Conte Sua História: Nariz de palhaço

 

Por Tony Marlon
Ouvinte-internauta

Ouça o texto de Tony Marlon sonorizado por Cláudio Antonio para o CBN SP

Quinta-feira. Ônibus Paraíso – Parque do Engenho. Caminho Avenida Paulista. Meu amor.

Depois de noite mal dormida, o primeiro banco vazio era um, antes da catraca. Ali mesmo me sentei. Próximo ao Shopping Eldorado entra uma menina. Eu tenho quase certeza que ela era uma princesa daquelas bem lindas que gostam de se disfarçar pra ver o que anda acontecendo no seu reino.

Entrou, e com o ônibus cheio, ofereci meu lugar. Sua mãe a pegou, e a colocou no trono. No banco. Encostei na porta do outro lado do ônibus, bem longe dela, séria. Muito séria. De repente, um restinho de olhar passou rápido por mim. Pensei: opa. Eu vi direito?

Ela olhou de novo. Tentou disfarçar, mas não deu tempo. No canto da boca um sorriso bem do arteiro. E eu entre jogadas de corpo e desvios de puro reflexo da porta que não parava de abrir, pensei: é agora. Os olhares se intensificaram. Os sorrisos também, praticamente num filme de Chaplin: tudo em silêncio em nossa relação.

De repente, a mãozinha acena para que eu atrevesse o ônibus. Atravesso; pedido dela é uma ordem.

– Qual é o seu nome?
– Tony.
– Ah. Toony?
– Isso. E o seu?
– Maria Eduarda.
– Que lindo nome, Maria Eduarda.
– É. Eu sei.
– Quantos anos você tem?

Neste momento desaparece o som. Quem fala agora é a mão: quatro dedinhos convictamente estendidos.

Me afasto. Volto pro meu lugar. Longe. Sem som. E as brincadeiras continuam. Ela e eu vivemos uma realidade que não é a mesma do restante do ônibus. Nela, eu sou motorista até mesmo sem colocar a mão no volante.

– Tony, deixa eu ver sua mão?
– Claro. Olha.
– Nossa. Sua mão parece de mulher. Olha a sua unha!
– Mas é bonita?
– É. Muito bonita.
– Então melhor assim, né?!
– É. Olha a minha.
– Linda também.
– É. Eu sei.

E tudo para de novo. Cada um pro seu canto. E vamos brincar de Chaplin; num silêncio cheio de coisas mágicas que somente ela e eu entendemos. E ela ri muito.

De repente meu nariz imaginário cai. Procuro desesperado naquele chão sujo do ônibus e não o encontro. A minha cara de preocupação e choro encontra o rostinho da Maria Eduarda, também preocupado. Deve estar pensando ela: como este menino perde o nariz dele assim? No meio do ônibus? Que desastrado.

Passa um senhor de cabelo longo em minha frente e eu, claro, desconfio que ele pode ter achado meu nariz. Procuro até dentro de seus cabelos e nada. Ela, igual a mim, também começa a ficar preocupada. E o rostinho dela fica realmente.

Achei! Achei! Estava ali, perto da lixeira. Como é que eu não vi ? Olho e ela está sorrindo lindamente com cara de aliviada. Comemoro o meu achado. Tanto que meu nariz acaba escapando da minha mão e caindo nas dela. Que menina cuidadosa, segurou firme. E um lindo sorriso de quem acaba de salvar o mundo surge no seu rosto.

Peço que me jogue o nariz. Afinal de contas, é imoral ficar andando por aí sem nariz, não é verdade Wellington? Ela se prepara e joga o nariz.

– (em slow) Nããããão!

Lá se vai meu nariz de novo. Alguém muito distraído esqueceu a janela do ônibus aberta. De dentro do ônibus eu vi meu nariz pingando como bolinha de borracha no chão da Avenida Rebouças.

Olho e ela está com uma carinha de preocupação que mal cabe em seus quatro anos. Deve pensar: o que eu fiz com o nariz do Tony, meu Deus? Serei presa e castigada por isso.

Como eu sou uma alma bondosa, além de muito vergonhosa pra ficar lá nu de nariz imaginário, digo em silêncio que vou resolver. Alguém lá em cima ouve, e o ônibus para em seguida para subida de um passageiro. Dou uma piscada pra ela. E enquanto o passageiro entra no ônibus, eu estico meu corpo pro lado de fora e…e…e…pego meu nariz! Volto eufórico, antes que a porta feche e eu perca também a parte de cima do corpo. Ela sorri aliviada! Um sorriso sincero e lindo!

