Avalanche Tricolor: um jogo bem jogado

 

 

Grêmio 0x0 Atlético-PR
Brasileiro – Arena Grêmio

 

MaiconDribla

 

O gol é o maior prêmio que o futebol pode oferecer ao torcedor, não tenho dúvida. É o momento da festa. Do êxtase. Da exaltação É a foto que estampará os cadernos de esporte na segunda-feira. É o lance em que os narradores de rádio capricham no grito. É a imagem que a TV destaca, após a rodada

 

O drible elegante, o chapéu, a meia-lua, a caneta, a velocidade, a precisão do passe, o chapéu no adversário, o desarme na bola, a defesa postada corretamente e o contra-ataque de bola bem trocada — todo o resto fica em segundo plano diante do gol.

 

O que dizer da estratégia montada pelos técnicos — esta a maior parte de nós sequer consegue enxergar.

 

Costumamos comemorar o plano tático que ganha a partida, sem pensar o que realmente foi treinado durante a semana e discutido exaustivamente no vestiário. O gol saiu por acaso ou foi pensado? O que vale é o gol.

 

O time que perdeu fica apenas com as críticas mesmo que seus jogadores tenham se movimentado em campo com maestria, trocado de posição em jogadas bem ensaiadas ou chegado mais à frente do que o adversário. Perdeu, nada valeu.

 

Nesta noite de domingo, em Porto Alegre, em que pouco mais de 20 mil torcedores foram à Arena, o gol não se apresentou, mesmo que as bolas tivessem passado perto e, em ao menos um caso, explodisse no travessão.

 

O Grêmio merecia ter marcado, mas não marcou quando teve as chances. E o adversário soube impedir mais pressão, apesar de ter um jogador a menos nos 15 minutos finais.

 

O gol não saiu e quero pensar que não saiu para que a gente tenha tido tempo de apreciar o talento de duas equipes que privilegiam o futebol bem jogado. Para que não deixássemos em segundo plano fatores que são importantes para quem pensa em conquistar títulos, seguir encantando e deixar seu legado — para quem não quer ganhar apenas um jogo, mas o campeonato.

 

Tenho orgulho que uma dessas equipes, na noite de hoje, foi o Grêmio, mais uma vez o Grêmio de Renato. Não marcamos nem levamos gol — aliás, Marcelo Grohe completou 660 minutos sem tomar gols — mas continuamos a levar a campo o futebol que nos fez campeão da Libertadores, da Recopa, da Copa do Brasil e do Gaúcho.

 

E o gol? É uma pena, não saiu. Porque com o gol, na segunda-feira, todos estariam falando do Grêmio mais uma vez. Sem o gol, somente quem aprecia o futebol qualificado haverá de se lembrar desta partida — eu vou lembrar.

Avalanche Tricolor: futebol muito bem ajustado

 

Cerro Porteño 0x0 Grêmio
Libertadores – Estadio Nueva Olla/Assunção- Paraguai

 

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GeroMito foi o melhor em campo (foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O Grêmio jogou para o jogo que tinha de ser jogado.

 

Havia um adversário forte do outro lado, motivado por estar na liderança do grupo e empurrado por sua torcida.

 

Gostaria da vitória, mas não se precipitou em campo, pois sabe como poucos disputar a Libertadores.

 

Tinha que manter a cabeça no lugar, acalmar os ânimos e reduzir os riscos.

 

A defesa foi firme, forte e precisa quando pressionada.

 

E defesa aqui não se resume a dupla de área que é genial por si só — e você sabe disso. É o sistema defensivo muito bem ajustado por Renato. Que não deixa espaço para o adversário.

 

Contida a correria inicial e normal, o meio de campo colocou a bola no chão e com toques justos  arrefeceu o ânimo do adversário.

 

O ataque arriscava algumas jogadas, assustava a defesa paraguaia e os mantinha sob atenção. Poderia ter feito mais se o árbitro tivesse sido justo e marcasse o pênalti sobre Everton ainda no primeiro tempo.

 

No segundo tempo, o Grêmio já se sentia em casa e dominou a partida, passou a ficar com a bola no pé muito mais do que o adversário e reduziu qualquer risco de tomar gols.

 

Ao contrário, quase fez.

 

Em um lance que seria mitológico, Geromel pegou o rebote de costas para o gol e a bola foi bater no poste. Depois de tudo que já havia feito dentro da nossa área, parando o ataque adversário, só faltava mesmo ele marcar um gol.

