Fiscalizar não é punir, ser fiscalizado é corrigir

 

A avaliação do Voto Consciente sobre o trabalho dos vereadores na Câmara Municipal dominou as conversas do Adote um Vereador, na reunião mensal realizada nesse sábado, no Pátio do Colégio.

A presença de Sonia Barboza e colegas da ONG colaborou com a discussão. Aplausos para a atitude fiscalizatória se misturaram a pedidos de revisão de critérios de análise usados para identificar o desempenho dos parlamentares.

A experiência do Voto Consciente e a maneira responsável como atuam na Câmara são exemplos para nós. A avaliação, a partir de agora anual, transformou a pauta no parlamento municipal, revelando a importância deste trabalho.

Mesmo com todas as críticas que possam ter em relação aos critérios, o Voto faz com que os vereadores saiam da inércia, sejam sacudidos pela opinião pública. Não podemos jamais esquecer os muitos avanços que ocorreram graças a este trabalho: o aumento na participação das Comissões foi resultado desta fiscalização, por exemplo.

Do Adote surge apoio para ações na internet, seja na elaboração de um blog, no redesenho de um site, na edição de jornal eletrônico e, até mesmo, na colaboração para que vereadores se comuniquem melhor usando a rede. O trabalho colaborativo com outros cidadão, ONGs e a Câmara está no DNA do movimento. Não se constrói a rede Adote um Vereador sob a ótica da inimizade nem se enxerga os demais como adversários a serem enfrentados.

Nem mesmo os vereadores – por mais que alguns deles ainda vejam os movimentos sociais desta maneira. Fiscalizar não é punir, é alertar e cobrar. Ser fiscalizado, é ouvir e corrigir.

A mesa cheia e com presença de novos participantes também animou o encontro que se realiza sempre no segundo sábado do mês, em São Paulo. Antes do próximo encontro, porém, alguns integrantes do Adote estarão em Jundiai, onde será lançado o Concurso Cidadonos, sobre o qual falaremos mais esta semana.

Controle o vereador, antes que ele controle você

 

Vereador discursa e plenario não presta atenção

Já está no ar, meu artigo semanal noi Blog Adote São Paulo, publicado no site da revista Época São Paulo. Nesta semana, falo da nossa relação com a Câmara Municipal, avanços e barreiras que o cidadão tem encontrado na Casa. Destaquei o trabalho da rede Adote um Vereador, a avaliação do Movimento Voto Consciente e ações da Rede Nossa São Paulo. Aqui reproduzo apenas alguns parágrafos, o texto completo você lê acessando aqui. Deixe lá, também, o seu comentário.

Na contramão desses, a Mesa Diretora da Câmara fechou acordo com a Rede Nossa São Paulo e vai fazer consulta pública para identificar as prioridades do cidadão paulistano. Com base nos resultados do IRBEM – Indicadores de Referência de Bem-Estar 2011, coletados pelo Ibope, uma comissão da Rede e da Câmara apresentará temas de interesse da cidade para que o paulistano defina as prioridades. O resultado pautará, a partir do segundo semestre, a criação de projetos de lei, emendas e o papel fiscalizador do vereador.

Assim, associa-se a ação parlamentar com a demanda do cidadão, reduzindo, provavelmente, a apresentação de projetos de baixo impacto e pouco interesse, prática comum que prejudica a avaliação dos vereadores – no trabalho do Voto Consciente este quesito é o que tem o maior peso. “São cerca de 700 projetos por ano, a maioria sem importância”, diz Sonia Barboza, uma das fundadoras da ONG.

Evidentemente, transformar as ideias apresentadas pela população em lei dependerá do desejo político dos partidos, mas desrespeitar essa demanda se transformará em enorme risco eleitoral aos vereadores, em 2012.

Cada vez mais, a sociedade tem criado mecanismos para fiscalizar os parlamentos. Em São Paulo, há dois anos, a rede do Adote um Vereador convida o eleitor a escolher um dos 55 vereadores da cidade e a acompanhar o trabalho dele, de forma crítica, publicando as informações em blogs.

CONVITE

Neste sábado, dia 9 de abril, o Adote um Vereador SP se encontra no bar do Pátio do Colégio, no centro da capital, das 14 às 16 horas. É um bate-papo sem nenhuma formalidade, muita conversa e entusiasmo aberto a qualquer pessoa interessada em colaborar com a rede seja com atos ou ideiais. Seja bem-vindo.

