A Moda e o desapego da nova geração

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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foto: Pixabay

 

Acredito que as chuvas que se apresentam em todo o país em tons mais fortes do que os habituais possam abrir um espaço maior para a questão da sustentabilidade.

 

Nesse aspecto o setor de Moda, conceitualmente e operacionalmente dentro das tendências comportamentais e mercadológicas, vem sinalizando novidades. Parece que voltamos ao passado, com um toque promissor.

 

A reutilização das roupas é uma prática antiga. Antes do consumismo, surgido na segunda metade do século passado, premidos pela escassez, o reuso e o reparo das roupas eram comuns. As roupas usadas eram até mesmo penhoradas ou serviam como moeda de troca. Na obra “O casaco de Marx: roupas, memória, dor”, Marx penhorava seu casaco e o retirava no inverno — ou quando tinha que ir à Biblioteca do Museu Britânico.

 

No século XVIII, surgiram as primeiras lojas do mercado de roupas usadas, que se estenderam à periferia das cidades no século XIX, quando até 1860, aproximadamente, ocorreram resistências ao usado, em virtude da falta de higiene. Fazendo com que se distinguisse o novo do usado, embora essa divisão não impedisse a expansão desse mercado, que só veio a perder com o surgimento da industrialização.

 

Hoje, esse mercado aluga roupas de festas e roupas de luxo.

 

De acordo com pesquisa acadêmica em Juiz de Fora* com lojas de locação de roupas de festa:

 

A motivação para o aluguel de roupas envolve a questão do preço, da exclusividade, da moda e da deterioração dos artigos novos com o tempo e que, apesar de ainda haver restrições ao aluguel, relacionadas à questão da falta de higiene e da energia negativa, trata-se de um tipo de comércio em expansão.

 

A pesquisa cita a contribuição da RIO 92 para a reutilização das roupas, quando lançou a política dos 3Rs, Reciclagem, Reutilização e Redução. Entretanto, a Moda, como a maioria, não reagiu a contento. Porém, depois de massificada, segmentada, restrita a nichos, customizada e, provavelmente, massivamente customizada, encontrará uma nova geração que tem muito a dizer e mudar — como opção de vida e como estilo de viver. Usufruir o presente e respeitar o futuro, ao preservar os recursos.  Estudos já demonstram que esses jovens preferem o Uber a ter um carro, alugar Bike a possuir uma, comprar cartões de jogos virtuais a ter os jogos. E optam por “ficar” a “namorar”.

 

A McKinsey, de acordo com artigo do Mercado & Consumo, de Luiz Alberto Marinho, prevê que o negócio de venda e aluguel de vestuário usado, baseado no Fenômeno da Posse Transitória, poderá ultrapassar o Fast Fashion.

 

É provável.

 

A Rent the Runway, de aluguel de roupas on-line, inaugurada em 2009, possui mais de 9 milhões de associados e fatura US$ 100 milhões anuais.

 

A esse cenário podemos acrescentar o sistema de prestações para adquirir o uso de roupas novas, sem a posse. Ou trocar roupas usadas por usadas, ou por novas — como a BROWNS está se preparando.

 

É bom lembrar que as mídias sociais expõem os jovens com mais frequência e aceleram o obsoletismo das roupas.

 

Para quem é da Moda que tal pegar o desapego da nova geração?

 

Boa sorte!

 

A Prática do Aluguel de Roupas – Ciro Vale IFSMG, Tania Maciel UFRJ, Claudio Cavas UFRJ

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

 

O consumidor e o bônus das inovações tecnológicas

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O varejo mundial há muito tem pesquisado, estudado e inovado sobre o atendimento ao consumidor. Com esse objetivo, criaram-se novos canais, novas formas e novos conceitos, colocando o foco essencialmente na satisfação do consumidor.

 

Do mercado de massa passamos pela segmentação, pelos nichos e chegamos à customização. E  deveremos atingir a massificação da customização, com o propósito de conquistar e fidelizar o consumidor.

 

Mas e o consumidor?
Está feliz? Está confortável?
Ou, está ameaçado na sua privacidade?

 

Para responder essas questões, buscamos a professora, consultora e escritora Regiane Relva. Foi ela quem nos instigou ao tema, após termos assistido a sua palestra sobre o Novo Varejo, em evento da ALSHOP, há uma semana.

