Adote um Vereador: participação intensa no primeiro encontro do ano

 

Parte do grupo que esteve na reunião do Adote um Vereador, em São Paulo

 

A mesa animada e cheia foi o melhor sinal que poderíamos ter recebido dos participantes do Adote um Vereador, no último sábado, quando os encontros mensais foram retomados. O recesso parlamentar havia se encerrado dias antes, o calor era intenso, alguns ainda estavam no ritmo das férias, mas nada disso foi desculpa. Desde cedo, já encontrava voluntários no café do Pateo do Colégio, que tem funcionado como espécie de recanto da cidadania para os adeptos do Adote. Animador, também, foi perceber a boa presença de integrantes do Movimento Voto Consciente, normalmente representado pelo casal Danilo e Sonia, mas que, desta vez, contou com ao menos mais quatro dos seus colaboradores. Digo que é animador, pois uma das missões da rede formada pelo Adote um Vereador é ser indutor das discussões políticas pelo cidadão. Não temos a pretensão de seremos um movimento amplo e organizado institucionalmente, apesar desta ser uma possibilidade, quem sabe. Queremos mesmo é motivar as pessoas a atuar em favor da comunidade em que vivem, abrir os olhos do cidadão para importância do seu papel na sociedade e de sua força para influenciar as políticas públicas. Portanto, saber que nossas reuniões informais se transformam em ponto de encontro desses cidadãos e permitem a troca de histórias e experiências demonstra que estamos no caminho certo. Aos trancos e barrancos, mas no caminho certo.

 

No sábado, por exemplo, soubemos que uma das participantes está no conselho popular da Subprefeitura de Aricanduva/Vila Formosa, motivada e disposta a emplacar ideias para melhorar a região, tanto quanto assustada com a burocracia imposta para o funcionamento do organismo. Há quem planeje aumentar a frequência na Câmara, estendendo a fiscalização hoje feita pela internet, pois entende que assim conseguirá levantar mais informações e compreender melhor a dinâmica do parlamento. Assim como tem gente que não acompanha vereadores, mas assiduamente participa do conselho de segurança da sua região. Existem, ainda, os cidadãos que se satisfazem em estar conosco, compartilhando suas opiniões, interessados em aprender, mesmo que não consigam monitorar o trabalho dos vereadores. Seja como for, muita água se bebeu para hidratar a turma ansiosa em contar as novidades. Aliás, é curioso que apesar de boa parte estar em contato pelas redes sociais sempre há algo a mais a dizer, um fato que foi esquecido ou um momento importante a se destacar. Os assuntos nunca acabam, têm sequência no próximo encontro ou se estendem para as conversas virtuais.

 

Enfim, após duas horas e pouco de água, mais suco, café e alguns quitutes, tão animados como chegaram, todos se foram com a promessa de voltar daqui a um mês. E levam consigo, a recomendação de sempre: controle os políticos, antes que eles controlem você.

Dinheiro de empresa na campanha desvirtua democracia

 

Carlos Magno Gibrail

No STF Supremo Tribunal Federal, quarta e quinta-feiras, votaram pelo fim das doações das pessoas jurídicas nas eleições o presidente Joaquim Barbosa, o relator Luiz Fux, e os ministros Dias Tóffoli e Roberto Barroso. Os demais onze membros não votaram em função do pedido de vista de Zavascki que ocasionou a suspensão da sessão sem prazo de retomada.

 

A interrupção é inoportuna, pois a aplicação é para a eleição de 2014, mas combina com a dicotomia que vivemos há anos entre PT e PSDB, embora a matéria pressuponha apartidarismo. Suposição prontamente desmentida pela revista Veja que coloca na capa Adir Assad, acusa-o de movimentar R$ 1 bilhão em propinas e de Caixa Dois de campanhas, mas dedica seu editorial à defesa do financiamento das campanhas eleitorais pelas empresas. E ainda usa Assad como argumento alegando que é melhor liberar do que proibir o dinheiro das empresas nas eleições para evitar “o aumento exponencial das doações ilegais”, considerando falso o problema das doações empresariais. Para a revista, o problema é a falta de fiscalização. O editorial da Época usa também o falso, mas por entender que são temas secundários ou já resolvidos. Verdadeiros problemas para Época são a burocracia (que estimula a corrupção) e a educação.

