Filas no caixa prejudicam experiência do consumidor e fragilizam propósito da loja

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

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Nas lojas da Apple não existem caixas e o próprio vendedor faz a cobrança

 

Experiência de Compra e Propósito são efetivamente as demandas principais do varejo pós-NRF — somadas ao arsenal tecnológico que se intensifica. Foi o que, entre outras coisas, a Cecilia Andreucci lembrou no programa Mundo Corporativo, da CBN, há uma semana.

 

Entretanto, diante de tanto avanço, é injustificável que o varejo físico atual dependente crescentemente das datas comemorativas; e,  disputando o mercado cada vez mais com os players virtuais, ainda deixe o seu cliente em grandes filas de caixa. Situação que inviabiliza tanto a Experiência de Compra quanto o Propósito da empresa.

 

Supondo na realidade física que a Experiência de Compra tenha sido boa para o consumidor até o atendimento do vendedor. A seguir ele espera na fila do caixa e depois estará diante de uma outra pessoa, que não é de vendas e não tem nada a ver com o processo da Experiência de Compras.

 

Supondo ainda que a caixa tenha sido gentil com ele, olhando-o ao receber o pagamento e agradecendo a compra, e até sorrindo. Ainda assim ficará claro que o sistema foi interrompido. De propósito e sem Propósito.

 

A Teoria das Filas —  sim, existe uma teoria matemática no ramo da Pesquisa Operacional — demonstra que as filas surgem pelo desequilíbrio entre o número de vendedores, de caixas e do fluxo de clientes.

 

A prática das filas ensina que para resolver esse desequilíbrio nas lojas em que há vendedores, eles devem exercer a função de caixa, também. Nas lojas onde não há vendedores é preciso colocar os caixas-vendedores em quantidade suficiente.

 

As lojas que começaram a perceber essa necessidade e identificaram a facilidade – afinal hoje os sistemas de pagamento são automatizados – de atribuir ao vendedor a função de caixa, estarão possibilitando o processo da Experiência de Compra. De propósito, para também possibilitar que o Propósito do cliente bem atendido possa ser real.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

No Planeta Terra até o céu precisará de uma Lei Cidade Limpa

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Reprodução do site da StartRocket

 

A civilização contemporânea que assiste a países desenvolvidos perpetuarem matança de baleias em extinção e outros nem tão desenvolvidos assim permitirem taxas de desmatamento da maior floresta tropical existente, não deverá se surpreender ao ver, no céu,  propaganda de produtos de consumo.

 

Entretanto, me surpreendi ao receber o artigo de João Ortega da STARTSE* sobre a ideia da PepsiCo em lançar propaganda no espaço.

 

Falamos com Ortega, que pesquisou o tema, e mostra evidente preocupação com o futuro desenvolvimento desse processo cujos detalhes seguem abaixo.

 

 

Em parceria com a startup russa StartRocket, a PepsiCo lançaria o produto ADRENALINE RUSH, um energético, cujo público alvo são jovens aficionados em jogos eletrônicos — e a campanha combateria o preconceito existente em relação aos games.

 

A notícia se espalhou rapidamente em todo o mundo.

 

Ecologistas, cientistas e cidadãos comuns expressaram desaprovação. A mais grave veio de cientistas cujo viés tecnológico envolve a questão de segurança planetária.

 

Para o funcionamento do sistema, dezenas de satélites são lançados a 450 km da Terra, feitos de material refletor para mantê-los iluminados de dia e visíveis a olho nu. São descartáveis em um ano e acompanhados pela SkolTech, universidade privada de Moscou.

 

A desistência da PepsiCo não descarta o interesse de outros anunciantes, ao mesmo tempo em que a StartRocket, alegando que a finalidade da comunicação será mais ampla do que vender, irá buscar US$ 24 milhões para tocar seu projeto, que deverá estar pronto em 2021.