 

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Palestra de Regiane Relva em Dubai sobre inovação no varejo

 

 

Regiane, doutora em Administração da Tecnologia da Informação pela FGV, adverte que a maioria dos consumidores não está visualizando a invasão de privacidade que as novas ferramentas tecnológicas acarretam.

 

Para comprovar essa expectativa, cita recentes visitas aos Estados Unidos e a China.

 

Em Nova York, em janeiro, a NRF testemunhou um enorme crescimento de oferta de tecnologia, a ponto de abrigar 792 expositores.

 

Se nos Estados Unidos existe o potencial de perda de privacidade, na China o controle das pessoas já é um fato.

 

O WeChat, plataforma que substitui a mídia social e demais, enviando e recebendo mensagens e pagamentos, é do governo. Além disso, há cidades com áreas totalmente cobertas por câmeras comportamentais.

 

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Ao mesmo tempo, o que se viu em Nova York, na NRF, é que as inovações chamam a atenção com aplicações em VISÃO COMPUTACIONAL e INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

 

Na Visão Computacional, o destaque fica com as câmeras de captação de comportamento, ressaltando as reações faciais e corporais.

 

Na Inteligência Artificial, aglutinam-se ícones como o Big Data; a Biometria utilizando íris, visão e voz; o RFID, que é a identificação por radiofrequência; a AIDC, que é a captura automática de dados para identificação; o Celular;e a IOT, que é a inteligência das coisas fazendo com que todos os equipamentos se comuniquem entre si.

 

Com o comportamento do consumidor previsto por este conjunto de ferramentas, as empresas que as utilizam tem conseguido fornecer uma experiência de compra diferenciada.

 

Entretanto, a professora Regiane manda um recado:

adiante deste bônus há ônus, sobretudo na privacidade das pessoas.

 

E faz um convite:

Aula inaugural, em 9 de março, do MBA em Gestão e Inovação em Cidades Inteligentes, como Coordenadora do Smart Campus Facens, em Sorocaba — trabalho no qual recebeu, em 2017, o Prêmio Smart City UK London.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Truman Capote e o propósito do varejo

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Cena do filme Breakfast at Tiffany’s (Bonequinha de luxo)

 

Em pauta, ainda com as lições emitidas na NRF Big Show 2019, um dos temas mais recorrentes foi a questão do propósito do varejo físico, embalado pela pesquisa da WD Partners, apresentada por Lee Peterson, que demonstrou que 30% dos clientes não querem mais ir a unidades físicas. E os que ainda desejam exigem algo além da compra de produtos.

 

O propósito na verdade deve ser decomposto em dois segmentos. Um, de ordem material e outro de aspecto conceitual.

 

A propósito, nesse contexto, é preciso lembrar de Truman Capote com seu icônico livro Breakfast at Tiffany’s*, lançado em 1958 e adaptado ao cinema em 1961. Livro e filmes tornaram-se marcos literários e cinematográficos. Dois Oscar e cinco Grammy.

 

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Blue Box Cafe, em Nova York (Imagem do site da Tiffany)

 

A Tiffany da quinta avenida, que já era reconhecida, tornou-se definitivamente um endereço emblemático de Nova York — mesmo sem aproveitar a dica para fazer um café da manhã na loja, embora o sentido fosse metafórico. A personagem visitava as vitrines toda manhã em busca da imagem de riqueza e beleza que nutria pela exposição. A verdade é que foi oportunidade perdida, tendo em vista o histórico que indica as solicitações de clientes para marcar breakfast na loja.

 

A mesma Tiffany  & CO, que não usufruiu no passado com o insight de Capote, agora surge com o BLUE BOX CAFÉ e aparece como exemplo de ação para fazer com que os consumidores procurem o seu espaço físico.

 

Dentro desse novo conceito, conhecido por varejo MULTIPROPÓSITO,  surge também a Starbucks com a RESERVE ROASTERY, com um cardápio variado e uma extraordinária viagem pelo mundo do café — que já conta com lojas em Nova York, Seattle, Milão e Xangai. Muito além do tradicional existente.

 

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Reserve Roastery, em Seattle (foto do site Starbucks)

 

O segundo segmento do propósito, deve-se ao sentido social e ecológico. Boa parte das apresentações do tema se referiram a missão e valores das empresas.

 

Convenhamos, que nada mal para um setor que emprega intensivamente, serve a multidões e economicamente é um dos principais setores do PIB dos países.

 

Salve o varejo multipropósito!