 

O fato é que diante dos aspectos conceituais e empresariais das doações, a participação de empresas no processo eleitoral é questionável. Do ângulo conceitual, a democracia se exprime a partir do cidadão e não de uma pessoa jurídica. Colocação usada por Tóffoli em seu voto. Sob o aspecto empresarial, as doações são feitas esperando vantagens, pois a essência das organizações privadas é o resultado. Tanto é que os principais fornecedores do Estado são os maiores financiadores de eleições. Na campanha de Dilma e Serra, 98% das contribuições vieram de pessoas jurídicas, o que desvirtua o significado de democracia, pois demo é povo e cracia é governo.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Nota do Blogqueiro: o símbolo que ilustra este post é da campanha Eleições Limpas que você conhece acessando este link

Adote um Vereador: esperamos você em 2014

Caras novas e os velhos caras estiveram juntos no último encontro do Adote Um Vereador, nesta temporada, realizado sábado, do Pateo do Collegio, centro de São Paulo. Assim foi durante todo este ano, com a turma velha de guerra, formada por aqueles que aderiram na primeira hora, sentada em torno da mesa do café, recebendo e conversando com gente recém-chegada, a maioria curiosa para saber o que um cidadão é capaz de fazer. Alguns permanecem conosco, outros voltam de vez em quando e há os que tocam a vida em frente e vão reclamar em outra freguesia. Para começar basta querer, é o que dizemos sempre: escolha um vereador, veja o que ele faz, mande perguntas, faça sugestões e conte tudo para os outros.

 

O Alecir, o Sérgio e o Cláudio (chegou tarde mas chegou – ficou fora da foto oficial) são sempre os mais entusiasmados da conversa. A Sílvia e o Chico Jr. têm disposição para contar boas histórias. O Rafael prestou muito atenção no bate-papo antes de sair. O Erisnal quer montar o Adote em Santo André e busca a adesão de outros moradores da cidade. A Olívia voltou disposta a se juntar a causa, agora que já entregou seu trabalho de conclusão. O Jocivan é do Centro e falou de sua experiência como candidato para o conselho popular da Subprefeitura da Sé. Eu assisto a todos com uma ponta de orgulho, pois vejo que a ideia de 2008, aos trancos e barrancos, tem permitido o nascimento do desejo cidadão dentro de cada um daqueles que ali estão – e de outros tantos que não aparecem, mas acreditam, também.

 

Ano que vem, parte dos que ali estavam voltará, tenho certeza. Assim como tenho a esperança de que mais gente se juntará a nós disposta a monitorar, controlar e fiscalizar à Câmara Municipal. É o que temos feito desde o início e graças a esse trabalho abrimos canais de comunicação com os vereadores, levamos sugestões até os gabinetes, espalhamos por todos os cantos o que fazem ou deixam de fazer, causamos algum constrangimento e ganhamos desafetos, é lógico. Também conseguimos aprovar duas leis já em vigor na cidade e motivamos a atuação de grupos e escolas. O mais importante de tudo: nos tornamos cidadãos da nossa cidade.

 

Obrigado e parabéns a todos os envolvidos! Espero vocês em 2014.

Aumento do IPTU fez o cidadão descobrir que temos vereadores

 


Texto publicado originalmente no Site SP in foco

 

Foi a Câmara Municipal de São Paulo aprovar a proposta de reajuste no IPTU para os paulistanos descobrirem que temos vereadores nos representando. Imediatamente após a votação, tínhamos à disposição a lista dos que foram a favor e contra o aumento proposto pelo prefeito Fernando Haddad (PT). Não demorou muito, as redes sociais passaram a receber, também, outra lista na qual se verificava a contradição de muitos dos vereadores que estavam no cargo na legislatura anterior. A maioria dos que votaram contra o aumento agora havia apoiado o reajuste apresentado pelo então prefeito Gilberto Kassab (PSD). E vice-versa: dentre aqueles que votaram a favor da ideia de Haddad muitos tinham sido contra na gestão anterior. Ou seja, votaram por conveniência partidária, sem levar em consideração o equilíbrio financeiro do Orçamento Público e as condições econômicas do cidadão paulistano.

 

Em janeiro, quando os carnês começarem a chegar na sua casa, talvez se entenda com mais clareza o peso da decisão da Câmara Municipal de São Paulo. A persistirem as contas da prefeitura, muitos moradores da periferia da Capital perceberão que o projeto de lei segurou os valores cobrados pela prefeitura e, em alguns casos, até mesmo diminuiu. Outros, porém, sentirão no bolso o alto custo da medida aprovada pelos vereadores. Independentemente da sensação provocada com o novo IPTU em mãos, minha esperança é que os paulistanos compreendam a importância e o impacto do papel dos vereadores. Assim como eles podem aumentar nossos tributos, também aprovam leis que ajudam a melhorar a qualidade de vida na cidade, sem contar que têm instrumentos para fiscalizar a administração municipal e identificar como nosso dinheiro está sendo gasto.

 

É com esta intenção que se criou, em São Paulo, o Adote um Vereador: incentivar o cidadão a fiscalizar, monitorar e controlar o trabalho de um parlamentar, com o compromisso de que as informações levantadas sejam publicadas nas redes sociais (blog, Tumblr, Twitter, Facebook, Google+ e o escambau) para que este conhecimento seja compartilhado com a sociedade, construindo uma rede de cidadania. E se o conceito é de rede, deve ficar clara a intenção de que não existe um comando central nem mesmo uma visão política unitária. Cada voluntário tem o direito de expor seu pensamento de maneira livre sobre os mais diferentes temas relacionados a vida política. Cada membro é responsável por seu próprio trabalho e opinião.