Adote cobra Colégio de Líderes aberto ao cidadão

 

A votação no plenário está, ao vivo, na televisão – ao menos para quem tem sinal a cabo. As comissões permanentes, audiências públicas e CPIs já estão na internet. Chegou a hora de abrir as portas da reunião de líderes que ocorre, semanalmente, na Câmara Municipal de São Paulo, onde se decide a agenda parlamentar com partidos e Governo expondo seu pensamento em relação a cada um dos assuntos levados à Casa.

Com este objetivo, o Adote um Vereador, através do Cláudio Vieira, enviou mensagem para os 15 líderes de partidos e Governo perguntando se eles são a favor ou contra a divulgação na internet desta discussão dos vereadores.

Por enquanto, o esquema do jogo é o 7 x 2 x 6. Explico: sete disseram que aceitam a ideia de tornar pública toda discussão do Colégio de Líderes; dois são contra e seis não responderam.

Veja aqui a lista e a justificativa de quem é contra, a favor ou está em cima do muro

Questionada sobre o tema, a Ouvidoria da Câmara Municipal de São Paulo mandou a seguinte explicação para o fato de a reunião ser fechada:

A reunião de Líderes tem como objetivo a definição da pauta das Sessões que se realizarão na semana seguinte. Trata-se de reunião de trabalho preparatória, da qual o resultado, que é o aspecto relevante, é amplamente divulgado para a sociedade. Sempre que um debate sobre um determinado projeto, surgido durante a reunião de Líderes, ganha relevância, ele é disponibilizado para a sociedade na forma de audiências públicas ou debates pelas Comissões, que são os foros próprios e organizados para comportar essa discussão, preferencialmente com a participação ativa da sociedade, de tal sorte que, quando o projeto vier a ser pautado, estará amadurecido pelo mais amplo debate. Portanto, a reunião de Líderes não só é aberta à sociedade, como incorpora a sociedade como partícipe, através dos canais institucionais.” Se o conteúdo estiver adequado, será disponibilizado para a Ouvidoria.

Atenciosamente,
Ouvidoria da Câmara Municipal de São Paulo

Prefeitura cumpriu apenas 24 metas da Agenda2012

 

Semana passada escrevi sobre o Plano de Metas de São Paulo em artigo no qual anunciei que o tema estaria no centro de campanha nacional com a intenção de aprovar proposta de emenda constitucional que obrigue presidente da República, governadores e prefeitos de todas as cidades brasileiras a apresentarem, 90 dias após a posse, seu plano para os quatro anos de administração.

A campanha foi lançada nesta quarta-feira, em São Paulo.

Você pode ouvir aqui entrevista com Oded Grajew, da Rede Nossa São Paulo, que fiz no Jornal da CBN, sobre o assunto.

Ao mesmo tempo, a instituição apresentou avaliação sobre o Plano de Metas da capital paulista, em vigor há dois anos.

Acompanhe o texto divulgado pela Rede:

Integrantes dos grupos de trabalho e da secretaria executiva da Rede fizeram uma análise minuciosa do andamento das 223 metas com base nas informações disponibilizadas no site oficial da Prefeitura.

Como resultado final, das 223 metas apresentadas em 31 de março de 2009 apenas 24 estão cumpridas. Outras 146 estão em andamento, 43 estão atrasadas, 8 não foram iniciadas e 2 não foram definidas.

Na avaliação meta a meta, destacam-se alguns exemplos:

– Metas 78, 79 e 80 – todas relativas à coleta de lixo na cidade. A meta 78 (2 centros de capacitação para cooperados de reciclagem de lixo) está na fase “1 de 14”, o que significa “levantamento de dados/cadastro”. A meta 79 (9 centrais de triagem de material reciclável) está atrasada – apenas 3 centrais foram concluídas. E a meta 80 (1.000 Postos de Coleta Voluntária de Material Reciclável) sequer foi iniciada – a previsão, segundo o site oficial, era de 300 postos criados ainda em 2010.

– Meta 90 (implantar 66 Km de corredores de ônibus) – Mais da metade da meta (34 km) considera o projeto de monotrilho como corredor de ônibus, porém são tecnologias, operação e capacidade completamente diferentes. Além disso, não estão nos planos os corredores das Avenidas Berrini e Faria Lima, que constavam no programa de implantação de corredores de ônibus. Mesmo assim, nenhum dos 66 km previstos está concluído.

– Meta 153 (200 clubes-escola) – apenas 13 estão concluídos até o momento. E, segundo o site da Prefeitura, a meta deverá ser cumprida integralmente ainda em 2011.

– Meta 175 (8.200 estudantes no ensino técnico) – meta não iniciada. Segundo a Prefeitura, nenhuma das 2.050 vagas previstas para 2009 e das outras 2.050 para 2010 foram preenchidas.

A análise das 223 metas da Agenda 2012 está disponível no site da rede Nossa São Paulo.

Na política, adoção e confusão é solução

 


Por Carlos Magno Gibrail

Plenario da CMSP as 16 horas

O Movimento Voto Consciente ao analisar o desempenho dos vereadores da cidade de São Paulo, traz à tona um problema e uma solução. As notas atribuídas aos quesitos analisados qualificaram o inqualificável desempenho da Câmara Municipal Paulistana. E, espetacularizaram o que precisava receber os holofotes dos meios de comunicação e da parcela engajada da população.

Considerando peso 4 à avaliação dos Projetos de Lei, peso 2 à presença nas votações nominais, peso 1 à freqüências nas comissões e peso 1 à coerência, a média de todos os vereadores foi de 5,35. José Police Neto com 7,5 foi o melhor, José Olimpio com 3,46 foi o pior.

Pelo critério universitário, a Câmara Municipal de São Paulo está reprovada, e apenas dois dos 53 vereadores estão aptos, Neto e Carlos Alberto Bezerra Jr.

O ruído que tal ação desencadeia é produtivo, e a solução para a melhoria política deverá passar por este caminho, cuja origem é a proposição do ADOTE UM VEREADOR, criada, conceituada e estimulada por Milton Jung.

A continuidade deste processo de adoção, seguido da avaliação anual, inevitavelmente aumentará o numero de eleitores atentos. Ao mesmo tempo em que vereadores que não se enquadrarem serão naturalmente expelidos. O exemplo, cujo sucesso, favorecido por atuar na menor unidade política que é o município, repercutirá em toda a federação pelo resultado favorável no maior e mais importante município da república.

Se a reforma política, em pauta no Congresso Nacional, não desperta esperança de mudanças, nem mesmo para corrigir notórias distorções, como a representatividade da população, pois 53 mil eleitores de Roraima valem 590 mil de São Paulo, a ADOÇÃO vai gerar confusão, mas trará a solução.


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Painel da Assembleia tem alerta de pirataria

 

Piratatia na Assembleia de SP

Foi uma surpresa para quem estava na sede da Assembleia Legislativa o alerta que apareceu no painel eletrônico da casa: Windows não é genuíno – maneira polida usada pela Microsoft para avisar os navegantes que o software usado é pirata. Para o presidente da casa, deputado Barros Munhoz (PSDB), foi apenas um problema técnico já resolvido. Um gaiato que ouviu a resposta, não perdeu a chance: “Na Santa Ifigênia, tá cheio de “problemas técnicos” desses à venda”.

Financiamentos para a política

 

Por Antonio Augusto Mayer dos Santos

A questão envolvendo o financiamento das campanhas eleitorais e partidárias é recorrente na maioria das modernas democracias. Há registros de irregularidades e escândalos na Alemanha, Estados Unidos, França, Israel, Itália e Japão, países cujos sistemas legais são tomados como modelos. No Brasil não é diferente. Sobre ele, pairam dúvidas e suspeitas desde a formação de caixa-dois (valores não registrados) ao exercício de mandatos a serviço de patrocinadores não-identificados.

Alterando a Lei nº 9.504/97, o Projeto de Lei nº 1.210/07 previu, tempos atrás, que em ano eleitoral, a lei orçamentária incluirá uma dotação destinada ao financiamento das campanhas eleitorais no valor equivalente ao número de eleitores do país multiplicado por R$ 7,00 (sete reais). Para isto, será tomado por referência o eleitorado registrado no dia 31 de dezembro do ano anterior. A administração e posterior distribuição destes valores ficará a cargo das direções partidárias.

Sopesados os pressupostos de um e outro, ou seja, financiamento exclusivamente público ou privado, cabe ponderar que no Brasil, o exame do assunto não pode desprezar duas peculiaridades: o Fundo Partidário e o excesso de fetiches do sistema de prestação de contas da legislação eleitoral.

Diante dos vultosos repasses que as agremiações recebem do Tribunal Superior Eleitoral a partir do Tesouro Federal, entende-se inconcebível um sistema prevendo a duplicidade de receitas públicas para a mesma finalidade: campanhas políticas.

Por conta de recentes acontecimentos, os quais não ensejaram alteração legislativa substancial capaz de elidir as já históricas práticas clandestinas, não é recomendável a manutenção de duas fontes de dinheiro público para atividades que infelizmente não gozam de credibilidade.

Prevalecendo a proposta do financiamento público, o reexame da manutenção do Fundo Partidário é medida imperativa pois a coexistência de ambos é algo incompatível, especialmente quando os valores direcionados aos partidos, a contar de 1996, já superaram um bilhão de reais, há muitos anos.

O mais sensato seria a introdução de regras proibindo doações de campanha por determinados setores e o estabelecimento de limites de gastos para cada um dos cargos em disputa, de Vereador a Presidente. Mudanças drásticas nunca geraram efeitos convincentes neste país.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

“Vocês são sempre mal avaliados”, diz eleitor no Adote

 

O cidadão Cláudio vieira, padrinho de Marco Aurélio Cunha (DEM), no Adote um Vereador, ouviu e leu muitas das reclamações de parlamentares da Câmara Municipal de São Paulo desde que foi divulgada a avaliação da ONG Voto Consciente do desempenho deles, nessa quinta-feira. Decidiu escrever em seu blog (acesse aqui) a carta que reproduzo aseguir:

Até parece que esta avaliação foi a única que receberam e até parece que destoou tanto assim das demais.

Eu me lembro que quando tirava nota baixa na escola procurava minha professora para saber o por quê da nota; e tentava melhorar.

Nobres vereadores, vamos trabalhar mais e melhorar essas notas em todas as avaliações que TODOS NÓS fazemos de vocês, não apenas a ONG Voto Consciente!

Um aviso de um eleitor: melhor se mexerem, pois vivem no final da fila em outras avaliações, não somente na da Ong Voto Consciente.

Claro que vocês têem todo direito de apontar “critérios subjetivos” na avaliação, não tem problema algum, são opiniões. É democrático !

Eu mesmo mudaria algumas notas dessa avaliação. Sabe por quê? Porque posso fazer isso, é democrático !

Nobres vereadores, não precisam concordar com as notas da Ong Voto Consciente, mas precisam refletir porque vivem sendo mal avaliados.

Quando participo das reuniões de prestação de contas da CMSP – dessa gestão – aquilo que mais ouço é: “precisamos melhorar nossa imagem perante a população”. Façam isso!

Por fim, senhores vereadores, deixem de choradeira, vocês são sempre mal avaliados por nós (POVO) e não somente pela ONG Voto Consciente. E sabem muito bem disso!

São Paulo é referência para Plano de Metas no Brasil

 

ônibus lotado no Capelinha

Em artigo publicado nessa quinta-feira no Blog Adote SP que mantenho em parceria com a revista Época SP, falei sobre o lançamento da campanha nacional que pretende convencer o Congresso Nacional a aprovar projeto de emenda constitucional que obrigue a criação do Plano de Metas nos governos federal, estaduais e municipais, a partir do ano que vem. A lei já existe em São Paulo, capital, e em duas cidades argentinas, Córdoba e Mendoza, além de estar sendo debatida no Chile. Reproduzo aqui apenas um trecho do texto no qual me refiro ao desempenho da prefeitura de São Paulo conforme dados publicados na Agenda 2012:

….

Na capital paulista, o Plano ganhou o nome de Agenda 2012. Último levantamento mostra que das 223 metas apresentadas pela prefeitura 93% estão em andamento, 5% não foram iniciadas e 3% foram concluídas.

Com base nos dados da própria administração, é possível identificar que o prefeito Gilberto Kassab terá muita dificuldade para cumprir com o que se comprometeu. Recentemente, foi obrigado a rever 18 dessas metas, o que é permitido pela lei municipal desde que a administração justifique a medida.

Zerar o número de crianças sem creche, apesar de o número de vagas ter aumentado nos últimos anos, é meta que não será atendida no prazo, diz o próprio secretário municipal de Educação Alexandre Schneider.

Há dúvidas, por exemplo, com os três hospitais, em Parelheiros, Brasilândia e Vila Matilde, que deveriam ser entregues até o fim de 2012, mesmo que a administração aposte em Parcerias-Público-Privadas. Pelo atual estágio dos projetos, vão ter de acelerar a obra que sequer se iniciou.

Os corredores de ônibus prometidos também estão em risco. Das oito propostas, cinco ainda estão na fase de contratação do projeto, uma não passou do segundo estágio e uma ainda está a espera da definição do local. E tudo tem de ser entregue de junho a dezembro do ano que vem.

Aqui se vê como a falta de convicção administrativa pode atrapalhar a gestão. Pois os planos do governo municipal para o transporte mudaram várias vezes, desde a prioridade para o metrô, com dinheiro repassado ao Governo do Estado, até a troca do sistema de ônibus pelo de monotrilho. No M’Boi Mirim, por exemplo, já se fala em deixar tudo com o metrô, novamente.


Leia o texto completo acessando o Blog Adote São Paulo, no site da Revista Época SP