Avalanche Tricolor: De volta !

Maylson na Avalanche Foto: Nauro Junior/ClicRBS

Pelotas 2 x 3 Grêmio
Gaúcho – Pelotas

Os cronistas passaram a semana falando que estavam com saudade do futebol e não viam hora de a bola rolar depois de pouco mais de um mês do fim do Campeonato Brasileiro. Mesmo aqueles que não admiram mais as competições estaduais declaravam sua ansiedade. Confesso que não compartilhei com eles este sentimento.

Início de temporada para mim é sempre modorrento, mostra times que pouco se parecem com aqueles que seus técnicos sonham e suas torcidas encontrarão nos momentos decisivos. A turma ainda sente dor nas pernas pois iniciou há pouco a recuperação de um físico desgastado das férias e parte do público está mais preocupada com o sol na beira da praia do que com os jogadores em campo.

Sentei diante da televisão para assistir à estreia do Grêmio no Campeonato Gaúcho sem muita pretensão e com a preguiça que o fim de semana abafado de São Paulo me proporcionou. Logo me surpreendi com a quantidade de pessoas nas arquibancadas do “caldeirão de Pelotas” – neste caso o exagero não é meu, o nome está assim grafado na cobertura esportiva do Portal Terra. Nenhum site soube me informar com precisão, mas o estádio com cerca de 22 mil lugares estava lotado. Alguns gremistas ficaram do lado de fora com ingresso nas mãos (o velho desrespeito ao torcedor). Era ânimo de mais para mim que deitado em uma lounge acompanhava a bola tropeçar nos buracos do gramado.

A partida não negava minhas expectativas, apesar do esforço imposto pelo adversário motivado pela volta à primeira divisão e treinando há 45 dias. O Grêmio com pouco mais de uma semana de trabalho não deveria se expor tanto, afinal nossa meta há muito é reconquistar o mundo e pra isso temos o desafio da Copa do Brasil. É lá que se inicia o caminho para Abu Dhabi, nos Emirados Árabes.

O Grêmio, porém, não é time de fazer pouco caso quando veste a camisa tricolor. E está sempre preparando uma surpresa ao seu torcedor, articulando uma façanha incrível ou um fato capaz de nos fazer tirar o esqueleto do sofá. Não foi diferente nesta tarde, na Boca do Lobo.

Após permitir uma dupla vantagem para o adversário no primeiro tempo, voltou a campo disposto a por ordem nas coisas. Com a cabeça no lugar e o entorpecido Jonas em campo, partiu para o ataque e de lá não saiu mais até virar o placar. Além dos “veteranos” de clube – como o próprio Jonas, mais Souza, Maylson e Adílson -, os estreantes Leandro, Hugo e Borges esboçaram talento.

Para a estréia, uma vitória de virada que misturou competência e raça é sinal de que teremos bons motivos para festejar nesta temporada.

O Imortal Tricolor está de volta !

Avalanche Tricolor: Eu vi, meninos !

 

Grêmio é bi Brasileiro Sub-20 (Foto Edu Andrade/Gazeta Press)

Da série você não me perguntou, mas eu vou falar: o Grêmio é bicampeão Brasileiro Sub-20, título conquistado nesta tarde, ao vencer por 1 a 0 o Atlético Mineiro, no estádio Passo de Areia, em Porto Alegre. Já não bastasse ter eliminado o “co-irmão” na semifinal, agora nos oferece mais esta satisfação às vésperas do Natal. Que a alegria dos meninos, registrada pelo fotógrafo Edu Andrade da Gazeta Press, contagie a temporada de 2010.