 

A ideia surgiu logo após a eleição municipal de 2008 a partir de duas constatações. A primeira, que a maior parte do eleitor esquece o nome de seu candidato seis meses após a eleição. A segunda, que dois terços do eleitorado não consegue eleger seu representante na Câmara Municipal de São Paulo. Estas duas situações fazem com que o cidadão perca o interesse pela ação legislativa e entregue nas mãos dos vereadores o destino da cidade. Um erro que se repete com relação às assembleias legislativas, às câmaras Distrital e dos Deputados e ao Senado.

 

Com a rede Adote um Vereador conseguimos vitórias importantes a começar pelo engajamento dos cidadãos na política da sua cidade. Também abrimos canais de comunicação com a Câmara, membros são consultados sobre decisões a serem tomadas na Casa e as informações do Legislativo estão muito mais acessíveis do que quando iniciamos este trabalho. Dois projetos de lei sugeridos por integrantes da rede foram adotados por vereadores e transformados em leis que já estão em vigor na Capital. Porém, é preciso ampliar essa rede e expandirmos o número de vereadores fiscalizados, unindo forças com os demais grupos que acreditam no papel que o cidadão tem no desenvolvimento de sua cidade.

 

Controle os políticos, antes que eles controlem você.

 


Leia outros textos sobre São Paulo no site SP in foco

Juiz do Ficha Limpa analisa em livro manifestações populares no Brasil

 

 

O juiz Márlon Reis, um dos fundadores do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral e incentivador da Lei do Ficha Limpa, lança o livro “O Gigante Acordado – Manifestações, Ficha Limpa e Reforma Política” (Editora LeYa), nesta quinta-feira, 19h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na avenida Paulista, em São Paulo. Tive o privilégio de ser escolhido pelo magistrado para a escrever o prefácio deste trabalho no qual, além de tratar da mobilização social que ocorreu neste ano, em todo o Brasil, traz fatos curiosos dos bastidores para criar a primeira lei de iniciativa popular, a que transformou compra de voto em crime eleitoral, e para a aprovação da Ficha Limpa. Além disso, dedica um capítulo à defesa da liberdade de expressão.

 

Ontem, entrevistei Márlon Reis, no Jornal da CBN, quando falamos sobre a aprovação do fim do voto secreto em processo de cassação de parlamentares na Câmara e no Senado, além de análises que estão apresentadas no “Gigante Acordado”.

 

 

Como o conteúdo significativo é o escrito por Márlon Reis, tomo a liberdade de reproduzir a seguir o prefácio de minha autoria. Estarei na livraria para abraçar pessoalmente esse juiz que se tornou um exemplo no país, sem precisar atropelar as regras para defender o direito do cidadão e combater à corrupção.

 

Vamos ao prefácio:

 

“E o senhor acha pouco?”, perguntou o motorista Eriberto França ao ser questionado pelo deputado Roberto Jefferson se as denúncias que havia feito contra o presidente Fernando Collor eram movidas apenas por patriotismo. Para o parlamentar era difícil acreditar que havia um brasileiro, trabalhador, gente simples, sem diploma nem autoridade, disposto a enfrentar o poder e a confirmar a existência de contas fantasmas, onde era depositado o dinheiro da corrupção, usadas por Collor e o tesoureiro dele, PC Farias. Jefferson – que mais de uma década depois seria protagonista das denúncias do Mensalão – considerava inimaginável alguém deixar o sossego do seu cotidiano sem que fosse movido por segundas (e más) intenções. Não é de surpreender que pensasse assim. Historicamente, a elite política do Brasil subestimou a força do cidadão, e a avaliou usando sua própria régua moral e cívica.

 

Nos protestos juninos, que assistimos sem entender bem o que acontecia (este livro nos ajuda a ter compreensão melhor dos fatos), novamente o comportamento do cidadão foi questionado. Apressaram-se a culpar a oposição, que poderia ser qualquer coisa que estivesse do outro lado. Procuraram responsáveis na direita e na esquerda, em cima e embaixo, sem perceber que esta disposição física não se encaixava mais nas ideologias que se contróem em rede, neste emaranhado de pensamentos produzidos na internet graças as pessoas intensamente conectadas. Acusaram motivação política ao verem jovens, senhoras e senhores ocupando as ruas, como se exercitá-la fosse direito privado dos partidos. Esses que ali estavam, com cartazes nas mãos e coração indignado, não esperavam derrubar um governo, como se fez com Collor, nem ratificar uma lei, como nas Diretas Já, queriam reclamar do sistema (ou dos sistemas) e defender a democracia. Mas foram obrigados a ouvir a ironia da autoridade: “tudo isso apenas por 20 centavos?”. Não tiveram capacidade de entender que se pedia muito mais: respeito.