Ficamos intermináveis horas de segundos comemorando meu ato heróico. E o sorriso da Maria Eduarda mal cabia nela mesma. Até ameaçar uma dança de comemoração ela ameaçou, mas os buracos da Avenida Rebouças mostraram que precisamos repensar sobre cinto de segurança nos ônibus.

E as brincadeiras seguiram, Wellington. Quase todas em silêncio. Próximo à Avenida Paulista, ela se vira totalmente pra mim. Depois olha pra mãe e diz:

– Ele é engraçado, né, Mãe?
– É, né?!
– É. Muito.

E assim, com espírito de quem vai contar o maior segredo do mundo, coloca as mãos em forma de concha. As alinha junto à boca. Assim, deve pensar ela, ninguém ouve o que vou dizer. Respira fundo. Olha pros lados. Olha pra mim. Com voz de sussuro, diz:

– Tony?
– O quê?
– Porque você não vira um palhaço?
– Virar um palhaço? Você acha que ia ser legal?
– Ia. Você é muito engraçado, sabia?
– Hum! Então eu vou virar um, tá?
– Tá.

As mãos se desfizeram do segredo. E o sorriso dela também por alguns instantes. Sua mãe a pegou, e a fez descer do banco. Pela porta dianteira, foram saindo. Maria Eduarda se virou. Me deu tchau. Com um sorriso lindo de quem aprontou uma daquelas.

– Dá tchau pro seu amigo, filha?
– Tchau, Tony.
– Tchau, Maria Eduarda. Foi um prazer te conhecer.
– Imagina. O prazer foi meu.

E foi se sumindo. Sumindo. E a Avenida Paulista, em meio ao caos, fez silêncio nascer. Somente para acompanhar esta história. Somente para acompanhar esta história.


Você pode participar do Conte Sua História de São Paulo enviando texto ou arquivo de áudio para contesuahistoria@cbn.com.br. O programa vai ao ar sábados, às 10 e meia da manhã, no CBN SP.

Marte, sai o avião entra o trem


Por Armando Italo

Imagem do Campo de Marte feita por Samuel kassapian Junior

Imagem do Campo de Marte feita por Samuel kassapian Junior

Aviadores e apaixonados, passageiros e empresas, foram todos surpreendidos com a notícia de que em cinco anos o Campo de Marte, marco e berço da aviação brasileira, inaugurada na década de 20, pai de Congonhas, será desativado – ao menos parcialmente. O aeródromo dará lugar a estação do trem-bala, Trem de Alta Velocidade, levando passageiros para a cidade de Campinas, no interior do Estado de São Paulo, e ao Rio de Janeiro. A pista de pouso será usada para operações do TAV. Há ainda a possibilidade de ampliar o centro de convenções do Anhembi e implantar um parque público.

Bernardo Figueiredo, diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), explica que as aeronaves de asas fixas, os aviões, serão retiradas, sendo mantidas apenas as de asas rotativas, os helicópteros.

O projeto é do Governo Federal e a negociação teve envolvimento da prefeitura de São Paulo e do Governo do Estado.

Tudo em favor da população !

Questionamos:

O que fazer com as 280 operações por dia que se realizam no Campo de Marte, este aeródromo extremamente bem localizado ?

As autoridades ainda não notaram o caos que esta medida pode gerar, o risco de colapso devido a falta de estrutura diante de uma demanda enorme dos serviços de táxi aéreo dentre tantos outros prestados por lá.

Há a possiblidade de o movimento dos aviões, do aeroclube, entre outros, irem para o pequeno e saturado aeroporto de Jundiaí, com estrutura bem menor do que a do aeroporto de Marte. Determinadas aeronaves que pousam e decolam de Marte não terão condições de realizar as suas operações em Jundiaí SDJD.

O Aeroporto de Campinas Viracopos SBKP é um aeroporto com características de cargueiro e com pátio ainda inadequado para aviação geral e executiva.

O Aeroporto de Guarulhos Cumbica SBGR também está saturado e ainda recebe aeronaves executivas que não podem mais pousar em Congonhas SBSP.