 

A StartRocket imagina também um grande painel mundial de avisos gerais, tipo início das Olimpíadas ou alertas de possíveis catástrofes.

 

A imprensa britânica, através do Express, acredita que o plano é de arruinar o céu noturno, enquanto o astrônomo Patrick Seitzer cobra do plano o endosso da base científica e dos órgãos de segurança mundial.

 

O Projeto, com tantas margens de risco, infelizmente, como lembra Ortega, não é ilegal, pois ainda não existe legislação para essa ocupação do espaço celeste.
Esperamos que o mundo reaja de acordo com a velocidade dos negócios.

 

A PepsiCo, em dois dias, descartou a ideia para não correr riscos de imagem. Mas poderá surgir quem queira usufruir da novidade, mesmo correndo risco.

 

*StartSe é verbo

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

 

Varejo faz o balanço dos 100 dias e aposta no futuro

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O Simpósio Nacional de Varejo e Shopping da ALSHOP, ao reunir 250 empresários do setor para retratar o cenário político-econômico e ouvir as premissas de membros do atual governo, transmitiu a pulsação do país que teremos pela frente.

 

O Wish Golf Resort Convention, em Foz do Iguaçu, de 4 a 7 de abril, testemunhou a manutenção do apoio do varejo ao governo Bolsonaro, ao mesmo tempo em que presenciou as críticas pela demora das mudanças.

 

A expectativa é tão grande quanto o trabalho a ser executado. As reformas previdenciária, tributária e política estão no pacote dos desejos da classe.

 

Sergio Zimermam, da Petz, com respeito a PREVIDÊNCIA, destacou que a média de 55 anos para aposentadoria e expectativa de vida superior a mais 30 leva a despesa a se aproximar de 5% do PIB e quase 60% do orçamento da União. Relatou também que, no TRABALHO, os sindicatos estão forçando as empresas a permitirem o desconto de um dia de salário quando negociam os acordos. Ameaçando-as a proibições do trabalho em jornadas específicas como feriados e fins de semana. Disse ainda que do lado do legislador há um desrespeito ao trabalho escravo, pois estão usando erroneamente o conceito de escravidão, banalizando de tal forma a descaracterizá-lo. E no TRIBUTO, estamos onerando o consumo e não a renda, o que implica em prejudicar o menos favorecido.

 

O Secretário da Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, Carlos Alexandre da Costa, noticiou em primeira mão que irá simplificar o E-social, unificar a nomenclatura brasileira de serviços e digitalizá-la. Esperando com isso desburocratizar e incentivar o empreendedorismo. Lembrou que nos próximos 10 anos os gastos públicos, hoje com 35% do PIB, precisarão estar em 20% — evidenciando a importância do enxugamento da máquina estatal.

 

No âmbito POLÍTICO, o evento que  há um ano contou com a presença e a expectativa dos candidatos à Presidência, agora refletiu a expectativa das ações.

 

Quanto as novidades para o setor, a exposição de Regiane Relva, da Cidade Inteligente, abordou as recentes tecnologias para a ex-loja do futuro, agora loja do presente.

 

Gabriel Mariotto, da Cielo, demonstrou que, através de informações obtidas com tecnologia, as vendas dos shoppings podem crescer.

 

Mauricio Morgado, da FGV, expôs que a maneira das pessoas fazerem compras mudou e é necessário que os lojistas acompanhem esta transformação.

 

Marcelo Miranda, do Grupo Iguatemi, apresentou a plataforma de E-commerce do Shopping Iguatemi a ser lançada dentro de 5 semanas.

