Divórcio

 


Por Abigail Costa

Entre mãe e filha a conversa era sobre o casamento mal sucedido da pequena. O filme mostrava uma história que se passava em décadas dos “entas”.

Com mais experiência a cinquentona dizia:

“É preciso sabedoria pra manter um casamento; a rotina, dias mais pesados…. é preciso fazer vistas grossas a traição do marido”

“Mas e a minha felicidade mamãe”, implorava a coitada aos prantos.

Com a voz embargada pelas lágrimas tomou coragem e largou: “Quero o divórcio!”

“Nem pense nisso – a voz da mãe soou mais alto – você ficará marcada”.

Nos anos de mil-novecentos-e-alguma-coisa, ser divorciada era coisa de mulher que não prestava. Pelo menos isso ficou bem claro no filme.

Convivendo com amigas que passaram pelo outro lado do casamento, me pego pensando no assunto. Quanto mais pergunto mais fico impressionada com a coragem dessas mulheres.

Não pela coragem de deixar uma vida confortável de contas pagas e viagens programadas com direito a presentes inusitados.

Coragem de reconhecer que a felicidade acabou. De não se contentar com a vida cheia de surpresas, mas vazia de sentimento.

Mulheres que querem muito mais do que reconhecimento no estado civil.

Deve e é difícil olhar no olho do outro e dizer: não te amo mais, quero me separar de você.

Imagine não saber a reação do parceiro.

Claro que até pode acontecer de um belo dia alguém acordar e ter vontade de ficar só, sair de casa e não voltar mais.

O normal, eu penso, é a relação ir escorregando por entre os dedos, feito xampu mal posicionado na mão.

Mesmo assim, há de se pesar os anos vividos, a vida confortável, os filhos e a tal sociedade.

Perguntei sobre isso. O troco foi ótimo.

“Sociedade quer dizer os outros, é isso? Os outros vão ficar como estão, cuidando de suas vidas. A opinião deles não me conforta a ponto de voltar no tempo, àquela felicidade que existiu.

Me alegra a coragem. Mais ainda quando esta é em nome da felicidade.

Abigail Costa é jornalista e escreve no Blog do Mílton Jung


Depois da primavera, o verão.

 

Por Abigail Costa

Primavera

Mulheres, está chegando a nossa hora. A alta temperatura é um convite à pele bronzeada, roupas mais justas e curtas. Sem culpa.

Por que tive que comer feito uma louca no inverno?

Daquelas noites regadas a vinho(s) tinto, com foundes…. restaram lembranças, quase todas numa espécie de cinturão emoldurando parte do quadril.

A propaganda da academia me oferece um desconto e promete me deixar com o corpo esculpido como o de uma menina de 20 e poucos anos. (o corpo juvenil é por minha conta).

Entro numa sala cheia de aparelhos, daqueles que só quem tem intimidade liga, coloca o banco na posição correta, ajeita o encosto, e desliga. Não basta ter coordenação motora, sinto a necessidade de um livro por perto.

Ela me chama a atenção. Sim, a menina de 20 e poucos anos estava se exercitando.

Minha nossa! O corpo é daqueles que TODA a mulher merece ter ainda que por pouco tempo. O rabo de cavalo preso no alto da cabeça acompanhava as passadas largas, passadas não, a guria desfilava.

Pra ela, nada de agasalhos pretos (tradicional malha dos fora de peso pra se auto-enganar e imaginar que nada está sobrando – todo mundo sabe que o pretinho é básico e disfarça sim os quilos a mais. Mas na sua cabeça disfarça?) A menina usava laranja e marrom, um conjunto estiloso. Desses agarrados que faz muitos marmanjos se perderem na contagem dos abdominais.

Olhei, analisei. Definitivamente, eu assim como ela em alguns meses ? É melhor não me enganar.

Aceito a sugestão de uma amiga.

“Tenho um personal trainer, vai te dar a maior força”.

Força. É disso que a gente precisa pra recomeçar.

Passadas as apresentações, medidas, (aí que vergonha! Cintura…cm/ coxa…cm/ braço…. Sabia que até isso engorda?). Os números? Bem, é melhor deixá-los de lado.

Estou lá, firme e forte. O dia mal começou e eu meio sem rumo de tanto baixa-levanta-solta-vira. Ainda bem que a coordenação é dele.

Hoje, amanhã, semana que vem…. E eu lá, firme e forte.

(A figura da moça não me sai da cabeça).

Um belo dia, depois de uma certa intimidade com o professor, entro no assunto… “Então, bonito o corpo dela, não? E que barriga é essa?”
Ele responde sem rodeios: – “Barriga de plástica”; – “Peito de prótese, de quem nunca amamentou”.

Não deveria. Sei que posso ser mal compreendida…. Mas confesso, não queria mais aquele corpo.

É ele quem agora fala – fala não, elogia.

Sabe que pela sua idade, pelos filhos, pelo sei-lá-mais-o-que (só gravei o que realmente me interessava) você está maravilhosa, e ainda vai melhorar mais!

Eu?

É. Você.

Dá pra duvidar de alguém que tenta te deixar em forma e consegue melhorar sua auto-estima?

Eu respondo: claro que não!

Em caso de dúvida, aqui vai a recomendação:

Contrate um personal trainer. De preferência jovem, bem disposto…. Hã ! cheio de músculos, também. No mínimo, faz bem para os olhos.

Em tempo: minhas medidas já são outras…

Abigail Costa é jornalista e volta a escrever no Blog do Mílton Jung, só estava precisando retornas às aulas de ginástica.

Parecido não é igual

 


Por Abigail Costa

Queria ter a capacidade de colocar os gastos no papel.
Queria. Todos eles.
Fazer exatamente o que recomendam os economistas.

A primeira pergunta a ser feita é:
Precisa ou deseja?

Em seguida, se tiver dinheiro antes da compra, pesquise.
Se nao tiver dinheiro, espere o pagamento entrar, poupe e, depois, muito depois, compre.

Das vezes que fiz isso, (nem me lembro quando ou quantas) …
Só lembro que foi uma decepção total.

Marcou-me a cara de desapontamento do vendedor:
– Senhora, nao tem mais. Esse produto acabou, na semana passada.
Ai que ódio…

A minha cara deve ter sido pior.
– Como não? Eu trouxe o dinheiro pra pagar à vista!

Bem feito.

Claro que não foi isso que me impede de trabalhar em cima de uma planilha.
A equação é simples.
Sou imediatista.
Vi, desejei, pronto – levo pra casa.
Nesse “desejei” entenda-se impulso em muitos momentos.

Não devo ser única, caso contrário seria objeto de estudo.

Tenho a impressão que quando entro nas lojas, os sapatos sorriem pra mim.
Com a mesma carinha dos cachorros abandonados a espera da adoção.

Pego o sapato preto.
Se tivesse o poder da fala o vermelho diria:
– Mas eu vou ficar sem o meu irmão, me leva também!

Definitivamente, não sei decidir entre as cores e as marcas.
Enquanto escolho, experimento, vem aquela sensação gostosa de prazer.

Dá prá parcelar?
A pergunta é quase que automática pra levar os “irmãos coloridos” para o meu closet.

Passado o cartão, digitada a senha, uma outra sensação nem tão gostosa assim passa a tomar conta da cabeça.

Jesus ! Nem precisava, já tinha uns três parecidos.
Uma voz interior, coisa de amiga, me conforta.
– Mulher, parecido não é igual. Fica em paz e ponto.

Dois minutos depois já estou conformada.
E assim, de loja em loja, de semana em semana, de parcela em parcela.
É claro que desse jeito não tem ser humano com orçamento fechado.

Certa vez alguém disse:
– Só se gasta o que se tem.
A frase me pegou igual conselho de avó.

Tinha que acreditar, não é?

Abigail Costa é jornalista e escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung, enquanto aprecia os cartões de crédito na bolsa nova.

De onde vem esta força ?

 

Por Abigail Costa

Uma das maiores recompensas da minha profissão de jornalista é conhecer pessoas. Em todos os lugares, gente interessante com histórias para contar. Isso, histórias. Conhecimento.

Nem sempre você vai para uma reportagem de entrega de Oscar. Nem tudo são flores, ainda mais morando e trabalhando nesta cidade chamada São Paulo.

Esses últimos dias tem sido de um enorme aprendizado. Tenho conhecido mulheres, mães. Diferentes do que tinha visto antes.

Entro na casa delas para ouvi-las. Elas falam de dor, de perda. Choram, pedem justiça, não cruzam os braços. E num dado momento a conversa ganha um rumo diferente. A voz continua embargada, mas decidida.

Encontrei com Márcia numa manifestação no centro. Ela veio do Rio de Janeiro para contar que o filho foi morto. Vítima de uma “troca de tiros com policiais”.

Márcia passou quatro anos trabalhando para mostrar a inocência do garoto de 16 anos. Conseguiu provar que os assassinos do filho eram dois PMs. Hoje, condenados e expulsos da corporação.

Já Maria Aparecida, mãe de Alexandre, descreve o que aconteceu: o filho foi morto no começo do mês na frente da família. Apesar dos apelos da mãe, do irmão de 13 anos, a cena de espancamento só parou quando Alexandre já não oferecia mais “resistência”. O crime dele: a moto estaca sem placas, disseram os policiais.

Ouvir essas histórias tristes contadas por quem mais sofreu e sofre pela falta dos filhos é difícil. Mas no meio de tanta tristeza, elas têm uma força inacreditável. No caso da Márcia, incansável. Lutaram para provar que os filhos que criaram não são bandidos.

Elas são mulheres simples.
Elas são mulheres fortes.
Elas são mães.

Abigail Costa é jornalista, mãe de dois meninos e escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung

A difícil arte de confiar

 

Por Abigail Costa

Penso que ninguém escolhe ninguém pra ficar ao lado já com desconfiança.
Isso no caso de pessoas normais.
Ninguém escolhe amigos e desta relação manter o pé sempre atrás.
Entre irmãos o natural é se doar, não renegar.
Mas em todo o momento da vida a pessoa se vê obrigada a fazer escolhas.
Quando acontece alguma coisa fora do esperado, puxamos o breque.

Sempre tive dúvidas em relação a uma traição.
– Dá pra recomeçar sem a desconfiança natural?
– É possível encarar o outro de novo sem fantasmas ?
– Será que vai se repetir ?

Numa relação de intimidade entre amigos, onde se faz tudo junto, se diz tudo despreocupado e se toma uma bola nas costas, por experiências pessoais, nada é como antes
Desculpas são aceitas. Mágoas esquecidas.
Mas dá pra sentar num restaurante e brindar a amizade?

Tenho que melhorar isso com a meditação.
Na família isso é complicadíssimo.
Se tira a pessoa das listas de festas, dos almoços de domingo.
Foge dos telefonemas desagradáveis.
Mas não se deleta do coração.

É um conflito entre a razão e a emoção.
Crescemos lado a lado, dormimos juntos, fizemos planos.
E, agora, cada um para um lado.

Deveria ser assim: O médico prescreve um remédio, alguns meses de tratamento e….
A confiança de volta!
Sem o remédio pra isso, fica o amargo de um sentimento que era, não é mais, e quem sabe se um dia voltará a ser.
Enquanto isso vamos no lema dos que umdia se entregaram ao vício e estão se recuperando.
Pelo menos por hoje vou confiar.

Abigail Costa é jornalista e, confiante, escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung

Quero só o comercial de margarina

 

Por Abigail Costa

Tirei um tempinho nesses dias para uma função diferente: pesquisadora. Nada de laboratório e ampolas. Que pena!

Diante dos meus amigos, da manicure, na fila do caixa do supermercado. Só faltou a prancheta.

“Você está se sentido cansado? Desanimado? Tem que levantar e o corpo pede mais cama?”

Quando a resposta era positiva, isso aconteceu na maioria das vezes, me sentia um pouco mais animada. Era como se eu não estivesse sozinha no mundo do não-quero-fazer-nada.

Ouvi justificativas para o caso.

“Em certos períodos isso é normal mesmo … às vezes a gente precisa de um tempo”.

Mas o que me fez pensar no que estava me incomodando veio da minha querida Maria Lúcia:

“Muitas pessoas estão focadas para um lado ruim que acaba contaminando todo o resto”.

Isso mesmo.

Pregamos o melhor e fazemos diferente.

Quer um exemplo?

Você está se sentindo de bem com a vida? Ligue a televisão no noticiário. Pronto, o terapeuta ganhará mais um paciente.

Jesus! Que coisa mais perversa! É tanto tiro que uma das balas teima em furar a tela da minha 40 polegadas!

Aí o engravatado roubou. O outro mesmo comprovado o crime não foi punido e voltou pra casa. E o sujeito está largado na maca do hospital enquanto a vinheta das eleições já começa a rolar no espaço reservado para a propaganda de margarina.

Falando em margarina. Nem gosto tanto do produto só que ADORO quando aqueles segundos vão ao ar! Adoro ver a família na mesa, aquele sol da manhã entrando pela janela, o pão quentinho saindo fumaça …

De volta as tragédia rotineiras. Outra descoberta da minha pesquisa.

Todos se queixam das notícias sangrentas. Querem a boa notícia. Mas se “eles” exibem, diariamente, o que a gente está careca de ver é porque tem mercado pra isso. Caso contrário, o Ibope registraria queda na audiência.

Entre não querer ver e assistir tem uma longa distância.

Então, mesmo que você se proponha a só prestigiar o “comercial de margarina”, tem sempre um mensageiro do apocalipse:

“Você viu? Que coisa, não, estamos perdidos”.

Pra terminar minha “terapia em conjunto”, o caos é quando o marido chega pra você todo carinhoso e diz:

“Amor, temos que economizar”.

Pronto! Aí me mundo caiu de vez! Pior que desta vez, ele tem razão.


Abigail Costa é jornalista e escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung

Diferente de ninguém

 

Por Abigail Costa

“Eu não vou diferente de ninguém quase todo mundo faz assim. Eu me viro bem melhor, quando tá mais pra bom que pra ruim”

Quando o Lulu Santos canta (Condição) fica ainda melhor!
Prefiro assim.
Eu e milhares de torcedores.
Fica sempre melhor quando está tudo indo muito bem.

E quando vai ficando meio torto, a direção tem que ser ajeitada imediatamente.
Se esperar um pouco mais, o perigo é o de atolar.

Conversando com um neurologista dia desses, me senti absolutamente confortável diante do PHD. Dizia ele: “antes era necessário o QI para alcançar o sucesso…. e continuou:

– Pesquisas mostraram tempos depois que além do QI – inteligência – se buscava o QE – emoção – para o equilíbrio.

Agora, completa o Doutor, já aceitamos uma terceira sigla para completar o ciclo “de bem com a vida”.

– QS.

Inteligência, emoção, espiritual.
Juntos, o bom senso.

Claro que nisso tudo vem o não estresse, uma boa alimentação, não ao tabaco, nada de bebida alcóolica em exagero.

Calma, ninguém está pedindo para ser um santo nessa terra.
Não é se tornar o melhor com pequenas mudanças.
É se sentir um pouco melhor, mudando.

Muitas vezes nem é preciso ouvir de um Professor-Doutor coisas que nos fazem pensar.

No volante de um carro outro dia, ouvi de um motorista:

– Dona, o errado é a gente se comportar sempre como cachorro sem pedigre.
– É?
– A gente se acaba se acostumando com sobras e sempre com cara de coitado!

No fim do dia vou juntando os QS do neurologista, a experiência do taxista e ouvindo a música do Lulu.

“Qualquer um que ouve entende não precisa explicação…
E se for pensar um pouco vai me dar toda a razão.”

Abigail Costa é jornalista e escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung

Desprendendo-me

 

Por Abigail Costa

A maternidade chegou, digamos, na fase madura. Depois dos 30. Estava tão acostumada em ser eu – e quando tinha que dividir era só com meu marido – que quando aquele pequeno homem chegou em casa desorganizou minha vida.

As noites não seriam mais as mesmas. De fato não foram. E quantas delas passei em claro com ele berrando no colo. O pensamento era só esse:”acabou meu sossego”.

Era uma sensação de perda de liberdade, de tranquilidade, de sono gostoso depois de namorar muuuuuuuuuuito.

Agora, eu tinha uma responsabilidade que pesava. Não só porque tinha sono e não podia ir pra cama. Vestir aquela blusa cheias de botões, durante meses (não por opção) para ter praticidade na hora de amamentar, confesso nem sempre me dava prazer.

Mas o tempo, sempre ele, se encarregou de colocar os pingos dos is.

Daquelas noites sobraram as olheiras na fotografia; das mamadas do meu bebê, saudade.

Ele se desprendendo, a vida voltando ao jeito que era.

Meu pequeno grande homem já tem suas responsabilidades e as desempenha muito bem. A mim cabem pequenas complementações como mãe.

Você já não é tão requisitada como antes. Definitivamente, ele não morrerá de sede sem você.

De vez em sempre um carinho, que mal tem ?

Numa dessas voltas, eu, cortando as unhas naqueles dedinhos já crescidos, comecei a fazer perguntas com aquela voz quase idiota que usamos para conversar com animais e crianças:

– Já não precisa mais da mamãe pra trocar as fraldas, não é? Nem pra mamar?

Consegui perguntar mais meia dúzia de besteiras até cair em prantos.

Ele “pensando” ser mais uma das minhas brincadeiras disse inocentemente:

– Você é uma atriz e tanto, não é mamãe?

– Pois é – respondi, passando as mãos no rosto e disfarçando as lágrimas.

Fui pro banheiro pra me olhar sozinha no espelho. “Tá louca mulher?” Perguntei pra mim mesma.

Passei uns dias pensando nesse episódio.

Louca não. Lúcida.

Estamos nos desprendendo.

Assim como foi preciso me acostumar com a chegada do meu bebê, estou me acostumando com as outras etapas. Sofrer como lá atrás sofri quando ele chegou mudando a minha vida, sei que não vai dar pra escapar. Sofrerei.

De novo me lembro da frase preferida da minha mãe.

“Com o tempo tudo passa”.

Abigail Costa é jornalista e escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung

Quando o menos é mais

 

Por Abigail Costa

Das primeiras vezes que ouvi isso, as pessoas se referiam as roupas.

Muitas cores, muitos colares, muitos anéis. Tudo “over”.

Bastou um olhar mais atento para camisa branca ou o pretinho básico e as diferenças apareceram.

Das roupas para a vida nossa de cada dia, ficou mais fácil.

É natural, além de ser mulher, mãe, esposa, profissional, incorporar outras figuras.

Foi num desses momentos de múltiplas funções que me deparei com um desgaste fora do normal.

O cansaço veio acompanhado de uma sensação de ser incompleta.

Poucos minutos para o café da manhã já que o dia tem pressa.

Uma espécie de cronômetro para medir se o que foi feito estava absolutamente certo ou pela metade.

Uma cobrança invisível de sofrer.

Ninguém diz nada mas você sabe.

Poderia ter ido mais além aqui. Deveria ter brecado ali.

Era como ir para o quarto e perceber que com algumas mudanças nos móveis conseguiria mais espaço para ter um corredor.

Em alguns momentos é hora de sacar o pretinho básico do guarda-roupa para não perder tempo com as combinações de cores que estão fora de moda.

Uma dúzia de funções ficam bem para mostrar para os outros como você é ou se sente ocupada.

Ocupada, mas sem tempo de desempenhar as principais tarefas que só dependem de você.

DESCENTRALIZAR.

Estou “in love” com essa palavras.

Ando namorando, o mais é menos.

Descobrindo que posso, não preciso, andar com o cronômetro na bolsa.

Quer saber?

Me perguntaram outro dia.

– Esta fazendo o quê?

– NADA.

Do outro lado lado:

– Aí que inveja!

Eu me senti vestida de menos, o outro me viu DEMAIS.

Estou conseguindo.

Abigail Costa é jornalista e escreve às quinta-feiras no Blog do Mílton Jung

Me dá um dinheiro aí !

 

Por Abigail Costa

Experimente contar um problema pra alguém.

– Isso não é nada!
– Imagine que….

Como se problema tivesse dimensão de mais ou menos, maior ou menor.
É problema e pronto.
Simples ? Não.

Fulano tem uma dívida, você ganha um pouco mais do que ele.
Logo, você vai dar uma força para cobrir a conta bancária do camarada.
Isso é o que ele espera, claro o teu salário é maior!
Mas e as suas despesas ? Elas também não são maiores ?

Tenho vivido fases parecidas.
Não se iluda, não falo de “gordos rendimentos”, mas dos que ainda acreditam que a obrigação é sempre dos outros.

Esse era um assunto que realmente não me incomodava. Deixava rolar.
Passou a incomodar quando começei a perder amigos e dinheiro.

É assim:

– Preciso da sua ajuda. No fim do mês, eu pag….

Sempre no fim de um mês que nunca chega.
Ele fugindo de você, e você sem jeito de cobrar.

E vem o pensamento:
– Por que não apliquei esse dinheiro na bolsa, lá se perdesse sabia do risco.

Passei por uma saia justa outro dia.
Eu e ele.
Quando desliguei o telefone, fiquei com raiva de mim.
Repeti em alto e bom som:
– Eu não aprendo !

Do fim do mês vai ficar para o dia 15.
Você acredita?
Quer apostar?
Não faça isso.
Corremos o risco de perder.
De novo.

Abigail Costas é jornalista, escreve às quintas-feira no Blog do Mílton Jung e, que fique claro, nunca me emprestou dinheiro.