Um minuto de silêncio e o barulho autofágico

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O silêncio, assim como um som de qualidade, é uma situação altamente apreciável e prazeirosa. É, sem dúvida, o cenário recomendável para uma vida confortável e saudável — e propício até para o seu prolongamento. Seu oposto, ou seja, o barulho, pode tornar a existência conturbada. Além do que, a concentração, elemento fundamental na realização de importantes tarefas mentais e físicas, necessita essencialmente do silêncio.

 

O artigo “Um minuto de silêncio” de Mílton Jung, aborda de forma descontraída, a difícil busca pelo silêncio e a sua luta para encontrar um momento real sem interferência de som. Por coincidência, eis que, ao ler a mensagem de Mílton, estou encurralado com o pior som nesta São Paulo, deste Brasil, outrora chamado de Terra do Pau Brasil: o som de serra elétrica cortando árvores.

 

Há três dias, com intervalo no Natal, na mesma área geográfica da “Revolta dos Eucaliptos”, eis que em dois lotes — 121/122, quadras 168 CEP 047703-004 — na Av. Morumbi, serras elétricas agem com o objetivo de derrubar todas as árvores do terreno. Defronte da ex-mansão de Baby Pignatari, onde ficou com a Princesa Ira de Fürstenberg, e a uma quadra do Palácio dos Bandeirantes.

 

Por infelicidade, dois ícones que correm riscos. O terreno da ex-mansão, feericamente arborizado está a venda. O Palácio dos Bandeirantes, inserido em belo espaço verde, de tempos em tempos enfrenta governadores que não querem viver ali ou que desejam mudar a sede do governo.

 

Voltando ao som das motos serras, já foram derrubadas aproximadamente 50 árvores cujo terreno ostenta placa autorizando ação da empresa “Everaldo Andrade Freire Poda de Árvores ME” pelo TAC 247/2018.

 

Insuflado pelo agressivo som do corte de árvores, não é difícil pensar imediatamente no conflito entre o meio ambiente e a ocupação adensada do solo. Enquanto o mais equilibrado seria o racional, respeitando os limites de cada posição, o incongruente protagoniza o conflito. Nesse caso, por exemplo, o interesse daqueles que virão a ocupar este terreno certamente foi despertado pelo verde que o bairro do Morumbi ainda oferece. E a primeira coisa que faz ao chegar é derrubar todas as árvores.

 

É um sistema autofágico. Assim como todas a ações que levam às motos serras. A ponto de, no futuro, atraírem sons muito piores que aqueles que emitem. Pois, se continuarem neste ritmo e nesta expansão por todo o país, teremos em breve no Brasil os sons de tornados e maremotos, atraídos pelas acentuações climáticas.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

A previsão de Andy Warhol e o prazo de validade para as roupas

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

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A sugestão de Andy Warhol, artista plástico contemporâneo, de estabelecer prazo de validade para as roupa tem agora a probabilidade de tomar corpo. Em breve, uma grife masculina de São Paulo lançará um sistema de troca dos costumes velhos por novos — mediante pontuação, a critério da qualidade e do estado da roupa usada.

 

O homem, diferentemente da mulher, não tem acompanhado a velocidade da moda. Basta um olhar na sua maneira de vestir para constatar a desatualização dos trajes usados. Até mesmo nos trajes tradicionais, como os costumes, daqueles que atuam em setores da mídia, e, portanto, próximos das informações, há carência de expertise no vestir. Ombreiras enormes, mangas largas, lapelas exageradas, calças com pregas acentuadas, são vistas cotidianamente nas telas.

 

Se a falta é de informação, orientação ou estímulo, o grupo de empreendedores vindo da área tecnológica da informação, que assumiu a direção da tradicional marca paulistana dos Jardins, que lançará a novidade, aposta na premissa de Warhol.

 

Transformar a antiga e aristocrática BROWNS alfaiataria, que vende produtos de qualidade, em uma nova BROWNS, que mira seu desempenho nos serviços, é o desafio da nova geração binária com foco unitário, em cada consumidor, para atender da forma que ele demandar.