 

O apelo ouvido para que varejistas acompanhem os avanços na tecnologia foi necessário, pois os fatos recentes mostram descompasso nesta relação.Coube principalmente aos Shopping Centers essa defasagem. O fato de lojas virtuais se transformarem em Market Place foi um alerta aos empreendedores que despertaram e estão apostando no futuro que chegou.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Grupo cria associação para reunir lojas satélites de shoppings

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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A Associação Brasileira de Lojas Satélites – ABLOS -, criada por Tito Bessa Júnior da TNG, com o objetivo de representar as lojas satélites de shopping centers, foi formalizada recentemente com 70 lojas, de acordo com informações divulgadas pela mídia, na segunda-feira, dia primeiro de abril — com a premissa de aglutinar exclusivamente unidades menores de 180m2 e com a promessa de representá-las efetivamente a contento diante dos shopping centers.

 

O propósito mira os shoppings denunciando-os de proteger as lojas âncoras com custos de ocupação de baixos percentuais, algo entre 3% e 5% do faturamento, e entregar a conta as pequenas lojas com percentuais de 10% até 20% aproximadamente.

 

Ao mesmo tempo, atinge a ALSHOP, entidade que representa os lojistas de shopping, acusando-a de não defender as lojas satélites e ser aliada dos empreendedores de shopping.

 

Arguindo a ALSHOP, através de Alexandre Sayoun, sobre a posição da ABLAS, o dirigente relembrou que o romantismo de unir os lojistas para fortalecer as posições, há 24 anos, embora embrionário já almejava uma coexistência amistosa.

 

O amadurecimento, enfatiza Sayoun, trouxe a ALSHOP para uma relação essencialmente negocial, evidenciando a interdependência de todos os agentes da cadeia. O equilíbrio é que deu resultado e manterá o sistema. Haja vista os 40 mil pontos de venda que compõem as marcas associadas a ALSHOP e a penetração em entidades governamentais para representar o setor.

 

Lembro que não necessariamente as lojas satélites compõem empresas de pequeno porte. Há marcas com pequenas lojas que pertencem a poderosas organizações e com potencial de negociação com os shopping centers. Esses, por sua vez, precisam da segmentação das âncoras para atrair o grande público, das megalojas para dispor de operações especializadas que demandam mais espaço e das lojas satélites para os nichos e o luxo.

 

O cenário reflete o sistema capitalista, que permite dissidentes como a ABLOS. O futuro dirá se entregará o que promete.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

31 de março ou 1º de abril?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Golpe ou revolução?

 

Eis aí um fato que pode contribuir para dirimir a questão da melhor distância para analisar um acontecimento histórico, sem acentuado juízo de valor. Pelo menos para a nossa observação. Afinal, se passaram 55 anos e, universitário da PUC SP com 22 anos, vivenciei aqueles tensos momentos políticos e sociais. Como testemunha da diferença entre o início do movimento e sua continuidade entendemos o viés analítico que esta metamorfose gerou.

 

Por isso nos parece difícil para as gerações que vieram uma análise que neutralize pré-qualificação política. Principalmente porque o movimento militar foi gerado por forças políticas e sociais contrárias a um status quo beligerante e anárquico.

 

João Goulart pagava a conta de Jânio Quadros, que o mandara para a China e renunciara. Para assumir teve que enfrentar militares contra a sua posse. Ocupou a presidência através de plebiscito, anulando o parlamentarismo então criado como alternativa de poder.

 

A verdade é que a gestão de Jango foi desastrosa. Criando agressividade e emulando a luta de classes bem como acirrando um desmonte da hierarquia em todas as organizações. Principalmente nos quadros militares. A animosidade que hoje vivemos nas eleições e que até agora incita posições políticas antagônicas nada sociáveis não chega ao nível de intensidade daquele 1964.

 

Em 13 de março, João Goulart em comício na Central do Brasil, diante de 200 mil pessoas, assinou documento intitulado de Reformas de Base, que desapropriava refinarias e colocava sujeito a desapropriação terras subutilizadas para efeito de reforma agrária e urbana. Anistiou os participantes da Revolta dos Marinheiros encabeçada pelo cabo Anselmo, em flagrante provocação da hierarquia militar. Defendeu o voto dos analfabetos e da baixa hierarquia militar.