 

Em tempo: *Breakfast at Tiffany’s foi traduzido por Bonequinha de Luxo; e o filme está no Telecine.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

 

Os robôs vêm aí. E daí?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Estudos da Universidade de Brasília relatam que em sete anos podemos ter mais da metade dos empregos formais executados por robôs ou sistemas inteligentes. A pesquisa realizada pelo Laboratório de Aprendizado de Máquina em Finanças e Organização da UnB concluiu que 57% dos brasileiros (25 milhões) exercem funções com probabilidade muito alta ou alta de serem substituídos pela tecnologia. Por exemplo, cobradores de transportes coletivos, recepcionistas de hotel e taquígrafos. Enquanto que as profissões como analistas de computação, engenheiro de sistemas operacionais e psicanalistas estão fora da automação.

 

Convenhamos que esse cenário é antes de tudo estimulante. Afinal, a priori, a tecnologia e o homem estarão sempre em evidencia.

 

Com o intuito de identificar o que ocorre em um dos mercados mais próximos de substituição do trabalho humano pela tecnologia — que é o atendimento on line — fomos verificar como o maior player de plataforma de atendimento ao Consumidor, a Hi Platform, está operando.

 

Em 2012, pioneiramente, através de Alexandre Bernardoni, seu fundador, a Hi Platform começou a comercializar chatbots*, procurando substituir o trabalho humano nos SAC. Essa atividade hoje é desenvolvida por conteudistas que precisam ter conhecimento de linguística, de comunicação e de ciências humanas. Segundo Fábio Miranda, o diretor que nos atendeu, a tarefa inicial é identificar os problemas em escala e as soluções em escala — separando-as e aglutinando-as de forma a poder deixar de utilizar nesses casos o atendimento humano.

 

Há trabalhos realizados em call center nos quais se identificou, inicialmente, que 50% das solicitações poderiam ser atendidas por máquina, resultando eliminação significativa de posições. Com o progresso do trabalho dos gestores de conteúdo, pode-se chegar a fortes reduções. Entretanto, Miranda ressaltou que, ao mesmo tempo, o conteudista percebe quando é extremamente importante passar ao atendimento humano.

 

Dentre os 900 clientes atendidos pela Hi Platform, a Netshoes resolve pelo Hi Bot 51 mil dos 100 mil atendimentos mensais que trafegam pelo robô; a SKY, com 300 mil atendimentos mensais que trafegam pelo bot, tem 29% do SAC resolvido exclusivamente pelo assistente virtual. A Passarela, terceiro maior e-commerce de moda, em um ano passou para o robô 40% dos atendimentos.

 

 

A Hi Platform com o foco em bots de atendimento — para liberar o telefone e o chat humano; em vendas, agindo em demanda latente; e com motor próprio de processamento de linguagem natural que opera em três línguas — é um fornecedor natural ao varejo omnichannel. E a grandes demandas específicas de vendas e atendimento, capacitada inclusive em evitar congestionamentos como Black Friday, etc.

 

As posições perdidas nos call centers estão sendo substituídas por funções mais qualificadas como as de gestão de conteúdo. Ao mesmo tempo, aos que fecharam, surgiram empresas como a Hi Platform, com 160 funcionários dos quais 14 conteudistas e 30 desenvolvedores. Os demais, em atividades de marketing e administração.

 

A previsão da chegada dos robôs deve ser considerada com a cautela histórica da inutilidade do estudo da melhoria da iluminação a gás quando surgiu a invenção de Thomas Edison com a energia elétrica. E com a certeza de que a tecnologia e as ciências humanas serão sempre necessárias.

 

Que sejam bem-vindos os robôs!

 

*Chatbot é um programa de computador que tenta simular um ser humano na conversação com as pessoas. O objetivo é responder as perguntas de tal forma que as pessoas tenham a impressão de estar conversando com outra pessoa e não com um programa de computador.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

O Novo Varejo e as lições ditadas por especialistas (e outros nem tanto)

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

No início desta década era comum ouvir de frequentadores da NRF que não havia necessidade de acompanhar o evento todos os anos, pois as repetições eram evidentes e as mudanças no varejo não apareciam a cada edição anual.

 

 

Há aproximadamente cinco anos, este panorama mudou. As novidades surgiam.

 

Houve a morte do varejo físico; o nascimento definitivo do varejo virtual; o avanço de novas ferramentas de análise; o descobrimento do varejo físico pelos gigantes virtuais; a retomada do varejo físico; para este ano, surgir sobremaneira o Novo Varejo – é nome criado por Jack Ma, fundador do Alibaba.

