Igreja em shopping

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Igreja Batista da Lagoinha, no shopping (foto: divulgação)

 

Em Betim – MG, o Shopping Monte Carmo, em atitude inovadora, abriga a Igreja Batista da Lagoinha, desde agosto de 2017.

 

O Estadão de domingo, em artigo que destaca mudança de foco do Shopping, traz o relato da inédita abertura de área para cultos religiosos.

 

Segundo Maria Chiara, autora da reportagem, a intenção do Monte Carmo visa a ocupação de espaços vazios — tema familiar ao Shopping, pois na abertura tinha apenas 12 lojas em área de 34 mil m2. Quando foi vendido pela Saphyr para a Sodepar a vacância era de 52%, em 2016. Hoje é de 15%.

 

A igreja passou a fazer parte do grupo de serviços que são oferecidos, como os Correios, a Receita Federal e a Faculdade Pitágoras. A esse respeito o testemunho do gerente Cesar Miranda ressalta:

 

“A igreja é um ‘case’ de sucesso, que se converteu em aumento de receita para inúmeras operações do shopping”

 

Acreditamos que mais do que um caso, esta pode ser uma questão de várias vertentes, diferentemente de mudança de foco ou de esquizofrenia dos shoppings, como citado por Márcia Sola do IBOPE.

 

Se há um consenso que mesmo as modernas empresas afeitas às novas tecnologias e propensas ao omni-channel e ao unified commerce também sofrem as consequências das mudanças e desejos do novo consumidor, não há unanimidade quanto ao caminho a seguir.

 

Uma das dificuldades ao prever o futuro é a impossibilidade de visualizar as quebras de paradigmas que virão, pois como sabemos a incerteza é a única certeza.

 

Ainda assim, neste caso de Betim, se creditarmos o depoimento de Miranda ao afirmar que houve benefícios a outras unidades, podemos inferir que esta cadeia positiva pode ser um condutor ao estilo de vida. E a experiência de compra dentro de um centro comercial homogêneo leva a um Lifestyle, que pode ser o caminho futuro.

 

Eliana Tranchesi foi quem melhor traduziu esta possibilidade com a Daslu. A volta ao futuro de Eliana pode ser a via de diferenciação.

 

O rígido lifestyle reflete bem a segmentação comportamental de hoje, com tribos hermeticamente alinhadas.

 

Que venham os shoppings por LIfestyle!

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

 

Clientes do varejo veem menos vitrine e mais internet

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O e-commerce além de competir com o mundo físico do varejo está tornando as compras realizadas em suas lojas mais racionais. Os consumidores dos mercados mais desenvolvidos estão indo menos aos shoppings para “ver vitrines”, devido a facilidade de informações disponíveis nos meios eletrônicos. Ou seja, para uma determinada quantia de vendas o tráfego relativo tem diminuído, pois os clientes veem menos vitrines e mais internet.

 

Esta instigante observação foi publicada no Mercado & Consumo, segunda-feira, em artigo do consultor Marcos Gouvêa de Souza. Ele partiu do grande número de lojas fechadas recentemente nos Estados Unidos.

 

A RadioShak está fechando 1.000, a Toy R Us fechou todas, a Ann Taylor e Loft fecharam 250. Na Europa até a Zara está fechando unidades, assim como a C&A e a HM.

 

O motivo evidente é o reflexo do comércio eletrônico. Embora os números atuais mostrem ainda uma incipiente participação do eletrônico no varejo total. Na China 24%, na Coreia do Sul 18%, na Inglaterra 15% e nos Estados Unidos 10,5%. Entretanto o impressionante crescimento comparativo entre o virtual e o físico justifica a forte influencia no varejo total. No mínimo, o virtual apresenta o dobro de aumento em relação ao físico.

 

Agregando a este cenário os recentes números de queda de tráfego nos centros de compra chega-se a causa da redução de pontos de venda físicos. Cuja causa vai além do comércio eletrônico como vendedor, mas também como fornecedor de informações. Até mesmo para a compra presencial.

 

Neste contexto, o Brasil se diferencia. Pela crise econômica, que se estima fechou 200 mil lojas. Pelo pequeno 4% de participação nas vendas totais do varejo. E pelo atrativo que os Shopping Centers exercem sobre os consumidores brasileiros. Portanto, esta nova tendência deverá chegar mais tarde. Tempo ideal para um melhor preparativo para o futuro.

 

Para tanto será conveniente considerar que do lado da tecnologia dos dados deverá chegar recursos que incluirão os atributos sensoriais tornando a experiência digital mais real.