 

Em 19 de março, os conservadores e os representantes das classes empresariais e religiosas reagiram e criaram a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, liderados pelos governadores de São Paulo, Adhemar de Barros e da Guanabara, Carlos Lacerda, e pelo Presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, com a participação da União Cívica Feminina e da FIESP. Essa manifestação realizada por uma multidão de 500 mil pessoas, com forte apelo político, econômico, religioso e feminino, se alastrou pelo resto do país.

 

Acionados, portanto, pelas lideranças civis, os militares atenderam o chamamento e destituíram Goulart. Contextualizando, é possível entender o movimento militar. Mas, o poder transfigurou o movimento. O poder não foi devolvido aos civis, que foram esmagados – Lacerda, Adhemar, Magalhães, Kubitschek, etc.
O poder só voltou aos civis depois de 21 anos.

 

É possível comemorar?

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

As criações que colocaram o mundo dentro do seu bolso

 

Por Calos Magno Gibrail

 

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No dia 27 fevereiro, o inventor da primeira calculadora eletrônica faleceu aos 86 anos, em Dallas. O fato que chama a atenção é que não houve repercussão — nem nos Estados Unidos.

 

Jerry Merryman, pesquisador da Texas Instruments, recebeu, em 1965, a tarefa de diminuir o peso da menor calculadora existente que era de 20,4 kg. Em 18 meses, Merryman apresentou um artefato que cabia no bolso e pesava 1,3 kg — mantendo a tradição da Texas que tinha lançado, em 1954, o rádio transistorizado com a função de portabilidade. Já era um ensaio para o bolso com o seu Regency TR – 1. Embora a Sony afirmasse, em 1957, que o Sony TR -63 era o rádio que “vai caber no bolso de sua camisa” — acontece que o bolso da camisa da Sony era enorme.
A segunda metade do século passado dá uma ideia da velocidade da evolução da tecnologia que se iniciava. O rádio, descoberto pelo gaúcho Roberto Landell de Moura, que comprovou quando apresentou uma transmissão na Avenida Paulista, em 1893, foi vendido comercialmente por Guglielmo Marconi, em 1912. E sua evolução veio em 1954.

 

 

Felizmente para o rádio, como mídia, a portabilidade chegou num momento excepcionalmente estratégico, pois a televisão se firmava. Para os negócios, a calculadora de bolso era uma feliz alternativa aos equipamentos existentes, desde que a régua de cálculo há muito já tinha sido aposentada.

 

A realidade é que a ideia de possuir produtos que pudessem ser carregados permanentemente dava uma sensação de eficiência e conforto inigualáveis.
De outro lado, os produtos recebiam inovações em ritmo cada vez mais acentuado. E vieram os novos, já aperfeiçoados, que convergiram nos iPhones.

 

Assim, rádio, calculadora, telefone, relógio, câmera, televisão, bússola, termômetro, cabem no iPhone —  o computador de bolso.

 

Portanto, o bolso que já era tido como o órgão mais sensível do corpo humano ganhou um componente essencial e vital. E graças aos pesquisadores da Texas Instruments ao portabilizar o rádio e com o mérito de Jerry Merryman ao desenvolver a calculadora de bolso.

 

Ao lado do tributo a Merryman, fica aqui os cumprimentos ao Rádio, como equipamento e instrumento, que desponta agora como a fonte de maior credibilidade, diante de tantas FAKE NEWS.

 

Leia “Adivinha em que os brasileiros mais confiam quando querem notícia de verdade

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Esqueceram o Tênis, no Dia da Mulher

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Billie Jean venceu “Guerra dos Sexos” contra Bobby Riggs

 

O 8 de Março deste ano foi sem dúvida o Dia Internacional da Mulher em que mais se falou sobre os temas pertinentes e latentes da posição que as mulheres ocupam no mundo.

 

Estatísticas, análises e debates apresentaram de forma geral dados que comprovam a situação de inferioridade em que as mulheres ainda se encontram em relação ao homem.