 

Andy Warhol como profeta já emplacou os “quinze minutos de fama” ao prever a dança dos famosos que vivenciamos: “In the future, everyone will be famous for fifteen minutes”. Quem sabe a BROWNS não dá uma ajuda para concretizar a outra observação de Warhol sobre a validade das roupas?

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung
 

Saiba qual é a previsão dos “astros” para as vendas de Natal

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Os economistas afirmam que a Economia é influenciada pelas expectativas. Pois, os agentes econômicos agem em função do futuro que preveem.

 

O Varejo brasileiro, que é um setor com um importante papel dentro da Economia, tem a previsão das vendas como a sua ferramenta mais estratégica. De forma que as suas expectativas precisam estar balizadas em sólidos indícios. E tais exigências se qualificam no Natal, quando se sabe que é a data mais importante do calendário anual de vendas para a maioria dos lojistas. Normalmente, o resultado obtido no Natal pode influenciar o desempenho do ano.

 

Cabe então preparar o Marketing Mix, ou seja, os Ps – produto, ponto, preço, pessoal, propaganda, processos, physical exp. dentro das técnicas tangíveis e submetê-las as intangíveis expectativas.

 

Diante dessas atribuições fomos buscar as premissas que nortearam as previsões de algumas entidades do setor para este Natal.

 

Pela CNC — Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, o volume de vendas deverá crescer 2,8%, e deverão ser contratados 124 mil trabalhadores temporários. Esse cálculo foi baseado na menor pressão inflacionária, na queda dos juros, na melhora do mercado de trabalho e no aumento das vendas. Os segmentos de supermercados, e de vestuário e calçados devem responder por 75% deste volume (Fonte: Governo do Brasil, com informações da CNC)

 

A FecomercioSP prevê um crescimento de 5% nas vendas de Natal, em São Paulo, com montante equivalente de R$ 70 bilhões, tornando-se o melhor dezembro desde 2008. Em função da melhoria dos principais indicadores ligados a renda, inflação e crédito. E, também, da maior quantidade de dinheiro do 13º salário, cujo acréscimo foi de 2,2% em termos reais, além da entrada de um novo governo.

 

Para a ABRASCE — Associação brasileira de Shopping Centers as vendas deste Natal deverão subir 8%. Fundamentalmente, pelos esforços na diversificação da atuação e da utilização da multicanalidade, possibilitando maior aproximação com os clientes. A ABRASCE destaca as categorias mais procuradas atualmente como vestuário, brinquedos, calçados, telefonia e perfumaria. Gerando um valor médio de venda entre R$ 200,00 e R$ 300,00 (Fonte: Reuters)

 

A ALSHOP — Associação de Lojistas de Shopping Centers, através de seu Diretor Luís Augusto Ildefonso da Silva, informou que devido ao ritmo ainda lento das vendas, não achou conveniente formular neste momento o parâmetro ideal para projetar as vendas de Natal.

 

Tudo indica que a concentração dos últimos dias de compras mais uma vez se acentuará, e exigirá uma expertise extra do setor para assimilar o congestionamento.

 

Boas compras e boas vendas a todos!

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

 

Destaques do varejo na experiência do omnichannel

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O trabalho anual do Grupo GS&Gouvêa de Souza com o Ebeltoft Group conectando empresas de varejo de 21 países, na busca das últimas tendências e inovações, traz significativos casos de omniexperiência.

 

A propósito, o caso mais emblemático é a OMNISTORY —  uma loja do próprio Grupo GS, que completou, em agosto, um ano e cujo objetivo é acompanhar os consumidores Millennials. A busca de vida saudável dá as coordenadas para a curadoria dos produtos, que mudam permanentemente. Começou com saúde, beleza e bem-estar. A loja é baseada em Tecnologia, Pessoas, Ativação Digital, Mensuração de Resultados, Sustentabilidade e Ambientação. E, é um laboratório que disponibiliza:

 

• digital signage

• facial recognition

• RFID smart labels

• mobile check-outs

• VR experience

• pick-up in store

• click & collect

• vending machines and lockers.

 

A multicanalidade disponibiliza inclusive máquinas de vendas distribuídas em vários pontos da cidade. A localização da OMNISTORY no Shopping Villa Lobos é parte do conceito do projeto, ao estar no entorno do Parque Villa Lobos.

 

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PIER X, localizada em Porto Alegre, no Shopping Iguatemi, ultrapassa o convencional conceito de loja. É um espaço de múltiplos propósitos cuja experiência de compra é facilitada pela tecnologia e multiplicada pela variedade de produtos e serviços. Escolhidos por curadores específicos, formam um Marketplace promovendo a saúde e a sustentabilidade. A Píer X inova também na forma de pagamento, que é feito através de um app system, de forma que o cliente compra sem usar dinheiro ou cartão de crédito. Escaneia a etiqueta. Além das 17 marcas presentes ainda há a Garagem do Bem, que promove o desapego. Guitarras, violões, pranchas, skates podem ser doados e o dinheiro arrecadado é encaminhado a entidades beneficentes.

 

A AMARO foi a primeira marca no Brasil a convencer os Shopping Centers e as consumidoras que poderiam comprar no espaço físico sem levar o produto.
Hoje é uma marca de moda reconhecidamente importante em seu segmento, pela moda que apresenta e pela tecnologia que utiliza. Disponibilizando lojas físicas, aplicativos e e-commerce.

 

Em janeiro deste ano, o PONTO FRIO lançou uma loja de 170m2 para testar várias tecnologias como click & collect, face recognition e full analytics possíveis, VR, multi-skill team, diversas experiências para o consumidor e amostras de mais de 1,5 milhão de SKUs.

 

Completam o estudo sobre o omnichannel as marcas IKEA Espanha, EVERTOYS Romênia, TOM FORD BEAUTY Reino Unido, BRANDLESS Estados Unidos, WORTEN Portugal, ENVIE DE SALLE DE BAIN França, EOBBUWIE.pl Polônia, HUAWEI Itália, HAO MAI YI China.

 

Como vimos o Brasil é destaque nesta amostra, com presença de quatro operações. Esperamos que assim continuemos.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Black Friday brasileira pode ser antecipada para setembro

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Os números de sexta-feira mostram um crescimento pela Ebit-Nielsen* de 23% em relação a 2017, superando a expectativa de 15% e perfazendo R$ 2,6 bilhões. O ticket médio ficou, como era previsto, em 8% superior ao ano passado, correspondente a R$ 608,00. O número de pedidos expandiu em 13% ficando em 4,2 milhões de pedidos.

 

A esses números que atestam o sucesso do Black Friday, devemos considerar dois aspectos que devem apontar as causas desse progresso. O número de consumidores descrentes na veracidade dos descontos, de acordo com pesquisa realizada, caiu de 38% para 35%. Ao mesmo tempo, os fornecedores tiveram sistemas mais eficientes na operação.

 

A continuar nesse ritmo, os bons resultados começarão a preocupar, pois as vendas de Natal, ponto mais alto do comércio nacional têm sido afetadas em favorecimento ao Black Friday. A perda é quantitativa e qualitativa, pois os preços natalinos são os de tabela. Os preços do Black Friday são promocionais.
O original modelo Black Friday, sucede o Dia de Ação de Graças, que é uma data sem similar no calendário brasileiro, compondo um cenário tipicamente americano. Uma adaptação poderia ser algo conveniente e necessário.

 

A ALSHOP, conforme nos relatou Luís Augusto Ildefonso da Silva, através do seu presidente Nabil Sayon, tem coordenado esforços para criar um modelo nacional de Black Friday. Antecipando-o, por exemplo, para setembro. Distanciado de forma suficiente para não interferir no Natal e fortalecendo o início da primavera como evento promocional.

 

O momento que evidencia o sucesso do Black Friday, agregado ao papel da ALSHOP, de aglutinador dos lojistas de Shopping Centers, deve conferir credibilidade a proposta.

 

Na verdade, o processo de nacionalização do Black Friday entre nós já começou, na medida em que as promoções relativas ao Black Friday se antecipam e se sucedem.

 

Pela nossa cultura pode ocorrer que a antecipação se estabeleça e o original permaneça. O que não invalida a tentativa.

 

*As vendas computadas pela Ebit/Nielsen são B2C, de produtos novos e realizadas através do e-commerce. Não estão inclusas passagens aéreas, serviços de entrega ou transporte nem venda de veículos.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Black Friday à brasileira

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Black Friday movimenta o comércio foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas-CBN

 

Importado dos americanos, há oito anos, o modelo Black Friday, embora cada vez mais adaptado ao Brasil e distante do original, vem crescendo substancialmente — mesmo sem a força do Dia de Ação de Graças, talvez a data mais importante do calendário americano, que se comemora na véspera e disponibiliza a sexta-feira como dia de compras. Além do americano ser mais focado, sem antecipações e descontos artificiais como em nosso caso.

 

De qualquer forma, o comércio brasileiro aumentou a pulsação há dias em torno do Black Friday.

 

Amanhã deverá apresentar números expressivos, se cumprirem as expectativas geradas. Pelo SPC, 58% dos consumidores deverão comprar 18% a mais do que no ano anterior. Pela Ebit-Nielsen, 15% a mais, com 6,4% de acréscimo, em 4 milhões de pedidos, totalizando R$ 2,43 bilhões.

 

São dados significativos, pois a antecipação que já vinha caracterizando o evento no calendário comercial nacional este ano tomou impulso maior. Ainda assim a previsão é de intensificação. Interpretada por alguns como compensação pelas crises do ano, como Caminhoneiros, Copa e Eleições.

 

De acordo com o SPC, o gasto médio será de R$ 1.200,0 contra R$ 1.000,00 de 2017, embora pela Ebit-Nielsen a estimativa seja de 8% de aumento perfazendo R$ 600,00.

 

O diretor da ALSHOP, Luís Augusto Ildefonso da Silva, através de pesquisa interna com representativos lojistas associados, confirmando os dados da Ebit, está convicto na evolução do Black Friday de amanhã. Ressalta a participação do comércio eletrônico de 70% nesse volume, lembrando que a origem do evento surgiu no âmbito da internet e só posteriormente foi seguido pelo varejo físico.

 

Destaque para o setor de vestuário, que deverá liderar as vendas por pedidos, enquanto os eletrodomésticos deverão predominar no ranking por valor.

 

Para provar que não há sistema perfeito, as vendas do Black Friday deverão diminuir o comércio de Natal. O setor ganhará antecipação e perderá no preço.

 

Boas compras e boas vendas a todos. Afinal, o comércio atuante gera benefício geral.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

O MERCOSUL é oportunidade

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Arte reproduzida do site Fecomercio SP
(Arte: TUTU)

 

Há uma semana, na Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo, houve evento da FECOMERCIO Internacional sobre o “Comércio intra-Mercosul”.  Correspondendo a 16% do volume total de nossas transações comerciais, e apresentando saldo positivo nas trocas, é inegável a importância do MERCOSUL para o Brasil. Sinalizando inclusive uma posição natural de liderança no grupo onde representa 80% do PIB.

 

O simpósio, dirigido por Rubens Medrano, presidente do Conselho de Relações Internacionais do MERCOSUL, em sintonia com o momento que antecede nova gestão política nacional, apropriadamente, levantou sugestões para intensificar as operações e acentuar os aspectos econômicos. Destacando as perspectivas e oportunidades.

 

Sebastian Bogado, Adido Comercial do Paraguai e Representante do Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai, palestrante no evento e nosso entrevistado, lembrou apropriadamente a “Ley de Maquila”, como exemplo de sucesso neste contexto de relações comerciais — cuja origem, datada dos anos 1960, através da ALALC Associação Latino Americana de Livre Comércio e, posteriormente, da ALADI Associação Latino Americana de Integração, na década de 80, com o objetivo de beneficiar os membros menos favorecidos do grupo (Paraguai, Uruguai e Bolívia), deu a prerrogativa a estes países de importarem insumos globais e exportarem após beneficiamento interno para os demais, sem taxas.

 

A ideia era desenvolver a economia desses pequenos países para que pudessem inclusive serem transformados em melhores mercados consumidores. Não funcionou. O Brasil, por exemplo, não cumpria com o prometido, e os produtos exportados não entravam. As negativas eram verbais para não deixar rastro que poderia possibilitar protestos internacionais.

 

Enfim, 30 anos depois, o presidente paraguaio Juan Carlos Wasmosy assinou a “Ley de Maquila”, que se viabilizou. Essa lei permite que empresas industriais e de serviços se instalem para produzir parcial ou totalmente produtos com vantagens operacionais, burocráticas e fiscais. A lei dá isenção fiscal à importação de bens de capital, tarifas reduzidas para importação de matérias primas, elimina o imposto de renda e estabelece taxação de 1% ao faturamento. Acrescente-se a isso um custo de mão de obra 30% menor com uma legislação trabalhista mais flexível e uma inflação controlada em 4,5%. O PIB cresce anualmente 4% em média e é o melhor desempenho do grupo.

 

A ameaça da Maquila apontada por alguns é precipitada — pelo tamanho do país e principalmente pelo efeito do desenvolvimento gerado aumentar o mercado de consumo.

 

A expectativa de Sebastian Bogado é das mais otimistas, pois mesmo na comparação com a China como mercado produtor, a proximidade, a língua, a qualificação da mão de obra e a permissão para constituir empresas totalmente brasileiras, leva ao território paraguaio vantagens competitivas relevantes. E os dois governos estarão sintonizados à direita.

 

Leia, também, “Um negócio da China no Paraguai”

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

 

*MERCOSUL

 

Países membros: Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai, (Venezuela) Países associados: Chile, Bolívia, Peru
Países observadores: Nova Zelândia, México

A “Revolta dos Eucaliptos” gera caos e indagações urbanas, no Morumbi

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Um eucalipto de 38 metros e 50 anos, ao ser desbastado a pedido dos moradores do condomínio horizontal que o abrigava, causou transtorno, quando parte do seu tronco ao ser removido tombou o guindaste e a carreta que o transportaria — além de atingir a rede de alta tensão.

 

Caos suficiente para atrair as TVs, as rádios e os helicópteros. Afinal, o porte da árvore, as dúvidas quanto a derrubada e o erro operacional contribuíram para a espetacularização ocorrida. Inclusive a proximidade ao Palácio dos Bandeirantes.

 

Visitando o local durante a operação, iniciada na quarta-feira, ouvimos dos moradores que lideraram o pedido à Regional do Butantã os motivos:

 

“Estávamos correndo risco com os galhos que poderiam cair nas crianças”

“Um galho destruiu meu telhado”

“Frequentemente tenho despesa com a limpeza do telhado cheio de folhas”

“A árvore é um para raio intenso, atraindo enorme quantidade de raios”

“Os raios que atraem se espalham pelas árvores vizinhas menores causando a morte delas”

“Não dá para regar as árvores vizinhas, tal a quantidade de água que absorve”

“Este porte de árvore não é condizente com o urbano”

 

É importante ressaltar o clima beligerante que observamos dos moradores em contenda com o Eucalipto. Talvez o momento agressivo que vivemos deva ser considerado, mais do que as recentes chuvas.

 

O histórico do local em termos de preservação já vinha demonstrando uma certa animosidade.

 

É o 14º lote da Rua Comissário Gastão Moutinho, originalmente ocupado por uma residência que foi vendida e demolida para o lançamento de 12 casas. Como a urbanização original não permitia tal adensamento, houve embargo por ação da entidade representativa dos moradores do Morumbi — bairro onde “habita” o Eucalipto. Houve um processo rápido em função do apoio da mídia, principalmente da TV Globo e do Estadão. Foram então construídas apenas seis casas, no formato de condomínio, cujos moradores, tempo depois solicitaram a derrubada do Eucalipto, alegando infestação de cupim.

 

A regional do Butantã enviou equipe para o corte. Com o apoio da rádio CBN, uma ação da entidade dos moradores do Morumbi conseguiu a retratação do engenheiro agrônomo que tinha assinado a autorização do corte da árvore. E a equipe foi dispensada. E os cupins não apareceram.

 

Surge agora, década e meia depois, essa autorização para a derrubada, expedida pela Regional e gerada pela solicitação dos condôminos, possibilitando uma série de interpretações e reflexões — dependentes da orientação social, cultural e comportamental de cada cidadão.

 

De nossa parte é clara a responsabilidade de quem procura uma região com as características do Morumbiem mantê-las. Não é lógico usufruir dos benefícios das árvores sem dar a elas a contra partida.

 

E para quem acredita que as árvores também têm alma, é bom saber que, com a reação do Eucalipto, os moradores foram castigados por 24 horas com barulho, lama e falta de energia.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Em Botucatu, um exemplo de agricultura sustentável

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

((vídeo produzido pelo canal do Projeto Orgânico Simples! no You Tube))

 

A cidade de Botucatu, há 44 anos, recebia os irmãos Joaquim e Pedro Shmidt e os amigos de infância Jorge Blaich e Mario Bertalot, com o propósito de transformar as terras ali recém-adquiridas num processo de refertilização e apaziguação da agressividade humana com o solo.

 

A “Estância Demétrio”, fundada por eles, e origem do bairro, que foi a primeira fazenda biodinâmica brasileira, se caracterizava por um solo arenoso que exprimia as feridas causadas pelo manejo agropecuário tradicional com as queimadas anuais, as geadas e as secas.

 

Vale registrar que a Agricultura Biodinâmica é uma forma alternativa de Agricultura Orgânica, que inclui conhecimentos e métodos químicos, geológicos, astronômicos e espirituais. Foi conceituada pelo alemão Rudolf Steiner na década de 1920.

 

A Biodinâmica tem recebido um crescente aumento de seguidores, como produtores e consumidores no ritmo dos produtos orgânicos. Ao mesmo tempo que há críticas de comunidades científicas a respeito das influencias intangíveis que absorve.

 

O núcleo original de Botucatu logo chegou a ter 30 hectares de verduras e 20 de ervas medicinais com mais de 100 funcionários. Posteriormente, juntou-se ao vizinho “Sítio Bahia” e se concentrou mais na produção de leite e no feito de cultivar trigo em solo originalmente castigado. Hoje abriga:

 

– “Escola Aitiara” de Pedagogia Waldorf promovendo integração social aos seus 300 alunos;
– A “Associação Brasileira de Agricultura Biodinâmica” que realiza pesquisas e cursos, prestando consultoria para produtores rurais.
– A “Associação Instituto Biodinâmico” credenciadora nacional e internacional com mais de 3000 produtores certificados.
– O “ Instituto Elo de Economia Associativa” que ministra curso de pós-graduação lato sensu de Agricultura Biológico-Dinâmica em parceria com a Universidade de Uberaba MG.
– A “Associação Nascentes” que cuida de preservação ambiental e recuperação dos aquíferos da região, além da coleta do lixo da região.

 

Diante de tantas credenciais, a cidade de Botucatu recebeu há uma semana o “XXXIII Encontro Latino Americano & XIII Conferência Brasileira de Agricultura Biodinâmica”, quando, durante quatro dias, o tema foi “Caminhos e encontros para um organismo agrícola e social”. Ou seja, a preservação e evolução do solo dentro de um sistema orgânico e social, de forma a desenvolver uma convivência construtiva e realizadora para todos os agentes.

 

Segundo Ricardo Corrêa, produtor rural local e comerciante pela WHEAT Bio Padaria, a proposição do evento foi alcançada, tendo havido muita troca de conhecimento e prática nos quesitos técnicos, culturais e sociais.

 

Ontem, diante das declarações do provável futuro ministro da agricultura Antonio Nabhan Garcia de desmatar na Amazônia Legal –- uma área que corresponde a 59% do território brasileiro –, desde que 80% da floresta fique preservada, a comparação imediata e a disparidade entre os conceitos do evento de Botucatu e os de Antonio Garcia afloram inevitavelmente.

 

Ricardo Corrêa, do time que aposta na recuperação do solo sem destruição de matas, acredita no modelo da Mata Atlântica para a Amazônia, cuja preservação está em parte com as grandes corporações que precisam de imagem e participam do processo de manutenção.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

 

O despertar dos Shoppings

 

Por Carlos magno Gibrail

 

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No momento em que o comércio eletrônico chega a R$ 48 bilhõese cresce 12%, os Shoppings dão sinais que acordaram do passado e começam a enxergar o presente. A BRMalls e a Ancar Ivanhoe estão utilizando a Delivery Center para serviços de entrega — atendendo a pedidos feitos via WhatsApp ou iFood, com entregas em até uma hora. O sistema é o 020 – online-to-offline.

 

No Shopping Tijuca a BRMalls experimentou o sistema na praça de alimentação e as vendas nos 3 primeiros meses subiram 15%. Até o final de 2019 a BRMalls estará integrando à plataforma 40 Shoppings.

 

Em breve a Multiplan lançará um canal de vendas online – o MultiShopping – que inicialmente levará o BarraShopping até o cliente. A Multiplan também está operando com a FullLab de tecnologia tipo big data para atuar em soluções para o seu varejo.

 

A Cyrela está com seis Shoppings integrados no ON Stores, seu Shopping virtual, utilizando logística descentralizada, de forma que o produto comprado pela internet pode ser recebido na casa do cliente ou entregue no Shopping. Em uma única compra. De todas as lojas do ON Stores, com um único cadastro e um único pagamento.

 

E, neste ponto, podemos afirmar que esse é o sistema irreversível que deverá ser adotado por todos os Shoppings. Caso contrário aqueles empreendedores resistentes poderão ser atropelados por seus parceiros de hoje: os lojistas mais avançados.

 

A pesquisa realizada pelo GEU Grupo de Estudos Urbanos GeoMarketing, dá a ordem de grandeza das inovações:

 

A Renner está com seu e-commerce crescendo quatro vezes mais que o mercado. Além disso está se preparando para potencializar ao investir na integração com as lojas física, que já é totalmente automatizada. Simultaneamente está aumentando os investimentos em centros de distribuição.

 

A Lojas Marisa começa a validar a integração entre lojas físicas e comércio eletrônico, quando se poderá comprar pela internet e retirar a mercadoria na loja. Até 2019 toda a rede de lojas estará integrada.

 

Em 22 de agosto, foi lançada a “NOVA LOJA Amazon Moda”. A loja de moda e esportes da Amazon em nosso mercado. São 350 000 produtos que estão num Marketplace onde são disponibilizadas marcas como Reserva, Animale, Capodarte, Havaianas, Le Lis Blanc, Levi’s, e muito mais do que qualquer grande Shopping físico brasileiro.

 

Para quem, desde o ano 2000, testemunhou ouvir que ninguém compraria moda pela internet e que até hoje atesta que muitos Shoppings temem a integração com o mundo físico pela imaginária competição com o virtual, esses fatos reais são um alento.

 

Esperemos que o tardio despertar não seja lento.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung