Heródoto, o sobrinho do presidente

 

Quem ouve seu discurso indignado contra o nepotismo na política, não imagina que o mesmo já foi beneficiado pela prática nos tempos de futebol. Velhos tempos, aliás, de quando zagueiro era chamado de beque. Tempos em que Heródoto Barbeiro era menino de calça curta e dava umas bicudas vestindo a camisa da Portuguesinha da Água Fria, nos campos de terra do Mandaqui. Lá era chamado de o “sobrinho do homem” e respeitado por tal condição apesar da performace em campo não estar altura dos grandes beques centrais.

A confisão de Heródoto Barbeiro, apresentada com exclusividade pelo CBN São Paulo, mobilizou os ouvintes-internautas como o ilustrador Juliano Oliveira que – a partir de informações fidedignas – desenhou um lance que marcou a carreira do nosso jogador de futebol. Naquela época, infelizmente, máquinas de fotografia eram raras.

Apesar dos poucos registros, o Dorival encontrou este flagrante após partida em que a Portuguesinha teria perdido por 6 a 0 para o Esmaga Sapo em torneio no qual haviam participado, também, Corinthians do Imirim, Estrela de Vila Celeste e Santos do Chora Menino. Revoltada, a torcida protestou derrubando a kombi que a família do menino Heródoto emprestava para o Tio levar a equipe, em troca dele ser mantido no time titular. Dorival diz que a foto seria de 1922. Tenho dúvidas.

Com a camisa 3, vestida pelo beque central Heródoto, jogaram grandes craques como Bellini, Orlando, Luis Pereira, Anchieta e Airton – os dois últimos ídolos do meu tricolor gaúcho. O futebol do “sobrinho do presidente” não se comparava ao jogado por estes talentos. Para Nelson Valente, ouvinte-internauta, Heródoto jogava de “beque de espera”, mas os que o conheceram com a bola nos pés dizem que o ideal seria chamá-lo de “beque sentado” (no banco).

Toda esta polêmica em torno das benesses recebidas pelo nosso colega Heródoto Barbeiro se deu após a divulgação da gravação a seguir:

Ouça a confissão de Heródoto ‘Sobrinho do Presidente’ Barbeiro

Site da Câmara informa pouco e mal

 

Se você já tentou encontrar alguma informação útil no site da Câmara Municipal de São Paulo vai concordar comigo. Raramente você acha o que realmente quer. O Movimento Nossa São Paulo, por exemplo, tentou se informar sobre a agenda de trabalho na quinta-feira passada. Soube que haveria duas audiências extraordinárias, mas os assuntos não haviam sido publicados. Pior foi constatar que se decidisse assistir aos debates na Câmara, o cidadão descobriria que ambas tinham sido canceladas.

De acordo com Gilberto de Palma, do Instituto Ágora e do Grupo de Trabalho de acompanhamento da Câmara no MNSP, nem mesmo o texto completo dos projetos de lei apresentados pelo prefeito e pelos vereadores está lá. Em entrevista ao CBN SP, ele destacou que nem sempre o que é público é transparente:

Ouça a entrevista de Gilberto de Palma ao CBN SP

Nós sequer conversamos sobre o fato de que muitos vereadores não respondem aos e-mails que são enviados pelos cidadãos através do endereço informado no site da Câmara Municipal de São Paulo. Voltaremos a este tema, em breve, com o resultado de pesquisa que o CBN São Paulo está fazendo.

Leia mais sobre a falta de transparência no site da Câmara Municipal no site do Movimento Nossa São Paulo.

Agora o outro lado

O site da Câmara Municipal de São Paulo corrigiu o texto, após o alerta feito no CBN SP e no Blog do Mílton Jung, informando que a medida foi suspensa temporariamente para quatro dos 13 vereadores condenados em 1ª estância.

Garantia estendida de loja é seguro enrustido

 

“O Senhor gostaria de ampliar a garantia do produto, por apenas 60 reais o senhor leva mais dois anos de garantia”

A proposta é comum de se ouvir quando você está fechando a compra de produtos de informática, eletrodomésticos e eletroeletrônicos. Diga-se de passagem, o método é usado aqui e lá fora. Nunca gostei desta ideia, principalmente após o fenômeno do “envelhecimento precoce” dos equipamentos. Em dois anos ou menos, você já está doido para trocar tudo novamente. Passei a odiá-la após saber em pesquisa do Procon de São Paulo que a tal garantia estendida é falsa. O que a loja vende e não fala é que a garantia é um seguro que você assina sem conhecer as muitas restrições impostas.