Avalanche Tricolor: A emoção de ver Danrlei

 

Danrlei se despede do futebol, no Olímpico (Foto: Gremio.net)

Grêmio/95 4 x 3 Amigos de Danrlei

Amistoso – Olímpico Monumental


Com o cabelo molhado e um sorriso no rosto, Danrlei descia o longo corredor que dava acesso ao vestiário em minha direção. Algumas pessoas o cumprimentavam, gritavam seu nome, acenavam ou pediam autógrafo. Fiquei encostado na parede apenas assistindo a passagem dele. Já havia reclamado de algumas atitudes do goleiro gremista, bravejado por gols que não poderia ter tomado, mas aquele era o momento de reverenciar o ídolo. Fazia 10 anos que ele vestia a camisa tricolor com uma paixão rara neste futebol contaminado pelo o que há de pior no profissionalismo. E acabara de conquistar o título de campeão da Copa do Brasil de 2001, ao vencer o Corinthians por 3 a 1, em um lotado estádio do Morumbi.

Como torcedor, aquela foi uma conquista especial para mim, afinal ao contrário de todas as demais não estava apenas na arquibancada. A convite de Juca Kfouri, era narrador de futebol da Rede TV! e por estas coisas que o destino nos oferece, a emissora ganhou o direito de transmitir a Copa do Brasil, exatamente no ano em que o Grêmio iria vencê-la – o que não podemos considerar apenas uma coincidência, afinal nenhum clube venceu tantas Copas com o Imortal Tricolor. Foram sete finais e quatro títulos.

Ao ver Danrlei passar no túnel do Morumbi, vitorioso mais uma vez, tive vontade de agradecê-lo por tudo que havia feito pelo Grêmio. Dos tempos do futebol moderno, era o único jogador gremista capaz de tirar do sério o adversário. Ao contrário de outros ídolos que vestiram a camisa tricolor, Danrlei não era cobiçado pelos torcedores contrários, era odiado pelo olhar provocativo que tinha, pelo peito empinado e pelas brigas em que se envolvia. Por tudo aquilo que o fez amado no estádio Olímpico.

Neste sábado, 30 mil pessoas foram ao Olímpico Monumental abraçá-lo em partida que marcou, oficialmente, o fim da carreira deste que foi dos maiores goleiros que passaram pelo clube. Um time que desde sua origem sabe reverenciar os atletas que se atrevem a vestir a camisa número 1, a ponto de ter levado o nome de Eurico Lara, uma lenda, para o seu hino oficial.

Em campo, estava boa parte dos jogadores que conquistaram a Libertadores de 1995 e outros tantos craques que mereceram o título de Imortal Tricolor. Tarciso que com quase 60 anos ainda é capaz de correr a nos fazer lembrar dos tempos do Flecha Negra; Jardel que nos ofereceu mais um gol de cabeça em cruzamento de Paulo Nunes; Dinho que dividiu bola em jogo amistoso com a mesma seriedade de quem decide um título; Mazaropi que saiu nos pés dos atacantes mesmo com um barriga que não cabe mais no calção.

Que minha mulher e meus filhos não leiam esta Avalanche, mas assim como me emocionei ao ver Danrlei comemorando seu 12o. título pelo Grêmio, em 2001, hoje tive vontade de chorar pela homenagem prestada a ele e por ele. Danrlei, aos 36 anos e fora do futebol, ainda é capaz de provocar estas reações no coração de um gremista. E se não lhe cumprimentei, ao vivo, há oito anos, aproveito este espaço agora para deixar registrado meu agradecimento: Obrigado, Danrlei !

Avalanche Tricolor: Dignidade se aprende de menino

 

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Flamengo 2 x 1 Grêmio
Brasileiro – Maracanã

Foi uma semana difícil. Houve quem falasse em dignidade, mesmo com interesses nada dignificantes. Havia aqueles que apelavam para a ética, apesar de sequer saberem bem o que isto significa no seu cotidiano. Tiveram de recorrer ao dicionário, provavelmente. Jogavam nas costas do Grêmio uma responsabilidade que – verdade seja dita – era da incompetência dos seus.

Havia me comprometido a não assistir ao jogo de hoje. Temia pelo que a paixão inconsequente pudesse fazer do meu time de coração. Assim que a bola começou a rolar no Maracanã, lá estava eu descumprindo minha promessa. Não havia como me tornar impassível diante da camisa que aprendi a respeitar desde menino. E bem no fundo queria espiar a atitude do time que vestiria esta camisa.