 

Foi premiado ao final como o jogador da partida. Justa a escolha dos organizadores.

 

Poderíamos ter vencido, mas o empate está na medida certa para o time que precisará confirmar a classificação à próxima fase jogando duas das três partidas que faltam em casa.

 

 

Avalanche Tricolor: Grêmio é 100%

 

 
Cruzeiro 0x1 Grêmio
Brasileiro – Mineirão, BH/MG

 

 

Kannemann

Kannemann bate aquele papo com o auxiliar 

 

Arthur acertou 99,99% dos passes que deu em mais de 90 minutos de jogo. Seu companheiro de posição, Maicon, não deve ter errado mais de dois enquanto esteve em campo. 

 

No primeiro tempo, o Grêmio ficou com a bola no pé 70% do tempo. Mesmo com um jogador a menos em campo, no segundo tempo, encerrou a partida com 60% de posse de bola.

 

E teve 50% de aproveitamento nos chutes a gol: chutou duas vezes, marcou uma, após jogada genial de Ramiro pela direita, cabeceio de Everton, que desviou para o estreante André fazer a alegria da nossa torcida.

 

A superioridade gremista provada em números e percentuais não me espanta. Tem sido assim partida após partida, independentemente de quem for o adversário e onde seja o jogo: em casa ou fora dela; na Arena ou no Mineirão; no Brasil ou no exterior.

 

O que quero destacar mesmo nesta primeira Avalanche do Campeonato Brasileiro de 2018, porém, é outro número que poucos talvez se deem conta por estarem deslumbrados com o talento que voltamos a apresentar: o desempenho da defesa do Grêmio.

 

Assim como eu, você, caro e raro leitor desta Avalanche, já ouviu falar das reclamações pelos gols de bola área que tomamos — e geram preocupação há algum tempo. 

 

É de falta, é de escanteio ou na chegada pela linha de fundo. Quando a bola sobe em direção à nossa defesa, a turma se arrepia toda e fica torcendo pela intervenção de Marcelo Grohe.

 

Imagine, então, quando somos informados da ausência de Geromel, o melhor zagueiro da América do Sul. Que ao lado de Kannemann forma a melhor zaga do continente.

 

Paulo Miranda foi o substituto e incorporou o Mito. Dominou a área por cima e por baixo. Despachou bola e aquela montoeira de atacantes que o adversário colocou em campo.

 

Kanneman foi gigante ao mandar para longe os zagueiros grandalhões que se atreviam chegar perto de nosso gol. E cirúrgico na decisão de fazer a falta que lhe valeu a expulsão, aos 27 minutos do segundo tempo. Sacrificou-se pela causa.

 

Bressan entrou e deu conta do recado nos momentos de maior pressão em que a bola vinha de todos os lados. Não se mixou diante da cara feia do adversário.

 

Grohe … bem, Grohe foi Grohe. 

 

Apareceu com segurança nas vezes em que foi chamado, especialmente no último lance da partida quando já era adiantado da hora.

 

E para você que gosta de medir tudo através de números, anote aí o mais impressionante de todos. 

 

O adversário teve sete escanteios a seu favor, cinco apenas no primeiro tempo. E a nossa defesa teve 100% de sucesso sobre o time deles todas às vezes em que bola cruzou nossa área.

 

Com essa defesa segura, esse meio de campo talentoso e o ataque preciso, o Grêmio começa o Campeonato Brasileiro com jeito de campeão: 100%

Avalanche Tricolor: Renato é a cara do Grêmio

 

 

Brasil PEL (0) 0 x 3 (4) Grêmio
Gaúcho – Estádio Bento Freitas/Pelotas-RS

 

 

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Renato é a cara do Grêmio. O Grêmio é a cara de Renato.

 

Mistura inspiração e transpiração. Luta pela vitória com a garra que se espera dele. Trata a bola com a generosidade que ela merece. É debochado quando necessário. Paciente para decidir. E definito quando precisa.

 

Renato fez isso enquanto esteve em campo. E nos deu os maiores títulos que poderíamos almejar na nossa história. Lutava bravamente contra seus marcadores. Tinha coragem para enfrentar a violência dos que tentavam lhe parar. Da mesma forma, partia para cima deles e os driblava sem perdão.

 

Como técnico, o tempo lhe deu lições. Sua coragem, o fez persistente. Sua audácia, permitiu que novos valores surgissem e jogadores desacreditados se tornassem gigantes. Sua inteligência, reuniu todos esses fatores e nos fez campeões.

 

Houve quem duvidasse da sua capacidade de devolver ao Grêmio a hegemonia estadual diante da decisão no início da temporada de preservar o grupo principal – acertada decisão diante dos desafios de 2018. Falou-se inconsequentemente em rebaixamento e os menos atrevidos, em desclassificação. Renato apostava: decidam as outras sete vagas, uma é do Grêmio.

 

Foi do Grêmio, como apostou Renato, e com a classificação encarrilhou uma goleada atrás da outra. Chegou ao segundo jogo de toda a etapa final com a vaga seguinte praticamente garantida.

 

Nesta final, foi cruel com o Brasil: 7 x 0 no placar agregado. Fora o show.

 

O Gaúcho, conquistado nessa tarde de domingo, faz parte de um ciclo de ouro que se iniciou com o retorno dele ao clube.

 

Devolveu a Copa do Brasil ao Grêmio 15 anos depois. Nos trouxe de volta a Libertadores e a Recopa Sul-Americana após 22 anos. E agora o Gaúcho que há oito não conquistávamos.

 

O Grêmio é a cara de Renato. Renato é a cara do Grêmio.

 

E é no Grêmio que ele decidiu ficar. Obrigado, Renato!

 

Avalanche Tricolor: o Grêmio-Show está em campo!

 

Grêmio 4×0 Monagas-VEN
Libertadores – Arena Grêmio

 

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Jael marca o primeiro do jogo: cruel! (reprodução SportTV)

 

É colocar a bola no chão, trocar passe pra cá e pra lá, esperar o companheiro se deslocar, controlar a paciência e esperar os espaços surgirem. Às vezes demora mais, às vezes demora menos. Mas o gol aparece. E quando aparece um, vem outro e outro e, como no início da noite desta quarta-feira, mais outro.

 

É um show de bola!

 

O adversário bem que ensaiou uma retranca e pensou em dar alguns sustos no contra-ataque. Mas a resistência não foi além do primeiro tempo. Bastaram os minutos de conversa de Renato no vestiário para o Grêmio voltar diferente para o segundo tempo.

 

E quando o futebol do Grêmio que admiramos entra em campo, é outro show!

 

Com a entrada de Alisson, como tem ocorrido com frequência nos últimos jogos, o time fica ainda mais solto, a quantidade de jogador que aparece para receber a bola aumenta e deixa os marcadores completamente perdidos.

 

Até as jogadas pelo lado esquerdo apareceram, com Cortez chegando na linha de fundo e cruzando na área. Esse tipo de lance valoriza ainda mais nosso homem de frente.

 

Jael costuma jogar como pivô, de costas para os zagueiros e por isso é o rei da assistência. Mas quando vem o cruzamento, ele vira o centroavante clássico.

 

Show de Jael!

 

Um gol de cabeça que marcou o início do domínio pleno da partida. Dali para frente, a dúvida era quantos mais gols marcaríamos.

 

E aí vieram os shows de Everton e Luan.

 

O Rei da América corre elegante com a bola no pé, escapa do marcador, limpa o lance, serve os companheiros, chuta a gol e marca gols. É o nosso goleador na temporada.

 

Um show à parte!

 

Já Everton – escrevi isso na última Avalanche – segue a mesma trajetória de seu antecessor Pedro Rocha, que por algum tempo era criticado devido aos desperdícios nas finalizações.

 

Ele ganha cada vez mais confiança, cria oportunidade atrás de oportunidade, investe na velocidade e no talento. Hoje, deu dribles que deixaram seus marcadores desnorteados. E dribles em direção ao gol, produtivos.

 

Everton é outro show!

 

Foi de cabeça e com Cícero, que havia recém-chegado ao jogo, que completamos a goleada. Aliás, mais uma goleada nessa trajetória gremista. Foi assim nas partidas decisivas do Campeonato Gaúcho, foi a assim na Libertadores, esta noite.

 

Virou padrão.

 

Ou, como diria aquele famoso locutor esportivo: virou passeio.

 

O Grêmio-Show está em campo!

Avalanche Tricolor: o Grêmio é cruel!