 

Há cinco anos, quando um grupo de cidadãos, na capital paulista, aceitou a proposta de fiscalizar, monitorar e controlar o trabalho dos parlamentares na Câmara Municipal, formando a rede Adote um Vereador, também teve de responder à desconfiança revelada em discursos no parlamento. Alguns vereadores, incomodados com o pedido de transparência no trato da coisa pública e a nossa intenção de controlar nossos representantes, sem perceber expuseram seus valores. Pediram para que informássemos os financiadores da nossa organização, como se somente o dinheiro pudesse mover as pessoas. Usaram sua própria moeda para nos julgar, já que tendem a ser reféns das empresas e grupos que sustentam suas campanhas. Para se ter ideia, em São Paulo, 57% do dinheiro doado aos partidos que elegeram os atuais vereadores saíram de empresas de construção civil e do ramo imobiliário. Tivemos de ir à público para deixar claro de que não precisávamos de um só tostão para acender o interesse do cidadão na política local. Tínhamos a pretensão (e como somos ainda pretensiosos!) de qualificar o trabalho legislativo com a participação popular e, assim, ajudar no desenvolvimento do ambiente urbano, pois é na Câmara Municipal que se votam as leis que vão reger nosso dia, além de serem os vereadores os responsáveis por fiscalizar as ações do prefeito e da prefeitura e a gestão do dinheiro público, o nosso dinheiro. Queríamos apenas praticar a cidadania.

 

Ao colocar uma ideia embaixo do braço e sair do Maranhão para desbravar o Brasil com a proposta da lei do Ficha Limpa, o juiz Marlón Reis também recebeu olhares desconfiados. Magistrado e consagrado em sua posição, melhor seria se ater às letras dos livros jurídicos e se acomodar na burocracia dos tribunais, aproveitando as mordomias do cargo e o ritmo do samba e do baião, nos momentos de prazer. Preferiu fazer política ao seu jeito. Assim como havia se engajado na campanha de combate à corrupção eleitoral, depositou sua fé no projeto que lhe foi entregue em um envelope de papel, na sede da CNBB, em Brasília, levou sua crença a todos os cantos e contaminou pessoas que, como ele, entenderam que o Brasil tinha de ter instrumentos para constranger políticos inescrupulosos e combater a prática da compra de votos. Nessa caminhada cívica, por estradas também virtuais, já que a internet foi extremamente importante, Marlón ouviu muita gente dizer que aquilo não daria em nada, e, se aprovada um dia, seu destino seria o lugar-comum das muitas leis que não pegam no país. Ao contrário, porém, sequer havia entrado em vigor e o caráter pedagógico da lei de iniciativa popular se evidenciava, ajudando a educar a sociedade para a democracia, ao fazer com que o eleitor, antes mesmo de ouvir a promessa do candidato, quisesse saber: “o senhor é Ficha Limpa?”. Hoje, pedimos ficha limpa para todo serviço público; ficha limpa para contratar e ser contratado.

 

O juiz maranhense sabe que é apenas um personagem dessa história, tão importante quanto todos os outros cidadãos que se mobilizaram com a mesma intenção e juntos criaram um fenômeno que o professor Augusto de Franco, criador da Escola de Redes, identifica como swarming, uma espécie de enxameamento criado pela dinâmica da rede, que tem sido o provocador de muitos movimentos sociais e políticos no mundo. Ciente de seu papel e certo de seu tamanho diante da dimensão dos fatos, Marlón Reis tem credenciais para contar essa história e analisar o atual cenário da política brasileira. E faz tudo isso apenas por patriotismo. O que não é pouca coisa, senhor deputado.

A caricatura de personagens importantes da história do Brasil

 

José Dirceu e José Genoíno, ao se apresentarem à Polícia Federal para cumprir a pena imposta pela condenação no processo do Mensalão, ergueram o braço esquerdo e cerraram o punho. Na velocidade imposta pelas novas tecnologias, a imagem ilustrou sites, redes sociais, reportagens de televisão e, com a demora de praxe, às primeiras páginas dos jornais. A ação foi pensada, eles queriam sinalizar que não se renderiam à verdade revelada durante o julgamento do Supremo Tribunal Federal. Se entregariam ao cárcere mas como presos políticos, vítimas de uma elaborada conspiração da qual teria feito parte a elite política e econômica do Brasil, refletida em seu pensamento pelos grandes veículos de comunicação, e com participação de setores derrotados nas últimas três eleições presidenciais. Um esquema, levando em consideração a tese golpista, que contou com a colaboração fundamental dos ministros do STF – curiosamente, a maioria indicada pelos governos Lula e Dilma.

 

Na Ditadura Militar, José Dirceu participou das revoltas estudantis, teve de se exilar e quando retornou ao país, se esconder. Era perseguido político, correu risco de vida mas nunca desistiu de lutar pela Democracia. Foi nela que conseguiu retomar o caminho da política, deixando a clandestinidade, concorrendo a cargos no legislativo e construindo partido que trazia o discurso de respeito à ética e ao combate à corrupção. Chegou ao poder quando conseguiu enquadrar as alas radicais do PT e promover alinhamento mais moderado na política e na economia que permitiu a Lula tornar-se presidente da República. Perdeu-se, porém, ao se envolver na compra de votos de parlamentares no Congresso Nacional em uma tentativa de garantir a permanência de seu grupo no Governo Federal.

 

José Genoíno também foi para a clandestinidade para sobreviver ao Regime Militar. Contra a Ditadura, pôs mãos às armas, foi guerrilheiro e por cinco anos sofreu na cadeia, aí sim, como preso político. Com a Democracia, entrou na vida parlamentar e, com inteligência, aprofundou-se nos conhecimentos regimentais que lhe deram papel de liderança no processo de impeachment do presidente Fernando Collor. Lembro da desenvoltura dele nos corredores do legislativo negociando com parlamentares dos mais diferentes partidos e nas conversas matinais na sala de imprensa da Câmara dos Deputados enquanto se aproximava o fim lamentável do governo do primeiro presidente eleito pós-Ditadura. Um dos primeiros sinais de que seu perfil mudara foi na campanha para o Governo do Estado de São Paulo, em 2002, quando em busca do eleitor conservador adotou o discurso de Paulo Maluf de que a segurança pública se garantia com a Rota na rua. As palavras não cabiam na sua história passada e assim sofreu dupla derrota: na eleição e na biografia.

 

Durante o julgamento foi a ministra Carmem Lúcia, do STF, quem alertou que no Mensalão não se julgava a biografia dos réus mas os fatos apresentados no processo de compra de votos. Talvez por isso mesmo, ao ver Dirceu e Genoíno reproduzindo o símbolo da resistência no momento em que se transformavam em raros “políticos presos” no Brasil, o que enxerguei foi apenas a caricatura mal feita de dois personagens importantes da política brasileira. E pior, protagonizada por eles próprios.

A decisão do STF em seis toques

 

Por Wálter Fanganiello Maierovitch
Comentarista do Justiça e Cidadania

 

1. PANO DE FUNDO.

 

Para usar uma linguagem futebolística, o Supremo Tribunal Federal, na sessão de ontem, apresentou-se confuso. Mas, e perante a opinião público e para a grande maioria dos operadores do Direito, fez-se Justiça. Prevaleceu o entendimento de ser possível a execução parcial das penas. Vale dizer: transitou em julgado, “tollitur quaestio”: a questão está encerrada.

 

Um exemplo ajuda a esclarecer. José Direceu foi condenado pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha. A condenação por corrupção ativa tornou-se imutável e isso por não mais caber recurso: só caberá, em face do trânsito em julgado e por fato novo e até agora desconhecido, uma ação rescisória, que, no processo penal, chama-se revisão criminal: pressuposto da revisão criminal é o trânsito em julgado. Quanto à quadrilha, a decisão condenatória ainda não é definitiva pois foi atacada por embargos infringentes: pelo delito de formação de quadrilha, Dirceu foi condenado por 6 votos contra 4. Pelo Regimento Interno do Supremo, que tem força de lei, cabem embargos infringentes quando lançados quatro ou mais votos absolutórios e minoritários.

 

Com efeito. Os 11 supremos ministros estavam convocados para apreciar a segunda rodada de embargos de declaração apresentados e num total de dez.

 

Pela suprema rádio-corredor, corria a informação de que o ministro Joaquim Barbosa, — presidente da Corte e relator da fase de conhecimento do ‘mensalão’ e da futura etapa de execução das condenações–, proporia à consideração dos seus pares a execução parcial de condenações com trânsito em julgado. Ou melhor, embora pudesse Joaquim Barbosa atuar de ofício, e sem o ‘nihil obstat’ dos demais ministros, ele resolveu consultá-los na Plenária. Isso sobre o início da execução de condenações definitivas: àquelas não mais sujeitas a ataques por recursos.

 

Na véspera do julgamento, e por petição protocolada às 18 horas, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, resolveu antecipar-se à Barbosa. Em petição que o presidente Barbosa e os demais ministros tiveram notícia pelos jornais e se informaram apenas em Plenário, o procurador Janot, como parte acusatória, requereu o início da execução das decisões com trânsito em julgado. Como se percebe, Janot atropelou Barbosa, que estava pronto para propor a mesma coisa aos seus supremos pares.

 

Salvo os embargos declaratórios ajuizados pelo deputado João Paulo Cunha e Breno Fischberg, os oito outros foram, por maioria e vencidos os ministros Marco Aurélio e Lewandowsky, considerados protelatórios. Para Marco Aurélio e Lewandowsky os embargos não deveriam ser conhecidos pela ausência dos seus pressupostos: obscuridade, omissão, contradição. Caso os votos de Marco Aurélio e Lewandowsky tivesse prevalecido, ficaria aberta a porta para uma terceira rodada de embargos declaratórios e a impedir o trânsito em julgado.

 

2. DESGASTE.

 

O desgaste entre ministros e a confusão foi tamanha que não se conseguiu, no final, colocar no papel da ata o resumo do decidido.

 

Deu um apagão geral e o ministro Barbosa pediu para os paress repetirem os votos. Aí, novas preplexidades. Barbosa, —que parecia vencido–, acabou, –e não escondeu o ar de surpresa–, vencedor na questão mais complexa. E até Lewandowsky e Marco Aurélio concordaram, — para desespero de José Dirceu–, com a execução parcial de condenações definitivas.

 

Com todos os ministros exaustos, ficou para hoje uma melhor redação da súmula e a publicação do resultado.

 

3. REGIMES PRISIONAIS.

 

Apesar da confusão, pode-se concluir que caberá a execução parcial das condenações. Atenção: só daquelas com trânsito em julgado. Friso: os oito réus condenados que tiveram embargos declaratórios considerados protelatórios, –voltados a evitar o trânsito em julgado–, vão ter de cumprir de imediato as penas.

 

Qual será o regime prisional ?

 

O regime, como destacou Barbosa e os demais ministros concordaram, será o previsto no Código Penal: mais de 8 anos de pena em execuçao, regime fechado. Mais de 4 anos e menos de oito anos, regime semi-aberto. Na hipótese de menos de quatro anos, regime aberto.

 

Assim, e por exemplo, Delúbio Soares vai ter de começar a cumprir a pena, por corrupção ativa, em semi-aberto. José Genoíno, ficará em aberto e com chance de pedir a substituição por pena alternativa e restritiva de direitos: prestação de serviços à comunidade.

 

Roberto Jefferson, – que delatou o esquema do “mensalão ao jornal Folha de São Paulo em 2005 e ainda não esclareceu com quem partilhou o dinheiro ilegal e criminosamente recebido–, foi da turma de Collor Mello, quando do impeachment. Ontem e mais uma vez, contou com o voto de Marco Aurélio, primo de Collor.

 

Nem os céus ajudaram o bispo Rodrigues, que, em semi-aberto, vai amargar penas por corrupção passiva e lavagem.

 

4. OS CARONAS.

 

Atenção-atenção. O estranho e que gerou supremas divergências, ficou por conta dos seis condenados que apresentaram embargos infringentes, embora não tivessem quatro votos absolutórios conforme determina o Regimento Interno.

 

Enquanto não for decido de forma definitiva o não conhecimento desses seis recursos infringentes e sem amparo no Regimento do Supremo, as penas ficarão suspensas. Como esses seis embargaram contra todos os crimes a que foram condenados, nada será executado de imediato. No desespero e para ganhar tempo, os supracitados seis “francos atiradores” apresentaram os infringentes. Vão se beneficiar pois o sistema processual legal exige que os pedidos sejam decidios pelo relator e caberão embargos regimentais se Barbosa não os receber (conhecer).

 

Soubessem disso, os demais também apresentariam embargos infringentes e conseguiram adiar a execução parcial das condenações determinada na sessão de ontem.

 

5. MANDATOS PARLAMENTARES.

 

No momento, nenhum condenado vai perder o mandato parlamentar. Essa questão só será examinada em sede de embargos infringentes. Certamente, os mandatos parlamentares vão terminar antes do julgamento dos infringentes.

 

Apenas o deputado João Paulo Cunha, cujos segundo embargos declaratórios foram acolhidos, saiu no lucro. Quanto a ele, a execução ficará suspensa e o ministro Barbosa ficou, –ainda este ano–, de dar uma solução. Qual a razão da suspensão ??? A propósito, nem o ministro Barbosa foi capaz de esclarecer.

 

O certo é que o deputado João Paulo Cunha está definitivamente condenado por corrupção passiva ( 9 votos a 2 e 3 anos de reclusão) e peculato ( 9 votos a 2 e pena de 3 anos e 4 meses de reclusão).

 

6.NEFELIBATA e DE CANELA

 

Por último e voltando à linguagem futebolística, teve, na sessão de ontem, uma “matada de canela”. Refiro-me ao procurador-geral Rodrigo Janot.

 

Competia ao ministro Barbosa, como relator, propôs aos seus pares a execução parcial do julgado e com relação aos crimes que transitaram em julgado. Só que a mesma proposta, na véspera, fizera o procurador-geral Rodrigo Janot.