 

Constata-se um avanço, embora em geral na velocidade menor do que a desejada, e despontam áreas mais carentes de atenção. Entretanto, há setores, como o tênis profissional, que podem servir de exemplo.

 

O tênis é o único esporte no mundo cujos maiores eventos pagam igual para homens e mulheres. E as mulheres ainda jogam menos. São cinco sets masculinos e três sets femininos.

 

Serena Wiliams, a estrela do tênis mundial, está entre as 100 mulheres mais poderosas do mundo no ranking da Forbes, encabeçado por Ângela Merkel, primeira ministra da Alemanha. Serena, mesmo sem jogar, por motivo da maternidade, ganhou US$ 18 milhões e foi a atleta que mais faturou no ano passado.

 

Dinheiro e poder, uma das lacunas femininas, não é problema para a tenista americana. Como personalidade, foi convidada a apresentar no Oscar “A star is born”. Certamente pela permeabilidade entre a personagem e ela. E dentro disso apresentou um discurso inspirador:

 

Mas este é o final da história. O início está com a tenista Billie Jean King.

 

Ela ganhou 27 títulos de Grand Slam –- Australia Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open. Porém, tão grande quanto os seus títulos foi o seu papel na defesa da igualdade entre mulheres e homens nas premiações do tênis profissional. Desafiou à quadra os homens e conseguiu realizar, em 1973, uma partida contra Bobby Riggs, sexista ativista e ex-número 1 do mundo. Billie ganhou de Riggs em jogo denominado como “Batalha dos Sexos”* e assistido por 90 milhões de pessoas. Após o evento que se transformou em símbolo contra o machismo, Billie fundou a WTP, entidade que passou a comandar o tênis feminino. No mesmo ano, ameaçou boicotar o US Open se a premiação não fosse igual para as mulheres e venceu mais esta batalha.

 

 

Aos 75 anos manda seu recado:

“A maioria das jogadoras não sabe nada dessa história. Não sabe como essa indústria começou, principalmente de como o tênis feminino profissional começou. Eu era uma das que queriam homens e mulheres juntos, mas eles rejeitaram. E é por isso que temos a WTA. Eu fiquei muito triste porque não pudemos fazer uma associação juntos, mas eles rejeitaram… é bom as meninas verem, elas conquistaram a igualdade de premiação nos Grand Slam. É um trabalho árduo da WTA, com diretores de torneios”

É interessante lembrar que no mesmo país de Serena e Billie, no esporte mais popular, as mulheres da WNBA ganham 100 vezes menos que os homens da NBA.

 

*O filme “Batalha dos Sexos” é baseado na história real de Billie Jean King, com Emma Stone e Steve Carell.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

A Moda e o desapego da nova geração

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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foto: Pixabay

 

Acredito que as chuvas que se apresentam em todo o país em tons mais fortes do que os habituais possam abrir um espaço maior para a questão da sustentabilidade.

 

Nesse aspecto o setor de Moda, conceitualmente e operacionalmente dentro das tendências comportamentais e mercadológicas, vem sinalizando novidades. Parece que voltamos ao passado, com um toque promissor.

 

A reutilização das roupas é uma prática antiga. Antes do consumismo, surgido na segunda metade do século passado, premidos pela escassez, o reuso e o reparo das roupas eram comuns. As roupas usadas eram até mesmo penhoradas ou serviam como moeda de troca. Na obra “O casaco de Marx: roupas, memória, dor”, Marx penhorava seu casaco e o retirava no inverno — ou quando tinha que ir à Biblioteca do Museu Britânico.

 

No século XVIII, surgiram as primeiras lojas do mercado de roupas usadas, que se estenderam à periferia das cidades no século XIX, quando até 1860, aproximadamente, ocorreram resistências ao usado, em virtude da falta de higiene. Fazendo com que se distinguisse o novo do usado, embora essa divisão não impedisse a expansão desse mercado, que só veio a perder com o surgimento da industrialização.

 

Hoje, esse mercado aluga roupas de festas e roupas de luxo.

 

De acordo com pesquisa acadêmica em Juiz de Fora* com lojas de locação de roupas de festa:

 

A motivação para o aluguel de roupas envolve a questão do preço, da exclusividade, da moda e da deterioração dos artigos novos com o tempo e que, apesar de ainda haver restrições ao aluguel, relacionadas à questão da falta de higiene e da energia negativa, trata-se de um tipo de comércio em expansão.

 

A pesquisa cita a contribuição da RIO 92 para a reutilização das roupas, quando lançou a política dos 3Rs, Reciclagem, Reutilização e Redução. Entretanto, a Moda, como a maioria, não reagiu a contento. Porém, depois de massificada, segmentada, restrita a nichos, customizada e, provavelmente, massivamente customizada, encontrará uma nova geração que tem muito a dizer e mudar — como opção de vida e como estilo de viver. Usufruir o presente e respeitar o futuro, ao preservar os recursos.  Estudos já demonstram que esses jovens preferem o Uber a ter um carro, alugar Bike a possuir uma, comprar cartões de jogos virtuais a ter os jogos. E optam por “ficar” a “namorar”.

 

A McKinsey, de acordo com artigo do Mercado & Consumo, de Luiz Alberto Marinho, prevê que o negócio de venda e aluguel de vestuário usado, baseado no Fenômeno da Posse Transitória, poderá ultrapassar o Fast Fashion.

 

É provável.

 

A Rent the Runway, de aluguel de roupas on-line, inaugurada em 2009, possui mais de 9 milhões de associados e fatura US$ 100 milhões anuais.

 

A esse cenário podemos acrescentar o sistema de prestações para adquirir o uso de roupas novas, sem a posse. Ou trocar roupas usadas por usadas, ou por novas — como a BROWNS está se preparando.

 

É bom lembrar que as mídias sociais expõem os jovens com mais frequência e aceleram o obsoletismo das roupas.

 

Para quem é da Moda que tal pegar o desapego da nova geração?

 

Boa sorte!

 

A Prática do Aluguel de Roupas – Ciro Vale IFSMG, Tania Maciel UFRJ, Claudio Cavas UFRJ

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

 

O consumidor e o bônus das inovações tecnológicas

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O varejo mundial há muito tem pesquisado, estudado e inovado sobre o atendimento ao consumidor. Com esse objetivo, criaram-se novos canais, novas formas e novos conceitos, colocando o foco essencialmente na satisfação do consumidor.

 

Do mercado de massa passamos pela segmentação, pelos nichos e chegamos à customização. E  deveremos atingir a massificação da customização, com o propósito de conquistar e fidelizar o consumidor.

 

Mas e o consumidor?
Está feliz? Está confortável?
Ou, está ameaçado na sua privacidade?

 

Para responder essas questões, buscamos a professora, consultora e escritora Regiane Relva. Foi ela quem nos instigou ao tema, após termos assistido a sua palestra sobre o Novo Varejo, em evento da ALSHOP, há uma semana.

 

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Palestra de Regiane Relva em Dubai sobre inovação no varejo

 

 

Regiane, doutora em Administração da Tecnologia da Informação pela FGV, adverte que a maioria dos consumidores não está visualizando a invasão de privacidade que as novas ferramentas tecnológicas acarretam.

 

Para comprovar essa expectativa, cita recentes visitas aos Estados Unidos e a China.

 

Em Nova York, em janeiro, a NRF testemunhou um enorme crescimento de oferta de tecnologia, a ponto de abrigar 792 expositores.

 

Se nos Estados Unidos existe o potencial de perda de privacidade, na China o controle das pessoas já é um fato.