 

Grêmio 4×0 Brasil-PEL
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Jael comemora com Everton o 3º gol (reprodução SPORTV)

 

A goleada na primeira partida da final dá a dimensão da diferença técnica entre o Grêmio e os demais times que disputam o Campeonato Gaúcho. Mesmo aquele que teve a melhor campanha até aqui na competição não foi capaz de conter o talento tricolor e acabou praticamente nocauteado, nessa tarde de domingo.

 

Haverá alguém que questione esta diferença e justifique o placar ampliado pela expulsão do zagueiro adversário pouco antes do fim do primeiro tempo. É verdade, o cartão vermelho facilitou nosso serviço. Mas se aconteceu, pode colocar na conta do Grêmio.

 

A velocidade das jogadas, a forma como o time se movimenta em campo, a quantidade de passes trocados e a precisão desses passes faz com que os espaços se abram. Por mais esforçado que seja o adversário é preciso correr mais, dobrar a marcação e ser muito cirúrgico na roubada de bola.

 

É cruel!

 

A paciência do marcador diminui com o passar do tempo, as faltas ocorrem com mais frequência e por mais permissivo que seja o árbitro as punições ocorrem. Um amarelo aqui, outro ali, uma bronca acolá e, daqui a pouco não tem mais opção: vermelho.

 

Foi o que aconteceu na Arena, mais uma vez.

 

O Grêmio entrou em campo com dois volantes que dizem muito sobre a qualidade do time. Geralmente as equipes têm um volante com algum talento na saída de bola e outro no desarme. Maicon e Arthur rodam pelo meio de campo e conduzem a bola com uma habilidade impressionante.
É cruel!

 

À frente dos volantes aparece Luan que é perseguido por um, dois, três … hoje chegou ter cinco jogadores em volta dele … e não perde a bola por nada neste mundo. A cabeça está sempre erguida para enxergar um companheiro mais bem colocado. A corrida pelo gramado é elegante. Dificilmente é desarmado. E só resta ao marcador derrubá-lo. Ou atropelá-lo, como fez o zagueiro justamente expulso no fim do primeiro tempo.

 

É cruel!

 

Pelos lados aparecem Everton, um velocista, e Ramiro, um incansável. Everton finaliza mais, Ramiro marca mais. Cada um com sua características, sempre aparecem livres para receber, pois têm agilidade e conseguem dar boa sequência na jogada.

 

Everton, aquele que nos colocou na final do Mundial, dá sinais que vai pelo mesmo caminho de seu antecessor Pedro Rocha. Muitas vezes cobrado por desperdiçar jogadas de gol, começa a se posicionar melhor em campo e finalizar melhor. Hoje marcou dois.

 

Ramiro descobriu-se cobrador de falta. Mais uma vez soube aproveitar o chute de longa distância, bateu forte na bola e deu a ela efeito capaz de “driblar” o goleiro.

 

É cruel!

 

E lá na frente …. bem, lá na frente tem o Cruel em pessoa.

 

Jael faz cara feia quando não marca, faz cara feia quando recebe falta e faz cara feia para o adversário. Mas sorri como nenhum outro quando percebe a utilidade de seu futebol para o time do Grêmio.

 

Hoje, foi imprescindível no passe. Sempre recebendo de costas para o zagueiro, toca para um companheiro mais bem colocado e, com a humildade que o caracteriza, os deixa em condições de fazer o gol. 

 

Colocou a bola por trás dos marcadores para Everton fazer o primeiro, forçou a defesa do goleiro permitindo que Alisson fizesse o segundo e deu passe de letra magistral para Everton fazer o terceiro. Só não participou do quarto gol porque já não estava mais em campo.

 

O Grêmio que já havia vencido a primeira partida das quartas-de-final por 3 a 0, a primeira da semifinal por 3 a 0, começa a decisão do Gaúcho com uma goleada clássica: 4 a 0.

 

O Grêmio é cruel com seus adversários!

Avalanche Tricolor: de volta às origens

 

Grêmio 1×1 Avenida
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Arthur comemora mais um gol em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O último título não faz muito tempo: foi a Recopa Sul-Americana, há pouco mais de um mês. Resultado da mais importante conquista que alcançamos neste século: a Libertadores, vencida em novembro de 2017. Um ano antes já havíamos levantado a Copa do Brasil, pela quinta vez na história. Teve ainda o vice-campeonato Mundial, em dezembro do ano passado.

 

O círculo virtuoso que estamos experimentando desde 2016 nos leva de volta às origens quando nos credencia a disputar a final do Campeonato Gaúcho, que se inicia na Páscoa.

 

Verdade que, pela dimensão alcançada pelo Grêmio, estar na final de uma competição estadual não é mais do que sua obrigação. Sabemos, porém, que a necessidade de atender compromissos maiores nos fez deixar o Gaúcho em segundo plano nos últimos tempos.

 

Mesmo neste ano, iniciamos a competição com um time bastante jovem que pagou muito mais caro do que merecia diante da falta de experiência e entrosamento. Um fato que nos impôs desafio ainda maior para chegarmos onde chegamos.

 

Sempre bom refrescar a memória do leitor, especialmente aquele que pregou o desespero. Lembra que você falou em rebaixamento – isso mesmo, Segunda Divisão do Campeonato Gaúcho? Ou quando você, menos exagerado, não apostou um tostão furado na nossa classificação?

 

Pois é, entramos em sexto lugar, despachamos o co-irmão, resolvemos a fatura ainda no primeiro jogo da semi-final e agora estamos prontos para disputar o título.

 

Aliás, disputar mais um título (que se dê a devida ênfase a esta frase) …

 

Há algum tempo, Renato chegou a dizer que havíamos formando um grupo que não tinha medo de vencer. Ontem à noite, diagnosticou o Grêmio com uma doença “saudável”: estamos viciados em ganhar.

 

E por louco que somos em ganhar é que nosso treinador dedicará todo seu esforço e do grupo para levantar este caneco que, como escrevi, marcará o retorno às nossas origens.

 

Foi no Rio Grande que iniciamos nossa trajetória.
Nos campos gaudérios, fizemos história.
No nosso rincão, forjamos esta personalidade guerreira.

 

Que seja o Gauchão nosso próximo título!

Avalanche Tricolor: barba, cabelo e bigode, com toda a elegância

 

Avenida 0x3 Grêmio
Gaúcho – Estádio dos Eucaliptos – Santa Cruz/RS

 

Arthur

Arthur completou o serviço no segundo tempo

 

Barba, cabelo e bigode. No passado, era assim que se descrevia uma tarefa que havia sido realizada por completo. E assim pode-se descrever a tarefa cumprida pelo Grêmio no simpático estádio e complicado gramado de Santa Cruz do Sul, nesta tarde de domingo.

 

Desde os primeiros movimentos, percebia-se que superar o campo ruim e pesado dos Eucaliptos seria mais difícil do que vencer o adversário que jogava em casa.

 

Apesar de enfrentarmos um time que se propôs a fincar-se diante de sua área e de lá não sair, com o objetivo de não levar gols, o toque de bola do Grêmio era envolvente a ponto de encontrar espaço para jogar.

 

Com a área congestionada, preferimos arriscar de fora e tivemos sucesso nos pés de Ramiro, aos 8 minutos de partida. Aliás, no pé esquerdo de Ramiro, o que não é comum ao meio-campista destro do Grêmio que tem revelado um excelente chute, como já vimos em algumas cobranças de falta, nos últimos jogos.

 

Barba feita, fomos em busca do segundo gol que veio dois minutos depois. A fórmula foi a mesma. Ou quase. Troca de passe veloz e precisa. Deslocamento de jogadores de um lado e de outro. Jael recebeu de Luan na esquerda e ao tentar devolver a bola foi desviada na mão do marcador. Luan cobrou bem o pênalti.

 

Renato chegou a pedir serviço completo ainda no primeiro tempo. Gato escaldado tem medo de água quente, costumava dizer seu Alecir, barbeiro que me atendia nos tempos em que morei em Porto Alegre. Melhor matar o adversário quando ele ainda está tonto do que deixá-lo ir para o vestiário, se reorganizar e reagir. Não foi atendido, mas contou com Marcelo Grohe que mais uma vez fez das suas para impedir qualquer reação: que baita goleiro, heim seu Alecir?!?

 

Fomos para o vestiário com barba e cabelo feitos. E não demorou muito para aparar o bigode, também. Aos 12 do segundo tempo, após nova troca de passe bem elaborada, Arthur recebeu de Everton de frente para o gol. Havia dois marcadores em cima dele, então com a elegância que lhe é comum, Arthur puxou a bola para trás, deixou os dois zagueiros abraçados  e com o mesmo pé que fez o corte completou o serviço: 3 a 0.

 

Restou para a segunda partida, na Arena, quarta-feira à noite, apenas o banho de “aqua velva – aquele toque invisível de distinção que todos notam”, como se lia na publicidade antiga desta que foi das mais famosas águas pós-barba que já conhecemos.

 

 

Avalanche Tricolor: por Marcelo, vamos ganhar este Gauchão

 

Inter 2 (2)x(3) 0 Grêmio
Gaúcho – Beira Rio/Porto Alegre-RS

 

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Marcelo Grohe comemora a classificaçao em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

Sofrimento não faltou neste campeonato.

 

As escolhas no início da temporada não deram o resultado esperado. Com um time de jogadores da base, salvo alguns agregados do grupo principal, o desempenho ficou aquém da expectativa. O nome do Grêmio rondou a parte mais baixa da tabela de classificação até praticamente as últimas rodadas da primeira fase.

 

Os catastróficos estavam prevendo o pior, sem levar em consideração o potencial do time que, sob o comando de Renato, se preparava nos bastidores para a temporada longa de jogos importantes. Dois deles, inclusive, logo no início do ano quando disputamos e vencemos a Recopa Sul-Americana.

 

Houve até quem fizesse discurso, diante de algumas injustiças cometidas por árbitros, que o Grêmio deveria deixar de lado o estadual para não prejudicar a campanha nas competições que realmente interessavam no ano: Libertadores e Campeonato Brasileiro, por exemplo.

 

Os matemáticos chamados a mostrar suas contas pareciam incrédulos na possibilidade de o Grêmio impor uma sequência de vitórias que lhe tirasse da parte de trás da competição e o colocasse entre os oito classificados às finais. Preferiam falar em chances para não cair. Pobres coitados! Tão obstinados pelos números, esqueciam do poder de reação que sempre marcou a história gremista.

 

Ao fim e ao cabo, o Grêmio chegou às quartas de final não na última vaga, mas em sexto lugar e com uma vitória na casa de seu principal adversário, que lutou desesperadamente por um empate apenas para não ter o dissabor de enfrentar o tricolor já na etapa seguinte. Sabia o que teria pela frente.

 

O Grêmio chegou grande e forte no momento decisivo da competição e mostrou sua superioridade no domingo passado, na Arena quando encaminhou sua classificação à semifinal com uma goleada de 3 a 0.

 

Na noite desta quarta-feira, diante da torcida adversária e de um time que tem como sua maior pretensão no ano a conquista do estadual, o Grêmio somente precisava carimbar a passagem à próxima etapa. Fez um jogo sabendo desta missão.

 

É provável que ciente de sua superioridade e da grande vantagem que havia garantido no primeiro jogo tenha sobrado soberba. E isso sempre cobra um preço por mais talento e técnica que seu time tenha.

 

O Grêmio, como diz o lugar-comum dos jornalistas esportivos, jogou com o regulamento embaixo do braço, e se expos a riscos. Riscos calculados é verdade, pois como se viu nos momentos finais da partida, bastava colocar a bola na grama, trocar alguns passes e o talento que nos deu a Copa do Brasil, a Libertadores e a Recopa, nestes últimos anos, se revelava novamente.

 

Jogou o suficiente para se classificar e aprendeu a lição. É o que espera Marcelo Grohe, segundo se ouviu na entrevista que ele concedeu ao fim da partida. Nosso goleiro confidenciou ao repórter de campo que antes do jogo se iniciar lembrou a seus colegas que neste ciclo vitorioso que estamos vivendo ainda não havíamos vencido o Gauchão.

 

Marcelo, um dos dois únicos remanescente do último título gaúcho que o Grêmio conquistou, ainda chama o estadual no aumentativo, coisa que evito há bastante tempo, pois entendo que o campeonato perdeu importância especialmente diante dos verdadeiros desafios que temos pela frente.

 

É bom que ele alerte seus colegas e chame minha atenção, também, para a necessidade de reconquistarmos este troféu. Até porque, Marcelo sabe que o Grêmio está condenado a disputar cada jogo como uma decisão. É assim que nossas história foi forjada. E, independentemente do tamanho do campeonato, o Grêmio tem de ser grande em campo, sempre.

 

Vamos ganhar o Gauchão – e o chamarei assim, a partir de agora – por Marcelo Grohe.
 

Avalanche Tricolor: foram palavras mágicas!

 

 

Grêmio 3×0 Inter
Gaúcho – Arena Grêmio/Porto Alegre-RS

 

 

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Muitos motivos para sorrir (foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O saudoso estádio Olímpico está a alguns passos de onde escrevo esta Avalanche, nesta noite de domingo. A Arena fica mais distante, algo em torno de 11 a 12 quilômetros. Era para lá que seguiria nessa tarde para assistir ao Gre-Nal 414. O ingresso destinado aos sócios, no setor Oeste das cadeiras gold, ficou armazenado no meu computador a espera de ser impresso. Preferi guardá-lo. Mudei meus planos.

 

Em vez do estádio, entendi que meu lugar era na sala da casa onde passei minha infância e adolescência, na Saldanha Marinho, no bairro do Menino Deus. Naquele mesmo espaço onde nossa família se reunia no passado, onde eu e meus irmãos brincávamos, onde a mãe montava a árvore de Natal, onde ligamos a nossa primeira TV a cores … Ali mesmo, onde hoje estariam meu irmão mais novo, meu filho mais velho e, especialmente, meu pai.

 

Foi ele, o pai, quem me ensinou a ser gremista desde pequenino – usou método pouco ortodoxo, é verdade, e já escrevi sobre isso em Avalanches anteriores, mas foi fundamental na minha escolha.

 

O pai me levou pela mão ao estádio Olímpico, me apresentou muitos dos meus ídolos, me fez conhecer os bastidores e corredores do time. Me fez íntimo daquele espaço e daquelas cores. Forjou minha personalidade e educação nas conversas que tínhamos diariamente, nas quais o Grêmio era nosso motivo de interação.

 

Foram-se muitos anos desde aqueles tempos de guri. Eu já estou com 54 anos e o pai com 82. Por aquelas coisas que a idade avançada vai nos tirando da memória, a conversa com ele já não tem a mesma fluidez. A gente se esforça para dialogar, dizer algumas palavras, descobrir o que queremos falar um para o outro. Às vezes, a mensagem chega por gestos, por sorrisos ou pelo olhar.

 

Com medo que essa distância aumente de maneira acelerada, acreditei que estar ao lado dele, neste domingo, era o melhor que poderia fazer, aproveitando minhas férias na cidade. Por isso nos sentamos nos sofás e poltronas novos que ocupam a nossa velha sala de televisão para assistir ao Gre-Nal.

 

Foi mágico!

 

Falamos do jogo e dos jogadores; vibramos com as primeiras defesas de Marcelo Grohe; nos incomodamos com a falta de chute do nosso time; reclamamos do árbitro e das manias dos locutores e comentaristas esportivos. Em pouco tempo, éramos novamente pai e filho daquele passado que havia se passado bem ali ao lado, no estádio Olímpico.

 

E foi ainda mais mágico, porque o Grêmio parecia entender os instantes que estávamos experimentando juntos.

 

Para nos oferecer a primeira grande alegria, fez questão de marcar um gol, através de Everton, ainda antes do intervalo, em uma troca de passes típica deste time que tem encantando a América. Apenas não corri e me joguei nos braços do pai porque achei que ele não suportaria essa extravagância. Preferi dar-lhe um abraço e um beijo enquanto falávamos da nossa satisfação.

 

Tive de me conter mais uma vez, aos 17 minutos do segundo tempo, ao ver Jael bater falta de maneira precisa e indefensável e correr em direção a Renato com o sorriso característico deste atacante que a cada partida revela seu prazer em ser feliz. Sorrimos, o pai e eu, juntos com Jael. Voltamos a nos abraçar e trocamos palavras de felicidade.

 

Aos 31, acompanhamos quase em pé a corrida de Arthur em direção ao terceiro e definitivo gol. A medida que a bola se aproximava do “fundo do poço”, nós já nos cumprimentávamos, agora batendo as mãos no alto, uma contra a outra, como se fôssemos dois adolescentes. Era o que parecíamos mesmo, narrando novamente cada momento daquela jogada, o lançamento, o toque de ombro de Jael, a escapada de Arthur e o chute por debaixo do goleiro adversário.

 

Falávamos com satisfação, felicidade e jovialidade. Falávamos do Grêmio e das alegrias que ele nos proporcionava. E a partir da nossa fala, descobri que por mais que a memória queira ir embora, as palavras que sempre nos uniram se mantém vivas. E esta foi, mais do que a goleada, a minha maior alegria deste domingo de Gre-Nal.