 

Do lado físico, os atributos humanos de atendimento acoplados a novas tecnologias deverão permear a relação entre comprador e vendedor.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Com tudo, é melhor apostar no Facebook

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

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Mark Zuckerberg, presidente e principal acionista do Facebook, empresa que congrega o maior grupo mundial de mídia social, composto do Facebook Messenger, do Whatsapp e do Instagram, teve que se apresentar no dia 10 aos comitês de Comércio e Judiciário, do Senado e no dia 11 ao Comitê de Energia e Comércio da Câmara dos Representantes, nos Estados Unidos.

 

A acusação central era a influência exercida na votação do Brexit e na eleição de Trump, através da utilização ilegal de dados retirados do Facebook.

 

Concluiu-se que o caso da Cambridge Analytica não foi o único, ao mesmo tempo em que Mark não demonstrou abertura para a regulação. De outro lado se comprometeu a barrar as notícias falsas, embora duvide do sucesso no caso da influência estrangeira.

 

Hoje, na Folha, Helio Schwartsman lembra o aparecimento do “deep fake” graças ao avanço da tecnologia, ao possibilitar reproduções tão perfeitas que irão quase impedir aos técnicos de distinguir o falso do verdadeiro. Ao mesmo tempo ressalta que a linguagem que foi criada para facilitar o entendimento sempre teve que se precaver do falso.

 

Provavelmente o extremo a que se chegou ao aperfeiçoamento para extrair informações e deduções, junto com a falsificação esmerada, equipara-se à grandiosidade do universo alcançado pelas mídias sociais. Em particular ao Facebook, com dois bilhões de usuários no mundo. No Brasil, 80 milhões, correspondente a 40% do total da população, acessam diariamente a rede. Mensalmente, 55% ou 110 milhões de pessoas participam da rede social, das quais 90% usam celulares.

 

A relevância é que essa disponibilidade de plataforma e de acessos tem chamado a atenção de empresas que estão usando o Facebook através de suas fanpages e alternativas comerciais de divulgação.

 

Desde pessoas se conectando e vendendo serviços e produtos entre si até a divulgação paga a partir de R$ 1,00. Antecipando um futuro próximo da criação de um Market Place como já está sendo feito nos Estados Unidos, Inglaterra, Austrália e Nova Zelândia.

 

Entre acreditar na obsolescência e descrença do Facebook, é melhor apostar no potencial de oportunidades que ora se oferece.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

WhatsApp em rede de franquias: solução ou destruição?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Os canais de comunicação nas redes de franquia refletem o que existe hoje em todas as formas de mídias sociais. A eficiência e agilidade disponibilizada pelos meios eletrônicos têm possibilitado utilizações tecnicamente perfeitas, ao lado de outras mal-intencionadas — informações falsas, críticas exageradas, assuntos impertinentes e grosserias.

 

O WhatsApp desponta como o canal mais usado pelas redes de franquias.

 

Pela facilidade e agilidade é um meio convidativo de enviar e receber informações. E é esta característica que tem originado a criação de grupos de franqueados dispostos a críticas e intromissões em ações e decisões da franqueadora — minando a relação de confiança e dedicação essencial ao sucesso do sistema de franquia.

 

Diante dessa realidade, temos informação que algumas empresas estão proibindo o uso do WhatsApp, e outras incentivando a sua utilização através de um canal oficial.

 

A experiência tem demonstrado que a proibição nem sempre é a medida mais eficiente. O incentivo ao uso de um Wapp do franqueador é melhor caminho, mas a solução definitiva sempre será o contato pessoal. Ou seja, é conveniente que se tenha uma abertura de comunicação permanente do franqueado com o franqueador além de reuniões presenciais com calendário anual.

 

Estas reuniões deveriam expor desempenhos de todos e exaltar os bons resultados, com a presença dos responsáveis pela gerência das lojas e dos franqueados, dirigidas pela franqueadora.

 

Um dos melhores preceitos de Walt Disney é:

 

“Trate seu funcionário como você gostaria que ele tratasse seu cliente”

 

E, a melhor estratégia de consumo hoje é:

 

“Omni channel” e “Unified Commerce” que possibilitam ao cliente usar todos os canais disponíveis para consumir e se comunicar com as marcas.