Em Congonhas, existem inúmeras restrições impostas a aeronaves de pequeno porte, da aviação geral e executiva. Os slots simplesmente sumiram. Sem esquecer ainda que toda esta polêmica aeroportuária ganhou dimensão com o acidente com o A320 TAM 3054.

Os Aeroportos de Bragança Paulista, Sorocaba, Atibaia, Santos, Itanhanhém, são inviáveis para atender o tráfego de Marte.

Pistas curtas, infra-estutura a desejar, sem esquecer de mencionar, caso decidam por Sorocaba, os problemas com o trânsito pesado nas Rodovias Castelo Branco que passa ao lado da cidade.

Depois de Congonhas, o culpado agora parece ser o Campo de Marte.

Com a desativação e descaracterização deste histórico aeródromo paulistano, a cidade também perderá uma grande parte do acervo e patrimônio históricos, dentre muitas que já se foram. Cederá lugar e história para contribuir “para o desenvolvimento e modernização” da cidade de São Paulo.

Até o nosso próximo vôo! Se tivermos ainda um aeroporto para decolar e pousar, obviamente.

Armando Ítalo Nardi é comandante e colabora com o Blog do Mílton Jung

Dilma no carro é propaganda, mas não é

 

Entendeu ? Difícil para nós leigos, sem dúvida.

Por isso, fomos buscar a palavra de um das pessoas que mais entendem do tema, a assessora de comunicação do TRE de São Paulo Eliana Passarelli. Ela explicou para o jornalista Paulo Rodolfo de Lima, da CBN, que no entendimento do TSE não há irregularidade na atitude da deputada estadual Beth Sahão (PT-SP) ao “envelopar’ o carro com a imagem dela e da ministra-candidata Dilma Russef. A propaganda seria ilegal se houvesse mensagem explícita à candidatura como “Dilma – 2010” ou “Os Amigos de Dilma em 2010”.

Por muito tempo, o Tribunal Regional Eleitoral considerou ilegal ações como a da deputada e condenou candidatos à perda do mandato ou multa, mas quando o processo chegava no Tribunal Superior Eleitoral eles eram absolvidos.

Assim também aqueles cartões de Natal e Páscoa que você recebe do seu “deputado preferido” não podem ser caracterizados como propaganda eleitoral antecipada. Para o TSE a punição ocorre apenas se a mensagem for explícita.

Ou seja, todos sabem que é propaganda, mas frente ao rigor da lei não é propaganda.

Foto-ouvinte: Dilma desfila em São Paulo

 

Dilma e propaganda eleitoral

A imagem da ministra-candidata Dilma Roussef circula estampada no carro que leva a assinatura da deputada estadual do PT-SP Beth Sahao. A foto foi registrada pelo ouvinte-internauta Clécio Bachini, na terça, 11.08.09., na Radial Leste, em São Paulo. Além de considerar a iniciativa propaganda eleitoral antecipada, ele quer saber se as depesas do carro da deputado são pagas com dinheiro da Assembleia (leia-se, dinheiro do povo).

Casagrande bate um bolão no rock, na Globo

Casagrande

Bom da bola, Walter Casagrande mostra seu talento, também, quando o assunto é música. Sabe tanto que foi o personagem escolhido para abrir a série Sábados de Rock, que estréia amanhã, no Jornal Hoje. O assunto do ex-jogador é a influência do blues, a importância de Chuck Berry e das bandas brasileiras no rock and roll.

Serão sete reportagens apresentadas por personalidades diferentes com a historia de um período ou estilo do rock, uma adaptação da produção Seven Ages of Rock, da BBC.

Curiosidade: o toque de celular do Casagrande é música do Sex Pistol. O cara manja.

São Paulo tem 367 km de ciclovias não feitas

 

Bicicleta na PaulistaO cálculo é do cicloativista Henrique Boney. Ele vasculhou os Planos Regionais Estratégicos das 31 subprefeituras e traçou mapa no qual mostra onde as pistas exclusivas seriam construídas. Somou tudo e chegou ao total de 367 quilômetros, dos quais 275 já deveriam ter sido entregues.

No blog Ciclo BR, André Pasqualini (a foto deste post é dele e está no nosso álbum do Flickr), informa que até agora não foi entregue um metro sequer das ciclovias previstas nos planos aprovados pela Câmara Municipal de São Paula, em 2002.

Alguém haverá de lembrar da ciclovia da Radial Leste, ainda incompleta. Esta não estava prevista no plano regional da subprefeitura do Tatuapé, na zona leste, apesar de ter sido iniciada. Assim como também não há nada nos planos que fale da pista que foi prometida pelo Estado na Marginal Pinheiros. O adjunto da Secretaria Estadual de Minas e Energia Ricardo Toledo havia prometido, em entrevista ao CBN SP, no dia 15.10.08, publicada no Blog do Mílton Jung, que o primeiro trecho estaria entregue em 2010.

Pasqualini afirma, também, que ao não construir o que está previsto em lei e prometer obras onde não estava previsto, prefeitura e Estado mostram que falta planejamento cicloviário para a capital paulista.

Enquanto isso, ao ir de carro para a rádio CBN, durante as madrugadas de agosto, passo por vários ciclistas que pedalam sem cansar pelas ruas e avenidas de São Paulo, fugindo do assédio dos veículos motorizados.

SPTrans responde sobre “cemitério de ônibus” da CMTC

 

A SPTrans diz que ônibus da extinta CMTC tem sido leiloados e não podem mais rodar, pois tem mais de 10 anos. Foi resposta ao post “Cemitério de ônibus enterra dinheiro público em São Paulo” publicado no Blog e assinado pelo busólogo e repórter Adamo Bazani.

Leia a nota divulgada pela SPTrans:

“Em relação ao comentário feito pelo apresentador Milton Jung sobre terreno na Barra Funda que abriga antigos ônibus da CMTC, a SPtrans informa que esses veículos ficaram retidos por muitos anos devido a pendências judiciais relativas à extinção da CMTC.

Na medida em que são liberados, os ônibus são leiloados. Todos eles têm mais de dez anos de idade e não podem mais operar no transporte público municipal.

A SPTrans realiza os leilões periodicamente. No ano passado foram 6 leilões, neste ano foram 3 e o próximo está programado para setembro. A maior parte dos ônibus é vendida como sucata e vai para desmanches. A SPTrans espera conseguir esvaziar todas as garagens de ônibus antigos até 2012.”

STF derruba prêmio de R$ 288 bi para exportadores

 

Foi unânime. O Supremo Tribunal Federal entendeu que o crédito-prêmio do IPI, aquela conta de R$ 288 bilhões sobre a qual temos conversado com você aqui no Blog, não existe desde 1990. Portanto, os exportadores não teriam razão de apresentar a “nota fiscal” à sociedade como pretendiam fazer, pois alegavam que o benefício não havia sido extinto até hoje.

A opinião dos ministros do STF pode ajudar o presidente Lula a vetar projeto de lei aprovado no Congresso Nacional, há uma semana, que autoriza a compensação das dívidas de empresas exportadoras com a União com créditos antigos de IPI até 2002.

O Procurador-Geral da Fazenda Nacional Luis Inácio Adams, ao fim da sessão, disse que “a regra fica claramente inconstitucional”, se referindo a projeto de lei. Mas neste ponto não tem apoio de todos os colegas. Caberá ao presidente Lula resistir ao lobby dos exportadores – que perderam muito dinheiro desde o início da crise financeira – ou a pressão da área econômica do Governo.

Buracos de São Paulo: Osasco, com licença

 

Rua Giuseppe Sacco
Não contente em relatar os buracos da cidade de São Paulo, como visto em post desta semana, o ouvinte-internauta João S. Nicolau pede licença para apontar problemas em seu caminho, em Osasco, região metropolitana. Segundo mostra com fotos, tem buraco na calçada da rua Giuseppe Sacco, no Parque Cachoeirinha. Na Rua José Domingues, no mesmo bairro, além do calçamento ruim, os buracos dividem espaço com mato e sujeira.

Na mensagem, João Nicolau pede desculpa pela qualidade das fotos: “foram feitas com um celular”. Quem tem de pedir desculpas é a prefeitura pela qualidade do serviço prestado.

Canto da Cátia: Parem com esta poluição

Placa de sinalização pichada

Um protesto contra a poluição na cidade feito a base de vandalismo foi registrado pela repórter Cátia Toffoletto, no Viaduto Washington Luiz. Uma das placas que indicam o nome do local foi apagada com tinta escura e sobre ela está escrito: “Paren con a poluição” (sic). “Não devem estar falando da poluição visual”, comentou Cátia durante o CBN SP. A troca da placa é responsabilidade da CET, o dinheiro para tal sai do nosso bolso.