A diretoria havia encomendado para este jogo uma equipe de jovens, muitos dos quais que nasceram dentro do clube. Provavelmente, a maioria deles, assim como eu, comemorou os primeiros gols gremistas da arquibancada do estádio Olímpico. Gente que conheceu a história do futebol pela ótica tricolor, aprendeu que a vitória não se conquista derrotando o adversário, mas superando a si mesmo.

Em campo, no gigante do Maracanã, todos eles, sem exceção, mesmo os nem tão jovens assim, mostraram que havia algo por lutar, e foi na busca deste algo que se superaram. Pela hombridade, pela dignidade, jogaram bola de gente grande, mostraram que não iriam se entregar, não se intimidaram diante de 84 mil torcedores e saíram na frente de um time que havia preparado a festa para ser campeão.

O esforço não foi suficiente para conter a força do adversário que precisou de um gol irregular para iniciar a virada no placar. Mas, para mim, foi o bastante para saber que estes meninos respeitam a camisa que vestem.

Quanto aos arautos da moralidade que continuem a espernear e aprendam uma velha lição que sempre ouvi da boca do meu pai: os incompetentes que não se estabeleçam.

Até o ano que vem.

Avalanche Tricolor: Tchau, Tcheco !

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Grêmio 4 x Barueri 2
Brasileiro – Olímpico Monumental

A tentativa do gol de letra foi a jogada mais relevante do meio campo Tcheco na partida de despedida. Fez pouco e pouco teria a fazer em jogo no qual vê-lo pela última vez com a camisa do Grêmio era suficientemente emocionante.

Deixa o time após 183 jogos e 43 gols, com total respeito de seus colegas que fizeram questão de cumprimentá-lo a cada gol marcado. E o carinho de uma torcida que neste ano chegou a retorcer o nariz para algumas apresentações dele, mas soube levar a mensagem de agradecimento a um desses poucos jogadores capazes de nos fazer acreditar que eles não estão em campo só por dinheiro.

“Tcheco nós te amamos, volte” dizia uma faixa estendida pelos torcedores que tiveram como retribuição um cumprimento singelo e emocionado do atleta. Ele não jogou a camisa para a torcida, apenas a braçadeira de capitão que nem mais dele era. Preferiu guardar de lembrança o Manto Tricolor que vestiu pela última vez.

Foi com aquele número 10 nas costas que Tcheco deu passes incríveis, marcou belos e importantes gols, brigou com o adversário e com o juiz (quantos cartões amarelos resultaram da sua indignação pela injustiça que presenciou).

Sai do Olímpico sem um título marcante, o que talvez o torne ainda maior, pois foi capaz de conquistar o coração tricolor apenas com seu futebol.

Deixará saudade. A bola presa entre os pés. A cobrança de falta feita com maestria na cabeça de um colega dentro da área. A marcação implacável ao adversário. A cara de choro e irritação sempre que algo não dava certo. O desejo de ser um vencedor com a camisa do Grêmio.

Tcheco foi um vencedor. Até mesmo na hora de sair do clube, uma partida antes de um jogo que eu não quero assistir.

Nos acréscimos:

A  pergunta que não para de chegar no Twitter é: “o Grêmio vai vencer, Milton ?”. Interessante, o São Paulo se entrega para o Goiás, o Palmeiras vem tropeçando todo o segundo turno, o Inter não consegue ganhar uma partida decisiva e agora ficam todos pedindo ao Grêmio que “ganhe, pelo amor de Deus”. Vão jogar futebol!

Avalanche Tricolor: Eu também não torço contra, pai

 

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Grêmio 2 x 0 Palmeiras
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

Quando entra em campo, o Grêmio não disputa título nem uma vaga qualquer, escreve capítulos de uma história. Com esta frase, expliquei a luta até o último minuto na partida em que estávamos com dois jogadores a menos contra o Cruzeiro e nos valeu o empate de jogo praticamente perdido. E explico meu olhar sobre o time que aprendi a amar.

Forjei meu coração tricolor com sofrimento e lágrima. Quando passei a enxergar o futebol com paixão, era uma época em que o título gaúcho era nosso sonho maior. E por oito anos assisti ao principal adversário comemorar esta conquista. Tarefa tão árdua quanto a do Corinthians e seus anos de fila, apenas para traçar alguma referência com os leitores paulistas que são maioria neste blog.

Muitas vezes saí chorando do estádio Olímpico porque não aceitava a derrota, menos ainda torcedores vaiando meus ídolos. Gritava para que os verdadeiros gremistas continuassem a defender o azul, preto e branco de nossa camisa. Queria ouvir o hino sendo cantando com o orgulho de quem reconhece a luta pela vida, mesmo quando a morte surge.

Não entendia cronistas que se anunciavam gremistas e criticavam jogadores do Grêmio. Lembro de uma campanha cruel do jornalista Paulo Santana, muito respeitado no Sul do País e por alguns colegas meus aqui em São Paulo, também, contra o ponteiro esquerdo Loivo, que jogou com nossa camisa entre 1968 e 1975. Ele defendia a presença de Nenê entre os titulares, enquanto meu pai, a quem não preciso apresentar neste espaço, admirava a luta do Coração de Leão.

Loivo era meu ídolo. É meu ídolo até hoje.

Eu era um menino ainda quando ao fim de uma partida no Olímpico, na qual Nenê entrou no segundo tempo e resolveu o jogo para o Grêmio, Paulo Santana se ajoelhou aos meus pés, no espaço conhecido por Pórtico dos Campeões, e pediu para que eu o ouvisse mais do que ao meu pai quando o assunto fosse futebol.

Conheço meu pai e conheço Santana. Os dois, aliás, se respeitam muito e trocaram confidencias recentemente. E por conhecê-los sempre confiei mais no coração gremista do primeiro.

Nesta quarta-feira, enquanto Santana pediu no jornal Zero Hora para que o Grêmio entregasse a partida contra o Palmeiras para prejudicar seu principal adversário no Sul, meu pai me disse por telefone: “Eu não consigo torcer contra”.

Se outros fizeram isto conosco no ano passado, como alega Santana com seu pensamento vingativo, azar deles terem alma tão pequena. Se a vitória desta noite ajudará a alguém mais, sorte daqueles que serão ajudados. Para nós que torcemos pelo Grêmio deve interessar única e exclusivamente a honra de sermos gremistas.

Por isso, pai, eu também não torço contra. Jamais !

Avalanche Tricolor: Escrevendo história

 

Grêmio, de branco

Cruzeiro 1 x 1 Grêmio
Brasileiro – Mineirão

 

Foi um sábado gratificante. Estar diante de 40 e poucas pessoas em um dos auditórios do Mobile Fest, no MIS, para falar da importância da tecnologia móvel no desenvolvimento do rádio prova que a estratégia da CBN de investir na internet é vencedora. Em seguida, sentei ao lado de gente que torce pelo cidadão e enxerga no celular um ferramenta a favor da cidadania, completando maratona de cinco horas de discussão.

Tantas atividades me levaram a chegar tarde em casa. O jogo estava no segundo tempo e empatado. Liguei a TV e fiquei em dúvida sobre quem era o Grêmio. O time com a camisa que migrava do azulão para o preto ou o outro com predominância do branco ? Quem sabe pelos goleiros ? Ambos vestiam amarelo e eram altos. O locutor da TV, daqueles que falam mais do que informam, não ajudou. Demorei alguns segundos, ou um minuto, para entender o que ocorria no gramado.

Por alguns momentos, torci para estar enganado. Mas o time que escapava com velocidade no ataque era o adversário. Assim que um deles caiu na área, meu filho que acabara de chegar na sala comemorou. Confundiu-se, também. Pênalti pra eles. Gol deles.