 

Diante do colocado pelo procurador Janot, abriu-se uma discussão áspera e de horas, ou seja, alguns ministros entenderam que os advogados de defesa deveriam ser ouvidos sobre a pretensão de Janot, consoante o princípio constitucional do contraditório.

 

O ministro Barbosa, contra os votos de Marco Aurélio e Lewandowsky, insistiu em afirmar que a proposta era sua como relator. Asssim, deveria ser desconsiderada a de Janot.

 

Por sua vez, o procurador Janot, — como um nefelibata (aquele que vive nas nuvens)–, não percebeu que se desistisse do pedido tudo terminaria e o resultado seria exatamente igual ao que havia proposto.

 

Café com cidadania: gente nova e velhos guerreiros presentes no Adote

 

 

Caras novas se juntaram à mesa do café do Pateo do Colégio, no centro de São Paulo, nesse sábado, no encontro mensal do Adote um Vereador. Uma delas, Dona Dolores, que chegou cedo, antes do encontro começar. Veio do Ipiranga e disse que há algum tempo pretendia participar de maneira mais ativa na política. Sentia falta de seguir o exemplo do pai dela que lutou pela democracia durante o Regime Militar. Parecia entusiasmada ao saber que pode ajudar a cidade não apenas controlando o trabalho dos vereadores na Câmara Municipal, mas atuando nos conselhos dos bairros e subprefeituras. Ou, simplesmente, reivindicando melhorias diante dos problemas na estrutura e nos serviços prestados. Deu a entender que o tema cidadania vai passar a fazer parte do conteúdo de sua página no Facebook.

 

Olívia Regina chegou da zona Leste e mesmo atribulada com a escrita do seu Trabalho de Conclusão de Curso da Faculdade de Administração, na Uninove, está disposta a acompanhar mais de perto a política da cidade. Os primeiros cafés ainda chegavam à mesa e ela já estava com o celular nas mãos em busca do nome de algum vereador para fiscalizar. Foi na lista dos 55 parlamentares que representam os paulistanos e no dedo (não a dedo) que chegou ao nome de Claudinho de Souza, do PSDB, a quem se comprometeu controlar a partir de agora. Logo foi assessorado pelo veterano de rede (só de rede) Alecir Macedo, responsável por manter o site e ter criado o aplicativo do Adote um Vereador (aliás, você já baixou nosso aplicativo – clique aqui). Além da experiência com o tema, Alecir conhece bem Claudinho, a quem acompanha de perto nas investidas do parlamentar em alguns bairros da zona norte de São Paulo. Contou, inclusive, que Claudinho costumava bloquear os críticos que aparecem na página dele do Facebook. Quero crer que tenha mudado este hábito. A conferir.

 

As cobranças indevidas do presidente da Câmara Municipal de São Paulo, vereador José Américo, do PT, em função da ausência de cidadãos em reuniões abertas ao público, posições contraditórias de parlamentares em votações em plenário e o aumento do IPTU foram alguns dos assuntos que estiveram no cardápio da nossa conversa. Maria Cláudia Paiva, que divide seu tempo entre o Adote e o Movimento Voto Consciente, confirmou que enviou carta para reclamar do presidente da Casa por considerar a postura dele incompatível com o cargo: Américo fez críticas públicas à diretoria do Voto Consciente que não esteve na reunião de líderes, semana passada, como se a ONG tivesse obrigação de estar presente em todos os encontros da Câmara. Quem é pago para trabalhar na Câmara é ele, se não me engano.

 

Rafael Carvalho contou que pediu explicações ao vereador Ricardo Young, do PPS, pelo voto à favor do projeto que autoriza a Operação Urbana Água Branca, na zona oeste da cidade. Antes de aprová-lo, Young havia apontado defeitos no texto que estava em discussão. Carvalho, depois de trocar e-mail com assessores do socialista, ligou para o celular de Young e ouviu a seguinte justificativa: “conseguimos chegar a um consenso para votar emendas que melhoravam e reparavam as piores partes do texto do Executivo. Assim, acredito que prevaleceu o esforço suprapartidário e democrático construído ao longo do ano”.

 

Pelo celular, por e-mail, por carta e nas redes sociais. Nas reuniões da Câmara, nas audiências públicas, nos encontros de bairros e nas sedes da subprefeitura. Todos os caminhos que o cidadão tiver condições de explorar para acompanhar, monitorar e fiscalizar a política da nossa cidade são bem-vindos neste trabalho que realizamos no Adote um Vereador. Por isso, é tão estimulante ver sempre alguém novo se aproximar da gente, assim como assistir ao retorno de outros e à presença da velha turma que está nesta batalha desde os primeiros dias. O café na mesa fica muito mais saboroso, mesmo em um dia de calor intenso como foi esse sábado.

 

Em tempo: Cláudio Vieira estava em Minas Gerais e participou por alguns minutos da convera através do Facetime. Deliberamos que não será registrada falta ao nosso colega (espero que o vereador José Américo não recorra da decisão).

Adote e Voto Consciente vão pedir fim de projetos "fora da lei"

 

 

Todo projeto de lei, antes de começar a andar na Câmara Municipal, assim como em qualquer casa legislativa, passa pela Comissão de Constituição e Justiça. Por desconhecimento, descuido ou complexidade legal, muitas propostas de vereadores não são ou da alçada do vereador ou da própria cidade. Por exemplo, não é possível aprovar lei que interfira nas forças de segurança pública, responsabilidade do Estado; assim como não se pode propor aumento de salário para professores municipais, projeto que cabe apenas ao prefeito. A CCJ é uma espécie de guardiã da constituição dentro do legislativo. Ou deveria ser. Muitas vezes, os vereadores fazem vistas grossas às irregularidades e aprovam projetos “fora da lei” para atender o pedido de um colega e até trocam favores para terem os seus projetos aprovados na primeira instância.

 

No encontro da rede Adote um Vereador, no fim de semana, ficamos sabendo que a Câmara Municipal de São Paulo, desde a gestão do presidente Antonio Carlos Rodrigues (PR_SP), entre os anos de 2007 e 2010, não apresenta mais o parecer do corpo jurídico da casa sobre os projetos de lei que dão base para a votação dos integrantes da Comissão de Constituição e Justiça. Se o relatório é feito – o que deve ocorrer, por ser uma norma da casa-, não é anexado ao projeto em análise na CCJ nem o cidadão tem acesso. Portanto, é trabalho desperdiçado e desdenhado pelos vereadores que fazem muito mais análise política do que jurídica, permitindo que projetos inconstitucionais continuem andando na Casa, ocupando a pauta, tirando espaço de debates importantes e, algumas vezes, despejados no colo do prefeito para que ele tenha o ônus de vetar a proposta.

 

Em mesa cheia, com gente nova e gente experiente (e tomada de garrafas de água e café), no Pátio do Colégio, a rede Adote um Vereador decidiu que vai pedir, em parceria com o Movimento Voto Consciente, ao presidente da Câmara, José Américo (PT_SP), que retome a prática de anexar os relatórios realizados pelos técnicos do setor jurídico da Câmara aos projetos de lei analisados pelos integrantes da CJJ. É importante que a Comissão, além de receber este documento e torná-lo público, leve em consideração a avaliação técnica para aprovar ou não os projetos de lei, independentemente do comprometimento político dos vereadores.

 

Outras conversas

 

No sábado, quando a rede se reuniu, em São Paulo, fomos apresentados a Henrique Trevisan, um dos integrantes do grupo que desenvolve o Monitor Legislativo, aplicativo que está em construção e pretende ajudar o cidadão a controlar o mandato dos vereadores. A ideia é colocar nas mãos do paulistano, um programa que facilite o acesso às informações do vereador e dos trabalhos da Câmara, tornando mais transparente a ação do legislativo municipal. A forma como muitas das informações estão publicadas no site da Câmara impedem, por exemplo, o cruzamento de dados. E já aprendemos que a transparência não se faz com informação publica, mas com informação acessível.

 

Lá no Pátio do Colégio, também, duas novas parceiras foram integradas ao grupo, interessadas em acompanhar o trabalho dos vereadores paulistanos. São elas, Rute e Gabriela Cabral, mãe e filha, que moram na Vila Formosa, onde vários parlamentares foram eleitos para a atual legislatura. Após ouvir a experiência de integrantes do Adote, ambas se comprometeram a monitorar, fiscalizar e controlar um desses vereadores.

 

E você está de olho no que o seu vereador faz pela cidade? Adote um vereador!

Adote um Vereador ganha aplicativo para celular

Com as facilidades oferecidas pela Fábrica de Aplicativos, criação do engenheiro de computação Guilherme Santa Rosa, a rede Adote um Vereador ganha mais uma ferramenta digital para facilitar o acesso às informações e análises sobre os vereadores e as câmaras municipais. O aplicativo do Adote pode ser baixado em qualquer telefone celular e foi desenvolvido pelo Alecir Macedo, um dos fundadores da rede de cidadãos que se dedica a controlar o trabalho do legislativo nas cidades brasileiras. A ideia é simples e oferece com apenas um toque informações como o telefone e e-mail dos vereadores da cidade de São Paulo. É possível encontrar ainda as notícias do Adote um Vereador no Facebook e Twitter, além de vídeos que ensinam como participar deste projeto. O aplicativo está em fase de implantação, já passou por algumas atualizações e está à disposição do cidadão e dos especialistas em mídias digitais para que fique ainda mais adaptado as demandas do cidadão. Se você tiver uma boa ideia, mande para nós, visitando o site www.adoteumvereadorsp.com.br. E adote um vereador.