 

O WeChat, plataforma que substitui a mídia social e demais, enviando e recebendo mensagens e pagamentos, é do governo. Além disso, há cidades com áreas totalmente cobertas por câmeras comportamentais.

 

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Ao mesmo tempo, o que se viu em Nova York, na NRF, é que as inovações chamam a atenção com aplicações em VISÃO COMPUTACIONAL e INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

 

Na Visão Computacional, o destaque fica com as câmeras de captação de comportamento, ressaltando as reações faciais e corporais.

 

Na Inteligência Artificial, aglutinam-se ícones como o Big Data; a Biometria utilizando íris, visão e voz; o RFID, que é a identificação por radiofrequência; a AIDC, que é a captura automática de dados para identificação; o Celular;e a IOT, que é a inteligência das coisas fazendo com que todos os equipamentos se comuniquem entre si.

 

Com o comportamento do consumidor previsto por este conjunto de ferramentas, as empresas que as utilizam tem conseguido fornecer uma experiência de compra diferenciada.

 

Entretanto, a professora Regiane manda um recado:

adiante deste bônus há ônus, sobretudo na privacidade das pessoas.

 

E faz um convite:

Aula inaugural, em 9 de março, do MBA em Gestão e Inovação em Cidades Inteligentes, como Coordenadora do Smart Campus Facens, em Sorocaba — trabalho no qual recebeu, em 2017, o Prêmio Smart City UK London.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Truman Capote e o propósito do varejo

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Cena do filme Breakfast at Tiffany’s (Bonequinha de luxo)

 

Em pauta, ainda com as lições emitidas na NRF Big Show 2019, um dos temas mais recorrentes foi a questão do propósito do varejo físico, embalado pela pesquisa da WD Partners, apresentada por Lee Peterson, que demonstrou que 30% dos clientes não querem mais ir a unidades físicas. E os que ainda desejam exigem algo além da compra de produtos.

 

O propósito na verdade deve ser decomposto em dois segmentos. Um, de ordem material e outro de aspecto conceitual.

 

A propósito, nesse contexto, é preciso lembrar de Truman Capote com seu icônico livro Breakfast at Tiffany’s*, lançado em 1958 e adaptado ao cinema em 1961. Livro e filmes tornaram-se marcos literários e cinematográficos. Dois Oscar e cinco Grammy.

 

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Blue Box Cafe, em Nova York (Imagem do site da Tiffany)

 

A Tiffany da quinta avenida, que já era reconhecida, tornou-se definitivamente um endereço emblemático de Nova York — mesmo sem aproveitar a dica para fazer um café da manhã na loja, embora o sentido fosse metafórico. A personagem visitava as vitrines toda manhã em busca da imagem de riqueza e beleza que nutria pela exposição. A verdade é que foi oportunidade perdida, tendo em vista o histórico que indica as solicitações de clientes para marcar breakfast na loja.

 

A mesma Tiffany  & CO, que não usufruiu no passado com o insight de Capote, agora surge com o BLUE BOX CAFÉ e aparece como exemplo de ação para fazer com que os consumidores procurem o seu espaço físico.

 

Dentro desse novo conceito, conhecido por varejo MULTIPROPÓSITO,  surge também a Starbucks com a RESERVE ROASTERY, com um cardápio variado e uma extraordinária viagem pelo mundo do café — que já conta com lojas em Nova York, Seattle, Milão e Xangai. Muito além do tradicional existente.

 

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Reserve Roastery, em Seattle (foto do site Starbucks)

 

O segundo segmento do propósito, deve-se ao sentido social e ecológico. Boa parte das apresentações do tema se referiram a missão e valores das empresas.

 

Convenhamos, que nada mal para um setor que emprega intensivamente, serve a multidões e economicamente é um dos principais setores do PIB dos países.

 

Salve o varejo multipropósito!

 

Em tempo: *Breakfast at Tiffany’s foi traduzido por Bonequinha de Luxo; e o filme está no Telecine.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung