uma medida eleitoreira.

Ouça a entrevista da presidente da Samoorc Célia Marcondes sobre a importância da participação na audiência pública

PS: Everton Zanella, que adotou o vereador Floriano Pesaro (PSDB), lembra por e-mail que é de se lamentar o fato de a Câmara Municipal de São Paulo não transmitir nem tornar disponível na internet as sessões das audiências públicas e debates no plenário.

Brasília lidera tentativa de fraude no Wikimedia Brasil

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300px-WikibrasilA intolerância política no ano da eleição preocupa os organizadores da Wikimedia Brasil que desenvolve no país a ideia da construção do conhecimento compartilhado. Monitorar a publicação de informações em uma plataforma aberta ao público se transformará em um desafio em função da manipulação que grupos políticos de todas matizes tentam impor.

Tem aumentado as tentativas de fraude com a retirada de informações que possam prejudicar a imagem de um político ou a publicação de dados falsos para enaltecê-lo. A maioria das vezes estas mudanças irregulares nos textos à disposição na Wikimedia é feita de computadores baseados em Brasília – não por coincidência. A identificação é possível graças ao sistema que registra o IP daqueles que mexem nos dados.

Na desconferência que discutiu a Wikimedia e a política, na qual o projeto Adote um Vereador foi um dos destaques, no Sesc Pompéia, conheci um “wikipedista” que alertou para a ação imprópria de partidos e parlamentares que tentam fraudar as informações. Ele lembrou que o esforço neste momento é publicar dados objetivos sobre os parlamentares e candidatos. Em jogo está a credibilidade desta ferramenta que tem se transformado em uma das principais fontes de informação no mundo.

Os que tentam manipular a informação são incapazes de entender a importância do compartilhamento de ideias e conhecimento. Não tem habilidade para o convívio social que se estrutura através da internet. A lamentar que muitos destes é que estão a frente da formatação de políticas públicas para o País.

Avalanche Tricolor: Tchau, Tcheco !

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Grêmio 4 x Barueri 2
Brasileiro – Olímpico Monumental

A tentativa do gol de letra foi a jogada mais relevante do meio campo Tcheco na partida de despedida. Fez pouco e pouco teria a fazer em jogo no qual vê-lo pela última vez com a camisa do Grêmio era suficientemente emocionante.

Deixa o time após 183 jogos e 43 gols, com total respeito de seus colegas que fizeram questão de cumprimentá-lo a cada gol marcado. E o carinho de uma torcida que neste ano chegou a retorcer o nariz para algumas apresentações dele, mas soube levar a mensagem de agradecimento a um desses poucos jogadores capazes de nos fazer acreditar que eles não estão em campo só por dinheiro.

“Tcheco nós te amamos, volte” dizia uma faixa estendida pelos torcedores que tiveram como retribuição um cumprimento singelo e emocionado do atleta. Ele não jogou a camisa para a torcida, apenas a braçadeira de capitão que nem mais dele era. Preferiu guardar de lembrança o Manto Tricolor que vestiu pela última vez.

Foi com aquele número 10 nas costas que Tcheco deu passes incríveis, marcou belos e importantes gols, brigou com o adversário e com o juiz (quantos cartões amarelos resultaram da sua indignação pela injustiça que presenciou).

Sai do Olímpico sem um título marcante, o que talvez o torne ainda maior, pois foi capaz de conquistar o coração tricolor apenas com seu futebol.

Deixará saudade. A bola presa entre os pés. A cobrança de falta feita com maestria na cabeça de um colega dentro da área. A marcação implacável ao adversário. A cara de choro e irritação sempre que algo não dava certo. O desejo de ser um vencedor com a camisa do Grêmio.

Tcheco foi um vencedor. Até mesmo na hora de sair do clube, uma partida antes de um jogo que eu não quero assistir.

Nos acréscimos:

A  pergunta que não para de chegar no Twitter é: “o Grêmio vai vencer, Milton ?”. Interessante, o São Paulo se entrega para o Goiás, o Palmeiras vem tropeçando todo o segundo turno, o Inter não consegue ganhar uma partida decisiva e agora ficam todos pedindo ao Grêmio que “ganhe, pelo amor de Deus”. Vão jogar futebol!

De impermanência e frustração


Por Maria Lucia Solla

Ouça “De impertinência e frustração” na voz da autora

Foto flor

Olá,

É segunda-feira. Acordo me dando conta do tanto para fazer, e sorrio.

Não é uma segunda-feira comum; é a que arremata um fim de semana de três dias.
De feriado na sexta.

Eu, como boa representante de uma família de tatus, pago para não sair de casa e fico brincando o fim de semana inteiro. Escrevo, crio almofadas, leio, cozinho – como bem à beça – estouro pipoca, assisto a alguns filmes, tomo sorvete, passeio
com a Valentina, vou a pé à padaria buscar uns pãezinhos crocantes, passo na banca de jornal e levo um para casa.

O computador me faz muito mais companhia do que a TV. Furungo sem parar. Penso numa coisa, vou lá olhar o que se está dizendo a respeito. Ouço música pelo computador. Escrevo, escrevo, escrevo…

Perco-me em atalhos das estradas da internet e viajo sem rumo certo. Um site me leva a outro e, quando percebo que caí na armadilha, me sacudo e volto para a estrada principal daquele dia, ou daquele momento.

Segunda-feira depois de feriado tem gosto de estou-satisfeita, ou pelo menos de estou-quase-satisfeita. Sorrio quando a agenda do dia se materializa na minha mente antes que eu ponha os pés no chão. Tomo meu suco, que chamo de suco da vida, um café com direito a pão com manteiga, abro o computador e me ponho a preparar palestras: acentuação, hífen, proparoxítonas, concordância, átona, tônica, ditongo, reforma ortográfica, pontuação com pitadas de astrologia, música, propriedades e impropriedades da língua portuguesa.

Organizada, saio para o trabalho.

Chegando lá, a turma atenta, preparada para o melhor – nunca para o pior – observa enquanto conecto os fios para que as máquinas se comuniquem, e para que se inicie mais um encontro do projeto Expressão na Comunicação e Vice-Versa. E quem é que diz que o computador liga. Mas não liga, mesmo.

O Vice-Versa ficou em casa dormindo. A garantia venceu há 25 dias, mas o Dr. Backup vai chegar em uma semana. Engulo a aflição – leia-se choro – e improviso. Afinal, não apresento, simplesmente, o show; eu o produzo. Portanto, havia o que dizer.

Saio de lá com o pequeno Apple nos braços e corro para o Pronto Socorro mais próximo.

Veredictum: Mortem!

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza palestra sobre comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung, neste teve de usar um velho computador que estava de lado, mas gravou seu texto pelo Iphone

Buracos da Cidade: São Paulo afunda

 

Buraco na Pacaembu

O passeio dominical pela avenida Pacaembu ganhou um visual diferente nesta manhã: uma cratera surgiu no meio do caminho revelando parte do “riacho” que passa sob os pés – ou rodas – do paulistano. Dois motoristas não ficaram nada felizes com o que viram, pois caíram no buraco por volta das cinco da manhã. Resultado: um deles teve a roda quebrada; o outro, a suspensão. Os dois fizeram boletim de ocorrência, mas esperam que a Sabesp – responsável pela cratera – pague os prejuízos antes que o caso chegue na Justiça, contou a repórter Alessandra Dias, da CBN, que esteve por lá, e fotografou a cena.

A versão da Sabesp é que uma galeria pluvial estourou devido a chuva do fim de semana, fazendo com que o piso cedesse durante a madrugada. Há outro motivo bastante claro: a rede de água de São Paulo é antiga e carece de manutenção. Em alguns pontos são feitas “gambiarras” em lugar de a troca total do equipamento, pois seria necessário colocar São Paulo de cabeça pra baixo para esta reforma.

A cidade está afundando.

Conte Sua História de São Paulo: Minha primeira escola

 

Por Dalila Suannes
Ouvinte-internauta do CBN SP

Ouça o texto “Minha Primeira Escola” sonorizado por Cláudio Antônio

 


Assim que o sol nasceu em um dia qualquer do 1946, seu pai a pegou pela mão e foram caminhando até o colégio alemão próximo de sua casa.

Lá, o pai foi recebido com o respeito que seu fardamento impunha, e encaminhados para uma sala de aulas, aos cuidados de Dona Helga.

Ao se ver sozinha no meio de crianças estranhas, louras, se pôs a chorar, lavando, literalmente a carteira.

Tinha a sensação de que nunca mais veria sua mãe, seus irmãos, ou os amiguinhos de pega-pega, de mocinho e bandido.

Sua vida mudara.

Todos os dias, lá ia ela com a lancheira, livros e cadernos. Era a mais nova estudante da região.

Aos poucos foi se integrando, e, como era muito expansiva, alegre, tagarela, não negando a origem italiana de sua mãe, conquistou seu lugar entre os pares.

Àquela época, foi lançada uma coleção de figurinhas com foto de artistas, e, nasceria daí sua paixão pelo cinema.

Sentia-se superior às demais colecionadoras da classe, de origem germânica, por não conseguirem pronunciar o nome da diva da época, Ana Magnani.

Sentia respeito e admiração pelo diretor da escola e se encantava quando havia passeio ao Horto Florestal, no lugar das aulas.

Era o tipo de educação européia, baseada no conhecimento vivo da natureza.

Nesta ocasião saboreou, pela primeira vez, uma bebida com gosto estranho, que mais tarde soube chamar-se Coca-Cola.

Fez seu “debut” em festas infantis ao comparecer ao aniversário de uma holandesa, de sua idade, que costumava usar tranças muito loiras.

Ficou maravilhada e muito feliz ao receber uma lembrancinha da data, já que a família estava retornando para sua terra natal.

Nunca tinha visto nada igual já que para ela o grande acontecimento de reunião entre amigas era “batizado das bonecas”.

Outra colega que lá estudava, havia nascido, juntamente com seus familiares, na antiga Tchecoslováquia.

Nas festas de seu aniversário, os adultos jantavam em uma extensa mesa da sala de jantar, observado por nós, através de um janelão de vidro, já que ficávamos confinados ao quintal e de lá não poderíamos passar.

Relembrou esta cena, ao assistir o filme Amarcord.

Estas experiências marcaram sua vida.

Uma, porém, mais forte que todas.

Entre os estudantes, havia um grupo de meninos e meninas, que se vestia mais singelamente e traziam suas merendas, de pão com banha, em um saquinho de pano.

Chegavam e partiam juntos por morarem todos em uma (única) casa longe de nossa escola.

Eles eram originários dos países dos demais alunos do colégio, porem, ao contrário destes, tinham perdido tudo o que um ser humano precisa para viver, simplesmente por serem judeus.

Ela ficava mortificada com esta situação, e tinha-lhes um carinho especial, principalmente por uma garota alta, chamada Josefa.

Um dia, quando todos os alunos se enfileiravam para adentrar o prédio, e cantavam o Hino Nacional Brasileiro, não se sabe o que fez um dos meninos deste grupo, Schultz.

O fato é que Dona Helga deu-lhe uma bofetada no rosto tão forte, que ela a sentiu em sua face.

Foi para casa chorando e contou o sucedido para sua mãe que ficou muito nervosa, mas nada explicou. Talvez ela mesma não soubesse o que dizer.

A pequena teve por várias noites dificuldade em dormir.

A cena a fez acordar para a vida e entender que as pessoas não são consideradas iguais, e que no mundo existe intolerância, violência, incompreensão.

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP. Você pode participar enviando seu texto ou arquivo de áudio para contesuahistoria@cbn.com.br

Arruda, o mentiroso do Senado, não aprendeu a lição

 

José Roberto ArrudaApontado como o chefe de um esquema de corrupção no Governo do Distrito Federal, o governador José Roberto Arruda (DEM) já foi protagonista de uma das cenas mais constrangedoras no Senado. Em 2001, líder do governo FHC, esteve envolvido na fraude do painel eletrônico durante a votação que cassou o então senador Luiz Estevão, e teve de renunciar ao cargo, assim como seu parceiro de falcatrua, o falecido senador Antônio Carlos Magalhães, na época no PFL.

A votação era secreta, mas uma lista com o voto dos senadores estava em poder de ACM que a usava para constranger seus pares. Arruda acusado de ter participado da violação do painel foi a tribuna negar que tivesse visto a lista, mas no dia seguinte uma funcionária da casa, Regina Borges, ex-diretora da Secretaria Especial de Informática do Senado, confirmou o esquema.

Para relembrar os históricos discursos de Arruda no caso da violação do painel eletrônico publico aqui edição do áudio com a voz do então senador na tribuna. Na primeira parte ele nega a informação da funcionária de que havia visto a lista, na segunda, pego na mentira, volta atrás.

Relembre os discursos de José Roberto Arruda, em 2001, nesta edição e sonorização de Paschoal Júnior

Desde aquela época, Arruda tenta reconstruir sua carreira. Retornou ao Congresso Nacional como deputado federal, em 2002, para quatro anos depois se eleger governador do Distrito Federal. Do seu governo, se tenta passar imagem do político moderno; ele vinha sendo apontado pelos colegas de DEM como a nova cara do partido.

No início deste mês, em entrevista ao jornalista Kennedy Alencar, da Folha de São Paulo, no programa É Notícia, da Rede TV!, José Roberto Arruda falou sobre o episódio e explicou que o que o fez mentir foi “ser igual a todos os políticos brasileiro”.

Não aprendeu a lição.