Campanha da ficha limpa – perspectivas e mal-entendidos

Por  Chico Whitaker

Se há um tema que parece ter uma unanimidade nacional é o da necessidade de uma reforma política. Que faça com que nossos representantes políticos sejam pessoas comprometidas efetivamente com os anseios de seus representados. Mas pouco se consegue fazer, esvaziando-se sempre mil e uma tentativas de aperfeiçoar as regras do nosso sistema democrático.

O lugar em que essas tentativas encontram a resistência definitiva é exatamente o Congresso Nacional, a quem cabe decidir sobre o que mudar. Ora, pesquisas de opinião indicam recorrentemente que uma das instituições com menor credibilidade em nosso país é exatamente o Congresso, junto com os demais parlamentos, desde os municipais. A imagem que o povo tem dos legislativos é que neles está aninhado efetivamente um número demasiado grande de oportunistas defendendo seus próprios interesses. Ou, em outras palavras, de “picaretas”, como ousou dizer nosso Presidente Lula, nos memoráveis tempos em que lutava contra as mazelas de nosso sistema político. Antes de – para a desilusão de tantos que tinham esperança no bom uso do poder que lhe foi entregue – ter que ceder pragmaticamente ao “realismo político” para obter a chamada “governabilidade”.

Fecha-se com isso o circulo: para termos representantes políticos capazes de atender à necessidade da reforma política pela qual os cidadãos anseiam, precisamos do voto exatamente daqueles para os quais uma reforma política não convém. É como se lhes pedíssemos que dessem uma série de tiros nos próprios pés esperando que eles galhardamente o fizessem…

Como sair desse impasse? Uma lógica indutiva primária nos indicaria que para podermos realizar uma reforma política pra valer precisamos melhorar a qualidade dos nossos representantes no Congresso, diminuindo o numero dos oportunistas e aumentando o número dos que querem ser efetivamente “representantes” políticos. É quase uma condição “sine qua non”. Elementar, meu caro Watson, diria Sherlock Holmes, o famoso detetive inglês.

Uma tal melhora é absolutamente necessária, quando não urgente, também porque não se trata somente de tornar possível realizar a reforma política, mas de dispor de representantes capazes de votar com seriedade uma grande quantidade de matérias nas quais estão em jogo as condições de vida dos brasileiros, a justiça, o futuro do nosso país. Sabemos que o poder político está nas mãos do Poder Legislativo, encarregado de autorizar ou determinar tudo que o Poder Executivo queira ou deva fazer, alem de fiscalizá-lo permanentemente, em nome de toda a sociedade. Cabe também ao Legislativo fornecer ao Poder Judiciário as normas legais que este tem que fazer respeitar. Ou seja, a qualidade do Legislativo é a condição central para o bom funcionamento da democracia representativa que adotamos como regime político no Brasil.

Como no entanto melhorar a qualidade de nossos representantes, perguntaríamos ao detetive inglês?

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Diga o que você pensa dos vereadores

Acompanhar o trabalho do vereador, fiscalizar as ações na Câmara e cobrar medidas que beneficiem a qualidade de vida são tarefas importantes e responsabilidade do cidadão. Esta proximidade que muitas vezes incomoda o parlamentar é saudável à democracia, pois além de forçar o legislador a estar mais aberto a opinião pública também tem caráter pedagógico, pois permite que o eleitor conheça o potencial e os limites do Legislativo.

Com este pensamento, se realizará seminário com o tema “A relação entre a sociedade civil e o Legislativo Municipal”, segunda-feira 08.06, a partir das 9h30, no auditório Prestes Maia, na sede da Câmara Municipal de São Paulo. Líderes partidários e representantes do Movimento Nossa São Paulo vão expor suas idéias sobre o papel do vereador na melhoria do ambiente urbano. Convidado para o encontro, eu também estarei lá e além de ouvir muito e aprender mais ainda, pretendo apresentar as premissas da campanha Adote um Vereadores.

No encontro, o cidadão terá espaço para dizer o que pensa sobre a Câmara e os vereadores, além de sugerir ações para valorizar o o trabalho do parlamentar. De acordo com o Movimento Nossa São Paulo, a motivação do seminário surgiu durante reunião com nove líderes partidários que participaram do diálogo sobre temas de interesse da cidade, como a Lei do Programa de Metas. Dos nove líderes que estiveram naquele encontro, seis aceitaram promover o seminário. São eles: Atílio Francisco (PRB), Carlos Bezerra (PSDB), Cláudio Fonseca (PPS), Eliseu Gabriel (PSB), Jamil Murad (PCdoB) e João Antonio (PT).

Senado não tem lista de funcionários na internet

Colocar um quadro em cada gabinete ou seção com os nomes dos funcionários que lá trabalham. E, a cada seis meses, divulgar na internet nomes e salários brutos de todos os servidores. A proposta é do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), entregue nesta quinta-feira, no Senado Federal. E chama atenção para a falta de transparência daquela casa, pois até agora nunca houve interesse em publicar estes dados.

Em São Paulo, proposta sugerida pelo Movimento Voto Consciente foi transformada em lei e obriga Executivo, Legislativo e Tribunal de Contas do Município a divulgar a lista completa dos servidores públicos. Em vigor desde o ano passado, a Prefeitura segue desrespeitando a legislação apesar das frequentes promessas de que os dados estarão disponíveis na internet. A Câmara de Vereadores já tem a relação no seu portal.

O projeto de lei do senador Suplicy também prevê que “os contratos efetuados pelo Senado Federal e seus órgãos supervisionados para a execução de obras, aquisição de materiais e contratação de serviços serão dados a público mensalmente, por meio do Diário e do sítio eletrônico do Senado Federal, com a discriminação resumida do objeto, quantidade e preço”.

“Sou cachaceiro … nunca peguei, isso é com os grandes”

Por Willian Porto
Movimento Voto Consciente

Por conta de uma reportagem que denunciava a venda de pontos para ambulantes por parte da fiscalização municipal que atua na Lapa, foi convocado a comparecer perante a Comissão de Finanças da Câmara Municipal de São Paulo, o agente da Subprefeitura da Lapa envolvido.

Em resposta às perguntas sobre o ocorrido, o funcionário público municipal concursado e carreira estável respondeu singelamente: “- Ah, era cunversa di cachacero! Eu tava travado i aí bêbado fala qualqué coisa,sabe né! Eu tava lá nu buteco tomando umas, tava comemorandu u jogu e já tinha tomado todas. ..Mais eu nunca peguei nada isso é com os grande lá.”

Os aturdidos vereadores ainda tentaram dar alguma seqüência razoável, perguntando sobre suas funções e qualificações, detalhes sobre o ocorrido, se ele foi beneficiado por algum camelô e se havia algum superior hierárquico que tivesse vantagens financeiras na fiscalização.  A partir de determinado ponto entretanto parte da vereança sucumbiu ao clima de ópera bufa e não resistiu ao levantar questões como:

“-O senhor é palmeirense ou são-paulino?”
“…Velho Barreiro, hein? E gosta de cachaça da boa, 51 nem pensar!” (em comentário à resposta do servidor sobre o que tinha bebido no boteco)
“- O senhor tem carro? (Não)Nem bicicleta? (Não)”

De causar pena também foi constatar na sessão da Comissão de Finanças a falta completa de dignidade e auto-estima quando o funcionário referiu-se a si mesmo como “Cachaceiro” e “Bebum” que falava demais, numa patética tentativa imagino de causar alguma simpatia naquele ambiente que a ele provavelmente intimidava.

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Cartilha para vereador levar embaixo do braço

adote.pngPara quem pretende levar a sério a função de vereador, a Controladoria Geral da União oferece uma cartilha que ensina como fiscalizar os recursos públicos municipais. A sugestão chega pelas mãos de Joildo Santos, que adotou o presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Antonio Carlos Rodrigues (PR). Ele lembra que o vereador – todos os vereadores de todas as cidades brasileiras, sem exceção – tem papel fundamental para o controle da gestão dos recursos públicos.

Poderiam começar a tarefa dentro de casa, controlando os gastos da própria Câmara em vez de aumentar os custos como fez nessa terça-feira o legislativo de Guarulhos, região metropolitana de São Paulo. Com aprovação de projeto de lei que cria mais de 90 cargos, os moradores terão de gastara mais em torno de R$ 3,6 milhões por ano.

A quem interessar possa, baixe aqui a cartilha “O Vereador e a Fiscalização dos Recursos Municipais”

Câmara vai contratar pedreiro e presidente não sabia

O presidente da Câmara Municipal de Guarulhos, Alan Neto (PSC), tentou explicar o projeto de lei que prevê aumento de cargos de confiança e vagas para concursados, em entrevista ao CBN São Paulo. Alegou que a estrutura da casa é da década de 80 quando havia apenas 19 vereadores. Atualmente, são 33.

Logo que começou a entrevista, Alan Neto disse que na área de manutenção seria criada a vaga para eletricista, mas negou que haveria para pedreiro e encanador. Teve de voltar atrás quando foi exposto ao texto do projeto de lei que ele próprio assina no qual está explícita a contratação por concurso de funcionários para esta área com salário de R$ 1.400,00.

Ouça a entrevista com o presidente da Câmara Municipal de Guarulhos, Alan Neto (PSC)

Leia o projeto de lei que cria cargos na Câmara de Vereadores de Guarulhos

Leia mais sobre o projeto em Guarulhos aqui no Blog do Milton Jung

O projeto será votado – e aprovado – hoje, em Guarulhos.

Câmara de Guarulhos vota “trem da alegria”

adote.pngO nome oficial é Projeto de Lei Nº 233/09, mas ganhou um apelido: Trem da Alegria. É assim que moradores da cidade de Guarulhos, região metropolitana de São Paulo, chamam a proposta que será votada nesta terça-feira, na Câmara Municipal, com enormes chances de ser aprovada.

De acordo com o projeto, serão criados 94 cargos em comissão na administração. 66 ficarão pás os 33 vereadores e 28 sob responsabilidade do presidente da casa, vereador Alan Neto (PSC). Cada um dos líderes de partidos (são 19) terão direito a mais um assessor com representação na Câmara. O líder do Governo e da Oposição terão mais dois.

Calcula-se que sete cargos que serão criados para ajudar o presidente da Câmara Municipal de Guarulhos custarão R$ 22.656,25 todo mês. A mesa diretora custará, em salário, R$ 74.429,25 / mês.

Haverá na Câmara vaga para pedreiro, encanador e eletricista, todos efetivados, na contramão das políticas de gestão que tendem a terceirizar estas funções. Em compensação, os cargos de diretores que deveriam ser de provimento efetivo, serão comissionados.

Está na hora de alguém adotar os vereadores de Guarulhos e passar a controlar os gastos da Câmara Municipal de cidade onde, aparentemente, a crise econômica não passou.

A Copa de 2014 e o Adote um Vereador

adote.pngA oficialização de São Paulo como cidade-sede da Copa do Mundo de 2014 trará investimento para a capital paulista e mexerá com diferentes interesses. Massao, que adotou o vereador Jooji Hato, postou texto em seu blog sobre o tema:

A FIFA, neste domingo dia 31/05, anunciou as 12 cidades brasileiras que serão sedes da Copa do Mundo de 2014. A meu ver, momento importante para que todos fiquem de olho no seus “tamaguchis” políticos.Pêra ai, o que tem a ver política e consequentemente o “Adote um Vereador” com a Copa do Mundo?Tem tudo a ver, porque é neste mandato dos vereadores que será feita os preparativos para a Copa, pois haverá muito investimento para modernizar os equipamentos públicos, melhorar as vias de transportes, a segurança pública e da rede de turismo.

E com isso haverá muito dinheiro sendo investido, o que obviamente haverá grandes interesses econômicos em jogo. Os lobistas, verdadeiros cartolas, vão tentar influenciar os nossos representantes do legislativo e executivo de forma mais agressiva, usando como justificativa a Copa na nossa cidade, que projetos de leis e permissões sejam facilitadas para a suas áreas de interesse.

Mas o simples fato da Copa estar já perto (afinal são apenas cinco anos até lá) não significa que pode ser que o que eles querem é de interesse de todos os cidadãos paulistanos.

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Alunos da Martim Francisco vão adotar vereador, em São Paulo

Adote um VereadorA Escola Estadual Martim Francisco, na Vila Nova Conceição, foi cenário de uma batalha social e jurídica desde que, em 2004, foi feito o anúncio de que seria fechada, os alunos transferidos para um prédio ao lado e o terreno ficaria com uma construtora em troca de área cedida à prefeitura de São Paulo. Houve protestos, muita gritaria e a garantia da permanência no local veio após decisão da Justiça em 2007.

Os alunos da Martim Francisco terão mais uma oportunidade de exercer sua  cidadania, desta vez acompanhando o trabalho dos vereadores de São Paulo. A iniciativa é do professor Eugênio Carvalho, inspirado na campanha Adote um Vereador, que repassou, por e-mail, o roteiro que os estudantes da rede pública estadual terão de cumprir:

1- Foram definidos sete temas para pesquisa. São eles: Saúde, Educação, Meio Ambiente, Criança e Adolescente, Transporte, Habitação e Direitos Humanos.

2- As classes foram divididas em grupos por tema.

3- Cada grupo ficou responsável por levantar todas as informações sobre o tema escolhido. ( o foco de interesse é a cidade de São Paulo)

4- Os alunos deverão utilizar como fonte de pesquisa: Caderno Metrópole do  Jornal Estado de São Paulo, Cotidiano da Folha de São Paulo. Sites: Voto Consciente, Inst. Ágora, Transparência Brasil, Instituto Sócio Ambiental, Nossa São Paulo, Seade e Câmara dos Veradores.

5- Será montado um mural com todas as informações recolhidas, além disso os alunos farão duas questões sobre o tema pesquisado.

6- Na segunda quinzena, os alunos farão visita monitorada à Câmara Municipal. Nesse mesmo dia, estaremos entregando um ofício em cada gabinete comunicando sobre o projeto.

7- A partir do segundo semestre todas as informações  sobre projetos e votações  serão afixadas no mural da escola.

8- É objetivo também elaborar um informativo.

Minha sugestão ao professor Eugênio e sua turma de “adotadores”  é que criem um blog para a divulgação de todas estas informações, permitindo que cidadãos que não façam parte da comunidade escolar também tenham acesso aos dados que, certamente, serão muito úteis para que se tenha uma ideia melhor sobre o desempenho dos vereadores e o trabalho realizado na Câmara Municipal de São Paulo.

Os alunos da Martim Francisco estão de parabéns pela iniciativa.

Corregedoria da Câmara de SP está invicta

Adote um Vereador Nunca perderam um jogo em Casa em seis anos. Este é o desempenho dos vereadores de São Paulo que, desde 2003, jamais puniram um só colega da Casa por qualquer tipo de irregularidade que tenha sido cometida e levada a Corregedoria. O caso mais recente é o do vereador Kamia (DEM) que “esqueceu” de declarar a propriedade de uma enorme casa na zona norte da capital paulista, seu reduto eleitoral. O “pagode”- expressão usada pelo promotor eleitoral que levou o caso à Justiça – custa quase R$ 2 milhões, segundo levantamento feito pelo Ministério Público, mesmo assim na declaração de bens entregue a justiça eleitoral constavam apenas um apartamento e três veículos, que somavam R$ 198,7 mil. A denúncia do Ministério Público Eleitoral por falsidade ideológica no caso do imóvel não constrangeu os colegas dele que o inocentaram por unanimidade.

Para entender melhor os motivos que levaram os vereadores a absolver Kamia sugiro que encaminhe aos integrandes da Corregedoria da Câmara Municipal um e-mail ou ligue para o gabinete deles:

Wadih Mutran (PP), presidente que não vota
(0xx11) 3396-4349
(0xx11) 3396-3950
wadihm@camara.sp.gov.br

Milton Leite (DEM), relator do caso
(0xx11) 3396-4237
(0xx11) 3396-3986
miltonleite@camara.sp.gov.br

Alfredinho (PT)
(0xx11) 3396-4290
vereadoralfredinho@camara.sp.gov.br

Claudinho (PSDB)
(0xx11) 3396-4255
(0xx11) 3396-3988
vereadorclaudinho@uol.com.br

Ítalo Cardoso (PT)
(0xx11) 3396-4063
(0xx11) 3396-3954
italocardoso@camara.sp.gov.br

Ricardo Teixeira (PSDB)
(0xx11) 3396-4261
(0xx11) 3396-3953
ricardoteixeira@camara.sp.gov.br

Quito Formiga (PR)
(0xx11) 3396-4292
(0xx11) 3105-2243
quitoformiga@uol.com.br