Cheguei a pensar que aqueles jogadores que eram incapazes de impedir o ataque adversário, erravam passes primários, não tinham habilidade para armar uma só jogada e ainda perdiam a cabeça com o rigor do juiz também não tinham certeza da camisa que defendiam.

Ledo engano. Em um só momento de todos os 33 minutos de jogo que assisti pela televisão, os dois riscos azul e preto que dividiam a camisa branca de cima a baixo foram incorporados por aquele bando de aloprados. Com dois jogadores a menos em campo, o Grêmio se fez grande, levou a bola à área inimiga, e mesmo tendo seus atacantes isolados em meio a um monte de zagueiros, foi capaz de empurrá-la para dentro do gol.

Do drible truncado de Máxi Lopez ao chute atabalhoado de Herrera – e apenas naquele instante -, mais uma vez o Grêmio mostrou que ao entrar em campo seus jogadores não disputam um título nem buscam classificação a nada, escrevem capítulos de uma história. E Marcelo Rospide, técnico interino, incorpora este espírito.

Avalanche Tricolor: Não são meros detalhes

 

Grêmio 1 x 1 São Paulo
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

O olhar estalado do atacante Máxi Lopez na disputa de uma bola que saía pela lateral. Os dentes cerrados de Douglas Costa antes da cobrança de falta que resultaria no primeiro gol da partida. O soco com a mão direita sobre as veias do ante-braço esquerdo durante a comemoração de Rafael Marques que parecia sinalizar um pedido de perdão aos torcedores indignados com seus atos inconsequentes. Até mesmo as modificações do técnico Autuori que tirou o ala para atacar com dois e tirou o zagueiro para atacar com todos.

Podem parecer detalhes pequenos em uma partida de futebol na qual o Campeonato Brasileiro estava em jogo. Tenho certeza que sequer serão lembrados por meus colegas jornalistas.

Todos ressaltarão o empate do tricolor paulista que terminou o jogo com apenas oito jogadores em campo. Saudarão o fato de que o adversário dormirá na liderança do campeonato ao menos até o domingo. Alguns chamarão atenção para a imprudência dos expulsos que no fim das contas serviram para encobrir um penâlti, mais um vez, não sinalizado a nosso favor.

Os jornalistas esportivos irão preferir as estatísticas frias, na maioria das vezes sem sentido. Do alto de sua prepotência, farão projeções para as próximas rodadas se esquecendo que o craque da temporada foi o Imponderável da Silva.

Eu não sou um jornalista quando estou diante da televisão assistindo ao meu time do coração. Nunca pensei em sê-lo quando chorava sentado na arquibancada do estádio se esvaziando. Nem quero ser obrigado a agir desta maneira novamente como já fiz na reportagem de campo ou na narração da cabine anos atrás.

Assim, escrevo cada Avalanche com lágrima nos olhos, suado pelo sofrimento, rouco pelos gritos que sufoquei para não causar ainda mais espanto. E encontro em detalhes insignificantes para a maioria a motivação para me apaixonar ainda mais.

Sou um torcedor alucinado pelo time que aprendi a amar desde muito pequeno. Incapaz de ficar de mal com aqueles que vestem a sua camisa, mesmo que estes mereçam como há muito não mereciam. E como torcedor e como alucinado me dou o direito de escrever apenas sobre estes pequenos momentos que me emocionam.

Não quero vencer sempre, quero apenas acreditar que a vitória é possível.

Avalanche Tricolor: Lutar pela vida

 

Santo André 2 x 0 Grêmio
Brasileiro – Santo André-SP

 

Estar vivo é divino. Querer a vida é determinante. Esquecemos com o tempo como tudo isso se iniciou. A corrida irracional de espermatozóides dentro do corpo de uma mulher que logo em seguida chamaremos de mãe. Foi um deles, apenas você, que venceu a disputa e ganhou o direito de iniciar uma transformação alucinada que irá nos formar. Que jamais irá parar, mesmo quando jogados cá pra fora.