 

Esse Novo Varejo não significa apenas a utilização da tecnologia, mas sobretudo sua aplicação dirigida a uma melhora operacional, focada na combinação dos recursos, com o objetivo da eficiência no atendimento ao consumidor. Sortimento de produtos, facilidade de pagamento, rapidez nos processos, são pontos prioritários em uma cadeia de valor única.

 

Inovações que surpreendem como a passagem do PDV para o PDX — onde o ponto de venda se transforma em ponto de tudo. Farmácias que aplicam medicamentos, emitem receitas. Ou óticas que atendem pacientes. Lojas que acentuam a IoT — a Internet das Coisas.

 

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Foto divulgação da Nike House of Innovation

 

A Nike House of Innovation, em New York, tem sido o exemplo preferido dos especialistas para identificar o Novo Varejo.

 

Como observador deste novo mundo do varejo, dois aspectos em momentos distintos sempre me chamaram a atenção.

 

No início do processo de e-commerce os pioneiros adentravam em operações solo. O que era incongruente, pois o Market Place seria fundamental. A prática obrigou a formação aglutinadora e hoje a pretensão de sucesso isolado é claramente refutada.

 

De outro lado, a logística de distribuição concentrada apenas em local único, não deveria ser uma verdade absoluta. Pois para operadores que possuíssem cadeias de lojas físicas a entrega poderia ser feita pelas lojas mais próximas do pedido a ser atendido. O sistema ganharia em rapidez e em custo de transporte e estocagem. Essa é uma questão que começa a ser desenvolvida e experimentada.

 

A  americana Target, por exemplo, de cada quatro entregas, três são realizadas por uma das 1800 lojas que foram preparadas também para atender o e-commerce.

 

Miopias do presente para gigantes da visão do futuro.

 

Leia também “Depois da NRF 2019, saiba quais são os temas que vão transformar o varejo”

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Depois da NRF 2019, saiba quais são os temas que vão transformar o varejo

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Loja automatizada do reabastecimento à finalização da compra é apresentada na NRF 2019

 

Eugenio Foganholo, da MIXXER Desenvolvimento Empresarial, no seu 23º ano seguido de NRF, atendendo nossa solicitação, apresentou os pontos mais presentes e significativos do National Retail Federation Big Show 2019, maior evento mundial de varejo, realizado em Nova York:

 

– Omnichannel com destaque para o click&collect, compra on line e retirada na loja física;
– Big data e Inteligência artificial para identificar clientes e seu estilo& desejos.

Ao mesmo tempo, Foganholo identificou a irrelevância dos temas inerentes ao Governo. Nenhuma abordagem nele, o que o leva a concluir que não se perde tempo em temas nos quais não se possa influenciar.

 

Marcos Gouvêa de Souza da MS&Malls na sua 35ª NRF destacou:

 

– Os Estados Unido começam a perceber a disrupção que vem da China;
– A tecnologia para servir e diferenciar e até para controlar e processar;
– O PDV Ponto de Venda dá lugar ao PDX Ponto de Tudo;
– Inovação, Velocidade e Gente, sempre;
– Além da transformação do Varejo. Realidade Virtual, Realidade Aumentada, Reconhecimento Facial e Íris, Inteligência Artificial e a Voz reconfigurarão o Mercado;
– A visão macro do mercado. De exuberante à preocupante, na dose certa;
– A voz é o próximo movimento a falar mais alto;
– Causa e Propósito continuadamente redefinidos e valorizados.

 

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“Quando você coloca mulheres em qualquer equação, há um retorno sobre a igualdade”

 

 

Dentre a grande quantidade de notícias disponíveis na mídia sobre a NRF deste ano, destacamos também alguns pontos.

 

Pela primeira vez se abriu um espaço exclusivo para as mulheres, The Girl’s Lounge — sede de discussões sobre tópicos na intersecção de varejo, gênero e tecnologia.

 

A Forrester Research através de Sucharita Kodali apresentou o “Estado de Inovação do Varejo 2019” e expôs as áreas que deverão receber os maiores investimentos:

 

– Personalização da compra e a privacidade dos dados;
– Celular é ferramenta para aprimorar a experiência de compra;
– Não ignore a inovação omnichannel;

 

Jeremy King da Walmart, expôs os avanços daquela que é a terceira empresa do mundo em investimento na área de tecnologia e a primeira do varejo dentre as dez primeiras:

 

“O cliente pode receber em casa tudo o que compra no Walmart, retirar em qualquer loja as compras feitas online e, em um futuro próximo, será possível ter uma geladeira que avisa à rede quando um produto acabou e, com a sua autorização, um funcionário entra na casa e coloca o item na geladeira”.

 

O futuro chegará com releitura do passado.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

O desafio do novo mundo que os brasileiros encontrarão na NRF 2019

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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As delegações brasileiras sempre foram destaque no maior evento mundial de varejo — a NRF Retail’s Big Show. A National Retail Federation Big Show 2019, que ocorrerá de 13 a 15 deste mês, em Nova York, vai propiciar, além das costumeiras novidades para o setor, tendências que poderão chocar o momento desses empresários e agentes do varejo nacional.

 

De acordo com os insights demonstrados nas prévias dos temas a serem apresentados, tópicos de cunho ambientalista, inclusivo, colaborativo, globalizante e de diversidade, que estavam nos esforços periféricos das empresas, passam agora ao centro das atenções.

 

É a questão de GENTE, que fica como parte principal da força transformadora que estará por vir.

 

Como sabemos, o momento em que o Brasil vive espelha uma outra conotação, em que a globalização, o ambientalismo, a diversidade não são pautas prioritárias.

 

Ao mesmo tempo, o grupo brasileiro composto por empresários, executivos e demais agentes de primeira linha do setor de varejo, em sua maioria, pertence aos que apoiaram e votaram no pessoal que ocupa o poder hoje — as reações do mercado financeiro ao crescimento da candidatura de Bolsonaro retrataram a preferência da classe dominante. E esse grupo pertence a ela.

 

Tal cenário merece ser acompanhado para verificar se efetivamente a ênfase nos aspectos propostos será confirmada e qual será a absorção pelo contingente brasileiro.

 

Hoje, ninguém desconsidera o fato de as empresas serem organismos vivos, que necessitam manter relação de troca de energia com o meio ambiente. Dessa forma, será que teremos empresários com suas lojas apoiando a diversidade, a inclusão e o ambientalismo apenas comercialmente — e pessoalmente serem contra? Ou vão encarar a concorrência em benefício da ideologia própria?

 

O fenômeno Trump pode ter gerado para o varejo americano a pauta acentuada na globalização, diversidade, etc. Mas, e o Fenômeno Bolsonaro?

 

Aguardemos.

 

Carlos Magno Gibrail, consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

A pressa ainda é inimiga da perfeição?

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

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Poucos se importaram com a pressa com que as árvores foram cortadas ….

 

Aparentemente, a pressa nas cerimonias oficiais de posse do governador eleito de São Paulo não afetou as solenidades. Tanto na Assembleia Legislativa, no Ibirapuera, como no Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi. Entretanto, se no aspecto operacional e protocolar não houve falhas, há uma tônica de velocidade e mudanças a ser considerada, como característica da personalidade de João Doria.

 

Na campanha à Prefeitura, garantiu que cumpriria o mandato e a sua administração não imprimiria o estilo do político, mas, de gestor. Em 15 meses, descumpriu o prazo e o estilo. Adotou a dinâmica convencional do político e se candidatou ao governo do Estado de São Paulo.

 

Ao ganhar a eleição, teve o aval dos eleitores, que tecnicamente aprovaram a transformação. Daí a decisão de dar prioridade a ida à posse do novo presidente, estar de acordo com o perfil estabelecido e aprovado — e nada mais a declarar: é um político e vitorioso.

 

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… até o fogo aparecer e os Bombeiros, apressados, surgirem para acabar com o incêndio.

 

A não ser um pequeno episódio na quadra da “Revolta dos Eucaliptos”, distante 200m do Palácio. Na antevéspera da posse, o corte de árvores avançou até a noite e também na calçada, onde deixaram troncos e galhos — ao mesmo tempo em que repórteres mostravam os preparativos, sem nenhum deles ter percebido o trecho com o impedimento da calçada. As reportagens envolviam apenas o Palácio, sem o entorno. Talvez por pressa.

 

Na véspera, começou um incêndio no mato deixado impunemente pela empresa executora do corte de árvores e o Corpo de Bombeiros teve que intervir. No local, os bombeiros me informaram que o chamado de socorro foi feito pelos moradores.

 

O pessoal do Palácio ignora o entorno. Talvez por pressa em executar as tarefas internas.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Um minuto de silêncio e o barulho autofágico

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O silêncio, assim como um som de qualidade, é uma situação altamente apreciável e prazeirosa. É, sem dúvida, o cenário recomendável para uma vida confortável e saudável — e propício até para o seu prolongamento. Seu oposto, ou seja, o barulho, pode tornar a existência conturbada. Além do que, a concentração, elemento fundamental na realização de importantes tarefas mentais e físicas, necessita essencialmente do silêncio.

 

O artigo “Um minuto de silêncio” de Mílton Jung, aborda de forma descontraída, a difícil busca pelo silêncio e a sua luta para encontrar um momento real sem interferência de som. Por coincidência, eis que, ao ler a mensagem de Mílton, estou encurralado com o pior som nesta São Paulo, deste Brasil, outrora chamado de Terra do Pau Brasil: o som de serra elétrica cortando árvores.

 

Há três dias, com intervalo no Natal, na mesma área geográfica da “Revolta dos Eucaliptos”, eis que em dois lotes — 121/122, quadras 168 CEP 047703-004 — na Av. Morumbi, serras elétricas agem com o objetivo de derrubar todas as árvores do terreno. Defronte da ex-mansão de Baby Pignatari, onde ficou com a Princesa Ira de Fürstenberg, e a uma quadra do Palácio dos Bandeirantes.

 

Por infelicidade, dois ícones que correm riscos. O terreno da ex-mansão, feericamente arborizado está a venda. O Palácio dos Bandeirantes, inserido em belo espaço verde, de tempos em tempos enfrenta governadores que não querem viver ali ou que desejam mudar a sede do governo.

 

Voltando ao som das motos serras, já foram derrubadas aproximadamente 50 árvores cujo terreno ostenta placa autorizando ação da empresa “Everaldo Andrade Freire Poda de Árvores ME” pelo TAC 247/2018.

 

Insuflado pelo agressivo som do corte de árvores, não é difícil pensar imediatamente no conflito entre o meio ambiente e a ocupação adensada do solo. Enquanto o mais equilibrado seria o racional, respeitando os limites de cada posição, o incongruente protagoniza o conflito. Nesse caso, por exemplo, o interesse daqueles que virão a ocupar este terreno certamente foi despertado pelo verde que o bairro do Morumbi ainda oferece. E a primeira coisa que faz ao chegar é derrubar todas as árvores.

 

É um sistema autofágico. Assim como todas a ações que levam às motos serras. A ponto de, no futuro, atraírem sons muito piores que aqueles que emitem. Pois, se continuarem neste ritmo e nesta expansão por todo o país, teremos em breve no Brasil os sons de tornados e maremotos, atraídos pelas acentuações climáticas.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

A previsão de Andy Warhol e o prazo de validade para as roupas

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

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A sugestão de Andy Warhol, artista plástico contemporâneo, de estabelecer prazo de validade para as roupa tem agora a probabilidade de tomar corpo. Em breve, uma grife masculina de São Paulo lançará um sistema de troca dos costumes velhos por novos — mediante pontuação, a critério da qualidade e do estado da roupa usada.

 

O homem, diferentemente da mulher, não tem acompanhado a velocidade da moda. Basta um olhar na sua maneira de vestir para constatar a desatualização dos trajes usados. Até mesmo nos trajes tradicionais, como os costumes, daqueles que atuam em setores da mídia, e, portanto, próximos das informações, há carência de expertise no vestir. Ombreiras enormes, mangas largas, lapelas exageradas, calças com pregas acentuadas, são vistas cotidianamente nas telas.

 

Se a falta é de informação, orientação ou estímulo, o grupo de empreendedores vindo da área tecnológica da informação, que assumiu a direção da tradicional marca paulistana dos Jardins, que lançará a novidade, aposta na premissa de Warhol.

 

Transformar a antiga e aristocrática BROWNS alfaiataria, que vende produtos de qualidade, em uma nova BROWNS, que mira seu desempenho nos serviços, é o desafio da nova geração binária com foco unitário, em cada consumidor, para atender da forma que ele demandar.

 

Andy Warhol como profeta já emplacou os “quinze minutos de fama” ao prever a dança dos famosos que vivenciamos: “In the future, everyone will be famous for fifteen minutes”. Quem sabe a BROWNS não dá uma ajuda para concretizar a outra observação de Warhol sobre a validade das roupas?

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung