IPTU maior incentiva informalidade, diz Secovi

 

IPTU Imagem do site da prefeitura de SPAs mudanças negociadas no projeto de lei da Planta Genérica de Valores não serão suficientas para evitar distorções no pagamento do IPTU e o custo maior vai recais sobre a classe média. Esta é a opinião do diretor de legislação urbana do Secovi, Eduardo Della Manna. Com o reajuste máximo de 45% para os imóveis comerciais – superior ao dos residenciais (30%) -, ele diz que a prefeitura vai incentivar a informalidade pois irá encarecer o custo do imóvel.

Ouça a entrevista com Eduardo Della Manna, do Secovi, no CBN São Paulo

Da República de Canudos ao Parque da Serra do Mar

 

Devastação da Serra: JT de 1985 e Folha de SP de 2009

Devastação da Serra: JT de 1985 e Folha de SP de 2009

 

Por Carlos Magno Gibrail

Favela é o nome de origem de planta rasteira encontrada na mata de transição entre a caatinga e a região de serrado. Antonio Conselheiro instalou a República de Canudos onde existiam muitas favelas. O governo ameaçado e os empresários amedrontados com a perda de mão de obra providenciaram tropas de combate para acabar com a crescente progressão do líder nordestino. Os soldados estacionavam num morro repleto desta planta tornando conhecido como Morro da Favela.

Após a ultima batalha, uma das maiores carnificinas da História do Brasil, tão bem narrada por Euclides da Cunha, a enorme quantidade de ex-combatentes foi para o Rio de Janeiro em busca de moradia, o prometido pagamento. O governo não cumpriu e os locais aos pés dos morros começaram a serem ocupados num processo natural de subida, já que a direção ao centro urbano não era viável. Daí não demorou muito para chamar os ex-combatentes de favelados e os locais de favela.

Quarenta e nove anos depois (1940) a ocupação da Serra do Mar começou em acampamentos de operários que iniciaram a construção da via Anchieta. A população se adensou a cada nova estrada. Mais 42 anos (1989) a segunda pista da Imigrantes terminou e os trabalhadores repetiram a história, que ocorre em todas as estradas recentes, como no Rodoanel de São Paulo.

Às construtoras dever-se-ia cobrar a remoção dos trabalhadores. Cobrar e controlar, pois o ambientalista Condesmar Fernandes de Oliveira lembra que a Ecovias deveria, em 1989, investir 2% do valor da obra da Imigrantes na remoção dos trabalhadores e mais 2% na preservação do meio ambiente . Não cumpriu. Em valores da época, aproximadamente 28 milhões de reais.

Hoje, as grandes cidades brasileiras estão cercadas por favelas e o Parque Estadual da Serra do Mar, abriga 7.500 famílias e 30.000 pessoas, graças não só ao descaso das construtoras, ao descontrole do Estado como também aos políticos locais. “A cada trecho construído e a cada eleição temos um novo surto de introdução de moradores” é o que assinala Mario Mantovani, diretor da SOS Mata Atlântica, desanimado e assustado, pois o IPT já adverte seriamente a possibilidade de uma catástrofe de desmoronamento total, estradas e moradias.

A Prefeitura de Cubatão, uma das maiores responsáveis pela grave situação é míope em relação ao tema, o que é facilmente verificado numa visita ao seu site. E Cubatão é a área mais complexa de ocupação do Parque e do Programa de Recuperação Sócio Ambiental da Serra do Mar e Mosaicos da Mata Atlântica.

O Parque Estadual é a maior unidade de conservação de proteção integral da Mata Atlântica abrigando 373 espécies de aves, 111 de mamíferos, 144 de anfíbios e 46 de répteis, muitas delas ameaçadas de extinção, além de fornecer água e espaço para lazer.

O programa custou R$ 1 bilhão, dividido entre Banco Inter-americano de Desenvolvimento – BID (45%), governo estadual (45%) e governo federal (10%). Seu objetivo é restaurar e conservar as funções ambientais das áreas inadequadamente ocupadas da Serra do Mar. Segundo o coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges, comandante da Polícia Militar e um dos principais coordenadores do programa, a primeira ação desenvolvida pelo governo foi “congelar” as ocupações, aumentando a fiscalização nos bairros e proibindo que qualquer reforma ou construção fosse feita sem autorização ambiental.


São 315.000 hectares que vão de Cubatão até Caraguatatuba, cuja parte nevrálgica o Cel. Eclair garante que, a partir de 2007 com 76 homens e 11 viaturas, não foi admitida mais nenhuma família às 7.500 existentes. Acredita que 70% da população irão para a nova área a ser entregue com casas de 49 a 60m2, a um preço de 30mil reais, já com subsidio de 50% do Estado a serem pagos em 25 anos, dando mensalidades em torno de 100 a 130 reais.

Bom negócio, não fosse discurso anterior de políticos que vinham prometendo gratuidade nas cessões das moradias, além de facilidades primitivas, como não pagar água, luz e esgoto.

É talvez a grande dificuldade da desfavelização, embora como lembre Sergio Abranches, sem o ordenamento do Estado qualquer aglomerado humano sempre estará a mercê do poder de bandidos, afinal a autoridade é necessária para compor e harmonizar as relações urbanas.

É hora de política e não de políticos.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, às quartas-feiras escreve no Blog do Milton Jung e sabe que promessa não cumprida é o que mais floresce nas nossas matas

Como o seu vereador votou o aumento do IPTU

 

PLENARIO-1-12-2009-RenattodSousa-6440-72A mão forte do prefeito Gilberto Kassab (DEM) pesou mais do que a pressão popular, e o projeto que aumenta em valores consideráveis o IPTU de 2010 do paulistano foi aprovado por 39 votos a 15, e uma ausência. Mesmo assim, após dois dias de intensa negociação, o Executivo aceitou recuar alguns passos para conter a pressão da base governista que temia a reação negativa do eleitor.

O aumento máximo no IPTU do ano que vem foi reduzido para 30% nos imóveis residenciais e 45% nos comerciais (seria de 40% e 60%, respectivamente). O número de isentos também será maior do que o previsto por Kassab: 1,07 milhão. Na negociação com o prefeito, ficou acertado que os reajustes que não foram feitos agora serão parcelados nos próximos anos. No fim das contas, a prefeitura ainda terá R$ 544 milhões a mais no caixa, apenas com o IPTU.

Somente um vereador não esteve presente no plenário para votar: Netinho de Paula (PC do B). Desta vez, não houve abstenção, todos que estiveram no plenário disseram sim ou não para a proposta de aumento do IPTU do prefeito Kassab.

Veja como o seu vereador votou:

A favor

Abou Anni (PV)
Adilson Amadeu (PTB
Adolfo Quintas (PSDB)
Agnaldo Timóteo (PR)
Antonio Carlos Rodrigues (PR)
Atílio Francisco (PRB)
Aurelio Miguel (PR)
Carlos Alberto Bezerra Jr. (PSDB)
Carlos Apolinario (DEMOCRATAS)
Claudinho (PSDB)
Claudio Fonseca (PPS)
Dalton Silvano (PSDB)
Domingos Dissei (DEMOCRATAS)
Eliseu Gabriel (PSB)
Floriano Pesaro (PSDB)
Gilson Barreto (PSDB)
Goulart (PMDB)
Jooji Hato (PMDB)
José Olímpio (PP)
José Police Neto (PSDB)
Juscelino Gadelha (PSDB)
Mara Gabrilli (PSDB)
Marcelo Aguiar (PSC)
Marco Aurélio Cunha (DEMOCRATAS)
Marta Costa (DEMOCRATAS)
Milton Ferreira (PPS)
Milton Leite (DEMOCRATAS)
Natalini (PSDB)
Noemi Nonato (PSB)
Paulo Frange (PTB)
Penna (PV)
Quito Formiga (PR)
Ricardo Teixeira (PSDB)
Roberto Tripoli (PV)
Sandra Tadeu (DEMOCRATAS)
Souza Santos (PSDB)
Toninho Paiva (PR)
Ushitaro Kamia (DEMOCRATAS)
Wadih Mutran (PP)

Contra

Alfredinho (PT)
Arselino Tatto (PT)
Celso Jatene (PTB)
Chico Macena (PT)
Claudio Prado (PDT)
Donato (PT)
Francisco Chagas (PT)
Gabriel Chalita (PSB)
Ítalo Cardoso (PT)
Jamil Murad (PC do B)
João Antonio (PT)
José Américo (PT)
José Ferreira (Zelão) (PT)
Juliana Cardoso (PT)
Senival Moura (PT)

Canto da Cátia: E dá-lhe buraco

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Buracão na cidade

A Cátia Toffoletto foi para a zona sul e depois para a zona norte. Se havia um buraco grande de um lado, havia outro ainda maior do outro. No sul, se deparou com o asfalto se esfacelando muito próximo do CEO Parque Bristol, na rua Professor Artur Primavesi, no bairro do Ipiranga (veja a foto aqui). No norte, a cratera está quase tomando a esquina toda da rua Professor Antonio Manoel Faria com a Terezinha Maria Matildes de Leão, no bairro de Laussane Paulista. Por aqui, a responsabilidade é da Sabesp (mais um ponto afundando na cidade). E o fedor, é fenomenal descrevem moradores que conversaram com a Cátia.

No fim da tarde, a empresa de saneamento divulgou nota na qual afirma que o local está sinalizado e sendo monitorado diariamente:

Em resposta à reclamação de morador sobre buraco, na Rua Professor Antonio Manoel Faria, esquina com a Rua Terezinha Maria Matildes de Leão, informamos que no local foi executado conserto na rede coletora de esgotos e a reconstrução do poço de
visita (PV). Gostaríamos de esclarecer que para a reconstrução do PV, que está a cinco metros de profundidade, foi necessário escoramento especial. E devido ao período de chuvas intensas nos últimos dias, não foi possível concluir os trabalhos. Esclarecemos ainda que o local encontra-se devidamente sinalizado e monitorado diariamente. A previsão de finalização dos trabalhos é até 7 de dezembro.

Um beijo contra o preconceito

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Cerca de 1.200 pessoas reuniram-se no dia 20 de setembro de 2009 para lutar contra o preconceito e o estigma de quem tem aids. O fotógrafo e artista plástico de renome internacional Vik Muniz fotografou seis mosaicos formados cada um por cerca de 600 soropositivos e solidários à causa. Uma nova imagem surgiu a partir de várias outras pequenas. Essa é a maior característica do trabalho do paulista radicado em Nova York. A ação faz parte da campanha do Dia Mundial de Luta contra a Aids de 2009, organizada pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, pelo Centro de Referência e Treinamento de São Paulo e pelo Programa Municipal de DST e Aids de Guarulhos e com o apoio de várias organizações locais.

Os voluntários seguraram cartões coloridos para formar imagens de beijos, símbolo universal do amor e da solidariedade. Essa será a primeira obra de Vik Muniz sobre o tema HIV/Aids. O resultado ficará exposto no MASP, Museu de arte de São Paulo. As fotos dos mosaicos foram tiradas no Ginásio Pascoal Thomeu (Guarulhos/SP).

Do site Dia Mundial de Luta Contra a Aids 2009

Procon vê melhora no serviço de callcenter

 

O acesso ao serviço de callcenter melhorou no último ano, desde que a lei que regula o serviço tornou as regras de atendimento ao cidadão mais rígidas. É a avaliação do Procon de São Paulo que, apesar de ter identificado avanços, emitiu mais de R$ 34 milhões em multas. As empresas de telefonia lideram a lista das que cometeram maior número de irregularidades. Telefônica, Claro, Tim, Vivo tem ainda  a companhia da AES Eletropaulo, empresa de energia elétrica que atua em São Paulo.

Ouça a entrevista do diretor de fiscalização do Procon de São Paulo, Paulo Arthur Góes

Construtora transforma calçada em pátio de obras

 

Calçada ocupara por construtora

A conversa com o ex-prefeito de Bogotá (Colômbia), Enrique Peñalosa, inspirou o repórter Fernando Andrade, da CBN, no fim da tarde desta segunda-feira. Após o entusiasmo com as palavras de um dos colombianos responsáveis pela mudança radical na forma de tratar o cidadão naquela cidade, Fernando se deparou com a realidade paulistana. E escreveu este lamento para os leitores do blog:

“Após cobrir o Seminário Transportes para Cidades Melhores na USP, nesta segunda-feira, no qual o ex-prefeito de Bogotá, na Colômbia, Enrique Peñalosa, fez excelente apresentação mostrando que para revitalizar áreas degradadas, primeiro se contrói calçadas, depois os parques e, por último, se asfalta as ruas, me lembrei da atitude de uma construtora que na zona norte de São Paulo.

Peñalosa ressaltou que a democracia de uma cidade se mede pelo tamanho da calçada. E ilustrou isso com fotos de calçadas de diversas capitais.

Aí, voltando pra casa, depois de descer do ônibus e seguir a pé o restante do trajeto – faço isso por opção e adoro meu “rolê” -, decidi fotografar como a incorporadora BrasilArt trata os pedestres. Há anos, o edifício de alto padrão de quatro dormitórios na rua Benta Pereira, 160 – Santa Teresinha vem sendo construído e há anos perdemos a calçada. Como é possível ver nas fotos, o impacto da obra na região foi enorme. Não seria melhor ter privilegiado os moradores, pedestres do bairro ?

Como isso não ocorreu até agora, mudo de calçada e continuo desviando dos cocôs dos cachorros do outro lado. Mas fica aqui meu protesto!”

Ouça a entrevista de Fernando Andrade com o ex-prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa

Abraço no Liceu para salvar patrimônio da cidade

 

A fanfarra deu o ritmo para a manifestação em apoio ao Liceu Coração de Jesus, tradicional escola paulistana ameaçada de fechar devido a degradação da área em seu entorno, na região central de São Paulo. Ex-alunos, estudantes, professores, diretoria e cidadãos incomodados com a possibilidade de ver esta casa se fechar após 125 anos realizaram um abraço ao prédio, em um sábado (28.11) marcado por uma série de ações. A forte participação dos ouvintes-internautas no post “Liceu, simulacro e simulação”, assinado por Carlos Magno Gibrail, aqui no blog, demonstra bem o interesse da sociedade na preservação deste patrimônio. O slideshow que você assiste tem imagens enviadas pelos organizadores do movimento Viva Liceu que mantém um blog para reunir as informações em torno da luta desenvolvidas por eles para a recuperação da instituição com a valorização daquele espaço. Caso você tenha mais imagens envie para milton@cbn.com.br para que possamos incluir neste álbum digital.

Outros canais de informação sobre o Viva Liceu estão no Orkut e no Twitter.

Sebastião Passarelli, a história do transporte

 

Por Adamo Bazani

A família dele fundou a maior parte das empresas de ônibus que serviu o ABC Paulista. Desde cedo, desbravou cidades e ajudou no desenvolvimento viário de parte do interior do Estado e da região metropolitana. Com tanto a se contar, a história de Sebastião Passarelli será apresentada em capítulos a partir de hoje.

Viação São José, nos anos 60

O setor de transportes de passageiros passou por várias fases ao longo da história. A começar pela época em que os donos de ônibus, a maior parte pequenos empresários, tinham de colocar a mão na graxa e dirigir os próprios veículos, além de abrir com enxadas e com as rudimentares jardineiras, pequenos caminhos no meio do mato, que depois se tornaram estradas importantes, e ajudar a povoar pequenos vilarejos, muitos dos quais conhecidos bairros da região.

Depois, veio a fase do crescimento industrial, no qual o setor enfrentou duas realidades: a da modernização das cidades e frotas e uma organização trabalhista mais forte, que exigia dos donos de viações, agora não mais pequenos empresários, poder de negociação. Isso tudo até chegar a fase do empresário que não suja a mão na oficina mas que é mais exigido nas negociações com autoridades públicas para a prestação de serviços e que também é obrigado a se adaptar as mudanças que ocorrem numa velocidade muito maior que a época dos desbravadores. A cada ano são apresentados modelos novos e de um ano para outro um ônibus pode se tornar obsoleto, tanto por causa das exigências legais, como das necessidades operacionais. E nada melhor do que quem viveu e vive estas etapas para contá-las melhor para a gente.

Um dos personagens que presenciaram e participaram desta história é o empresário Sebastião Passarelli, hoje com 81 anos. Só no ABC Paulista, ele fundou e adquiriu pelo menos 16 empresas de ônibus, entre elas Viação São Lucas, Viação São Victor, Viação São Luis, Viação Humaitá, Viação Campestre, Viação Bartira, E.A.O.S.A.- Empresa Auto- Ônibus Santo André -, Viação Ribeirão Pires, Viação Barão de Mauá, Viação Santa Terezinha, Viação São Camilo, Penha, Viação Tucuruvi, Viação Santa Paula, Viação São José, Expresso Guarará, entre outras.

O dom de transportar está no sangue dos Passarelli há várias gerações. Nos anos 30, o pai, Antônio, e o avô, Andrea, já atuavam no ramo de passageiros e de carga. Em 1938, o pai de Sebastião fundou a primeira linha de ônibus, época das jardineiras entre São José do Rio Preto e Araçatuba. A jardineira comprada na antiga concessionária Ford, Germano Sestini, de São José do Rio Preto, cortava pequenos caminhos de terra. Não havia, em muitos trechos, vias públicas. A jardineira tinha de cruzar sítios e fazendas, com a permissão dos donos. O pequeno veículo dividia espaço com rios, nascentes e rebanhos, sempre rodando em baixa velocidade. As dificuldades de trajeto na região eram grandes. Os atoleiros em dias de chuva, inevitáveis.

E foi neste contexto que Sebastião Passarelli cresceu.

“Vi o meu pai e meu avô desbravarem a região chamada de Alta Araraquarense. Era difícil, mas muito gostoso também. Comecei a admirar ainda mais meu pai e meu avô, dos quais não herdei apenas a vocação pelos transportes, mas a vontade de fazer as coisas, que é genética, e a capacidade de acreditar. Hoje, há muitas pessoas que não tem essa capacidade, de crer, de acreditar e superar as adversidades” – conta Passarell, com disposição e bom humor de dar inveja a muitos jovens. Ele nunca chega depois das 8 da manhã ao Terminal de Vila Luzita, do qual é proprietário do único sistema de corredor segregado de ônibus do serviço municipal de Santo André.

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Rádio na Era do Blog: Aliados na liderança da credibilidade

 

Foi o colaborador do Blog, Marcos Paulo Dias, quem leu e gostou do texto que compara rádio e internet, a partir de pesquisas divulgadas recentemente. Os números já haviam sido tratados anteriormente por aqui, o interessante está mesmo na opinião de professores de comunicação que analisam os dados e vão ao encontro de pensamento com o qual trabalhamos há algum tempo: a internet é um novo oxigênio para o rádio.

O texto é da jornalista Izabela Vasconcelos, de São Paulo, e está na área restrita do Portal Comunique-se, no setor 1o. Caderno, por isso reproduzo na íntegra, caso contrário ofereceria apenas o link para você ler o artigo por lá. Uma curiosidade na minha busca pelo link do texto foi ver que muitas pessoas simplesmente publicam a informação sem se preocupar em oferecer a fonte para os leitores.

Mas vamos ao que interessa:

Pesquisa divulgada no começo deste mês mostra que o rádio e a internet lideram em credibilidade, na frente da TV, jornais impressos, revistas. Para especialistas nas duas mídias, o amadurecimento do público da web, a modernização e integração entre os dois meios são responsáveis pelo resultado.

O estudo Vox Populi, encomendado pela Máquina da Notícia, apontou que, em uma escala de 1 a 10, o rádio lidera em credibilidade com nota (8,21), quase empatado com a internet (8,20), seguidos por TV (8,12), jornal (7,99), revista (7,79) e redes sociais (7,74).

De acordo com o jornalista Alvaro Bufarah, pesquisador e coordenador do curso de pós-graduação em Produção e Gestão Executiva de Rádio da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), outra pesquisa do Instituto Marplan revela que o rádio se integra muito bem à internet. “O rádio é o meio que melhor se adapta às novas mídias, porque é um meio de companhia, que as pessoas usam pra se informar e entreter. A internet e o rádio se somam de forma ímpar. O rádio se potencializa ainda mais com a internet”, explica.

Pollyana Ferrari, especialista em mídias digitais, autora do livro “Jornalismo Digital”, concorda com Bufarah, e acredita no poder da integração das mídias. “O caso mais recente é o do apagão. O Twitter e o rádio que deram suporte o tempo inteiro, porque os brasileiros gostam de compartilhar e trocar informações, e isso atinge todas as classes. Esse é um case muito interessante”, destacou.

Para Bufarah, o uso de Twitter, torpedos SMS e blogs mostra que o rádio está se modernizando na interação com os ouvintes, mas ainda existe um problema de gestão em algumas emissoras, que nesse caso pode transformar a internet em concorrente. “A internet é uma gigantesca aliada, mas poucos empresários estão atentos a essa transformação. Há emissoras que não investem, têm sites ruins, aí a internet passar a ser um veículo de competição”.

Outro problema, segundo ele, é a administração das emissoras, que por serem muito tradicionais, acabam deixando de pensar como empresas, restringindo investimento em comunicação interna, planejamentos de marketing e carreira.

O especialista também acredita que a modernização do rádio abre espaço para a segmentação, com a criação de diferentes canais no rádio e na internet, o que permite acompanhar o perfil de cada público pela web e traz novas possibilidades para que o mercado publicitário invista nas rádios.

A confiança na internet

De mídia altamente criticada pela instantaneidade e pelo aspecto factual das notícias, a internet passou a encabeçar a lista de credibilidade dos meios de comunicação. Para Pollyana, três fatores explicam essa mudança de cenário. “De 2000 até hoje tivemos um amadurecimento do perfil do usuário, o crescimento da banda larga e o aprimoramento do jornalismo multimídia, que desde 2005 tem feito um trabalho muito interessante nos portais”, afirma.

Pollyana lembra que a web já foi muito criticada como meio de informação. “Sofremos durante muito tempo por criticarem o conteúdo dos meios online, mas agora os leitores perceberam que existe muita coisa boa nos portais”. Com o avanço das novas mídias, a especialista aposta e defende o uso de outras plataformas pelas empresas, até mesmo na cobrança de conteúdo nas redes e mobile. “Poderia se fechar anúncios pelo Twitter e cobrar pelo pagamento de conteúdo diferenciado, mobile, um conteúdo diferente do impresso e dos sites. Eu pagaria por um conteúdo exclusivo”, conclui.