Amados, odiados, temidos, consumidos por muitos que nos rodeiam neste tempão de vida que temos, somos forjados seres humanos, às vezes do bem nem sempre do mal. Mas seres humanos. Aprendemos que lutar pela vitória pode ser mais importante do que a própria vitória.  Por isso não aceitamos as conquistas que nos são oferecidas de graça ou compradas ou corrompidas. Pelo menos não deveríamos aceitá-las. Quantas vezes fomos aplaudidos na derrota e nos orgulhamos do sangue que corria pela testa, resultado de um embate perdido, jamais fugido.

O ser, contudo, é estranho. Ninguém mais do que ele próprio tem consciência das batalhas que enfrentou, mesmo assim as esquece na primeira dor da alma, assim que ouve o primeiro gemido do corpo sofrido. Fraqueja e confessa sem vergonha. Quer desistir sem se dar conta do que isso pode representar a ele e a todos que cativou em vida. Como se encarar a dificuldade não lhe fosse capaz, não fosse uma obrigação.

Sim, somos obrigados a lutar até o fim. Mesmo quando todos os demais desistiram de nós – e estamos muito longe disto ocorrer -, temos de dar sinais de que queremos nos manter vivos. Conscientes. Comprometidos. Com coragem.

E não estou falando apenas de futebol.

Avalanche Tricolor: Cada bola, uma batalha

 

 

Grêmio 3 x 1 Avaí
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

A bola que rolou para Perea e provocou o penâlti que Tcheco cobrou no estilo “pocotó” foi bonita e produtiva. Assim foi também o desarme de Adílson lá na intermediária, a velocidade imposta que o fez chegar na área inimiga e chutar prensado com o defensor numa força suficiente para encontrar Máxi Lopes livre. A melhor jogada estava reservada para o fim, com a escapa de Douglas Costa pela esquerda, o toque com o bico da chuteira para fugir da marcação, a corrida em direção a área e o cruzamento no que um dia chamaram de ponto futuro, onde chegaria Souza para completar.

Todos os três gols, sem dúvida, foram bonitos e motivos para arrancar do peito uma angustia que vinha incomodando nestas últimas rodadas. Além disso, confirmaram para o Brasil quem tem o melhor ataque do campeonato brasileiro com 58 gols, vantagem de cinco sobre o segundo melhor.

O lance que mais admirei, porém, foi na metade do primeiro tempo, na intermediária do Grêmio, quando vencíamos por 1 a 0 e, aparentemente, o adversário estava dominado no jogo, mas teve o atrevimento de querer dominar a bola naquele instante. Destemido, Rochemback saltou com as duas pernas em direção ao inimigo. Desarmá-lo custe o que custar era o único objetivo. Aterrisou com força sobre a bola. O atacante chegou a pensar que teria condições de um drible ou algo parecido, mas desmontou no chão enfraquecido que estava diante da força do volante que fazia jus a posição.

O juiz, pobre desses juízes incapazes de admirar uma jogada com todo aquele talento, premiou Rochemback com o cartão vermelho. Imaginou que estaria ali punindo a violência. Autuori e Vítor chegaram a reclamar do árbitro no intervalo, deveriam tê-lo agradecido. Ele apenas fez o estádio e as câmeras de televisão reverenciarem aquele instante de um time que, em boa parte do campeonato, abdicou do direito ao carrinho. Momento tão crucial que a partir dali o Grêmio – com apenas dez jogadores em campo e faltando ainda uma hora de jogo – se soltou em campo, passou a jogar com liberdade, parecia guri que recebe autorização do pai pra sujar a roupa de festa.

Ao fim da partida, Tcheco reservou outro momento importante quando com a sinceridade de sempre ouviu do repórter o resultado do demais jogos da rodada e a pergunta sobre a meta de chegar a Libertadores. O meio-campo foi claro: não temos de pensar nos outros, temos de ganhar cada jogo. Poderia ter dito, cada confronto, cada batalha, cada guerra. Não está mais em jogo uma vaga aqui ou acolá, está, sim, a vergonha na cara, a coragem de nunca desistir, a história do Grêmio na temporada de 2009.

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