 

Portanto, por que não tratar o seu franqueado como se deve tratar o seu cliente?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Varejo inicia protagonismo na renovação do país

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

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Varejo assite a discurso de presenciáveis Foto: Alan Santos/PR Planalto.gov

 

Nesse fim de semana, em Foz do Iguaçu, por ocasião do 3º Simpósio Nacional do Varejo da ALSHOP, estiveram reunidas as lideranças empresariais e políticas do país para analisar o recente passado e o presente para propor o futuro próximo do Brasil.

 

O Varejo, pela característica de sua atividade mantém contato direto com os consumidores. Por isso, detém consideráveis informações sobre a população.
Nabil Sahyoun, presidente da ALSHOP, ao abrir o evento acentuou que a presença de presidenciáveis constituía boa oportunidade para discutir o Brasil e focar nas reformas estruturais que tanto necessitamos. Inicialmente a previdenciária e a tributária.

 

Destacou também que além de membros da ALSHOP Associação dos Lojistas de Shopping, estavam presentes dirigentes da ABRASCE Associação Brasileira de Shopping Centers, UNECS União Nacional de Entidades de Comercio e Serviços, CNDL Clube Nacional dos Dirigentes Lojistas, CACB Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, ABRASEL Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, e do SECOVI Sindicato da Habitação.

 

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia DEM-RJ, presidenciável, falou sobre a necessidade de reduzir a máquina do Estado, a começar pelos gastos da Câmara, onde este ano já teria economizado R$ 600 milhões. Prometeu que as reformas serão encaminhadas, assim como a batalha contra os altos juros vigentes. E espera que esses sejam os temas dos candidatos.

 

Rogério Marinho, deputado federal PSDB-RN, relator da reforma trabalhista, o mais aplaudido durante todo o seminário, informou que acabaram as “aventuras jurídicas” e as 600 mil ações passaram para 280 mil. A busca dos trabalhadores agora é pelas necessidades reais. Os 25 itens pleiteados por ação foram reduzidos para quatro.

 

Luiz Carlos Hauly, deputado federal PSDB-PR, relator do projeto de reforma tributária, convicto da necessidade de uma nova legislação tributária, defendeu vigorosamente sua aprovação para breve e alertou que não adianta pensar no futuro sem que este texto seja aprovado pelo Congresso Nacional. Acredita que não haverá dificuldade na aprovação, tendo em vista o ocorrido na reforma trabalhista. Crê também que o trabalhador vai ter mais emprego e aumentará o poder aquisitivo, gerando mais vendas ao comércio. E o Brasil crescerá no ranking mundial de competitividade.

 

O presidente da Frente Parlamentar Mista do Comércio, Serviços e Empreendedorismo no Congresso Nacional, deputado Efraim Filho DEM-PB, disse que “o governo acredita existir para resolver o problema do povo, quando, na verdade, é o próprio problema”. Ao apoiar as reformas trabalhista, previdenciária e tributária, aproveitou para reprovar a função de “babá” dos governantes, intrometendo-se em áreas privadas dos cidadãos.

 

Flávio Rocha PRB-PE, presidente-afastado da Riachuelo e criador do Movimento Brasil 200, reafirmou sua pré-candidatura presidencial, cuja proposição de direita é liberal na economia e conservadora no comportamento. Sua crítica central é no gasto da burocracia estatal, que consome recursos preciosos, que poderiam ser colocados na saúde, segurança e educação.

 

O Presidente Michel Temer MDB-SP, presidenciável, enfatizou que o varejo é o setor que mais interage com a sociedade, endossando a importância que esta relação traz. Lembrou a liberação dos R$ 144 bilhões que atingiram 25 milhões de pessoas, redundando em aumento dos índices de varejo. E citou que trouxe de 1.943 para hoje a legislação trabalhista, atualizando-a. Ao mesmo tempo em que afirmou o sucesso das ações na área econômica.

 

Posteriormente ouviu de Nabil Sahyoun uma série de demandas para o varejo, tanto de cunho executivo quanto de legislativo.

 

Henrique Meirelles MDB-GO, ex-ministro da Fazenda e presidenciável, disse: “quando começamos, em maio de 2016, estávamos no sexto trimestre consecutivo com crescimento negativo. Questionava-se se seria ou não possível retirar o país da recessão. Hoje, tudo isso foi superado. O Brasil está crescendo em praticamente todos os setores da economia”.  Aproveitou também para motivar os presentes a apostar no desenvolvimento crescente que acontecerá, pois entre outros indicadores, temos a evolução dos bens de capital e da construção civil, sinalizando uma longa trajetória que será positiva para investimentos.

 

O Prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando PSDB-SP, trouxe uma experiência recente de sua cidade que tinha dívida de R$ 200 milhões e em 100 dias teria conseguido economizar R$ 100 milhões, fazendo alguns cortes entre eles na frota de carros oficiais. Criou o “Parede Limpa” com multa de R$ 6 mil reais aos pichadores e está reativando o cinema através do estúdio da Vera Cruz ,com apelo cultural e econômico para o município.

 

O colombiano Carlos Amastha PSB-TO, dono do Shopping Capim Dourado, presidente da Frente Nacional de Prefeitos e agora ex-prefeito de Palmas, se canditará ao governo de Tocantins. Assegura que levará, se eleito, a experiência da cidade que administrou com ênfase nas creches e escolas, onde há vagas e se pratica um ensino bilíngue para o estado de Tocantins..

 

Nas falas dos empresários João Apolinário – POLISHOP, Armando Nasser – SAX, Ricardo Alves – HALIPAR, Luiz Claudio Costa – RECORD TV, Geraldo Rufino – JR DIESEL, Alberto Saraiva – HABIB’S, Sebastião Bonfim – CENTAURO, Vander Giordano – MULTIPLAN e Sérgio Zimerman – PETZ, evidenciou-se uma tônica específica em tributação e burocratização. Em linguagem de economista seria a aplicação da curva de Laffer. Abaixar impostos para aumentar a arrecadação.

 

É importante destacar que durante os quatro dias de Seminário, o foco nos trabalhos e o emocional positivo de todos permaneceram intactos, enquanto o Brasil estava conturbado com o episódio da prisão de um ex-presidente.

 

Certamente foi o que Keynes define como o espírito animal dos empreendedores.

 

Que venham as eleições!

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Para reduzir tapumes em shopping, aplique a lição do Nobel de Economia

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Quando Feola, em 1958, instruía os jogadores do Brasil antes da partida com a Rússia estabelecendo a estratégia do jogo, Garrincha perguntou se ele havia combinado com os russos.

 

Garrincha, gênio reconhecido pelo futebol e ingênuo pelo comportamento, demonstrou racionalidade e estrutura cartesiana.

 

É fundamental ao elaborar uma estratégia reconhecer a importância do outro lado. E é complexo porque envolve pessoas e emoções em processo de negociação, mas é familiar a todos nós. Afinal, desde criança negociamos.

 

Durante muito tempo, a negociação foi considerada como um sistema de ganho e perda. Entretanto, John Nash, matemático e economista, através de experimento científico, que lhe deu o Nobel de Economia, provou que há técnicas de negociação que podem resultar naquilo que chamou de Equilíbrio de Nash.

 

O exemplo que balizou sua tese da Teoria dos Jogos foi o “Dilema do Prisioneiro”.

 

Dois criminosos são pegos em um delito pequeno embora tivessem cometidos crimes mais graves anteriormente. Foram colocados em salas separadas e submetidos a três escolhas:

 

– Se ambos não confessarem os crimes passados a condenação será de um ano pelos crimes pequenos;

 

– Se um acusar o outro dos crimes passados ele sai livre e o outro é condenado a 10 anos;

 

– Se ambos acusarem o outro dos crimes passados a condenação será de 5 anos para cada um

 

A incerteza da posição do outro leva à decisão de acusar o outro, e cada um levar cinco anos de condenação.

 

Entretanto, no conceito da Teoria dos Jogos, o que acontece na vida real é a repetição do jogo.

 

Quantificando a situação dos comparsas e considerando que se repita 10 vezes, teríamos 10×5 anos = 50 anos presos, mas se não confessassem 10×1 ¬= 10 anos de condenação.

 

Porém, o primeiro resultado irá identificar as posições, e as decisões seguintes estarão baseadas na confiança ou desconfiança sinalizadas. A repetição trará a melhoria das negociações tendendo para o “ganha – ganha”, que é o propósito da Teoria dos Jogos quando as opções e ofertas introduzidas ao processo são legítimas.

 

Trazendo as negociações baseadas na Teoria dos Jogos às locações em Shopping, onde temos três agentes – shopping, corretor e lojista – é preciso considerar que nenhuma ação unilateral irá melhorar o resultado.

 

O sucesso da negociação será dado pela cooperação das partes. Aliás, um bom tema para nossas abordagens futuras.

 

O insucesso será espelhado na quantidade de tapumes existentes nos shoppings.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Varejo físico e virtual juntos e na moda

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Um novo formato de loja de moda em que após o processo convencional de escolha e venda o consumidor recebe a mercadoria comprada, em casa, tem despontado como novidade aprovada no varejo.

 

É um sistema que se destaca pela aceitação de um segmento de consumidores e por facilitar alguns itens do processo de comercialização tradicional.

 

O perfil do cliente para esse formato não é único. Ao juntar a experiência física de compra com a potencialidade de alternativas do virtual, serve tanto ao consumidor da geração 4D quanto ao conservador, que requer o contato com o produto e com a vendedora.

 

Sob o aspecto do processo de abastecimento, há um passo significativo para resolver um dos maiores problemas do varejo: a previsão de vendas da loja. A esse respeito, Eliya Goldrat, um dos maiores autores sobre processos industriais e comerciais, coloca o “gargalo” na indústria e a “previsão de vendas” no varejo como os grandes desafios destes processos.

 

Historicamente, esse formato de loja virtual na loja física surgiu há cerca de 20 anos, quando do primeiro boom da internet. Embora sem resultado positivo. Ainda era a época da miopia de marketing em que se dizia que roupa nunca seria vendida pela internet.

 

Da C&A, que foi uma das precursoras deste formato no início deste século até a AMARO, a nova pioneira, e a BASICO.COM tivemos uma evolução, ou melhor, uma revolução de hábitos e tecnologia que explicam o insucesso de ontem e o sucesso de hoje.

 

Para quem aposta nos multicanais e está atento ao “omni-channel” e ao “unified commerce” é aconselhável acompanhar mais este formato.

 

Sem miopia.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Procura-se candidato com semântica correta e homogênea

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

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Sessão no Senado em foto de Waldemir Barreto/Agência Senado

 

Uma batalha semântica sempre esteve presente no mundo politico, onde partidos usam palavras como “democracia” e “social” invertendo o significado.

 

Ignorância ou engodo?

 

A verdade é que o nível de destempero da classe politica exorbitou e chegou a ponto em que “politica” e “partidos” passaram a serem palavras indesejáveis. Os partidos estão deixando de usar o vocábulo que mais os caracterizam. A palavra “partido” começa a ser retirada das siglas que as representam.

 

O atual prefeito de São Paulo João Doria usou como principal bandeira de sua candidatura o argumento que era gestor e não político. Uma fuga que durou pouco, pois ao se lançar candidato ao governo do Estado comprova que é politico. E da antiga escola. Nega a premissa e nega a promessa. Não vai permanecer como prefeito até o fim do mandato.

 

Entre a dezena de candidatos que se apresenta como pretendente à presidência há um fator que merece atenção especial. Como se sabe nenhum dos poderes da nação tem mostrado desempenho satisfatório. E ainda assim há uma intromissão indevida nas escolhas da população.

 

O governo não dá conta do público e se mete no privado.

 

A maioria dos presidenciáveis expõe plataformas heterogêneas sobre o aspecto conceitual. Predominam as propostas liberais para a economia e tradicionais para o social e comportamental. Posição que endossa a atual situação, onde o público avança no social.

 

Até agora, há apenas o programa do partido Novo aproximando-se do liberalismo de forma homogênea. Pois intitula-se de direita propondo o liberalismo econômico e salvaguardando a liberdade individual a temas pessoais. Dentre outras medidas propugna o fim do fundo partidário, o porte de arma e a decisão do aborto para a pessoa.

 

Esperemos que mais novidades se juntem a Amoedo e Doria enquanto Flavio Rocha se decide.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

 

O patrimônio de Paraty vai além da arquitetura: saiba por quê?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Paraty concorre agora a Patrimônio da Humanidade, cuja candidatura foi aceita pela UNESCO na categoria de sítio misto, paisagem cultural e natural.

 

Se vencer a eleição datada para 2019, terá seu segundo reconhecimento cultural, pois, em 2017, obteve o título internacional de Cidade Criativa para a Gastronomia.

 

A cidade de Paraty apresenta perfil histórico com múltiplas facetas, através de nuances culturais, econômicas e sociais. Paraty foi o maior porto exportador de ouro no período colonial – 1530 a 1815 – condição que contribuiu para a sua formação urbana e rural.

 

O romance biográfico “Ana em Veneza” de João Silvério Trevisan dá ideia da riqueza cultural da região ao descrever a estada da família alemã de Julia da Silva Bruhns Mann, nascida em Paraty e mãe do escritor Thomas Mann.

 

O patriarca da família Luiz Bruhns, de Lubeck, bem relacionado com D. Pedro II, pelo prazer do imperador em treinar o alemão, estendia sua avançada visão social e cultural a sociedade paratiense. O jantar de despedida em Paraty, quando decidiu voltar para a Alemanha, deixou os ilustres convidados extasiados diante da gastronomia local:

Salada de palmito, salada de lagosta, pimenta cumari, pimenta malagueta, batata doce, arroz ao molho de tomate, feijão preto, angu, moqueca de peixe, galinha ao molho pardo, pernil de porco assado. Compotas de caju, banana e goiaba, melado, baba de moça, manuê de bacia feito de farinha de trigo, melado e ovos, chuvisco, bolinho de massapão, broa de mãe benta, cocada, bala de ovos, pão de ló.

 

Deixou-os, também, assustados com as benesses sociais, pois Bruhns não só alforriou seus escravos como doou suas terras a eles. E alertou a todos que não havia futuro para a escravidão.

 

 

A força da passagem do ouro ficou marcada também na cidade de forma original ao desenhar as construções com o propósito comercial. As edificações tem sempre a função de loja. Ou a loja fica na frente e a residência atrás ou o térreo é para a loja e o sobrado para a família.

 

O longo e duro período de ostracismo da região redundou positivamente em preservar o antigo. Mas não foi fácil para a população. Houve até um momento em que a carência de recursos básicos urbanos como eletricidade e água foi tão grande que surgiu movimento separatista do estado do Rio de Janeiro, buscando guarida em São Paulo. Se de direito não conseguiram, hoje o afluxo de turistas paulistas é compensador à economia de Paraty.

 

Se, caro leitor, visitar Paraty, consulte o extenso calendário turístico e intelectual da cidade. Recomendo também buscar o cardápio que a mãe de Thomas Mann presenciou ainda criança quando da despedida da cidade.

 

Não deixe de incluir o camarão casadinho e a cachaça.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Boa imagem dos idosos no trabalho deve ser usada e estudada

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Pesquisa Datafolha mostra que na comparação entre idosos e jovens, a percepção de 70% a 90% dos entrevistados é que os idosos são mais responsáveis, educados, honestos, atenciosos, compreensíveis, solidários, dedicados, tolerantes e éticos, do que os jovens.

 

Por outro lado, entre 5% e 31% dos entrevistados disseram que os idosos são menos criativos, preconceituosos, ambiciosos e preguiçosos, do que os jovens.

 

Do ponto de vista mercadológico, o idoso é um produto com potencial. Hoje apenas 26% estão ativos, trabalhando ou procurando emprego, mas a sua presença no mercado de trabalho evoluiu nos últimos 14 anos de 10% para 16%.

 

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arte reproduzida do jornal Folha de São Paulo

 

Comprovando esta tendência, embora ainda de forma embrionária, cinco empresas, de acordo com reportagem da Folha que apresentou a pesquisa, iniciaram em 2017 a busca de idosos para funções especificas. De acordo com as habilidades que elas creditam ao perfil dos maiores de 50 anos.

 

A GOL, a Drogaria Pacheco e São Paulo, a PwC consultoria, a Tokio Marine seguros e a Telchep, as pioneiras em buscar idosos, apostam em qualificações especificas desta gente. Entre tantas:

 

– não se irrita facilmente
– compreende melhor as necessidades dos clientes
– apresenta baixo absenteísmo e rotatividade
– grau elevado de empatia
– aptidão para gestão

 

Ao mesmo tempo tentam neutralizar ou compensar alguns problemas como:

 

– não se submetem sempre ao protocolo
– são mais prolixos
– tem dificuldade com tecnologia

 

Neste contexto, acredito que a percepção do idoso esteja um pouco estereotipada.

 

Os atributos percebidos podem estar influenciados pela imagem do idoso antigo e inativo. Afinal, é fato preponderante considerar a longevidade que atingimos, e que ainda não foi assimilada nem pela burocracia nem pela realidade.

 

Embora seja inegável que a maturidade esmaeça a imagem mais agressiva, não creio que a idade possa mudar o essencial comportamental do indivíduo.

 

As notas altas dadas aos idosos pelas empresas que os contrataram podem refletir um grupo mais competente, que diante de preconceitos conseguiu adentrar ao mercado de trabalho e demonstrar a realidade de suas habilidades e conhecimentos.

 

Entretanto, é inegável que a experiência é um trunfo para grande parte das funções corporativas.

 

Considerando que o bônus demográfico brasileiro tem seus dias contados, pois em menos de 10 anos teremos menos jovens do que adultos este é um tema a ser bem estudado.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.