No levantamento feito pelo Procon, 71,26% dos consumidores não foram informados de que compravam um seguro. Pior de tudo é que muita gente colocou dinheiro fora: 63,22% nunca usou o recurso e metedade dos que usaram tiveram problemas. Os dois maiores: exclusão de cobertura por mau uso do produto e não trocou o produto conforme estava previsto em contrato. Que contrato ? Mais de um terço dos que compraram a falsa garantia estendida não o receberam e mais de 96% dos que receberam somente souberam da existência dele na hora em que fizeram o pagamento. Ou seja, não tiveram oportunidade de ler as cláusulas e conhecer as restrições antes da compra.

Para entender melhor este assunto

ouça e entrevista Valéria Rodrigues, diretor de estudos e pesquisa do Procon de São Paulo

Da próxima vez que o vendedor pergurar: “O senhor quer comprar a garantia estendida ?. Olha bem no olho dele e diga: “Não, obrigado seu mentiroso”.

Avalanche Tricolor: Eu acredito, e você ?

 

Grêmio 2 x 0 Coritiba
Brasileiro – Olímpico

O drible começou com a explosão muscular das pernas do colombiano Perea em direção a área adversária. Toda a força que impulsionou sua corrida não foi capaz de impedir um movimento brusco com o corpo que lhe fez fugir do marcador e lhe deixar ainda mais próximo do gol. Mas da maneira que partiu enxergava a goleira de lado, sem espaço para bola entrar, sem ângulo, como gritam os locutores de rádio. Precisaria arrancar a fórceps aquela muralha a sua frente e colocando o coração no peito do pé se ouviu nas arquibancadas do Olímpico Monumental mais uma explosão. Era a chuteira do atacante no encontro com a bola que disparou com uma velocidade que apenas as redes eram capazes de contê-la.

Gol de Perea. Desde sua volta após grave lesão, foi o primeiro com a cara do atacante que fez a torcida vibrar em fevereiro de 2008 quando chegou ao estádio Olímpico. Uma jogada que representa muito mais do que a abertura do placar de uma partida em que o Grêmio parecia inferior, mesmo estando em casa. É a esperança de que o colombiano e seu futebol estão de volta no momento em que mais precisaremos dele.

O goleador Jonas nos foi arrancado do campeonato com uma lesão definitiva para a temporada, semana passada. Assim como ele, Herrera está machucado. O guerreiro argentino Máxi também estará fora do time graças ao autoritarismo de um árbitro incapaz de enxergar a verdade diante do seu nariz. O mesmo árbitro e o mesmo lance que tiraram a alma do capitão Tcheco. Quando este foi substituído por Paulo Autuori já não estava mais em campo há algum tempo, desde aquele cartão amarelo. Era apenas carne e osso. E permanecerá do lado de fora no próximo confronto.

Se o gol de Perea não foi apenas um gol, o próximo jogo não será apenas um jogo. É uma partida que começa a ser disputada na segunda-feira desta que a imprensa gaúcha batiza de Semana Gre-Nal. A história será lembrada. O primeiro 10 a 0, a vitória tricolor no jogo do século e os gols que marcaram época. Ex-craques darão entrevista enquanto os atuais serão comparados. Pais de santos e adivinhos terão seus dias de glória fazendo previsões.

Para nós que cremos no Imortal, uma semana e tanto pois daqui até o fim do campeonato serão oito decisões, das quais cinco contra equipes que estão a nossa frente. Sem parte do time, desacreditados pelos demais e com a matemática conspirando contra nós. Ou seja, prontos para mais uma vez provarmos ao Brasil que nosso destino é driblar o improvável e dar um bico pra bem longe no impossível.

De lotação

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça “De Lotação” na voz da autora

Maria Lucia

Ah, mihas rosas Foto: Maria Lucia

 

é preciso abrir espaço no vaso de rosas
pra que a prometida possa caber

é preciso abrir espaço na certeza
pra que a do outro venha contigo brincar

é preciso abrir espaço na saudade
pra que a lembrança de um amor imaginado engane a realidade

é preciso abrir espaço na tristeza
pra que a fantasia empurre pelas frestas um cadinho de beleza

é preciso abrir espaços no discurso
pra que a ideia do outro se junte à tua no percurso

é preciso abrir espaço no sonho
pra que o do outro pegue carona no escuro te envolva
e mude o enredo que até então era tristonho

é preciso abrir espaço na alegria
pra que a decência seja mantida pelo siso da nostalgia

e assim me faço entender
sem muita atenção pedir
esperando que você aceite
o que me vem de redigir

e antes que eu me esqueça

é preciso abrir espaço em mim
pra que eu me encha de chegada e me esvazie de despedida
e então quem sabe eu mereça dirigida por um Querubim
alcançar a Árvore da Vida
onde estamos juntos você e eu
enfim

E você, como vai o teu vaso de rosas?
Pense nisso, ou não, e até a semana que vem

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos, nos oferece o prazer de assistir as ideias dela florescerem enquanto reescreve o livro “De Bem Com a Vida Mesmo Que Doa”

Conte Sua História de São Paulo: Que confusão, QSL !

 

Jorge Petras
Ouvinte-internauta

Ouça o texto “Que confusão, QSL” sonorizado por Cláudio Antônio

Entre muitas histórias, esta pode se falar que é radiofônica. Na época do relato não existia celular, era o primórdio de enlaces por microondas.

Faziam três meses que tinha chegado de Buenos Aires (ano 1976) com toda a documentação em ordem como engenheiro em eletrônica especializado em telecomunicações, mas estava sem emprego por acreditar em um conhecido “patrício” que me tinha garantido colocação em uma multinacional a um salário irreal (exorbitante para a época, o que só consegui saber a posteriore). Assim sendo em todas as entrevistas que comparecia pedia o mesmo valor ou ou mais.

Já sem dinheiro para o sustento e após 86 dias a noticia “bomba”: a empresa citada pelo patrício não poderia me contratar por que eu não conhecia, ao nível de conversação, o idioma alemão. Totalmente desorientado entrei em um ônibus e pensei: pegarei o primeiro pedido de emprego de eletricista de obra que encontrar. Quando avistei uma placa de técnico eletrônico, corri e desci do ônibus.

O Recursos Humanos me encaminhou para o gerente de assistência técnica. Trêmulo, me apresentei ao Sr. Renato Olandin, pessoa de cabelos brancos, carismático, tentando falar espanhol, em um lapso de sinceridade falei meu problema. Ele com a serenidade de quem esta de bem com a vida, me explicou a faixa salarial, o CREA, e muitos detalhes do primeiro emprego. Terminou fazendo, além de uma oferta, um conselho de pessoa experiente. Imediatamente aceitei e ao dia seguinte comecei a trabalhar.

A alegria e o entusiasmo do primeiro emprego no Brasil era tão grande que “transbordava em todo meu ser”. Já na semana, o Sr. Renato me chama e pergunta: tem registro de condutor ? E com afirmativa pedante da juventude respondo: minha carta é internacional. OK, responde.

Na manhã seguinte me entrega as chaves de um fusca 0 km e me fala para fazer um conserto aqui perto. Mais que feliz eu sai. Quando vi a distância, quase tive um colapso (primeiro serviço externo = Ilha solteira) A viagem foi uma odissea, mas isto é outra história.

Posterior ao batismo, o serviço externo virou uma rotina, quando uma noite, quase oito horas (eu sempre ficava mais tempo após o expediente normal), o meu gerente me chama gentilmente e pede um favor. Se posso fazer um atendimento urgente na repetidora situada na torre da TV Gazeta.

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Canto da Cátia: Correndo da chuva

 

 

Chuva interlagos

O temporal pegou muitos torcedores da Fórmula 1 a caminho do autódromo de Interlagos, no meio da manhã. A Cátia Toffoletto que acompanha a chegada do público, o movimento do trânsito, a ação dos fiscais e dos vendedores ambulantes também foi surpreendida. Nem a capinha de plástico, vendida a R$ 5, salvou a turma que teve de pisar fundo e correr para as áreas com abrigo.

E por falar em mudança do clima

 

Neve em Connecticut

“Nunca vi neve antes do Hallowen”, disse entre espanto e consternação a atendente de um pequeno comércio na cidade de Ridgefield, no estado americano de Connecticut, na tarde de quinta-feira. O fenômento se repetiu nesta sexta-feira, pegando de surpresa muitos dos moradores da localidade. Verdade que a moça não é tão velha assim, mas o fato dela jamais ter visto nevar tão cedo, talvez seja apenas mais um sinal de que clima não é mais aquele.

Vá ao álbum do Flickr e veja mais fotos da neve desta semana, em Connecticut

Eco-poema: 3 em 1

 

Inspirada na iniciativa da comentarista do Blog, Maria Lucia Solla, a ouvinte-internauta Suely Schraner, das mais ativas escritoras do Conte Sua História de São Paulo, soltou o verbo e enviou três eco-poemas que reproduzo em série, neste post:

Um consumo responsável salvaria nossa vida

Pra se ter muito mais pão
E viver melhor também
Recicle tudo que tem
Pode dar um trabalhão
Faça o seu coração
Dar o ponto de partida
Pra se ter bem mais guarida
Melhorando o ambiente
Um consumo responsável
Salvaria nossa vida

Gastar e fazer direito
Reciclar melhor também
Ao planeta querer bem
Por um mundo mais perfeito
Vivendo bem desse jeito
Nessa terra tão querida
Melhor ponto de partida
De tratar o ambiente
Um consumo responsável
Salvaria nossa vida

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Blog Action Day’09: Missão cumprida

 

Parecem todos convencidos da necessidade de que devemos agir para impedir catástrofes ambientais. Nem todos concordam, porém, com o ritmo e o alcance das ações, divididos que estão ideológica, cultural e economicamente. Nesta quinta-feira, o Blog se transformou em espaço aberto a divulgação desses pontos de vista, cumprindo com a proposta que há dois anos nos leva a participar do Blog Action Day’09, permitir que os ouvintes-internautas e convidados publiquem posts sobre o tema do evento, que neste ano foi “mudanças climáticas”.

Artigos, comentários, poemas, imagens e entrevistas gravadas somaram 21 posts que começaram a ser publicados ainda na madrugada do dia 15 de outubro. Ao mesmo tempo, o tema pautou o CBN São Paulo que na sua edição de quinta-feira entrevistou desde autoridades até ambientalistas tendo como foco o ambiente urbano, onde vive a maior parcela da população mundial. Discutiu-se, por exemplo, se é viável a proposta do Estado de São Paulo de reduzir em 20% as emissões de gases de efeito estuga, até 2020.

Nossa atuação chegou ao Twitter, com a publicação e re-publicação (RT) de quase 100 posts, dos quais muitos foram lidos, também, na página internacional da organização do Blog Action Day’09.

Além de se unir a este movimento global, tenho a satisfação de assistir a uma das principais missões do Blog do Mílton Jung ser atendida: dar voz ao cidadão. Mistura-se a este sentimento, pontas de frustração pois sempre imagino que poderíamos ter mais pessoas escrevendo, mais comentários sendo registrados e número de acesso que superasse a média de 1 mil por dia.

Estatística do BlogPulse, medidos da Nielsem BuzzMetrics, a grande rede mundial de blogs proporcionou um aumento de até 500% no número de citações ao tema mudança climática. Além disso, líderes mundiais como o presidente americano Barack Obama e o primeiro-ministro britânico Gordon Brown se uniram ao movimento escrevendo sobre o BAD’09 em seus blogs oficiais.

De acordo com Robin Beck, organizador do BAD’09, a participação de 13.264 blogs, mais de 3 mil posts que teriam alcançado aproximadamente 17 milhões de pessoas, em 155 países, “mostrou a força da web em conectar pessoas através do mundo que, apesar de suas diferenças, dividem um desejo em comum: fazer a diferença”.

A todos que aceitaram a proposta do Blog do Mílton Jung meu muito obrigado, pois você fez a diferença.